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Explique a Clijsters

sex, 22/01/10
por Alexandre Cossenza |

Clijsters_Melbourne2_blog- Ela já foi número 1 do mundo e venceu dois Grand Slams. Leia-se: um currículo respeitável.

- Ela é campeã do último Grand Slam, no qual passou por Serena e Venus Williams. Há duas semanas, ela conquistou o título do WTA de Brisbane, ao derrotar Justine Henin na decisão. Leia-se: histórico recente de resultados relevantes.

- Ela é bem casada, tem uma filha e muito dinheiro. Leia-se: bem resolvida, sem problemas extraquadra, e joga tênis porque gosta.

Como explicar então o que aconteceu com Kim Clijsters nesta sexta-feira, na derrota por 6/0 e 6/1 diante de Nadia Petrova? A belga cometeu 26 erros não forçados – o que, em 13 games, é muita coisa -, quatro duplas faltas e apenas cinco winners. Clijsters estava perdida em quadra, errando bolas fáceis e sem encontrar uma solução para seu drama.

Alguém pode argumentar que Petrova jogou muito bem, o que tem sua dose de verdade, mas está longe de explicar o que aconteceu em quadra. A maioria dos winners da russa (foram 15 em 13 games, um número discreto) veio depois da primeira metade do primeiro set, quando já estava claro que Clijsters não estava em um dia normal. E quando o adversário vive um momento desses, o tenista pode jogar mais solto e arriscar mais.

Eu nem vou tentar começar a explicar o que, para mim, é inexplicável. No entanto, se alguém (que tenha visto o jogo, por favor) tiver um motivo plausível, pode colocar na caixinha. Se for convincente, eu prometo que encaminho para a belga.

Deixo abaixo trechos da coletiva de Clijsters, que mostram o quão perdida e abalada estava a belga depois do jogo.

“Acho que nao mudei nada em toda minha preparação antes de cada partida. Tudo foi igual, a mesma rotina, e algo assim acontece. É provavelmente a coisa mais frustrante de todas, não saber. É esporte. Pode acontecer”.

“É algo que você sabe, como atleta, que pode acontecer de vez em quando. Como eu disse, de vez em quando, uma vez por ano, espero que não mais do que isso. Mas a questão é, é claro, ‘por quê?’. Meu técnico e meu preparador físico estão assim, ‘como isso pode acontecer?’ “.

“No aquecimento, eu estava me sentindo ok. Foi estranho. Eu não sei. Era como meus braços, e eu — como eu disse, eu não estava batendo na bola. Como, sim, tudo estava muito macio. Não tenho mais nada (a dar como explicação). Não sei o que mais pode ser”.

“Sou muito supersticiosa com minhas rotinas e tudo, então mantenho isso todo dia. Por isso estou um pouco confusa sobre o porquê de algo assim acontecer. Eu comi o mesmo, dormi o mesmo, tudo. É por isso que é ainda mais confuso”.

“Eu estava me questionando muito na quadra, tentando dar a volta por cima, mas ao mesmo tempo, você não sabe, ‘por que isto está acontecendo de repente?’ “.

Prelúdio

sáb, 09/01/10
por Alexandre Cossenza |

Clijsters_Brisbane_blogUma semana atrás, quando foi divulgada a chave de Brisbane, todos imaginavam se Justine Henin, após m ano e meio de afastamento, seria capaz de ir longe no torneio e fazer uma final dos sonhos com Clijsters, a nova/velha queridinha da WTA.

Felizmente, Henin voltou em grande forma. Despachou Petrova na primeira rodada e seguiu avançando até a esperada semi contra Ivanovic. A sérvia até jogou bem e equilibrou a partida por alguns momentos, mas seus problemas no saque facilitaram a vida da belga, que fez a festa com o segundo serviço da rival e venceu com certa facilidade.

Foi a vez, então, da final, que rolou hoje de manhã. A Supermãe contra o Superbackhand. A atual campeã do US Open contra a dona de sete Grand Slams. A partida fez jus às expectativas – que não eram pequenas.

Clijsters entrou em quadra melhor, atacando bem com o backhand na paralela. Henin executava bem seu jogo, só que não conseguia entrar na quadra. A bola de Clijsters quicava muito fundo o tempo todo. O primeiro set foi dela.

Não que Henin estivesse mal. Muito pelo contrário. A consistência de Clijsters é que impressionava. E o jogo continuou assim até que ela abriu 4/1 (e saque) no segundo set. Neste momento, talvez por desconcentração, talvez por ansiedade,  o jogo de Clijsters desapareceu. Henin, que manteve o nível, venceu sete games seguidos.

