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Federação sul-africana chama Boavista-RJ de “grande clube do Brasil”

ter, 16/03/10
por renato.ribeiro |
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Rafael Pirrho

Em Joanesburgo

Em seu terceiro amistoso no Brasil, a África do Sul derrotou o Boavista-RJ por 2 a 0. Não achou um resultado fabuloso? Pois veja o que diz o release enviado pela Federação Sul-Africana de Futebol.

Pra começar ele chama o Boavista de “um dos principais clubes brasileiros”. Segue ressaltando que a partida foi difícil, mas que “os Bafana Bafana saíram vitoriosos diante de um adversário duro e talentoso”.

Adiante a assessoria celebra o sucesso da excursão sul-africana, lembrando que o time ainda não perdeu nenhum jogo e nem sofreu gols no Brasil. Ela só não explica que Boavista e Volta Redonda (empate em 0 a 0) são clubes pequenos. Pior: diz que a África do Sul venceu o Fluminense por 8 a 0 sem mencionar que a seleção enfrentou o time de juniores, e não o principal.

Carlos Alberto Parreira até que tenta dar um toque de realidade aos sul-africanos. Em entrevista à própria assessoria, o técnico admite que a África do Sul deveria ter vencido o Volta Redonda e que, embora contente com os progressos, ainda há muito a se fazer.

Mas o choque de realidade está por vir. Os próximos jogos dos anfitriões da Copa serão contra o Cruzeiro, no Mineirão, e o Botafogo, no Engenhão. Se os brasileiros jogarem à vera, são favoritíssimos. Até o Parreira sabe disso.

A África do Sul já é frágil quando está completa. Com este time que foi ao Brasil, sem as principais estrelas, provavelmente teria dificuldades para se manter na segunda divisão brasileira.

O grande problema por aqui é a falta de senso crítico. Imprensa e torcedores preferem valorizar os adversários (mesmo que sejam o Boavista ou a Namíbia) e culpar técnicos do que admitir, simplesmente, como a sua seleção é ruim de bola.


Zakumi em extinção

qua, 10/03/10
por renato.ribeiro |
categoria Sem categoria

zakumi_2010_mascot_25cmO simpático leopardo (sim, juram que é um leopardo) mascote da Copa está envolvido num escândalo. Primeiro, ele não é sul-africano. O Zakumi de pelúcia é produzido na China. Onde a mão-de-obra é bem mais barata. O que já foi o suficiente para críticas por aqui. Afinal, por que não empregar anfitriões da copa fabricando o bichinho? Mas esta semana a barra pesou para Zakumi. Descobriu-se que a fábrica Shangai Fashion Plastic Products - onde o boneco é produzido – emprega adolescentes de 13 a 17 anos, com jornada de trabalho de 13 horas diárias. Salário: US$ 3 por dia (algo como R$ 5/dia ou R$ 100 por mês). A fábrica é a mesma que fez os mascotes das Olimpíadas de Pequim – Beibei, Jingjing, Huanhuan, Yingying e Nini. Diante da denúncia, a Fifa cancelou o contrato e até segunda ordem, Zakumi não será mais fabricado em Xangai. Ou seja, o leopardo da Copa está em extinção. Infelizmente, a lei do mercado chinês é um triste sucesso. Olhe para o que você está vestindo agora. Se tiver algo chinês certamente foi fabricado por alguém em péssimas condições de trabalho. Aliás, estou olhando aqui para a bola da Copa que tenho em casa – a Jabulani. Vou conferir, peraí…Opa! Made in China. Fiz minha contribuição para o sistema socialista-capitalista chinês.  Mea culpa. Nossa culpa.

p.s. – Jabulani, em Zulu, significa felicidade.

