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Chance que passa

ter, 16/03/10
por Alexandre Cossenza |

Já aconteceu várias vezes na história. Um ou dois cabeças de chave caem cedo, outro abandona e, de repente, um tenista vê um caminho favorável até uma fase avançada de um torneio importante. O atleta vê a chance de um resultado inédito, acredita que pode chegar lá e aproveita. Na semana seguinte, ele está 20 posições acima no ranking mundial.

O esporte, afinal, vive de chances aproveitadas. Fabiana Murer, que já teve sua dose de oportunidades desperdiçadas, capitalizou neste fim de semana. Sem Isinbayeva pela frente, a brasileira saltou 4,80m – nem foi o melhor salto de sua vida – e se sagrou campeã mundial indoor do salto com vara.

Em Indian Wells, Thomaz Bellucci ganhou passe livre na segunda rodada, graças ao W.O. de Carlos Moyá. Além disso, o brasileiro escapou do perigoso Marin Cilic, número 9 do mundo, eliminado em sua estreia. Veio então o espanhol Guillermo García-López, que nem fez uma partida espetacular contra Bellucci. O número 1 do Brasil, aliás, esteve melhor no jogo até a metade do segundo set. Mas deixou o jogo escapar. A chance passou.

O lado positivo é que o paulista também tem poucos pontos a defender em Miami. E sempre podemos nos consolar com o fato de que é um ano de transição para ele. Pela primeira vez, Bellucci passa um ano inteiro nos ATPs. Com o tempo, a tendência é que ele se acostume a jogar em alto nível com mais frequência. Então, resta a nós torcer para que ele capitalize nas próximas chances. Como foi em Gstaad.

Saldão do saibro

dom, 28/02/10
por Alexandre Cossenza |
categoria Análise, Bellucci

Bellucci_Santiago_blogAvaliar a passagem de Thomaz Bellucci pela América Latina é uma tarefa traiçoeira. O número 1 do Brasil teve o começo dos sonhos, conquistando o título em Santiago e somando 250 pontos, mas não chegou nem perto de repetir o sucesso nos torneios seguintes. E embora o saldo dos quatro torneios tenha sido positivo, é impossível negar que poderia ter sido melhor. Afinal, potencial não falta.

Durante o Brasil Open, o paulista anunciou que não iria a Buenos Aires, afinal o cansaço acumularia. O plano parecia ótimo, já que Bellucci tinha uma chave interessante na Bahia. Ninguém contava, porém, com a derrota para Ricardo Mello. E por mais que Mello tenha feito uma boa partida, Bellucci chegou a um estágio em que derrotas assim não deveriam acontecer. O cansaço, é claro, foi oferecido como parte do motivo para o resultado negativo.

Salto para Acapulco, onde Bellucci tinha a dura tarefa de encarar Ferrer nas oitavas. O espanhol vinha de uma rodada dupla e uma final em Buenos Aires, mas nem mostrou sinais de cansaço e passou fácil pelo brasileiro. Ferrer, aliás, suportou bem e chegou à final, dando o troco em Ferreiro, campeão no Brasil e na Argentina.

Ainda no assunto do preparo físico, o que dizer de Ferrero, que disputou três finais em três semanas? Que o espanhol de 30 anos sirva de exemplo. Ele não sai por aí repetindo o quanto seu preparo melhorou – no entanto, resistiu bem pelas três semanas.

Mesmo assim, com um par de chances desperdiçadas, Bellucci teve saldo altamente positivo. Ano passado, o paulista somou 215 pontos nos quatro torneios. Este ano, acumulou 340 em três eventos. Se o corpo tivesse aguentado um torneio a mais, o número 1 do Brasil poderia ter se mantido no top 30.

Olho em Bellucci: Acapulco

seg, 22/02/10
por Alexandre Cossenza |
categoria Análise, Bellucci

Bellucci_Sauipe_blogGosto da chave de Bellucci no ATP 500 de Acapulco. Não só porque ele escapou de um cabeça de chave na primeira rodada, mas porque seu adversário seguinte deve ser o espanhol David Ferrer, que vem de uma final em Buenos Aires.

