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O melhor veio no fim

Seg, 08/09/08
por Alexandre Cossenza |

Tentemos esquecer, por um momento, que Roger Federer foi número 1 do mundo por mais de quatro anos. Apaguemos momentaneamente de nossas memórias que o suíço tinha, no currículo, 12 títulos de Grand Slam. Deixemos em segundo plano o fato de que Federer é um dos maiores tenistas da história.

federerfestablog.jpgPensemos apenas na temporada 2008/09. Federer passou por uma mononucleose no começo do ano. Sofreu com as críticas já em Miami e Indian Wells. Perdeu quatro jogos seguidos para Rafael Nadal. Foi derrotado na final de Wimbledon.

Ouviu e leu que estava decadente (e outros adjetivos muito menos educados). Acusou o baque no Masters de Toronto. Perdeu a liderança do ranking e, ainda por cima, foi superado pelo freguês Blake em Pequim.

Foi um ano cheio de obstáculos para Roger Federer, mas os revezes e as barreiras fizeram muito bem ao suíço. Desde as Olimpíadas, Federer parece ter reencontrado a vibração que o levou ao topo do ranking. O gosto amargo das seguidas derrotas em decisões fez com que ele se lembrasse de o quão doces são as vitórias. O US Open foi assim. Federer foi mais feliz em quadra. Vibrou mais, comemorou mais, jogou mais.

federertrofeublog.jpgAgora dono de 13 títulos de Grand Slam, o suíço guardou para a final do torneio americano o que tinha de melhor. Sacou bem, dominou a maioria das trocas de bola, subiu à rede quando teve chance e soube a hora certa de colocar pressão sobre o saque de Murray. A inexperiência do britânico pesou, mas o tênis superior de Federer foi muito mais decisivo.

Como eu escrevi no post anterior, parecia que os deuses do tênis não queriam outra temporada sem um título do suíço em um Grand Slam. Com ou sem ajuda deles, o triunfo de Federer no US Open foi justíssimo.

Estraga-prazeres

Após uma atuação brilhante contra Nadal, Murray não foi sombra disso na decisão. Entrou em quadra errando muito, atacou pouco, não sacou nem se defendeu tão bem quanto fez nas semifinais. O escocês acabou estragando uma final que tinha tudo para ser memorável.

Primeiro porque Federer teria a chance de, em outro Grand Slam, vingar as derrotas sofridas em Wimbledon e Roland Garros. Segundo porque Rafael Nadal jamais teria sido derrotado da maneira que Murray caiu em Flushing Meadows.

murraylamentablog.jpgSobre o ranking

Para quem não acompanha tênis diariamente, fica aqui a explicação. Mesmo com o título do US Open, Federer não voltará a ser o número 1 do mundo. O suíço, que levantou o troféu também no ano passado, apenas manteve seus pontos.

Rafael Nadal é quem sairá no lucro. Em 2007, o espanhol foi eliminado nas oitavas. Como este ano o atual número 1 do mundo alcançou as semifinais, sai de Nova York 300 com 300 pontos a mais. Ou seja, Federer está ainda mais distante.

Tudo conspira a favor…

Dom, 07/09/08
por Alexandre Cossenza |

federerusopen300.jpgSobrou raça, mas faltou jogo a Rafael Nadal. Eu já escrevi algo parecido, embora em circunstâncias completamente diferentes, sobre o número 1 do mundo. O espanhol tentou tudo, mas não estava em um bom dia (não fez um grande torneio, para dizer a verdade), cometeu um balde de erros não-forçados que não costuma cometer e sucumbiu ao escocês Andy Murray nas semifinais do US Open.

O desempenho de Nadal, muito abaixo da média, e a apresentação de Murray, que converteu apenas três dos 822 (!) break points que teve no jogo, são, a meu ver, a prova definitiva de que os deuses do tênis não querem ficar uma temporada inteira sem ver Roger Federer conquistar um Grand Slam. Seria contra o bom senso fazer o suíço passar por uma seca de títulos tão grande (para ele!), diriam os puristas fãs do suíço.

