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Jeferson Cardoso - Ídolo de uma geração

seg, 29/06/09
por rico de souza |
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Aloha amigos,

o Arpoador, berço do surf brasileiro, teve gerações muito fortes no surf que marcaram épocas. Nos anos 80, o número de bons atletas era grande. Moysés, Gironcio, Ismael Miranda - vice-campeão do Waimea 5000, Fernando Bitencourt, André Pitzalis, Roni Veloso e Antonio Ricardo - do antigo programa Realce e hoje do canal Woohoo, eram alguns dos destaques. Um outro cara que surgiu e impressionou bastante foi o Jefferson Cardoso.

Fedoca

Jefferson Cardoso se destacava nas esquerdas do Arpoador - Foto: Fedoca

Ele influenciou uma geração com seu surf racial, explosivo, moderno e competitivo. Jefferson viveu durante anos no Arpoador. Seu pai era sargento do exército e eles moravam no Forte de Copacabana, onde ele serviu mais tarde.

Suas atuações nas excelentes esquerdas eram incríveis e lá ele era quase imbatível. Nas competições, quando ele engrenava era difícil de segurá-lo.

Fedoca

Jefferson Cardoso, Arpoador, anos 80 - Foto: Fedoca

Naquela época a galera era muito unida, todos eram amigos e aquilo significou muito para o surf brasileiro. O esporte estava crescendo e a força dessa união da rapaziada era incrível.

Lembro daqueles tempos espetaculares, onde todo mundo se conhecia. Foi uma das épocas mais legais da minha vida. Um dia bom no Arpoador é inesquecível, é clássico!

Fedoca

Jefferson Cardoso, Arpoador - Foto: Fedoca

Um dos grandes amigos do Jefferson, Roni Veloso, disse: “Tenho grande admiração por ele e o aponto como um ídolo de toda uma geração”. Nos anos 90, Jeferson foi morar em Saquarema e teve uma vida tranquila, curtindo o Maracanã do surf.

Agora ele está de volta ao Rio e abriu uma escolinha de surf no Arpoador, a Jefferson Cardoso Surf Scholl, onde ele faz um trabalho bonito e passa seu conhecimento para seus alunos e para a galera local.

Fedoca

Jefferson Cardoso tinha um surf radical e explosivo - Foto: Fedoca

Quero deixar um forte abraço para o meu amigo Jefferson Cardoso e para toda a rapaziada do Arpoador.

Aloha e boas ondas,
Rico de Souza

Ricosurf.com

Betão, o herói do Festival de Surf Alamoana

qui, 18/06/09
por rico de souza |
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Aloha amigos,

aproveitando que vem aí uma etapa do WQS seis estrelas em Saquarema, gostaria de lembrar do meu grande amigo Betão, que é um ídolo do esporte e representa toda uma geração de Saquarema, Arpoador e Píer e que ganhou um campeonato espetacular no Point em 1975.

Tunico de Biase

Betão no Pepino (RJ) em 1977, logo depois de voltar do Hawaii - Foto: Tunico de Biase

Neste ano aconteceu o Festival de Surf Alamoana, que, de todos os eventos realizados em Saquarema até hoje, foi o que teve as maiores ondas. O Betão foi o grande campeão. Naquela época a rapaziada do Brasil inteiro ia para os festivais, onde Rita Lee fazia shows e todo mundo se divertia muito.

Eu, Bocão, Betão, Cadinho, Xuxa, Foca, Otávio Pacheco, Paulo Proença e muitos outros surfistas estávamos no auge da forma, surfando sempre no Hawaii, mesmo assim ficamos chocados com o tamanho da ondulação de leste.

arquivo pessoal Betão

Betão, eu e Bocão - Foto: arquivo pessoal Betão

No dia que chegamos lá, as ondas quebravam a uns 500 / 800m atrás da laje e ninguém conseguia entrar, nem pelo Backdoor, nem por lugar nenhum, mesmo com as maiores gunzerias e toda a vontade de surfar as ondas grandes.

