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A vitória que não foi

sáb, 20/03/10
por Alexandre Cossenza |
categoria Análise, Nadal

Campeão do Masters 1.000 de Indian Wells em 2007 e 2009, Rafael Nadal está de volta à final do torneio californiano. O espanhol, atual número 3 do mundo, venceu com facilidade o croata Ivan Ljubicic por 6/3 e XX e estendeu sua sequência de vitórias no evento para 11. O triunfo deste sábado, que veio em XXh e XXm, foi também o sexto seguido do Touro Miúra sobre Ljubicic. Em confrontos diretos, o croata venceu apenas o primeiro duelo contra Nadal, em 2005. Desde então, o espanhol não perdeu mais.

Ljubicic_IW_blogO parágrafo acima introduziria o texto do Globoesporte.com sobre a partida entre Rafael Nadal e Ivan Ljubicic. O texto foi escrito após o fim do primeiro set e ainda mencionava, na sequência, a falta de ânimo do público, desmotivado com o domínio do espanhol até então. Escrever depois do primeiro set é um hábito meu e, ao mesmo um tempo, uma necessidade imposta pela internet. Afinal, logo que o jogo acaba, a “história” do jogo precisa estar no ar (e se alguém está curioso para saber, o texto final ficou assim).

Mas tudo mudou em um game, o nono do segundo set. Até ali, Nadal tivera cinco break points na parcial, mas não convertera nenhum. Na maioria dos casos, Ljubicic disparou um grande saque ou conseguiu um winner. Não lembro, agora, de um erro não forçado o espanhol nessas cinco chances (posso estar enganado, claro).

No tal nono game, Nadal vacilou. Saiu com 0/30, igualou, mas com uma dupla falta, cedeu a quebra (já tinha salvo um break, no 30/40). Depois disso, foi outro jogo. Ljubicic, que já vinha sacando bem, fechou o set no décimo game e ganhou confiança. O terceiro set teve uma história parecida. Nadal vinha confirmando com mais facilidade, mas o croata levou para o tie-break. Estranhamente, o espanhol foi hesitante quando não poderia ser. E Ljubicic levou.

O que eu acho que acho sobre Andy Murray

A derrota de Andy Murray diante de Soderling trouxe de novo à tona aquele velho papo de que o britânico é mais um devolvedor de bolas. Continuo discordando, e ele já deu várias demonstrações de que tem bola pesada, tem talento e versatilidade. O escocês, porém, ainda não achou o meio-temo – e eu já escrevi isso algumas vezes. De vez em quando ataca, de vez em quando se esconde na defesa. Contra o sueco, a tática falhou.

Shakira e a fisioterapia

sex, 26/02/10
por Alexandre Cossenza |
categoria Nadal, Vídeo

Um dos assuntos mais interessantes que acompanhei – de longe – nas minhas duas semanas de folga foi o novo clipe  de Shakira, cheio de cenas quentes. Os responsáveis pela divulgação da música deixaram todos curiosos quando,  antes do lançamento oficial do clipe, distribuíram algumas imagens nas quais a colombiana protagoniza momentos românticos com um rapaz.

O clipe de Gipsy, em inglês, ou Gitana, em espanhol (cigana em português), foi enfim lançado. E se você ainda não sabe o que Shakira faz em um blog de tênis, clique no vídeo abaixo e veja quem é o rapaz que contracena com a moça. Não sei o que o leitor, vai achar. Quanto a mim, garanto que meus joelhos melhorariam rapidinho!

Pedido desconcertante

qua, 20/01/10
por Alexandre Cossenza |

Quantas vezes vimos Rafael Nadal sorrindo de algo gritado por um torcedor durante uma partida de tênis? Agora, de cabeça, não me recordo (tudo bem, não fiz muita força). Pois hoje, o espanhol teve sua concentração quebrada por uma fã que, durante o duelo com Lukas Lacko, gritou “Nadal, will you marry me?”.

Dá para notar que o número 2 do mundo tenta ignorar o pedido de casamento, mas o público inteiro cai na gargalhada e, então, Nadal não consegue segurar. Ele solta um sorriso, faz um gesto com a mão direita, e praticamente começa o ponto seguinte dando uma risada. Vale a pena conferir. Divirtam-se!

A falta que Nadal faz

ter, 15/12/09
por Alexandre Cossenza |

Blog_Nadal1

Quando eu pensei na categoria “Ausência do Ano” para a retrospectiva, imaginei que poderia, depois de muito tempo, escrever algumas linhas sobre David Nalbandian – nunca escondi que torço para o argentino sempre que ele está em quadra. No entanto, por mais que a ausência de Nalbandian tenha sido longa, é inegável que o argentino não foi quem mais fez falta ao circuito mundial este ano.

Se a briga pelo posto de número 1 do mundo teve emoção nos últimos anos, o mérito é exclusivamente de Rafael Nadal. O espanhol foi o único a ameaçar de verdade o reinado de Roger Federer. Foi graças a Nadal que Federer teve de suar para vencer Wimbledon em 2007, e também foi graças ao atual número 2 do mundo que o suíço demorou tanto a completar o career slam.

