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Desafio das Estrelas

qua, 17/03/10
por Rafael Lopes |

Este vídeo, enviado pelo Dudu Massa, irmão do Felipe, mostra um resumo do Desafio das Estrelas de kart, sempre muito bem organizado pela família, em parceria com Carlinhos Romagnolli, em Florianópolis. Vale a pena assistir. A edição está ágil e a trilha sonora muito bem escolhida. De quebra, ainda dá para ver o próprio Felipe, Rubens Barrichello e Michael Schumacher, entre outros, na pista. Confiram!

Alguém duvida de Felipe Massa?

dom, 06/12/09
por Rafael Lopes |

Massa vence as 500 Milhas da Granja Viana

Crédito das fotos: Miguel Costa Jr. e Rafael Lopes

Confesso que fiquei feliz com o bom desempenho de Felipe Massa no Desafio das Estrelas e nas 500 Milhas da Granja Viana. Em três corridas, duas vitórias, sendo que uma delas em uma prova longa, de mais de 11 horas de duração. Ainda que sejam “apenas” corridas de kart, os triunfos servirão para dar confiança ao brasileiro, que retornará à Fórmula 1 em 2010 após o forte acidente do treino classificatório do GP da Hungria. Se alguém tinha dúvidas sobre o retorno do piloto, este fim de ano serve para saná-las definitivamente.

“Ah, mas não é um carro de Fórmula 1″, podem dizer. É verdade. Mas, por incrível que pareça, o kart é a categoria que melhor reproduz a sensação de velocidade da maior categoria do automobilismo. A pista é mais estreita e o veículo não tem suspensões. Os eixos rígidos transferem todas as pancadas da pista direto para o corpo do piloto. Quem já pôde pilotar um kart, pelo menos por 20 minutos, sabe o efeito da “brincadeira” no dia seguinte. Dores no pescoço e nas costelas são as principais reclamações. Imagine isso depois de 11h! Mesmo em uma pessoa preparada fisicamente, o efeito é devastador. Por isso a resistência de Massa é animadora.

Felipe terá um desafio enorme em 2010. Além de retornar e ter de mostrar que está bem, ele enfrentará ninguém menos que o bicampeão Fernando Alonso dentro de sua equipe. O brasileiro é, notadamente, o piloto mais rápido da Fórmula 1 atual em treinos de classificação, mas o espanhol é excepcional em ritmo de corrida. Ele precisa, no início do ano, ganhar confiança para enfrentar o novo rival. A vantagem de Massa é conhecer a forma de trabalho da Ferrari. Uma série de bons resultados poderá transferir a pressão para o outro lado.

Depois deste fim de ano vitorioso, alguém duvida de Felipe Massa?

Massa no Desafio das Estrelas

Rumo ao topo

seg, 30/11/09
por Rafael Lopes |

Mini-header Desafio das Estrelas

Bia Figueiredo no Desafio das Estrelas

Quando a gente faz uma matéria legal, sempre vale a pena o destaque. Após o Desafio das Estrelas de kart, fiz uma boa entrevista com Bia Figueiredo, um dos destaques do fim de semana em Florianópolis e única mulher a disputar a competição promovida por Felipe Massa. O papo rendeu e ela fala, além das expectativas para o próximo ano, que não liga para a concorrência de Danica Patrick na Indy.

- A pressão de disputar com a Danica não me preocupa. Não tenho nenhum problema. Tenho uma carreira até mais longa que a dela. Vou buscar o meu espaço. Não estou indo para a Indy para disputar com a Danica e sim com todo mundo – diz Bia.

Leiam o restante da matéria no GLOBOESPORTE.COM!