Dá suporte à minha teoria o que aconteceu com Novak Djokovic antes de enfrentar Federer. Passou por apertados cinco sets contra Robredo, teve a torcida contra no jogo contra Roddick e chegou visivelmente desestabilizado e cansado às semifinais. O sérvio esteve longe do seu melhor no duelo com Federer. Mérito para o suíço, que cresceu no torneio na hora da decisão.

Não há muito que dizer sobre Nadal, que finalmente pagou o preço de ter vencido tantos jogos em um intervalo de tempo tão curto. A vontade esteve em Nova York, mas o corpo não chegou nas melhores condições. Quando pegou um adversário duro e quase tão rápido em quadra quanto ele, provou de seu próprio veneno e não resistiu. O calendário foi cruel, mas aposto que o espanhol não trocaria o ouro olímpico por um título do US Open.

murrayusopen710.jpgO que esperar da final

Ano passado, também no US Open, o mundo viu Novak Djokovic sentir a pressão de sua primeira final de Grand Slam e perder sete set points. Acabou sendo batido por 3 sets a 0 em uma partida na qual teve boas chances de surpreender Federer.

Murray, que já sentiu a pressão nas semifinais, deve passar pelo mesmo na decisão desta segunda-feira. Diante do todo-poderoso Roger Federer, precisará fazer muito mais do que fez na vitória sobre Nadal.

Polêmica também não deve faltar. Primeiro porque todos devem lembrar Federer disse, após sua derrota diante de Murray em Dubai, no começo deste ano, que o britânico se contentava em devolver bolas, esperando por erros do então número 1. A frase gerou um bafafá enorme. Será que Murray vai apostar na mesma estratégia? Como o suíço vai reagir?

O retrospecto de confrontos diretos, que registra 2 a 1 para o escocês, é, talvez, a pior indicação para a partida. Por três motivos: primeiro porque a vitória de Federer veio em 2005, há longínquos três anos; depois porque o segundo confronto, com vitória de Murray (Cincinnati 2006), tinha um Federer esgotado, mais ou menos como Nadal neste domingo; e terceiro porque o duelo de Dubai foi o primeiro jogo pós-mononucleose de Roger Federer. Nada serve de referência.

nadalusopen710.jpgCoisas que eu acho que acho:

1) Não fiz as contas, mas acho que Andy Murray é o tenista com mais vitórias recentes sobre números 1 do ranking. Foram duas contra Federer e, agora, uma sobre Nadal. De cabeça, lembro que Nalbandian e Cañas têm duas cada. Nadal, é claro, não conta… rsrs!

2) Sempre acreditei que Nadal teve mais dificuldade contra tenistas que batem o backhand com as duas mãos. A explicação, em tese, é fácil. Quem usa as duas mãos é menos incomodado pela bola cheia de spin do espanhol. O backhand assim é o melhor para bater as bolas na altura do ombro.

3) As estatísticas aparentemente indicam que minha teoria está certa. Este ano, Nadal só perdeu para adversários que executam o backhand com duas mãos. Contra a minha tese, porém, pesa o fato de que os tenistas que executam o backhand com apenas uma das mãos são minoria no circuito.

Até aqui, deu a lógica. E agora?

Sex, 05/09/08
por Alexandre Cossenza |

Pela primeira vez no Circuito dos Palpitões, 30 (trinta!) participantes acertaram os quatro semifinalistas de um torneio. O número é impressionante, principalmente quando comparado aos eventos anteriores, e reflete o favoritismo de Nadal, Federer, Djokovic e Murray.

montagemtenis.jpgEspanhol, suíço e sérvio são os cabeças 1, 2 e 3, enquanto o escocês, intruso, é o sexto pré-classificado. O rótulo, porém, não reflete a fase de Murray, que vem jogando tênis em nível para chegar aonde chegou.

Sua chave também não era das mais complicadas. David Ferrer, principal cabeça em seu caminho, não atravessa bom momento. Del Potro chegou esgotado às quartas e, como não aproveitou as chances nos primeiros sets (mérito também para Murray), não resistiu.

Até aí tudo bem. Mas e agora? Quem leva o título?

