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O que você gostaria de perguntar ao Dunga?

seg, 22/02/10
por renato.ribeiro |
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Por Rafael Pirrho

No Sun City

Dunga chegou nesta segunda-feira à África do Sul para o encontro dos técnicos que participarão da Copa do Mundo, mas preferiu não dar entrevistas. A assessoria da CBF informou que ele só vai falar amanhã, durante o evento organizado pela Fifa. E o GLOBOESPORTE.COM quer saber o que você, leitor, gostaria de perguntar ao técnico da seleção. A caixa de comentários está aberta para sugestões. A pergunta mais pedida será feita a Dunga e respondida terça-feira aqui no Viva Laduma.

Uma tarde de rugby na terra dos campeões mundiais

sáb, 20/02/10
por renato.ribeiro |
categoria Sem categoria

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Por Rafael Pirrho

Em Pretória

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Um dos grandes símbolos da separação entre negros e brancos na África do Sul é a arquibancada. Em jogos de rugby ela está completamente tomada pelos brancos, enquanto no futebol é toda dos negros. A segregação racial já não existe oficialmente no país, mas ainda é evidente uma certa distância entre povos de culturas tão distintas. Cada um fala sua língua e tem suas preferências (e o esporte é um exemplo claro). Por isso, ver brancos andando só com brancos e negros só com negros muitas vezes não é sinal de preconceito ao outro, mas simplesmente identificação com quem parece mais próximo.

Neste sábado foi assim. Os negros envolvidos com o maior clássico do futebol sul-africano, Kaizer Chiefs e Orlando Pirates, em Soweto. Já em Pretória, no mesmo estádio onde o Brasil derrotou a Itália na Copa das Confederações, os brancos foram ver o melhor time de rugby do país, o Blue Bulls, contra os australianos do Brumbies, no torneio que reúne as 14 melhores equipes da África do Sul, Austrália e Nova Zelândia, três das grandes potências do esporte.

Estive lá e não avistei nenhum negro na torcida (isso em um país onde são quase 80% da população). Havia só brancos, a grande maioria africâner, o povo descendente de holandeses que se estabeleceu na África do Sul há mais de três séculos.

Antes e depois do jogo, os torcedores se reúnem para o braai, como eles chamam o nosso churrasco. E durante os 80 minutos de partida, se divertem com um time que é uma máquina. Não é preciso saber nada do esporte para entender que nos gramados sul-africanos joga-se um rugby de altíssimo nível. O país é o atual campeão mundial e vários jogadores da seleção vestem a camisa azul do Bulls. Neste sábado, mais um show: depois de começar perdendo, o time virou o jogo e venceu com autoridade: 50 a 32.

O rugby é, sem dúvida, a modalidade em que a África do Sul é mais forte, embora nem se compare com o futebol em popularidade. O problema é que a bola redonda por aqui é quadradinha. O povo ama futebol, mas tem que se contentar com espetáculos muitas vezes constrangedores.

Distantes em tudo, o futebol e o rugby sul-africanos são também opostos na qualidade.

Enquanto em Pretória o Bulls deu espetáculo, em Soweto Kaizer Chiefs e Orlando Pirates fizeram exatamente o mesmo que no encontro anterior. Nada. Placar final: 0 a 0.

Quem inventou a vuvuzela?

qui, 18/02/10
por renato.ribeiro |
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Por Marta Reis

Em Joanesburgo


Mesmo depois de importunar muito os ouvidos dos que assistiram aos jogos da Copa das Confederações, em junho passado, as vuvuzelas seguem cada vez mais populares na África do Sul. Algumas empresas até lançaram adaptações e nomes criativos para elas. Um dos maiores bancos do país, por exemplo, criou no ano passado a Kuduzela, inspirada no chifre do animal selvagem Kudu, que vive nas savanas sul-africanas. Modelos e cores variados multiplicam-se a menos de quatro meses da Copa. Hoje, as vuvuzelas viraram um produto lucrativo.

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Por isso, torcedores de times locais e até igrejas já entraram na briga pela patente do produto. Mas, afinal, quem e quando foi inventada esta cornetinha barulhenta de plástico?

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Um torcedor do Kaizer Chiefs, Saddam Maake, garante que foi dele o protótipo para a vuvuzela de hoje. Maake conta que em 1965 criou uma corneta com a borracha da buzina de uma bicicleta e, vendo o som que o objeto fazia, resolveu produzir uma corneta de alumínio para levar aos jogos de futebol.

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- Passei a carregar o instrumento para as partidas do Chiefs. Esta foi a mãe de todas as vuvuzelas – alega ele.

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Maake afirma ter fotos de jogos dos anos 70 e 80 em que garante ser o único torcedor no estádio com uma vuvuzela. A versão feita de plástico, como conhecemos hoje, teria nascido de uma parceria entre Maake e um empresário do ramo de plástico, em 1989.

