O que está em jogo


Antes do GP da Turquia, a Fota e os pilotos de oito das dez equipes deram uma clara demonstração da insatisfação com os rumos que a FIA tem determinado para a Fórmula 1. Teto orçamentário, novas vagas, Kers, difusores, título pelo número de vitórias, fim de reabastecimento, blá-blá-blá. Tudo isso tem um peso pequeno. A grande questão é, para variar, o dinheiro.
As equipes se deram conta de que são mais fortes unidas. Não importa qual o piloto vai ganhar o campeonato. O que importa é que o público compra um boné do Hamilton, camiseta do Raikkonen, quer autógrafos do Alonso, uma bandeira da Ferrari, tirar uma foto da McLaren, ver o Massa, acha até uma Force India linda. Ninguém paga um tostão para levar para casa um cachecol onde se lê “Força Bernie”. Ou uma caneca com as iniciais de Max Mosley.
Ou seja, a parte que cabe a quem faz o espetáculo não está agradando. Eles acham pouco. E acham que os atuais comandantes da categoria estão enriquecendo às custas da paixão do público e, por conseguinte, às custas das equipes.
Já vimos casos como o da Indy-IRL-Fórmula Mundial-Cart-não-sei-mais-o-quê. Não é impossível que a F-1 se desmembre. Embora ninguém veja esse racha como melhor opção, ele não pode ser descartado. No momento…
Se a conversa evoluir para questões financeiras, todos passam a falar a mesma língua.
Ainda dá?
Era a pergunta geral no paddock ao final do GP da Turquia. É claro que, matematicamente, o campeonato não está decidido. Mas será possível que Button perca esse título? Imaginem a seguinte situação hipotética: Ferrari sobrando na turma. Massa vence seis em sete. Raikkonen está 26 pontos atrás. O que a imprensa brasileira estaria cobrando da escuderia do cavalinho? “Já está na hora de a Ferrari priorizar o campeonato do Massa!”. É ou não é? Podemos criticar a Brawn se, a partir de agora, o melhor pedaço do bolo ficar para o Jenson?
Quem aparece como segunda força? A RBR? Mas Vettel e Webber estão tirando pontos um do outro. Há um grande equilíbrio entre eles. Parecido com o que custou à McLaren o caneco de 2007. Hamilton e Alonso eram fortes, disputaram prova a prova até o fim. E não levaram.
Não defendo que a RBR dê a Vettel ou Webber a prioridade, que arme resultados. Só vejo que, do jeito que está, não há um candidato capaz de tirar a diferença que Button construiu ao longo das sete primeiras provas.
Em se tratando de um esporte, sempre pode haver uma virada. Resultados assim acontecem para queimar a língua dos apressados. Mas será que é perigoso demais afirmar que o próximo campeão do mundo já saiu? O que vocês acham? Existe chance de Jenson Button perder o título de 2009?
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