Nadal é franco favorito contra Murray, não só pelo tênis impressionante que vem jogando, mas pelo retrospecto recente contra o britânico. O espanhol venceu por 3 a 0 em Wimbledon e, depois, venceu novamente em sets diretos no Masters de Toronto - embora o jogo tenha sido duro: 7/6 e 6/3.

Entre Djokovic e Federer, a parada é dura. O sérvio vem de um caminho mais duro: bateu Cilic em quatro, Robredo em cinco, e Roddick em quatro sets. Mostrou bom preparo físico e capacidade de jogar bem em pontos decisivos. O suíço anda inconstante. Jogou muito bem contra Stepanek, precisou de cinco sets para bater Andreev, e foi burocrático na vitória sobre Muller. Mesmo assim, Federer é Federer.

As casas de apostas indicam Nadal e Federer como favoritos, mas não mudo o que apostei nos palpitões: vou com Nadal e Djokovic, acreditando na regularidade do sérvio. Mas admito: torço para uma final Nadal x Federer.

E você, leitor, o que acha? Quem vai levar o US Open? Você apostou em alguém no palpitão e mudou de opinião depois do início do torneio? Escreva na caixinha! A partir de agora, as discussões sobre a chave masculina rolam por aqui!

federerblog710.jpgCoisas que eu acho que acho:

1) Roddick disse, na coletiva, que estava brincando sobre as lesões de Djokovic. Estranho. Vi o vídeo e não tive essa impressão. Mais estranho ainda é que vários jornalistas que assistem a inúmeras coletivas do americano não tenham percebido se tratar de uma brincadeira…

2) Que Federer vai aparecer para enfrentar Djokovic? Não faço idéia, mas a torcida vai lotar o Estádio Arthur Ashe para torcer pelo suíço. Com certeza.

3) Joanna ‘Safina’ de Assis, do SporTV, relata que a organização do US Open já se programa para realizar a final masculina na segunda-feira. A previsão é de chuva para todo sábado, e as semifinais ficarão para domingo.

O show americano

Qui, 04/09/08
por Alexandre Cossenza |

williams710.jpgVenus e Serena Williams fizeram o melhor jogo da chave feminina do US Open até agora. Pouco importa quem ganhou. A partida teve um pouco de tudo e foi jogada no nível mais alto que eu vi no tênis feminino desde Henin x Sharapova no WTA Championship do ano passado (pronto, aqui o debate já vai começar a pegar fogo!).

Os duelos entre as irmãs significa um show de pancadas do fundo da quadra e, como acontece em 90% dos casos em que tenistas com esse estilo se encontram, as partidas costumam ficar cheias de erros e acabam desestimulantes para quem está vendo. Pois nas quartas-de-final do US Open aconteceu o contrário.

As duas emplacaram longas trocas de bola, correndo de um lado para o outro da quadra, subiram à rede, executaram passadas espetaculares, enfim, o jogo teve de tudo. Isso, é claro, sem falar no elemento emocional. Dois tie-breaks com dez set points desperdiçados por Venus e Serena gritando de raiva/alegria a cada erro/acerto seu.

Curiosamente, esse partidaço acontece em uma época em que a WTA anda à procura de uma tenista que mereça a posição-que-não-deve-ser-pronunciada (PQNDSP). Não há nada de acaso ou coincidência, no entanto, que as protagonistas tenham sido Venus e Serena, duas tenistas que já estiveram no topo. Se elas pelo menos mostrassem motivação assim durante, no mínimo, seis meses…

Coisas que eu acho que acho

1) Venus tem o saque mais forte do circuito, mas Serena insistiu em devolver de dentro da quadra. Haja coragem, reflexo e talento.

2) Venus também não recuou nos saques da irmã, apenas um pouco menos fortes que os seus. Igualmente incrível.

3) Dizer que o resultado jogo foi armado porque Venus perdeu chances nos tie-breaks é dizer que Del Potro (que sacou para fechar os dois primeiros sets) perdeu de propósito para Murray. Inadmissível.

Palco armado

Qua, 03/09/08
por Alexandre Cossenza |

roddickusopen710.jpgAndy Roddick prepara o terreno. Ao ser questionado sobre as lesões de Djokovic durante sua última entrevista coletiva, o americano foi irônico e criou mais clima para ter toda a torcida a seu lado nas quartas-de-final.

