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Quem venceria?

ter, 09/06/09
por Alexandre Cossenza |

O post de hoje é fruto de uma discussão (no bom sentido) que tive com o amigo Fábio Balassiano, que adora uma boa polêmica – e torna qualquer discussão algo bastante divertido.

Conversávamos antes da final deste ano em Roland Garros, e discordamos em duas questões. A mais importante delas (a outra já foi debatida pelos leitores em uma caixinha da semana passada ) era a seguinte: quem venceria um duelo entre o melhor Federer e o melhor Guga se os dois se encontrassem em Roland Garros?

É bem verdade que os dois já se encontraram no saibro de Paris, mas nenhum deles estava em seu auge. Federer já era líder do ranking, mas ainda não havia desenvolvido tanto seu jogo na terra batida. Hoje, o suíço saca melhor (ganhou muitos pontos “de graça” às custas do fundamento este ano), tem mais paciência nas trocas de bola e incorporou um golpe que se provou mortal em Roland Garros: o drop shot.

Guga já era tricampeão do torneio, mas havia passado por uma cirurgia no quadril. No torneio daquele ano, o catarinense ainda estava afiado, mas não aguentava jogos longos – o quadril exigiria uma nova intervenção cirúrgica alguns meses depois. Guga, no entanto, precisou de apenas três sets, e o físico não pesou. E é bom lembrar que desde aquele jogo Federer não perde em Paris para qualquer tenista que não se chame Rafael Nadal.

Balassiano afirma que Guga venceria o jogo de nossos sonhos. Sua linha de raciocínio tem lógica: se Guga já não estava bem do quadril e ganhou aquela partida, venceria também se estivesse 100% fisicamente. Faz sentido. Eu, por outro lado, acredito que isso menospreza a evolução de Federer no pó de tijolo. Digo que Federer venceria. Como o fez em 2002, em Hamburgo, também no saibro.

Há quem goste de dizer que Federer foi criado no saibro, e a afirmação foi tão repetida que virou uma espécie de lenda. Pelo que me consta, o atual número 2 do mundo fez sua base no centro nacional de tênis, na Suíça, e o local tinha quadras com todos os pisos. Seus primeiros bons resultados, no entanto, vieram em quadras duras e cobertas. Mas é claro que um tenista com os golpes de Federer obteria bons resultados também no saibro – cedo ou tarde.

A caixinha fica para as opiniões de vocês. No saibro, em melhor de cinco sets, quem venceria? O melhor Federer ou o melhor Guga?

Viajo para Florianópolis na manhã desta quarta para acompanhar a Semana Guga Kuerten e o amistoso com Sergi Bruguera. Quem sabe o próprio Guga não nos dá seu pitaco na questão acima?

14 momentos de Federer

seg, 08/06/09
por Alexandre Cossenza |

Os leitores que acessaram a página de tênis do Globoesporte.com no domingo ou nesta segunda puderam ver que preparei uma coletânea com as 14 vitórias mais importantes de Roger Federer em Grand Slams. E como toda lista de cinco, dez, ou cem melhores tem lá suas polêmicas e controvérsias, abro aqui a questão para debate.

Admito que deixei fora alguns triunfos bem marcantes. As vitórias contra Tipsarevic e Berdych na Austrália, ambas em cinco sets. A aula de tênis sobre Del Potro, também na Austrália. Algumas atuações de gala sobre Roddick. Por outro lado, algumas partidas passaram pelo corte mais por sua importância histórica do que pela atuação propriamente dita de Federer. Foi o caso da final deste domingo, por exemplo.

Quero saber, então, quais jogos figurariam na lista de vocês. Que critérios vocês usariam? É bom lembrar: só valem vitórias em Grand Slams, e não precisa ser em um dos 14 torneios vencidos pelo suíço. É só usar a caixinha.

Para quem quiser lembrar algumas cenas dos 14 títulos, recomendo a supergaleria de fotos que está no ar desde o término do jogo contra Soderling. E se os leitores quiserem, preparo outra discussão interessante, também sobre o suíço, para terça-feira. Escrevam se querem ou não estender o assunto.

