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Do valor do trabalho

Seg, 20/10/08
por rodrigo wieler |
categoria Divagações

Sem entrar na teoria da mais-valia apresentada ao mundo por Marx e Engels – até por achar que o socialismo deu tão certo quanto o movimento gótico dos idos dos eighty’s – queria hoje falar sobre o valor do trabalho para a sociedade como um todo. Não o valor matemático, financeiro. A importância, mesmo. Mais especificamente sobre o valor de respeitar nossos empregadores e o nosso trabalho.

Não preciso ressaltar a dificuldade que é trabalhar no Brasil. Em fevereiro desse ano, nossa taxa de desemprego era de 14,5%. Extremamente alto. Trabalhar no que você gosta, como no meu caso, é ainda mais difícil. Por um bom salário, como não é o meu caso, praticamente impossível.

Mesmo assim, temos lixeiros, garis, jardineiros, padeiros, motoboys, pizzaiolos e muitas outras profissões que normalmente não são “escolhidas”, exercendo seu trabalho com amor. Respeitando a sociedade. Respeitando seu empregador. Ganhando como dá o seu dinheirinho. Seguindo ao pé da letra o que diz a Bíblia Sagrada, em Gênesis 2:19: “No suor do rosto comerás o teu pão…”. Enquanto isso, temos pessoas com uma escolaridade igual ou mais baixa do que as citadas acima, ganhando um salário astronomicamente mais alto, por um único motivo. Apenas por serem jogadores de futebol, profissão tão valorizada e uma das rápidas e fáceis formas de escapar da pobreza que impera em nosso país.

Porém, diferente daquele lixeiro que, molhado no dia da chuva, empoeirado no dia seco, presta seu serviço à comunidade, certos jogadores não valorizam seu emprego. Diferente do motoboy que arrisca sua própria vida correndo de um lado para outro da cidade carregando documentos, certos jogadores não valorizam seu emprego. Diferente do pizzaiolo que precisou concluir o primeiro grau em algum supletivo para saber diferenciar kg de ml e para poder fazer o curso técnico em panificação, certos jogadores não valorizam seu emprego.

Ora, um jogador acabar com o seu físico em noitadas regadas a substâncias entorpecentes, bebidas alcoólicas e “mulheres de vida fácil”, é equivalente a um advogado não se atualizar constantemente sobre a Lei. É igual a um jornalista não sair por aí lendo sobre tudo, para estar sempre apto a escrever sobre tudo. Ou um professor de educação física não praticar atividade nenhuma e comer “porcaritos” a rodo, tornando-se um gordão sem mobilidade alguma. Para ficar num exemplo que eu conheço bem, é equivalente a um criativo publicitário parar de buscar engrandecimento em filmes, livros, músicas, artes plásticas e qualquer outra coisa que dê cultura, o motor da criatividade. É simplesmente isso: apodrecer seu instrumento principal de trabalho.

E rebato desde já quem me disser que não temos nada com a vida pessoal do jogador que está rendendo em campo. Temos sim. Está rendendo? Poderia render mais. Não está rendendo? Aí é que temos ainda mais a ver com isso. Disse Adam Smith, um dos principais teóricos do capitalismo: “a riqueza de uma nação depende essencialmente da produtividade do trabalho”. Adapto à nossa realidade futebolística: o sucesso de um clube depende essencialmente da produtividade dos jogadores.

Boleiro tem direito de diversão quando em folga, sim. Diversão. Não passar dos limites. Não acabar com seu corpo, seu instrumento principal de trabalho. Não pisar em nossas cores e nem cuspir no nosso hino. Há entre nós quem não respeita a “empresa” para a qual trabalha (o Paraná Clube), nem seus empregadores, isto é: nós. A nação paranista.

Poderia concluir com um pensamento otimista de Voltaire: “Amanhã tudo será melhor”. Será? Acho que o amanhã só será melhor se extirparmos do nosso meio esses cancros que não respeitam nossa bandeira, nossa camisa, nosso escudo e nosso amor.

P.S.:Obrigado pela idéia do texto, mano.

