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A imensa variedade de blocos no Hawaii

qui, 04/02/10
por rico de souza |
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Aloha amigos,

nesta última temporada havaiana, tive a oportunidade de ir comprar um bloco na antiga distribuidora da Clark Foam, para o Dick Brewer shapear uma nova prancha pra mim.

Eu e o bloco que comprei para o Dick Brewer shapear - Foto: Ricosurf.com

Eu e o bloco que comprei para o Dick Brewer shapear - Foto: Ricosurf.com

Então aproveitei para visitar o distribuidor dos blocos US BLANKS. Fui lá com o meu amigo Orácio e o galpão é espetacular. Tinham uns três, quatro mil blocos, fora fibra de carbono, plaina e todos os outros equipamentos usados na fabricação de pranchas.

No galpão tem vários modelos de blocos. Leves, super leves e de várias densidades. O que é intereresante nos Estados Unidos, principalmente no Hawaii, é que você tem uma gama enorme de blocos. Se você que fazer pranchas hot dog, para ondas pequenas, médias ou grandes, você tem diversos modelos que servem para os mais variados tipos de prancha. Também já é possível encontrar vários plugs modelados por shapers renomados, como Wade Tokoro, Erik Arakawa e Dick Brewer.

Eu na distribuidora de blocos no Hawaii - Foto: Ricosurf.com

Eu na distribuidora de blocos no Hawaii - Foto: Ricosurf.com

Outra coisa que eu vi, foram alguns blocos da Clark Foam. Vi uns 100. A Clark Foam fechou as portas há alguns anos, por que estava localizada numa área onde não era permitido ter indústrias que gerassem poluentes.

A grande novidade que eu vi nessa temporada foram os blocos coloridos. Ao invés de você colocar o pigmento na laminação ou mesmo fazer ‘air brush’, dar as cores no bloco, eles já são coloridos. E como eles tem um sistema de colagem de longarina espetacular, conseguem colocar várias cores num único bloco. Eu não digo que isso vá virar moda, mas é uma novidade interessante e mais um opção para o mercado.

Meu amigo Oracio Seixas com um dos blocos coloridos - Foto: Ricosurf.com

Meu amigo Oracio Seixas com um dos blocos coloridos - Foto: Ricosurf.com

Quem sabe aqui no Brasil os fabricantes não aproveitam essa chance, já que o mercado de blocos ainda está num de oportunidades, depois que a Clark Foam fechou, e começam a trazer esses modelos para o nosso país?

Hoje, aqui no Brasil temos pouca variedade. Vou dar um exemplo: agora estou shapeando uma prancha para um amigo, um dos melhores publicitários do país. Ele é forte, pesado e pega onda bem. Eu quero fazer uma 8 pés para ele e não tenho bloco. Talvez eu vá ter que trazer um do Hawaii para atender as especificações dele, ou pegar um bloco de longboard, pegar a curva de uma gunzeira e colar no long. Isso daria um trabalho absurdo e também acaba gerando um desperdício grande de matéria prima, além de ser muito mais desgastante.

A variedade de blocos é muito grande no Hawaii - Foto: Ricosurf.com

A variedade de blocos é muito grande no Hawaii - Foto: Ricosurf.com

Então seria legal que as empresas daqui oferecesse uma variedade maior de blocos, para que a gente possa fazer, no mercado nacional, pranchas para o caras mais leves, para o leigo e também para aquele cara pesadão que pega bem e tem dificuldades de encontrar a sua prancha ideal.

Aloha e boas ondas,
Rico de Souza

Praia para Todos, um projeto espetacular

seg, 25/01/10
por rico de souza |
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Aloha amigos,

no dia 20, quarta-feira, feriadão no Rio de Janeiro, passei alguns momentos espetaculares na praia da Barra da Tijuca. É que lá aconteceu uma espécie de pré-estreia do projeto “Praia para Todos”.

O “Praia para Todos” cria um ambiente favorável a participação das pessoas com algum tipo de dificuldade motora. Esteiras e cadeiras especiais que flutuam ficam a disposição dos cadeirantes, que tem o acompanhamento de profissionais de áreas médicas para dar todo o suporte, caso seja necessário.