O jornalista falava sobre os tornozelos do sérvio e Roddick interrompeu:

- Não são os dois (machucados)? E as costas e o quadril?

O americano seguiu interrompendo o repórter, emendando uma série de problemas físicos: cãibra, gripe aviária, antraz, sars, tosse e resfriado. Obviamente, o jornalista sentiu a ironia de Roddick e perguntou se ele achava que Djokovic estava blefando.

- Não. Se existem, existem. Só que são muitas. Ou ele chama o fisioterapeuta rápido demais ou é o cara mais corajoso de todos os tempos.  Fica a cargo de vocês julgar.

djokovicusopen300.jpgRoddick passou a bola para os jornalistas, e eu passo para vocês. Djokovic, de fato, exagera em seus problemas físicos? Ou foi uma estratégia de Roddick para jogar a torcida contra o adversário?

É claro que, à exceção da própria pessoa, ninguém pode, com certeza, julgar se uma lesão existe ou não. Entretanto, Djokovic tem um histórico de abandonos em jogos duros que incomoda muitos adversários no circuito.

Não sei quantos de vocês vão lembrar disso agora, mas Roger Federer falou muito mal de Djokovic durante o duelo entre Sérvia e Suíça na Copa Davis (por causa das supostas lesões alegadas pelo adversário). Hoje em dia, o suíço garante que isso é passado, mas não me lembro de ter visto Federer com um rosto muito simpático ao lado de Djokovic desde então.

Outra saída de quadra polêmica foi em Roland Garros/2006. Djokovic perdia por 6/4 e 6/4 para Rafael Nadal em Roland Garros quando abandonou alegando lesão e disse, na coletiva, que estava controlando o jogo.

O sérvio ainda abandonou a semifinal de Wimbledon, no ano passado, quando perdia para Nadal, e a semifinal do Masters de Monte Carlo deste ano, quando era superado por Roger Federer.

O que vocês acham? Roddick está certo ou não? Deixem seus comentários na caixinha!

Djokovic tem graça?

Seg, 01/09/08
por Alexandre Cossenza |

Todo mundo lembra que Novak Djokovic ficou famoso também por ser um bom comediante. Faz piadinhas e imita os adversários como poucos no circuito mundial. Ontem, porém, vendo seu jogo contra o croata Marin Cilic, ouvi um comentarista (não lembro quem) dizer que não era raro Djokovic jogar com torcida contra.

djokovicusopen1710.jpgNa hora, lembrei do discurso de campeão que Djokovic deu ao levantar o troféu do Australian Open, em que lamentou não ter tido o apoio do público (que gritava mais por Tsonga). A mesma frase foi usada no Masters de Indian Wells, onde o sérvio bateu o local Mardy Fish na decisão.

Ontem, era Cilic o favorito da platéia. Pergunto a vocês o motivo. Falta carisma ao sérvio? Ou seu talento não é o bastante?

Enquanto imaginava como escrever este post, percebi que eu mesmo assisto a poucos jogos de Djokovic. Isto, é claro, em comparação com a quantidade de partidas envolvendo Rafael Nadal ou Roger Federer. Pensei também nas listas de dez tenistas preferidos que rolaram numa caixinha de comentários num post anterior.

djokovicusopen2300.jpgMinha opinião serve para iniciar o debate, então aí vai: falta tempero ao jogo do sérvio.

Como assim, “tempero”? Djokovic é quase tão rápido quanto Nadal e quase tão regular quanto Federer (hoje em dia até bate o suíço no quesito). Seu saque ganha mais pontos de graça do que o do espanhol, e suas curtinhas são muito melhores do que as de Federer.

Entretanto, as partidas do sérvio perdem em “jogadas mágicas”. Sabem aquelas recuperações incríveis de Rafael Nadal que acabam com lindas passadas? Ou aquelas bolas rentes à rede que Federer executa com a munheca no backhand? Djokovic não tem tanta mágica.

Longe de ser uma crítica ao sérvio. Afinal, se ele consegue vencer tanto sem precisar dessa “mágica”, mais mérito para ele. Djokovic tem potência e profundidade de sobra. Junte isso a uma regularidade assombrosa e você tem uma combinação praticamente imbatível. Mas falta o tempero que conquista a galera…

Agora é a vez de vocês. Gostam das partidas de Djokovic? Por quê? Deixem seu comentário na caixinha.