Changes

Qui, 16/10/08
por rodrigo wieler |
categoria Divagações

Ontem à noite assisti, “ao mesmo tempo”, o jogo da Seleção e o último debate dos presidenciáveis americanos. Zapeava pra lá e pra cá, buscando fortes emoções. Não encontrei. No debate mais uma vez Obama engoliu McCain, justificando sua vantagem em todas as pesquisas. No jogo, o Brasil se bateu, se bateu e… Não passou de outro xôxo 0×0.

Por que contei isso? Porque enquanto assistia aos dois programas, minha cabeça voou, mais uma vez, para o Paraná Clube. Da insegurança ao descompromisso generalizado que presenciei, ao vivo, nas duas situações, fiz um paralelo com a situação paranista.

Na década de 90, não tinha pra ninguém: Paraná Clube, Estados Unidos e Seleção Brasileira faziam todos tremerem. Enquanto Bill Clinton fez até Yasser Arafat apertar a mão de Yitzhak Rabin na Casa Branca, a Seleção Brasileira (nos EUA, por coincidência), levantou a Copa pela quarta vez, enquanto o Paraná, recém-nascido, era o único representante paranaense na elite do futebol brasileiro e trilhava o pentacampeonato que impôs a todos os rivais.

Tempos de glória, de paz e de alegria. Que na roda da fortuna da vida, claro, sempre acabam. Ou, na melhor das hipóteses, mudam. Como diria o lendário Tupac Shakur, que Deus o tenha, “That’s just the way it is / Things’ll never be the same”. Para o Paraná e para a seleção Brasileira, 1998 foi determinante. Nesse ano o Paraná, penta, não foi hexa. E o Brasil não foi penta na França, em história mal-explicada até hoje.

O tratamento e o respeito mudariam. O Paraná, bicho-papão (Josias Lacour e seu “é o bicho, é o bicho, vou te devorar, Tricolor eu sou…” que o diga), deixou de ser temido, até mesmo pelos submissos melancias. Em 99, depois de perdermos a Copa Sul e o Paranaense, ambos em casa, derrubaram o Paraná naquela ridícula média. No ano seguinte George W. Bush chegou à Casa Branca numa situação obscura, parecida com aquela da média do Brasileirão: o episódio da recontagem dos votos da Flórida. E os Estados Unidos deixaram de ser temidos pelo mundo. Também dentro de casa, foram atacados em 2001.

Ciclicamente as coisas começaram a voltar ao normal. O Brasil de Ronaldinho-Cascão conquistou o mundo novamente. Os Estados Unidos bombardearam tudo e todos. E o Paraná, na raça e na bola, com Marquinhos, Fernandinho, Caio e Renaldo, conquistou a vaga na Sulamericana. Alguns anos depois, era o estado novamente. E depois, a Libertadores, no mesmo ano em que o Brasil voltou a cair diante da França.

Hoje, ninguém parece respeitar a Seleção Brasileira, os Estados Unidos e nem o Paraná Clube. A Seleção coleciona desgostos, empates contra times bem mais modestos, derrotas inexplicáveis e, no meio de todo o bolo, até derrota para a Venezuela tivemos de aturar. Os States tentam entender e explicar como, com a sua superioridade bélica e numérica, colhem um fracasso atrás do outro no Afeganistão e no Iraque.

E o Paraná? Desde a perda do título para o Paranavaí, seguida da queda para a Série B, dessa vez infelizmente no campo e na bola, também tentamos entender como fomos parar nessa. Com o orgulho ferido, tentamos, a todo custo, dar a volta por cima. Tudo bem. Esse ano não deu. Mas o amor não acabou. Pelo contrário: ele só cresceu. No ano que vem, como os Estados Unidos com seu novo presidente e o Brasil quando decidir jogar, voltaremos à hegemonia. Sabe por quê?

Porque mesmo a vida sendo cíclica, na mesma “Changes” citada acima, diz Tupac: “Some things will never change”. Como a grandeza tanto da Seleção Brasileira quanto dos Estados Unidos. E a força, o arrojo e a imponência do Paraná Clube.

Resultado das eleições (paranistas) 2008 – comentário do (quase) especialista

Ter, 07/10/08
por rodrigo wieler |

Como não encontrei nenhum cientista-futebolista-político para falar do resultado das eleições, vocês terão de se contentar com os meus comentários mesmo. Ah, podem fazer os seus, claro, rebatendo ou reafirmando o que eu escrevi.