E, para registrar, o blog estreia nesta segunda-feira o visual que ficará por aqui até o fim de Wimbledon, usando o verde-e-roxo adotado em SW19.

Valeu a pena esperar

dom, 07/06/09
por Alexandre Cossenza |

No fundo, todos fãs e admiradores de tênis torciam para que Roger Federer, mais cedo ou mais tarde, vencesse Roland Garros. No fundo, todos fãs e admiradores de tênis acreditavam que esse dia chegaria. E valeu a pena, para nós, esperar.

Federer venceu Wimbledon com 21 anos, o Australian Open com 22 e o US Open com 23. Roland Garros não teria sido tão emocionante em 2005. Federer precisava passar por cinco anos de provação. Precisava perder três finais, precisava mostrar perserverança. Não poderia ser tão fácil. E valeu a pena, para ele, esperar.

“Acho que foi muito duro aceitar a primeira derrota, em 2006. Foi minha primeira final aqui. Eu perdi a decisão e pensei ‘tenho que esperar um ano inteiro’ e não sabia nem se voltaria a uma final. Nos últimos anos, foi mais fácil porque eu estava mais relaxado e consciente do que acontecia à minha volta. A idade com certeza tem um grande impacto no quão importante esta vitória é de verdade. Estou muito orgulhoso”.

Analisar a vitória deste domingo é muito pouco diante do careem slam, diante dos 14 Grand Slams. São dois feitos incríveis. Cinco títulos em Wimbledon, mais cinco no US Open, mais três na Austrália. Mais o de hoje. O mais esperado, o mais sonhado.

E já que eu falei em sonho, ter Agassi na Philippe Chatrier para entregar o troféu a Federer foi como uma cena de conto de fadas. Logo Agassi, o último a fechar o career slam – e o fez justamente em Roland Garros, há exatos dez anos. Logo ele, que precisou de três finais para ser campeão em Paris. Logo ele, que há muito tempo considera o suíço o melhor de todos os tempos.

E daí que o adversário batido não foi Rafael Nadal? Federer fez de tudo este ano. Salvou set points contra Acasuso, saiu de um buraco enorme contra Haas, deu uma aula em Monfils e derrubou, em nova virada, a Torre de Tandil. Só faltou Federer fazer chover. Mas não é que choveu na final?

Valeu a pena esperar, Roger Federer.

Por quê, Safina?

sáb, 06/06/09
por Alexandre Cossenza |

Torci por Dinara Safina. Não porque sou grande fã da russa. Simplesmente achava que era sua hora para vencer um Grand Slam. A temporada de saibro foi quase perfeita. A campanha em Paris foi igualmente impressionante nas primeiras rodadas.

Era para ser o momento de Safina. Mas não foi. As sete duplas faltas deram o tom do jogo. Safina nunca se encontrou, jamais esteve à vontade. Kuznetsova aproveitou.

A final foi decepcionante, é verdade, mas não tiremos o mérito de Svetlana Kuznetsova, que não teve culpa se Safina estava em uma jornada pífia. A número 7 do mundo (será top 5 na segunda) deslocou a rival sempre que pôde, variou os golpes e usou curtinhas. Mereceu.

Eu jurei a alguns amigos que aposentaria a palavra, mas, depois de hoje, vou continuar me referindo a Dinara Safina como a dona da posição-que-não-deve-ser-pronunciada (PQNDSP).

No último post sobre o feminino, escrevi que Safina estava entre o maior triunfo e a maior decepção. Veio a maior decepção.

Um troféu em Roland Garros

sex, 05/06/09
por Alexandre Cossenza |

O post vem com certo atraso, até porque ando atarefado com umas matérias que vão ao ar no domingo (isto é, se um certo suíço vencer), mas é preciso registrar a bela campanha de Marcelo Melo nas duplas mistas em Roland Garros.

Ao lado da baixinha Vania King (até porque todo mundo é baixinho do lado dele), o mineiro esteve muito perto do título, mas acabou sendo derrotado pelos americanos Bob Bryan e Liezel Huber no match tie-break.

