Acho que nós somos frouxos. Não, porque lendo no blog do famoso Marcelo Tas que hoje é dia de passeatas “#forasarney” pelo Brasil afora, fiquei surpreso em constatar que Curitiba não é uma das 13 cidades que organizaram manifestações.
Surpreso, na verdade, é modo de dizer. Curitiba é uma cidade que, no primeiro turno das eleições nacionais do abençoado ano de 1989, destoando de todo o país que deu maioria de votos a Collor e Lula, foi a única capital que teve entre os primeiros dois mais votados Collor e o empresário Guilherme Afif Domingos, deixando Lula em terceiro. E deve ser normal a nós, mesmo. Porque se eu, então com 7 anos já pudesse votar, também não teria escolhido Lula, como não escolho até hoje.
Mas independente de doutrina, ideologia ou religião, o assunto aqui não é esse. O assunto é o Paraná Clube, que nos une a todos independentemente de opção política, raça, classe social ou credo, na alegria e na tristeza, na saúde ou na doença, na Libertadores ou na Série B.
E é nesse quesito que somos frouxos, como eu comecei o aqui exposto - se você tiver a bondade de retornar até a primeira linha desse texto, verificará. Meu caro Tricolor, minha prezada Paranista: o que nós fizemos para merecer o que estamos passando, hein?
A sua resposta, provavelmente, será: nada. Não saímos por aí falando mal do time. Não deixamos de consumir produtos, não deixamos de ir ao estádio. Ué… Estávamos na Libertadores, é claro que estávamos felizes. Talvez movidos por isso mesmo, apoiamos irremediavelmente e empedernidamente até o fim, até o último suspiro da Série A.
Consideramos normal termos perdido o Paranaense de 2008, já que o time ainda se formava, e também termos sido desclassificados da Copa do Brasil no confronto contra Wagner Tardelli, algo que fugia ao nosso controle. O foco era voltar à elite no Brasileiro. Todos pensávamos assim e achávamos que a diretoria também pensasse. Mas… A qualquer presente na Terra durante o ano passado, não preciso relembrar a “ótima” Série B que fizemos.
Resolvemos manter o “especialista em Série B” Paulo Comelli, como se o nosso objetivo fosse fazer uma boa Série B, não subir para a Série A. E veio 2009, ainda em dezembro do ano passado. Os nomes não nos diziam nada, mas ao menos nos faziam pensar que a diretoria se mexia para construir um elenco forte. Também não preciso relembrar o que fizeram com nossos corações Edu Silva, Lenílson, Abuda e cia. ltda.
Tudo bem - pensávamos nós, mesmo sabendo que esse tipo de coisa não costuma dar certo - um novo time para o Brasileiro vem aí. Só que o novo time também é ruim. Ou, pelo menos, deficiente em vários âmbitos. Especialistas em nos enrolar, eles limparam o pó daquelas velhas desculpas que já conhecemos “de cor e salteado”. Primeiro era o elenco que ainda estava em formação, ou seja: várias peças ainda supririam nossas necessidades. Depois era a falta de entrosamento. Depois era o azar, de “ter feito tudo certinho, ter dominado a partida toda, mas, infelizmente, a bola não ter entrado”. E continuam… Só não admitem que o time é carente, que não há identificação e nem compromisso, que a “parceria” escala o time, que o técnico é apenas um fantoche. Isso ninguém fala.
Será que ninguém aprendeu com os erros? 2007 já bastaria. Afinal, que outro time no mundo vocês conhecem que sai da Libertadores para a Série B? E disputa a Série B com a corda no pescoço para não cair para a Série C? 74 jogadores em uma temporada? Esse foi o numero de cabeças-de-bagre que vestiram nossa camisa em 2008. Pensa que mudou? Mudou nada. Em 2009 já são mais de 40 jogadores. É, realmente, ninguém aprendeu com os erros.
Mas, pelo jeito nós também não aprendemos. Sim, porque Sarney está de volta lá, né? Porque reelegemos um cara como o Lula, né? E somos nós também que continuamos acreditando em promessinhas do tipo “o grupo se fechou para vencer a Portuguesa” e coisas absurdas do tipo… Quer dizer que antes o grupo não estava fechado, então? Quer dizer que entraram no campeonato só pra brincar e agora decidiram jogar? Ah, vá…
Olha, a situação é emergencial, meu nobre amigo, minha distinta senhorita. É desesperadora. Afinal, para não perdermos mais um ano, precisamos de novo de um time. Não se enganem: não temos. E daí precisaremos de mais quantos “cabras”? 15? 20? E dá-lhe pagar salários para quem não vai jogar. E dá-lhe pagar multas rescisórias. E dá-lhe mais um ano de Série B.
E tem otários que pensam que a culpa é de não termos um sócio-torcedor agressivo. Pois eu afirmo, povo paranista, rindo para não chorar, construindo uma piléria para manter vivo o amor: o nosso sócio-torcedor é o mais agressivo do Brasil: com ele você paga a mensalidade e apanha durante 90 minutos sem parar.
Não tem mais solução. A solução, como no caso de José Sarney, é a que todo mundo já viu, só não fizeram ainda: é fazer essa galera “picar a mula”. Não deu certo com eles. Continua não dando. Vamos insistir? Pense nisso na hora de pedir melhoras.
E vamos começar a planejar 2010, porque 2009, triste porém verdade, a persistir desse mesmo jeito, já está condenado agora, na primeira semana de julho.
Se consola, nos meus planos para 2010 não existe mais essa diretoria no poder… Para usar outro bordão político que virou clichê, “yes, we can”. E aí? Seremos frouxos novamente?
P.S.: Mudando de um assunto nojento para um de extrema alegria, você que quer a camisa retrô já deu uma olhadinha no sempreparana.com.br? Vai lá para ler sobre a venda.