O retorno de Roddick
Roddick está de volta a uma final de Grand Slam. Em grande estilo. Com uma exibição de gala, o americano adiou mais uma vez o sonho britânico de ver um tenista do Reino Unido triunfar em Wimbledon.
Mais importante do que o “quê”, neste caso de Roddick, é o “como”. Conhecido pelo saque fantástico, o americano também leva consigo a fama - justificada - de incapaz junto à rede. Seus confrontos passados contra Federer são prova disso.
Nesta sexta, diante de Murray, um excelente passador, Roddick fez o que pouca gente esperava: conseguiu aliar seu jogo agressivo com a tática de subidas à rede. E não porque tenha melhorado incrivelmente nos voleios ou smashes, mas porque escolheu bem a hora de avançar.
Roddick foi à rede 75 vezes, ganhando 48 pontos (64%). E explicou bem na coletiva:
“Larri (Stefanki, seu treinador) ressaltava que contra Andy, se eu subisse, teria que fazer ótimos approaches, caso contrário eu levaria passadas o jogo inteiro. Foi provavelmente o que eu fiz de melhor hoje, subir à rede, mas após bolas de aproximação muito boas”.
O saque de Roddick também merece destaque - além do normal. Ele fez menos aces que Murray (21 contra 25), mas encaixou assustadores 75% de primeiros serviços. O número é raríssimo em jogos de quatro sets, principalmente para quem obtém média de 201,6 km/h.
Murray, por sua vez, deixou escapar uma boa chance. Comparando com os confrontos anteriores contra Roddick, o escocês esteve abaixo da média nas devoluções (crédito à porcentagem do parágrafo acima), mas não foi exatamente isso que lhe fez falta.
Há quem diga que Murray foi muito passivo e alongou demais as trocas de bola quando poderia ter buscado mais winners. Questionado sobre isso na coletiva, ele discordou baseado nos números.
“Fiz mais winners (76 a 64), menos erros não forçados (20 a 24) e mais aces (25 a 21). Meu estilo de jogo contra ele não é sair disparando winners o tempo todo. Ele tem um saque tão bom que é preciso entrar nos pontos e conseguir devoluções. Usei meu slice bem, e não passei como normalmente faço. Mas ele executou bons saques e voleios”.
Sobre a outra semifinal, não há muito o que dizer. Federer venceu da forma esperada. Haas, a meu ver, jogou muito bem, mas não teve consistência para sequer ameaçar o saque do suíço.
E acerca da final, que eu abordarei mais em um próximo post, é duro prever algo que não seja uma vitória de Federer. E nem digo baseado no que Roddick fez no torneio até agora. Escrevo lembrando do que costuma acontecer quando os dois se enfrentam. E até agora, são 18 vitórias de Federer em 20 jogos. Três destes em Wimbledon, nos quais Roddick venceu apenas um set.
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