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O Espírito ALOHA

Sex, 03/10/08
por rico de souza |
categoria Sem Categoria

Hoje decidi fazer um post bem inusitado. Explico. Ao longo de toda a minha carreira e acumulando 100 temporadas no Havaí, talvez inconsequentemente a palavra ALOHA virou uma marca registrada minha. Até aqui no blog gosto de finalizar meus textos com o meu tradicional ALOHA RICO DE SOUZA.

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Mas poucas pessoas sabem o que quer dizer essa palavra que remete ao Havaí, ao surfe e de uma certa maneira a mim. Abaixo segue uma explicação de seu significado. Então Aloha e boas ondas, Rico!

Aloha” é uma palavra formada pelas iniciais de outras cinco palavras havaianas, cujos significados orientam a conduta do povo local. É o chamado “Espírito Aloha”.    A, vem de AKAHAI, Bondade a ser demonstrada com Ternura.  L, vem de LOKAHI, Unidade a ser expressa com Harmonia.  O, vem de OLU OLU, Cordialidade a ser demonstrada com Afeto.  H, vem de HA AHA A, Humildade, a ser demonstrada através da Modéstia.  A, vem de AHONUI, Paciência, a ser demonstrada pela Perseverança.     

Como os próprios havaianos gostam de dizer, palavras não são suficientes para traduzir todo o significado da palavra mágica “Aloha”. Trata-se de uma espécie de filosofia local, que permeia as relações interpessoais e faz com que cada indivíduo seja parte da coletividade. É o que diz um dos principais provérbios havaianos: 

“O nós, anula o eu”… “        ricohavai.jpg

Fotos: Mudinho e eu no espírito Aloha e Havaí

COPA RICO COCA COLA, A RETOMADA DO LONGBOARD

Ter, 30/09/08
por rico de souza |
categoria Sem Categoria

Hoje vou falar de um evento que começou despretensioso mas que marcou o início de uma nova era no surfe brasileiro, a Copa Rico Coca-Cola de Longboard, campeonato que trouxe de volta os pranchões ao Brasil. O campeonato aconteceu em 1988 e na época ninguém falava mais em longboard, as pranchas que foram responsáveis por todo o início do surfe. Na época, nomes de peso do surfe nacional como Daniel Friedmann, Jeferson Cardoso e Ricardo Bocão, que venceu a Copa, marcaram presença na da Barra da Tijuca,  no Rio de Janeiro.

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Fiz questão de montar uma infra-estrutura à altura dos grandes campeonatos de surfe e a repercussão, tanto na imprensa quanto no meio do surfe, foi excelente. Fiquei muito feliz com o resultado, que foi o início da retomada da modalidade. Eu não tinha noção de que o longboard se tornaria a febre que é hoje em dia vemos nas praias. Podemos dizer que a Copa Rico deu vários frutos desde que ela foi realizada.

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Nas etapas do WCT  - que antes tinha outro formato, sem o WQS, apenas com o Circuito Mundial principal, com todos podendo competir - tínhamos a categoria longboard. E nessa época eu passei a empunhar a bandeira do longboard, pois sempre prezei pela manutenção das raízes do surfe: as pranchas de remada, os pranchões, o surfe de peito, enfim, todas as raízes que foram responsáveis pelo esporte ser o que é hoje.

friedman1.jpg Outro fator muito importante a ser frisado em relação a Copa Rico Coca-Cola de Longboard, é que ela inspirou vários outros eventos de longboard no Brasil, inclusive o Petrobras Longboard Classic, que eu realizo desde 2001 e que também já inspira eventos que estão sendo realizados em todo o Brasil fortalecendo cada vez mais o longboard.  

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Hoje o longboard conta com um público muito forte, e os empresários estão descobrindo que esse filão, formado por vários compradores com muito potencial, pode fazer-lhes a diferença em termos de retorno publicitário e até efetivamente em vendas. Entretanto, o público que se interessa pelos pranchões já deixou a muito tempo de ser formado por “coroas”.