Henin_Brisbane_blogO fim do segundo set e o começo do terceiro foram breves momentos em que o nível do jogo caiu – muito, até, pelos erros de Clijsters. Rapidamente, Henin abriu 3/1 na última parcial e, quando tudo parecia indicar uma vitória sua, foi a vez dela de começar a errar.

Quando Clijsters fez 3/3, o jogo pegou fogo – e o nível de jogo voltou ao teto! E assim foi até o final, com Clijsters salvando dois match points no décimo game, Henin salvando três match points no tie-break, até que uma paralela de Clijsters acabou com o jogo.

Junte a esta final de Brisbane a presença de Sharapova desde o começo do ano, as irmãs Williams sempre jogando muito, e momentos de brilho (mesmo que eventuais) de Wozniacki, Safina, Dementieva, Zvonareva, Ivanovic e Azarenka, e teremos o melhor circuito feminino dos últimos cinco anos.

Este Clijsters x Henin, do dia 9 de janeiro, foi só o prelúdio.

Quem ficou surpreso com a vitória de Henin?

seg, 04/01/10
por Alexandre Cossenza |

blog_henin_brisbaneÉ até curioso, mas não fiquei espantado com a vitória de Justine Henin sobre Nadia Petrova. Com certeza, o resultado do jogo desta segunda-feira me impressionou muito menos do que a vitória de Kim Clijsters sobre Marion Bartoli. Não sei se é justo comparar os dois retornos, e a intenção aqui nem é essa. Entretanto, a volta de Clijsters é a referência mais próxima, então vou usá-la para tentar explicar nas linhas abaixo o porquê de não estar surpreso hoje.

É bem verdade que tanto Clijsters quanto Henin programaram seus retornos. As duas tiveram tempo de entrar em forma, treinar, enfim, fazer uma boa preparação. Clijsters, no entanto, voltou no meio da temporada, e isso significa jogar contra adversárias que estão em bom ritmo.

No caso de Bartoli, que era número 13 do mundo quando enfrentou Clijsters, a francesa vinha em ótima fase – sua melhor fase no ano, é bom que se diga. Na semana anterior, ela havia conquistado o WTA de Stanford, com vitórias sobre Oudin, Jankovic, Stosur e Venus.

E não esqueçamos que Clijsters deixou o circuito em abril de 2007. Foram mais de dois anos sem jogar uma partida profissional. Não dá para menosprezar tanto tempo longe do circuito.

Henin teve alguns elementos facilitadores. Um foi o tempo reduzido de ausência. A belga deixou o tênis em maio de 2008, um ano a menos que sua compatriota. Em maio de 2008, suas principais rivais eram as mesmas de hoje. Safina já estava em ascensão no circuito, Sharapova já tinha três Grand Slams no currículo. Talvez Wozniacki, a caçula do top 10, seja a única surpresa para Henin.

Dona de sete Grand Slams, Justine também volta no começo da temporada. Ela vai encarar adversárias ainda buscando ritmo, já que todas estão sem disputar torneios desde novembro. Nesse quesito, ela não entrará em desvantagem em relação a rival alguma.

Por fim, o jogo de hoje, contra Petrova, não foi exatamente uma experiência nova para Henin. Até o jogo desta segunda-feira, eram 12 jogos, com dez vitórias de Justine. Além disso, as duas jogaram uma partida de exibição no Cairo há pouco tempo. Ou seja, as duas bateram bola juntas e mediram seus jogos.

Obviamente, ainda é cedo para julgar o sucesso de Henin. Mas não é cedo para afirmar que vou me surpreender bem menos desta vez se Justine alcançar sucesso de forma precoce.

Clijsters, unânime

sex, 11/12/09
por Alexandre Cossenza |

Clijsters2_US_blogEm três torneios, vitórias sobre cinco top 10, um lugar entre as 20 primeiras do mundo e um título de Grand Slam. Não há como não argumentar que Kim Clijsters merece o “título” de Retorno do Ano. Mais de dois anos depois de se aposentar para casar, ter uma (linda) filha e curtir a vida em família, a belga voltou ao circuito, e voltou com tudo.

Com 26 anos, Clijsters ressurgiu bem humorada, livre do cansaço acumulado do circuito, e falando como uma veterana. A seu favor, a belga tinha a experiência de já ter vencido grandes adversárias e alcançado o topo do ranking mundial. Ela já sabia, portanto, o que precisava fazer para chegar lá novamente.

Seu jogo, baseado na potência do fundo de quadra, era perfeito para a fase atual do tênis feminino. Hoje, não há tanta variação de jogo, e a grande maioria das atletas não consegue mudar sua tática de jogo quando o plano A não funciona. E, convenhamos, o plano A de Clijsters é melhor e mais eficiente do que a maioria.

