Nota do Rodrigo: preferi esperar um pouco mais para postar, mas contar com o relato de um paranista, redator e amigo (aquele velho papo de não necessariamente nessa ordem) que presenciou o jogo in loco. Com vocês, Alexandre P.:
Aviso aos navegadores: se você quer ler um texto cabeça, com análises táticas, números exatos e precisas estatísticas sobre o último clássico Corinthians X Paraná, você veio ao site errado. Este não é um texto cabeça: é um texto coração. Se a sua busca é por informações da dita cuja partida, recomendo o Google. Mas se a sua procura é pela verdadeira emoção de um torcedor do futebol, aquela que só nasce dos melhores times, cresce nos piores momentos e não morre nunca, você está no lugar certo. Ou melhor, está no lugar errado, porque lugar de torcedor é na arquibancada, mas isso é assunto para outra conversa e puxão de orelha não vem ao caso agora.
Assim sendo, bora lá: ontem, dia 1 de novembro de 2.008, lá estava eu no Pacaembu* para ver o meu tricolor em ação em terras estranhas, tanto para ele quanto para mim (curitibano recém-chegado à capital paulista e saudoso da terra natal, entre outros motivos, por causa da atual distância entre a minha nova casa e a Vila Capanema). Logo na entrada do estádio, uma cousa logo chama a atenção: o tamanho. O tamanho do local, o tamanho da multidão, o tamanho da festa, o tamanho do preço do estacionamento, mas, principalmente, o tamanho da te(n)são no ar.
Explico: é só passar o portão 22 que leva à tal arquibancada lilás (nófa!) destinada à torcida visitante para sentir na pele, na orelha e no nariz a presença da fiel nação gambá. E, se ao mesmo tempo em que todos estão felizes da vida pela subida antecipada à Série A, mais do que todos estão ansiosos pelo título da B, CQC. Nem venham os Juca Kfouri e outros blogueiros mosqueteiros tipo o Adonis dizerem que tal título não importa: sim, elas querem ganhar esta estrela. E você nota isso não lendo a imprensa paulista, mas ouvindo na geral a “torcida que canta e vibra” (como diz o hino deles, ou dos rivais deles, sei lá; para mim, time assim é tudo igual.)
Para não dizer que não falei do jogo, bora lá! Mais uma vez, o Paraná poderia ter saído vitorioso, se não fosse o de sempre: a falta de pontaria dos infernos. Como destaques, tanto positivos quanto negativos ao meu humilde olhar, lembro a lentidão de Fabrício (quase enraizado, algo tipo um pé-de-cana na zona do agrião, se isso não fosse o Daniel Marques), a vontade de Pimpão (tomara que siga assim) e a insegurança de Gabriel (que até foi bem em antecipações, mas nada mais, já que antecipação rima com obrigação e goleiro de time grande precisa mandar muito melhor).
E mais: destaco também a instabilidade e irregularidade de Ricardinho, que fez bonito no lance que originou o gol de Fabinho, mas fez fedido no lance da injusta expulsão. Aliás, PQP, como arbitragem brasileira se intimida com estádio cheio! Além do tal cartão vermelho exagerado, ainda rolou um impedimento roubado e outras afanadas do trio que ajudaram muito a desestabilizar ainda mais o time e contribuíram para o negativo no placar que deixou o dia mais preto e branco (típico de uma véspera de Finados). Ou roxo, cor de forro de caixão e tudo a ver com um sábado triste regado a cerveja sem álcool e nenhum ponto a mais na classificação.
Depois de tanta emoção (ou, como diz o Rei, “tantas emoções”), fim de jogo. O juiz FDP apita o desfecho da partida lá pelos 47 minutos do segundo tempo e a partir dali só resta ao bando de quase 30 mil espectadores se pirulitar. Para os corinthianos, uma lição: independente do placar, Paraná é para respeitar. Para os paranistas, outra: seja quem for, Paraná é para confiar. E para mim, uma certeza: nem diretores e nem jogadores fazem um time. Quem faz um time são os torcedores. Independentemente do que estiver no placar, todos nós que amamos o Paraná somos vencedores.
No campo, Corinthians 2 X 1 Paraná.
Na arquibancada, Corinthians 0 X 100 Paraná. Mais especificamente, os 100 e poucos guerreiros valentes presentes na torcida paranista, que deram um exemplo de gigante paixão às cores vermelha, azul e branca, mesmo contra dezenas de milhares de torcedores do tal timão.
Resultado final: Corinthians que se forca e, se Deus quiser, Paraná na Série A ano que vem.
E para semPRe.
Valeu!
* Aproveitando a deixa do assunto Pacaembu, fica a dica para todos os brasileiros do mundo de uma visita mais do que obrigatória ao Museu do Futebol, localizado no mesmo sem número da Praça Charles Miller. Na real, eu ainda não tive tempo de visitar, mas um polaco amigo meu que foi disse que, entre outras maravilhas do esporte expostas no local, lá se encontra a maior de todas: uma bandeira do Paraná Clube do Brasil. Estando em São Paulo, não perca a chance de conferir e poder voltar cagando na cabeça daqueles outros dois times da cidade que eu me recuso a dizer o nome aqui porque pode ter criança lendo e daí já viu.
(Alexandre P.)