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Prova disso é nosso campeão mundial Phil Rajzman, que é jovem, radical e tem sua imagem totalmente atrelada à modalidade.  andre_bocao_italo.jpg  

Fico muito feliz em ter começado toda essa história com um evento que visava mostrar a todos de onde o surfe veio. Agradeço a todos que colaboraram para o sucesso da Copa Rico Coca-Cola. Tenho certeza que o longboard chegou para ficar!   pranchas2.jpg Mas também temos nomes como Picuruta Salazar, com 48 anos, nove títulos de campeão brasileiro, dando dura em nomes como Roger Barros, de apenas 19.
Fica aqui a saudade e a lembrança da retomada do longboard no Brasil.
Aloha, Rico!! Fotos: Kadinho, João Príncipe e Rico; Rico plantando bananeira; Daniel Friedman manobrando; eu e Daniel Friedman; Ricardo Bocão, Daniel Friedman e Jeferson Cardoso; André de Biase, Bocão e Ítalo; Visual dos pranchões.

O PRIMEIRO PIPELINE A GENTE NUNCA ESQUECE

Ter, 23/09/08
por rico de souza |
categoria Sem Categoria

No inverno de 1976, eu estava no Havaí e comecei a surfar em Pipeline, que nessa época já era crowd mas não tanto como hoje. Porém, um dia em especial entrou para a minha história. Era um dia normal daqueles maravilhosos anos 70. Eu estava com vários amigos: Xuxa, Otávio Pacheco, Paulo “Ratão” Proença, entre outros que não me lembro. Naquela época no North Shore não existiam as previsões, bóias e outros equipamentos atuais que nos permitem monitorar o mar com tanta precisão.   

Aquele era realmente um momento espetacular, com sol, altos tubos e ondas lindas! Nós estávamos usando pranchas em torno de 7′2″…7′4″. Na água estavam arrepiando caras que na época eram os melhores do mundo naquelas condições como o Rory Russel, Gerry Lopez. Lembro-me também que o Shaun Thomson mostrava ao mundo como surfar de backside em Pipe - tanto que no ano seguinte ele foi campeão mundial -, Simon Anderson e Rabbit Bartolomew também faziam a mala no Havaí.

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  Nesse dia, as séries começaram a explodir na bancada de Pipe com 6 a 8 pés; passando para 10, 12 e no auge o swell bombando com 15 pés havaianos, que na minha opinião exige muito respeito. Eu sempre ouvia falar de Pipe quebrando daquele tamanho, mas nunca havia surfado. Fiquei na areia me concentrando por alguns minutos, joguei a minha Owl Chapman gun 8′4″, na água e fui, quer dizer, tentei ir para o último reef, conhecido como Banzai. Tentei varar a arrebentação por duas vezes e não consegui - quando o mar está desse tamanho o canal praticamente desaparece.  De tanto insistir, finalmente consegui entrar, percebi que só havia mais dois caras no outside, e um deles era o Eddie Aikau - que na época não era tão conhecido como hoje - e outro havaiano que não me recordo o nome. Quando acabei de sentar na prancha e olhei para o horizonte, avistei aquelas linhas enormes vindo em minha direção. Remei pra fora com toda a força e passei por duas ondas no limite! A primeira que quebrou o Eddie dropou; a segunda o cara desceu e a terceira sobrou pra mim. Pensei: não posso amarelar! Remei… remei… e percebi que a onda era muito grande; com o terral me freando ficou mais difícil ainda entrar na onda, e, quando consegui, já não estava pensando em completar a onda, e sim, em chegar à base. pipe2.jpg A onda parecia que estava toda aberta, mas, como eu perdi o “time” do drop, ela se formou de uma maneira diferente pra mim. Eu desci numa velocidade incrível e acabei não conseguindo virar.  A partir daí  - lembrando que isso aconteceu em segundos - eu já tentava me equilibrar para não virar uma vaca, foi quando eu fui praticamente “explodido” por aquela massa d´água e vim me embolando com a espuma desde o outside até a beira, tomando um caldão!!. Apesar da força daquela onda me arremessando para o fundo com toda força, eu estava morando há quatro meses no Havaí, e meu preparo físico estava excelente não senti muito. erik2.jpg  