Na estreia, o número 1 do Brasil é favorito contra o espanhol Óscar Hernández, número 80 do mundo. Se confirmar, Belucci pega Ferrer ou Starace. O italiano é azarão, e o espanhol pode chegar ao México cansado. É importante lembrar que Ferrer fez a final no domingo, após uma rodada dupla no sábado. Além disso, a viagem de Buenos Aires até Acapulco não é das mais curtas. Tudo isso pode pesar a favor do brasileiro.

Se chegar até as quartas, Bellucci pode jogar contra Montañés, Gimeno-Traver, Marcos Daniel ou Cuevas, e é seguro dizer que o paulista tem boas chances de vencer todos eles. Ou seja, se a maré estiver a favor, não será nada surpreendente uma campanha que leve Bellucci até as semifinais.

Copa Davis

Aproveitando que o tema do post é brasileiro, deixo aqui minha opinião sobre a troca de comando na equipe brasileira da Copa Davis (quando João Zwetsch foi anunciado, eu estava de folga). Antes de mais nada, acho que a mudança teve um quê de oportunista. Afinal, veio depois de uma doída derrota – para o Equador, em Porto Alegre, diante de um Nicolás Lapentti que jogou 13 sets em três dias.

Para muita gente, Chico Costa nunca fez a diferença necessária, o que se espera de um capitão. Uma vez ouvi de uma pessoa com muita experiência em Copa Davis a seguinte frase: “para ser um capitão respeitado e ouvido pelos jogadores, ou você é um ex-jogador com ótimo currículo ou você é um treinador com resultados expressivos no circuito”. Chico Costa não se encaixa em nenhum dos casos, e isso ficou claro.

Os resultados do Brasil sob seu comando sempre foram os óbvios. Vencemos duelos fáceis, perdemos os difíceis. E acabamos derrotados na melhor chance que tivemos em muito tempo para voltar ao Grupo Mundial.

Sai Chico Costa, fica João Zwetsch, que já era técnico na Davis. A mudança é para melhor. Primeiro porque enfim acabamos com esse conceito arcaico de capitão e técnico. A tal comissão técnica, bolada pela direção atual da CBT, era um conceito tão impraticável que Thomaz Koch deixou o barco rapidinho.

O Brasil também ganha ao ter o técnico de seu número 1 em quadra. Ou seja, Thomaz Bellucci jogará com seu próprio técnico o aconselhando nos intervalos. E é bom lembrar que Zwetsch tem um currículo como treinador muito mais expressivo do que Costa. Ele tem muito mais experiência no circuito, e isso será passado aos jogadores.

Tiago Fernandes no Sauípe

Eu entendo o raciocínio de Larri Passos, que fez Tiago Fernandes disputar o qualifying do Brasil Open mesmo quando este havia recebido wild card para a chave principal. Conhecendo a história do treinador e sua postura em relação a seus atletas, era de se esperar tal atitude, exigindo que Tiago caminhasse pelo caminho mais duro.

Não sei, no entanto, se concordo. Afinal, se era esperado que Tiago perdesse – tanto no quali quanto na chave -, que perdesse diante de um belo tenista. Assim, poderia ver o tamanho do caminho que ainda tem a percorrer para enfrentar tenistas de ponta.

Nessas horas, eu lembro o caso de Federer, o número 1 juvenil da Suíça, que recebeu um convite para a chave principal do ATP da Basileia em 1998. Na época, ele tinha 16 anos e encarou logo Andre Agassi na primeira rodada. Perdeu por 6/3 e 6/2. E alguém vai dizer que esse wild card atrapalhou o futuro de Federer?

Hora de fazer o pé de meia

ter, 02/02/10
por Alexandre Cossenza |

Bellucci_Melbourne_blogThomaz Bellucci começa a mini-turnê sul-americana da ATP nesta terça-feira, em Santiago, com uma missão bem clara: somar pontos que lhe garantam um bom ranking bom muito tempo. Em seu piso preferido e cabeça de chave em todos os quatro torneios (Santiago, Costa do Sauípe, Buenos Aires e Acapulco), Bellucci não tem tantos pontos a defender e pode dar um belo salto na lista da ATP.

É verdade, sim, que o paulista foi vice-campeão do Brasil Open no ano passado, mas também é fato que o torneio é o mais fraco da gira, e não me surpreenderia se Bellucci conquistasse o título este ano. Ao todo, são 215 pontos que Bellucci tem a defender. Nos quatro torneios, porém, há 1.250 em jogo.

