Do valor do trabalho
Sem entrar na teoria da mais-valia apresentada ao mundo por Marx e Engels – até por achar que o socialismo deu tão certo quanto o movimento gótico dos idos dos eighty’s – queria hoje falar sobre o valor do trabalho para a sociedade como um todo. Não o valor matemático, financeiro. A importância, mesmo. Mais especificamente sobre o valor de respeitar nossos empregadores e o nosso trabalho.
Não preciso ressaltar a dificuldade que é trabalhar no Brasil. Em fevereiro desse ano, nossa taxa de desemprego era de 14,5%. Extremamente alto. Trabalhar no que você gosta, como no meu caso, é ainda mais difícil. Por um bom salário, como não é o meu caso, praticamente impossível.
Mesmo assim, temos lixeiros, garis, jardineiros, padeiros, motoboys, pizzaiolos e muitas outras profissões que normalmente não são “escolhidas”, exercendo seu trabalho com amor. Respeitando a sociedade. Respeitando seu empregador. Ganhando como dá o seu dinheirinho. Seguindo ao pé da letra o que diz a Bíblia Sagrada, em Gênesis 2:19: “No suor do rosto comerás o teu pão…”. Enquanto isso, temos pessoas com uma escolaridade igual ou mais baixa do que as citadas acima, ganhando um salário astronomicamente mais alto, por um único motivo. Apenas por serem jogadores de futebol, profissão tão valorizada e uma das rápidas e fáceis formas de escapar da pobreza que impera em nosso país.
Porém, diferente daquele lixeiro que, molhado no dia da chuva, empoeirado no dia seco, presta seu serviço à comunidade, certos jogadores não valorizam seu emprego. Diferente do motoboy que arrisca sua própria vida correndo de um lado para outro da cidade carregando documentos, certos jogadores não valorizam seu emprego. Diferente do pizzaiolo que precisou concluir o primeiro grau em algum supletivo para saber diferenciar kg de ml e para poder fazer o curso técnico em panificação, certos jogadores não valorizam seu emprego.
Ora, um jogador acabar com o seu físico em noitadas regadas a substâncias entorpecentes, bebidas alcoólicas e “mulheres de vida fácil”, é equivalente a um advogado não se atualizar constantemente sobre a Lei. É igual a um jornalista não sair por aí lendo sobre tudo, para estar sempre apto a escrever sobre tudo. Ou um professor de educação física não praticar atividade nenhuma e comer “porcaritos” a rodo, tornando-se um gordão sem mobilidade alguma. Para ficar num exemplo que eu conheço bem, é equivalente a um criativo publicitário parar de buscar engrandecimento em filmes, livros, músicas, artes plásticas e qualquer outra coisa que dê cultura, o motor da criatividade. É simplesmente isso: apodrecer seu instrumento principal de trabalho.
E rebato desde já quem me disser que não temos nada com a vida pessoal do jogador que está rendendo em campo. Temos sim. Está rendendo? Poderia render mais. Não está rendendo? Aí é que temos ainda mais a ver com isso. Disse Adam Smith, um dos principais teóricos do capitalismo: “a riqueza de uma nação depende essencialmente da produtividade do trabalho”. Adapto à nossa realidade futebolística: o sucesso de um clube depende essencialmente da produtividade dos jogadores.
Boleiro tem direito de diversão quando em folga, sim. Diversão. Não passar dos limites. Não acabar com seu corpo, seu instrumento principal de trabalho. Não pisar em nossas cores e nem cuspir no nosso hino. Há entre nós quem não respeita a “empresa” para a qual trabalha (o Paraná Clube), nem seus empregadores, isto é: nós. A nação paranista.
Poderia concluir com um pensamento otimista de Voltaire: “Amanhã tudo será melhor”. Será? Acho que o amanhã só será melhor se extirparmos do nosso meio esses cancros que não respeitam nossa bandeira, nossa camisa, nosso escudo e nosso amor.
P.S.:Obrigado pela idéia do texto, mano.
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Domingo é dia de votar para prefeito e vereador. Mas aqui no Verdadeira Alegria do Povo, a eleição, claro, é Tricolor.
Descobri o Championship Manager 2008. Puta joguinho bom. É verdade que já jogo CM desde a versão 3, lá em 1998. Cheguei até a experimentar outras versões, mas invariavelmente retornava ao CM 01/02, com as devidas atualizações anuais. Mas o CM 08 me conquistou. Larguei completamente o velho para assumir o comando do Paraná Clube dessa versão.
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