Clijsters3_US_blogPesavam contra Kim a falta de ritmo de jogo e o pouco conhecimento (em quadra) sobre as atuais rivais. É bem verdade que as irmãs Williams, sua principais rivais na chave em Flushing Meadows, eram velhas conhecidas. Isso, porém, não queria dizer que a belga estaria pronta para entrar em quadra e jogar de igual para igual os pontos grandes.

Mas Clijsters, eu repito, sabia o que precisava fazer. E fez. Em seu primeiro torneio, o WTA de Cincinnati, a belga já mostrou que estava em perfeitas condições físicas. Logo de cara, derrubou, em sequência, Bartoli (13 do mundo na época), Schnyder (20) e Kuznetsova (6). Só caiu diante de Dinara Safina, que ocupava aquela posição que hoje é de Serena Williams.

Uma semana depois, em Toronto, Clijsters passou por outra top 10: Victoria Azarenka (9). A derrota veio nas oitavas, diante de Jankovic (4), por um duríssimo 7/5 no terceiro set. Em sete jogos, Kim estava pronta para Flushing Meadows. Física e mentalmente.

A belga curtiu o US Open. Deu autógrafos e tirou fotos com os fãs, abriu largos sorrisos durante as entrevistas, brincou com a filha, saiu para jantar com o marido. Clijsters não sentiu pressão. Ela aprendeu a apreciar o tênis e estava em Nova York para se divertir, sem se preocupar demais com o resultado.

A combinação não poderia ter sido mais eficaz. Na chave, deixou para trás Bartoli (14) na segunda rodada, Venus (3) nas oitavas e Serena (2) na semi. Antes da final contra Caroline Wozniacki (8), ninguém tinha dúvidas. Clijsters venceria. E venceria fácil. O primeiro set não foi tranquilo, é verdade, mas uma vez que Kim se achou em quadra, o jogo acabou. A segunda parcial foi uma formalidade.

Um mês depois, Clijsters ainda jogou em Luxemburgo, mas apenas porque estava perto da família. Ela perdeu na segunda rodada para Schnyder, 8/6 no tie-break do terceiro set, mas o resultado pouco afetou o feito memorável que foi seu retorno. Os fãs de tênis, agora, aguardam uma nova aparição de Aussie Kim em Melbourne. Seu primeiro jogo em 2010 deve ser de arrepiar.

O leitor concorda que Clijsters fez o melhor retorno de 2009? A caixinha está aberta aos comentários!

O show foi dela

qua, 16/09/09
por Alexandre Cossenza |

Dois dias depois do fim do US Open, poeira assentada, ânimos voltando ao normal, a hora é boa para fazer um balanço do último Grand Slam do ano. Quem surpreendeu, decepcionou, mandou bem ou mal, etc.

O grande nome, a maior história do torneio, foi mesmo Kim Clijsters. Feliz da vida fora da quadra e se divertindo dentro dela, a belga surpreendeu. Não tanto pelo nível de tênis apresentado, mas pelo curto espaço de tempo que precisou para voltar ao topo.

Quando o troféu de um Grand Slam acaba nas mãos de uma atleta que ficou afastada por dois anos e só fez dos torneios de preparação diz muito sobre o (baixíssimo) nível técnico do tênis feminino atual. O triunfo de Clijsters, no entanto, não caiu de mão beijada como, por exemplo, a vaga de Caroline Wozniacki na final.

A belga passou por Venus e Serena Williams e ganhou a decisão sem um grande susto. A dinamarquesa sacou para o primeiro set, é verdade, mas o jogo sempre esteve nas mãos de Clijsters. Quando ela se acertou em quadra, não deu mais chances à rival.

A simpatia da ex-número 1 do mundo foi contagiante fora da quadra. Os jornalistas (eu inclusive) praticamente comemoraram seu título. Não porque era uma manchete mais interessante do que, por exemplo, “Serena vence novamente”, mas porque a pessoa Kim Clijsters merecia.

Ainda no feminino, as surpresas foram Melanie Oudin, a americana com pouca bola e muita raça que derrubou erráticas Dementieva e Sharapova, e a própria Wozniacki, que é top 10, mas ainda não tinha ido longe em um Grand Slam. Em Flushing Meadows, ela bateu uma Kuznetsova que atacou e errou muito. Wozniacki esperou os erros e avançou.

Venus Williams não deixou a desejar. Jogou com o joelho machucado e só caiu diante de Clijsters. Não se podia esperar muito mais. Serena, por outro lado, foi a decepção. Não no tênis, mas na atitude infantil e descontrolada de xingar a juíza de linha logo no match point.