Fabinho curtiu um surf e ficou amarradão - Foto: Ricosurf.com

Fabinho curtiu um surf e ficou amarradão - Foto: Ricosurf.com

É extremamente importante fazermos uma integração entre os cadeirantes e o resto da população, e o “Praia para Todos” ajuda e muito nisso, contribuindo também para acabar com o preconceito que muitas pessoas têm, mesmo que no subconsciente.

Foi espetacular estar junto das crianças nesse dia - Foto: Ricosurf.com

Foi espetacular estar junto das crianças nesse dia - Foto: Ricosurf.com

A inauguração do projeto rolou neste domingo, dia 24, mas no pré-lançamento, foi possível perceber o quanto as pessoas ficam felizes ao participar dele. Foi um sucesso!

A infra-estrutura foi espetacular! Tinham vagas no estacionamento para os cadeirantes, além de rampas de acesso a areia, construída com a ajuda da Prefeitura, esteira para a passagem de cadeira de rodas, piso tátil para as pessoas com deficiência visual, banheiros adaptados, cadeira de banho e cadeiras anfíbias.

A mídia fez a cobertura - Foto: Ricosurf.com

A mídia fez a cobertura - Foto: Ricosurf.com

Os cadeirantes também participaram de várias atividades como banho de mar assistido, vôlei sentado, peteca, frescobol, futebol adaptado e surf adaptado.

Eu tive a oportunidade de levar o Fabinho, um dos organizadores do projeto, para fazer um surf. O mar estava pequeno e as condições perfeitas para esse tipo de atividade. Alguns guarda-vidas do G-Mar ficaram conosco, à disposição, dar todo o suporte necessário.

Outra ação que gostei muito no projeto foi participar com as crianças especiais. Curti muito leva-las na água e fazerem a integração delas com o mar. O dia estava maravilhoso, com a água do mar quente e vento fraco terral.

Eu e Fabinho logo depois dele pegar umas ondas - Foto: Ricosurf.com

Eu e Fabinho logo depois dele pegar umas ondas - Foto: Ricosurf.com

Quero parabenizar os organizadores do evento, o Fábio e a Nena, e a todos a sua equipe e voluntários que ajudaram na estrutura do evento, dando todo suporte.

Aloha e boas ondas,
Rico de Souza

Surf em Sunset com o mestre Gerry Lopes

ter, 19/01/10
por rico de souza |
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Aloha amigos,

essa temporada havaiana, sem sombra de dúvidas, está sendo uma das melhores das últimas décadas, não só pela consistência e frequência de swells, mas também pelo tamanho e qualidade das ondas, pois os ventos têm soprado nas melhores direções.

Depois do épico evento em homenagem ao Eddie Aikau, quando tive a oportunidade de presenciar um show de surf em ondas grandes, com os melhores atletas do planeta, o swell foi baixando e diversos picos quebraram muito bons. Sunset, por exemplo, proporcionou ondas maravilhosas e dias perfeitos sem muito crowd.

Gerry em Sunset - Foto: Ricosurf.com

Gerry em Sunset - Foto: Ricosurf.com

Lembro-me de um dia que o mar já estava menor, com uns 6 / 8 pés de ondas perfeitas, e Gerry Lopes estava andando de Stand Up. Ele estava arrebentando as ondas e eu fiquei apreciando ele surfar de backside com muita precisão e estilo. As séries vinham e normalmente Gerry pegava a melhor.

Em um momento na água ele me convidou para droparmos uma onda juntos e eu não podia dispensar uma oportunidade como essa, de dividir uma onda em Sunset com o mestre do surf, Gerry Lopes, o qual tenho muita admiração.

Foi muito bom relembrar os velhos tempos junto com Gerry - Foto: Ricosurf.com

Foi muito bom relembrar os velhos tempos junto com Gerry - Foto: Ricosurf.com

Entrou uma série e aí formos nós dois surfando a seção do inside, aproveitando a parede e trocando o posicionamento. Ora ele estava mais a frente da onda, ora eu passava ele.

Fomos assim até a seção de Velz Reef, que fica bem na beirinha de Sunset, onde curtimos a onda até a areia. Lá, Gerry iria fazer umas imagens para um comercial de sua empresa, e me convidou para fazer uma foto ali mesmo, a qual estou postando para vocês com muito orgulho.

