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Das coisas inexoráveis da vida

seg, 29/06/09
por pedro lazera |
categoria Sem Categoria

Quando seu time, e supondo que você tenha bom gosto, nosso time, não tá ganhando, você sofre até ele fazer o gol. Quando ele está ganhando, você torce para o jogo acabar logo. Quando está empate, dependendo da situação, você torce para o relógio parar ou andar mais rápido. A verdade é que Nick Hornby estava certo, quando escreveu seu livro “Febre de Bola”. Gostar de futebol é viver sempre num estado de constante agonia.

E quem acha que essa agonia acaba ali no estádio, logo que o juiz apita, está enganado. Ou então não deve gostar muito de futebol. Porque essa peste dura muito mais que noventa minutos. Ela está com você todas as horas, todos os dias. Nos noticiários, nas manchetes dos jornais, no globoesporte.com, nas ruas, praças e avenidas. No bom dia entristecido do Seu Anésio no elevador. No cafezinho frio que a mulher da copa esqueceu de esquentar porque o miserável do Weldon não acertou o pé. No zero enorme na prova de Estudos Sociais do garotinho que nem sabe que o mundo é mundo ainda, mas já sabe o que é sofrer por futebol.

Ah, o futebol. Só ele e o amor, que pra muita gente, são uma coisa só, afetam outras coisas que são imutáveis na vida.

Uma delas é o tempo. Basta seu time levar um gol impedido aos 48 do segundo tempo para o Doutor Emmet Brown levantar vôo com seu Delorian e bagunçar todas as horas, minutos e segundos do universo. Aí a segunda-feira chega logo no domingo, antes mesmo do Zeca Carmago e da Patrícia Poeta. E dura exatamente sete dias. Cada um deles com 48 horas de duração. 48 longas horas. O equivalente a dois dias inteiros, duas manhãs, tardes e noites, ou simplesmente, uma hora de “A Fazenda”.

E como se não bastasse bagunçar o tempo, o futebol esculhamba com sua cabeça. Se não existisse futebol, as pessoas bateriam menos o carro, menos mães seriam chamadas de piiiii e os alvi-rubros, que não seriam alvi-rubros, poderiam dormir tranquilos sem ouvirem uma buzina de cazá-cazá sequer. Mas pelo menos existe um lado bom do futebol existir. Se Sandro Goiano não se distraísse com o futebol, ele já teria causado o Armageddon, só por tédio mesmo.

Não há como fugir do futebol. Você pode estar num ótimo momento na vida. Pode ter chegado ao topo. Mas se seu time, infelizmente, o nosso time, estiver na lanterna do campeonato, você (e eu) também vai estar com um pezinho no fundo do poço. É um paradoxo. Uma contradição. Uma baita tosqueira. O futebol é inexorável. E eu não sei direito o que essa palavra significa, mas quando o arquiteto da Matrix falou, o mundo estava se acabando.

Isso é loucura. É como se o futebol estivesse sempre com você. Como se você tomasse café todos os dias com o Emerson Leão. E ele está sempre de mau-humor, cobrando mais esforço da sua parte para pegar a margarina do outro lado da mesa. É como se Durval estivesse do lado daqueles souvenirs de tartaruga que balançam a cabeça. É como se o Hamilton lhe desse uma voadora na caixa dos peitos toda vez que você acorda depois de uma derrota.

Deve ter algum jeito de se livrar do futebol. Tem que ter. Não dá para levar uma vida saudável desse jeito. Não dá para continuar vivendo nessa agonia toda. Deve ter um jeito. Mas depois eu me preocupo com isso. Porque agora eu vou ver os três gols de ontem e logo depois, sacanear um amigo alvi-rubro.

É, amigo. Sei bem como é isso.

Futebol burocrático (texto de Mateus Barbosa)

seg, 22/06/09
por pedro lazera |
categoria Sem Categoria

- Alô…

- Boa tarde com quem eu estou falando?

- Aqui quem tá falando é igor, do setor de zaga. Sabe o que é, eu tô precisando acionar meus atacantes, pro time fazer gols.

- Tudo bem, Sr. Igor, mas para isso, você precisa estar entrando em contato com o setor de contenção do meio de campo, procure o Hamilton. Tem outro rapaz lá, o Fabiano, mas ele é novato não sei se vai puder estar te ajudando. Este atendimento vai estar gerando um número de protocolo, que sera enviado por e-mail, o senhor deseja anotar?

- Não, não. É que essa bola precisa chegar no ataque rápido, antes que a gente entre em crise sabe? Vê se você pode me ajudar…

- Olha senhor Igor, infelizmente este é o procedimento, você não pode enviar diretamente para o ataque, tem que passar pelo setor de contenção do meio campo.

- Mas eu já fiz isso inúmeras vezes, já perdi a paciência, porque todas as vezes, a bola não chegou ao ataque, o protocolo se perdeu pelo caminho e não sei quem pode me ajudar.

- Infelizmente, Sr. Igor, este é o procedimento. E quando a bola estiver chegando no setor de contenção do meio campo, o pedido estará sendo analisado e estará sendo encaminhado ao departamento de meias de ligação. Só uma dica: esse departamento anda meio devagar, por isso é bom o senhor estar ficando em cima, cobrando. Acho que é lá que o protocolo está se perdendo.

- Mas eu preciso fazer a bola chegar ao Ciro, ao Weldon. Isso é um absurdo!!! Eu queria falar com o presidente do clube, por favor!!

- Infelizmente o senhor presidente não está podendo atender, ele está em reunião para contratar um novo jogador, mas o jogador pediu 180 mil de salários, e a negociação ainda se arrasta, mas segundo nossos dados aqui no sistema, já está 97,356721% concluída, sendo terminada daqui há uns dois ou três meses.

