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De zero a cem, duzentos, trezentos…

sex, 22/08/08
por Rafael Lopes |
categoria Kart, Sexta Marcha

Fórmula Zero

Numa época em que se discute o aquecimento global, tanto a emissão de poluentes quanto o uso dos combustíveis fósseis são apontados como grandes vilões para a qualidade de vida nas grandes cidades. E nesta sinuca ambiental, os novos conceitos tecnológicos estudados pelas montadoras não levam em conta apenas a performance das máquinas, mas também formas viáveis de minimizar os danos ao planeta.

Justamente por esta razão é que este 22 de agosto de 2008 pode se tornar, como quem não quer nada, um dia histórico para o esporte a motor. Não pelo fato dos carros de Fórmula 1 terem andado pela primeira vez no pomposo circuito citadino de Valência. E sim por causa de uma novidade que tem chances reais de ser incorporada, em longo prazo, ao conjunto de normas técnicas da categoria máxima do automobilismo mundial.

Em Rotterdam, na Holanda, acontece nesta mesma data a primeira competição internacional exclusivamente voltada para karts movidos a hidrogênio. Uma categoria na qual competir é importante, sim. Mas onde a maior vitória está na tecnologia aplicada nos propulsores, que não utilizam álcool, metanol ou gasolina, e cuja emissão tóxica é absolutamente nula. O único resíduo dos carrinhos é uma pequena quantidade de água. Que dizem ser tão pura a ponto de poder ser bebida após uma corrida.

Neste primeiro momento, o equipamento da chamada “Fórmula Zero” ainda não está à altura dos tradicionais karts movidos a combustíveis derivados de petróleo e cana de açúcar. Mas o interesse que a nova categoria vem despertando em diferentes países pode ser o sintoma de que o negócio tem futuro. Equipes dos Estados Unidos, da Bélgica, da Espanha, do Reino Unido e da anfitriã Holanda disputarão a rodada dupla inaugural, com a segunda prova acontecendo no sábado.

Enquanto o mundo muda, a Fórmula 1 tenta se reinventar. Entre outras coisas, para não passar por ovelha negra no universo esportivo. E nada melhor, para isso, do que unir diversos interesses apoiando iniciativas como esta. Até porque, além de ajudar a preservar os recursos naturais, a categoria pode reaver uma bandeira que há muito tempo não carrega: de ser um laboratório para os carros de passeio, testando nas pistas as tecnologias que um dia serão aplicadas nas ruas. Nem que, para isso, precise recomeçar do zero.

O jornalista Alexander Grünwald é produtor do programa Grid Motor, do SPORTV, e dono do Grün Blog. Ele escreve neste espaço todas as sextas-feiras.

Crédito da foto: Divulgação

7 Comentários para “De zero a cem, duzentos, trezentos…”

  1. 1
    Tuta:

    O nome está perfeito.
    Mas quem ganha o biju com o petróleo, o que acha disso tudo?

  2. 2
    Natal Antonini:

    Tomara que a F1 siga esse caminho, pois´é incrível que uma categoria que gastas vários bilhoes de euros por anos não tenha como foco o desenvolvimento de tecnologias que melhorem a nossa vida. O regulamento atual é ridículo pois promove quase só a aerodinâmica dos carros. Parece que a FIA não entende, ou não quer entender já que os lucros continuam grandes, que por mais que se limite o desenvolvimento técnico as equipes mais ricas vão sempre ganhar.

    Att.
    Natal Antonini

  3. 3
    B'Hengler@RR1:

    Tenho algumas considerações a respeito do hidrogênio ser considerado fonte limpa de energia…
    Em primeiro lugar o hidrogênio não é uma fonte de energia, ele é um veículo de transporte de energia…
    Ele precisa ser produzido e para isso se gasta mais energia do que ele gera ao ser queimado…
    E produzí-lo é o segundo problema… Dependendo da fonte de energia que se utiliza para produzí-lo, ele é o mais sujo de todos…
    Se for produzido a partir de petróleo, carvão ou gás natural (fontes não renováveis) ele é tão vilão quanto…
    Mas se for produzido a partir de fontes de energia renovável, a citar, biocombustíveis, energia solar e eólica, hidrelétricas e termelétricas que queimem madeira, ele pode ser tido como uma tecnologia limpa…

  4. 4
    B'Hengler@RR1:

    Em relação à demora da F1 em alterar sua fonte de energia, tem o KERS…
    Mas isso é só um começo… Eu acredito que a F1 está meio que perdida entre o que será o futuro e o que a Europa tem para o futuro…
    Os EUA e o Brasil apostaram forte no etanol, tanto que a Indy é movida à álcool, e a F1 não será jamais por causa disso…
    A Europa apostou mais no biodiesel e no hidrogênio, quanto a este deixei algumas considerações a respeito em outro comentário…
    Já o Japão aposta mais nos carros elétricos…
    A grande jogada vai ser quando os engenheiros juntarem tudo isso em um grande pacote, que é o carro do futuro…
    Consiste em um carro com dois motores…
    Um motor, movido a biocombustíveis, que servirá apenas de gerador de energia elétrica…
    E outro motor elétrico, que será quem moverá o veículo…
    Esta é a grande sacada, e talvez por problemas técnicos ainda não esteja sendo adotada na F1…
    A vantagem é que se utiliza muito mais eficientemente o motor a combustão nesta situação, pois além da força gerada pela explosão do combustível, aproveita-se o calor produzido (aproximadamente 75% do combustível vira calor) para gerar eletricidade…
    E aí entra o KERS, pois utiliza-se a aceleração do veículo como fonte de energia elétrica no momento em que se utilizam os freios…
    Alie a isso uma bateria dotada de supercondutores e haverá uma eficiência do combustível (no caso biocombustível) muito grande…
    Os cálculos a que tive acesso acreditam em uma eficiência em torno de 50 a 100 Km/litro de etanol (em carros de passeio)…
    Se a F1 partisse para este lado a evolução do conhecimento humano a respeito disso seria imensurável…
    Imagine quantas empresas não gostariam de investir em um carro tão cheio de alterantivas…
    Assim, a F1 deixaria de ser o vilão sujo e passaria a ser o exemplo a ser seguido…

  5. 5
    LEITOR:

    TEM QUE SER MUITO INGENUO EM ACREDITAR QUE A F1 USARÁ FONTE ALTERNATIVA DE COMBUSTIVEL ENQUANTO HOUVER EXPLORAÇAO DE PETROLEO.
    SHELL ,EXXO MOBIL E OUTRAS GIGANTES DO PETROLEO QUE INCLUSIVE ELEGE PRESIDENTE DOS EUA, MANDAM NA ECONOMIA MUNDIAL, GASTAR COM PUPLICIDADE NA F1 , PRA ELES É DAR TROCADO PRA MENDIGO.

  6. 6
    Rodrigo:

    E o jabá da Shell, ein? $Quanto foi$???

  7. 7
    B'Hengler@RR1:

    Mas são justamente as grandes petrolíferas as mais interessadas em encontrar outra alternativa de renda para a era pós petróleo…
    Temos aí uns 50 anos de exploração petrolífera pela frente e não há dúvida alguma que será queimada até a última gota…
    O que resta para estas empresas além de descobrir como permanecer ganhando dinheiro após o fim do petróleo???

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