O mar continuou com um bom tamanho e acertando durante vários dias. As baterias na competição eram formadas por seis atletas e só iniciava quando um cara conseguisse varar a arrebentação. Em várias baterias, poucos conseguiam varar a arrebentação e em algumas, ninguém conseguia.

arquivo pessoal Betão

Betão no final de uma onda do Point, durante o Festival de Suf Alamoana em 1975 - Foto: arquivo pessoal Betão

A galera que conseguia entrar dava show de surf e ousadia. Lembro que as finais eram de 45 minutos e todos iam para o mar com suas gunzeiras usadas em Sunset ou mesmo em Waimea.

Lembro também que na final, muitos dias depois do pico do swell, o mar continuava muito grande e veio uma série enorme que pegou a galera e arrebentou todos as cordinhas.

Aqui fica a minha homenagem ao grande Betão, o vencedor desse espetacular evento.

arquivo pessoal

Betão no Point, Saquarema - Foto: arquivo pessoal

Talvez a nova geração não saiba o que aconteceu nesse evento, mas a galera que participou jamais vai esquecer daqueles dias e do surf que o Betão apresentou.

Betão, um abraço forte de todos os seus amigos.

Aloha e boas ondas,
Rico de Surf

Ricosurf.com

Um encontro espetacular

ter, 09/06/09
por rico de souza |
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Aloha amigos,

na última semana tive o prazer de encontrar vários amigos de infância. E o mais legal foi que estive com alguns deles na mesma ocasião: um dia de surf na Macumba, no Rico Point. Estavam lá Pedroca, Bocão, Datinho, Daniel Friedmann e Roberto. Todos tão apaixonados pelo surf quanto na época em que nos conhecemos.

Ricosurf.com

Pedroca, eu, Bocão, Datinho, Daniel Friedmann e Roberto - Foto: Ricosurf.com

Fiquei muito feliz em estar com esses meus amigos e mais ainda por saber que até hoje estamos sempre dentro d’água, surfando e preservando nossa amizade. Foi um dia espetacular!

arquivo pessoal

Pedroca no Pier de Ipanema em 1972 - Foto: arquivo pessoal

Fiquei lembrando da época do Arpoador e do Pier de Ipanema. Aqueles anos foram o auge da nossa geração. Foram momentos espetaculares. Não tinha violência e todos participavam das festas.

divulgação

Daniel Friedmann ainda arrebenta nas ondas - Foto: divulgação

Lembro dos eventos no Arpoador, o berço do surf brasileiro, onde eu e o Daniel éramos grandes rivais. As baterias eram sempre muito disputadas, mas nos tornamos grandes amigos devido ao respeito e admiração que sempre tivemos um pelo outro.

Alvinho Duarte

Eu e Daniel Friedmann - Foto: Alvinho Duarte

Alguns dias depois do encontro na Macumba, estive com Friedmann, que comentou a ocasião. “Foi legal ver todo o pessoal surfando com disposição e saúde. É sempre bom relembrar os velhos momentos. Todo mundo ainda é fissurado pelo surf!”.

Beto Paes Leme

Ricardo Bocão competindo no Arpoador em 2007 - Foto: Beto Paes Leme

Aproveito essa oportunidade para mandar um abraço a todos os pioneiros do surf no Brasil, pessoas magníficas que levantaram e divulgaram o nosso esporte.

Aloha e boas ondas,
Rico de Souza

Ricosurf.com

Novidades no Museu do Surf Rico

ter, 02/06/09
por rico de souza |
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Aloha amigos,

neste ano eu pretendo levar o Museu do Surf Rico aos campeonatos, shoppings e em vários outros locais, com a intenção de manter acesa a história do nosso esporte. E já para essas próximas exposições, teremos algumas novidades espetaculares para a seção do Hawaii.