As imagens do terceiro e último dia

dom, 29/11/09
por Rafael Lopes |

Mini-header Desafio das Estrelas

Michael Schumacher

Michael Schumacher (belos óculos!) e Paulo Carcasci mexem no kart nos boxes

Lucas di Grassi

Lucas di Grassi é entrevistado por Carlos Gil, da Rede Globo

Mecânico do kart

Um dos mecânicos faz sinal para seu piloto no Warm Up no domingo

Duda Pamplona

Duda Pamplona prepara seu kart para a corrida no Warm Up

Michael Schumacher

Schumi tenta achar o melhor acerto para o kart antes da corrida

Bandeira da Alemanha

Bandeira da Alemanha nas arquibancadas do novo kartódromo em Florianópolis

Lucas di Grassi

Lucas di Grassi calibra os pneus de seu kart antes da segunda corrida

Grid de largada

Karts alinhados no grid de largada da segunda corrida em Floripa

Largada

Pilotos colocam os karts alinhados lado a lado antes da largada

Antes da primeira reta

Antes da reta principal, karts já estao embolados na disputa por posições

Rubens Barrichello

Rubens Barrichello lidera o pelotão logo no início da corrida

Felipe Massa

Felipe Massa ainda tentava se recuperar para buscar a ponta neste momento

Pódio

Massa vence a segunda corrida, mas Schumacher é o campeão do Desafio das Estrelas

O brasileiro e o alemão

dom, 29/11/09
por Rafael Lopes |

Mini-header Desafio das Estrelas

Paulo Carcasci e Michael Schumacher trabalham no kart

Uma matéria minha no GLOBOESPORTE.COM que vale o destaque aqui no blog também. Conversei com Paulo Carcasci, ex-piloto e que está fazendo às vezes de tradutor de Michael Schumacher no Desafio das Estrelas de kart, além de ajudar também na parte técnica. O papo foi muito legal e ele revelou algumas particularidades do trabalho com o heptacampeão da Fórmula 1.

- Achei o máximo quando veio o convite do Dudu e do Felipe Massa para trabalhar com o Michael. Aceitei na hora. Imagina o quanto que dá para a gente aprender. Está sendo uma experiência fantástica, apesar do evento ser limitado nos ajustes. Mas dá para ver como ele trabalha, a postura dele. É um cara bem tranquilo, focado, sabe o que precisa fazer, o que quer fazer. Ele mexe no kart pessoalmente. É um cara bem caprichoso. A maioria das coisas ele quer fazer pessoalmente. É excelente porque é exatamente o que prego aos moleques que a gente dá aula. Não é para eles serem mecânicos, mas que eles saibam com o que estão mexendo, aquele material com que estão lidando. Isso ajuda no entendimento geral do kart e depois do carro. E o Michael demonstra exatamente isso, sabe o que está fazendo – diz Carcasci.

Leiam o restante da matéria no GLOBOESPORTE.COM!

As imagens do segundo dia

sáb, 28/11/09
por Rafael Lopes |

Mini-header Desafio das Estrelas

Chuva na manhã de sábado

Nelsinho Piquet com o capacete de Dudu Massa debaixo d’água em Floripa

Michael Schumacher

Michael Schumacher trabalha em seu kart nos boxes de Florianópolis

Nelsinho Piquet

Nelsinho Piquet observa as atividades nos boxes em uma das pausas na pista

Michael Schumacher

Michael Schumacher tenta marcar tempo no treino classificatório

Vitor Meira e Marcos Gomes

Vitor Meira e Marcos Gomes no treino classificatório de sábado

Felipe Massa

Felipe Massa fica a um milésimo de passar ao Top Qualifying

Bia Figueiredo

Bia Figueiredo observa o segundo grupo de pilotos em Florianópolis

Max Wilson

Max Wilson pouco antes da curva de entrada da reta principal do circuito

Tony Kanaan

O nariz quebrado do kart de Tony Kanaan antes da largada da primeira corrida

Pilotos alinhados para a largada

Bela imagem mostra os karts alinhados lado a lado antes da largada

Michael Schumacher

Michael Schumacher na frente dos adversários no início da primeira corrida

Michael Schumacher

A “discreta” camisa de Schumacher na coletiva da vitória após a prova

As imagens do primeiro dia

sex, 27/11/09
por Rafael Lopes |

Mini-header Desafio das Estrelas

Imagem da pista do Desafio das Estrelas

A nova pista do Desafio das Estrelas: o Kartódromo Internacional de Santa Catarina