Gerry estava com um SUP quadriquilha em Sunset - Foto: Ricosurf.com

Gerry estava com um SUP quadriquilha em Sunset - Foto: Ricosurf.com

Depois das fotos, relembramos os velhos tempos, quando eu o conheci no verão de 69 / 70 no Peru, na praia de Punta Rocas. Desde então, sempre tive uma grande admiração pelo Gerry por tudo que ele construiu no esporte, a Lightning Bolt nos anos 70 etc. Ele sempre foi considerado o rei de Pipeline pelo seu belo estilo e posicionamento nos tubos.

Gerry também sempre foi um surfista a frente de todos. Pratica yoga há muitas décadas e trabalhou em grandes filmes de Hollywood, como Conan, o Bárbaro. No Hawaii é considerado um grande ídolo pela história que fez não só em Pipeline, mas em todo o arquipélago, e conquistou um grande respeito em todo o mundo.

Gerry Lopez em Pipeline onde reinou durante anos - Foto: Dan Devine

Gerry Lopez em Pipeline onde reinou durante anos - Foto: Dan Devine

Atualmente ele mora em Oregon e pratica snowbording e surf de Stand Up constantemente. Ele, inclusive, me falou que quando deixa a prancha de SUP dormir do lado de fora de sua casa, ao relento, a temperatura é tão baixa que cria uma crosta de gelo da cordinha até a prancha. Mas nem por isso ele deixa de surfar.

Gerry é um grande exemplo para todos. Ele realmente é um mestre.

Aloha e boas ondas,
Rico de Souza

Joel Tudor – Estilo e coragem no Longboard

seg, 11/01/10
por rico de souza |
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Aloha amigos,

nessa temporada havaiana, num dia que Sunset Beach estava muito grande, mas não quebrava legal, encontrei com o longboarder americano Joel Tudor. Na ocasião relembramos os velhos tempos em que corríamos o circuito mundial profisisonal da categoria.

Eu e Joel Tudor nesta temporada havaiana - Foto: Ricosurf.com

Eu e Joel Tudor nesta temporada havaiana - Foto: Ricosurf.com

Acompanhei todo o crescimento de Joel tudor, desde quando era pequeno, mas já arrebentarva no sul da California, na praia de Oceanside. Com estilo clássico e único, Joel sempre foi amante da single fin.

Joel Tudor é muito habilidoso - Foto: Surfline

Joel Tudor é muito habilidoso - Foto: Surfline

O americano sempre foi um surfista exemplar, tanto nos dias de ondas pequenas, como nos dias maiores. Tive oportunidade de surfar Puerto Escondido 10 pés com ele, assim como Pipeline gigante, 12 a 15 pés.

Joel em ação no evento de Puerto Escondido - Foto: Oxbow

Joel em ação no evento de Puerto Escondido - Foto: Oxbow

Em Puerto Escondido, fui juiz de um evento especial onde vários campeões mundiais participaram. Julguei ao lado de Nat Young, Gary Linden e outras lendas do esporte. O mar estava pesado e perfeito. As ondas de 10 pés abriam tubos muito grandes e fiquei impressionado como Joel surfa bem e é corajoso nas ondas maiores. Ele terminou a disputa na segunda posição, ficando atrás somente do nosso Phill Rajzman.

Foto: Pete Frieden / Swell

Foto: Pete Frieden / Swell

Joel é um cara muito dedicado e busca sempre a perfeição. Prova disso é que nesse dia que nos encontramos no Hawaii, ele me contou que foi campeão numa das principais competições de jiu jitsu na sua categoria.

Joel também é amante do jiu jitsu - Foto: TransWorldSurf

Joel também é amante do jiu jitsu - Foto: TransWorldSurf

Apesar de ser um cara magro e leve, Joel manda muito no jiu jitsu. Muitos amigos meus, que praticam o esporte, já elogiaram a disposição e a forma como o americano se comporta durante os treinos e competições.

Parabéns ao Joel Tudor por esse título no jiu jitsu e pelos muitos outros, inclusive mundiais, no Longboard.

Aloha e boas ondas,
Rico de Souza

Owl Chapman, o Coruja

qua, 06/01/10
por rico de souza |
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Aloha amigos,

nesta temporada havaiana, Sunset quebrou perfeito várias vezes e num dos vários dias que surfei lá, num final de tarde, encontrei meu grande amigo Owl Chapman, um dos melhores surfistas dos anos 70, que arrebentava surfando Sunset, Waimea e principalmente Pipeline, pelo seu estilo de backside.