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Mas uma igreja local chamada Ekuphakameni garante que utiliza as vuvuzelas, que eles chamam de izimbomu, nos louvores e adorações desde 1910.

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Maake responde que a izimbomu usada na igreja não tem qualquer semelhança com vuvuzela dos jogos de futebol.

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Só é preciso destacar que soprar uma vuvuzela no estádio faz parte do comportamento dos torcedores de diversos países do continente e não apenas dos da África do Sul. Descobrir seu inventor, portanto, é quase tão difícil quanto ver um jogo por aqui sem sair ligeiramente surda.

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Particularmente, não sou muito fã das vuvuzelas, prefiro ouvir o barulho do canto das torcidas. Mas como a Copa do Mundo de 2010 será aqui na África do Sul, acho que é preciso respeitar o jeito dos sul-africanos.

Em 2014 nós poderemos fazer a nossa Copa, mas até lá temos que aceitar a forma como eles torcem e, se possível, entrar na onda. E você, o que acha?

Um mergulho em aldeias no interior da África do Sul

ter, 16/02/10
por renato.ribeiro |
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Por Rafael Pirrho

Em Mvezo e Qunu

Ir a Mvezo e Qunu é também voltar ao passado. Para contar a história dessas aldeias no interior da África do Sul, onde Nelson Mandela nasceu e passou a infância, não é preciso recorrer à imagens de arquivo porque quase tudo segue como sempre foi, praticamente intocável.

As casas são redondas, com teto de palha, têm apenas um cômodo, uma porta e duas pequenas janelas, uma oposta à outra. A maioria delas é construída com tijolos de barro feitos pelos próprios moradores. Os homens trabalham no campo, geralmente como pastores, e ensinam desde cedo seus filhos a guiar o rebanho. As mulheres vão até o lago mais próximo para buscar a água que serve para lavar e cozinhar. Passam o resto do dia cuidando da casa e das crianças. Todos com a única missão de viver por mais um dia, de sobreviver.

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Não há miséria nem conforto, apenas simplicidade. O maior luxo dos dias de hoje é a eletricidade, que permite ouvir música, ver televisão e às vezes até DVD.

Mas é difícil ter muito mais do que isso para quem vive tão isolado em pequenas comunidades, distantes umas das outras. Por ali todos são xhosa, uma das etnias negras da África do Sul. Não há nenhum branco e quase ninguém fala inglês, apenas o mesmo xhosa de seus antepassados.

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As crianças se vestem com roupas modestas, andam descalças e passam o dia inteiro fora de casa, em um quintal todo verde que parece infinito. Fazem brinquedo com o que há à disposição – um aro de roda, um pedaço de pau, restos de roupas e saco plástico que se transformam em uma bola. Parecem sinceramente felizes. Olhar para elas nos lembra que crianças são iguais em qualquer parte do mundo, no Brasil ou na África do Sul, e em qualquer tempo, seja em 2010 ou 1918, quando Mandela nasceu.

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Andar por Mvezo, Qunu e aldeias próximas é ver como a vida pode ser simples e a felicidade, gratuita. Ao mesmo tempo, bate uma pontinha de angústia por perceber a falta de perspectiva para aqueles que querem um outro destino.

Os anos diminuíram algumas distâncias por lá, mas elas ainda seguem significativas – seja para um sonho ou para a cidade mais próxima.

Carnaval na África do Sul

seg, 15/02/10
por renato.ribeiro |
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Por Edu Bernardes

Aproveitando o clima carnavalesco que toma conta do Brasil, posto aqui algumas fotos do carnaval mais famoso e tradicional da África do Sul. Todo dia 2 de janeiro na Cidade do Cabo os sul-africanos celebram o carnaval, a festa acontece desde o final do século 19 em comemoração ao único dia de folga que os escravos tinham durante todo o ano.

Não há carros alegóricos e sim blocos com muita música que competem entre si.

Não há carros alegóricos e sim blocos que competem entre si com muita música e dança

Instrumentos de sopro fazem parte da tradição carnavalesca sul-africana

Músico

Traje tradicional para o desfile.

Traje tradicional para o desfile
Foliões chegando para a festa.

Foliões chegando para a festa

A boa malandragem sulafricana

A boa malandragem sul-africana

Esperando o bloco passar

Esperando o bloco passar

Doce coincidência

Doce coincidência

Pronto pra festa

Pronto pra festa

Instrumentos de sopro ditam o ritmo

Instrumentos de sopro ditam o ritmo do carnaval na Cidade do Cabo

Poste como arquibancada pra assistir aos blocos.

