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Chave masculina e palpitões

Sex, 23/05/08
por Alexandre Cossenza |

nadaltreinorg381.jpgA chave masculina de Roland Garros acaba de ser divulgada, e chegou a hora dos palpitões. O espanhol Rafael Nadal foi quem levou a pior entre os três primeiros do ranking. O número 2 do mundo pode encarar, em seqüência, Feliciano López (terceira rodada), Mikhail Youzhny (oitavas), David Nalbandian (quartas) e Novak Djokovic (semi) antes de chegar à decisão.

O caminho é certamente mais complicado do que o de Roger Federer. Além de ter escapado de um duelo com Djokovic nas semifinais, o suíço tem um caminho relativamente tranqüilo. Se confirmados os respectivos favoritismos, seus oponentes seriam Andreas Seppi na terceira fase e Juan Mónaco nas oitavas. No cruzamento das quartas, o maior cabeça-de-chave no caminho de Federer é justamente o em pior fase: Richard Gasquet. Os instáveis Fernando González e Igor Andreev parecem adversários mais prováveis. Na semi, o duelo pode ser com Nikolay Davydenko ou David Ferrer.

Novak Djokovic também se deu bem (pelo menos, até chegar a Nadal). Estréia contra o o alemão Denis Gremelmayr. Em seguida, encara Frank Dancevic ou um qualifier. A partir daí, a dificuldade aumenta. Guillermo Cañas pode ser o rival da terceira rodada, e Carlos Moyá é um provável adversário nas oitavas. O cruzamento das quartas também é simpático ao sérvio. Os quatro cabeças-de-chave na parada são James Blake, Janko Tipsarevic, Marcos Baghdatis e Tomas Berdych - nenhum deles, especialista no saibro.

federerrggonzo381.jpgBrasileiros

Gustavo Kuerten não deu lá muita sorte e pega o local Paul-Henri Mathieu, número 19 do mundo - não que isso faça diferença hoje em dia. Pelo menos, por ser um adversário francês, é certo que o tricampeão atuará na quadra Philippe Chatrier, a principal do complexo de Roland Garros.

Marcos Daniel também se deu mal, e terá pela frente Juan Carlos Ferrero. Parada duríssima para o gaúcho, que ainda não venceu uma partida sequer no Grand Slam parisiense.

Thomaz Bellucci “ganhou na loteria”. Após passar pelo quali, deu azar no sorteio. O paulista poderia cair contra desconhecidos convidados franceses, como Adrian Mannarino ou Jeremy Chardy, mas terá de fazer sua estréia contra Rafael Nadal. Boa sorte ao brasileiro!

Palpitões

Como é sem graça brincar de apostar no óbvio, arrisco algumas zebras - principalmente em Gasquet, que anda em fase horrorosa. Estou torcendo para que o novo treinador dê novo ânimo ao francês. Também estou confiando nos argentinos. Aposto que Nalbandian, Chela, Mónaco e el Potro chegarão às oitavas. Por pouco, não arrisquei em uma vitória de Cañas sobre Djokovic… Fiquem à vontade para cornetar. Rsrs.

Oitavas:
Federer x Mónaco
González x Gasquet
Davydenko x Ferrero
Stepanek x Ferrer
Tipsarevic x del Potro
Moyá x Djokovic
Nalbandian x Almagro
Chela x Nadal

Quartas
Federer x Gasquet
Davydenko x Ferrer
Tipsarevic x Djokovic
Nalbandian x Nadal

Semifinais
Federer x Ferrer
Djokovic x Nadal

Final
Ferrer x Nadal

Nadal campeão

Importante

Quem acompanhou o sorteio das chaves ao vivo, no site de Roland Garros, se assustou ao ver a chave principal postada no site. A janela de TR dava Guga xBoris Pashanski e Daniel x Guillermo García-López na primeira rodada, entre outros cruzamentos equivocados. O site logo avisou que havia ocorrido um “bug” no tempo real deles. Por curiosidade, deixo abaixo uma reprodução da janela do TR “oficial”.

chave-masculina7101.jpg

Um torneio de três nomes

Qui, 22/05/08
por Alexandre Cossenza |

Cotações de casas de apostas dizem muito. São feitas por gente que acompanha o esporte e, principalmente, não gosta de perder dinheiro. Vejamos as cotações para o torneio masculino em Roland Garros, por exemplo, da casa britânica William Hill:

Rafael Nadal: 4/6 (ou seja, R$ 4 para cada R$ 6 apostados)
Roger Federer: 7/2
Novak Djokovic: 4/1
NIkolay Davydenko: 20/1
David Nalbandian: 20/1
David Ferrer: 25/1

A lista é grande, mas já deu para perceber a distência astronômica dos três primeiros em relação ao resto. É assim que o mundo do tênis está olhando para Roland Garros: um torneio de três nomes. Qualquer vencedor dora do grupo Nadal-Federer-Djokovic será uma zebra enorme. Lembremos um pouco das temporadas dos líderes do ranking:

nadalhamburgo381.jpgRafael Nadal é, sem dúvida, o principal favorito ao título. Tricampeão invicto do torneio, o espanhol já pode ser considerado um dos maiores tenistas da história no saibro, pois venceu todos torneios mais importantes em sua superfície preferida. Este ano, passou por uma exaustiva seqüência de oito semanas seguidas de competições, e, por isso, é o atual recordista de vitórias na temporada.