Se quiserem, fiquem à vontade para escrever os cinco tenistas que vocês gostam mais dever em quadra. Não é para avaliar apenas talento ou quem é o atleta mais completo, ok? É preciso levar em conta fatores emocionais, como diversão, chance de ver uma partida emocionante, etc.

Para iniciar os debates, minha lista (incluindo apenas tenistas em atividade) tem David Nalbandian, Fernando González, Marat Safin, Fabrice Santoro e Roger Federer, não necessariamente nesta ordem.

djokovicusopen3710.jpgCoisa que eu acho que acho:

Devido à paixão dos leitores por listas (as dez mais bonitas, as dez mais bem vestidas, os dez mais gordos, etc.), vou tentar postar, pelo menos quinzenalmente, um tópico sobre um top 5 qualquer. Que tal? Sugestões de temas também podem entrar na caixinha!

À vencedora, a batata (quente)

Sáb, 30/08/08
por Alexandre Cossenza |

ivanoovicus710.jpgEmbora eu acompanhe tênis há algum tempo, não me lembro de um torneio em que SEIS tenistas entraram com chance de alcançar a liderança do ranking mundial (se alguém lembrar, deixe na caixinha). Ao começo deste US Open, a posição-que-não-deve-ser-pronunciada (PQNDSP), atualmente ocupada por Ana Ivanovic, poderia terminar nas mãos de Jelena Jankovic, Serena Williams, Svetlana Kuznetsova, Dinara Safina e Elena Dementieva. Não esqueçamos que o número subiria para sete não fosse pela lesão de Maria Sharapova.

Kuznetsova, que defendia 700 pontos de seu vice-campeonato no ano passado, saiu da briga após sua derrota para Srebotnik. Vejamos, então, as chances das outras cinco tenistas:

Ana Ivanovic, apesar de eliminada na segunda rodada, ainda pode manter o posto. Para que isso aconteça, é necessária uma combinação improvável de resultados: Jankovic e Serena devem perder antes das semifinais, enquanto Safina e Dementieva não podem chegar à decisão.

Jelena Jankovic sairá de Flushing Meadows com a PQNDSP se for campeã, mas não precisa do título para isso. Baste que ela alcance a final e Serena não passe da semi.

Serena Williams precisa do título para chegar lá. Se, por acaso, ela e Jankovic fizerem a final, o duelo decidirá a nova dona da PQNDSP.

Elena Dementieva também precisa do título para chegar ao topo. Como ela e Serena estão em metades diferentes da chave, uma eventual final entre as duas também valerá a PQNDSP. O caso de Dementieva é interessante, já que ela pode se tornar a terceira tenista da história a conquistar o ouro olímpico e o US Open desde que o tênis voltou a dar medalhas, o que aconteceu em 1988 (Steffi Graf, em 88, e Venus, em 2000, foram as outras duas).

Dinara Safina também precisa levantar o troféu, mas não depende só de si mesma. Ela só será a nova dona da PQNDSP se, além de ser campeã do US Open, Jankovic não passar das semifinais.

Como a outra caixinha já está lá embaixo, peço que os leitores debatam o a chave feminina do US Open por aqui a partir de agora. Valendo?

Bravo, Thiago

Sex, 29/08/08
por Alexandre Cossenza |

thiago2300.jpgFoi legal, para começar, ver um brasileiro no Estádio Arthur Ashe, maior palco do US Open. Melhor ainda foi ver um Thiago Alves jogando solto, partindo para o ataque e dando trabalho a Roger Federer.

Para fazer uma breve análise, Thiago Alves, que já foi número 95 do mundo, mostrou que tem jogo para, pelo menos, estar entre os 100 melhores do ranking. Sua atuação contra o todo-poderoso Federer foi digna de aplausos. Executou várias jogadas dificílimas, movimentou-se bem em quadra, atacou sempre que pôde e mostrou seu potencial diante de um estádio cheio de gente.

