Dinara Safina é uma tenista intrigante. Não tem o melhor saque, a melhor direita ou a melhor esquerda. Tampouco é a tenista mais consistente ou equilibrada do circuito, mas obteve resultados expressivos e uma ascensão surpreendente em 2008.
Até maio, quando já fazia parte do top 20, a russa colecionou resultados medianos, condizentes com o nível de tênis que mostrava até então, e não dava sequer sinais de que poderia chegar ao top 10, muito menos brigar para terminar o ano na posição-que-não-deve-ser-pronunciada (PQNDSP).
Então, veio o título em Berlim e, em algum momento entre o torneio alemão e a incrível campanha em Roland Garros, Safina percebeu que poderia vencer as melhores do mundo.
O WTA de Berlim não foi um mero Tier II, com uma ou outra tenista forte. Era Tier I, no saibro, e a russa derrubou no caminho, em seqüência, Henin, Serena, Azarenka e Dementieva.
Em Roland Garros, vieram as vitórias inacreditáveis sobre Sharapova e Dementieva. Depois disso, pintaram títulos no Tier II de Los Angeles (derrubou Jankoiv na semi) e no Tier I de Montreal (passou por Sveta nas quartas), a prata em Pequim, a semi no US Open, e outro título, desta vez no Tier I de Tóquio (vitória sobre Sveta na final).
Resultados dignos de top 10 e que, em uma época de tênis nivelado por baixo entre as mulheres, a levaram à segunda colocação no ranking.
Como a maioria de suas contemporâneas, Dinara tem o jogo baseado em trocas de bola do fundo de quadra. Luta em todos os pontos e ataca quando tem as chances. Não tem um golpe espetacular, mas, como mencionei no parágrafo acima, a época não requer genialidade para brigar pelo número 1.
Com a ascensão, Dinara conquistou também muitos fãs, encantados com a vibração mostrada em quadra - tanto nas vitórias como nas derrotas. Esta mesma vibração também pesa contra Safina. Embora com muito menos freqüência (e intensidade!) do que o irmão, a russa tem seus momentos de desequilíbrio emocional dentro de quadra. Uma série de erros leva à perda da paciência, e esta, por sua vez, conduz a mais falhas.
Não foi exatamente o que aconteceu nesta terça-feira, na derrota diante de Venus, mas a partida foi uma indicação de que Safina pode ainda não ter a consistência necessária para chegar à PQNDSP.
Após um começo arrasador e sacar para fechar a primeira parcial, a russa não converteu set points, deixou Venus vencer seis games seguidos e perdeu as rédeas do jogo. Combinação fatal quando a americana está motivada.
Independentemente da posição que Safina ocupar após o WTA Championship, seu comportamento e sua evolução estão na lista de atrações para 2009. Olho nela!
Quer dar sua opinião sobre Safina? Deixe na caixinha!
Coisas que eu acho que acho:
1) A presença de Fernando Verdasco no box de Ana Ivanovic, em Doha, pode ser uma explicação para a forma física da sérvia. Seu cansaço no fim do segundo set foi intrigante. Considerando que Ivanovic estava treinando em Dubai na semana anterior e que o jogo contra Jankovic não teve lá trocas muito longas (devido, principalmente, aos erros da primeira), estranhei a falta de resistência.
2) Não sei quantos de vocês sabem, mas a assessoria de imprensa do WTA Championship está sendo feita por Diana Gabanyi, ex-Guga (ex-assessora, que fique claro!). Uma das muitas fotos que a competentíssima Diana me enviou, de Elena Dementieva, é a foto mais bonita de uma tenista que vi este ano. Se quiserem ver, escrevam na caixinha!