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Obrigado pelo passeio

qua, 11/11/09
por Alexandre Cossenza |
categoria Análise, Safin, Vídeo

Desde 1998, quando aquele adolescente derrubou Gustavo Kuerten e Andre Agassi nas duas primeira rodadas em Roland Garros, Marat Safin levou seus fãs em um passeio espetacular.

Passou por Nova York, onde derrubou Pete Sampras em sets diretos na final do US Open/2000, e voltou a brilhar em Paris, onde levou a Rússia ao título da Davis em 2002.

Marat também deixou sua marca – talvez a maior delas – em Melbourne. Em 2005, o russo salvou match point e derrotou Roger Federer em uma espetacular partida de cinco sets (a melhor que eu me lembro de ter visto nos últimos dez anos do torneio). A partida teve gosto de final, mas era apenas a semi. Na decisão, Safin derrubou o queridinho da casa, Lleyton Hewitt, e levantou seu segundo troféu de Grand Slam.

Em Moscou, 2006, Marat já não atravessava uma grande fase, mas teve a confiança do capitão russo e foi escalado para o quinto jogo da final da Davis. Ele foi lá e decidiu. Bateu Acasuso por 3 a 1 e deu outro título para seu país.

Foi um passeio e tanto, cheio de altos e baixos, dentro e fora da quadra (como uma montanha-russa, eu diria, se gostasse de clichês). No entanto, entre aparições com várias mulheres – dele e dos outros -, raquetes quebradas, advertências por mau comportamento em quadra e parcial desinteresse pelo tênis, Marat nunca deixou de ser uma figura interessante.

Sempre deu boas entrevistas. Não necessariamente porque foi polêmico, mas porque foi sempre autêntico. Suas declarações nunca foram cuidadosas. Marat sempre disse o que pensou. Falou bobagens, mas também disse muita coisa que seus colegas de circuito nunca tiveram coragem de dizer. Até para isso ele tinha, ou melhor, tem talento.

Há quem diga que Marat conseguiu no tênis muito menos do que poderia. A afirmação tem lá sua parcela de razão. O russo tinha todos os golpes, se movimentava bem, subia bem à rede, sabia quando atacar e quando defender. Em quadra, Marat podia vencer qualquer rival em qualquer dia.

Marat, no entanto, nunca foi um número 1 como Federer e Sampras. O russo nunca foi um “nerd” do tênis, daqueles que entram concentrados em cada partida e treinam com a mesma dedicação dia-sim-e-dia-também. Se tivesse tentado ser assim, talvez Marat não fosse a pessoa cativante que é.

Ao chegar onde queria e alcançar tudo que pretendia, Marat curtiu a vida. Aproveitou todas as portas que o tênis lhe abriu e nos levou com ele nesse passeio. Nos divertimos com suas piadas e seu destempero, fomos ao Cho Oyu e voltamos a Paris, onde tudo acabou. O tênis é menos divertido a partir desta quarta. Valeu, Marat!

Coisas que eu acho que acho

Se os leitores me permitem uma declaração mais pessoal, uma das coisas que perdi no US Open foi a coletiva de despedida de Marat Safin. Era minha última chance para ver pessoalmente uma entrevista com o russo. No monte de coisas que aconteceram naquele dia, não pude ir à sala. Pelo menos vi, no Armstrong, seu último jogo, contra Melzer. Foi, aliás, o único jogo que vi inteiro lá.

Sempre acreditei que as maiores homenagens que um atleta recebe são aquelas que vêm espontaneamente, quase sem querer. A maior prova de respeito que vi em relação a Safin veio com Guga. Em Floripa, enquanto via uma de suas finais de Roland Garros, o catarinense disse a um juvenil o quanto Safin o “incomodava”. Veja no vídeo abaixo.