  Quando saí no quebra coco vi que estava em frente ao Eukai Park (bem para o lado do Pico), na correnteza que leva para Rock Point. Acabei me enrolando todo no inside, mas consegui sair. Esse foi um dia histórico pra mim, pois vários surfistas respeitados, entre outros, o Wayne  Rabbit Bartholomew - presidente da ASP -,  me disse nunca ter presenciado um drop tão vertical com aquele em Pipeline. Fiquei muito feliz, pois no Havaí atitude é tudo e todos presenciaram a minha naquela ocasião. No dia seguinte, o mar ficou “over control” e me lembro de ver caras como o Gerry Lopez e Rory Russel na areia, não porque estivessem amarelando, mas porque o mar estava bastante ruim mesmo.  pipe3.jpg O mar estava “survivor” e eu cai mais pela experiência de conseguir superar os meus limites. Peguei duas ondas que fecharam com aquela pressão que só Pipe tem, mas saí da água com a sensação de missão cumprida! Cair em um mar desses em Pipeline parece bastante fácil fora da água, principalmente no Havaí, com aquele sol maravilhoso, a água clara, enfim, cenário de paraíso. Mas dentro d’água a coisa é bem diferente.  Hoje em dia eu vejo a nova geração surfando com bastante intimidade com as ondas havaianas e, sem falsa modéstia, sei que abri caminho para eles, juntamente com caras como o Bocão, Otávio Pacheco, Paulo Proença, Renan Pitanguy,  entre outros que ajudaram a traçar a história dos brazucas no North Shore.Mas a lição fica: o primeiro Pipeline Banzai, a gente nunca esquece.   FOTOS: reprodução revista Visual, reprodução revista Japan Magazine arquivo Ricosurf, Erik de Souza ( foto Gordinho), Visual Pipe (foto arquivo Ricosurf.com)

PRIMEIRO CAMPEONATO INTERNACIONAL NO BRASIL

Ter, 16/09/08
por rico de souza |
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 Hoje a gente vai falar sobre o primeiro campeonato internacional de surf no Brasil. Ele foi realizado em 1975, quando eu voltei da minha primeira viagem a África do Sul, onde competi no “Gustom 500”. Na ocasião, tive a oportunidade de surfar aquela onda maravilhosa de Jeffrey’s bay. Na volta para o Brasil, eu convenci parte dos surfistas, principalmente, os havaianos e americanos, a fazer uma parada no Brasil. Eu hospedei parte da galera na minha casa e a Tiça, filha da Tia Baby, que morava no Humaitá, hospedou o resto. 

maraca.jpg    Foi o Bruno Hermany, que era mergulhador e dono da loja Aquacenter, que ficava na Rua Francisco Otaviano, no Arpoador, quem patrocinou o campeonato. O fato é que em 1975, sem nenhuma estrutura, nem planejamento, mas com muita vontade, nós organizamos o primeiro mundial de surf no Brasil.    Foi a partir do que aconteceu em 1975 que nasceu a idéia da criação de um circuito mundial de surf. Algo que se tornou realidade no ano seguinte. E os brasileiros fazem parte desta história. Foi o meu amigo Randy Rarick quem viabilizou o circuito mundial em 1976. O Randy criou um sistema de pontos que variava de acordo com a colocação dos surfistas nas provas que fizeram parte da primeira temporada da história do surf profissional.        brunohermany_cbcs.jpg    O circuito mundial nasceu com provas na Austrália, na África do Sul, no Brasil e no Hawaii. Portanto, no primeiro calendário oficial da I.P.S (International Professional Surfing), que anos mais tarde acabou sendo substituída pela A.S.P.(Association of Surfing Professional), consta que foi realizada uma prova no Arpoador. Me sinto orgulhoso de ter podido ajudar este sonho virar realidade.   Em 75 estiveram no Rio alguns dos mais influentes surfistas da época. Além do Randy, o Owl Chapman, que acabou ficando quase três meses no Brasil, e shapeou dezenas de pranchas na minha oficina, e o Rory Russel, que disputava com o Gery Lopez o título de melhor surfista em Pipeline, também curtiram muito sua passagem pelo Rio. Me lembro que quem também esteve por aqui foi o Yuri Farrant, um dos mais famosos filmakers da época.   No ano seguinte, em 1976, logo no primeiro ano do circuito mundial, o Waymea 5000 estreou como a etapa brasileira. Foi o Pêpe quem acabou vencendo o campeonato e entrando para a história como o primeiro brasileiro a vencer uma etapa do circuito mundial de surf. Em 77, o Daniel Friedman esteve imbatível nas esquerdas do Arpoador e se tornou o segundo brasileiro a vencer uma etapa do circuito mundial.    Em 78, o australiano Cheyne Horan, local de Bondi, apareceu no Rio e venceu a final na praia do Diabo. Cheyne já era um conhecido skatista na Austrália quando surgiu no circuito mundial de surf com um estilo diferente e bastante agressivo. Em 79, o Waymea 5000 não foi realizado, mas houve o desafio “Brazilian Nuts x Bronzed Aussies”. Me lembro que o Jim Banks substituiu o Mark Warren.     campeonatodiabo.jpg    No meio de tanta história e eventos importantes, a gente não pode deixar de falar de um cara especial: o visionário Nelson Machado. Ele foi grande responsável pela inclusão do Brasil no calendário do circuito mundial. Nelson sempre foi muito carismático, uma pessoa maravilhosa. Nelson foi comissário da Varig e era um excelente chefe de cozinha. Quem teve o prazer de conhecê-lo sabe o que estou falando.    Nos anos 70, o Nelson tinha uma loja de surf, em Ipanema, na esquina da Rua Montenegro. A loja se chamava Waymea e como ele era o patrocinador da etapa brasileira, que oferecia um prêmio de 5 mil dólares para o seu vencedor, o campeonato foi batizado de “Waymea 5000”.ricorandyrarick.jpg   Em 1981 foi realizada a última edição do Waymea 5000 e entre os finalistas, além do tetra campeão mundial Mark Richards, estavam dois brasileiros : Valdir Vargas e Fred D’Orey, ambos da equipe Rico.    Foi o Waymea 5000 que impulsionou o surf no Brasil e deu a primeira oportunidade para que os surfistas brasileiros pudessem competir no Brasil contra os melhores do mundo. Fica aqui um forte abraço para o Nelson Machado. Valeu Nelson ! Você merece.Fotos: Maraca um dos destaques da época, Bruno Hermany ( foto CBCS), um dos primeiros eventos no Brasil, eu Randy Rarick. 

