Bem fratelli, encerrando o ano, vamos fazendo nossas avaliações. Pra termos um apanhado geral de quem fez o quê no time (mais especificamente no Brasileirão), trazemos aqui um resumo de avaliação dos principais jogadores que atuaram no Palmeiras. É pra ser lido com calma, já que pela quantidade de jogadores ficou extenso. Mas pelo menos temos um panorama geral… vamos lá. Que fiquem os bons, saiam os ruins e cheguem uns melhores.
Diego Cavallieri - um dos que mais se valorizou. Honrou nossa tradição no gol, com bom posicionamento, boas saídas, rápido em reflexos e por vezes nos garantiu o resultado. Algumas falhas isoladas por um atraso ou outro, mas na maioria das vezes acabava vendido pela defesa, que falhava muito. Já tem potencial de mercado, sendo um dos 4 melhores do time. Enquanto o Marcão não voltar, é titular. E ainda pode render um bom caixa sem nos comprometer.
Paulo Sérgio - esforçado, mas complicou um pouco a lateral. Às vezes, por vontade de atacar deixava o setor desguarnecido. Sofreu do mal da lateral, que ficava isolada boa parte do tempo (até o Valdívia dar uma ajuda alí). Não vingou.
Wendel - aplicado taticamente, acabou “herdando” a LD do Paulo Sérgio, com subidas mais incisivas pelo setor, sem deixar tanto a lateral exposta. Mas também não adiantou muito, já que a LD foi um dos nossos piores setores. Apesar do esforço, uma única jogada parece ser tentada ad nauseum, que é a esticada de bola pro chuveirinho. Ele toca, estica na corrida e cruza. Mas nessa cruza lá de longe, torto e descompensado. Uma ou outra vez funcionou. Mas só contra defesas muito toscas. O pior é que se a atuação não rendeu muito na LD, também deixou a desejar como 2º volante (posição de origem), pois sempre o fez em situações de desfalque ou no esquema com 3 volantes…
Edmílson - víamos seu eforço, quando partia desesperado atrás do atacantes… mas o pior eram as faltas de 40 mts. de distância. Madonna…
Nem - jogava bem, mas depois decaiu. Aliás, o Palmeiras é pródigo nessas coisas… o cara começa bem depois murcha. Tomara que se recupere bem da contusão.
Dininho - começou o campeonato irregular, mas depois ganhou a posição. Com os problemas com o Nem, a inabiladade do Edmílson e a ausência do David, fechou a dupla com o Gustavo. Bom, “fechou” é modo de falar, porque se em alguns momentos a defesa esboçou alguma solidez, ficou mais no esboço. O Dininho é bem atento, mas vítima ou não do esquema, acabou fazendo muitas faltas (comprometedoras).
Gustavo - chegou e ganhou a vaga na defesa, com boa técnica, bem na bola aérea e no posicionamento. Nas últimas rodadas deu uma caída, partindo afobado em algumas jogadas, deixando a defesa desguarnecida. Se não foi dos melhores, ainda pode ser titular ano que vem.
David - uma incógnita. Começou a temporada muito bem, enchendo os olhos com um posicionamento impecável e desarmes incríveis. Depois foi à seleção e quando voltou foi pro banco (e olhe lá). Ficou como substituto do Gustavo e quando entrou fez umas lambanças terríveis. Ainda assim é considerado um valioso “prata da casa”, e se for bem trabalhado (dependerá de quem for o técnico), pode compor a defesa. Um Paulistinha pode vir a calhar pra resgatar-lhe a confiança.
Leandro - começou como unanimidade negativa. Perdeu espaço pro Valmir, que subiu nos tamancos, tombou e devolveu-lhe a posição, a qual ocupou com mais qualidade. Tem atitude, mas cai muito no 2º tempo (físico), e por vezes nossa lateral ficou uma “avenida” por alí. Atacado por um um ponta veloz, abraço. Linha de fundo no ataque, quase impossível… realmente nossas laterais não ajudaram muito esse ano.
Valmir - tem um excelente potencial, desde que se alimente melhor (depois dos tombos hipoglicêmicos em pleno jogo recebeu mais atenção nutricional). Mas é muito infantil taticamente. Não é lateral, já que defende com dificuldade. Tem uma bela jogada de velocidade no ataque, mas nada muito além. Toca na corrida e parece querer entrar no gol com a bola e tudo. Precisa aprender muito ainda… e muita humildade.
Pierre - quem mais garante a defesa. Legítimo 1º volante, pegador sério e raçudo. O único problema é que as vezes se exacerba um pouco na marcação (vício de 1º volante), levando cartões que nos prejudicaram muito… mesmo assim, ainda é dos 4 que mais jogou na equipe. Deve continuar como titular.
Martinez - um dos grandes debates entre a torcida. A maioria não sabe porque ele está alí, alguns acham que ele transmite segurança… mas uma coisa é unânime: todos acham que ele deveria atacar mais, já que fez boas jogadas ao apoiar, mas carecia em velocidade na defesa. Faz bons desarmes, já que se posiciona bem, mas se não ficasse tanto nos passes laterais traria um pouco da ofensividade que tanta falta nos fez.