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É pra rir ou chorar?

seg, 10/08/09
por Alexandre Cossenza |
categoria Análise, Clijsters

Kim Clijsters, enfim, voltou ao circuito. E seu retorno não poderia ter sido mais convincente. A ex-número 1, afastada das quadras por 24 meses, bateu a francesa Marion Bartoli por 6/4 e 6/3 no forte WTA de Cincinnati. Detalhe: Marion Bartoli é a atual número 13 do mundo.

Deixemos de lado, por alguns instantes, o clichê “retorno triunfal” (alguém, cedo ou tarde, vai usá-lo!) e façamos uma breve reflexão sobre o resultado. Devemos festejar ou chorar?

Por um lado, é fantástico ter de volta ao circuito uma tenista que já venceu um Grand Slam e foi número 1 do mundo (há quanto tempo eu não escrevia isso…). E se ela voltou com vitória sobre uma top 20, é porque leva seu retorno a sério e estará em breve brigando por títulos de torneios importantes.

Por outro lado, é preciso lamentar pela WTA, o circuito em que Sharapova vence a maioria de seus jogos, não importa quantas duplas faltas faça. Se uma tenista que não compete há mais de dois anos consegue bater uma top 20 em seu primeiro jogo oficial, há algo seriamente errado.

Defensores da WTA vão dizer que Bartoli estava cansada. A francesa conquistou o título de Stanford na última semana e teve pouco tempo para se adaptar às condições de Cincinnati. Argumentos incontestáveis.

Tão incontestáveis quando a grande fase de Bartoli, que vinha de uma atuação espetacular sobre Venus Williams. Ou seja, se a tenista em melhor ritmo no circuito consegue perder para uma adversária que não joga há mais de dois anos…

É para rir ou chorar? Por enquanto, vou adotar a sugestão da leitora Rezita Melo, que escreveu no Twitter: “Comemore a volta da Clijsters porque quem sabe assim a gente pode parar de chorar pela WTA”.

Coisas que eu acho que acho sobre Kim Clijsters:

- Sempre escrevo que a WTA não é um circuito de vencedoras. Clijsters tem um currículo animador: são 28 vitórias e 17 derrotas contra adversárias top 5.

- É bom lembrar que Clijsters, apesar de seus 35 títulos, só venceu um Grand Slam. Em 2003, quando chegou ao topo do ranking, ainda não tinha vencido um major. Seu único triunfo em um Slam veio no US Open de 2005, após quatro derrotas em finais (fãs de Safina, mantenham a esperança).

Seja bem-vinda, Kim

qui, 26/03/09
por Alexandre Cossenza |
categoria Análise, Clijsters

Quem acompanhou tênis no começo da década vai lembrar que Kim Clijsters era uma espécie de Jankovic da época. Não, a belga não tentava aparecer nem se vestia mal como a sérvia, mas era aquela tenista que chegava bem, mas não ganhava Grand Slams. Assim como Jankovic, Clijsters chegou à liderança do ranking mundial sem um título nos quatro maiores torneios do circuito.

As comparações terminam aí. Aos 21 anos, a belga já havia chegado a quatro decisões de Grand Slam. Foi superada por Henin (Australian Open, Roland Garros e US Open) e Capriati (Roland Garros). Bons tempos aqueles. Além do talento de Clijsters, o circuito feminino já tinha as irmãs Williams e Sharapova, mas ainda contava com Martina Hingis, Jennifer Capriati, Justine Henin, Amélie Mauresmo, Anastasia Myskina e Elena Dementieva.

Hoje, com a escassez de talento e, principalmente, variedade na WTA, o retorno de Kim Clijsters é mais do que bem-vindo. Sharapova anda mal da pernas – ou, literalmente, do ombro. Jankovic anda mal da cabeça – e de jogo. Enquanto isso, Dementieva e Safina brigam com seus próprios jogos, e nunca se sabe o que esperar das irmãs Williams.

Uma nova geração ainda não tem resultados consistentes e confiáveis, o que explica o retorno fantástico de Jelena Dokic no Australian Open. Clijsters vai ajudar a dar mais, como gostam de dizer os especialistas ingleses e americanos, profundidade à piscina de talento. E, do jeito que as coisas andam, que ninguém ache estranho se Kim aparecer no top 100 – ou até no top 50 no fim do ano.

Alguém aí duvida?

Só para registrar. Clijsters se aposentou aos 23, com um título de Grand Slam no currículo: o US Open de 2005, após derrubar Vênus Williams, Maria Sharapova e Mary Pierce.



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