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Esperança no automobilismo nacional

sex, 04/09/09
por Rafael Lopes |

Carro da Fórmula Future, que estreia em 2010

Na quarta-feira, Felipe Massa apresentou o Racing Festival, novo evento automobílistico que começará a ser disputado em abril do ano que vem. Organizado pela empresa formada pelo piloto da Ferrari e sua família, além de Carlinhos Romagnolli, responsável pelo Desafio das Estrelas de kart e pelo Arena Cross, a novidade terá seis finais de semana em 2010, com duas corridas para cada categoria, em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Campo Grande e Curitiba.

O Racing Festival será patrocinado pela montadora italiana que é dona da Ferrari. O evento contará com três categorias: a Fórmula Future, para formar novos pilotos de monopostos; o Trofeo Linea, competição de turismo monomarca; e a 600 SuperSport, de motos. Sem dúvidas, a grande novidade é a criação da F-Future, inspirada na europeia Fórmula Academy, de baixo custo: apenas R$ 250 a 300 mil por ano. A organização bancará tudo para o piloto: logística, manutenção e transporte. Os motores serão 1.6, com 16 válvulas e 150 cavalos.

Carro do Trofeo Linea, que estreia em 2010

A criação da Fórmula Future vem preencher uma lacuna na formação de pilotos no Brasil. Atualmente, apenas a F-3 Sul-Americana corre no país e, mesmo assim, está muito mal das pernas. De qualquer forma, o piloto que saía do kart não tinha opções de pilotar, a não ser ir para a Europa ou mudar para as categorias de turismo, como a Stock Car. O baixo custo e os acertos aerodinâmicos limitados – com uma asa dianteira de apenas um elemento e a traseira com poucas possibilidades de ajustes – devem proporcionar corridas muito equilibradas.

E a atitude de Felipe Massa, de investir no automobilismo de base do país enquanto ainda está na ativa, é louvável. É claro que, se bem organizado, o Racing Festival tem tudo para dar lucro a seus organizadores e criadores. Mas é um investimento arriscado, ainda mais no Brasil, que não tem autódromos em boas condições, à exceção de Interlagos e Curitiba. Apostar no futuro é sempre algo complicado, demanda coragem. E o piloto brasileiro parece ter esta mentalidade. O automobilismo brasileiro agradece muito.

Desanimador…

sáb, 14/03/09
por Rafael Lopes |

Estado do Autódromo Nelson Piquet, em Jacarepaguá

Estava, hoje à tarde, almoçando, quando meu amigo Alexandre Cossenza, que trabalha comigo no GLOBOESPORTE.COM, entrou no Messenger e pediu para que eu olhasse o último post do blog dele. Ele está cobrindo o Rio Champions, um torneio de tênis entre veteranos como John McEnroe e Fernando Meligeni, realizado na Arena Olímpica, aquela que acabou com as curvas do Nonato e Norte, últimas antes da reta oposta.

Clique aqui e leia o post no blog Saque e Voleio

Além de especialista em tênis, Cossenza é, como eu, um fã do automobilismo. Na entrada do ginásio, ao se deparar com o autódromo todo detonado, ele teve a mesma reação que tive na primeira vez em que fui no mesmo local, para um show do Rei Roberto Carlos: decepção. Como é que as autoridades deixam um local, com tanta história, ficar neste estado? O problema maior não é nem a destruição do traçado, que já poderia ter uma alternativa. É, justamente, a falta de atenção com a conservação e o descaso com o esporte na cidade.

Estado do Autódromo Nelson Piquet, em Jacarepaguá

O autódromo já sediou corridas importantíssimas, além da Fórmula 1, da Indy e da MotoGP. Hoje, recebe pouquíssimas categorias e oferece um arremedo de pista para as corridas de Stock Car e GT3, principais expoentes do esporte no Brasil. Na época da destruição, Jacarepaguá tinha o melhor traçado do Brasil e um dos mais seguros. Atualmente, é apenas metade do que pode ser, além de só receber cuidados com a conservação na época das corridas da Stock (que vale US$ 1 milhão ao vencedor) e da GT3.

O panorama é desanimador. Com a candidatura do Rio às Olimpíadas de 2016, o cenário pode piorar, já que está nos planos a destruição total de Jacarepaguá (tudo bem que a construção de um autódromo novo está prometida – a conferir). Torço para que Cleyton Pinteiro, novo presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), que assume na próxima segunda-feira, melhore o cenário. Se isso não acontecer, o esporte a motor carioca está condenado ao esquecimento.



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