Michael Schumacher

Michael Schumacher conversa com o mecânico de seu kart

Nelsinho Piquet

Nelsinho Piquet verifica seu kart antes de ir à pista

Antonio Pizzonia

Antonio Pizzonia e o capacete do “Slash” na pista

Antonio Pizzonia

O detalhe do capacete do “Slash” Pizzonia

Vitantonio Liuzzi

Vitantonio Liuzzi na pesagem de seu kart em Floripa

Bia Figueiredo

A bela Bia Figueiredo analisa os detalhes de seu kart antes do treino

Dudu Massa

Dudu Massa testa a pista antes do início dos treinos em Floripa

Lucas di Grassi

Lucas di Grassi e o capacete “Alien” que ele usará no Desafio das Estrelas

Sala de imprensa

Quadro ornamenta a sala de imprensa do kartódromo

Aventuras em quatro rodas

sex, 06/11/09
por Rafael Lopes |

Capacetes da equipe de jornalistas nas 500 Milhas de kart amador

Crédito das fotos: Bruno Terena e Rafael Gagliano

Dizem que todo jornalista de automobilismo é uma espécie de piloto frustrado. Esta afirmação está certa apenas em parte. Afinal, alguns deles (como eu) gostam de bater sua “peladinha” no fim de semana. Só que, em vez de pegar uma bola e entrar no campo de futebol society, nos aventuramos nas pistas de kart indoor do Rio, de São Paulo, de todo o Brasil. A brincadeira se tornou tão séria que já existe a FIAk em São Paulo. FIAk? É, Federação Internacional dos Andadores de kart, presidida pelo meu amigo Rodrigo França.

No domingo passado, o Kartódromo Granja Viana, administrado por Felipe Giaffone, abriu uma oportunidade para os “aventureiros”. Organizou as 500 Milhas de kart amador, evento que dava vaga para uma das equipes na famosa e já tradicional 500 Milhas da Granja Viana, que será realizada no primeiro fim de semana de dezembro. E o meu amigo Alexander Grünwald, que trabalha no canal SporTV e dono da coluna Sexta Marcha aqui no Voando Baixo (que volta na semana que vem – promessa dele!), participou da brincadeira, junto com um time de jornalistas. Confira abaixo o relato dele:

Largada das 500 Milhas de kart amador na Granja Viana

Escrevo exausto. Exausto, não. Acabado, quebrado, com dores por todas as partes do corpo. No entanto, muito feliz pelo que vivi e realizei no último domingo. Uma experiência que não vou esquecer tão cedo, por diversos motivos, e que certamente valeu para outras que ainda virão.

Eu ia dizer que competir na primeira edição das 500 Milhas de Kart Amador da Granja Viana foi muito legal. Mas ‘competir’ não é o verbo mais adequado. O evento reuniu tantos profissionais e semi-profissionais do esporte que, de certa forma, esta situação nos fez encarar a prova, antes mesmo da largada, como um dia de diversão e aprendizado. Minha equipe era formada por profissionais de imprensa que cobrem automobilismo. Todos, sem exceção, pilotos amadores. Gente que baseia sua experiência em teco-tecos de indoor uma vez por mês, e não em karts de competição com chassis e motores preparados que disputam campeonatos regionais ou nacionais a cada fim de semana.

Como não havia chance alguma de vencermos os times que contavam com pilotos experientes, corremos sem grandes pretensões em termos de resultado. Ao longo das 12h de prova, a ideia era respeitar o limite de cada um de nós, dividindo os turnos com certo critério para que chegássemos inteiros (ou quase) à bandeirada. Uma opção saudável para um domingo de sol e céu azul, que mais tarde se converteu numa bela noite de lua cheia.

Alexander Grünwald nas 500 Milhas de kart amadorNum grid de 43 karts – exatamente aqueles que você pode alugar para se divertir com os amigos a qualquer hora – largamos no 36º lugar. Um verdadeiro milagre alcançado pelo fotógrafo Bruno Terena durante a volta de classificação, diante do equipamento ruim que ele tinha em mãos. Depois de largar e fazer o primeiro turno, Terena passou o bastão para o jornalista Rodrigo França, na nossa primeira troca de kart/piloto do dia. Uma operação simples, mas que, diante da pressão, precisava ser feita com atenção.