Quando venceu na Austrália, Nadal comprovou que tem tênis para superar Federer em qualquer tipo de piso. O espanhol, então líder do ranking, vinha de títulos em três dos últimos quatro Grand Slams (Roland Garros, Wimbledon e Melbourne). E a incrível fase continuou com os títulos em Indian Wells, Monte Carlo, Barcelona e Roma. O vice em Madri foi um mero tropeço, uma lombada causada pela longa semifinal contra Djokovic.

Vieram, então, a lesão no joelho e a surpreendente derrota para Robin Soderling em Paris. Depois de Roland Garros, o Touro Miúra teve de se afastar do tênis para tratar a tendente nos dois joelhos. E o caminho ficou aberto para Roger Federer triunfar em Wimbledon e retornar ao topo do ranking.

É injusto tirar mérito de Federer por causa da ausência de Nadal, ao mesmo tempo em que é impossível não imaginar se o suíço teria sido campeão em Paris caso tivesse encontrado o espanhol em mais uma final. Da mesma maneira, o mundo do tênis foi privado não apenas de acompanhar, mas também da expectativa de um novo duelo entre Federer e Nadal na grama de Wimbledon – lembremos que suíço e espanhol fizeram todas as finais em Londres e Paris nos últimos três anos (’06, ‘07 e ‘08). Nadal teria arrasado Federer em Paris como fez um ano antes? Federer teria dado o troco e recuperado seu trono em Londres? Nada disso o público pôde ver.

No fim das contas, Federer venceu Roland Garros e Wimbledon, fechou o career slam, recuperou a liderança do ranking mundial e quebrou o recorde de Grand Slams de Pete Sampras. Ninguém duvidava de que isso aconteceria, mais cedo ou mais tarde. Como ninguém duvidava de que os feitos de Federer em 2009 teriam sido mais emocionantes de Nadal estivesse lá, inteiro, do outro lado da quadra.

Assim, fica para Rafael Nadal o título de ausência do ano. Foram apenas dois meses. Um período curtíssimo comparado com o afastamento de Nalbandian, mas decisivo para o ano tenístico.

Nadal x Federer, o melhor jogo do ano

qui, 10/12/09
por Alexandre Cossenza |

Federer_Nadal_AO_blogEscolher uma partida e colocá-la acima das demais não é tarefa das mais fáceis. Principalmente em uma temporada repleta de jogos emocionantes. Em 2009, o equilíbrio é muito maior do que no ano passado, quando a final de Wimbledon, possivelmente o melhor jogo da história, foi unânime.

Basta ver os comentários na caixinha dos “melhores do ano”, dois posts abaixo, para ver que há um certo equilíbrio em 2009. Federer x Roddick em Wimbledon foi uma escolha popular (foi, aliás, a escolha da ATP – leia aqui). E compreensível. Era a final do Grand Slam mais badalado, valia o recorde para Federer, e terminou em eletrizantes 30 games no quinto set. O nível de tênis não foi o melhor do ano, mas valeu pela emoção, pelos momentos em que ficamos sem respirar a cada saque. É o que eu sempre digo: Wimbledon tende a atrair partidas fantásticas.

Outra opção bastante mencionada foi Nadal x Verdasco, a semifinal do Australian Open. Verdasco surpreendeu com uma das melhores atuações de sua vida. Durante boa parte das 5h14min do jogo, muitos achavam que Nadal ficaria fora da final. O então número 1 do mundo, porém, descobriu uma maneira de vencer e avançar à decisão.

Houve também menções a Del Potro x Federer no US Open, Roddick x Murray em Wimbledon, e até Serena x Dementieva no All England Club. A ATP também lista Nadal x Djokovic em Madri, Dent x Navarro no US Open e Davydenko x Federer no ATP Finals.

Nadal_AO_blogNenhum destes, no entanto, foi o que eu mais gostei. E admito que a opção, aqui, é um caso mais de gosto pessoal. Para mim, a melhor combinação de nível de jogo, tensão, rivalidade e emoção pós-jogo aconteceu na final do Australian Open. Federer e Nadal batalharam por cinco sets em uma partida cheia de lances espetaculares (veja os vídeos abaixo) e com muito mais em jogo do que um “simples” título de Grand Slam.

É importante lembrar que vimos mais uma vez a maior rivalidade do tênis atual. São os dois melhores atletas da modalidade, com um histórico de jogos dramáticos, cheios de emoção e pontos valiosos em disputa. No caso do Australian Open, era o primeiro confronto entre Federer e Nadal depois da histórica final de Wimbledon.

Mais do que isso. Para o espanhol, que vinha de mais de 5h de jogo na semifinal, um título em Melbourne significava a consolidação de sua posição como número 1 do mundo. Nadal passaria a ter no currículo, antes do rival, Grand Slams em três pisos diferentes.

Federer_AO_blogPara Federer, a situação era a oposta. O suíço vinha de belas – e rápidas – vitórias sobre Del Potro e Roddick. Contra Nadal, estava em jogo sua honra, afinal Federer sempre fez – e ainda faz – questão de lembrar que o histórico de duelos é favorável ao rival porque a maioria dos jogos entre eles foi disputada no saibro.