O caminho começa, curiosamente, contra Nicolás Lapentti, o equatoriano que deu uma aula de tênis ao número 1 do Brasil na última Copa Davis. Depois disso, Bellucci já derrotou o rival. Foi no Challenger de São Paulo, no fim do ano. Hoje, o paulista é favorito, mas ninguém espere que Lapentti jogue um ATP com a mesma intensidade com que disputou um Challenger. O equatoriano sabe o valor do torneio chileno e deve levar muito a sério a turnê sul-americana.

Em Santiago, Bellucci é o cabeça de chave número 3, e vai ser interessante ver como ele vai lidar com isso. Afinal, o número 1 do Brasil nunca foi um pré-classificado tão alto em um torneio de nível ATP. E neste caso de Santiago, o número realmente reflete o favoritismo.

Se passar por Lapentti, Bellucci deve encarar o chileno Paul Capdeville nas oitavas e, José Acasuso ou Eduardo Schwank nas quartas. Contra qualquer destes nomes, o brasileiro será o mais cotado. Só nas semifinais é que pode pintar um confronto contra Fernando González, cabeça 1.

Você, leitor, acha que Bellucci vai longe em Santiago? Deixe sua opinião na caixinha!

Feijão estreia

João Souza enfim disputa seu primeiro ATP. Após furar o quali, ele estreia contra o alemão Simon Greul, cabeça 7 do torneio. Não é o melhor dos jogos para o brasileiro, mas o alemão está longe de ser imbatível.

Uma pena a derrota de Marcos Daniel na estreia. O gaúcho tinha uma chave boa e poderia muito bem chegar, pelo menos, às quartas. Ele vai deixar de somar pontos importantes…

A aula de Roddick

qua, 20/01/10
por Alexandre Cossenza |

bellucci_melbourne_blogImpressionante o tênis demonstrado por Andy Roddick diante de Thomaz Bellucci. O americano variou o jogo, não deixou Bellucci se sentir à vontade e dominou o brasileiro. É chato admitir, como eu fiz no Twitter (@saqueevoleio), mas quando um tenista em ascensão enfrenta um top 10, ele corre o risco de ter todas suas limitações expostas em poucos games.

Foi isso o que aconteceu. Roddick variou seus saques – e confirmou muitos games com extrema facilidade -, usou slices cruzados e paralelos, top spins, bolas chapadas, enfim, todo o arsenal. Bellucci fez um bom jogo, mas o número 1 do Brasil ainda tem muito que evoluir para derrotar rivais deste nível – principalmente na quadra dura. Acredito que o jogo teria sido muito diferente no saibro.

É também notável o quanto Roddick é melhor hoje, comparado ao período em que foi número 1 do mundo. Sétimo do ranking, o americano depende menos de seu saque, embora tenha amplo domínio do fundamento. Hoje, fazem parte de seu arsenal um backhand batido com confiança, um slice curto e cruzado à Federer, approaches mais estáveis e melhores voleios.

Quanto a Bellucci, não é que o brasileiro tenha se enrolado com a variação do adversário. O jovem paulista soube lidar com a maioria dos golpes de Roddick (o slice cruzado incomodou mais). A diferença, na partida desta quarta, foi justamente a imposição desta variação.

Enquanto Bellucci achava maneiras de devolver os diferentes golpes do oponente, Roddick ditava os pontos, pensava em como definir as trocas. O americano esteve sempre um passo à frente.

De modo geral, foi uma boa apresentação de Bellucci em Melbourne. Agora é esperar o minicircuito sul-americano de saibro. Por aqui, perto de casa, e em seu piso preferido, o brasileiro tem tudo para somar pontos importantes. Até porque deve entrar como cabeça de chave em todos e não deve esbarrar com rivais muito superiores.bellucci_melbourne2_blog

Olho em Bellucci: Australian Open

dom, 17/01/10
por Alexandre Cossenza |

Bellucci_brisbane_blogPrecisou apenas de um jogo ruim – muito ruim,  é verdade – para que a bolha de entusiasmo sobre as atuações de Thomaz Bellucci estourasse. Um dia Bellucci conseguiu uma convincente vitória sobre o suíço Chiudinelli, no outro sofreu com o serviço e caiu inapelavelmente diante do alemão Kohlschreiber.