A coisa funcionava assim: quem chegava ao box parava o kart numa área determinada pela direção de prova. Imediatamente a equipe arrancava a placa de identificação e a tornozeleira que prendia o sensor à perna do piloto, para apresentar aos comissários, posicionados alguns metros adiante. Só então era sorteado um número de um a dez, correspondente à vaga onde estava estacionado o kart que o próximo piloto deveria guiar. Aí era colocar a placa neste kart e prender a tornozeleira, enquanto o piloto se encaixava no banco. Dali em diante, fé em Deus e pé na tábua.

Fui o terceiro a ir para a pista, às duas e quinze da tarde do horário de verão. Nem preciso dizer o quanto estava calor, mas isso acabou se transformando num detalhe assim que deixei a área de box. De cara, percebi que quando você é jogado aos leões com outros 42 caras adrenados e guiando feito selvagens, é preciso encontrar bem depressa aquele meio termo para andar: nem tão devagar a ponto de ser atropelado pelos demais, e nem tão rápido a ponto de pagar o alto preço dos pneus frios. Eles realmente não perdoam abusos de quem quer frear tarde ou contornar uma curva de pé embaixo. Por outro lado, são previsíveis: quando esquentam, te dão liberdade para avançar gradualmente. Simples assim.

Só que, sem ritmo de corrida, eu demorei a entender esta equação. Para completar, descobri que o kart não tinha freios logo na primeira vez que precisei deles. Dei uma estampada nos pneus e, a partir daí, guiei fazendo forçosas adaptações na pilotagem, volta após volta. O que, admito, me tirou muito do prazer de pilotar. E que não impediu que eu errasse em trechos bobos do traçado, devido ao problema mecânico. Aquelas 40 voltas foram muito, mas muito cansativas. Depois de quase 45 minutos na pista, saí do kart esgotado. Eu estava programado para fazer logo o turno seguinte ao do piloto que me substituíra, pois precisava ir embora mais cedo. Porém, avisei à equipe que não havia condição alguma de manter o combinado. Assim que foi preparado outro piloto para a próxima troca, simplesmente sentei no chão do nosso box, ainda zonzo, esperando passar aquele misto de cansaço e frustração.

Adiar o segundo turno me fez perder uma carona e, com ela, a garantia de que conseguiria ir embora a tempo de cumprir meu plantão na TV. Mas esta foi, sem dúvida, a decisão mais acertada do dia. Quatro trocas depois, mais ou menos refeito fisicamente, lá estava eu de volta à pista no fim da tarde. Teoricamente para defender nossa equipe. Na prática, para mais 40 voltas de aprendizado e autoconhecimento. E não foi brincadeira o quanto eu aprendi nesta segunda janela. Pude sentir, enfim, que cada um tem seu jeito, sua zona de conforto. Conselhos ajudam, dicas de traçado idem, mas o que vale mesmo é o teu limite, a tua tocada, o jeito que te cai melhor para contornar uma curva, para encontrar o tempo e o local de uma frenagem. Se conhecer é fundamental para entender o equipamento que você tem em mãos e fazer o melhor uso possível dele.

No entanto, antes de alcançar este grau de autoconhecimento, recebi um totó, saí da pista e bati forte numa barreira de pneus, ainda na segunda volta. Felizmente, nada grave. Logo na sequência, voltei a acelerar para conseguir, pouco a pouco, superar meus medos, minhas dificuldades, meu nervosismo e até minhas dores; para ganhar um pouco mais de confiança e me entender de vez com o kart que tentava domar.

Rodrigo França nas 500 Milhas de kart amadorÉ evidente que terminei este segundo turno cansado, também. Ainda mais porque o joelho da perna que acelera foi afetado diretamente na batida. Acreditem: estava mais desconfortável guiar em linha reta, por causa do movimento de aceleração, do que em curvas fechadas. Porém, quando recebi a sinalização de que faltavam cinco voltas para eu entrar no box, sorri. Naquela altura, eu mal havia notado o tempo passar. Já tinha encontrado um bom ritmo, estava andando forte e errando menos, embora aquela maldita curva da batida ainda fosse um caso mal resolvido a cada nova volta. Apesar dos pesares, curti o momento e percebi claramente o quanto estava guiando feliz.