Para o cargo de perna-de-pau do ano, a eleição não mostrou surpresa alguma, já que Massaro, execrado pela torcida na época do Paranaense, nunca conquistou a simpatia do eleitor. Seu índice de rejeição é extremamente alto, mesmo quando comparado com Joélson. O Mito, aliás, é uma espécie de Paulo Maluf: adorado por uns, odiado por outros, mas sempre presente. Os golzinhos que fez no primeiro semestre acabaram por derrotá-lo nessa eleição. Daniel Marques, se a eleição fosse no ano passado, poderia ter incomodado Massaro. Não foi o caso. E Cristian, para mim um dos poucos meio-campistas conscientes desse elenco, teve seus votos por aqueles que ainda remoem algumas partidas ruins do cara.

Quanto ao craque, ficou claro tudo o que Everton fez pelo Paraná nesse ano. Mas como Giuliano seguiu firme, sem abandonar o barco antes do tempo, o título ficou com nosso piá da Vila. Acredito que, num segundo turno com apenas os dois, a disputa seria voto a voto. Leonardo mudou o time e o astral do Paraná Clube em 2008. Mas suas declarações a respeito do Paraná em 2007, quando jogava pelo Flamengo, ainda retumbam na cabeça de alguns. O Mito sequer merece comentários.

Paulo Comelli, por sua vez, venceu a eleição de melhor treinador do ano no primeiro turno. A embalada que o Paraná deu nos últimos dias foi determinante para o resultado. Mesmo assim, Paulo Bonamigo, na visão do eleitorado, injustiçado pelo elenco que tinha, foi bem lembrado pela torcida. Saulo e Rogério Perrô também tiveram votos, mas devem ter sido escolhidos apenas por aqueles que se atrapalharam com a urna na hora de votar.

Porque na escolha do pior treinador do ano, ambos fariam um segundo turno eletrizante. Cada um com suas armas. Saulo com as indicações de Leonardo Dagostini, Massaro, seus resultados em casa no Paranaense, entre outros. Rogério Perrô com seu 2-8-0 e o início da série de 7 derrotas consecutivas na Série B. Mas até Bonamigo e Perrô não agradaram a todos e alguns eleitores queriam eles nesse cargo.

O gol do ano também decidiu a parada no primeiro turno. E é um gol que acontecerá no segundo turno. Da Série B. Resta ver se não é promessa de eleição, já que o povo confiou, certo? O Mito e seu gol de cabeça no meio-canil, em cruzamento de um Cristian recém-atingido por “bala perdida” e tudo, teve vários votos. Foi o gol que permitiu o primeiro “créu” em estádios paranaenses. Ou melhor: em meio-estádios. Alguns leitores também optaram por “gols-bálsamo”, que nos aliviaram durante essa caminhada na maldita Série B. O mais lembrado foi o de Pimpão, que primeiro faz Max do Vila Nova sentar no chão e, depois, deitar. Outro piá da Vila surgindo.

No destaque do ano, o eleitorado foi com algo real e concreto, que já existe e mexeu com o “Orgulho de ser Paranista”, fazendo-nos ter muito mais vontade de andar nas ruas com nossas cores e pintar a Vila de azul, vermelho e branco com nossos cachecóis. O acesso é promessa. Mas o povo está nessa, acreditando, e deu o seu voto para deixar o acesso bem perto do SemPRe. E “the last but not least”, o CFA, que ainda nos dará diversos Evertons, Giulianos e Pimpões.

Até o próximo pleito.

Ah, não esqueça de deixar a SUA impressão nos comentários. Porque aqui o povo (paranista) tem vez e voz.

Resultado das eleições (paranistas) 2008

Seg, 06/10/08
por rodrigo wieler |

Diferente das eleições aqui em nossa capital, disputa acirrada aqui nas eleições do blog de toda a galera paranista.

Com 100% dos votos computados, vamos aos números finais.