A tradição sul-africana de cantar antes da entrada em campo (com a participação especial de Joel Santana)

sex, 05/03/10
por renato.ribeiro |
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Rafael Pirrho

Joanesburgo

Certa vez fomos fazer uma matéria sobre o maior clássico do futebol sul-africano, Kaizer Chiefs e Orlando Pirates. Meia hora antes da partida, estávamos na porta do vestiário do Chiefs, entrevistando um dirigente, quando os jogadores saíram para o aquecimento no campo. No túnel que dá acesso ao gramado, encontraram os rivais do Pirates e, juntos, começaram uma cantoria contagiante, com palmas e danças. Uma forma diferente de espantar a ansiedade antes da partida mais importante do país, que leva sempre uns 50 mil torcedores ao estádio.

Na seleção sul-africana é a mesma coisa. Todo mundo solta a voz nos minutos que antecedem o jogo. O vídeo abaixo mostra os bastidores do time antes de uma partida preparatória para a Copa das Confederações, em junho passado. Até Joel Santana, então técnico da África do Sul, entra na roda. Veja no final do vídeo ele se esforçando para acompanhar os jogadores. Mas é difícil mesmo, porque a música é em um dos idiomas negros (não sei qual).

Parece até festa de conquista de título, mas na verdade eles ainda nem entraram em campo. Veja neste outro vídeo.

A MEDIOCRIDADE DOS ANFITRIÕES

qui, 04/03/10
por renato.ribeiro |
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  Foi duro. 90 minutos de África do Sul 1 x 1 Namíbia. O Estádio de Durban é lindo.  Bonito demais para um jogo tão feio. Só não dormi porque as vuvuzelas não deixam. E a culpa não é do Parreira. Não foi do Joel. Infelizmente, o país anfitrião da Copa é profundamente incompetente para administrar o futebol. Um caos. A SAFA é patética. Não há investimento em seleções de base. Não há de onde surgir um novo talento. Talento, aliás, é algo escasso. O ídolo nacional é Benny MacCarthy, atacante de 33 anos, reserva do West Ham. Esse é o problema. Os que jogam na Europa defendem times medianos e ainda são reservas. Aí você se pergunta. E o campeonato local? A PSL é uma piada. Algo semi profissional. É incrível como o país mais rico do continente não consegue ter essa riqueza refletida no campo. O campeonato não pega. É de um nível técnico sofrível. E a prova vem na Champions League Africana. Esta semana, o atual vice-campeão sul-africano, o Orlando Pirates (um dos times de maior torcida) foi eliminado – em casa – pelo Gaborone United. Trata-se de uma equipe de Botswana, formada por servidores públicos. É um absurdo. O normal seria ver times sul-africanos disputando com clubes da Nigéria, do Egito e da Tunísia os títulos continentais. Diante desse quadro, Parreira terá que fazer mágica. Acho que talvez seja o maior desafio da carreira dele. Fazer os Bafana-Bafana passarem de fase. Não será fácil. Não há vuvuzela capaz de empurrar tanta falta de talento. O futebol sul-africano precisa de uma revolução. Boa sorte, Parreira! Vai precisar. Que venha o México!

Já que estamos falando – e mal – do futebol africano, a quarta-feira não foi das melhores para o continente. As seleções africanas estão decepcionando e criando uma expectativa às avessas para a Copa. A Costa do Marfim perdeu para a Coreia do Sul. Gana foi humlhada pela Bósnia. A Argélia apanhou da Sérvia. A Nigéria venceu. Mas venceu o Congo. Não conta. Só Camarões fez alguma coisa. Empatou com a Itália, fora de casa. Será que teremos uma decepãõ geral em junho?

Copa de 2010: a vez da África

qui, 04/03/10
por renato.ribeiro |
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Nesta semana nós, do Viva Laduma, lançamos uma pergunta aos nossos leitores: você concorda com a Copa na África?

Foram 66% votos a favor e 33% contra, duas vezes “sim” para cada “não”.

Pois eu, neste caso, estou com a maioria e reproduzo aqui um texto escrito para o Globo Esporte da última quarta-feira.

Obrigado pela participação de todos. E sejam bem-vindos à Copa da África!

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Faltam 100 dias. Pouco tempo para um continente que esperou tanto.