Quando passei o kart para o colega de profissão e companheiro de equipe Luiz Alberto Pandini – que também escreveu um texto sobre a nossa corrida – abri a viseira e respirei fundo. Ali, agradeci a Deus por ter me dado a oportunidade de errar, de acertar e, principalmente, de superar o maior adversário que encontrei naquela pista: eu mesmo. Ainda bem que não fui embora mais cedo, caso contrário não teria feito este segundo turno e sairia de lá carregando a frustração que me acompanhou ao longo daquelas voltas iniciais.

Como se fosse combinado, ainda fui presenteado com outra carona assim que o sol se pôs, chegando pontualmente à emissora para cumprir minha escala de plantão. Enquanto trabalhava, fiquei trocando mensagens de texto e telefonemas com quem estava lá na pista, procurando informações sobre o andamento da corrida e o desempenho da nossa equipe. Até que, pouco depois da uma da manhã, soube que recebemos a bandeirada na 38ª posição. Nada mal para um time com oito pilotos (que gastava mais tempo com trocas, portanto), todos com as limitações técnicas naturais de quem pratica a atividade apenas como hobby.

Assim, aproveito para saudar publicamente os amigos e companheiros de equipe Bruno Terena, Leandro Castaño, Luiz Alberto Pandini, Luiz Vicente Miranda Apa, Rodrigo França, Tiago Mendonça e Wagner França, pelo apoio incondicional em todos os momentos. Com o mesmo entusiasmo que me davam força quando eu errava grotescamente, reconheciam quando eu conseguia andar no ritmo de caras mais fortes. Não tenho do que me queixar, apenas agradecer a oportunidade de estar junto de vocês neste dia. E não posso deixar de mencionar o amigo Cássio Cortes, que teve que viajar na última hora e abriu a vaga que me deu a chance de participar desta prova. Torço para que o destino permita que estejamos juntos novamente em 2010, mantendo o espírito de diversão e amizade que nos acompanhou neste fim de semana. Se possível, com um resultado ainda melhor.

Luiz Alberto Pandini recebe a bandeirada nas 500 Milhas de kart amador

Esporte a motor não é uma paixão para ser curtida nas arquibancadas dos autódromos ou em frente à televisão. Com o crescimento do número das pistas de kart indoor em todo o país, é uma paixão para ser praticada. Reúna seus amigos e também se aventure no kart. É um esporte sensacional e você ficará apaixonado após a primeira volta, garanto. E até as dores nas costelas, no dia seguinte, serão um incentivo para voltar às pistas. Falo isso por experiência própria. Então, às pistas!

Aqui e agora

qui, 08/10/09
por Rafael Lopes |

Coluna Artista na Pista

Rubens Barrichello no GP de Cingapura de 2009

Tudo começou com um Autorama Estrela, no início dos anos 70. Corria o ano da graça de 1973, para ser mais exato. Tinha doze anos e ganhara, de presente de Natal, uma pista em formato de “oito”, com duas Lotus (uma vermelha e outra preta), que ostentavam orgulhosamente o nome de Emerson Fittipaldi, “o primeiro brasileiro campeão mundial de Fórmula 1”.

Tinha aprendido a dirigir cedo. Muito cedo. Debaixo de protestos de minha mãe e silêncio cúmplice de meu pai, com menos de dez anos (!) saí dirigindo sozinho o Fusca branco (1300 cc) da família. O saudoso – e quase desértico – balneário de Rainha do Mar, no litoral gaúcho, era o lugar era perfeito para um moleque aprender a dirigir. Zero trânsito e zero policiamento, meia dúzia de casas no meio das dunas e algumas poucas ruas, pavimentadas com paralelepípedos. O único problema era arrumar algumas almofadas no banco para eu conseguir enxergar alguma coisa através do pára-brisa…

Lembro até hoje da sensação: naqueles breves – e arrebatadores – momentos de “pilotagem”, não havia espaço na minha cabeça para os deveres de casa, escola, amigos, planos de férias ou qualquer outra coisa. Dirigindo o carro do meu pai, estava infinitamente concentrado no “ali e então”. Nada mais importava e a vida, pensava eu, era “aqui e agora”, “aqui e agora”, “aqui e agora”…

Já andava muito bem de bicicleta, com direito a cavalos de pau, “bicicross” e vários joelhos esfolados. Mas o autorama, ah, o autorama era o meu passaporte de entrada para o mundo das competições de verdade. Tinha virado “piloto de autorama” e consertava, “adesivava” e polia aqueles carrinhos com devoção quase religiosa. Participava de competições de autorama na casa de colegas de escola e, em seguida, em pistas “oficiais”, contra “pilotos” (média de idade por volta de 12 anos) de toda cidade de Porto Alegre. Nunca fui um grande campeão, mas sabia acelerar aqueles carrinhos, ganhando muitas corridas.

