Gosto da chave de Bellucci no ATP 500 de Acapulco. Não só porque ele escapou de um cabeça de chave na primeira rodada, mas porque seu adversário seguinte deve ser o espanhol David Ferrer, que vem de uma final em Buenos Aires.
Na estreia, o número 1 do Brasil é favorito contra o espanhol Óscar Hernández, número 80 do mundo. Se confirmar, Belucci pega Ferrer ou Starace. O italiano é azarão, e o espanhol pode chegar ao México cansado. É importante lembrar que Ferrer fez a final no domingo, após uma rodada dupla no sábado. Além disso, a viagem de Buenos Aires até Acapulco não é das mais curtas. Tudo isso pode pesar a favor do brasileiro.
Se chegar até as quartas, Bellucci pode jogar contra Montañés, Gimeno-Traver, Marcos Daniel ou Cuevas, e é seguro dizer que o paulista tem boas chances de vencer todos eles. Ou seja, se a maré estiver a favor, não será nada surpreendente uma campanha que leve Bellucci até as semifinais.
Copa Davis
Aproveitando que o tema do post é brasileiro, deixo aqui minha opinião sobre a troca de comando na equipe brasileira da Copa Davis (quando João Zwetsch foi anunciado, eu estava de folga). Antes de mais nada, acho que a mudança teve um quê de oportunista. Afinal, veio depois de uma doída derrota – para o Equador, em Porto Alegre, diante de um Nicolás Lapentti que jogou 13 sets em três dias.
Para muita gente, Chico Costa nunca fez a diferença necessária, o que se espera de um capitão. Uma vez ouvi de uma pessoa com muita experiência em Copa Davis a seguinte frase: “para ser um capitão respeitado e ouvido pelos jogadores, ou você é um ex-jogador com ótimo currículo ou você é um treinador com resultados expressivos no circuito”. Chico Costa não se encaixa em nenhum dos casos, e isso ficou claro.
Os resultados do Brasil sob seu comando sempre foram os óbvios. Vencemos duelos fáceis, perdemos os difíceis. E acabamos derrotados na melhor chance que tivemos em muito tempo para voltar ao Grupo Mundial.
Sai Chico Costa, fica João Zwetsch, que já era técnico na Davis. A mudança é para melhor. Primeiro porque enfim acabamos com esse conceito arcaico de capitão e técnico. A tal comissão técnica, bolada pela direção atual da CBT, era um conceito tão impraticável que Thomaz Koch deixou o barco rapidinho.
O Brasil também ganha ao ter o técnico de seu número 1 em quadra. Ou seja, Thomaz Bellucci jogará com seu próprio técnico o aconselhando nos intervalos. E é bom lembrar que Zwetsch tem um currículo como treinador muito mais expressivo do que Costa. Ele tem muito mais experiência no circuito, e isso será passado aos jogadores.
Tiago Fernandes no Sauípe
Eu entendo o raciocínio de Larri Passos, que fez Tiago Fernandes disputar o qualifying do Brasil Open mesmo quando este havia recebido wild card para a chave principal. Conhecendo a história do treinador e sua postura em relação a seus atletas, era de se esperar tal atitude, exigindo que Tiago caminhasse pelo caminho mais duro.
Não sei, no entanto, se concordo. Afinal, se era esperado que Tiago perdesse – tanto no quali quanto na chave -, que perdesse diante de um belo tenista. Assim, poderia ver o tamanho do caminho que ainda tem a percorrer para enfrentar tenistas de ponta.
Nessas horas, eu lembro o caso de Federer, o número 1 juvenil da Suíça, que recebeu um convite para a chave principal do ATP da Basileia em 1998. Na época, ele tinha 16 anos e encarou logo Andre Agassi na primeira rodada. Perdeu por 6/3 e 6/2. E alguém vai dizer que esse wild card atrapalhou o futuro de Federer?