Parabéns ao mineiro, que realmente estava precisando de um resultado assim. Numa temporada em que as coisas não vêm dando muito certo com o parceiro André Sá, qualquer boa campanha ajuda mentalmente. E € 25 mil no bolso também não fazem mal, né?

Coisa que eu acho que acho

Sempre recebo alguns e-mails pedindo mais posts sobre duplas. Como sempre respondo o mesmo, aproveito para explicar aqui. Não escrevo mais porque não vejo muitos jogos da modalidade.

Entendo que muitos leitores querem ver ressaltados os bons resultado de Bruno Soares ou Melo/Sá, mas seria muito vazio escrever “fulano ganhou”, sem poder fazer uma análise de motivos, acertos e erros dos tenistas. Também entendo que há jornalistas que fazem isso. Tudo bem. Só não é minha praia.

Assim, enquanto as emissoras não mostrarem mais jogos de duplas, o blog não terá muitos posts sobre o assunto. Espero que vocês, leitores, entendam.

Lembrando: este post fica só para quem quiser comentar as duplas, ok? Para observações sobre a chave masculina, peço que usem o post imediatamente abaixo.

Perto do maior triunfo… ou da maior decepção (parte II)

qua, 03/06/09
por Alexandre Cossenza |

Novak Djokovic foi o primeiro a se despedir. No dia seguinte, Rafael Nadal deu adeus a Paris de forma surpreendente. Nesta terça, foi a vez de Andy Murray ser eliminado em Roland Garros.

Os maiores rivais estão fora. Só sobraram fregueses. No histórico de jogos diante de todos os tenistas ainda vivos em Roland Garros, Roger Federer tem 38 (trinta e oito!) vitórias e duas derrotas.

Em outras palavras, o suíço está mais perto do que nunca de conquistar o Aberto da França, o troféu de Grand Slam que falta em sua estante. Tecnicamente, Federer até já esteve mais perto. Afinal, disputou três finais. Em todas, porém, esbarrou com seu grande carrasco, Rafael Nadal.

Agora, a situação é bem diferente. Seu adversário nas quartas é Gael Monfils. Sim, o mesmo Monfils que deu um show, levantou a galera na Philippe Chatrier, mas sucumbiu diante de Federer nas semifinais do ano passado.

Na semi, o suíço pode enfrentar Tommy Robredo (contra quem venceu oito vezes e perdeu apenas um jogo, na longínqua Copa Hopman de 2001) ou Juan Martín Del Potro. Sim, o mesmo Del Potro que levou duas aulas de Federer este ano: uma bicicleta (6/3, 6/0 e 6/0) na Austrália e um baile de tênis em Madri.

Na decisão, enfim, os adversários em potencial de Federer são Robin Soderling, que perdeu todos os nove jogos (e venceu apenas um set!) que fez contra o suíço, e Fernando González. Sim, o mesmo González que saiu derrotado pelo então número 1 do mundo nas quartas de Roland Garros em 2008. A propósito, são 12 vitórias de Federer contra uma do chileno. E esta veio no round robin da Masters Cup de 2007, um torneio vencido por… adivinha!

Um título em Roland Garros será, indiscutivelmente, o maior feito de Federer. Não pela conquista no saibro em si, mas pelo career slam, algo que apenas cinco tenistas têm no currículo. E algo, é bom lembrar, que o grande Pete Sampras, considerado por muitos o melhor de todos os tempos, não tem.

Aliás, um triunfo do suíço reacenderá a discussão (um tanto inconclusiva e desnecessária, na minha opinião) sobre o melhor de todos os tempos. Afinal, mais um troféu significa que Federer terá os mesmos 14 Grand Slams de Sampras, com a óbvia vantagem de ter o título no saibro, além da possibilidade de superar a marca do americano e se isolar com 15 Slams.

Há, é claro, o outro lado da moeda. Uma derrota, para qualquer um dos adversários citados acima, será uma grande decepção. Talvez a maior frustração de sua carreira. Não por uma eventual derrota, mas pela oportunidade desperdiçada.