Perna-de-pau do ano:
00 – Massaro: 59,04%
51 – Joélson: 28,91%
12 – Daniel Marques: 9,6%
08 – Cristian: 2,40%
Outros votos:
Branco: 1,20%
Vavá: 1,20%

Craque do ano:
10 – Giuliano: 42,16%
11 – Everton: 33,73%
18 – Leonardo: 26,50%
51 – Joélson: 0%
Outros votos:
Branco: 1,20%

Melhor treinador do ano:
24 – Paulo Comelli: 54,21%
15 – Paulo Bonamigo: 36,14%
21 – Rogério Perrô: 3,61%
09 – Saulo de Freitas: 2,40%
Outros votos:
Branco: 1,20%

Pior treinador do ano:
09 – Saulo de Freitas: 44,58%
21 – Rogério Perro: 40,96%
15 – Paulo Bonamigo: 2,40%
24 – Paulo Comelli: 2,40%
Outros votos:
Branco: 3,61%
Nulo: 2,40%

Gol do ano:
89 – O gol contra o Santo André, na 38ª rodada, no estádio deles, que nos dará o acesso ainda em 2008: 51,81%
51 – Gol da vitória contra o Caparanaense, no Pet-shop, marcado por Joélson : 26,50%
17 – Segundo gol, contra o Vila Nova, no Serra Dourada, marcado por Rodrigo Pimpão: 13,25%
09 – Gol da primeira vitória na Série B, contra o ABC, na Vila, marcado por Fábio Luís: 2,40%
Outros votos:
Branco: 4,82%

Destaque do ano:
19 – SemPRe Paraná / SemPRe Torcedor: 48,19%
89 – Acesso à Série A, que ainda virá no final do ano: 33,73%
07 – Ninho da Gralha (CFA), em Quatro Barras: 16,87%
Outros votos:
A galera Tricolor: 3,61%
Branco: 3,61%
Gralha: 1,20%

Obrigado a todos os votantes. Obrigado a todos os que participaram da “festa da democracia” (paranista) 2008. E não perca! Amanhã, um comentário dos resultados com um especialista em ciência-futebolística-política.

Eleições (paranistas) 2008

Sex, 03/10/08
por rodrigo wieler |

vota BrasilDomingo é dia de votar para prefeito e vereador. Mas aqui no Verdadeira Alegria do Povo, a eleição, claro, é Tricolor.

Diferente das eleições oficiais, aqui no blog a eleição começa hoje e vai até domingo à 0h, quando as urnas serão fechadas e os votos computados.

Exerça a sua cidadania paranista. Vá às urnas, ou melhor, aos comentários, e vote agora mesmo. Não se esqueça: analise tudo o que o “candidato” fez para merecer a sua confiança. Lembre-se do passado de cada um e vote consciente!

A lista com os cargos e candidatos, com seus respectivos números, você vê abaixo.

Perna-de-pau do ano:
00 – Massaro
12 – Daniel Marques
08 – Cristian
51 – Joélson

Craque do ano:
10 – Giuliano
11 – Everton
18 – Leonardo
51 – Joélson

Melhor treinador do ano:
09 – Saulo de Freitas
15 – Paulo Bonamigo
21 – Rogério Perrô
24 – Paulo Comelli

Pior treinador do ano:
09 – Saulo de Freitas
15 – Paulo Bonamigo
21 – Rogério Perrô
24 – Paulo Comelli

Gol do ano:
51 – Gol da vitória contra o Caparanaense, no Pet-shop, marcado por Joélson
09 – Gol da primeira vitória na Série B, contra o ABC, na Vila, marcado por Fábio Luís
17 – Segundo gol, contra o Vila Nova, no Serra Dourada, marcado por Rodrigo Pimpão
89 – O gol contra o Santo André, na 38ª rodada, no estádio deles, que nos dará o acesso ainda em 2008.

Destaque do ano:
07 – Ninho da Gralha (CFA), em Quatro Barras
19 – SemPRe Paraná / SemPRe Torcedor
89 – Acesso à Série A, que ainda virá no final do ano

No Poodle-Xoxa de domingo deu Paraná Clube

Seg, 29/09/08
por rodrigo wieler |
categoria Divagações

O Paraná ganhou terça do América-RN. Ganhou sexta do Criciúma. Isso você já sabia. O que você não sabia é que nós ganhamos o “clássico” de ontem, também. Claro.

