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A fórmula do sucesso

sex, 04/07/08
por Rafael Lopes |

Largada etapa do Bahrein

Após a Segunda Guerra Mundial, quando decidiram transformar os isolados Grand Prix em um campeonato unificado, os dirigentes da FIA criaram a categoria máxima do automobilismo mundial. Que, pouca gente sabe, quase foi chamada de Fórmula A. Mas, por maioria, ficou decidido que o nome seria o que conhecemos hoje em dia: Fórmula 1. Nome, por sinal, que já era conhecido pelos nossos pais e, no caso de alguns, dos próprios avós. Mas será que este é o nome que encantará as novas gerações de amantes da velocidade daqui a dez, vinte ou trinta anos?

A dúvida paira, mais uma vez, por causa da briga que agita o mundo do esporte a motor neste momento. Depois do motim ensaiado pelas montadoras no início dos anos 2000, o duelo agora é entre Max Mosley, presidente da FIA, e Bernie Ecclestone, manda-chuva da FOM, que cuida dos interesses comerciais e promocionais da Fórmula 1. Tudo, é claro, se resume a dinheiro e poder. Mas seria o caso dos fãs começarem a se preocupar com o futuro daquele espetáculo que roda o mundo fazendo barulho oito meses por ano?

Difícil dizer. O fato é que, nos últimos dias, Mosley anunciou o ressurgimento da Fórmula 2, que até 1984 servia como categoria de acesso à F-1. Atualmente, o último degrau antes do topo é ocupado pela GP2, que existe desde 2005, tendo substituído a mal sucedida Fórmula 3000. Mas não se fala em extinção da GP2, uma categoria que é fruto, digamos, da “iniciativa privada”. Ela está nas mãos de duas figuras bem conhecidas do ‘circo’: Bernie Ecclestone e Flavio Briatore, este último o diretor esportivo da equipe Renault, homem de grande influência mercadológica no mundo motorizado.

O ataque de Mosley, que quer tirar parte do poder de Ecclestone na F-1, vem bem municiado. O dirigente assegura que o custo por temporada não passará de 200 mil euros por piloto, contra um valor quase oito vezes mais alto praticado na GP2. Por outro lado, há quem garanta que está nos planos de Bernie, há muito tempo, criar a GP1, que rivalizaria com a F-1. Uma forma de garantir seu pé-de-meia no caso remoto de sair pela porta dos fundos do império que ajudou a erguer ao lado da FIA.

A queda de braço ainda promete novos capítulos. Fazer da possível GP1 uma categoria com forte apelo popular seria uma tarefa difícil, mas não impossível. Briatore poderia convencer seu amigo Fernando Alonso a ser o rei por aquelas bandas, no entanto é quase inimaginável ver a Ferrari, por exemplo, se aventurar em outra freguesia. Mas que ninguém duvide da capacidade do velho Bernie para minar a força de um rival. Que o digam a CART e o Mundial de Protótipos.

O jornalista Alexander Grünwald é produtor do programa Grid Motor, do SPORTV, e dono do Grün Blog. Ele escreve neste espaço todas as sextas-feiras.

Crédito da foto: Divulgação GP2

3 Comentários para “A fórmula do sucesso”

  1. 1
    Sérgio Mineiro:

    Bom, tudo neste mundo tem fim, porém, a quase sexagenária F1 ainda terá vida longa, pois nem as categorias americanas que arrastam milhões conseguiram desviar a atenção dos fiéis telespectadores mundo afora. Aliás, só mesmo os americanos pra gostar daquelas categorias de regras complicadas e fórmulas de duvidoso gosto. A primeira impressão é a que fica, ou seja,a primeira categoria, é a que vai ficar. Com, ou sem, o Bernie. Rafael, as vezes você solta cada pérola,que não dá pra não morrer de rir.
    Saudações.
    Sérgio Mineiro.

  2. 2
    Daniel Médici:

    Isso tá parecendo que vai acabar em pizza, como aquela história da GPWC em 2001 e 2002. Tudo bem que ajudou o fato de que Leo Kirch era um aloprado… Mas duvido que, após tanto esforço, o Pacto da Concordia vai furar assim, de repente.

  3. 3
    Polyanna Noé:

    Não acredito que a F1 seja extinguida.
    Rola muita grana e ninguém vai querer ficar no “prejuízo”.
    A questão é que Bernie não engoliu a volta por cima de Mosley, e este quer provocar o “amigo de longa data”.
    É a maFIA da F1 em ação!!

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