A decisão entrou para a história. Hoje, quase 11 meses depois, pouca gente lembra que a partida teve lances fantásticos. Tecnicamente, foi uma partida muito melhor que a final de Wimbledon. Não teve a tensão de um quinto set longo, já que Federer não manteve o ritmo no fim – Nadal, fantasticamente, terminou inteiro -, mas foi uma batalha muito mais agradável de ver.

Acho até que Verdasco x Nadal foi tecnicamente superior, mas a semifinal perde em emoção. E aí entra o elemento que mais me marcou na final: a cerimônia de premiação. O choro de Federer, o discurso emocionado, o abraço de Nadal. As cenas completaram um jogo que já havia sido espetacular. Mostraram que nosso esporte tem dois grandes homens, não apenas belos atletas.

E que me desculpem os que acham que Federer x Roddick e Federer x Del Potro foram jogos melhores. Para mim, esporte não é só o que acontece dentro de quadra. A final em Melbourne foi muito mais do que um belo jogo de tênis.

A caixinha, como sempre, está aberta a comentários. A escolha é polêmica, então sintam-se à vontade para discordar. E justifiquem suas escolhas, por favor.

Não lembra como foi a final em Melbourne?  Clique abaixo e confira belos momentos.

Soderling e a zebra

qua, 09/12/09
por Alexandre Cossenza |

Soderling_RG_blogAté 31 de maio deste ano, Rafael Nadal jamais havia sido derrotado em Roland Garros. Campeão em 2005, 2006, 2007 e 2008, o espanhol estava invicto em partidas disputadas em melhor de cinco sets no saibro. O então número 1 do mundo reinava soberano no saibro de Paris.

Seu adversário nas oitavas de final em Paris seria Robin Soderling, o mesmo sueco que Nadal havia derrotado cerca de um mês antes, também no saibro, por 6/1 e 6/0. O espanhol, aliás, tinha três vitórias em três jogos contra o sueco. Ninguém dizia que Soderling iria sequer complicar o jogo.

O sueco, no entanto, entrou em quadra num dia daqueles. Usando suas armas à perfeição, Soderling jogou perto da linha de base e, pegando as bolas na subida, disparou um winner atrás do outro. Foram 61 ao todo. Seus primeiros saques, que entraram a 199 km/h de média, também fizeram estrago.

Em um dia ruim – só depois o mundo ficaria sabendo das dores no joelho -, Nadal lutou. Correu como sempre, mas não conseguiu executar bolas profundas como de costume. Soderling não perdoou.

A atuação do sueco deixava Roland Garros – e o mundo – em choque. A torcida vibrava e aplaudia mais a cada winner, como se ainda não acreditasse no que estava prestes a acontecer. Na internet, o Twitter lotava de mensagens sobre o jogo – eu mesmo comentei, com espanto, sobre o que via na TV.

A vitória de Soderling merece o rótulo de Zebra do Ano também por suas consequências. Sem Nadal no torneio, o caminho ficou livre para Roger Federer fechar seu career slam. É bom lembrar que nos quatro anos anteriores, o suíço (segundo melhor jogador da atualidade no saibro) esteve perto do título em Paris, mas sempre esbarrou em Nadal na Philippe Chatrier.

Nadal_RG_blogO resultado também privou o então número 1 de pontos importantes. Tivesse o espanhol alcançado a final – como Soderling fez -, a luta pela liderança do ranking teria sido duríssima até o último dia do ATP Finals.

Por fim, a derrota precoce da Nadal expôs a tendinite no joelho. O problema, acelerado pela longa e exigente sequência de jogos no saibro, tirou o espanhol de Wimbledon e também facilitou a vida de Federer no Grand Slam londrino. Não que o suíço tenha menos mérito por causa disso…

Concorda com a escolha do blog? Use a caixinha e comente!

Antes de escrever este post, levei em consideração outros dois jogos. A final do US Open, entre Federer e Del Potro, e as quartas de final de Montreal, entre Federer e Tsonga. Pensando bem, quase todas derrotas de Federer são grandes zebras. O suíço, no entanto, não tem (ou tinha) na quadra dura o retrospecto de Rafael Nadal no saibro.

Quem leu o post anterior sabe que se trata de uma grande coincidência. A ATP também divulgou hoje sua lista de maiores zebras da temporada. Lá, também deu Soderling. A final do US Open foi a segunda maior surpresa da temporada. A vitória de Tsonga em Montreal ficou em quinto. Clique e confira.

Amanhã eu escrevo sobre o retorno do ano.

Favoritos, sim, mas nem tanto

qua, 02/12/09
por Alexandre Cossenza |

armadaespanhola_blogNo papel, a vantagem da Espanha é absurda. A final é em casa, no saibro, e seu time tem três tenistas que sabem bem o que fazer na terra batida. O número 1 do país é também o número 1 do mundo no saibro, tetracampeão em Roland Garros, um tenista que, em toda a carreira, só perdeu uma jogo em melhor de cinco sets no saibro.

É assim que o time de Rafael Nadal, Fernando Verdasco, David Ferrer e Feliciano López entrará em quadra em Barcelona, a partir desta sexta-feira, para enfrentar a República Tcheca na final da Copa Davis.