Não sou eu o único a acreditar que Federer tem a chance de sua vida neste Roland Garros. O mundo inteiro (praticamente) acha que o suíço não terá outra oportunidade tão boa.

Se isso pesar e Federer sentir a pressão, tudo muda. Mas, cá entre nós, quem vai dizer que um cidadão com 13 Grand Slams e que passou oitocentas (rs) semanas seguidas como número 1 do mundo não sabe jogar sob pressão?

A caixinha fica aberta desde já aos comentários sobre a chave masculina em Roland Garros.

Perto do maior triunfo… ou da maior decepção

ter, 02/06/09
por Alexandre Cossenza |

Sem um título de Grand Slam no currículo, Dinara Safina é a atual dona da posição-que-não-deve-ser-pronunciada (PQNDSP). Em seu piso preferido e depois de uma campanha impecável no saibro europeu, chegou a Roland Garros como grande favorita.

Em seus primeiros quatro jogos no torneio francês, mostrou números assustadores: aplicou quatro pneus e cedeu apenas cinco (5!) games. É isso mesmo. Em quatro partidas, perdeu cinco games. Em toda a Era Aberta do tênis, só uma tenista foi melhor que Safina após quatro jogos (Mary Pierce, quatro games, em 1994). Este é o tamanho atual do favoritismo de Dinara Safina em Roland Garros.

Uma conquista em Paris será, sem sombra de dúvida, seu maior triunfo. Uma derrota, por outro lado, será sua maior decepção.

Consideremos que boa parte dos fãs e analistas de tênis não gosta de ver uma atleta chegar ao topo do ranking sem vencer um dos quatro maiores torneios do circuito. Safina tem dois vices (RG/2008 e Australian Open/2009) e, pior ainda, duas atuações abaixo da crítica em ambas ocasiões. Isso, sem falar na final olímpica recheada de duplas faltas.

O que dizer se ela vacilar mais uma vez, principalmente agora, como favorita?

A caixinha fica aberta para todos comentários sobre a chave feminina até agora.

Questão de consistência

seg, 01/06/09
por Alexandre Cossenza |

Existe um motivo muito claro pela qual Roger Federer alcançou as semifinais dos últimos 19 (dezenove!) Grand Slams: consistência. É claro que o suíço teve atuações espetaculares em muitas partidas ao longo desses 19 torneios, mas é impossível manter seu nível mais alto de tênis por tanto tempo.

A grande diferença de Federer em relação ao resto do circuito mundial hoje em dia é essa estabilidade. Em uma melhor de cinco sets, é preciso muito para bater o suíço. O adversário precisa manter-se em altíssimo nível durante todo o jogo. Tommy Haas chegou perto, mas não conseguiu fazer completar a tarefa nesta segunda-feira.

Federer sacou muito bem (mais uma vez!), mas não esteve espetacular em quadra. Após vencer todos (!) os pontos em seus games de saque no primeiro set, deixou o tie-break escapar. No segundo set, teve uma quebra de dianteira, mas permitiu a virada do alemão.

Mesmo assim, o suíço manteve seu nível. Que não era altíssimo, mas também não era baixo. Haas é que, até então, fazia uma partida irrepreensível. Sacava muito bem, atacava com precisão, deslocava o suíço e subia bem à rede. Mas o alemão não soube completar o serviço.

Primeiro, Federer salvou um break point no oitavo game com um forehand de dentro para fora indefensável. Em seguida, Haas teve 40/15 com seu saque, mas errou uma curtinha, cometeu uma dupla falta e abriu a porta para o suíço. O número 2 do mundo viu a luz e aproveitou.

A partir dali, outro Haas esteve em quadra. Errático, nervoso, impaciente. Federer, consistente, manteve o nível e agora é favorito para chegar à 20ª semifinal seguida. Sobre suas chances de título, aguardem outro post ainda hoje.