Eu e Owl em Sunset - Foto: Ricosurf.com

Eu e Owl em Sunset - Foto: Ricosurf.com

Ele foi o primeiro surfista a dropar bem Pipeline de costas para a onda segurando a borda da prancha, de grab rail. Naquela época, Owl era patrocinado pelo Dick Brewer.

O Coruja, apelido que ganhou da rapaziada por usar óculo de grau redondo, ficou muito famoso quando surfou Big Wednesday, em 1976, um dia especial pela força e o tamanho das ondas no Hawaii, junto com seu grande parceiro Sam Hawk. Os dois eram locais de Huntington Beach e foram morar no Hawaii.

Owel viranda na base em Waimea, em 1975 - Foto: Jeff Hornbaker

Owel viranda na base em Waimea, em 1975 - Foto: Jeff Hornbaker

Em 1975, eu e Owl competimos no Guston 500, na África do Sul, e depois viemos juntos para o Brasil, onde seria realizado outra competição. Enquanto todos os outros atletas estrangeiros foram embora, ele ficou por aqui e morou na minha casa durante três meses. Firmamos uma grande amizade, pois ele curtiu muito o lifestyle do Brasil. Owl shapeou cerca de 50 pranchas para mim e eu aprendi muitas técnicas de shape com ele.

Owl Chapman - Foto: Trans World Surf

Owl Chapman - Foto: Trans World Surf

Hoje, Owl continua shapeando e ele é especialista em pranchas para ondas grandes, as verdadeiras gunzeiras para surfar Sunset e Waimea.

Owl Chapman nesta temporada havaiana - Foto: Ricosurf.com

Owl Chapman nesta temporada havaiana - Foto: Ricosurf.com

O surf é um esporte mágico e as amizades que se concretizam a partir dele geralmente duram para sempre. Valeu Owl pelos ensinamentos e principalmente pelos bons momentos que sempre temos juntos surfando em Sunset Beach.

Aloha e boas ondas,
Rico de Souza

As gunzeiras do Dick Brewer

qua, 23/12/09
por rico de souza |
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Aloha amigos,

no início do ano eu tive a oportunidade de encomendar uma Dick Brewer, 9’8”, para pegar as ondas grandes de Sunset. Eu só tinha usado uma prancha desse tamanho em Sunset uma vez e foi com uma emprestada pelo saudoso Roberto Valério. Na ocasião eu não me dei bem, senti a prancha muito presa e dura. Mas, mesmo assim, resolvi encomendar uma do tamanho para essa temporada.

Eu e Dick Brewer no dia que ele shapeou a minha 9' - Foto: Ricosurf.com

Eu e Dick Brewer no dia que ele shapeou a minha 9' - Foto: Ricosurf.com

Já tinha surfado no pico com pranchas de 7’6” a 8’4” ou mesmo as minhas longboards gunzeiras, que sempre funcionaram muito bem nos dias de muito swell, mas 9’8” seria, novamente, uma experiência diferente.

Como todo mundo sabe, nesse inverno havaiano rolaram ondas gigantes e não faltou oportunidade para testar a gunzeira. Quando o mar diminuiu e Sunset ficou com 10 a 12 pés, com ondas ainda fortes e pesadas, fui estrear a minha Dick Brewer.

Antes de pegar a minha primeira onda eu não sabia como ela iria se comportar. Mas depois que dropei a primeira, senti muito segurança nas ondas grandes e nos drops radicais de Sunset.

Dick Brewer trabalhando na minha nova gunzeira - Foto: Ricosurf.com

Dick Brewer trabalhando na minha nova gunzeira - Foto: Ricosurf.com

Aos poucos fui pegando várias ondas e ganhando mais confiança. Achei a prancha um espetáculo. A sua boa remada e a boa estabilidade me encorajavam a dropar as maiores atrás do pico e aos poucos fui me sentindo bem e realmente adorei a prancha.

A prancha no drop era espetacular, mas quando chegava no inside e a onda ficava menor, eu sentia a necessidade de uma prancha menor e mais manobrável. E foi esse o motivo que me levou a fazer uma nova gun com Dick, tamanho 9’, para que eu pudesse ter uma prancha para as ondas menores de Sunset além da 9’8” para os dias realmente grandes e com muito vento.