Os visitantes têm um belo time, com dois ótimos simplistas, mas nenhum de seus jogadores costuma desenvolver seu melhor jogo no pó de tijolo. Radek Stepanek, Tomas Berdych, Jan Hajek e Lukas Dlouhy tentarão protagonizar uma zebra semelhante à do ano passado, em que a Espanha, sem Nadal, derrubou a Argentina de Nalbandian e Del Potro na quadra rápida de Mar del Plata.

Tudo leva a crer que a Espanha sairá vitoriosa. As cotações das casas de apostas refletem o tamanho do favoritismo. Para a britânica William Hill, por exemplo, um título espanhol paga 1/7, ou seja, um real para cada 7 apostados. Se os tchecos triunfarem, o prêmio é de 4/1.

Há, no entanto, alguns elementos que podem deixar este duelo mais equilibrado do que todos esperam. Primeiro, é preciso lembrar que Verdasco não vem em grande fase e deixou Londres sentindo dores. Com menos de uma semana para se recuperar desde o ATP Finals, sua condição física é uma incógnita. E lembremos que jogos no saibro, em melhor de cinco sets, não costumam ser dos mais rápidos.

O jogo-chave do duelo será o primeiro envolvendo o número 2 espanhol. Suponhamos que Verdasco (ou Ferrer) vença. Se isto acontecer, a Espanha precisará apenas das vitórias de Nadal nas simples. Considerando seu currículo no saibro, e mesmo levando em conta sua falta de confiança em Londres, é duro imaginar um resultado que não seja um triunfo espanhol.

Se, no entanto, o segundo simplista da casa sair derrotado, o cenário será totalmente diferente. A Espanha não dependerá mais apenas de Nadal. O número 2 do mundo pode até vencer seus dois jogos, mas os donos da casa precisarão de mais um ponto.  Nas duplas, o favoritismo é dos tchecos, que jamais perderam juntos na Davis. Então, se Berdych e Stepanek confirmarem, a decisão estará nas mãos de Verdasco ou Ferrer. E você, leitor, colocaria seu dinheiro em um dos dois num eventual quinto jogo de Copa Davis. Eu, não. Rs.

É bom ressaltar. O panorama que acabo de descrever não é o mais provável. Mas também não é tão improvável quanto se diz por aí…

Quando as críticas são precipitadas

seg, 23/11/09
por Alexandre Cossenza |
categoria Análise, Nadal

Nadal_Londres_blog

“É a tendinite nos joelhos, que não foi resolvida, e continua incomodando”.
“Ele já não tem mais a explosão muscular de dois anos atrás e, por isso, não chega mais inteiro nas bolas dos adversários”.
“O número 2 não tem mais aquela profundidade que tinha nas bolas”.
“O cara não joga mais o que jogava há um ano. A melhor fase já passou”.
“Ele parou de tomar bombas, emagreceu e perdeu aquela força muscular absurda”.

Ouvi as explicações acima no último fim de semana, de várias pessoas diferentes, em um lugar cheio de tenistas e de pessoas que acompanham o esporte diariamente. Acho que nenhuma delas explica inteiramente a atual fase de Nadal, embora algumas das teorias acima contribuam para os resultados recentes.

Lembro que desde a derrota na final de Wimbledon/2008, Federer passou por avaliações semelhantes da imprensa e dos fãs. Perdeu a liderança do ranking, foi eliminado por Blake nas Olimpíadas, caiu na final do Australian Open/2009, não venceu Indian Wells ou Miami, etc. Muitos diziam que o suíço estava em decadência. Então vieram os resultados do segundo semestre deste ano, e ficou provado que todos estavam precipitados.

É exatamente isso que Nadal vive hoje em dia. Após duas lesões que atrapalharam seu desempenho até o US Open, Nadal faz um segundo semestre sem títulos. Caiu na semi em Pequim (Cilic), na final em Xangai (Davydenko) e na semi em Paris (Djokovic).

Hoje, veio outro revés diante de Soderling, o mesmo sueco que acabou com sua invencibilidade em Roland Garros. Com a escassez de títulos, surgem as dúvidas e, principalmente, as críticas. Tudo com uma boa dose de especulação – afinal, quase nunca há como ser preciso o bastante. Minha opinião sobre isso tudo? Acho que muito do que vem sendo escrito e falado sobre a suposta má fase de Nadal é exagero. Leia mais »