Fala, Nadal

dom, 31/05/09
por Alexandre Cossenza |

Frases do número 1 do mundo após sua espantosa (e “espantosa” nem começa a descrever o tamanho da zebra) derrota diante Robin Soderling, nas oitavas de final em Roland Garros:

Quem viu o vídeo da coletiva, na ESPN (mesmo abafado pelos gritos de Sharapova – vide Twitter do blog) ou no site de Roland Garros, pode constatar que o Rafael Nadal ainda estava meio desnorteado. Abalado pela derrota, sem encontrar uma explicação realmente convincente para o que tinha acabado de acontecer.

“Joguei muito curto. Joguei muito curto. Não joguei bem. Não joguei com calma em hora nenhuma na partida. Isso facilita para ele jogar naquele nível durante toda a partida, não? Então foi minha culpa. Ele foi bem, mas acho que não joguei meu melhor tênis, não? Não joguei meu melhor tênis, e por essa razão perdi. É isto”.

“Eu perdi. É tudo que posso dizer. Perdi. Não joguei meu melhor tênis hoje. Tenho que analisar os motivos pelos quais perdi hoje, mas acho que as coisas são mais simples do que se estou menos forte do que antes, se estou menos preparado mentalmente do que antes”.

Acho que entrevistas coletivas deveriam acontecer pelo menos 2h depois de um jogo como este. Não dá para levar a sério demais o que um rapaz diz depois de um resultado inesperado assim. Se nós (fãs, escritores, jornalistas, etc.), que estamos vendo o jogo com olhares menos parciais, demoramos a achar palavras para explicar, imagine um rapaz decepcionado, surpreendido, chocado. Acho que Nadal fará muito mais sentido daqui a uma semana.

Duas coisas me pareceram bastante claras durante o jogo. Nadal não estava cansado ou mentalmente exausto. É bom lembrar que o espanhol venceu Roland Garros nos últimos quatro anos em calendários bastante parecidos. O número 1, grande crítico do calendário exigente da ATP, evitou desculpas. Saiu-se muito bem, aliás. Mesmo com seguidas perguntas de jornalistas que acreditavam no cansaço do espanhol.

“Quando você perde, todo mundo sempre começa a analisar se eu joguei demais, se estou cansado. A verdade é que ganhei quatro anos seguidos jogando o mesmo. Esta é a verdade. Este ano, joguei o mesmo e perdi. O que aconteceu? Eu perdi. É isto”.

Coisas que eu acho que acho:

- Analisar derrotas de Nadal é uma tarefa traiçoeira. É fato que para alguém derrubar o espanhol é preciso uma partida inspirada e vários golpes vencedores. O adversário tem que partir para winners com frequência. Quando bolas pesadas (como as de Soderling) começam a entrar com frequência, Nadal obviamente chega atrasado nelas. E aí é que a imagem é traiçoeira.

Estamos tão acostumados a ver Nadal se defender e alcançar bolas impossíveis que, no dia que um adversário inspirado acerta tudo e o número 1 chega desequilibrado para se defender, fica a impressão que o tenista está sem explosão, mais lento, cansado. Isto, definitivamente, não foi o que aconteceu neste domingo.

- A vitória de Soderling, da maneira que aconteceu, não ensina nada a ninguém. A tática usada pelo sueco já foi tentada por vários jogadores – sempre sem sucesso. A atuação dos sonhos do sueco é que fez a diferença.

IMPORTANTE: Só para lembrar, esta caixinha não é para comentários sobre Federer. Até um post próprio, comentários sobre o suíço devem entrar na caixa mais recente: “Valeu, Chucho”.

Ele caiu

dom, 31/05/09
por Alexandre Cossenza |

Se alguém me pedisse para montar fisicamente um jogador perfeito para derrubar Rafael Nadal no saibro, eu criaria um atleta mais duas características básicas:

- Alto o bastante para executar o backhand com duas mãos e não se incomodar com o forehand cruzado do espanhol. Além disso, a altura dá ângulo favorável para saques consistentemente acima dos 200 km/h. Algo entre 1,90m e 1,95m.

- Com envergadura acima da média. Algo que obviamente ajuda o alcance de certas bolas, mas também facilita na hora de fechar a rede nas subidas.