15 Comentários para “Obrigado pelo passeio”

  1. 1
    Antonio Duarte:

    Perde-se um grande jogador e uma pitada de pimenta nesse circuito cercado de bons moços. Mas sai em boa hora: não está mais a fim e não vai ficar mentindo pra si mesmo. Deveria servir de exemplo para alguns outros profissionais que já ganharam o bastante e estão no circuito só ensebando, né, Venus?

  2. 2
    Kauê Willmersdorf:

    lindo o post!
    não tem nem oq comentar…SAFIN GÊNIO
    DAVAI MARAT!
    OBRIGADO!

  3. 3
    Semiramis:

    Parabéns pelo post Alexandre, na minha opinião um dos melhores que li por aqui! e Realmente, ele nos levou a um passeio inesquecível! Thanks Marat

  4. 4
    Mauricio Zane:

    Emocionante o Post, mandou muito bem alê!

    E esse vídeo do Guga então,perfeito cara, que post sensacional.

  5. 5
    Vivi:

    É uma pena o Safin abandonar o tênis. Gosto do jogo dele, das suas polêmicas e dos seus “chiliques”… Fico um pouco mais triste por ele ter sido um grande rival do Guga, a nostalgia fazia o jogo dele ser mais interessante ainda para mim…

    Belíssimo post, Alexandre…quase chorei associando o título à primeira imagem….Só faltou você falar uma coisinha, como você não disse, eu falo por você:

    Certamente, hoje, o tênis não está mais tão BELO como ontem, literalmente… :)

  6. 6
    Edgar Borges Júnior:

    Mandou bem no post, Alexandre. Acho que foi o comentário mais bonito que li a respeito da aposentadoria do Safin. Me emocionou bastante.

    Sempre fico emotivo quando um grande ídolo se despede do esporte. Em especial, do tênis, esporte que tanto amamos. Foi assim com o Agassi, Sampras, Meligeni e principalmente com o Guga, onde foi imposível conter as lágrimas.

    Fica o tênis um pouquinho mais burocrático e menos sincero e divertido com a saída do Safin. Além de todas as suas qualidades como pessoa, foi um tenista extraordinário, realmente capaz de bater qualquer um, como mostra essa lista que você apresenta: Guga em Roland Garros, Samprar no US Open, Federer em 5 sets e na final do torneio o animal Hewitt, dono da casa. Fará muita falta mesmo.

    De certa forma, o Nalbandian também é assim: não se dedica tanto aos treinamentos mas pode ganhar de qualquer um em qualquer torneio. Mas o argentino não tem um décimo do carisma do Safin.

    Continue seu passeio, Safin. Foi um prazer estar até aqui contigo nesse seu rolê pelo mundo. E apareça sempre que quiser, com suas opiniões sinceras e divertidas!!

  7. 7
    Thales de Mileto:

    Antonio Duarte
    nao entendir seu comentario
    quando vc falou:
    “outros profissionais que ganharam o bastante e estão no circuito só ensebando, né, Venus?”
    vc quis dizer o q com isso?????

  8. 8
    leonardo m menezes:

    ALEXANDRE,

    EXCELENTE POST.. PARABÉNS..

    REALMENTE MARAT DEIXARÁ SAUDADES…

    A IRREVERÊNCIA, TALENTO E PERSONALIDADE DE MARAT FARÁ MUITA FALTA AO TÊNIS…

    TENISTAS COMO GUGA E MARAT DEVERIAM SER ETERNOS..

    ABRAÇOS

  9. 9
    Lígia:

    Alexandre, parabéns pelo post emocionante!
    Eu conheci esse esporte por causa do Guga (chorei quando ele se aposentou). De repente, no auge de sua carreira, apareceu um garoto russo para dificultar sua vida, Apesar disso, eu passei a admirar esse que seria um dos seus principais rivais no circuito.
    Estranho, não é ? No começo, eu achava esquisito. Seria traição com meu tenista favorito, ainda mais tupiniquim ? kkkkkkk
    Não, era Marat Safin. Como resistir ao carisma e talento, sem falar em tantas outras qualidades desse tenista ?
    Assim, eu me rendi a paixão que esses dois me despertaram pelo tênis.

