Na noite desta terça-feira, a revelação de que Agassi usou drogas em 1997 tomou as manchetes de vários sites de tênis. Algo muito mais grave também veio à tona: a ATP acreditou na desculpa esfarrapada do americano, abafou o caso e perdoou o tenista.
Antes que saiamos questionando os vários títulos de Agassi, lembremos que ele ingeriu a droga conhecida nos EUA como crystal meth (o nome científico é metanfetamina), que causa euforia e aumento do desejo sexual ao liberar altas doses de dopamina no cérebro, mas não melhora o desempenho dentro de quadra. Muito pelo contrário. É bom lembrar também que foi em 1997 - ano da história relatada por Agassi - que o americano despencou no ranking e saiu do top 10 para fora do top 100.
Isto posto, a história joga uma sombra de dúvida sobre a integridade da ATP. Afinal, se a entidade protegeu um de seus principais nomes (supostamente para não manchar o tênis), pode muito bem ter tomado a mesma atitude com outros atletas de sua elite.
E se Agassi fosse, por exemplo, argentino? Teria recebido o mesmo tratamento? Nada contra a Argentina. Cito o país simplesmente porque lembro de cinco casos recentes de doping com hermanos: Cañas, Chela, Coria, Puerta e Hood. E se Agassi tivesse caído no antidoping por causa de uma Neosaldina, o que aconteceu com o brasileiro Marcelo Melo? Teria sofrido a mesma punição?
É verdade que todos acima foram flagrados com substâncias que melhoram o desempenho em quadra, ao contrário de Agassi, que usou uma droga recreativa. Mas a lista do antidoping é uma só, e fala em “substâncias proibidas”, sejam alucinógenos, moderadores de apetite ou esteroides.
Espero que a recente punição a Gasquet - embora branda e reduzida após uma história mirabolante apresentada pelo tenista -, que foi flagrado em um torneio da ATP após ingerir cocaína, seja um indício que não há mais proteção da entidade a nomes fortes na modalidade…
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Coisa que eu acho que acho estranha
Dos cinco argentinos citados no texto, dois (Puerta e Hood, ambos em Roland Garros) foram flagrados em um torneio da ITF, não da ATP. O mesmo vale para Martina Hingis, flagrada em Wimbledon, e para o tcheco Ivo Minar, pego este ano em uma edição da Copa Davis. É impressão minha ou há mais flagrantes nos cinco eventos anuais da ITF do que em todos os torneios da ATP e da WTA juntos? É estranho ou não? E, supostamente, a ITF é responsável por todos os testes hoje em dia.
Em 1997, quando ocorreu o Caso Agassi (será esse o nome a partir de agora), cada entidade fazia seus próprios exames. A Wada, Agência Mundial Antidoping, sequer existia. A ITF só respondia pelos testes no seus próprios torneios.