Grande surpresa foi acordar num domingo pela manhã, bem cedo, e ver pela televisão as “minhas” Lotus em tamanho real, correndo numa pista de verdade. Meu pai estava assistindo ao GP de Mônaco de 1973, o dia era 3 de junho e fiquei siderado em ver as Lotus de Emerson Fittipaldi e Ronnie Peterson serpenteando por aquelas ruas estreitas, junto com as Tyrrell (de Jackie Stewart e François Cévert), Brabham, McLaren, Surtees, March, Ferrari, Shadow e BRM. O “escocês voador” ganhou aquela corrida, com Emerson em segundo. Mas eu tinha ganhado algo mais: um vício, um hobby, uma paixão que iria me acompanhar por toda a vida.

Assisti a quase todas as corridas de Fórmula 1 nos últimos 36 anos. Torci desesperadamente por Emerson Fittipaldi a bordo daquela inesquecível Lotus preta e dourada, com patrocínio dos cigarros John Player Special. Torci ainda mais pelo “Rato” a bordo da Marlboro/Texaco McLaren Ford M23, vermelha e branca. Tive o prazer de assistir – ao vivo e a cores, o que não era pouca coisa naquela época – o cara vencer o Campeonato Mundial de F-1 de 1974, depois de uma briga duríssima com as Ferrari de Clay Regazzoni e Niki Lauda, com Jody Scheckter e sua Tyrrell correndo por fora.

Emerson embarcou no sonho do Copersucar-Fittipaldi em 1976 e tive que esperar mais de cinco anos para torcer novamente por um brasileiro campeão mundial. Piquet e sua Brabham (e, mais tarde, sua Williams) me proporcionaram outras tantas manhãs de domingo inesquecíveis. Sem falar em Ayrton Senna (com sua Lotus e, especialmente, sua McLaren). Dois tricampeões brasileiros de F-1, seis campeonatos mundiais, quase em sequência: eu era feliz e eu sabia.

Piquet se aposentou da Fórmula 1 depois da Benetton e Senna desapareceu na Tamburello, em 1994. Fiquei com Barrichello e sua Jordan, além de outros pilotos que chegaram e partiram da F-1. Acompanho com carinho a trajetória de Rubens e o considero um grande piloto que jamais teve a oportunidade certa no momento certo. Coisas da vida, que não tenho a pretensão de entender. Mas o fato é que agora, quando quase ninguém mais dava nada por ele, o cara ressurge com possibilidades de sagrar-se – finalmente – campeão mundial, a bordo de sua surpreendente Brawn.

Marcos Breda e seu filho no kartO certo é que, desde a morte de Senna, eu redescobri o “aqui e agora” de pilotar. A febre do kart indoor fez mais uma vítima: eu. Paixão redescoberta, sacramentada numa reportagem do Vídeo Show, na metade de 1997, na saudosa pista do Playkart, em Sampa. Lá comecei a participar de corridas, torneios e campeonatos, primeiro no kart indoor e depois nas pistas outdoor. Lá se vão quinze anos de corridas de kart, no Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e muitas outras cidades. Montei até mesmo uma equipe – a DART – junto com os atores/pilotos Marcos Pasquim e André Mattos, participando de competições e eventos promocionais de kart por todo o Brasil.

O kart continua sendo um hobby para mim. Mas um hobby que pratico com a mesma seriedade com a qual exerço minha profissão de ator. Talvez porque, mais do que qualquer outra coisa, sinto no palco e na pista a mesma sensação de “presente do indicativo”. A sensação de que a vida – ou pelo menos uma parte muito saborosa dela – é aqui e agora.

