Meninos, eu ví… (Pequim 1)
Como se costuma dizer na padaria onde costumo me deleitar quase todas as manhãs, com o café mais gostoso do mundo, quem é vivo sempre aparece!! Reaparecí, meio cambaleante, confesso, mas tô de volta. E volto inventando moda daquí do outro lado do mundo, dando início a séria série ” Meninos, eu ví” . Tudo de impressionante, assustador, de tirar o fôlego(ops, D’elia, foi mal!), estarei contando pra todos vocês nove ou dez renitentes parceiros de blog.
Dou a largada, depois de me acostumar com a escassez de alguns produtos básicos para o nosso bem-viver: ar, gente sorridente nas ruas, mas com sorriso espontâneo, sol, lua, céu azul e etc.
Vocês já devem ter visto, via tv ou fotos, as instalaçôes esportivas destes jogos, né? Estou realmente impressionado. Desde o IBC( Centro Internacional de Imprensa televisiva), até o ginásio onde acontecem as provas de esgrima, sem citar os óbvios Ninho do Pássaro, Cubo d’agua e afins.
Sim, nas minhas andanças Olímpicas assistí algumas competições de esgrima (minha filha mais velha vai se orgulhar de mim quando souber), onde a platéia assiste às lutas na penumbra e os atletas duelam à luz de fortes holofotes. Na mesma tarde rumei célere até o complexo aquático onde aconteceria um jogo de Polo Aquático que prometia fortes emoções : Sérvia x Croácia!!! Foi um jogo de alto nível técnico e uma quase fraternidade entre dois povos vindos de uma mesma pátria mãe. Melhor assim! Anoitecí, sem estrelas ou lua, nas 10 quadras do Complexo de Tênis( é uma quantidade tão grande de “complexos” que começo a nutrir um certo complexo de inferioridade, Não me venham dizer que nossas instalações esportivas do Pan não deixam a desejar a nenhuma cidade olímpica. Pan é Pan, Olimpíada é Olimpíada. Assistí de uma só visita: Nadal, Jankovic, nossa dupla guerreira (André Sá e Marcelo Melo) e a despedida das Williams( não estou falando de Fórmula 1, não, falo de Serena e Venus). Uau, que dia. E minha jornada apenas começava por essas paragens. Por falar em paragens, Pequim se preparou muuuuuito para estes Jogos, leva medalha de ouro fácil nos quesitos limpeza, segurança e estrutura urbana. Mas não passa nem da 1a fase em organização do trânsito, educacão ao dirigir e higiene.
E o que dizer do fenômeno Phelps? Hoje ele abocanhou o seu sétimo ouro, faltando apenas um para que sua missão seja considerada cumprida e ele possa entrar em sua nave que está pousada alí, perto da Torre do Sino, e parta de volta para sua galáxia. Esse cara não é daquí!!!
Mas hoje também, alguém daquí, aliás, daí da nossa terrinha, me fez chorar(eu, hein, acho que a distância e o tempo estão me deixando meio frouxo!): Cesar Ciello levou o ouro na prova mais rápida da natação, os 50 metros livres. E foi assim que ele nadou: livre! De quebra, quebrou o recorde olímpico DE NOVO. Chorou de alegria no pódio, foi consolado pelos franceses que lhe fizeram companhia e conquistou o mundo com seu jeitão de moleque travesso. Que travessura! Achei sensacional o título da matéria aquí no Globoesporte.com: Ave Cesar!!!!
Sensacional!!!
Haja coração. Meus olhinhos míopes, que me acompanham nessas andanças mundo afora a muitos anos, irão daquí a pouco ter o prazer e honra de assistir a prova que promete ser uma das mais eletrizantes desses Jogos: a final dos 100 metros rasos para homens. Prova para homens muito velozes. Dalí sairá o HOMEM mais veloz do planeta( título que na versão aquática, pertence desde hoje ao nosso moleque travesso alí de cima, Ave novamente). Alguém pode questionar: mas para ser o homem mais rápido do planeta, tem que ser o detentor do recorde mundial, ora, bolas! Nem pensar!!! Muitos recordistas mundiais tremeram numa final olímpica e sucumbiram. Recordes mundiais são batidos por atletas excepcionais, vitórias olímpicas são conquistadas por homens excepcionais. A linha de largada de uma final olímpica dos 100 metros é a linha que separa os garotos dos homens. Quem viver verá!
Mais tarde eu conto sobre a vitória sensacional de Tirunesh Dibaba nos 10 mil metros, ontem à noite. Foi impressionante.
Manterei meus olhinhos míopes abertos. Nada inusitado e especial passará. Depois eu conto.
Lauter Nogueira
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