O tênis é assim, cheio de variações, e uma partida, dependendo de como ela foi vencida ou perdida, pode pesar uma tonelada nos torneios seguintes para este ou aquele tenista. Por isso, é preciso cautela na hora das vitórias e equilíbrio nas derrotas.

Assim, espero que Bellucci esteja chegando a Melbourne em boas condições, motivado e ciente de suas chances. Os dois torneios preparatórios foram bons, e o brasileiro entra como favorito para vencer a estreia.

Seu primeiro adversário é o instável russo Teimuraz Gabashvili, 105 do mundo. Não vejo motivos para Bellucci não sair vencedor – será, aliás, sua primeira vitória no Australian Open. O problema é o que – ou quem – virá logo depois.

O sorteio da chave não foi dos melhores, e o provável adversário de segunda rodada do paulista é Andy Roddick. Ele  estreia contra o holandês Thiemo de Bakker e, obviamente, é grande favorito.

Bellucci tem chance de eliminar Roddick? Sim, tem. Em um dia normal, porém, tudo indica que o americano sairá com a vitória. Não só pelo saque, mas por jogar melhor na quadra dura – seu bom histórico em Melbourne comprova isso.

Coragem que compensa

A história mais interessante de um brasileiro em Melbourne, no entanto, não pertence a Bellucci. A honra é de Ricardo Hocevar, que passou pelo qualifying e ganhou uma vaga na chave principal para enfrentar Lleyton Hewitt.

Poucos sabem, porém, as dificuldades que o paulista teve de enfrentar para chegar aonde chegou. Por telefone, conversei com ele nesta manhã de segunda-feira (noite de domingo aqui). O papo foi ótimo e resultou nesta reportagem.

E já que estamos falando de Brasil, Marcos Daniel terá boas chances de vencer na primeira rodada, já que seu primeiro jogo é contra o colombiano Alejandro Falla. O problema do gaúcho, porém, é sua falta de intimidade com a quadra dura. A cada ano que passa, Daniel se mostra mais competitivo no saibro e menos na dura.

E caso vença, deve ter pela frente um rival quase intransponível: o sueco Robin Soderling, que estreia contra o espanhol Marcel Granollers. Aliás, acho que o número 2 do Brasil terá poucas chances de chegar à terceira rodada até se enfrentar o espanhol.

Quer comentar os brasileiros no Australian Open? A caixinha é sua e ficaráà disposição durante todo o Grand Slam.

Olho em Bellucci: Auckland

seg, 11/01/10
por Alexandre Cossenza |

Bellucci_Auckland_blogO post demorou, eu admito, mas Thomaz Bellucci me deu a chance de continuar a série semanal sem grandes problemas. O número 1 do Brasil confirmou seu favoritismo e derrotou o suíço Marco Chiudinelli por 6/3 e 6/3. Digo até que foi um jogo mais fácil do que o placar indica.

O que não é demérito nenhum para o brasileiro. Muito pelo contrário.  Uma confortável vitória como a desta segunda-feira indica que Bellucci está chegando naquele ponto em que sabe bem o que fazer para não ser surpreendido.

Não sei, porém, o quão boa foi a partida como um teste para o brasileiro. Não li relatos específicos sobre isso, mas vi um suíço com pouquíssima mobilidade em quadra. Talvez uma lesão no joelho esquerdo, mas não posso afirmar com certeza (vi a partida em uma transmissão sem narração). Só sei que vi um Chiudinelli sacando mal e se mexendo muito menos do que o normal.

De qualquer maneira, vi aspectos interessantes no tênis mostrado pelo brasileiro.  Bellucci explorou bem a deficiência do rival e distribuiu bem as bolas, fazendo com que o suíço não conseguisse bater parado.

Além disso, o número 1 do Brasil vem desenvolvendo um confiante saque angulado do lado ímpar (o chamado “ad court”, ou lado da vantagem) da quadra. Quando bem aplicado, é uma arma mortal, especialmente contra destros. Basta ver a porcentagem de aproveitamento de break points de Federer contra Nadal – o espanhol sistematicamente saca aberto e angulado no backhand do suíço.

