O mundo esperava demais de Sharapova

E não é que o Australian Open já começou pegando fogo? Logo no primeiro jogo da Rod Laver, a zebra pintou. Maria Kirilenko, talvez a mais bonita tenista do circuito, derrotou Maria Sharapova.
Sim, a mesma Sharapova que muitos davam como candidata seríssima ao título. Mas será que essa previsão era baseada na tenista de hoje ou na de dois anos atrás, pré-lesão no ombro, com o tênis afiado?
Sugiro que lembremos o que Sharapova fez no último mês e meio. Depois disso, analisemos que motivos havia para colocá-la entre as mais cotadas em Melbourne…
No começo de dezembro, Maria jogou uma exibição no Chile e outra em São Paulo, ambas contra Gisela Dulko. Ah, sim, ela também deu uma clínica de tênis, bateu bola com Maria Esther Bueno na Oscar Freire. Logo depois, lançou nova linha de raquete e raqueteira da Prince.
Em seguida, Sharapova foi a Hua Hin, na Tailândia, onde jogou outro amistoso, este com Venus Williams. Lá, ela ainda tirou fotos com monges.
A terceira perna da Sharapova Tour foi em Hong Kong, dessa vez para um torneio de exibição. Primeiro, ela derrotou Jie Zheng nas simples e, nas duplas mistas, fez parceria com Yevgeny Kafelnikov (aquele mesmo!) para superar Ayumi Morita e Paradorn Srichapan, também conhecido como aquele-tailandês-que-casou-com-a-miss-universo-e-desapareceu-do-circuito.
Por fim, outro jogo amistoso, este contra Wozniacki. E sem esquecer de fazer jabás para os brincos de Paloma Picasso e uma linha de relógios.
Não precisa ser bom em matemática para fazer uma ideia do tempo que a russa perdeu em viagens, compromissos publicitários, amistosos, etc. Tampouco é preciso ser vidente para saber que a um mês de um Grand Slam as adversárias estão (ou deveriam estar) treinando com seriedade.
De onde, então, presumiu-se que Sharapova chegaria a Melbourne em excelente forma, capaz de derrotar as Williams ou as belgas? Será que a expectativa foi baseada nos 100% de aproveitamento nos amistosos? Será que derrotar Srichapan ou Jie Zheng valem tanto assim?
Alguns fãs lembram que Sharapova nunca disputou torneio de aquecimento para o Australian Open. Isso, de fato, jamais atrapalhou seu rendimento em Melbourne. O raciocínio faria total sentido, não fosse por um detalhe: a versão 2009/10 da russa é inferior ao modelo 2008.
Hoje, a russa não pode mais se dar ao luxo de chegar a um Slam sem alguns torneios nas costas. Até porque seu fim de temporada em 2009 não foi nada espetacular. Se ela viesse jogando um tênis preciso até dezembro, a história seria outra. Infelizmente, não é o caso.
Outro detalhe que os fãs de Sharapova podem ter deixado passar: alguém lembra de uma agenda tão cheia de Sharapova em dezembro e janeiro em alguma outra temporada? Eu, honestamente, não.
Posto tudo isso, sigo dizendo que o resultado desta segunda foi surpreendente. Mas também acredito que o tamanho da zebra é proporcional ao que se esperava de Sharapova. E o mundo esperava demais.
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Por um par de dias, foi como na época de Guga. Havia, em solo brasileiro, um ícone do tênis em atividade. Não se tratava de Guillermo Vilas ou Bjorn Borg, dois grandes tenistas, mas que já deixaram o circuito há tempos. Nem John McEnroe nem Pete Sampras. São Paulo recebeu Maria Sharapova, número 1 do mundo há pouco mais de um ano, provavelmente a mulher mais badalada do tênis feminino mundial.
