Poste como arquibancada pra assistir aos blocos

Desfilando

Desfilando

VASCO SUL-AFRICANO A UM PASSO DA PRIMEIRONA

dom, 14/02/10
por renato.ribeiro |
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 O Vasco da Gama original parece ter inspirado o irmão mais novo – o Vasco da Gama da Cidade do Cabo. O cruz-maltino sul-africano está perto de disputar a Primeira Divisão do país. A Segunda Divisão no país da Copa é dividida em dois torneios – o Coastal (com equipes do litoral) e o Inland (com equipes do interior). O Vasco conquistou no sábado o título da Coastal League. Agora, vai enfrentar o Black Leopards, campeão da Inland League, em uma mata-mata. O vencedor estará na Primeira Divisão. O perdedor terá mais uma chance. Vai disputar uma repescagem. A data do mata-mata ainda vai ser divulgada.

 Nós fizemos uma reportagem com o Vasco daqui assim que chegamos à África do Sul, há quase um ano. O clube foi fundado por um senhor filho de portugueses chamado Vasco, claro. Ele foi ao Rio de Janeiro, em 1978, e se apaixonou pelo Gigante da Colina. Comprou várias camisas e fundou o outro Vasco usando o mesmo escudo e a cruz de malta. O clube foi campeão amador várias vezes, mas jamais teve muito sucesso profissionalmente. A chance vem agora!

SUPER 14 – A LIBERTADORES DO RUGBY

sáb, 13/02/10
por renato.ribeiro |
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  Sexta-feira começou a temporada de outra paixão sul-africana – a bola oval. E o primeiro torneio é o Super 14. Uma liga internacional que reúne clubes aqui da parte debaixo do Globo Terrestre – Áfria do Sul, Nova Zelândia e Austrália. Para os fãs do rugby funciona mais ou menos como o que é a Libertadores pra gente. Com uma diferença: os três países envolvidos são potência do rugby.

    Eles jogam num turno único todos contra todos. Há um sorteio para saber quem enfrenta quem em casa ou fora. Depois, há semifinal em jogo único na casa de quem tem melhor campanha. E a final também em jogo único.

   Á África do Sul tem cinco representantes – o atual campeão e time mais popular – Blue Bulls (de Pretória), o Lions (de Joanesburgo), o Sharks (de Durban), o Stormers (da Cidade do Cabo) e o Cheetahs (de Bloemfontein).

    O rugby já foi esporte unicamente dos brancos, como é bem retratado no filme Invictus. Ainda é majoriamente branco, mas algo já anda mudando. É possível ver negros nas arquibancadas. Negros usando camisas de clubes ou da seleção (os Springboks). E o mais importante. Há negros e cada vez mais negros jogando rugby. O melhor jogador sul-africano hoje e um dos melhores do mundo é Bryan Habana, um negro. O técnico da seleção é negro.

  A final do Super 14 será no dia 30 de maio. Vamos torcer para ser em sol sul-africano. Assim, 12 antes da Copa, poderemos saborear uma atmosfera de decisão de rugby.

Mandela: como vive hoje o maior craque da história sul-africana

sex, 12/02/10
por renato.ribeiro |
categoria Sem categoria

Por Marta Reis

Em 11 de junho, na abertura da Copa do Mundo, é provável que um convidado chame mais atenção do que qualquer jogador em campo. Nelson Mandela, o grande camisa 10 da história da África do Sul, é a presença mais desejada pelos organizadores do Mundial. Tê-lo no estádio Soccer City, em Joanesburgo, além de uma grande homenagem, serviria também para celebrar a reconstrução de um país que apenas 20 anos após a libertação de Mandela já sediará sua primeira Copa. 

Mas sabe como é, craques são imprevisíveis. E Mandela, aos 91 anos, só deve confirmar presença no dia da abertura. O homem que colocou fim ao Apartheid está aposentado da vida pública e desde 2004 fez raras aparições, principalmente por seu estado de saúde frágil.

 Ele vive hoje numa casa confortável em um subúrbio chique de Joanesburgo e passa a maior parte de seus dias em companhia da família. De acordo com sua assistente, Zelda La Grange, Mandela tem uma saúde relativamente boa para um homem de sua idade e mantém uma rotina bastante tranquila. 

Ela conta que o ex-presidente acorda em horários diferentes e não mais religiosamente às 4h30 da manhã como costumava fazer no passado; toma um café da manhã saudável e lê três jornais diferentes – dois em inglês e um em africâner. Mandela aprendeu o africâner, considerada a língua do regime do Apartheid, quando estava na prisão.

A filha mais nova, Zindzi Mandela, descreve seu pai como “um típico idoso de 91 anos”.

“Ele passa os dias relaxando, mas está muito bem e se sente honrado de saber que as pessoas valorizam sua vida e os anos em que ele esteve preso” disse ela a um jornal sul-africano.