A ‘briga’ pelo número 1

qua, 18/11/09
por Alexandre Cossenza |

Palpitões em Londres
Por sorte, o ATP World Tour Finals, novo nome da Masters Cup, vale mais do que 1.500 pontos no ranking. Este ano, o torneio que encerra a temporada masculina também decidirá quem terminará como número 1 do mundo. Federer tem uma boa vantagem e, dada a dificuldade histórica que Nadal tem em quadras rápidas e cobertas, o suíço tem tudo para manter a posição. No entanto, Nadal tem chances e nunca é bom descartar o espanhol de nada.
A matemática não é das mais complicadas. Federer tem 10.150 pontos no ranking, enquanto Nadal tem 9,205. Ou seja, são 945 pontos de diferença. Coloco aqui, então, os cenários que colocarão o Touro Miúra na frente. Em itálico, o que eu acho de cada possibilidade.
- Nadal vence os três jogos da primeira fase e avança à final. Enquanto isso, Federer perde os três jogos da primeira fase. Assim, Nadal soma 1.000 pontos e toma a dianteira.
Muito improvável, beirando o impossível. Federer já vem de duas derrotas seguidas. Quantas vezes na carreira o suíço ficou cinco jogos sem vencer?
- Nadal vence os três jogos da primeira fase e conquista o título. Enquanto isso, Federer vence no máximo dois jogos na primeira fase, mas perde na semifinal. Com esse cenário, o espanhol soma 1.500 pontos, contra 400 de Federer.
Uma eliminação de Federer antes da final não é nada impossível, mas uma campanha perfeita de Nadal, a esta altura da temporada e com o nível dos adversários no torneio, parece improvável.
- Nadal perde um jogo na fase de grupos, mas conquista o título. Assim, ele soma 1.300 pontos. Federer não pode vencer mais do que um jogo.
Parece o menos improvável dos três cenários, mas, mesmo assim, não consigo imaginar as duas coisas acontecendo (Nadal campeão e Federer derrotado duas vezes na primeira fase) ao mesmo tempo.
Com todas as possibilidades colocadas, não podemos esquecer dos palpitões. O ATP Finals é a última para do Circuito do Saque e Voleio e, como todo mundo já sabe, vale apenas para os 32 primeiros do ranking http://colunas.globoesporte.com/saqueevoleio/2009/03/23/ranking-dos-palpitoes-atp-070409/. Se você não ficou entre os primeiros, pode deixar seu palpitão na caixinha. Assim, se um dos 32 não palpitar, você pode ganhar uma vaguinha como “alternate”. Não custa tentar.
Como é um evento em fase de grupos, a contagem de pontos aqui é um pouco diferente. Não esqueça de conferir o item 3.1 do regulamento http://colunas.globoesporte.com/saqueevoleio/2008/06/10/novidade-nos-palpitoes/ para saber como funciona.
Para simplificar.
Como já rolou no palpitão de Bali, coloco abaixo o formato das apostas. Peço a todos que copiem, colem e preencham o “formulário” com as “apostas”. É muito importante para quem soma os pontos ter todos os palpites preenchidos de maneira uniforme. E ajuda também para quem vai palpitar, então fica todo mundo feliz, ok?
GRUPO A:
Federer x Verdasco
Murray x Del Potro
Federer x Del Potro
Murray x Verdasco
Del Potro x Verdasco
Federer x Murray
CLASSIFICADOS:
_____________ e  _____________
GRUPO B:
Nadal x Soderling
Djokovic x Davydenko
Nadal x Davydenko
Djokovic x Soderling
Davydenko x Soderling
Nadal x Djokovic
CLASSIFICADOS:
_____________ e  _____________
FINALISTAS
_____________ e  _____________
CAMPEÃO
_____________

atp_blogPor sorte, o ATP World Tour Finals, novo nome da Masters Cup, vale mais do que 1.500 pontos no ranking. Este ano, o torneio que encerra a temporada masculina também decidirá quem terminará como número 1 do mundo. Federer tem uma boa vantagem e, dada a dificuldade histórica que Nadal tem em quadras rápidas e cobertas, o suíço tem tudo para manter a posição. No entanto, Nadal tem chances e nunca é bom descartar o espanhol de nada.

A matemática não é das mais complicadas. Federer tem 10.150 pontos no ranking, enquanto Nadal tem 9,205. Ou seja, são 945 pontos de diferença. Coloco aqui, então, os cenários que colocarão o Touro Miúra na frente. Em itálico, o que eu acho de cada possibilidade.

- Nadal vence os três jogos da primeira fase e avança à final. Enquanto isso, Federer perde os três jogos da primeira fase. Assim, Nadal soma 1.000 pontos e toma a dianteira. Muito improvável, beirando o impossível. Federer já vem de duas derrotas seguidas. Quantas vezes na carreira o suíço ficou cinco jogos sem vencer?

- Nadal vence os três jogos da primeira fase e conquista o título. Enquanto isso, Federer vence no máximo dois jogos na primeira fase, mas perde na semifinal. Com esse cenário, o espanhol soma 1.500 pontos, contra 400 de Federer. Uma eliminação de Federer antes da final não é nada impossível, mas uma campanha perfeita de Nadal, a esta altura da temporada e com o nível dos adversários no torneio, parece improvável.

- Nadal perde um jogo na fase de grupos, mas conquista o título. Assim, ele soma 1.300 pontos. Federer não pode vencer mais do que um jogo. Parece o menos improvável dos três cenários, mas, mesmo assim, não consigo imaginar as duas coisas acontecendo (Nadal campeão e Federer derrotado duas vezes na primeira fase) ao mesmo tempo.

Com todas as possibilidades colocadas, não podemos esquecer dos palpitões. O ATP Finals é a última para do Circuito do Saque e Voleio e, como todo mundo já sabe, vale apenas para os 32 primeiros do ranking. Se você não ficou entre os primeiros, pode deixar seu palpitão na caixinha. Assim, se um dos 32 não palpitar, você pode ganhar uma vaguinha como “alternate”. Não custa tentar.

