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Bahrein, dia 2: Brasil x Itália no deserto

qua, 11/02/09
por Rafael Lopes |

Bastidores do Bahrein, por Marcelo França

Robinho em Londres e Massa no Bahrein

Teve Brasil x Itália também aqui no Circuito Internacional do Bahrein. Do lado de lá, o combinado RAI e Ferrari. Do lado de cá, três brasileiros da TV Globo. E o 2 x 0 no novo Maracanã da seleção brasileira deu o que falar. Na véspera, muita cordialidade. Muita política de boa vizinhança. “Que tal um empate?”, perguntou a senhora da cadeia italiana de radio e TV. Quer coisa mais italiana no futebol do que empate? Mas tudo bem. Vai que o bambino precisa da gente amanha aqui na Fórmula 1? Vai que o mulato inzoneiro precisa degli bambini?Mas nada como um treino apos o outro. Ou um clássico entre o melhor futebol do mundo e o melhor esquema defensivo do mundo. Deu Brasil. Obrigado, bandeirinha. Afinal, o resultado poderia mudar se ele não pisasse na bandeira e anulasse o gol legal de Fabio Grosso, que de grosso não tem nada (nota do redator: “grosso”, em italiano, significa “encorpado”, nada a ver com falta de categoria ou de educação).

Hoje, quando chegamos à sala de imprensa, a primeira coisa que o fotografo da RAI perguntou foi: “vocês viram o jogo?” Infelizmente – bota infelizmente – os 50 canais do Hotel Intercontinental Regency ignoraram um dos maiores clássicos do “balompie” mundial. Não vimos, mas soubemos que deu ATAQUE 2 x 0 DEFESA. Ou PENTA 2 x 0 TETRA.

A segunda coisa que ele perguntou? Viram o gol anulado? Não, mas soubemos que foi erro do bandeirinha. “Cose del gioco”, respondi. Coisas do futebol, pois é.

Pior aconteceu momentos antes da entrevista do Massa pra gente. O “simpático” assessor de imprensa da Ferrari, o “simpatia é quase amor” Luca Colajanni (leia-se “colaiani”) tentou tirar sarro do piloto citando o gol anulado. Massa foi rápido como um pole position: “Seria 2 x 1 de qualquer jeito”.

Ha controvérsias, Felipe. Mas e daí? Tem coisa melhor do que vencer os campeões mundiais? Tem coisa melhor do que vencer os argentinos da Europa?

Eu respondo. Claro que tem. Mas não contem pra nenhum bambino, ok?

Grazie, ciao.

Bahrein, dia 1

ter, 10/02/09
por Rafael Lopes |

Bastidores do Bahrein, por Marcelo França

Vista aérea do circuito do Bahrein

O Voando Baixo terá mais um colaborador a partir desta semana. Marcelo França, editor de automobilismo da Rede Globo, também terá espaço aberto aqui no blog. Para começar, ele, que está em Sakhir, no Bahrein, traz os bastidores dos testes coletivos da Fórmula 1 que estão sendo realizados no país. Confiram!

Há 11 anos fui à Arábia Saudita cobrir a Copa das Confederações. Não imaginava que veria um estádio tão lindo no meio do nada. Hoje, não imaginava ver algo tão impactante em termos de autódromo e, de novo, no meio da areia. E só areia. Pois o Circuito Internacional do Bahrein (BIC), é isso mesmo: um 10 no meio do 0.
 
Pense no autódromo de Interlagos. Lembre-se, se puder, de Jacarepaguá. Agora apague tudo! O BIC é de chorar. Chorar de alegria. A começar pela chegada. Chegar é fácil. As estradas são largas e bem sinalizadas. Já na capital, Manama, há placas indicando o “autorama”. Não tem erro. É como diz a Fifa: não basta ter estádio bom, tem que ter acesso fácil.
 
Aí você chega na rua que leva ao autódromo. Rua larga, bem asfaltada, tudo limpo e com flores! Bougainvilles! Mas nem tudo são flores. Os fiscais do portão do autódromo são simpáticos e atenciosos. Nas paredes, temos a frase “bem-vindo” em varias línguas. Idem para “volte sempre”. Se der, volto. E olha que nem entramos no circuito ainda.
 
Lá dentro, até chegar ao estacionamento, você passa por alguns boxes. Mas não são os da Fórmula 1. São de outras categorias. Yes, eles tem boxes diferenciados. A F-1 tem os seus, exclusivos. Cada macaco no seu galho. Luxo? Talvez. Mas vai perguntar pras equipes se elas gostam. Elas não gostam. Elas adoram.
 
Carro parado, jornalistas em movimento. Em direção à sala de imprensa. Pausa. Chamar aquilo de sala de imprensa é dar apenas uma pálida ideia. Aquilo é um salão. Campo de futebol society perde. É maior. São quase dois campos! Mais números? 210 monitores de TV, 240 pontos de energia pra receber laptops e oito computadores prontinhos pra uso. Ao lado deles, dois técnicos que trabalham de 8h às 17h30m para te atender. No caso de hoje, atender a apenas 10 jornalistas. Não tem mais do que isso aqui. Só mais um detalhe, para mostrar que numero não é tudo, mas ajuda: a sala tem três saídas. Não deve ter tumulto. Só não garanto que não tem porque sou um dos 10.
 
Terminou? “Laa”!!!! (não, em árabe)
 
Atrás dos boxes, você vê um dos paddocks mais belos da categoria. De novo, flores. Mas agora junto com arvores e bancos pra descansar. Bancos com algo mais. Você senta no macio e o que está embaixo não é pudim. É almofada! Do outro lado desta “avenida”, estão os chamados “hospitalities centers”, espaços reservados para as equipes almoçarem, receberem convidados, se reunirem. Bota espaço nisso. E na sombra! E sombra no Bahrein vale mais do que o maldito dinar, a moeda local. Fala serio, você e seus dólares acham que vão abafar aqui e recebem a tempestade de areia bem nos olhos: pra comprar 1 dinar, tens que se despedir de US$ 2,60. Estou falando de dólares americanos. Não são dólares canadenses, ok?
 
Amanhã tem mais. Mais sobre o BIC. E algo sobre os testes. Hoje, Kubica, Glock e Massa foram aa pista. Glock, aquele que não trocou o pneu em Interlagos mesmo sob dilúvio, foi o mais veloz, com Massa na cola dele. Alias, Felipe fala nesta quarta-feira com os repórteres Mariana Becker e Lafayette Dias. Vou tentar não atrapalhar.
 
E aproveitando que é noite aqui, “massa al khayr” pra vocês!
 
Abraços da Ásia!
 
Marcelo França
 
P.S.: OK, OK, “massa al khayr” significa “boa noite” em árabe.



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