Makelelê - começou com tudo, cometeu alguns erros por precipitação, perdeu espaço, depois reconquistou e continuou com a mesma vontade. Só que vontade apenas não ganha jogo. Ele se lança bem ao ataque pela direita, mas sempre faltou-lhe a finalização, ou mesmo quem trabalhasse com ele por alí. É daqueles que, melhor orientado, pode evoluir bastante.
Francis - jogou pouco, não comprometeu muito, mas é, no máximo, um reserva esforçado do Pierre.
Caio - tem habilidade, só precisa de foco ou um meio que o apóie. Pode não ser daqueles que “chama a responsa” da partida, mas domina a bola com habilidade, tem boas jogadas e se tiver outro meia que o acompanhe, pode render bastante. O problema é que ainda peca pela irrregularidade. Ao lado do Mago teve suas melhores atuações e ainda que não continue como titular, ainda pode mostrar mais
Deyvid - mais “ligeiro” que Caio, não tem tanta habilidade. Foi um desastre na última partida, justamente quando precisávamos de uma boa participação, mas um jogador não pode ser avaliado apenas por um jogo. Ainda assim não deixou muita lembrança… um esforço aqui, outro ali, mas nenhuma habilidade que justificasse vestir o manto sagrado. Reserva e olhe lá.
William - pelo nosso carinho, ainda esperamos mais. Mas não veio bem não. Ficou capenga ali pela esquerda, isolando-se de uma forma prejudicial. Talvez se buscar mais o jogo pelo meio, distribuindo e “ciscando” mais, volte a encontrar o espaço. Ainda tem o que mostrar…
Valdívia - “o cara” da equipe. Amigo, solidário, ajuda a marcar, esforçado, ofensivo, com jogadas inovadoras (quem se esqueçe o chute no vácuo?), ótimas assistências, ótima finalização, encara a marcação sem medo e de tanto fazê-lo, levou porrada a torto e à direita. De tanto ser caçado virou alvo da arbitragem, que via alí um exagero. Poderia até ser, ainda mais na medida que ele percebia que “cavar a falta” seria a melhor alternativa, já que ao partir pra jogada muitas vezes ninguém (do nosso time) lhe acompanhava. Mas era caçado mesmo.
Só lhe faltou um pouco mais de sangue frio, pois latino como é, cansou-se dessa perseguição… a dor de consciência por saber que sua ausência foi o principal fator de insucesso da equipe lhe trouxe ainda mais identificação com o clube. Por tudo o que fez e o que lhe fizeram, já virou referência pra torcida. Nossa 10 nato.
Edmundo - craque é craque e nunca será de sê-lo. Mas quando mais precisamos, não tivemos nada. De pênalti perdido à pití em treino, o Animal poderia ter tido um Gran Finale no Palestra, mas quis o destino, ou a natureza, que não fosse assim. Talvez não haja mais espaço pro “futebol romântico”, pelo menos aquele que espera a bola no pé. Ninguém mais deve se garantir pelo nome. Em suma. Obrigado Ed, grazie per tutti… arriverederci.
Luís Henrique - aplicado, mas incrivelmente improdutivo para um atacante. Puxa bem a marcação, mas precisa também chegar pra concluir, coisa que quando fez, fez mal. Dificilmente fica, já que o ataque é das posições que mais deixamos a desejar.
Rodrigão - começou horrendo, mas depois ganhou a posição. Tem faro de gol e é oportunista, mas joga mais pra si do que pro time (como se os outros também não o fizessem). Fez um dos gols mais bonitos do time na competição (bicicleta), mas na hora de converter um mais simples e importante, necas. E depois ainda sai chorando… de lágrimas o palmeirense é escolado. Outro que… grazie!
Max - esforçado, chegou a ganhar a posição, mas teve uma ou duas apresentações ruins e perdeu espaço. Mas é valente, encara a marcação sem medo e chega pra concluir. Talvez, com uma boa orientação (e outro “dupla” mais habilidoso), possa render mais.
Luís - ninguém o conhecia e quando entrou, pra espanto de todos, surpreendeu. É daqueles atacantes caneludos, que compensa a técnica com vontade e ousadia, que muitas vezes é premiada com um gol. Talismã, ainda pode frequentar a reserva ano que vem.
Caio Jr. - pra não perder muito tempo com águas passadas: fez bem em ganhar o elenco na base do “todos terão oportunidade”. Mas nessa não trouxe padrão tático, tampouco conseguiu fixar o time titular. O time não voltava melhor do vestiário e suas substituições também não surtiam efeito (quando não contra nós mesmos). Mostrou que amizade e confiança são importantes. Mas união deve ser conquistada na base do profissionalismo e eficiência.
Diretoria - aquela coisa, melhor do que o que estava ficou. Mas não era muito difícil. Cumpriram bem a função de se equilibrar na corda bamba da pindaíba financeira, mas devem ter ajustado o caixa pra 2008. Mas sua verdadeira competência será avaliada agora, na qualidade do parceiro/patrocinador que trouxer para a equipe. Agora é hora de mostrar que o “arcaico” finalmente ficou pra trás e o futuro será mais verde…