Tanto para ser visto como realmente é. O futebol, durante um mês, vai fazer o que séculos não conseguiram – botar a África no centro do mundo.

O continente sempre retratado com o esteriótipo. Sempre, sempre as imagens de pobreza, de miséria, de guerras. A África será só isso? A resposta na voz e nos rostos de seus habitantes.

A África do Sul lutou contra o olhar desconfiado, contra o descrédito. Vai representar outros 52 países do continente. E está pronta para receber o mundo.

Problemas? Eles existem e os sul-africanos jamais os esconderam. Não têm vergonha do que são, de suas dificuldades.

Nos últimos sete anos, construíram como nunca, obras pra todo lado. Se prepararam. São dez lindos estádios.

Foram gastos cerca de oito bilhões de reais para melhorar o país. Europeus não estão comprando ingressos? Não há problema. Haverá africanos na arquibancada. Afinal, esse é o Mundial deles.

Será uma Copa diferente, como nunca houve. Com a maior participação popular de todos os tempos.

2010. Hora de o mundo mudar. De o mundo girar. Basta limpar os olhos, tirar o preconceito e pronto. Seja bem-vindo a um continente que nunca vimos desse jeito. Ou que nunca quisemos ver.

Seja bem-vindo à Copa da África.

Você concorda com a Copa do Mundo na África?

ter, 02/03/10
por renato.ribeiro |
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Por Rafael Pirrho

Nesta quarta-feira restarão apenas 100 dias para o jogo de abertura da Copa do Mundo, entre África do Sul e México, dia 11 de junho. A Fifa, o Comitê Organizador e os sul-africanos garantem que o país está preparado para receber a primeira Copa do continente. Mas e você, o que acha? A África do Sul tem condições de sediar um Mundial?

A caixa de comentários está aberta. Participem. Mas, por favor, responda primeiro “sim” (se você achar que o país tem condições) ou “não” e depois, se quiser, comente. Isso facilitará a nossa contagem.

Estamos vivendo há um ano em Joanesburgo, acompanhando de perto os preparativos da África do Sul e a expectativa do povo para um evento que parecia impossível para o país há 20 anos, durante o Apartheid.

Ainda nesta semana, publicaremos aqui no Viva Laduma nossa opinião sobre a Copa da África.

A incrível coincidência no grupo A da Copa do Mundo

dom, 28/02/10
por renato.ribeiro |
categoria Sem categoria

Por Rafael Pirrho

Uma coincidência anima os sul-africanos para o quase impossível desafio de chegar às oitavas de final da Copa em uma chave com França, Uruguai e México.

É que essas três seleções já estiveram juntas na primeira fase de um Mundial, em 1966. Assim como em 2010, faziam parte do grupo A e também enfrentaram os donos da casa, então a Inglaterra.

Naquela ocasião, os ingleses empataram com o Uruguai e derrotaram México e França para seguirem rumo ao primeiro (e até hoje único) título mundial. O Uruguai passou em segundo.

Quarenta e quatro anos depois, os sul-africanos, claro, nem pensam na taça. Só querem evitar o vexame de serem os primeiros anfitriões de Copa eliminados logo na fase de grupos.

Essas estatísticas, obviamente, nada significam. Mas na falta de coisa melhor para se apoiar, os torcedores recorrem ao passado. Até porque é mais fácil apostar no destino do que na pontaria de Benni McCarthy.

O lado B da Cidade do Cabo

sex, 26/02/10
por renato.ribeiro |
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Por Marta Reis

Na Cidade do Cabo

criança

Em nenhum outro lugar da África do Sul a estrutura do Apartheid se mantém tão presente como na Cidade do Cabo. O lugar é como o sonho vivido pelos brancos entre as décadas de 50 e 90: bonito, limpo, rico, desenvolvido e repleto de brancos (boa parte é de turistas, pois a cidade sabe explorar o setor como poucas no mundo).