Além das características físicas, eu estipulo um requisito técnico básico: se o atleta for destro, deve executar o backhand com duas mãos. Afinal, Federer já mostrou o quão difícil é se defender do forehand cruzado de Nadal usando apenas uma das mãos.

Assim como vários outros tenistas de hoje em dia, Robin Soderling tem as características acima. Só que nenhum deles jamais conseguiu sacar com força e precisão, atacar com colocação, peso e profundidade, fechar a rede de forma impressionante, e vencer três sets contra Rafael Nadal, no saibro, no mesmo dia.

A combinação parecia impossível. Até hoje, dia em que o sueco Robin Soderling torna-se o primeiro homem a vencer o atual número 1 do mundo em uma melhor de cinco sets na terra batida.

É difícil explicar como ele conseguiu. Se é verdade que Nadal não esteve em um dia normal, é igualmente necessário afirmar que Soderling foi o principal responsável por isso. Em um dia inspiradíssimo, o sueco sempre tentou o primeiro golpe, o ataque inicial. E acertou, consistentemente, bolas vencedoras em ângulos improváveis.

A tática, tentada por muitos, sempre sem sucesso, só funcionou porque o sueco seguiu acertando, de forma assustadora. Winner atrás de winner, atrás de grandes voleios e grandes saques, bem colocados e pesados. E o espanhol não conseguiu nem tomar o controle dos pontos nem bater o adversário pelo cansaço.

Coisas que eu acho que acho:

- Em algum lugar de Paris, um suíço comemora, mais ainda do que o fez ontem. Acho que Federer não terá melhor chance de fechar o career slam. Ou será que Murray ainda pode aprontar? De repente, começo a gostar das chances de Fernando González em Roland Garros.

- Soderling não tem um histórico de vitórias importantes ou títulos. Sempre foi um tenista que deixou a desejar em finais ou jogos importantes. Nunca o vi jogando assim, como hoje. E se eu tivesse que apostar, diria que ele não passa nem por Davydenko nem por Verdasco.

- O jogo de hoje e o atual estágio de Rafael Nadal podem ser analisadas de muitas maneiras. Espero os comentários de vocês na caixinha. Volto a escrever à noite, depois de processar devidamente o que acaba de acontecer em Roland Garros.

Ironia pura:

Um sueco mantém intacto o recorde do compatriota Bjorn Borg, que venceu 41 sets seguidos em Roland Garros. Nadal parou em 32. Além disso, Borg manterá (empatado com Nadal) o recorde de títulos consecutivos em Roland Garros (4).

A cara de pau

dom, 31/05/09
por Alexandre Cossenza |

Primeiro set empatado. Break point para Maria José Martínez Sánchez. A espanhola sobe à rede e voleia curto. Serena Williams chega na bola e faz o que todo mundo aprende na escolinha: bola forte no corpo da adversária. A bola bate no braço direito de Martínez Sánchez e cai na quadra da americana. A espanhola dá as costas e volta para o fundo de quadra. O árbitro de cadeira, achando que a bola bateu na raquete, dá o ponto para ela.

Serena fica ali, sem entender nada por alguns momentos. No intervalo, reclama com o árbitro de cadeira – de forma incrivelmente educada, considerando o tamanho do erro  (o árbitro disse que não viu a bola bater no braço da espanhola) e sua importância (o ponto valeu a quebra que decidiu o set).

Serena se recupera no jogo, vira a partida e, com muita dificuldade, fecha o terceiro set. Na coletiva, a americana diz para todo mundo ouvir que a adversária trapaceou. Quando questionada sobre a possibilidade de Martínez Sánchez não ter sentido a bola bater em seu braço, Serena disse o óbvio:

“A bola bateu no corpo dela, então ele deveria ter perdido o ponto em vez de trapacear. Bati aquela bola bem forte. Ela sabe que a bola bateu nela”.

Quando soube dos comentários de Serena, a espanhola desconversou. “Não quero falar sobre isso. É um comentário idiota”.