Melhor ainda é poder comemorar a volta por cima na carreira de Thiago. Nem todo mundo lembra, mas após entrar no top 100, em meados de 2006, o paulista teve um 2007 para esquecer. Acumulou uma série de maus resultados, teve problemas pessoais e fez uma mudança para Florianópolis que não deu certo. Como o tênis é implacável, despencou para o 383º do ranking. O fundo do poço foram duas eliminações precoces em Futures.

Hoje, de volta a São Paulo, tem nova estrutura de treino, volta a focar no tênis e, aos poucos, se recupera. Que continue assim. Boa sorte, Thiago!

thiagofederer710.jpgCoisas que eu acho que acho:

1) É sempre bom elogiar um brasileiro, mas nada de exageros. Em momento algum, a vitória de Federer esteve ameaçada. O suíço ameaçou com freqüência o saque do brasileiro. Thiago conseguiu uma quebra em três oportunidades, enquanto o adversário teve 15 break points.

2) Também não pode passar em branco. O Federer que cedeu 12 games ao brasileiro cometeu 46 erros não-forçados. Ou seja, também não podemos dizer, infelizmente, que Federer teve de jogar bem para ganhar de Thiago.

Quais as chances de Thiago?

Qui, 28/08/08
por Alexandre Cossenza |

alvesblog400.jpgHoje mesmo me perguntaram se haveria uma tática que poderia levar Thiago Alves à vitória durante essa má fase de Federer. Honestamente, não consegui pensar em uma estratégia mirabolante para o brasileiro.

Jogar todas as bolas na esquerda de Federer? E se o suíço devolver todas na esquerda de Thiago? Quem tem o melhor backhand?

Que tal adotar uma postura agressiva, forçando Federer a jogar na defesa? Poucos conseguiram fazer isso. Todos que eu me lembro tinham bolas mais pesadas que as de Thiago.

Subir à rede pode ser uma boa? Até pode, se Thiago volear como nunca fez na carreira.

Enfim, só uma tarde terrível do suíço deixaria o jogo equilibrado. Mas é bom lembrar: Federer não costuma fazer jogos muito ruins contra adversários do nível do brasileiro.

De qualquer maneira, não custa torcer…

Deixo abaixo um vídeo da breve análise prévia que fiz do jogo. A partida será por volta das 13h30min de Brasília, no Estádio Arthur Ashe.

Se alguém tiver outra opinião ou quiser simplesmente falar sobre o jogão, basta clicar na caixinha e deixar seu comentário.

P.S.: Alguém viu o jogo de Ivanovic, a tenista cuja posição não pode ser pronunciada? Ninguém pode mais dizer que é implicância minha…

Terça-feira brasuca em NY

Qua, 27/08/08
por Alexandre Cossenza |

Embora com certo atraso (meu!), não dá para deixar em branco a feliz terça-feira para o Brasil em Flushing Meadows. André Sá, Marcelo Melo, Bruno Soares e Thiago Alves avançaram no US Open. 100% de aproveitamento.

Melo e Sá eram favoritos e confirmaram. Soares e o sérvio Dusan Vemic não eram cabeças-de-chave, mas também não podiam ser considerados azarões. E o que dizer de Thiago Alves?

Não que o paulista fosse zebra, mas a maneira em que veio sua vitória foi espetacular. A partida contra Capdeville esteve perdida algumas vezes. No começo do terceiro set, quando o chileno teve uma quebra de frente. No quarto set, quando Capdeville abriu 3/0. E no quinto, com o chileno em vantagem por 4/2.

Em contato com a brilhante Joanna ‘Ivanovic’ de Assis, do SporTV, fui me atualizando e vibrando junto com ela durante a partida. No início do quinto set, por celular, ouvi os gemidos de dor de Thiago, caído na quadra com cãibras.

Ouvi também a torcida brasileira, que, embora em menor número e menos barulhenta que a chilena, fez o possível para empurrar o compatriota. E, por fim, ouvi Thiago dizer que quer tirar uma casquinha de Roger Federer. Sensacional!

O que pode acontecer em um duelo com Federer na segunda rodada? Vitória do suíço, é claro. Mas ninguém vai apagar da memória de Thiago os momentos que ele viveu na quadra 7 de Flushing Meadows nesta terça.