PICURUTA SALAZAR: AMIZADE E MUITO SURFE

Qui, 11/09/08
por rico de souza |
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Hoje vou falar de um grande amigo e, na minha opinião, um dos maiores nomes do surfe brasileiro, o Picuruta Salazar. Voltando no tempo… Eu conheci o Picuruta e seu irmão Almir nos anos 70, em Cabo-Frio. Eu tive o prazer de vê-lo surfar, e ali, percebi que ele seria um dos grandes nomes do nosso surfe. Ele veio de uma família bastante humilde e eu sempre valorizei esse lado dele.

ricopicu.jpg   O Picuruta começou a brilhar no início dos anos 70, já fazendo um surfe radical, com manobras muito fortes e modernas. A radicalidade sempre foi a marca de seu surfe. Eu me lembro de um evento em Saquarema, acho que era o Ala Moana, e o mar estava espetacular. Na época, eu estava narrando para a TV Manchete. A final desse evento foi com o Daniel Friedmann e o Picuruta, entre outros, que não me lembro no momento. Na disputa pintou uma esquerda espetacular e o Picuruta pegou a onda, mas o Daniel passou por trás dele e entrou na onda como se a prioridade fosse dele todos acharam que a onda era do Daniel, que também é muito meu amigo, e deram interferência para o Picuruta.

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  Foi um lance muito rápido e pouca gente viu.  Quando saiu o resultado, o Daniel foi apontado como o grande campeão, mas eu tinha visto todo o lance e tive que argumentar, disse  que o Picuruta havia sido campeão. Falando hoje em dia, parece simples, mas nessa época havia uma grande rivalidade entre o Rio e São Paulo, e essa foi uma situação realmente muito difícil.  Depois disso, eu passei a patrociná-lo e nossa amizade foi se fortalecendo. Quando ele vinha ao Rio ficava na minha casa e até hoje a minha amizade com a família Salazar é muito forte.

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Outro episódio legal de citar foi quando o Picuruta venceu um campeonato no Sul do país e ganhou uma passagem para o Havaí.  E eu fui o ”maluco” a ser responsável por ele e pelo Almir na Embaixada Americana! Eles não tinham como comprovar renda e eu entrei na embaixada e fiz essa loucura (rs).  No primeiro dia que  o “gato” , seu apelido, foi competir no Pro Trials, um dos mais importante eventos do surfe mundial, e simplesmente quebrou em  Sunset, que estava grande e espetacular - 10, 12 pé de oeste. O detalhe era que aquela foi a primeira vez que nosso campeão estava caindo no Havaí, além de ter sido a  primeira vez que surfou com uma gun ( prancha para ondas grandes). Picuruta pegou altas ondas mesmo!!! inclusive vencendo o campeão norte-americano da época.  plc.jpg

Eu fui seu “caddie” e fiquei no canal dando algumas instruções para ele, que vinha com tudo em cada onda surfada.   Ele ganhou a bateria, e na sua última onda,  pegou uma bomba lá no out side de Sunset, veio conectando, passou entubando no inside, passou pela parte mais flat e cheia e conectou até a beira - quem conhece Sunset sabe que tem que ter muito conhecimento e talento para percorrer a onda toda desse jeito.  Ous seja, ele arrebentou sem nunca ter caído no pico.