Uma delas simboliza um surfista descendo a onda. Talvez em 1977, quando o capitão James Cook escreveu em seu diário de bordo que havia testemunhado a ação de um surfista na Polinésia, ele tenha feito um desenho similar, porque isso representa a parte mais primitiva do surf.

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Rico e as novidades do Museu - Foto: Ricosurf.com

Tem uma outra peça interessante que mostra um surfista segurando um remo. Também consegui a placa Hawaii Surfer, que representa o estado do Hawaii e é um objeto que todo mundo gosta de ter no quarto. É uma peça mais folclórica e decorativa.

Um outra peça decorativa de colecionadores, trás a inscrição “Surf riders at Waikiki – Hawaii”. Foi nessa praia que a história do surf teve início com Duke Kahanamoku e os beach boys. Repare que ao fundo é aparece o vulcão de Diamond Head, o maior símbolo turístico para os havaianos.

Por essa razão que a maioria das fotos em que o Duke aparece, tem o vulcão Diamond Head ao fundo. Além do surf, esse vulcão tem forte ligação com a história do rock, pois os Roling Stones e Jymmy Hendrix fizeram apresentações lá, marcando a memória de quem teve o grande prazer de participar dos shows.

Hawaii Pacifica Island Art

O vulcão ao fundo é o maior símbolo turístico para os havaianos - Imagem: Parte da Coleção: Hawaii Pacifica Island Art

Junto com essas novas peças, temos no Museu algumas pranchas havaianas, como a do Dick Bruwer, Randy Rarick, Sheena e a mais preciosa de todas: uma do Eddie Aikau. O Museu também possui uma taça preciosa do big rider Mark Foo. Acesse o site Ricosurf.com e conheça o Museu do Surf Rico.

Aloha e boas ondas,
Rico de Souza

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Um presente espetacular

qua, 27/05/09
por rico de souza |
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Aloha amigos,

Outro dia o Randy Rarick me enviou um e-mail com um convite para eu participar do encontro dos maiores colecionadores de prancha do mundo. O evento será em julho no Hawaii. Lá estarão pessoas de várias partes do mundo, incluindo grandes nomes como Fred Hemmings e Greg Noll.

É claro que vou participar do evento, mas na mensagem tinha algo mais. Era uma foto muito antiga. Nela eu estou num fusca com o videomaker Jack Mccoy e o Barry Kanaiaupuni (BK), em 1976, na Austrália, mais precisamente em Bells Beach.

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Eu e Barry Kanaiaupuni (BK), no carro, e o videomaker Jack Mccoy no ano de 1976, em Bells Beach, Austrália - Foto: Ricosurf.com

No ano anterior ao da foto, eu tinha viajado com o Barry para a África do Sul. Quem é ligado ao surf e conhece as histórias dos anos 70 e 80, sabem que o Barry foi o surfista mais radical de Sunset de todos os tempos. Ele era imprevisível. Nas competições ele arriscava tudo e podia tanto vencer como ser desclassificado. O cara era atirado e sempre recebia convites para participar dos eventos de ondas grandes em Waimea.

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Randy Rarick, eu e o senador Fred Hemmings - Foto: Ricosurf.com

Os anos 1975 e 76 foram muito legais. Na viagem que fiz para a África do Sul com o Barry, partimos para Jeferys e conhecemos vários outros lugares. Naquela época o surf ainda era romântico e o crowd não existia.

Em 1976, eu e Barry fomos para a Austrália e passamos por Burley Heads, Surfers Paradise e Bells Beach, onde tiramos a foto. Ele era muito figura e me chamava de “hollow legs” (pernas ocas), porque eu comia muito e ele dizia que tudo descia pelas minhas pernas.

Leroy Grannis / Swell

Barry Kanaiaupuni (BK) e, remando de joelhos, Jeff Hackman - Foto: Leroy Grannis / Swell

Receber esse presente do Randy foi espetacular. Ele, que é o cara que surfou no maior número de países no mundo, me ensinou a apreciar as culturas ao redor do planeta e a ter o “aloha spirit”. Todos são pessoas que eu tenho enorme respeito e admiração.