Como é um evento em fase de grupos, a contagem de pontos aqui é um pouco diferente. Não esqueça de conferir o item 3.1 do regulamento para saber como funciona.

Para simplificar

Como já rolou no palpitão de Bali, coloco abaixo o formato das apostas. Peço a todos que copiem, colem e preencham o “formulário” com as “apostas”. É muito importante para quem soma os pontos ter todos os palpites preenchidos de maneira uniforme. E ajuda também para quem vai palpitar, então fica todo mundo feliz, ok?

GRUPO A:

Federer x Verdasco
Murray x Del Potro
Federer x Del Potro
Murray x Verdasco
Del Potro x Verdasco
Federer x Murray
CLASSIFICADOS:
_____________ e  _____________

GRUPO B:

Nadal x Soderling
Djokovic x Davydenko
Nadal x Davydenko
Djokovic x Soderling
Davydenko x Soderling
Nadal x Djokovic
CLASSIFICADOS:
_____________ e  _____________

FINALISTAS
_____________ e  _____________

CAMPEÃO
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E boa sorte a todos!

Nadal, correndo por fora

seg, 24/08/09
por Alexandre Cossenza |

Um tenista capaz de derrotar Roger Federer nas condições mais adversas (vide Wimbledon/08 e Melbourne/09) jamais deve ser considerado carta fora do baralho. Dono do melhor preparo físico no tênis e de uma capacidade mental incomparável no circuito hoje em dia, Rafael Nadal está na lista de favoritos de qualquer torneio. No US Open, no entanto, será que ele conseguirá superar a falta de ritmo e vencer seus rivais em um piso que não o favorece?

Historicamente, o torneio americano é o Grand Slam em que o ex-número 1 do mundo colhe seus piores resultados. Virou lugar-comum dizer que isso acontece porque Nadal exige muito de seu físico durante a temporada europeia de saibro, mas fazer tal afirmação é menosprezar características técnicas e táticas.

Nadal tem como golpe principal seu forehand com muito efeito. É uma bola que costuma quicar e subir bastante, incomodando os rivais. Além disso, sua incrível movimentação lateral faz com que os adversários tenham dificuldade em executar winners.

As quadras de Flushing Meadows, entretanto, minimizam os pontos fortes do espanhol. Lá, a bola quica mais baixo e ganha muita velocidade. O piso é bom para jogadores mais agressivos e com bolas mais retas (ou com menos spin). Nadal já evoluiu bastante em quadra dura, tanto que chegou à semi em Nova York no ano passado, mas nunca vai se sentir completamente à vontade no US Open.

Este ano, o atual número 3 tem um obstáculo a mais: a falta de ritmo causada pela paralisação forçada, fruto de uma tendinite que causou fortes dores em seus joelhos e o afastou das quadras depois de Roland Garros.

Sua evolução nas últimas duas semanas foi admirável. Chegou às quartas em Montreal e à semi em Cincinnati. Aos poucos, Nadal vai encontrando uma zona de conforto com seus golpes e, principalmente, com a confiança que precisa ter nos joelhos.

Acredito, porém, que os bons resultados no US Open Series sejam fruto da grande disparidade técnica entre os cinco, seis primeiros do ranking e o resto do circuito. Afinal, contra Del Potro (Montreal) e Djokovic (Cincy), Nadal teve poucas chances. Daqui a duas semanas, teremos uma ideia melhor.

Hoje (hoje!), não colocaria minhas fichas em um título do espanhol, mas também não ouso descartá-lo. Com Rafa Nadal na chave, tudo pode acontecer. Raça, com certeza, não vai faltar. E se eu fosse Roger Federer, não gostaria de ter o espanhol pela frente nas semifinais…

Primeiras (e curtas) impressões

qua, 12/08/09
por Alexandre Cossenza |
categoria Análise, Nadal

Pela primeira vez desde Roland Garros, Rafael Nadal disputou uma partida oficial de simples. Durou apenas 36 minutos, já que David Ferrer desistiu por causa de uma lesão (quanta ironia!) no joelho esquerdo, mas foi possível notar que o espanhol está longe, muito longe, da forma ideal.

O baixo aproveitamento de primeiros saques (47%) já diz muito, mas a falta de potência e profundidade foi muito mais – para usar uma expressão na moda – sintomática. Nadal também esteve sempre meio passo atrasado nas bolas aceleradas por Ferrer, principalmente quando este atacava o backhand do número 2.

Não foi um recomeço animador para os fãs de Nadal, principalmente porque estamos há pouco mais de duas semanas do começo do US Open. Imagino que, antes de Roland Garros, ele estivesse pensando em fechar seu career slam. Agora, voltando ao circuito com o bonde em movimento, suas expectativas devem ser bem mais modestas.

Por um lado, porém, isso pode ajudá-lo. Imaginem a pressão sobre Nadal se ele chegasse a Nova York como número 1 do mundo, mais uma vez campeão de Roland Garros (e, quem sabe, Wimbledon), como cabeça-de-chave 1 e com todo mundo esperando o career slam. Hoje, Nadal pode entrar bem mais leve e surpreender.