Nessa época no Havaí quem eram os reis dos tubos era o Michael Ho, Hans Hedmann, Buzy Kerbox,  e o Picuruta pegou tubos tão profundos quanto eles, em ondas como Pipeline, Backdoor, Rock Point. O Picuruta não teve a oportunidade de correr todo o circuito mundial. Se nessa época ele tivesse um patrocínio que realmente investisse nele,  eu tenho certeza que  seria um dos grandes destaques do circuito.

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Sem sombra de dúvida o gato seria um dos nossos top brasileiros como o Fabinho, o Teco e o Mineirinho.  Falando em longboard só pra começar a falar,  ele tem nada menos que 150 títulos! Já foi quatro vezes vice-campeão mundial, nove vezes campeão brasileiro e um dos campeonatos que ele mais surfou foi o Oxbow Soul and Style, em Puerto Escondido, no México no qual selecionaram 16 dos melhores  longboarders do mundo. Eles tinham que surfar de pranchinha e de pranchão e mostrar todo seu talento em ondas tubulares. E nessa ocasião eu participei da comissão julgadora, que  tinha critérios diferentes dos adotados nos campeonatos de surfe convencionais. Nós apontávamos o vencedor, sem notas.  Eram quatro  juízes: eu, Nat Young, Gary Linden e um campeão havaiano. Nessa ocasião, não houve nenhum resultado contestado e o Phil Rajzman  inclusive venceu o evento.     picuhoraciorico.jpg  A bateria mais casca-grossa do evento foi entre o Picuruta e o Joel Tudor, outro grande surfista. Eles fizeram um duelo de tubos espetaculares, com ondas de 8 a 10 pés, extremamente pesado, com poucas ondas abrindo. O Picuruta pegou uma onda praticamente fechada, passou toda a primeira sessão, depois passou outra e outra, três sessões entubando. Se tivesse dar nota seria um 10!   E o Joel tinha, digamos, um 9,5 e outro 9,0, se fosse em notas. Se só uma onda valesse, o Picuruta venceria. Mas acabamos dando a vitória para o Joel. mexico3.jpg  

Eu tenho um carinho especial pelo Picuruta e pela sua trajetória. Aos 48 anos ele continua patrocinado e top surfer, vence nomes como Roger Barros ( campeão brasileiro), com menos de 30 anos que ele e isso não é para qualquer um.

Já viajei com ele para vários lugares e ele demonstra que é um amigo do peito e não tem duas caras, se ele for seu amigo vai ser até debaixo da água e é por isso que eu realmente o admiro.   É um cara digno, correto, amigo e muito carismático também.  Fica aqui meu Aloha e meu abraço em toda a família Salazar.

 Fotos em ordem: Eu e Picuruta em Santos, Eu e Daniel Friedman com a maior prancha do mundom Eu, Picuruta ( de pé) e amigos. Havaí anos 70m, Picuruta num cut-back,  Comemorando mais um título em Santos, Eu e Picuruta observando o Horácio laminando - Havaí anos 70.

 

SHAPEANDO ATRAVES DAS DÉCADAS

Seg, 08/09/08
por rico de souza |
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Hoje eu vou falar um pouco sobre fabricação de pranchas. Em 1964, eu comecei a surfar com uma prancha de madeira. Em 1966, eu tive minha primeira São Conrado. Logo depois comecei a consertar e, em seguida, a fabricar pranchas. Inicialmente só para alguns amigos, mas um tempo depois tinha uma produção grande que abastecia, inicialmente, o mercado carioca e, depois, o brasileiro, que cresceu muito a partir do início dos anos 70.