Aproveitei que Dick Brewer estava em Oahu e fui encontrá-lo junto com meu amigo Horácio. Ele shapeia em outra ilha, mas abriu uma exceção. Conversamos muito sobre design de pranchas e as novas tendências. Fiquei impressionado com a qualidade dos seus shapes e o fato dele não fazer as pranchas com máquinas, apesar de já estar com idade avançada.

A minha 9'8 me deu confiança para dropa as maiores em Sunset atrás do pico - Foto: Ricosurf.com

A minha 9'8 me deu confiança para dropar as maiores em Sunset atrás do pico - Foto: Ricosurf.com

Conversando com ele, Dick me disse que está mais dedicado a fazer pranchas de colecionadores, pranchas antigas, modelos Greg Noll, modelos de grandes shapers, ou mesmo pranchas de balsa que normalmente custam cerca de US$ 6 mil ou mais. Ele está focado mais nesses modelos de prancha de colecionadores pois a rentabilidade e seu lucro são muito maiores. Foi um grande prazer estar com esse mestre da plaina.

Eu tenho guardado em meu acervo do Museu do Surf inúmeras pranchas importantes, como a do Eddie Aikau, Pepe e de outros grandes surfistas. E tenho também uma coleção só do Dick Brewer. São duas gunzeiras de poliuretano (9’8” e 9’10”) que nunca foram usadas, uma balsa 9’8” e um longboard 9’10”. Todas são pranchas de coleção que eu guardo, pois é um investimento. Cada vez mais as pranchas do Dick estão difíceis de conseguir e elas valorizam a cada momento.

Agora eu fica na expectativa de uma nova oportunidade de ir para o Hawaii e poder usar a minha nova gunzeira.

Fica aqui um abraço ao nosso amigo Dick Brewer, a lenda viva do surf.

Aloha e boas ondas,
Rico de Souza

Prainha, um paraíso preservado

sáb, 19/12/09
por rico de souza |
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Aloha amigos,

quando eu comecei a surfar na Prainha, no Rio de Janeiro, no final dos anos 60, início dos anos 70, o pico era pouco conhecido, poucas pessoas surfavam lá.

Na galera tinha o Ciro Beltrão, Mudinho e Ricardo “Fakir”. Na época morávamos na Zona Sul do Rio e para chegar até a Prainha demorava algo em torno de 50 minutos, mas uns 40 para conseguir entrar no mar. Para ir até a Prainha era preciso um carro com tração nas quatro rodas e nós íamos de jipe.

Na Estrada do Pontal, perto da escola San Patrick, tinha uma entrada que levava até a curva principal da Prainha, onde começa a pedreira. Como não tinha rack, abaixávamos os vidros do jipe e íamos segurando as pranchas.

Eu surfando o canto direito da Prainha - Foto: Rick Werneck

Eu surfando o canto direito da Prainha - Foto: Rick Werneck

Os poucos que surfavam lá, diziam que existia um leprosário para assustar a galera, mas era tudo mentira. De qualquer forma, quando eu chegava em casa tomava banho de álcool. Mas a galera nunca viu nenhum leproso por lá, era apenas mais uma lenda da Prainha.

Ir para a Prainha também só com ondas pequenas, porque só dava para entrar no mar pelas pedras do canto esquerdo e com o mar médio ou grande ficava muito complicado e perigoso. Alguns amigos na época também caiam e se machucavam nas pedras, mas nunca rolou nada de grave.

Canto esquerdo da Prainha - Foto: Luciano Cabal

Canto esquerdo da Prainha - Foto: Luciano Cabal

Atualmente a Prainha é uma das principais praias do Rio de Janeiro. É referência para o Rio, Brasil e o mundo. É um pico onde ondulações de todos os lados atingem a praia, que é uma das mais consistentes do Rio. Lá sempre tem onda. É frequentada por uma rapaziada bacana, gente bonita e dali sai moda.

Prainha - Foto: Luciano Cabal

Prainha - Foto: Luciano Cabal

A ASAP, Associação de Surfistas e Amigos da Prainha, faz um trabalho excepcional preservando aquele paraíso. É muito bom que continue assim para que nossos filhos e netos possam ter essa praia do jeito que está e ter o nosso Rio de Janeiro do jeito que a gente gosta: verde e preservado. O trabalho da ASAP foi muito importante para não deixar a especulação imobiliária atingir a Prainha. É um grande exemplo para todo o país.