Martínez Sánchez fez uma bela partida. Sacou e voleou, variou o jogo, tirou Serena de sua zona de conforto. Mas a atitude desonesta para ganhar o ponto vai ficar marcada. Ou será que ela acredita que suas futuras adversárias não vão ver (ou saber) esse vídeo e sua conduta antiesportiva? É realmente uma pena…

As silhuetas

dom, 31/05/09
por Alexandre Cossenza |

Nada menos que 238 pessoas identificaram corretamente a primeira silhueta, que pertencia ao francês Jo-Wilfried Tsonga. Apenas nove, no entanto, acertaram o segundo desafio. A imagem é da portuguesa Michelle Larcher de Brito. A lista dos acertadores está abaixo (vou postar as imagens originais na segunda-feira).

Ana Luiza Garcia
José Tadeu Vicari Júnior
Gabriel Sab
Antonio Carlos Roma
Luiz Lemos
Valdemir dos Santos do Nascimento
Michel Daszmarelli
Haissam Atef Manah

Um nome a menos

sáb, 30/05/09
por Alexandre Cossenza |

O problema de ser um grande favorito é descansar demais, confiar demais em si mesmo. Isso acontece cedo ou tarde, consciente ou inconscientemente. E isso não significa, necessariamente, que o adversário está sendo menosprezado. Vencer demais e com folga dá uma sensação falsa de autoconfiança, de que é possível apertar um botão durante a partida e controlar as ações a partir dali. Faz o tenista não entrar no jogo concentrado o bastante, não preparado taticamente quanto o necessário. Faz com que ele não se prepare mentalmente para um dia ruim.

Os “sintomas” relatados no parágrafo acima foram demonstrados por Roger Federer e Novak Djokovic neste sábado, em Roland Garros. O suíço conseguiu mudar o panorama de seu jogo e venceu Paul-Henri Mathieu de virada, 3 sets a 1. O sérvio lutou, principalmente contra si mesmo, mas encontrou um Philipp Kohlschreiber inspirado e caiu, ainda na terceira rodada. Triplo 6/4.

Vejamos algumas frases de Djokovic em sua coletiva, concedida após a derrota:

“O que foi decepcionante foi eu não conseguir encontrar o rimto durante toda a partida”.

“Ele não me deu muitas chances, mas eu não trabalhei por elas. Este foi o problema. Joguei de forma muito passiva, e ele foi sólido em todos os golpes”.

“A temporada de saibro de muito sucesso só pode me dar confiança para continuar na sequência. Era isso que eu pensava. Nas primeiras duas partidas foram muito boas, e me sentia bem antes deste jogo. De repente, na quadra, a história foi diferente”.

O sérvio também disse que estava bem fisicamente, mas estava sem explosão e não achou uma zona de conforto para devolver o saque do alemão. Além disso, Djokovic ressaltou que a culpa foi só dele e de sua cabeça, de mais ninguém, isentando o novo preparador físico.

O vídeo da coletiva, disponível no site de Roland Garros, mostra um Djokovic meio desnorteado, ainda tentando achar uma explicação para o que aconteceu. Não dá para afirmar que ele entrou em quadra displicente ou menosprezando Kohlschreiber, mas fica claro que ele não estava preparado para um dia ruim.

O alemão, é bom que se diga, fez uma bela partida. Ao perceber o dia ruim do sérvio, subiu mais à rede, variou o jogo, não deixou que o oponente se recuperasse.

Sem o sérvio em seu lado da chave, Federer agradece. Nas oitavas, o suíço pega Haas e, depois, o vencedor de Monfils x Roddick. A semifinal pode ser contra Del Potro, Tsonga, Robredo ou Kohlschreiber.

Do lado de cima, Nadal tem rivais interessantes. Depois de Soderling nas oitavas, o número 1 joga contra Davydenko ou Verdasco. Se vencer, a semi será contra Murray, Cilic, González ou Hanescu.

Valeu, Chucho

qui, 28/05/09
por Alexandre Cossenza |

Onde foi parar o Federer de golpes agressivos e precisos que venceu o Masters de Madri há menos de duas semanas? Não fosse pela contínua capacidade de José Acasuso em deixar escapar jogos ganháveis, o suíço estaria rumando para casa uma semana antes do previsto.

