Baghdatis e os quatro match points
Federer vence o primeiro set e tem dois match points no décimo game do segundo (veja na marca de 3min45s do vídeo abaixo). Depois de duas bolas trocadas, o suíço arrisca uma paralela de direita e manda a bola longa.
No ponto seguinte, outro match point, Baghdatis insiste na esquerda do adversário. Na quarta rebatida, o slice de Federer sai longo.
O terceiro match point (7min55s) veio bem depois, já no terceiro set, com o cipriota sacando em 5/6 e 30/40. Depois de dois slices, Federer tentou a paralela de backhand e jogou na rede.
O quarto match point do jogo foi de Baghdatis, um dos tenistas mais interessantes de ver no circuito mundial. O cipriota, que passou bom tempo brigando com lesões e tentando recuperar o ritmo, sacou bem, viu a devolução de Federer passar sobre sua cabeça e, então festejou.
Mais interessante do que festejar a chave mais do que aberta e repleta de resultados intrigantes em Indian Wells é celebrar “o retorno” de Baghdatis aos grandes jogos e, claro, às grandes vitórias.
Acreditei que veríamos isto mais cedo, principalmente depois do título em Sydney e da brilhante vitória sobre Ferrer em Melbourne. Mas o corpo – sempre ele – não deixou Baghdatis sequer completar a rodada seguinte contra Hewitt.
Depois de sair do top 150 (!), Baghdatis está de volta. Comemoremos!
Coisas que eu acho que acho
Os fãs de Federer provavelmente vão dizer que o suíço apenas perdeu porque arriscou muito e errou mais do que de costume. Não deixa de ser verdade, mas é simplificar demais a questão. Baghdats é um jogador agressivo e, num dia como ontem, com os golpes entrando, nem Federer pode se dar ao luxo de ficar na defensiva por muito tempo contra o cipriota.
Apesar dos três match points, acho que o ponto do jogo veio no sétimo game do terceiro set, com Federer sacando em 4/2 e 30/30 (6min30s de vídeo abaixo). A troca foi longa, e o winner de Baghdatis, uma direita cruzada com ótimo ângulo, foi essencial na devolução da quebra e, consequentemente, na virada.
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Desde o Rio Champions, os bastidores do tênis brasileiro andam agitados. Fernando Meligeni trouxe à tona a questão das contas da CBT, pedindo transparência. O presidente da entidade, Jorge Lacerda, respondeu. Ontem, Meligeni rebateu em seu blog e hoje, temos ex-aliados de Lacerda criticando a atual gestão da CBT.
“De um lado, Mark Philippoussis, australiano de 33 anos que vem treinando para voltar ao circuito profissional e dono de um saque fortíssimo. Do outro, Fernando Meligeni, 38 anos, longe do circuito desde 2003 e que atualmente divide as atenções entre os afazeres profissionais e o filho recém-nascido Gael, que completa seis meses de vida neste domingo”.
Coisas que eu acho que acho sobre Fernando Meligeni
O segundo dia do Rio Champions foi ainda melhor do que o primeiro – e o pouco público no Maracanãzinho fez barulho suficiente para deixar o ambiente interessante. Entre os destaques do dia, três belos jogos (claro), uma entrevista interessante e um Philippoussis prevendo uma final divertida.
Meligeni x Ferreira foi um belo jogo. Com variações táticas e tudo. O brasileiro, como sempre, deu seu show. Virou o primeiro set, que perdia por 3/0 e levantou a galera. Pena que o DJ do local insistia em tocar o tema de “Rocky”. Aparentemente, só tinha aquela música para o Meligeni! Quando Ferreira estava melhor em quadra – e até abriu 2/0 no match tie-break -, Meligeni fez dez pontos seguidos e se garantiu na final.
Eu usei o Twitter e fiz algumas reportagens (vejam o Globoesporte.com) durante esta sexta-feira, mas vou aproveitar para e fazer um resumão do que foi o primeiro dia do Rio Champions.
O melhor jogo da noite, Wilander x Courier, foi cheio de ralis, passadas, lobs, aces. Um jogão. Pena que quase ninguém viu. Em parte porque começou depois das 23h. O nível de jogo, pelo menos, compensou o calor no ginásio, já que alguém desligou o ar-condicionado (é sério!).
Se você mora no Rio de Janeiro e ainda não decidiu se vai ver de perto o Rio Champions, tomo a liberdade de sugerir 10 motivos para convencê-lo de que é um bom programa – e não estou ganhando nada para isso. Então leia os parágrafos abaixo e decida se é ou não um programa interessante.
Novak Djokovic se recuperou do estresse físico e mental da Copa Davis, no último fim de semana? Andy Murray chega menos cansado, mas será que seu jogo está afinado o bastante? O outro Andy, Roddick, também é uma incógnita. Imagino que os palpitões sejam bem variados aqui.
Para mim, as atrações mais interessantes serão os desempenhos de Kim Clijsters, que jogará pela primeira vez após a estranha derrota em Melbourne, Justine Henin, que fez dois belos torneios, mas perdeu ambas finais, e Maria Sharapova, que voltou a conquistar um título, mas diante de rivais de menor expressão.
David Nalbandian surgiu para o mundo do tênis como um dos maiores talentos da história de seu país (um elogio e tanto, considerando a história dos hermanos). Era um jovem com enorme facilidade para bater na bola, dono de devoluções excelentes, ótimos saques, controle de bola impecável.
Nesta semana, ele salvou seu país (com uma bela ajuda de Leonardo Mayer, é verdade) e venceu dois pontos contra a Suécia, em Estocolmo. Fora de casa e sem ritmo, Nalbandian desembarcou às pressas na quinta-feira, venceu as duplas no sábado e, no domingo, foi mais uma vez escalado de última hora para o quinto jogo. Entrou em quadra, dominou Vinciguerra e fechou a série.
O adiamento de Chile x Israel, pela Copa Davis, foi a medida mais simples possível que a ITF podia tomar. E a Federação Internacional estava em uma situação delicadíssima. De um lado, um país vivendo as consequências de um terremoto devastador. Do outro, ingressos vendidos, interesses econômicos em jogo e o sempre presente problema do calendário. Assim, em vez de cancelar a disputa, a ITF decidiu começar o duelo no sábado.