Do mirante da Prainha temos uma visão maravilhosa - Foto: Luciano Cabal

Do mirante da Prainha temos uma visão maravilhosa - Foto: Luciano Cabal

Existem algumas pessoas que não posso deixar de citar quando falo da Prainha. São grandes personalidades que tiveram trailers no pico. Para quem não conheceu, teve o trailer do Hélio e depois vieram o Pedro e o Barba, figuras ilustres que há muitos anos estão com toda a galera.

Trailer do Barba - Foto: Ricosurf.com

Trailer do Barba - Foto: Ricosurf.com

Para mim a Prainha é um espetáculo, principalmente quando quebra o canto direito com ondulação de sul. Para mim é uma das melhores ondas, se não a melhor do Rio de Janeiro.

Um abraço para todos os amigos da Prainha e parabéns pela preservação.

Aloha e boas ondas,
Rico de Souza

Waimea – Um dia para entrar na história

ter, 08/12/09
por rico de souza |
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Aloha amigos,

Escrevo aqui do Hawaii, onde nesta segunda-feira, dia 7, eu acompanhei um dos mais espetaculares dias de surf da minha vida. Waimea tinha ondas gigantes, algo em torno de 20 a 25 pés e as condições estavam muito difíceis.

Os big riders descendo a ladeira em Waimea - Foto: Cortesia Quiksilver

Os big riders descendo a ladeira em Waimea - Foto: Cortesia Quiksilver

Durante o dia, o mar foi subindo e no fim de tarde rolaram ondas de cerca de 30 pés havaianos, que chegaram até 40 pés no outside. O swell estava inacreditavelmente grande e pouco antes de escurecer Waimea era show de surfe.

No outside as ondas chegaram a 40 pés havaianos - Foto: Cortesia Quiksilver

No outside as ondas chegaram a 40 pés havaianos - Foto: Cortesia Quiksilver

Cerca de dez atletas surfavam um mar tenebroso, com uma correnteza realmente muito forte. Há mais de 20 anos que não havia condições tão extremas e ondas tão grandes em Waimea.

Numa das situações mais complicadas, o piloto de jet ski e salva vidas Mark Dombroski arrebentou e ajudou os big riders que estavam surfando. A galera era rebocada por ele até o inside ou remava diretamente para o quebra coco para fugir daquelas ondas enormes.

Big rider dropando uma das bombas do dia - Foto: Cortesia Quiksilver

Big rider dropando uma das bombas do dia - Foto: Cortesia Quiksilver

No final de tarde estavam na água o big rider e salva vidas Dave Wassal; Ikaika Kalama, outro big rider e que também anda de SUP; Noah Johnson, que já ganhou um Eddie Aikau e o brasileiro Daniel, que entrou na água com um pé de pato amarrado na cintura, para conseguir nadar naquelas condições extremas caso perdesse a prancha.

Fim de tarde em Waimea - Foto: Gordinho

Fim de tarde em Waimea - Foto: Gordinho

Eu já venho ao Hawaii a mais de 30 anos, assisti inúmeras temporadas e nunca tinha presenciado cenas assim tão dramáticas. A galera era varrida, entrava na correnteza e levava ondas de 30 pés na cabeça, e ainda tinha grandes chances de ser arremessada para cima das pedras.

Graças a Deus não houve nenhuma vítima. O mais chato ocorreu no início da manhã, quando o nosso querido bicampeão mundial, Tom Carroll, quebrou o tornozelo durante a sessão de surf.

O goofy Tom Carroll pouco antes do acidente - Foto: Gordinho

O goofy Tom Carroll pouco antes do acidente - Foto: Gordinho

Com exceção desse momento chato, a galera deu um show à parte e mandou muito bem.

Aloha e boas ondas,
Rico de Souza

Phil Rajzman, um dos maiores nomes do Longboard mundial

ter, 01/12/09
por rico de souza |
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Aloha amigos,

fiquei muito feliz com uma visita ilustre que recebi na redação do Ricosurf.com. O longboarder Phil Rajzman, um de meus pupilos, um cara que tenho imensa admiração pela pessoa que é, pela educação e pela habilidade e talento em cima do pranchão esteve comigo e conversamos bastante sobre o esporte e outros assuntos.

Phil Rajzman e eu na redação do Ricosurf.com - Foto: Carlos Matias

Phil Rajzman e eu na redação do Ricosurf.com - Foto: Carlos Matias

Aproveitei a oportunidade e gravei um vídeo com ele, onde conversamos sobre a disputa do título mundial de 2009, quais os planos dele para 2010, passamos pelo campeonato histórico de Puerto Escondido, que rolou em ondas pesadas de 8 a 10 pés e muito mais.