Paranaense e Azeitonas entraram em campo com objetivos distintos na tabela. O mandante da partida, ainda crente de que disputariam a Libertadores da América no ano do seu centenário. Iludidos, acharam que venceriam o “clássico” quando e como quisessem. Levaram sufoco e, não fosse a trave, teriam perdido para o rival canino dentro do próprio remendadão. Adeus, sonhos maiores no ano em que voltaram à elite. Acho que o centenário acabará comemorado na Sul-americana. Pensando bem, será que dá Sul-americana, pelo menos? Certo é que Libertadores já era. Não adianta: o último jogo de Libertadores que aconteceu no estado do Paraná foi na Vila Capanema. E continuará sendo.

O visitante do “clássico”, coitado. Precisava desesperadamente da vitória para se afastar da zona que virou freqüentador cada vez mais assíduo nos últimos anos. Falaram em camisa, em força, em raça, em superação e, no final, saíram do pinga-mijo comemorando o pontinho que conseguiram com as calças na mão. Ridículo. Aliás, os cãezinhos que se cuidem, a tabela não é nada favorável a eles.

De fora disso, rindo à toa mesmo nessa segunda-feira, só a torcida Gralha Azul. Única torcida de verdade nessa capital, que não esmorece e não desiste. Torcida que vibra, que cobra, que comemora, que chora, mas nunca abandona. Torcida que é consciente das limitações do Clube e não se ilude como os simpatizantes melancias. Que nasceram assim, abraçados, unha-e-carne. E precisam um do outro para continuarem vivendo. Juntos, naufragaram novamente.

No Poodle-Xoxa de ontem, o vencedor, por nocaute, foi o Paraná Clube.

Como virei técnico do Paraná

Sex, 12/09/08
por rodrigo wieler |
categoria Divagações

CM08Descobri o Championship Manager 2008. Puta joguinho bom. É verdade que já jogo CM desde a versão 3, lá em 1998. Cheguei até a experimentar outras versões, mas invariavelmente retornava ao CM 01/02, com as devidas atualizações anuais. Mas o CM 08 me conquistou. Larguei completamente o velho para assumir o comando do Paraná Clube dessa versão.

Para quem não está entendo nada, explico: Championship Manager é um daqueles jogos em que você assume o papel de “manager” de um clube de futebol. Basicamente, um Elifoot melhorado. Esse “gerente” nunca foi popular aqui no Brasil e anda meio em desuso lá no Velho Mundo, também.

Apesar disso, é bom imaginar uma gestão como a que o jogo sugere. Lá, no mundo utópico dos games, você é um cara que transita livremente entre o “board” da diretoria e os vestiários da equipe. Ou seja: é um técnico com diversos poderes dentro do clube. É você quem decide se o time vai no 4-4-2 ou no 3-5-2. Ou até num suicida 4-3-3.

É você também quem escolhe se o time entra em campo com uma postura agressiva ou defensiva, quem bate as faltas e escanteios e quando o Zé ou o Tião estão rendendo pouco e precisam deixar o campo. Entre os jogos, descobre também se eles estão contundidos, se precisam treinar mais a parte física, como sprints e musculação ou a parte técnica, como arremates a gol e cabeçadas. Você também escolhe se quer treinar a equipe júnior e o time “B”, algo como os nossos “aspirantes”, de antigamente. E na hora do jogo, meu amigo, é torcer. Afinal, não é você quem controla os caras. Escolheu um time muito ofensivo e está perdendo o clássico em casa por 2 a 0 no intervalo? Dançou. Escalou um cara com gripe e ele não está rendendo nada? Ba-bau uma substituição. É como um treinador de verdade: você está na beira do campo e só pode torcer para o que planejou anteriormente dar certo.

Então não tem como mudar as coisas ruins? Tem sim. A parte que eu descrevi acima é a de ser técnico. Mas suas atribuições dentro do clube vão mais longe. É você quem administra a grana dos salários e das contratações que o clube disponibiliza anualmente. E também é você o cara que aborda os boleiros para oferecer salários, contratos, bônus por gols ou “bichos” diferenciados. Assim, se sentiu falta de um meia-ofensivo nos amistosos que fez para treinar o time, lá vai você atrás de um. Os que jogam aqui no Brasil estão muito caros ou não querem deixar o clube em que estão? Sem problemas. Você, como bom manager, sabe que pode procurar pelos brasileiros jogando na Coréia, no Japão e até nas Arábias. Tem também os desempregados. Tipo o Pedrinho, ex-Vasco e Palmeiras, muito bom criador de jogadas. Entre tantos outros.