Antes da temporada de terra batida, foi semifinalista no Masters de Indian Wells e vice-campeão em Miami. Em seguida, defendeu seu país contra a Alemanha, na Copa Davis. Só então foi para o saibro, em que conquistou o Masters de Monte Carlo mais uma vez. Na semana seguinte, conquistou outro título, dessa vez em Barcelona. Mesmo cansado e reclamando do calendário, foi a Roma, mas caiu na estréia diante de Juan Carlos Ferrero, outro especialista no piso.

Com tempo para se recuperar das bolhas nos pés, voltou às quadras em Hamburgo, onde foi campeão pela primeira vez, derrotando Roger Federer na decisão. O número 1 do mundo também foi vítima do espanhol na final de Roma. A não ser por uma lesão, é difícil imaginar Nadal perdendo um jogo em melhor de cinco sets no saibro. Antes das semifinais, então, as chances são mínimas.

federerrg.JPGFinalista do Grand Slam francês nos últimos dois anos, Roger Federer é forte candidato ao título de qualquer torneio. Em Paris, a história não e diferente. Curiosamente, neste ano, até então atípico para o suíço, os melhores resultados de Roger Federer vieram justamente no saibro.

Foi na terra batida de Estoril que o suíço conquistou seu único título até agora na temporada. Antes disso, chegou às semifinais do Australian Open - mesmo sob os efeitos de uma mononucleose não diagnosticada. Em seguida, sofreu derrotas surpreendentes para Andy Murray (primeira rodada em Dubai), Mardy Fish (semifinal em Indian Wells) e Andy Roddick (quartas em Miami).

Só em Portugal levantou o troféu, batendo Davydenko na final. Em seguida, partiu para os Masters Series do saibro, e conseguiu dois vice-campeonatos - Monte Carlo e Hamburgo. Entre os dois resultados, uma decepcionante derrota para Radek Stepanek nas quartas em Roma.

Como tenista versátil e consistente que é (”talentoso” é adjetivo desnecessário neste grupo), chega a Paris menos cotado que Nadal, mas praticamente em igualdade de condições com Novak Djokovic. Em Monte Carlo, suíço e sérvio se encontraram em uma das semifinais, e Djokovic abandonou no segundo set, quando perdia por 6/3 e 3/2.

novakhamburg381.jpgNúmero 3 do mundo, atual campeão do Australian Open e líder da Corrida dos Campeões, o sérvio Novak Djokovic chega a Paris mais forte e confiante do que nunca. Jogando o tênis mais consistente de sua carreira e vindo de grandes resutados sobre fortes adversários, o campeão do Masters de Roma ameaça o segundo posto da Nadal no ranking, e tem no Grand Slam francês uma grande oportunidade para ultrapassar o espanhol e encostar de vez no suíço.

Na quadra dura, Djokovic já provou de vez por todas sua competência. Vice no US Open do ano passado, o sérvio eliminou Roger Federer em três sets e faturou o Australian Open de 2008. Também na quadra dura, chegou ao título em Indian Wells, onde encontrou Mardy Fish na decisão.

No saibro, seus resultados também foram ótimos. Depois de alcançar as semifinais em Monte Carlo, teve uma boa dose de sorte e foi sagrou-se campeão do Masters de Roma. Na ocasião, venceu as quartas (Almagro) e a semi (Stepanek) graças a abandonos e, na final, superou o azarão suíço Stanislas Wawrinka.

Seu desempenho que mais impressionou, no entanto, veio nas semifinais do Masters de Hamburgo, onde levou Nadal ao limite e só perdeu após 3h de batalha. Na partida (que teve altíssimo nível técnico), Djokovic foi taticamente perfeito e teve lá suas oportunidades no terceiro set, mas o espanhol jogou ainda melhor nos pontos importantes. Este jogo mostrou, de vez, que o sérvio é, também, uma séria ameaça no saibro.

Alguém aí arriscaria apostar seu dinheiro em outro tenista? Davydenko, Nalbandian, Ferrer? Deixe seu recado na caixinha, e explique seus motivos.

Aviso importante: assim como no caso do torneio feminino, o post oficial dos palpitões entra na sexta-feira, assim que for realizado o sorteio da chave principal. Este texto é só para manter vivas as discussões sobre o torneio.

Curiosidade: Guga e Marcos Daniel nem entram nas cotações da William Hill para o campeão. Feliciano López, James Blake, Ivan Ljubicic, Ivo Karlovic, Robin Soderling, Tommy Haas e Mardy Fish, lanternas da lista, estão cotados em 200/1!