Phil é um cara especial e o Brasil sempre estará sempre bem representado enquanto ele estiver no circuito mundial.

Eu e Phil quando ele tinha uns 7 ou 8 anos - Foto: arquivo Ricosurf.com

Eu e Phil quando ele tinha uns 7 ou 8 anos - Foto: arquivo Ricosurf.com

Juntos numa das etapas do mundial - Foto: arquivo Ricosurf.com

Juntos numa das etapas do mundial - Foto: arquivo Ricosurf.com

Phill surfando com estilo durante a etapa do PLC 09 da praia da Macumba - Foto: Maurício Val

Phil surfando com estilo durante a etapa do PLC 09 da praia da Macumba - Foto: Maurício Val

Além do estilo, Phil sempre foi muito radical nas manobras - Foto: Maurício Val

Além do estilo, Phil sempre foi muito radical nas manobras - Foto: Maurício Val

Aloha Phil, aloha amigos.

Boas ondas,
Rico de Souza

Kaneca, um amigo especial

qua, 25/11/09
por rico de souza |
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Aloha amigos,

Gostaria de prestar uma homenagem ao nosso amigo Marcelo Kaneca, um dos pioneiros do surf no Rio de Janeiro e no Brasil, que sempre foi um amigo muito especial. Kaneca morava no Posto 6, em Copacabana, e freqüentava o Arpoador e o Posto 5 e sempre estava pegando onda nos dias pequenos e nos grandes. Era um fissurado no surf.

Kaneca num direitão. Foto: Divulgação

Kaneca num direitão. Foto: Divulgação

Kaneca começou a surfar em 65, época em que nos conhecemos e adorávamos surfar o Arpoador e também o Posto 5, nos dias de sudoeste. O Arpoador era a nossa casa, praticamente passávamos o dia inteiro surfando e curtindo a vida. Mais tarde, em 68, quando começamos a fazer pranchas, dividíamos o nosso tempo entre surfar e shapear novos foguetes.

Kaneca em sua oficina de pranchas. Foto: Divulgação

Kaneca em sua oficina de pranchas. Foto: Divulgação

Nossas oficinas eram em Guaratiba e nesta época pegamos dias épicos e praticamente sem crowd. Poucas pessoas surfavam em Guaratiba naquela época. Já por volta de 72, começamos a surfar no Píer, onde tínhamos a oportunidade de surfar dias clássicos nas esquerdas, com ondulação de leste, e, nos dias grandes, o Backdoor, com ondulação de sul.

Ele surfava muito bem e tinha um estilo muito bonito e clássico. Sempre foi um cara que se destacou pela sua inteligência e também era muito estudioso.

Cartaz de lançamento de uma surf shop com as pranchas do Kaneca. Foto: Divulgação

Cartaz de lançamento de uma surf shop com as pranchas do Kaneca. Foto: Divulgação

Lembro-me de um dia que o Píer estava clássico e eu e Betão dormimos na casa do Marcelo Kaneca e formos surfar de madrugada, chegando bem cedo no pico. Esse dia eu nunca mais vou esquecer, pelas ondas perfeitas e pela vibração de estar com os amigos. Tenho lembranças também de ter ido a Saquarema na época que existia somente balsa para atravessar a Baía de Guanabara, antes da ponte Rio-Niterói ser construída, no final dos anos 60 e nós, surfistas, acampávamos na praia.

Kaneca e amigos. Foto: Divulgação

Kaneca e amigos. Foto: Divulgação

Éramos vários amigos e pegávamos ondas perfeitas no Maracanã do surf brasileiro. O tempo foi passando, o surf foi crescendo e mais tarde o Kaneca foi morar na Europa e passou quase 20 anos sem fazer prancha e desconectado do mundo do esporte.

Kaneca nas antigas. Foto: Divulgação

Kaneca nas antigas. Foto: Divulgação

Ultimamente tenho encontrado o Kaneca na praia surfando e também andando de Stand Up e fico muito feliz em ver um grande amigo com quem comecei a surfar estar de volta no mercado, fazendo boas pranchas e dividindo as ondas com a gente.

Um abraço bem forte.

Aloha e boas ondas,

Rico de Souza



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