Perdeu um clássico em casa? Explique-se com a diretoria. Dispensou um jogador que gostava de jogar no clube e que a torcida apreciava? Explique-se com eles. Torrou toda a verba anual e mesmo assim ficou na zona do agrião, sem sequer se classificar para a Sulamericana? Adeus, emprego.

E assim, procurando zagueiros e meias, tentando seduzir Ricardinho para voltar ao Tricolor no término do seu contrato com o Besiktas, punindo os expulsos infantilmente durante os jogos com uma ou duas semanas a menos de salário e administrando a grana do Paraná, passam-se as minhas madrugadas atuais…

P.S.: Para os que já conhecem a “franquia”, essa versão infelizmente ainda não tem tradução. Mas nada que atrapalhe. Eu estou jogando em inglês sem problema algum.

Flash-forward

Qui, 11/09/08
por rodrigo wieler |
categoria Divagações

Parafraseando e adaptando a Wikipédia, “flash-forward” é a interrupção de uma seqüência cronológica narrativa pela interpolação de eventos ocorridos posteriormente. É uma forma de apresentar ao leitor/espectador do livro/filme/série instantes futuros ao que está se passando exatamente naquele momento.

E como 2008 definitivamente não está dos melhores, vamos dar um pulo em 2009. Ou melhor: no Campeonato Paranaense de 2009.

Sei que muitos, como eu, nos últimos anos torcem o nariz para o Paranaense. Principalmente pela sua importância em termos nacionais. Mas, inegavelmente, após fazer um péssimo regional, foi depois de conquistar o Paranaense-08 que o Xoxa embalou para o razoável Brasileirão que fazem. Outro exemplo? Em 2006, nossa arrancada para a primeira de muitas Libertadores que disputaremos na vida nasceu com a taça erguida por Beto.

A fórmula apresentada pelo clubes à FPF é interessante. Em 22 datas matamos o campeonato. Uma primeira fase com 16 clubes se enfrentando em turno único. Classificam-se os 8 primeiros, que, com os pontos zerados, jogam a segunda fase também em turno único. Simples assim.

A vantagem para quem ficar na frente, já que os pontos serão zerados? A volta dos famosos “pontos de bonificação”. O primeiro e o segundo colocados na primeira fase iniciam a segunda com 2 e 1 pontos, respectivamente.

Isso me faz lembrar lá da década de 90 e do Penta. Mas nem falarei disso, senão não seria flash-forward. Seria flashback…

E você, o que acha do Paranaense e da fórmula?

Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, rogai por nós

Sex, 05/09/08
por rodrigo wieler |
categoria Divagações

AraucariasUma linda lenda, originária dos primeiros moradores de Curitiba, que nem Curitiba ainda era, conta que a primeira capela erguida em homenagem à Nossa Senhora da Luz era às margens do rio Atuba, no vilarinho dos Cortes, acampamento de sertanistas caçadores de ouro.

Ao longo do tempo, os moradores da região repararam que o olhar da estátua seguidamente voltava-se para os campos na direção do poente, os quais eram chamados pelos tupis de “Curitiba” (muito pinhão).

Porém, essa região era dominada pelos caingangues, índios ciumentos dos frutos e dos bosques de “fuong” (pinheiro). Mesmo assim, Nossa Senhora insistia em mirá-la. Todas as manhãs aparecia com os olhos luminosos voltados para lá.

Foi essa insistência que fez os sertanejos do Atuba se embrenharem pelo que depois seria o Bairro Alto, penetrar os pinheirais dos futuros Ahú, Bacacheri e Juvevê. Foi então que surgiram na planície dominada pelos caingangues, prontos para a peleja.

Nossa Senhora, lá no Atuba, sorriu. Sorriu por que não houve guerra. E sim, o arremesso dos arcos caingangues ao chão, em sinal de paz. Do chefe índio partiu o acolhedor chamado “Ha kantin!” (Vinde!). A cuia de mate, símbolo máximo da hospitalidade, foi oferecida ao chefe caingangue. E depois passou por todos os guerreiros brancos.