Coisa que eu acho que acho:

Há quem diga que foi uma vitória contra um adversário inexpressivo em uma mera primeira rodada de Grand Slam. Eu continuo acreditando que o brilho é do “como” e não do “quê”

A posição que não deve ser pronunciada

Ter, 26/08/08
por Alexandre Cossenza |

ten_anaivanovic_reu_300.jpgA primeira vez que escrevi algo parecido, disseram que era implicância minha com Maria Sharapova. Depois, fui xingado por criticar Jelena Jankovic. O que dizer, agora, de Ana Ivanovic, a atual tenista cuja posição não deve ser pronunciada?

Há quem vá dizer, com certa razão, que a sérvia perdeu tempo valioso tratando a lesão no polegar e, por isso, não chegou no melhor da forma a Nova York. De fato, o problema físico de Ivanovic á daqueles que não deixam o tenista fazer movimento algum que envolva raquete, mas culpar exclusivamente a lesão seria tapar o sol com a peneira.

A sérvia é, na quadra dura, uma versão piorada de Sharapova. Como a russa, tem saque e jogo de fundo de quadra baseados na força, mas sem muita variação de golpes. Seu jogo de rede precisa de (muito!) trabalho, e os slices não vêm incomodando.

Ivanovic chegou com méritos à liderança do ranking, batendo Jankovic e Safina e conquistando o título de Roland Garros. Justiça seja feita: no saibro, a sérvia é uma versão melhorada de Sharapova. Desde o Grand Slam francês, no entanto, seu tênis encolheu. Em Wimbledon, escapou de uma match point na segunda rodada, mas tombou na terceira.

Hoje, contra Dushevina, cometeu erro após erro. As estatísticas oficiais (sempre contestáveis) apontam 40 erros não-forçados, número inaceitável contra uma adversária do nível da russa. Até quando Ivanovic continuará no topo jogando esse tênis?

A sensação

Enquanto isso, Dinara Safina, nova preferida de muitos fãs, continua colhendo bons resultados. Há quem diga que ela será a próxima a ocupar a posição que não deve ser pronunciada. Entretanto, suas incontáveis duplas faltas na final olímpica falam o contrário. Ou será que, hoje em dia, pode se chegar ao topo sem um saque consistente?

Da redação

Seg, 25/08/08
por Alexandre Cossenza |

Adoro como os Grand Slams atraem a atenção de quem não costuma acompanhar tênis. Hoje mesmo, Rafael Lopes, do blog Voando Baixo,  após ver um lance de jogo do US Open, lembrou de um vídeo que anda pelo Youtube e me enviou o link.

Deixo ele aqui. Dou um doce para quem adivinhar que partida Rafa Lopes estava vendo. Breve análise sobre o primeiro dia de jogos segue abaixo do vídeo.

Difícil comentar o jogo de Marcos Daniel. Mais difícil ainda falar sobre Bellucci, já que não vi a partida. Sobre o gaúcho, o que se pode dizer? O número 1 do Brasil é um bom jogador, mas não tem nível para desafia, consistentemente, os melhores do circuito. Contra o número 1 da Argentina, isso ficou muito claro. Nalbandian dominou desde o começo e não teve sua vitória ameaçada em instante algum.

É preciso comemorar a vitória de Bellucci.  O número 2 do país volta a vencer em um Grand Slam, o que mostra que ele não se intimida com torneios grandes. Melhor ainda foi ele não ter cedido nova virada. A série de derrotasem jogos que ele vencia o primeiro set era preocupante. Mais preocupante, porém, é seu próximo desafio. Curiosamente, será o número 2 da Argentina, Juan Martín del Potro, que não perde há uns 523 jogos. É esperar pra ver!

A rodada não teve lá grandes surpresas, a não ser pelas bolhas de Nadal e pelo impressionante trabalho dado pelo alemão Bjorn Phau. Blake venceu um jogo de cinco sets, o que é raro, mas foi contra um rival bem menos inexperiente, a eterna promessa Donald Young.