Aloha e boas ondas,
Rico de Souza

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A minha maior paixão

qui, 21/05/09
por rico de souza |
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Aloha amigos,

desta vez eu quero comentar um pouco sobre a minha história no surf. Eu fui criado no Leblon e sempre gostei de pegar jacaré, fazer pesca submarina e surfar de planonda (prancha de isopor) quando era garoto, antes de ter minha prancha. A primeira vez que eu vi uma foto na revista “Seleção”, de um havaiano pegando onda, eu me apaixonei e falei para o meu pai “Olha, meu esporte é esse! Vou ser um surfista”.

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Rico em sua oficina no Recreio dos Bandeirantes em 1976 - Foto: Ricosurf.com

Minha família, naquela época, não queria que eu pegasse onda. O esporte não tinha uma imagem legal, então eu tive que correr atrás para comprar a minha primeira madeirite. Foi vendendo chumbo descartado pelas construtoras das obras de Ipanema e Copacabana, garrafa, jornal e as tampas de garrafas de leite, que antigamente eram de alumínio, que eu consegui comprar a minha primeira madeirite, na Rua Francisco Otaviano, no Arpoador.

Eu comecei a consertar prancha em 1964 para sobreviver. Em 1966 foi a vez de shapear. Eu descascava as pranchas antigas - não tinha poliuretano no Brasil -, lixava as bordas e usava os poliuretanos marrons para fazer pranchas. Pouco depois, passei a comprar blocos do Coronel Parreiras, com quem trabalhei. Ele foi um grande mestre da construção e industrialização das pranchas. Ele foi o primeiro cara a fazer pranchas em escala industrial.

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Outros três caras foram muito importantes nessa fase inicial da arte de shapear. Penho foi o primeiro a fabricar as minimodels. Ele foi o primeiro brasileiro a ir para o Hawaii (1969) e trouxe alguns modelos que não conhecíamos. Acompanhei de perto todas essas idéias que o Penho trouxe.

O Ciro Beltrão também produzia muitas pranchas. Outra grande personalidade do shaper é o Mudinho, que foi meu grande parceiro. Começamos a fabricar juntos e, na época, como não tinha material, eu tinha um amigo, Jim Harms, que o pai dele trabalhava para as Forças Armadas Americanas e, por intermédio dele, conseguíamos os materiais.

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Rico de Souza e as madeirites - Foto: Ricosurf.com

A primeira prancha que eu fiz foi no Leblon. Na época nem eram pranchas Rico. Eu usava Yokahama, um nome havaiano que eu curtia muito.

O surf cresceu muito nos anos 70, na época do Píer de Ipanema, e a fabricação de pranchas seguiu no mesmo ritmo. Para mim, essa época foi maravilhosa. Fui campeão brasileiro em 69 / 72 / 73 e tive grande destaque na mídia. Com isso surgiram oportunidades de conhecer vários lugares do mundo, onde fiz muitas amizades, adquiri muito conhecimento e trouxe novas tecnologias.

Trabalhei na Califórnia aprendendo a shapear e, no Hawaii, fiz pranchas para grandes nomes do surf como o Jeff Hackman, os irmãos Michael e Derek Ho, Buzzy Kerbox, Hans Hedemann e para alguns havaianos.

O que eu acho fundamental é que, com a ida ao Hawaii em 72, eu aprendi muito sobre essa área de fabricação de pranchas. O fato de estar no Hawaii e ter contato com os principais shapers da época, me ajudou muito.

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Rico em sua sala de shaper no Recreio dos Bandeirantes (1976) - Foto: Ricosurf.com

Trabalhei com grandes shapers do mundo como Barry Kanaipuni, Dennis Pang, Rory Russel, Owl Chapman, Peter Daniel, Dick Bruwer, Mark Jacola, Marck Larmont, Randy Rarick e Tom Parrish. Randy organizou junto com Fred Hemmings, o surf profissional ao redor do mundo e também foi ele o criador da Tríplice Coroa Havaiana. A herança que tenho de trabalhar em eventos, amar fabricar pranchas e colecionar objetos antigos (Museu do Surf Rico), eu ganhei de Randy.