Em seguida, Arakxó (gralha branca), antepassado da dinastia dos arakxós que outrora mandavam na nação, trajando o manto branco comum entre os guerreiros da sua raça e ornamentado com o cocar multicor de sua suprema autoridade, fincou o inseparável bastão dos caingangues no chão e exclamou: “Tá! Tati kéva!” (Aqui! Aqui é o lugar!), indicando ali o local em que os brancos deveriam construir o centro do seu povoado

Conta ainda a lenda que, ao enfiá-la no solo, o chefe índio voltou-se para o seu povo e ordenou: “Kuri tin!” (Prontos para a marcha!). E em seguida, deu o comando: “Muna!” (Vamos!). Lentamente, todos os caingangues seguiram rumo às florestas do ocidente, deixando os brancos no que hoje é o centro da nossa linda, moderna e modelo pra o país inteiro, Curitiba.

Ousadia. Que cidade existiria sem a ousadia dos sertanejos, que, graças aos apelos de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, embrenharam-se pelos pinheirais em busca de seu objetivo?

Ousadia, que bela lição.

Verdade ou ficção, o passado ensina como agir. Até mesmo no futebol.

Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, padroeira de Curitiba, nesse 8 de setembro, rogai por nós. Mostra-nos o caminho, assim como mostraste para os intrépidos sertanejos. Mas antes de tudo, nos anos vindouros dai mais ousadia aos nossos comandantes.

Amém!

(História adaptada do livro “Estórias e Lendas de São Paulo, Santa Catarina e Paraná”, dos organizadores Alceu Maynard Araújo e Vasco José Taborda)

18 de agosto de 2008: um dia histórico no Paraná Clube

Ter, 19/08/08
por rodrigo wieler |
categoria Divagações

O protesto foi um sucesso. Mais de mil torcedores estiveram concentrados na sede da Kennedy ontem à noite. Parabéns a todos nós, que mostramos a todos que somos guerreiros valentes e fruto de luta e união. Protestamos de maneira sábia, inteligente e, acima de tudo, civilizada. Parabéns a todos os presentes e a todos aqueles que não puderam estar lá de corpo, mas estiveram com a alma e o coração.

Parabéns a todos que, da sua forma, bradaram ao mundo: O PARANÁ CLUBE É MUITO MAIOR DO QUE TUDO ISSO QUE ESTÁ ACONTECENDO!

Segue a lista de objetivos entregue pelo Sérgio Bello nas mãos do nosso presidente Aurival Correia:

1) Montar uma comissão de torcedores que tenham acesso a todas as reuniões de diretoria e do conselho deliberativo do clube, para desta forma manter a torcida sempre informada sobre tudo que foi e que será feito dentro do clube. Lembrando que o clube pertence a sua torcida e não a meia dúzia de pessoas que estão no poder.

2) A diretoria será obrigada a prestar contas de agora em diante, a esta comissão de torcedores, de qualquer transação financeira feita pelo clube. E esta comissão ficará encarregada de repassar as informações em veículos de imprensa ou em comunidades paranistas da internet.

3) Prestação de contas por parte da diretoria atual, do percentual que pertencem ao Paraná Clube, de cada jogador formado na nossa base e pra quem foi vendido cada pedaço dos jogadores. Sempre chega na imprensa quando estão sendo negociados os últimos 10, 15%. Queremos saber quando e porque são negociados os primeiros percentuais de cada atleta formado em nossa base.

4) Mudar o estatuto do clube e dar amplos poderes para o futebol em relação ao clube social, que a partir de hoje deve ser apenas um complemento do time de futebol.

5) Dar direito a voto nas eleições presidenciais e para o conselho do clube aos sócios-torcedores, modalidade criada a poucos meses, mas que é formada em sua totalidade por paranistas.

6) Listar todos os conselheiros do clube, e saber de um por um, qual time ele torce. Se o conselheiro do clube não for torcedor do Paraná Clube, expulsá-lo imediatamente.

E daqui pra frente será assim: dia 18 de agosto é dia de semPRe nos reunirmos para fazer um balanço, protestar, cobrar ou comemorar. Dia 18 de agosto fica para semPRe em nossos corações como O DIA DA TORCIDA PARANISTA!!!


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