Zidzi também revelou que seu pai sente falta da prisão em alguns momentos, pois, segunda ela, lá era o único lugar onde Mandela conseguia refletir sobre a vida em paz. 

O afastamento de Mandela foi anunciado em 2004, após ele ter passado 27 anos na prisão e outros cinco como presidente do país. Na época, o próprio Mandela fez uma brincadeira com sua aposentadoria.

“Estou me aposentando da aposentadoria – brincou, referindo-se ao tempo em que esteve preso. “Não me liguem, deixem que eu ligue para vocês” – disse, arrancando risos da imprensa na ocasião.

MANDELA, 20 ANOS DE LIBERDADE

qui, 11/02/10
por renato.ribeiro |
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Há 20 anos, Nelson Mandela caminhou para a liberdade. Foram 27 anos preso. Passou por três prisões. A última deles, na cidadezinha de Paarl. Já fui ao lugar. Era uma casa, na verdade. Mas ele não podia sair de lá. Nos últimos anos como preso político, Mandela passo a receber um tratamento mais humano do governo branco do Apartheid. Ele já havia iniciado as negociações para o fim do regime de segregação racial.
Qual seria sua reação ao sair após 27 anos de prisão?
Qual seria o seu discurso?
Raiva? Vingança? Ódio?
Mandela esperou muito por aquele momento. E, em seu primeiro discurso, na praça Gran Parade, na Cidade do Cabo, pela primeira vez falou em reconciliação. Queria uma nova nação igual para todos. Os trechos de seu discurso são emocionantes e revelam a grandeza de um dos maiores personagens do século XX.

“Eu não esto aqui como um profeta. Estou aqui como alguém que vai servir meu povo. Eu estou aqui de pé graças a vocês. À luta de vocês. E, por isso, nos anos restantes de minha vida, estarei servindo vocês.”

“Eu lutei contra a opressão dos brancos. Lutei contra o opressão dos negros. Quero uma sociedade em que todos possam viver em harmonia. Sem ódios, sem racismo de parte e parte.
E por este ideal estou disposto até a dar minha vida.”

Como dizem por aqui, Long live, Nelson Mandela, Long live.

Ele está com 91 anos. E o país espera que esteja bem para estar presente na abertura da Copa.

Como se faz o hino de um país de 11 idiomas?

qua, 10/02/10
por renato.ribeiro |
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Por Rafael Pirrho

Em Joanesburgo, África do Sul

Vocês já pararam pra pensar na complexidade de um país com 11 idiomas oficiais como a África do Sul? Aqui funciona assim: o sujeito está lá vendo uma partida de futebol na televisão, narração em Inglês, quando de repente outro narrador assume o microfone e começa a contar o jogo em Zulu ou Sesotho. Acontece também na novela – os personagens mudam de língua numa mesma cena e surge uma legenda em Inglês para não deixar ninguém boiando.

Por causa desta variedade de idiomas, quase todo mundo aqui sabe pelo menos dois deles. Esta, aliás, é uma característica comum a praticamente todo o continente. Centenas de milhões de africanos aprendem suas respectivas “línguas da colonização” (normalmente inglês, francês ou português), mas não abandonam seu idioma de origem – até preferem usá-lo nas conversas entre eles.

Sim, língua é também identidade. E se a África do Sul pós-Apartheid queria construir um Estado plural, por que privilegiar apenas uma ou duas delas? Decidiu-se então que o país teria 11 idiomas oficiais. Mas como fazer o hino deste novo país?

Não dava para manter o antigo hino em Afrikaans, dos brancos de origem holandesa. Fazê-lo todo em Inglês também não adiantava, porque apesar de este ser o idioma mais falado do país é a língua-mãe de menos de 10% da população. Decidiu-se então por uma canção híbrida. A primeira estrofe, em Xhosa e Zulu, é um trecho de “Nkozi Sikelel’iAfrika” (”Deus abençoe a África”, em português), uma música que serviu como hino dos negros desde o início do século 20. A segunda estrofe é em Sesotho. A terceira, em Afrikaans, é uma parte do hino anterior. E a quarta é em Inglês.

O filme “Invictus”, sobre o Mundial de Rugby de 1995, que acaba de estrear no Brasil, conta um pouco dessa história, com Morgan Freeman no papel de Nelson Mandela (que é da etnia Xhosa).

Durante a Copa das Confederações, a FIFA experimentou tocá-lo parcialmente, como é de praxe em suas competições. Acabou causando uma grande polêmica por aqui, porque ninguém queria ver seu “pedaço” de fora. No fim das contas, o hino da África do Sul é como o país – cheio de diversidade, de divisões, mas muito bonito. Para ouvi-lo basta clicar no vídeo acima.



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