Mas o meu maior guru das plainas foi Tom Parrish. Eu o conheci em 1976, quando ele veio ao Brasil e acabou morando comigo durante três meses. Nos anos 80, uma média de 90% das competições no Hawaii eram vencidas por atletas que usavam as pranchas de Tom. Ele shapeava para Shaun Thomson, Mark Richards, Ian Cairns, Bronze Aussies e de outros principais nomes do esporte na época. Tom desenhou minha sala de shape e fabricamos umas 80 pranchas juntos.

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Rico em Sunset - Foto: Ricosurf.com

Toda essa experiência eu trouxe para o Brasil e comigo vieram os wings, as canaletas, as estingers e várias outras ideias. Ter trabalhado com grandes nomes e passado por todas as etapas da história das pranchas desde a época da madeirite, passando pelo pranchão, Golden Time, monoquilhas, biquilhas, triquilhas, quadriquilhas, windsurf e, agora na minha mais nova paixão, o Stand Up, me ajudou a ter meu próprio estilo nas plainas.

A forte equipe que montei - Cauli Rodrigues, Fred D’Orey, Roberto Valério, Valdir Vargas, Picuruta Salazar, Eduardo Bagé, Phil Rajzman entre outros excelentes atletas - também foi muito importante para eu testar e aprimorar meus modelos, aumentando a cada dia a minha enorme paixão pelo surf, seja dentro ou fora d’água.

Aloha e boas ondas,
Rico de Souza

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Mark Foo – Um dos big riders mais respeitados de todos os tempos

seg, 11/05/09
por rico de souza |
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Aloha amigos,

dessa vez eu quero prestar uma homenagem ao nosso querido surfista Mark Foo, um dos big riders mais respeitados de todos os tempos.

Mark Foo

Mark Foo

Este filipino-americano tinha uma paixão muito grande em surfar Sunset Beach e Waimea. Ele tinha um posicionamento especial dentro d’água e sempre escolhia as melhores da série.

Mark Foo foi um grande competidor, mas ganhou notoriedade como big rider.

As histórias desse atleta nas enormes ondas de Waimea são espetaculares.

Mark Foo sempre pegava as maiores

A última onda de Mark Foo

Ele é um surfista que na década de 80 conquistou toda sua fama e toda sua glória nos dias de “big waves”. Uma das muitas histórias sobre o atleta, conta que Mark Foo surfou um dia em Waimea com ondas enormes, baía fechando e ninguém dentro d’água. Ele pegou sua gunzeira e entrou sozinho no fim de tarde.

As ondas estavam tão grandes que ele dobrou o comprimento de sua cordinha para reforçá-la. Esse dia talvez tenha sido um dos que construíram sua fama, pelo fato dele ter entrado sozinho e botado pra baixo naquelas morras.

Mark Foo era muito querido. Ele tinha um estilo de surf próprio, bonito, bem havaiano e mais clássico.

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Mark Foo em Grumari, 1982 - Foto: Ricosurf.com

Em 1982 ele esteve no Brasil para participar de uma competição. Temos, inclusive, uma foto muito legal dele sozinho com sua prancha em Grumari, um momento especial.

Estou muito orgulhoso porque eu acabei de receber um presente valioso do meu amigo Vitor Marçal. É uma taça do evento Classic Duke Kahanamoku Hawaiian, de 1983, que era de Mark Foo. Esse evento era apenas para convidados.

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Rico e o troféu que Mark Foo ganhou em 1983, no evento Classic Duke Kahanamoku Hawaiian - Foto: Ricosurf.com

Infelizmente Mark Foo faleceu em 1994, surfando em Mavericks, num dia de ondas nem tão grandes em relação as que o big rider era acostumado a encarar. Deviam ter ondas de cerca de 4 metros. As morras que ele dropava eram muito maiores e muito mais maçarocas que essa que ele acabou falecendo. Mas em Mavericks a água é gelada e o mar confuso e difícil.