Quando as cortinas do teatro se abrem para o início de um espetáculo ou quando baixo a viseira do capacete para a largada de uma corrida de kart, lembro sempre da sensação daquele moleque que fui um dia, dirigindo o fusca branco do meu pai. E sigo repetindo para mim mesmo, como um mantra: o melhor da vida é aqui e agora… Aqui e agora… Aqui e agora…

Marcos Breda é ator de teatro, cinema e televisão. É também locutor, dublador, apresentador, professor universitário e produtor teatral. A coluna Artista na Pista é um espaço onde personalidades dos palcos, das artes cênicas ou da literatura têm um espaço aberto para comentar sua relação com os esportes a motor, especialmente a Fórmula 1.

Um dia de piloto…

qua, 02/09/09
por Rafael Lopes |
categoria Fórmula 1, Kart

Eu em uma das baterias do Barrichello Kart Day

Fiquei muito feliz ao receber o convite para o primeiro Barrichello Kart Day, evento promovido por Rubens Barrichello no Kartódromo da Granja Viana, em São Paulo. Costumo andar de kart sempre quando dá e costumo disputar algumas curvas com amigos jornalistas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Mas desta vez era diferente: seríamos observados pelo piloto, que também entrou na pista nas duas primeiras baterias do evento.

Barrichello estava de muito bom humor e fez piadas com todos nós, sem exceções. Antes de entrar na pista, uma rápida aula de pilotagem com o brasileiro, que até brincou: “Amanhã, vou escrever sobre o desempenho de todos vocês, hein?”. Entrei na primeira bateria eliminatória e, após um sorteio, recebi o kart número… Bem… 24! Pausa para mais piadas dos colegas e de Barrichello, que dava gargalhadas a cada lance nos boxes.

Correndo na pista após o kart quebrarFomos para a pista. Era minha primeira vez na Granja Viana e o kartódromo era sensacional. Após uma volta de reconhecimento, abri minha primeira tentativa de marcar um bom tempo. Após a terceira curva, senti um totó na traseira do kart. Olhei para o lado e vi: era Rubens Barrichello, rindo, para variar. Duas curvas depois, não sei se por causa deste toque, a roda traseira direita quebrou e o veículo saiu rodopiando, até parar na terra.

Saí correndo para os boxes, peguei outro kart (o 11, ainda bem) e fui para a pista. Dei uma volta apenas e ainda consegui colocar três pilotos atrás de mim no grid. A corrida começou bem, mas tomei um toque na entrada do miolo e caí para último. Ainda consegui me recuperar e cheguei em sexto, classificado para a final. Nada mal para um kart que saía muito de traseira e não tinha um motor tão bom quanto o primeiro.

Outro sorteio e peguei o kart 4 na bateria final. O motor e os pneus traseiros estavam melhores, mas ele saía muito de frente. Com o cansaço muscular, a tarefa de chegar ao final da corrida era cada vez mais difícil. Após ver o motor morrer na largada, tentei me recuperar, cheguei perto do penúltimo, mas as dores nos braços e costelas impediam um desempenho melhor. No fim, completei a bateria na 12ª e última posição.

O resultado não foi tão ruim, principalmente por causa das dores do fim da corrida. A vitória ficou com o amigo Betto D’Elboux, da revista Stock Show, seguido por Rafael Munhoz, da Racing. A prova também contou com as participações dos companheiros Ivan Moré, da Rede Globo, Alexander Grünwald e Laura Fonseca, do SporTV. O evento foi bem legal e as corridas, melhores ainda. Mas o ponto alto mesmo foi ouvir as piadas de Rubens Barrichello sobre o meu desempenho… Não tem preço!

Toda a turma do Barrichello Kart Day

Crédito das fotos: Carsten Horst/Hyset

Hamilton volta ao kart

qua, 18/02/09
por Rafael Lopes |

Lewis Hamilton, atual campeão mundial de Fórmula 1, abriu, nesta quarta-feira, o Formula Kart Stars Championship, evento de kart que reúne jovens pilotos na Inglaterra e que o revelou há 13 anos. Em 1996, o piloto venceu na categoria cadete e, após o evento, ele conheceu Ron Dennis, com quem iniciaria uma relação até chegar à Fórmula 1 pela McLaren, em 2007.