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Venho me dedicando a arte de shapear há muitos anos. Nos anos 70, durante as minhas viagens para competir no exterior, eu aproveitava para trazer as últimas novidades para o Brasil. Fiz as primeiras swallows e depois que assisiti o Ben Aipa shapeando uma stinger trouxe o modelo para o Brasil. As Rico stinger foram uma febre por volta de 1975.  Na minha opinião, a maior contribuição que eu dei com meu trabalho como shaper foi através das minhas experiências com as canaletas. ricosinglefin.jpg  Uma espécie de canal que o shaper pode fazer no fundo das pranchas e que costuma aumentar a velocidade delas.  A minha concepção das canaletas foi muito influenciada pelas pranchas do australiano Collin Smith. Um goofy footer de Newcastle, que o Tom Carrol já declarou tê-lo inspirado bastante no início da sua carreira. Enfim, as primeiras pranchas com canaletas que eu vi o Collin Smith surfando me impressionaram bastante. Principalmente pela velocidade que elas alcançavam. Mas as pranchas com canaletas costumam apresentar problemas em condições de ondas mexidas. Por serem muito sensíveis, principalmente no que diz respeito ao seu fundo, estas pranchas funcionam melhor em ondas mais lisas.     ricosurf.jpg    As canaletas do Collin Smith tinham um ângulo mais reto do que as minhas, que eram mais arredondadas e, ao invés de acabar no final da rabeta, acabavam na altura das quilhas. Eu acredito que isto faz com elas apresentem menos problemas de turbulência em ondas mexidas. As primeiras canaletas que eu fiz foi na época das single fin. Muitos surfistas famosos experimentaram e gostaram delas. O Michael Ho foi um deles.  Ele surfou com algumas delas e eu até fiz um anúncio com ele. Outro grande surfista que usou, e se deu muito bem com minhas canaletas, foi o Cauli Rodrigues. O surf radical e veloz do Cauli se destacou com as canaletas. valeriohoracio.jpg O Michael Ho chegou a tirar um segundo lugar num campeonato no Hawaii com uma prancha minha. Além dele, o Hans Hedeman era outro havaiano que volta e meia usava minhas pranchas.  É curioso reparar que ao longo dos últimos anos, e depois de tantas evoluções nos modelos das pranchas, as canaletas continuam sendo usadas por alguns shapers. Elas estão ai desde os anos 70, em plena era das single fin. As canaletas sobreviveram ao reinado das twin fin e estão ai até hoje, quando a maioria dos surfistas usa pranchas com três quilhas.  A longevidade das canaletas é incrível. michael.jpg

Hoje em dia eu uso canaletas em alguns longboards que tenho shapeado. Continuo acreditando na funcionabilidade delas. Agora, tô até pensando em testá-las nos stand ups que estou shapeando. A equipe Rico foi outro marco na minha carreira de shaper. Na época, tive a oportunidade de shapear para grandes surfistas como : Valdir Vargas, Roberto Valério, Fred d’Orey…e o Cauli Rodrigues, que eu já citei. Eu quero aproveitar a oportunidade para agradecer a todos os surfistas que trabalharam comigo durantes estes últimos 40 anos. Pois eles foram os responsáveis pela minha evolução como shaper. Muito obrigado a vocês todos !   Fotos: shapeando no Peru  anos 60; no Havaí anos 70, ao lado de algumas single-fins; usando uma triquilha no Havaí ( essa foi uma das primeiras triquilhas a chegar ao Brasil); com Horácio Seixas ( excelente laminador que até hoje trabalha no Havaí) e Roberto Valério, big rider brasileiro que nessa época -  70´s - surfava com minhas pranchas; e Michael Ho, arrebentando até hoje (foto Gordinho)    