No feminino, Chakvetadze perdeu, o que não é lá grande surpresa. O jogo foi duro. De ver…

Sorte de camp…

Sex, 22/08/08
por Alexandre Cossenza |
categoria Palpitões, US Open

usopenlogo.jpgEm um lado da chave estão Ana Ivanovic, Dinara Safina, Serena e Venus Williams. Sem falar em Amélie Mauresmo, Alizé Cornet, Nadia Petrova, Flavia Pennetta e, quem sabe, a sensação portuguesa Michelle Larcher de Brito (escrevo antes do fim do quali).

No outro lado, Jelena Jankovic e Elena Dementieva. É bem verdade que a segunda metade da chave também tem Vera Zvonareva, Lindsay Davenport e Marion Bartoli, mas nenhuma destas parece uma real ameaça a Jankovic ou Dementieva.

O famoso clichê fala em sorte de campeã, mas é duro juntar “campeã”, “Dementieva” e “Jankovic” na mesma frase. A russa perdeu as duas finais de Grand Slam que disputou, e a sérvia, bem… ainda não disputou finais neste nível.

O título em Pequim serve para animar os fãs de Dementieva, mas é bom lembrar que a medalha de ouro não foi conquistada em uma partida exatamente brilhante da russa. As quase 82 duplas faltas de Safina tiveram muito a ver com o resultado.

miniheaderpalpitoes_azul.jpgNem preciso dizer que um torneio imprevisível assim é uma ótima oportunidade para participar do Circuito dos Palpitões. Se você ainda não conhece ou não brincou, basta dê uma olhada no regulamento novidade-nos-palpitoes/ e entre na disputa. Como é o segundo Grand Slam do Circuito, muitos pontos ainda estão em jogo e há tempo para brigar de igual para igual com quem já está no ranking.

Eu já escrevi no post abaixo, mas é sempre bom lembrar. Palpites aqui são a partir das oitavas, e as inscrições ficam abertas até o início do primeiro jogo do US Open. A programação oficial ainda não saiu, mas o torneio começa na segunda-feira, e a diferença de fuso horário é de uma hora. Ou seja, 12h em Nova York são 13h em Brasília.

Esta caixinha é para os palpitões da chave feminina. O post para os palpitões masculinos está logo abaixo.

O que esperar do US Open

Sex, 22/08/08
por Alexandre Cossenza |

usopenlogo.jpgComo todo torneio importante, cheio de expectativa, há mais perguntas do que respostas cercando este US Open. Alguns exemplos:

* Roddick acertou ao não viajar até Pequim? Os resultados não vieram nos torneios de preparação, mas duas longas viagens a menos podem pesar a favor do americano em Flushing Meadows? Ou ele chega sob pressão extra para atuar bem diante dos fãs locais?

* Rafael Nadal vai, enfim, passar das quartas em Nova York? Tudo indica que ele já tem consistência para isso em quadras duras, mas até quando seu físico vai agüentar o calendário puxado e vitorioso?

* De que é capaz Juan Martín del Potro, que chega ao US Open após quatro conquistas consecutivas? Bellucci seria capaz de incomodá-lo em uma eventual segunda rodada?

* Falando em Brasil x Argentina, o que dizer das chances de Marcos Daniel contra David Nalbandian na primeira rodada? Há esperança? Ou, como disse o leitor (argentino!) Horace, só vai faltar o Dunga ao lado da quadra?

miniheaderpalpitoes_azul1.jpgSe você tem as respostas, pode deixar na caixinha de comentários. E aproveite para participar do Circuito dos Palpitões. Se você ainda não conhece ou não brincou, basta dar uma olhada no regulamento e entrar na disputa. Como é o segundo Grand Slam do Circuito, muitos pontos ainda estão em jogo e há tempo para brigar de igual para igual com quem já está no ranking.

É sempre bom lembrar. Palpites aqui são a partir das oitavas, e as inscrições ficam abertas até o início do primeiro jogo do US Open. A programação oficial ainda não saiu, mas o torneio começa na segunda-feira, e a diferença de fuso horário é de uma hora. Ou seja, 12h em Nova York são 13h em Brasília.

Por enquanto, fica a caixinha para os palpitões da chave masculina. O post para os palpitões femininos pinta ainda nesta sexta.


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