Mark virou uma vaca e ninguém sabe se ele ficou preso no fundo ou se houve choque com a prancha e ele desacordou embaixo d’água.

Quero registrar o meu carinho e enorme respeito por esse big rider que ainda deixa muitas saudades.

Aproveito para agradecer a irmã de Mark Foo que deu o valioso troféu para o Vitor Marçal e ao Vitor, por ter contribuído com o acervo do Museu de Surf Rico, onde a peça será exposta.

Aloha e boas ondas,
Rico de Souza

As madeirites

qua, 06/05/09
por rico de souza |
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Aloha amigos,

dessa vez eu vou comentar sobre as madeirites. Essas pranchas inicialmente eram fabricadas no Rio de Janeiro, em duas marcenarias. Uma delas ficava na Rua Francisco Otaviano, no Arpoador, bem ao lado da loja do Petit, nosso querido menino do rio, e a outra no bairro da Ilha do Governador.

A minha primeira eu adquiri em 1964. Na época o surf era mal visto e a minha família não gostava da idéia, então eu tive que juntar dinheiro. Foi vendendo sobras de chumbo e cobre das construções do Leblon, jornal, tampa de leite e garrafas que eu consegui a grana para comprar a minha primeira madeirite.

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Foto: Ricosurf.com

Eu ainda tenho duas madeirites na minha coleção. Uma delas foi o Tonzinho de Saquarema que conseguiu. Ela deve ter sido fabricada no início dos anos 60. A outra pertenceu ao Alemão, big rider do Posto 5 de Copacabana. A mãe dele me deu de presente e mais tarde eu descobri que a prancha, antes de pertencer ao Alemão, tinha sido do Mario Papinha, um os pioneiros do surf no Arpoador.

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A prancha do Mário Papinha - Foto: Ricosurf.com

Eu só descobri que o “M” da prancha era de Mário Papinha, depois que eu fiz uma exposição em São Paulo e o Mário viu a prancha numa das matérias que a Rede Globo fez sobre o evento.

Nos dias 16 e 17 de julho vai acontecer uma exposição dos principais colecionadores de pranchas e eu estarei lá, pela primeira vez, e levarei essas duas pranchas. O evento está sendo organizado pelo meu amigo Randy Rarick e será no Hawaii. Vários colecionadores do mundo todo estarão lá trocando idéias e apreciando esses raros objetos do surf. Escritores, shapers e outros vários artistas participarão dessa grande festa.

Vai ser uma experiência diferente. Eu levarei também alguns livros “Boas ondas – Surfando com Rico de Souza”, para distribuir nessa grande confraternização. Esse evento é um grande exemplo que nós devíamos seguir, pois enriquece o lado cultural do esporte em nosso país.

Como eu não sei se essas duas madeirites voltarão para o Brasil, decidi fazer uma réplica. Tive a ajuda da artista plástica Ana Nigri, que me ajudou na escolha da madeira, na hora do shaper e também na forma de prender as quilhas.

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Réplica da madeirite - Foto: Ricosurf.com

As madeirites são verdadeiras obras de arte e muitas pessoas estão encomendando para decorar suas casas. Além de deixar o ambiente mais bonito, elas servem para manter acesa a cultura do nosso esporte.

Aloha e boas ondas,
Rico de Souza

Visite o site Ricosurf.com e saiba tudo sobre o mundo do surf.

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A Ana Nigri foi fundamental na produção dessa réplica - Foto: Ricosurf.com

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Réplica da madeirite - Foto: Ricosurf.com

Preservação do meio ambiente

seg, 27/04/09
por rico de souza |
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Aloha amigos,

quero aproveitar essa oportunidade para falar sobre a preservação do meio ambiente. É muito importante estarmos atento ao assunto e tentarmos fazer algo a respeito. Eu sempre procuro ajudar de alguma forma e há um tempo, eu participei do desenvolvimento do primeiro projeto de preservação da vegetação nativa das praias do Rio de Janeiro.