O primeiro real teste será nas oitavas de final, a próxima fase. Bellucci jogará contra o vencedor de Kohlschreiber e Nalbandian. O alemão tem um ótimo saque e um jogo agressivo, mas pouca variação. Quando está inspirado, porém, é difícil de parar.  O argentino, nem preciso dizer, é perigosíssimo e tem várias armas. Não se sabe, porém, em que condições Nalbandian chega a Auckland. Além disso, ele tem um histórico não muito favorável em começos de temporada.

Quem quer que seja o rival, há motivos para acreditar que Bellucci sairá vencedor. Vamos esperar e torcer.

Mais Brasil

- Bellucci alcança, nesta semana, o 34º posto no ranking mundial, o melhor de sua carreira. Ele ainda precisa de duas desistências para ser cabeça de chave no Australian Open, já que os pontos de Auckland só serão somados depois que a chave de Melbourne estiver pronta.

- Em São Paulo, Ricardo Mello ganhou, mais uma vez, o primeiro Challenger do ano. Honestamente, não sei se isso é bom ou ruim. Por um lado, é um brasileiro conquistando um título. Pelo outro, é um veterano, ex-top 50, ganhando apenas um Challenger.

- Melo e Soares fizeram uma estreia discreta em Brisbane, perdendo nas quartas para Roddick e Blake. Melo, pelo menos, mostrou muita empolgação. Mudou de lado e, via Twitter, disse várias vezes que está feliz a otimista. Já é meio caminho andado para que as coisas deem certo.

Uma outra adaptação

sex, 08/01/10
por Alexandre Cossenza |

blog_Bellucci_BrisbaneQuem viu o jogo de Thomaz Bellucci nesta madrugada tem muito o que comemorar. O brasileiro fez uma grande partida. Aguentou a pancadaria de Berdych no fundo de quadra, soube ser agressivo na hora certa, fugiu com eficiência do forehand do adversário, atacou o mesmo lado quando teve a chance e, principalmente, soube variar o jogo.

Quando o rival se refugiava dois metros atrás da linha de base, Bellucci usava com eficiência a curtinha. O paulista também esteve seguro nos voleios. Um dos lances até rendeu uma comparação do narrador australiano com Patrick Rafter – com um pouco de boa vontade, é verdade.

Além disso, sua movimentação lateral esteve ótima – o que mostra grande evolução em relação a alguns jogos seus no ano passado. Ouso dizer que Bellucci foi o tenista mais consistente durante toda a partida. Ele teve seu serviço quebrado apenas uma vez – contra três do tcheco – e perdeu poucas chances durante o jogo.

blog_Bellucci_Brisbane2Bellucci só jogou mal quando não podia. Uma dupla falta no 2/2 do tie-break do terceiro set desencadeou uma sequência de erros que não tinha acontecido durante todo o jogo. A raquete foi parar no chão, a paciência acabou, e Berdych deixou que o brasileiro perdesse o jogo.

O lado positivo – além de todas as qualidades que eu citei acima – da partida desta sexta foi ver que Bellucci conseguiu fazer um jogo em igualdade de condições contra Berdych, um adversário que saca muito bem e pega muito forte na bola, justamente na quadra dura, piso preferido do tcheco. E se Bellucci fez jogo duro contra Berdych na quadra dura, pode engrossar bater muitos adversários que estão acima no ranking.

E se na quadra dura Bellucci está jogando assim, é sinal de que poderá somar muitos pontos na gira sul-americana, no saibro, seu piso preferido.

O que falta, na minha opinião, é adaptação. Sabe aquele discurso usado quando Bellucci fez a transição dos Challengers para os ATPs? Que era preciso se acostumar a jogar em um nível mais alto? Hoje, o número 1 do Brasil já está habituado a este nível e entra como favorito na maioria dos jogos. Agora, é preciso dar outro passo adiante e se acostumar a jogar no nível dos top 10, 20. Pelo que vi contra Berdych, não falta muito. E isso, em um tie-break de terceiro set, faz toda a diferença do mundo…

Quer saber em detalhes como foi o jogo? Clique aqui. E fique de olho no twitter.com/saqueevoleio. Ontem, eu comentei jogo ao vivo por lá. Devo fazer o mesmo nos próximos jogos com transmissão de tv.



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