    Obrigada pelo passeio, Safin. Com certeza, já faz mt falta.

    TENISTAS COMO GUGA E MARAT DEVERIAM SER ETERNOS.[2]

  10. 10
    FABIO CARVALHO:

    MARAT SAFIN FOI INCRÍVEL….. TREMENDO……. UM EXEMPLO DE RAÇA, FORÇA E PERSEVERANÇA…. NÃO ALIVIA EM NENHUMA, BATE FORTE DO JEITO QUE A BOLA VIER….. SENTIREI SAUDADE DE VER O SAFIN NAS QUADRAS…. O TÊNIS SEM DÚVIDA PERDERÁ MUITO…. DEPOIS DE GUGA, ELE É MEU MAIOR ÍDOLO!!!!!!!!!!!!1

  11. 11
    Joana:

    A vitória do Safin sobre o Sampras no US Open em 2000 com certeza é um dos jogos de tênis que eu nunca vou esquecer. Simplesmente fantástico!

    Infelizmente a “viagem” do Safin no mundo do tênis chegou à última estação. O tênis fica menos verdadeiro, menos irreverente, menos divertido, menos engraçado, menos talentoso, menos autêntico e muito, mas muito menos belo. :)

    Longa vida a Marat Safin!

  12. 12
    Antonio Duarte:

    Oi, Thales!

    Desculpe a demora em responder.

    O que quis dizer é que, apesar de ela ser minha tenista favorita (vide os palpitões, onde sempre a coloco como vencedora), tô achando que a Venus já não tem mais a vontade que tinha antes na hora de entrar em quadra. E isso, pra mim, fica mais evidente quando ela joga contra a Serena. Nunca fui partidário da teoria de que elas combinam resultados, contudo, creio que ela se importa bem menos em perder pra Serena do que o contrário. E isso, na minha opinião, é falta de vontade. Tento me colocar no lugar dela e, na boa, não me imagino perdendo duas finais de torneio super importantes (Wimbledon e WTA Championship) pro meu irmão, por exemplo, e sair sorrindo de quadra! Isso sem falar nos demais torneios. Uma tenista da categoria dela era pra ter ganho bem mais do que ganhou esse ano, e ostentado um ranking um pouco melhor.

    Espero estar enganado, mas acho que não estou.

    Abs

  13. 13
    Dayse Vieira:

    Vou morrer de saudade!

    Me lembro das noites de sono perdidas para acompanhar os jogos do Marat na Australia (mesmo q fosse só pelo site)…

    Das escapadinhas mais cedo do serviço para vê-lo jogar…

    Me lembro da tensão e desespero ao vê-lo perder um jogo…

    Me lembro da alegria indescritível ao vê-lo ganhar…

    Nunca esquecerei das grandes amizades que fiz pelo mundo por causa do Marat e que durarão para sempre!!!

    O tenis nunca mais será o mesmo sem o Marat. Meu ídolo, minha paixão adolescente, meu Marat.

    Tô chorando gente…desculpa… não consigo mais escrever…ahhh Marat…

  14. 14
    Airi Macias Sacco:

    Alexandre, o primeiro boleiro à esquerda na foto em que o Marat está com os braços erguidos é o Murray?? Hehehehe Beijo grande!

    É verdade, Airi!
    Incrível a semelhança!!!
    Abraço.

  15. 15
    Paradis:

    Nem acredito que eu não tinha comentado nesse post! Mas tbm, foram tantos posts de despedida para o meu muso que eu não dei conta de tudo! Safin é tudo que eu mais amei no tênis e acredito que por isso eu não goste do Federer, porque eles são os extremos! Gosto da vida, da garra, da impaciência que o Marat demonstrava em quadra, que para mim são a essência do tênis: um esporte emocionante!

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