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Praia da Macumba - Foto: Ricosurf.com

Meu amigo, Abílio Fernandes, desenvolveu um excelente projeto e eu fiz questão de patrocinar e viabilizar, inicialmente, na escola de surf Rico, no meio da Barra, Posto 4.

Realizamos o replantio com espécies doadas por biólogos do departamento Parques e Jardins da Prefeitura e o trabalho foi muito importante na preservação da vegetação nativa.

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Vegetação nativa na praia da Macumba - Foto: Ricosurf.com

Posteriormente, aproveitei essa espetacular experiência e passei a visitar e dar palestras sobre o tema nas escolas municipais. Os alunos, em algumas ocasiões, participavam do replantio nas praias. Dessa forma, eles aprendiam a sentir o desejo e a ter prazer em cuidar do nosso meio ambiente.

Depois implantamos também o projeto na praia da Macumba, na escola de surf Rico, em parceria com o Recreio Surf Clube. Após algum tempo, essa semente plantada germinou por todas as praias cariocas, criando uma importante consciência ecológica.

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Cercas construídas com estacas de eucalipto - Foto: Ricosurf.com

A partir do projeto, vários caminhos foram construídos para as pessoas chegaram à praia sem danificar a vegetação, e até as cercas eram feitas com estacas de eucalipto, que são espécies permitidas e aprovadas pelo IBAMA.

Cuidar do nosso meio ambiente é uma atitude muito importante que deve sempre ser tratada como prioridade por toda a sociedade, principalmente por nós, surfistas.

Aloha e boas ondas,
Rico de Souza

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Exemplos para todos

qui, 16/04/09
por rico de souza |
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Aloha amigos,

quero prestar a minha homenagem e respeito a todas as pessoas que tem deficiência e continuam com um belo sorriso no rosto, uma vibração positiva e lutando pelos seus limites e sonhos.

Algumas semanas atrás, eu fiz um surf muito bom na Macumba, no Point. Nesse dia, quando cheguei à praia, conheci o Fellipe e depois o vi surfando de caiaque, pegando boas ondas.

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Eu entre o Fellipe e o Ailton

Dentro d’água tentei incentivá-lo, dando força na sua remada, “insistindo” para que ele pegasse a onda e se divertisse.

Na mesma caída estava o Ailton (Perna), local da Macumba, conhecido e respeitado por todos pela sua batalha de pegar as ondas e ter uma vida saudável e feliz.

arquivo pessoal

Ailton

Eles são exemplos para outras pessoas que tem algum tipo de deficiência. Eles saem e vão a luta através do esporte e buscam objetivos que lhes tragam alegria.

Um outro grande exemplo é o Daniel Dias, medalhista paraolímpico. Já surfei com ele e o encontrei novamente no prêmio olímpico, onde pude dar um forte abraço e mostrar toda a minha admiração por esse grande atleta.

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Eu e Daniel Dias no Prêmio Olímpico - Foto: Ricosurf.com

Fábio Fernandes é outro exemplo. A primeira vez que estive com ele foi durante uma sessão de fisioterapia na FisioBarra, que é administrada pela Universidade Estácio de Sá. Logo depois nos encontramos no Point. O Fábio participa de um projeto maravilhoso, chamado Praia Acessível, que leva cadeiras anfíbias, pranchas de surf adaptadas, esteira de bambu e diversos outros materiais que proporcionam conforto e diversão para as pessoas com algum tipo de deficiência.

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Eu, Fábio Fernandes e mais alguns amigos o Point - Foto: Ricosurf.com

A todas essas pessoas que nos ensinam com ótimas atitudes, um forte abraço e obrigado pelos ótimos exemplos de determinação e força de vontade.

Aloha e boas ondas,
Rico de Souza



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