Fiquemos de olho em sua evolução nesta e na próxima semana, em Cincinnati.

P.S.: nem todos os leitores daqui acompanham, mas é bom lembrar que, durante do dia, sempre faço alguns comentários sobre os resultados recentes no Twitter. Para acompanhar, basta ficar de olho na caixinha localizada no menu da direita e NESTE LINK.

Nadal, de volta aos treinos

ter, 21/07/09
por Alexandre Cossenza |
categoria Nadal, Vídeo

Para quem ficou na curiosidade e ainda não viu as primeiras imagens de Rafael Nadal treinando novamente, deixo o vídeo abaixo. Vejam também como o espanhol lida com as perguntas sobre a liderança do ranking.

Até Federer perde

sex, 19/06/09
por Alexandre Cossenza |

Rafael Nadal anunciou nesta sexta-feira que não jogará em Wimbledon. Não consigo sequer começar a imaginar o quanto deve doer para um tenista ser forçado a ficar fora do Grand Slam britânico. O caso do espanhol deve ser ainda mais angustiante. Trata-se do número 1 do mundo, o campeão do torneio. O homem que desbancou Federer em uma dramática partida de cinco sets. O homem que, após levantar troféu atrás de troféu em Roland Garros, insistia em dizer que seu sonho era triunfar em Wimbledon.

Nadal parece ter chegado a uma encruzilhada na carreira. Após levar seu corpo ao limite fazendo – e vencendo – uma sequência impressionante de jogos em 2008, algo necessário para chegar ao topo do ranking, o espanhol viu-se em apuros e na necessidade de antecipar seu fim de temporada. Abandonou o Masters de Paris, não jogou a Masters Cup e nem viajou a Mar del Plata para a final da Copa Davis.

Voltou com força total este ano. Venceu o Australian Open e foi vice em Roterdã, onde sentiu dores na final, diante de Murray. Fez dois jogos pela Davis (no saibro) e, logo em seguida, venceu o Masters de Indian Wells (na dura). Mas foi a sequência do saibro que o desgastou de vez. Monte Carlo, Barcelona e Roma, três conquistas em semanas consecutivas. Em Madri, 4h de semifinal contra Djokovic e mais uma final. Nesta, foi superado por Federer.

Nadal nunca disse, mas hoje sabe-se que ele não chegou 100% a Roland Garros. Na coletiva desta sexta, admitiu que jogou por muito tempo com dores nos joelhos. “Atletas sempre jogam com dor. Não se sabe onde é o limite”.

Nadal poderia se sacrificar em Wimbledon, entrar em quadra para somar uns pontinhos e manter a liderança do ranking. Em vez disso, o número 1 decide se tratar e, para isso, põe sua posição em risco. Prova que o espanhol pretende se manter entre os primeiros, brigando pela ponta, por um bom tempo.

Nadal, Wimbledon, o tênis, os fãs e até Roger Federer (quem duvida que o suíço estava louco para reconquistar o título em Londres com uma revanche diante do rival?) perdem nas próximas duas semanas, mas ganham a esperança de ter um atleta de alto nível competindo por mais tempo.

AVISO: quem participa do Circuito dos Palpitões e fez sua “aposta” antes da desistência de Nadal precisará refazer seus palpites. O abandono do espanhol alterou a chave e vários cruzamentos foram afetados. Assim, todos devem palpitar de novo, baseados na chave nova. É bom lembrar: o post dos palpitões é “O torneio do recorde”, que está logo abaixo de Venus Williams,

Fala, Nadal

dom, 31/05/09
por Alexandre Cossenza |

Frases do número 1 do mundo após sua espantosa (e “espantosa” nem começa a descrever o tamanho da zebra) derrota diante Robin Soderling, nas oitavas de final em Roland Garros:

Quem viu o vídeo da coletiva, na ESPN (mesmo abafado pelos gritos de Sharapova – vide Twitter do blog) ou no site de Roland Garros, pode constatar que o Rafael Nadal ainda estava meio desnorteado. Abalado pela derrota, sem encontrar uma explicação realmente convincente para o que tinha acabado de acontecer.

“Joguei muito curto. Joguei muito curto. Não joguei bem. Não joguei com calma em hora nenhuma na partida. Isso facilita para ele jogar naquele nível durante toda a partida, não? Então foi minha culpa. Ele foi bem, mas acho que não joguei meu melhor tênis, não? Não joguei meu melhor tênis, e por essa razão perdi. É isto”.

“Eu perdi. É tudo que posso dizer. Perdi. Não joguei meu melhor tênis hoje. Tenho que analisar os motivos pelos quais perdi hoje, mas acho que as coisas são mais simples do que se estou menos forte do que antes, se estou menos preparado mentalmente do que antes”.

Acho que entrevistas coletivas deveriam acontecer pelo menos 2h depois de um jogo como este. Não dá para levar a sério demais o que um rapaz diz depois de um resultado inesperado assim. Se nós (fãs, escritores, jornalistas, etc.), que estamos vendo o jogo com olhares menos parciais, demoramos a achar palavras para explicar, imagine um rapaz decepcionado, surpreendido, chocado. Acho que Nadal fará muito mais sentido daqui a uma semana.