Coisa que eu acho que acho: O sorteio da chave, que decidirá em que “lado” ficará Novak Djokovic, será decisivo. Um longo e desgastante duelo nas semifinais, contra Federer ou Nadal, pode beneficiar (e muito!) quem sobrar na outra parte da chave.

Há favorita em Paris?

Qui, 22/05/08
por Alexandre Cossenza |

serenarg.JPGO torneio feminino em Roland Garros promete ser muito mais equilibrado do que o masculino. Em vez de três grandes favoritos e uma meia dúzia de tenistas correndo por fora, a chave das mulheres tem pelo menos seis grandes candidatas ao título e uma dúzia de participantes com chance de surpreender.

Fiz aqui um balanço dos torneios de aquecimento para Roland Garros (Amelia Island, Charleston, Estoril, Praga, Fes, Berlim e Roma - Istambul e Estrasburgo não estão na conta). Tivemos sete campeãs diferentes, e pontuações equilibradas. As tenistas que mais somaram foram Serena Williams (650 pontos), Jelena Jankovic (650), Alizé Cornet (621), Maria Sharapova (580) e Dinara Safina (525).

Nada aponta extremo favoritismo a tenista alguma. Sharapova é quem tem melhores resultados na temporada, mas não é segredo que o saibro não é seu forte. Seu título em Amelia Island veio no saibro verde, mais rápido, e contra adversárias de segundo escalão. Jankovic chega embalada, já que foi campeã em Roma, mas a sérvia tem contra si o fato de jamais ter vencido uma semifinal de Grand Slam. Será que chegou sua hora? Safina também tem contra si o retrospecto, pois jamais passou sequer das quartas em Paris.

Serena leva a vantagem no quesito experiência, até porque já venceu em Roland Garros (2002). Seu grande problema são as lesões, mas um torneio de duas semanas, com intervalos meiores entre os jogos, tende a beneficiar a americana. O saibro, piso que “machuca” menos os jogadores, também pode fazer bem para Serena. Entretanto, assim como no caso de Sharapova, o único título da americana este ano veio no saibro verde.

sharapovarg.JPGAinda neste grupo de cinco está a sensação francesa, Alizé Cornet. Vice em Roma e semifinalista em Charleston, a número 20 do mundo é candidata a queridinha do público - como aconteceu com Vaidisova em 2006 e Ivanovic no ano passado -, mas corre por fora na briga pelo título. Tradicionalmente, as francesas têm dificuldade em lidar com a pressão de jogar em frente à sua torcida. Amélie Mauresmo que o diga.

Outras tenistas que não podem ser deixadas de lado como candidatas são Ana Ivanovic (225 pontos no saibro este ano), Elena Dementieva (495), Vera Zvonareva (475), Venus Williams (110), e Svetlana Kuznetsova (120). Vice em Roland Garros no ano passado, Ivanovic só jogou dois torneios de saibro este ano, e caiu na estréia em Roma. Por isso, chega como incógnita. Talento não falta, e seu estilo de jogo se encaixa no saibro, mas a jovem sérvia, atual número 2 do mundo, vem tendo dificuldades para defender seus pontos. No ranking do saibro pré-RG, é apenas a 13ª.

Venus é candidata ao título de qualquer torneio que dispute, mas também jogou pouco no saibro este ano. Em Roma, único torneio que disputou no piso, chegou às quartas. Não pode ser descartada.

venusrg.JPGE que tal apostar em Dementieva ou Zvonareva? As duas fazem parte do grupo menos badalado das russas, mas vêm em boa fase. A primeira foi vice em Berlim e semifinalista em Charleston. Em seu currículo, está a final do Grand Slam francês em 2004. Zvonareva foi vice em Charleston e campeã em Praga. Resultados nada desprezíveis.

Se o leitor chegou ao nono (!) parágrafo procurando por Kuznetsova, atual número 4 do mundo, saiba que não esqueci dela. A russa, vice-campeã de Roland Garros em 2006, jogou apenas em Berlim e Roma, e sofreu derrotas nas oitavas para Alona Bondarenko e Alizé Cornet, respectivamente. Kuznetsova é uma das tenistas mais consistentes do circuito feminino e, num torneio sem grandes favoritas, tem que figurar no grupo das candidatas.

Anna Chakvetadze (300 pontos no saibro), Marion Bartoli (200) e Daniela Hantuchova (20) são as integrantes do top 10 (da WTA!) que correm por fora na França. Chakvetadze só conseguiu um bom resultado em Roma (foi à semi), Bartoli não passou das oitavas no quatro torneios que disputou, e Hantuchova nem sequer ganhou um jogo no piso - disputou apenas Amelia Island e caiu na estréia, diante da desconhecida Karolina Sprem.

E agora, no atual panorama, alguém aí arrisca apontar uma favorita? Responda na caixinha!

Aviso importante: o post oficial dos palpitões aparecerá por aqui na sexta-feira, junto com as chaves. Este texto aqui é só uma análise prévia, para manter as discussões sobre o torneio feminino e “ajudar” quem quiser levar fé nas minhas dicas para os palpitões. Rsrs.


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