Em uma Philippe Chatrier muito mais lenta que a quadra central de Madri, Federer se mostrou pouco agressivo e muito errático. Deu seguidas chances para o argentino, desde um ponto de graça no tie-break (graças a uma marcação errada de linha do próprio Federer, que parou o ponto ao acreditar que o saque do adversário havia saído) até uma série de forehands descalibrados no começo do terceiro set.

Afirmar que Acasuso desperdiçou quatro set points no primeiro set é um tanto injusto, já que Federer fez dois aces, mas é preciso lembrar que Chucho cometeu dois erros não forçados nas outras duas chances que teve para fechar a parcial. E o que dizer das duas vezes em que Acasuso sacou para fechar o terceiro set?

Federer teve seus méritos. Errou menos a partir da segunda metade do segundo set, sacou bem (demais!) quando precisou de verdade, e mostrou preparo físico melhor que o do argentino.

Agora, no entanto, é preciso admitir que Nadal tinha lá sua dose de razão quando disse que as condições em Madri – quadra rápida e altitude – não eram as ideais para a preparação rumo ao Grand Slam francês. Obrigado a José Acasuso, o Chucho, por mostrar isso para o mundo.

Coisa que eu acho que acho:

O dia foi ruim para o tênis argentino: Juan Mónaco, Martín Vassallo Arguello e até Leonardo Mayer perderam jogos em que tiveram chances. Os hermanos, no entanto, venceram com Del Potro e, surpresa, Máximo González.

De onde vem o perigo?

qua, 27/05/09
por Alexandre Cossenza |

No dia do sorteio, era quase unânime a afirmção todos diziam que a chave de baixo de Roland Garros era mais fraca. A sempre perigosa Jankovic, uma Wozniacki em grande fase, Dementieva, Kuznetsova, e até a imprevisível Serena saibrista pareciam amaeças mais reais para Dinara Safina, a grande favorita.

Hoje, ainda na segunda rodada, já é possível ver um certo equilíbrio, graças a boas atuações de quem está na chave de cima. Ivanovic, quejogou puco no saibro e fez uma estreia ruim, deu um show nesta quarta. Fez a festa com seu forehand e até sacou melhor do que vinha fazendo. Vale a pena prestar atenção na sérvia, atual campeã, na próxima fase. Outra que se destacou foi a portuguesinha (diminutivo só na idade) Michelle Larcher de Brito apareceu para jogar e derrubou Zheng. Potencial não falta ali.

A grande atuação do dia, no entanto, veio com Sharapova. A russa não foi tecnicamente brilhante e não ofereceu resistência quando Petrova jogou solta, no segundo set. Na hora de fechar, porém, pesou a atitude vencedora. Enquanto Petrova pouco tentou agredir, Sharapova tomou a iniciativa da maioria dos pontos. Errou bastante, é verdade, mas a tática fez efeito quando foi necessário.

Era justamente a este tipo de comportamento que eu me referi alguns posts atrás, dizendo que são poucas as tenistas realmente vencedoras atualmente. É inegável que Petrova tem jogo para derrotar Sharapova (principalmente enquanto a ex-número 1 não está 100% recuperada), mas é preciso fazer a dura constatação que Petrova não tem vitórias realmente relevantes no currículo.

Ainda é cedo para prever até onde Sharapova pode chegar, mas depois de hoje, tudo é possível. Seu próximo jogo é contra Shvedova e, se vencer, a russa encara Li ou Govortsova. Alguém duvida que ela vença pelo menos mais dois jogos?

Deixe sua opinião na caixinha!

P.S.: não esqueci de Venus Williams, que também está na chave de cima, mas a americana ainda precisa virar o jogo contra Safarova (a partida foi adiada por falta de luz natural nesta quarta).

P.S.2: a foto de hoje é dedicada ao público masculino, que deve ter ficado com inveja após o post com o vídeo Nadal x Jackman.



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