Duas coisas me pareceram bastante claras durante o jogo. Nadal não estava cansado ou mentalmente exausto. É bom lembrar que o espanhol venceu Roland Garros nos últimos quatro anos em calendários bastante parecidos. O número 1, grande crítico do calendário exigente da ATP, evitou desculpas. Saiu-se muito bem, aliás. Mesmo com seguidas perguntas de jornalistas que acreditavam no cansaço do espanhol.

“Quando você perde, todo mundo sempre começa a analisar se eu joguei demais, se estou cansado. A verdade é que ganhei quatro anos seguidos jogando o mesmo. Esta é a verdade. Este ano, joguei o mesmo e perdi. O que aconteceu? Eu perdi. É isto”.

Coisas que eu acho que acho:

- Analisar derrotas de Nadal é uma tarefa traiçoeira. É fato que para alguém derrubar o espanhol é preciso uma partida inspirada e vários golpes vencedores. O adversário tem que partir para winners com frequência. Quando bolas pesadas (como as de Soderling) começam a entrar com frequência, Nadal obviamente chega atrasado nelas. E aí é que a imagem é traiçoeira.

Estamos tão acostumados a ver Nadal se defender e alcançar bolas impossíveis que, no dia que um adversário inspirado acerta tudo e o número 1 chega desequilibrado para se defender, fica a impressão que o tenista está sem explosão, mais lento, cansado. Isto, definitivamente, não foi o que aconteceu neste domingo.

- A vitória de Soderling, da maneira que aconteceu, não ensina nada a ninguém. A tática usada pelo sueco já foi tentada por vários jogadores – sempre sem sucesso. A atuação dos sonhos do sueco é que fez a diferença.

IMPORTANTE: Só para lembrar, esta caixinha não é para comentários sobre Federer. Até um post próprio, comentários sobre o suíço devem entrar na caixa mais recente: “Valeu, Chucho”.

Ele caiu

dom, 31/05/09
por Alexandre Cossenza |

Se alguém me pedisse para montar fisicamente um jogador perfeito para derrubar Rafael Nadal no saibro, eu criaria um atleta mais duas características básicas:

- Alto o bastante para executar o backhand com duas mãos e não se incomodar com o forehand cruzado do espanhol. Além disso, a altura dá ângulo favorável para saques consistentemente acima dos 200 km/h. Algo entre 1,90m e 1,95m.

- Com envergadura acima da média. Algo que obviamente ajuda o alcance de certas bolas, mas também facilita na hora de fechar a rede nas subidas.

Além das características físicas, eu estipulo um requisito técnico básico: se o atleta for destro, deve executar o backhand com duas mãos. Afinal, Federer já mostrou o quão difícil é se defender do forehand cruzado de Nadal usando apenas uma das mãos.

Assim como vários outros tenistas de hoje em dia, Robin Soderling tem as características acima. Só que nenhum deles jamais conseguiu sacar com força e precisão, atacar com colocação, peso e profundidade, fechar a rede de forma impressionante, e vencer três sets contra Rafael Nadal, no saibro, no mesmo dia.

A combinação parecia impossível. Até hoje, dia em que o sueco Robin Soderling torna-se o primeiro homem a vencer o atual número 1 do mundo em uma melhor de cinco sets na terra batida.

É difícil explicar como ele conseguiu. Se é verdade que Nadal não esteve em um dia normal, é igualmente necessário afirmar que Soderling foi o principal responsável por isso. Em um dia inspiradíssimo, o sueco sempre tentou o primeiro golpe, o ataque inicial. E acertou, consistentemente, bolas vencedoras em ângulos improváveis.

A tática, tentada por muitos, sempre sem sucesso, só funcionou porque o sueco seguiu acertando, de forma assustadora. Winner atrás de winner, atrás de grandes voleios e grandes saques, bem colocados e pesados. E o espanhol não conseguiu nem tomar o controle dos pontos nem bater o adversário pelo cansaço.

Coisas que eu acho que acho:

- Em algum lugar de Paris, um suíço comemora, mais ainda do que o fez ontem. Acho que Federer não terá melhor chance de fechar o career slam. Ou será que Murray ainda pode aprontar? De repente, começo a gostar das chances de Fernando González em Roland Garros.

- Soderling não tem um histórico de vitórias importantes ou títulos. Sempre foi um tenista que deixou a desejar em finais ou jogos importantes. Nunca o vi jogando assim, como hoje. E se eu tivesse que apostar, diria que ele não passa nem por Davydenko nem por Verdasco.

- O jogo de hoje e o atual estágio de Rafael Nadal podem ser analisadas de muitas maneiras. Espero os comentários de vocês na caixinha. Volto a escrever à noite, depois de processar devidamente o que acaba de acontecer em Roland Garros.

Ironia pura:

Um sueco mantém intacto o recorde do compatriota Bjorn Borg, que venceu 41 sets seguidos em Roland Garros. Nadal parou em 32. Além disso, Borg manterá (empatado com Nadal) o recorde de títulos consecutivos em Roland Garros (4).



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