Aloha Amigos,
Outro dia eu recebi uma foto por email do meu amigo Marcos Souza, que é uma verdadeira relíquia para as memórias do surf brasileiro, principalmente, para o surf carioca. Uma página da revista “O CRUZEIRO “, em 18 de janeiro de 1964, mostrava a Praia da Macumba no período em que suas ondas eram pouco exploradas e apenas a primeira tribo do surf nacional é que cruzava a cidade para surfar lá.
Eu fico muito saudoso dessa época do berço do surf brasileiro, pois logo após esse período, eu comecei a surfar e explorar os picos do recreio também.
Nossos pioneiros foram os mergulhadores da caça-submarina, no fim da década de 50, eles surfavam de madeirites no Arpoador quando as ondas apareciam e o mar não apresentava boas condições para o mergulho.
Fiquei surpreso com essa foto, pois reconheci várias figuras que estão nesse registro, como o Walcyr, que foi um grande surfista e mergulhador, e também o Marcos Valle, que ao lado do seu irmão Paulo, se tornou um dos grandes nomes do movimento da Bossa Nova.
Outro nome que me venho a memória dessa época também é o do Roberto Fontes, o Betinho, que era amigo da família Valle e na minha concepção foi um dos melhores surfistas do Brasil. Quem teve o privilégio de assisti-lo surfando pode confirmar o que estou dizendo. Posso até mesmo comparar o surf dele com o australiano Wayne Lynche ou com nosso grande Nat Young.
Aproveito até mesmo para pedir para meus amigos que acompanham o Blog, caso alguém tenha o contato do Betinho atualmente, que me envie por email através do site (ricosurf@globo.com).
Esse registro é realmente incrível, basta você analisar a Macumba hoje em dia e comparar com o passado. Naquela época ninguém ia surfar nessa região, a Prainha e o Grumari nem faziam parte dos roteiros da tribo do surf, assim como a Barra e a Reserva, apenas o Canto do Recreio e a Macumba começavam a ser explorados por essa rapaziada. Era raro você encontrar surfistas nessas praias, quando acontecia era como se fosse um surfari, com uma galera reunida e um dia inteiro atrás das ondas.

É muito bom poder ter acesso a esse tipo de recordação e por isso, eu fiz questão de dividir isso com vocês. Relembrar essa galera reunida, tanto o pessoal das madeirites e do pranchão, a tribo do surf que respirava a mesma cultura, os mesmo pensamentos e objetivos, todos concentrados na zona sul carioca, isso chega a me arrepiar.
Acho que foi pensando em manter essas raízes, que há alguns anos, eu tive a visão de escolher a Praia da Macumba como o ponto de encontro oficial da tribo do pranchão, através da criação do Rico Point. Minha idéia sempre foi poder ter o Rico Point como o porto do longboard carioca, no pico que é o paraíso do pranchão na cidade maravilhosa. Acho que podemos considerar as ondas da Macumba, o Malibu do Rio de Janeiro.
É legal pensar como o surf evoluiu de lá para cá, antes só um grupo seleto tinha acesso às ondas desses picos que eram considerados distantes, a galera surfava apenas por paixão, sem grandes competições, hoje, a Praia da Macumba se tornou o principal palco dos evento de longboard do país e revela novos talentos dos pranchões todos os dias.

Gostaria de agradecer ao Marcos por ter me feito recordar momentos tão espetaculares da história do surf através dessa foto. Com certeza, essa irá para o acervo de fotos do Museu do Surf Rico. Aproveito também para convidar todo mundo para assistir a última etapa do Petrobras Longboard Classic, que acontece dias 21, 22 e 23 de novembro, na Praia da Macumba! Será mais um grande espetáculo dos melhores atletas do longboard brasileiro!
Aloha e Boas Ondas,
Rico de Souza
Foto 01/Legenda da própria matéria do O Cruzeiro: Nove “pranchistas” que enfeitiçam os freqüentadores das praias cariocas com seus malabarismos sobre as ondas. São eles, da esquerda para direita: Marcos Souza, Walcyr Rabelo, Eduardo, Paulo Sérgio, Jaime, Marcos Valle, Sérgio, Geraldo e Armando. Foto 02: Visão aérea do canto do Recreio e parte da Macumba. Foto 03: Eu e a jovem Chloé Calmon no Rico Point na Macumba.