Vitória sobre o preconceito
A presença de mulheres no automobilismo e ao volante de carros de rua sempre foi vista com muito preconceito. Afinal, as corridas sempre foram dominadas por homens. No Brasil, essa reserva é ainda maior, basta ver os rótulos que são aplicados . “Tinha que ser mulher” e “Mulher ao volante, perigo constante” são frases muito ouvidas no trânsito das grandes metrópoles brasileiras. Tudo motivado apenas pelo preconceito.
As poucas mulheres que se arriscaram no automobilismo não tiveram grandes chances em categorias top internacionais. Mas sempre faço questão de destacar a façanha de Lella Lombardi, primeira a marcar pontos na Fórmula 1. Ela fez 0,5 ponto no GP da Espanha de 1975, em Montjuich, correndo na fraca equipe March. Outra que merece destaque é Suzane Carvalho, campeã Sul-Americana e Brasileira da Fórmula 3 em 1992. Foi o primeiro título feminino em uma categoria internacional e na F-3 mundial.
Nesta semana, a americana Danica Patrick, apelidada de Wonder Woman (Mulher Maravilha) foi capa da conceituada revista Sports Illustrated pela segunda vez. Ela, que corre na Andretti-Green, foi a primeira mulher a vencer em uma categoria top do automobilismo mundial, na etapa do Japão da Fórmula Indy, no mês passado. Danica sempre foi acusada de ser um produto de marketing e seus rivais (em sua maioria, homens) sempre a acusaram de levar vantagem por causa de seu peso.
Mas a Fórmula Indy mudou o regulamento neste ano e instituiu o limite de peso para todos os carros. Todos esperavam que Danica andasse mais atrás com a modificação, mas não foi isso que aconteceu. Ela continuou incomodando os rivais e venceu com um show de estratégia em Motegi. Além disso, o feito de aparecer em duas capas da SI nos EUA diz muito. O automobilismo não está nem entre os dez esportes que mereceram destaque em capas da revista. Mesmo assim, o domínio nestas poucas aparições sempre foi da Nascar.
Danica pode estabelecer uma nova realidade no automobilismo mundial. Após a vitória na Indy, algumas equipes da Fórmula 1 já cresceram os olhos para a americana. Ela é talentosa, sem dúvidas, e é bonita, o que ajuda a se destacar ainda mais em um ambiente dominado por homens. E seu êxito pode abrir portas para outras mulheres talentosas, como a brasileira Bia Figueiredo (conhecida nos EUA como Ana Beatriz, seu primeiro nome), que corre na Indy Lights. Então, acelera, Mulher Maravilha!
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