Confira o que ele falou na matéria do GLOBOESPORTE.COM

Barrichello no topo

seg, 01/12/08
por Rafael Lopes |

Mini-header Desafio das Estrelas

Barrichello beija o troféu do Desafio das EstrelasRubens Barrichello, com justiça, foi o campeão do Desafio das Estrelas de kart, disputado no último fim de semana em Florianópolis. É claro que a prova teve seu caráter esportivo, mas foi importante também para dar uma contribuição às vítimas da enchente em Santa Catarina. A capital do estado, aliás, quase não foi atingida pelos estragos da chuva, apenas na SC-401, que ficou interditada por uma queda de barreira. Mas a realização do evento serviu para dar um novo ânimo ao povo catarinense e para ajudar os necessitados.

Voltando ao lado esportivo, é uma balela dizer que os pilotos estavam lá apenas para brincar. Foi um fim de semana de férias, é verdade, mas quando eles estavam no kart tudo era para valer. Michael Schumacher, por exemplo, foi um dos que mais levou tudo a sério. Após os treinos, ele era um dos que mais gastava tempo nas regulagens do motor e do chassi. Os pilotos mais relaxados eram Jeff Gordon, da Nascar, e Luiz Tedesco, do rali, que foi chamado de última hora para substituir Cristiano da Matta. O catarinense chegou a ser dois segundos mais lento que o penúltimo colocado. Algo natural para quem não está acostumado a esse tipo de corrida.

Quanto a Rubens Barrichello, o brasileiro era uma das pessoas mais tranqüilas do paddock no Kartódromo dos Ingleses. Sempre com um sorriso no rosto, ele nem parecia estar com sua participação ameaçada na temporada 2009 da Fórmula 1. Apaixonado pelas corridas de kart, o piloto se divertiu bastante na competição e tocou como ninguém nas duas baterias do domingo. Na primeira, em especial, ele deu show. As ultrapassagens sobre Vitantonio Liuzzi, Michael Schumacher e Lucas di Grassi foram sensacionais.

Na segunda corrida, duas belas disputas com Michael Schumacher e Lucas di Grassi. Ambas terminaram em toques. Se a do alemão pareceu de propósito, a do brasileiro aconteceu por causa das ondulações na curva dos boxes. Mas o título acabou mesmo nas mãos de Rubens Barrichello, com muita justiça. E isso dá mais gás para ele continuar a lutar por uma vaga na Fórmula 1 em 2009.

Crédito da foto: Fábio Oliveira

Imagem do dia

dom, 30/11/08
por Rafael Lopes |

Mini-header Desafio das Estrelas

Barrichello comemora e Schumacher lamenta

Essa imagem diz muita coisa. É simplesmente o inverso do que acontecia na Ferrari. Enquanto Schumacher volta para os boxes após o acidente com seu kart, Rubens Barrichello comemora o título merecido do Desafio das Estrelas de kart. Aliás, o brasileiro teve um desempenho irrepreensível em Florianópolis.

Crédito da foto: Fábio Oliveira

Schumi e a banana

sáb, 29/11/08
por Rafael Lopes |

Mini-header Desafio das Estrelas

Schumacher come uma banana antes de correr em Floripa

Mais uma do Schumacher. Antes da parte final do treino classificatório, o alemão resolveu comer uma banana ao lado da pista. O potássio contido na fruta evita o aparecimento de cãibras durante a atividade física. Explicações à parte, quem já andou de kart sabe que a exigência física é enorme em uma corrida.

Dois momentos de Schumacher

sáb, 29/11/08
por Rafael Lopes |

Mini-header Desafio das Estrelas

Schumacher com Nicolas Todt e após conversar com o cinegrafista

Michael Schumacher pode estar em uma brincadeira, como o Desafio das Estrelas, mas sempre leva a sério seu trabalho. Primeiro, ele gastou um bom tempo conversando com Nicolas Todt, filho de Jean Todt e empresário de Felipe Massa. Depois, após bater um bom papo com o cinegrafista da foto, o alemão assistiu às primeiras voltas da parte final do treino classificatório desta plataforma.



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