
A Fórmula 1, cada vez mais, vive sob influência de modas lançadas por algumas equipes. Já tivemos o bico tubarão, os carros-asa e até soluções mais esdrúxulas, como os candelabros da Tyrrell em 1997 que, felizmente, não fizeram sucesso. Nesta temporada, a vez é das famosas bigornas, idealizadas por Adrian Newey, projetista da RBR, no início do ano. No total, seis times usam regularmente ou já testaram a exagerada tampa do motor: RBR, Renault, STR, Force India, McLaren e Toyota. Só Ferrari, Honda, BMW Sauber e Williams não seguiram a moda (a equipe de Frank Williams testou algo parecido, mas abandonou a idéia).

Essas “modas” na Fórmula 1 reforçam a máxima que sempre existiu na categoria: “Nada se cria, tudo se copia”. Mas as bigornas não são o único caso. No ano passado, a McLaren lançou a asa-ponte, também apelidada de boca de bagre. E atualmente, nada menos que seis equipes usam a solução. Apenas a Honda, BMW Sauber, Ferrari e Force India ficaram sem a peça aerodinâmica. Basta alguma novidade começar a fazer efeito, que as outras equipes vão correr atrás em seus departamentos de desenvolvimento e, invariavelmente, vão copiá-las.

Outra moda que lembro ter feito muito sucesso foi os defletores laterais lançados pela BAR (atual Honda), em 2005. A equipe inaugurou a tendência de penduricalhos nas laterais dos carros, que vemos atualmente ao extremo em todos os modelos da Fórmula 1. Inicialmente discretos, este tipo de apêndice aerodinâmico aumentou muito de tamanho, como podemos ver na foto abaixo, na Ferrari. Neste ano, em especial, as equipes estão abusando desta solução, já que a FIA vai impor uma seríssima restrição ao desenvolvimento aerodinâmico na próxima temporada.

Além dessas que destaquei, tivemos outras, como os chifres da McLaren, os da BMW Sauber, o orifício no bico da Ferrari. A criatividade sempre esteve em alta na Fórmula 1, mas desde sempre algo que deu certo será copiado por outros times. Isso economiza tempo de pesquisa e pode resolver um problema de forma simples. Mas a próxima temporada promete traçar novos paradigmas em termos de desenvolvimento. Vamos ver como os projetistas vão se virar com as restrições do regulamento.