BRASIL SURF: A PRIMEIRA REVISTA DE SURF BRASILEIRA

Qua, 03/09/08
por rico de souza |
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 Hoje, eu vou falar de um tema espetacular. Estou aqui em minhas mãos com alguns recortes da primeira revista de surfe do Brasil, a Brasil Surf. Seu primeiro exemplar foi publicado em abril de 1975, com o preço de dez cruzeiros e eu tive o orgulho de ter sido o primeiro surfista convidado a dar uma entrevista.  Altas fotos de Saquarema, do campeonato Magno - primeira loja de surfe do Brasil - e a gente não poderia deixar de elogiar as pessoas que idealizaram essa revista maravilhosa: o Flavio da Brasil Surf, que a gente até esquece o sobrenome dele, pois ele já incorporou o nome da revista a seu nome. Também tinha seu irmão o Fernando Brasil Surf, que cuidava da parte gráfica e até hoje somos grandes amigos, além do Alberto Pecegueiro, atualmente um grande executivo das Organizações Globo.  brasilsurf2.jpgE nosso saudoso e querido Nilton Barbosa, grande fotógrafo que depois fundou a revista Visual.  Tenho muito respeito e muita admiração por essa revista. Nesse momento, por volta de 75, 76, era uma época mágica no surfe brasileiro: campeonatos em Saquarema, Waymea 5000. Um verdadeiro boom no esporte. Lembro que em 1976 foi o primeiro ano que fui para a Austrália, depois segui para Bali e ali eu já percebia que as coisas realmente estavam mudando no mundo do surfe brasileiro.  brasilsurf.jpgE a Brasil Surf chegou exatamente nesse momento e serviu como um catalisador de todo esse movimento. Também foi em 76 que foi fundada da IPS ( International Professionals Surfing), hoje, ASP ( Association of Surfing Professionals).  São Paulo também já estava ligando suas turbinas com os empresários como o Sidão da “Op” começando com as lojas, enfim, as coisas realmente começaram a acontecer em termos de profissionalismo.  brasilsurf3.jpgFico orgulhoso de tudo isso ter sido criado no Rio de Janeiro, que se firmou com um formador de opinião, e a revista acabou virando a famosa Visual Esportivo. Depois vieram a Fluir, a Hardcore e hoje quem faz as honras da casa no Rio de Janeiro é a Surfar, revista editada pelo ex-surfista profissional José Roberto Annibal.     brasilsurf6.jpg   Voltando à Brasil Surf, eles escolhiam pautas maravilhosas e a galera que fazia a revista eram surfistas de alma, respiravam surf vinte quatro horas por dia e faziam tudo com muita alegria, e a revista era resultado de toda essa ótima energia e vontade de ver o surfe  crescendo.  brasilsurf5.jpg A Brasil Surf também inspirou as pessoas a começarem a trabalhar com o surfe, levando o esporte com uma postura mais profissional e consolidando o surfe como um esporte sério e lucrativo. Hoje vemos a indústria nacional caminhando com suas próprias pernas, atletas competindo ao redor do mundo e toda uma organização que gera inúmeros empregos. Deixo um abraço a todos da Brasil Surf, que foi uma importantíssima semente em todo esse processo.    brasilsurf4.jpg   Aloha Brasil Surf!!!Recortes da Brasil Surf: Matéria especial em Saquarema e matéria na África do Sul.

BANZAI RICO DE SOUZA

Sex, 29/08/08
por rico de souza |
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Vou falar de um fato bem interessante em minha carreira. Em uma das minhas várias idas ao Havaí na década de 70 e 80, em meio a uma sessão com altas ondas em Sunset, conheci um jornalista. Até aí nada demais. Mas o inusitado é que tratava-se de um jornalista japonês e ele quis fazer uma entrevista comigo. Ele falava inglês, com bastante sotaque,  mas foi o suficiente para ele fazer uma bela entrevista comigo. 

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    Foi bastante interessante. Passaram-se vários meses e eu já até tinha esquecido daquela entrevista e do meu encontro com meu amigo japonês no Havaí. Foi quando chegaram em minha casa alguns exemplares da revista, a “Oriented Magazine”. Era uma revista muito bem impressa com ótimas fotos, muita publicidade mostrando a cultura oriental, que é bem diferente da nossa.     japao4.jpg Nessas fotos da postagem vocês podem ver como ficou a diagramação e se hoje já é inusitado vermos publicações japonesas, imaginem naquela época, há cerca de 20 anos atrás! Eles selecionaram 20 surfistas no Havaí, que falaram sobre seu dia-a-dia no Arquipélago.  Apesar de eu não entender nada em japonês, fiquei muito feliz em ver o carinho que eles trataram a matéria, com uma ótima diagramação e bastante espaço destinado a um surfista brasileiro. japao3.jpg Um outro aspecto interessante é que a revista japonesa é lida de trás para a frente o que deixa mais interessante e diferente a matéria. 

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É amigos, essa é mais uma história inusitada da minha carreira. Aguardem outras histórias.

Aloha, Rico de Souza.

