Um bom começo


Admito que eu era uma das pessoas a ter um pouco de cautela em relação à Fórmula Superliga. Apesar de achar uma idéia sensacional juntar o automobilismo com o futebol, eu queria esperar até ter certeza do sucesso da empreitada. Sempre vinha à memória, é claro, o fracasso da Premier 1 GP. Mas este fim de semana em Donington Park serviu para tirar todas as dúvidas de minha cabeça. A categoria é séria e tem tudo para se tornar um sucesso em breve.
À medida em que os carros eram mostrados e os testes eram realizados, minhas certezas aumentavam. Juntar o automobilismo com o futebol é bom, porque você traz mais público interessado no esporte a motor. E ainda se pode formar um consumidor do esporte, o que nunca é demais, principalmente no Brasil. As duas primeiras corridas em Donington Park serviram para mostrar isso. Os torcedores europeus compraram a idéia: o que mais vi foi gente com a camisa do Liverpool, do Tottenham Hotspur, do Milan e do Rangers. Os brasileiros também marcaram presença: torcidas de Flamengo e Corinthians ocupavam as arquibancadas, com bandeiras e cantando músicas dos estádios de futebol.
E os organizadores da categoria mostraram ser sérios: organização exemplar, várias atividades extra-pista para os torcedores aproveitarem, ótima infraestrutura (banheiros, lanchonetes e lojinhas espalhadas por todo o circuito) e um excelente tratamento à imprensa presente. A gestão da Fórmula Superliga é feita por Alex Andreu e Robin Webb, dois especialistas em marketing esportivo. A Élan - que fabrica os chassis Panoz - e a Menard - que faz os motores V12 - receberão parte dos lucros da categoria, para compensar o investimento inicial. As equipes que gerem os carros dos clubes terão direito a uma parte e os times, que cederam suas marcas, também ganharão por isso.
A F-Superliga tem um plano bastante razoável. O plano dos organizadores prevê prejuízos nos dois primeiros anos, mas pelo menos igualar as despesas com os resultados já no terceiro. O grid teria no máximo 20 carros, mas o interesse dos clubes europeus pode aumentar este limite. E o calendário, que no primeiro ano tem apenas seis provas, aumentaria gradativamente, inclusive com provas fora da Europa.
Neste primeiro fim de semana, se algo deu errado, foi a confiabilidade dos carros. Acho isso natural, já que é um projeto totalmente novo. E alguns problemas conseguiram ser resolvidos antes da largada da segunda corrida. Com esta questão resolvida, a categoria tem tudo para crescer ainda neste ano. E os fãs de automobilismo (e futebol, é claro) terão mais uma opção para assistir corridas. O pontapé inicial já foi dado. Veremos como o time vai jogar no primeiro ano.
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