No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
(Carlos Drummond de Andrade)
Tudo bem comigo. Mesmo com toda a torcida contrária de Coxinhas, Poodles e até vermes menos potentes como hawaiianos e americanos, demonstrada nos comentários ridículos que deletei, tudo bem comigo. Se Zagallo já dizia que teríamos de engoli-lo, o mesmo digo a todos que me odeiam e torcem contra. Vão ter que continuar me agüentando, falando verdades e tirando com a cara de Xoxas-ex-Segundona-iludidos e cachorrinhos-de-madame-do-meio-canil-futuramente-Segundona.
Bem como vão ter que continuar agüentando o Tricolor da Vila. Previram nosso fim, nossa extinção, Terceirona e o escambau. Depois dessas duas belas e consagradoras vitórias em casa, tenho convicção ainda mais forte naquilo que já cria: não cairemos. E digo mais: se a reação tivesse começado apenas algumas rodadas antes, ainda dava para subir.
Pois bem, tinham umas pedras no meio do meu caminho e no meio do caminho do Paraná. Eu já estou livre das minhas. Algumas dificuldades para me locomover e para realizar movimentos que exigem os músculos abdominais, mas já estou, como dizem por aí, “PRonto PRa outra”. A todos os que torceram por mim, muito obrigado. Valeu mesmo! Essa é nossa diferença para o resto do mundo: somos uma grande família. Uma família de guerreriros valentes, fruto de luta e união. A cirurgia na quinta-feira foi rápida e ontem na hora do almoço eu já recebera alta. Aliás, se o jogo fosse hoje, eu estaria na Vila. Mesmo com tudo o que aconteceu, se não fossem pelos familiares, que praticamente me amarram em casa, eu tinha ido pra Vila ontem. Tive que me contentar em ver pelo PFC.
E o que vi encheu meus olhos. O Paraná também vai se livrando das pedras do seu caminho pouco a pouco. Primeiro a postura do time, que foi muito diferente do jogo contra o América. Fomos para cima desde o início, mostramos raça, pegada e abrimos o placar em um gol de Ricardinho corretamente anulado pela arbitragem. Pela TV ficou fácil de ver que ele realmente matou no braço antes de fuzilar. Minutos depois, o próprio Ricardinho marcou um puta golaço e transformou nosso domínio em números.
Era bom demais e parecia fácil. Mas com o Paraná nunca pode ser fácil. Em nova besteira de Mauro, tomamos o gol de empate de bola parada. Parecia que o Paraná iria complicar outra partida fácil. Afinal, durante o primeiro tempo inteiro, nunca deixamos de ter o domínio do jogo, mas pecávamos em excesso na frente. Tivemos mais um gol, de Kleber, corretamente anulado e não conseguimos tirar o empate do placar.
Graças a Deus, no segundo tempo o gol veio logo. Outro golaço do piá da Vila Giuliano desnorteou o Criciúma. Depois da expulsão do cara deles, foi questão de segundos marcarmos o terceiro pra ficar bonito no placar: três lá na casa deles, três aqui em Curitiba.
Não sei se eu poderia chamar de “show de bola” do Paraná, mas fato é que, no segundo turno, a única equipe 100% em casa somos nós. E vitória feia ou bonita, não importa. Importa tirarmos nossas pedras da frente e alcançarmos nossos objetivos.
Pensando bem, o título do texto de hoje poderia até ser outro. Poderia ser “Tinham umas pedras no meio do caminho, mas o Rodrigo e o Paraná já superaram”.