ISMAEL MIRANDA: SURF DE RESPEITO

Qua, 27/08/08
por rico de souza |
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   Hoje eu quero prestar uma homenagem a Ismael Miranda, surfista local do Arpoador nos anos 70, goofy footer, um cara que gostava das ondas pequenas, médias e grandes e que foi um talento do surfe brasileiro.   

Eu também queria agradecê-lo, pois ele foi muito importante na implantação da primeira escola de surfe brasileira, no Arpoador, em 1983, quando tive o prazer de tê-lo como professor desse projeto pioneiro no Brasil. Ele me ajudou muito, junto a nomes como Picuruta e Almir Salazar, Pepe Cezar, nosso grande diretor de cinema que fez o Fábio Fabuloso e o Rodrigo Osborne.

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O Ismael sempre foi muito prestativo e nessa época ele já havia sido vice-campeão mundial no saudoso Waymea 5000. Ele conhecia como ninguém aquelas esquerdas e um de seus grandes rivais, em termos de conhecimento e desempenho nas ondas do Arpex, era o Daniel Friedmann, que também sempre surfou muito ali.  O Ismael é um cara pelo qual nutro uma grande admiração. Ele é uma pessoa muito correta, sempre na dele e que merece muito essa homenagem. Depois do Waymea 5000 ele foi representar o Brasil no Pipeline Master e no dia que ele entrou na água para competir eu estava lá.  

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O mar estava gigante, pesado, e ele, apesar de estar fazendo uma de suas primeiras viagens internacionais - se não a primeira -  brilhou naquelas condições extremas. Botou pra baixo sem o maior receio, sem medo, sem puxadas de bico, mostrando muita disposição. Também lembro dele surfando em alguns mares bem cascudos em Jocko´s, Sunset e outros picos de respeito no Havaí.

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Depois da sua dedicação ao surfe, ele começou a praticar jiu-jitsu, tendo como mestre o Carlson Gracie, teve aulas com o Rickson e depois começou a se dedicar à área da segurança. Devido a sua ótima reputação e dedicação, fez seguranças de várias famílias tradicionais e sempre se mantendo como um exemplo. 
 Quero deixar um abraço pro Ismael como um cara que influenciou muita gente deixando seu legado como um cara honesto, talentoso e que representou muito bem o surfe brasileiro. Aloha de seu amigo, Rico de Souza.Fotos arquivo pessoal Ismael: com Carlson Gracie, com Rickson Gracie e família Aragão

O CRUZEIRO: MÍDIA SE INTERESSANDO PELO SURF

Seg, 25/08/08
por rico de souza |
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Hoje eu vou falar da minha primeira entrevista para uma revista de circulação nacional, a O Cruzeiro, que na época também era vendida em Portugal. Foi muito bom pra mim e pro surf brasileiro ter quebrado essa barreira, estando em um veículo de grande porte.

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O esporte ganhou muito respeito pois seus leitores eram formadores de opinião que não sabiam muito sobre o surf. Foi uma matéria muito legal que falava das ondas do Havaí, de fabricação de pranchas, dos campeonatos de Ubatuba. Era uma época em que a Brasil Surf (primeira revista de surfe brasileira) e a Veja ainda não haviam sido lançadas, nem a Isto é, nem a Época e, principalmente, ainda não havia nem sinal de internet. E isso só fazia crescer a relevância de se ter uma matéria numa revista como a O Cruzeiro.

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  Ali, o surf teve bastante visibilidade e foi muito legal porque mostrou aos pais que através da fabricação de pranchas eu ganhava dinheiro pra viajar, nessa época não existiam patrocínios mas eu conseguia levar uma vida legal com o meu trabalho relacionado ao surf. Era uma época em que tudo estava começando, com muitos sonhos, com muitas descobertas e novas oportunidades. E só mais tarde mesmo, em maio de 1975, que a galera conseguiu montar a revista especializada, que foi a Brasil Surf.

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E poder estar na capa de uma revista dessas era maravilhoso. Uma observação legal, é que, como vocês podem ver pela foto, o conceito de mulher bonita era muito diferente do de hoje.  O pessoal da revista pôs uma modelo na capa e isso me trouxe um destaque muito grande e uma nova oportunidade de fazer novos negócios: buscar patrocínios, me relacionar com pessoas influentes, e esse relacionamento saudável com a mídia potencializou vários bons negócios que hoje se traduzem no atual status que o surf conseguiu frente à sociedade.   Fotos: reprodução O Cruzeiro - Arquivo pessoal.