De cara se vê muitas semelhanças com o Rio de Janeiro - mar e montanha lado a lado, praias belíssimas, ruas estreitas. Mas é uma diferença que salta aos olhos. Ao contrário do Rio, onde a pobreza é vizinha da classe média, na cidade sul-africana elas estão separadas por quilômetros de distância. Não há favelas, esgoto a céu aberto ou crianças dormindo nas ruas próximas aos pontos turísticos.

favela

Khayelitsha é o maior e mais populoso exemplo deste contraste. Na township (uma espécie de favela) vivem cerca de 800 mil pessoas, quase 100% de negros. Brancos ali você só vê circulando em vans fechadas durante os “tours da pobreza”, bem parecido com o que é feito na nossa Rocinha. A justificativa também é a mesma – conhecer um pouco mais da cultura nacional.

Na comunidade, grande parte da população mora em barracos minúsculos, sem água encanada ou qualquer saneamento. Recentemente, a prefeitura instalou banheiros químicos no local e volta para limpar uma vez por semana. Uma solução anunciada como temporária, mas que tem pinta de definitiva. O lugar também tem um dos piores índices de infectados pelo vírus HIV do país – lá 30% da população adulta são HIV positivo.

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Por definição, township é o local para onde os negros e mestiços foram removidos durante o Apartheid, mas a história de Khayelitsha é um pouco diferente. Ela é uma township nova, que passou a ser povoada justamente após o fim do regime de segregação racial, quando muitos negros deixaram o campo para procurar emprego nas grandes cidades.

Na época, as pessoas eram livres, por lei, para morar onde desejassem, inclusive nas áreas nobres da Cidade do Cabo. No entanto, a especulação imobiliária tratou de assumir o papel  deixado pelo Apartheid. Sem condições de manter uma casa perto do local de trabalho, os negros se instalaram em comunidades como Khayelitsha.

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Bem diferente de Joanesburgo, onde existe uma classe média negra em crescimento, na Cidade do Cabo fica a impressão de que brancos e negros (e podemos incluir aí também boa parte dos mestiços) continuam a viver mundos muito distantes, assim como no passado.

XERIFE DE JOEL, NEM NO BANCO DE PARREIRA

qui, 25/02/10
por renato.ribeiro |
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Matthew Booth fez sucesso na Copa das Confederações. Careca, branco, com 1m98, chamava a atenção num time formado majoritariamente por negros. Quando pegava na bola, a torcida gritava Booooth! Parecia até vaia, mas não era. Booth não é um zagueiro de categoria, mas fez um bom torneio. Tinha experiência e segurança. Ele não vinha sendo convocado antes de Joel Santana chegar à África do Sul. Com Natalino, virou o xerife. Mas em poucos meses, tudo mudou. Veio Parreira. Veio uma lesão muscular também. Ele voltou a jogar em dezembro. É titular do Mamelodi Sundows, vice-campeão sul-africano. Chegou a ser chamado por Parreira nos amistosos contra a Suazilândia e Zimbábue. Mas, hoje, ficou de fora da lista para o jogo contra a Namíbia, semana que vem. Parreira não é fã de Booth. Acha que o zagueiro tem aquele estilo de dar chutão pra frente. Não combina com o outro zagueiro da seleção – o capitão Aaron Mokoena, que joga no Portsmouth, da Inglaterra. Booth é gente boa, é simpático, mas se fosse ele compraria um ingresso para o jogo de abertura.

Dunga se irrita com pergunta sobre Ronaldinho

ter, 23/02/10
por renato.ribeiro |
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Por Rafael Pirrho
No Sun City

Abrimos nossa caixa de comentários aqui do Viva Laduma para que você, leitor, pudesse fazer uma pergunta ao Dunga. Das quase quinhentas que chegaram, mais ou menos 90% eram sobre as chances de Ronaldinho Gaúcho de ir à Copa.

Obrigado a todos pela participação. Como prometido, segue a resposta do técnico da seleção:

- Pedir jogador é normal, todo mundo quer falar sobre quem não está na seleção. A convocação depende do jogador, não do técnico – disse Dunga, irritado com as perguntas sobre Ronaldinho.



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