O melhor veio no fim
Tentemos esquecer, por um momento, que Roger Federer foi número 1 do mundo por mais de quatro anos. Apaguemos momentaneamente de nossas memórias que o suíço tinha, no currículo, 12 títulos de Grand Slam. Deixemos em segundo plano o fato de que Federer é um dos maiores tenistas da história.
Pensemos apenas na temporada 2008/09. Federer passou por uma mononucleose no começo do ano. Sofreu com as críticas já em Miami e Indian Wells. Perdeu quatro jogos seguidos para Rafael Nadal. Foi derrotado na final de Wimbledon.
Ouviu e leu que estava decadente (e outros adjetivos muito menos educados). Acusou o baque no Masters de Toronto. Perdeu a liderança do ranking e, ainda por cima, foi superado pelo freguês Blake em Pequim.
Foi um ano cheio de obstáculos para Roger Federer, mas os revezes e as barreiras fizeram muito bem ao suíço. Desde as Olimpíadas, Federer parece ter reencontrado a vibração que o levou ao topo do ranking. O gosto amargo das seguidas derrotas em decisões fez com que ele se lembrasse de o quão doces são as vitórias. O US Open foi assim. Federer foi mais feliz em quadra. Vibrou mais, comemorou mais, jogou mais.
Agora dono de 13 títulos de Grand Slam, o suíço guardou para a final do torneio americano o que tinha de melhor. Sacou bem, dominou a maioria das trocas de bola, subiu à rede quando teve chance e soube a hora certa de colocar pressão sobre o saque de Murray. A inexperiência do britânico pesou, mas o tênis superior de Federer foi muito mais decisivo.
Como eu escrevi no post anterior, parecia que os deuses do tênis não queriam outra temporada sem um título do suíço em um Grand Slam. Com ou sem ajuda deles, o triunfo de Federer no US Open foi justíssimo.
Estraga-prazeres
Após uma atuação brilhante contra Nadal, Murray não foi sombra disso na decisão. Entrou em quadra errando muito, atacou pouco, não sacou nem se defendeu tão bem quanto fez nas semifinais. O escocês acabou estragando uma final que tinha tudo para ser memorável.
Primeiro porque Federer teria a chance de, em outro Grand Slam, vingar as derrotas sofridas em Wimbledon e Roland Garros. Segundo porque Rafael Nadal jamais teria sido derrotado da maneira que Murray caiu em Flushing Meadows.
Para quem não acompanha tênis diariamente, fica aqui a explicação. Mesmo com o título do US Open, Federer não voltará a ser o número 1 do mundo. O suíço, que levantou o troféu também no ano passado, apenas manteve seus pontos.
Rafael Nadal é quem sairá no lucro. Em 2007, o espanhol foi eliminado nas oitavas. Como este ano o atual número 1 do mundo alcançou as semifinais, sai de Nova York 300 com 300 pontos a mais. Ou seja, Federer está ainda mais distante.
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