- Mas isso é um absurdo! E outra coisa mocinha, eu quero reclamar do juiz, esse segundo gol foi claramente impedido.

- Olha senhor, para isso o senhor terá de estar ligando no 666-0000, no setor de relacionamento da comissão de arbitragem. Espero ter podido ajudar, tenha uma boa noite.

- Boa noite??? Perdendo do Santo André??? Com gol roubado?? Sem conseguir resolver nada aqui dentro!!! Você não sabe o que está falando mocinha, eu preciso de…

Tu, tu, tu, tu, tu, tu, tu, tu…

Pedro x o outro time (texto de Fred Figueiroa)

qui, 18/06/09
por pedro lazera |
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Pedro tem 6 anos de idade.

Bem naquela fase da vida em que, de repente, se descobre que um jogo de futebol – até mesmo aquele em que termina 0 x 0 – é muito mais emocionante do que os desenhos animados.

Naquela fase em que começamos a achar que são os jogadores e não os super-heróis que têm superpoderes. E descobrimos que dar um drible no zagueiro e marcar um gol decisivo é muito mais difícil do que voar, disparar raio lazer dos olhos e salvar o mundo.

E se existe uma forma mágica de se fazer essa transformação, de deixarmos de ser criança para nos tornarmos torcedores, é indo para a Ilha do Retiro.

Foi assim que Pedro descobriu o futebol de verdade. Não o dos videogames, da televisão, da pelada com os coleguinhas no colégio.

E sim, o futebol que prende os olhos, a cabeça e o coração. O futebol que não se joga. O futebol que se sente. O da alegria inexplicável. Da euforia incontida. O que não termina em 90 minutos. O que nunca termina, na verdade.

E esse mesmo futebol também é capaz de nos fazer chorar. Mesmo que todas as coisas importantes da nossa vida estejam em seu devido lugar…o futebol pode vir e atropelar tudo com sua impiedosa imprevisibilidade.

Dia desses, Pedro ganhou camisa, calção e meião do Sport. Vestiu-se até a alma. Acordou ansioso. Queria saber se faltava muito tempo para chegar a hora do jogo. E como faltava! Seria um daqueles dias intermináveis. Na escola, contou com orgulho que naquela noite iria para a Ilha do Retiro. E foi. E se emocionou. E viu o time arrasador pressionar o adversário do início ao fim. Viu aquelas bolas que iriam entrar, de repente, sair. Bater na perna, nas mãos do goleiro. E viu, enfim, o seu time fazer o gol na hora mais importante. E viu, como sempre, o seu time ganhar. Mas daquela vez, era preciso ganhar duas vezes na mesma noite.

E só ganhamos uma.

Faz mais de um mês que a Libertadores acabou para o Sport, certo? Errado.

Na verdade, a Libertadores só acabou mesmo para nós na noite de ontem. Longe da Ilha. Longe até dos nossos olhos. No estádio Centenário de Montevidéu, o Palmeiras foi traído pelo seu principal jogador: a sorte. Sorte que decidiu a classificação aos 40 e tantos minutos no estádio David Arellano, em Santiago do Chile, silenciando 45 mil torcedores do Colo Colo. Sorte que decidiu a segunda classificação na disputa por pênaltis na Ilha do Retiro, silenciando mais de 35 mil rubro-negros.

Entre eles, Pedro. Entre eles, eu. Entre eles, você.

E depois de semanas e semanas vendo as televisões repetirem a cena do goleiro Marcos defendendo o pênalti de Dutra e saindo correndo para comemorar, foi lindo vê-lo desesperado, correndo para a área adversária tentar o cabeceio, ou se ajoelhando na grama e colocando as mãos na cabeça a cada gol perdido…E, no final, a imagem que ficou para a história: O goleiro palmeirense estirado no gramado do Centenário. Imóvel. Triste. Inconsolável. Eliminado. Sentindo o que sentimos.

Foi como se tivéssemos voltado no tempo. Empatado aquela decisão nos pênaltis.

Não ganhamos, nem perdemos. Apenas sentimos que se corrigiu uma distorção do destino. Que se fez justiça.

Por isso, ontem à noite, quando o pai do menino Pedro chegou em casa do trabalho. Assim que abriu a porta, viu o filho correr e dizer: “Pai, o Palmeiras caiu da Libertadores!”.

É quase como nos desenhos animados que Pedro inda assiste. Pode não ter havido final feliz dessa vez, mas pelo menos, o “mal” também não venceu.

Mais ou menos neste mesmo momento, o goleiro Marcos dava uma entrevista no vestiário do Centenário dizendo que seria mais justo ter sido eliminado pelo Sport.

Seria mesmo, Marcos.

Nós sempre soubemos disso.

Então, agora acho que é hora de dizer que acabou. Que, enfim, “passou”. Podemos até dizer que a dor virou lição. E, se quisermos, usar a matemática para provar “por A + B” que o Sport foi melhor que o Palmeiras na Libertadores. Eles jogaram 10 partidas, fizeram 15 pontos. Nós jogamos apenas oito jogos e fizemos 16.

A grande diferença é que nós sabíamos que o Sport poderia ter ido mais longe nesta Libertadores.

E os torcedores do Palmeiras sabem que foram até o limite. Ou, na verdade, um pouco além.

Sobre o menino Pedro, personagem deste texto, ele fará aniversário nos próximos dias. O local escolhido era o game station. Mas ontem ele pediu a mãe para trocar. Quer fazer num campo de futebol society.

A mãe, então, perguntou: “Vai ser o time de Pedro contra que time?”

E ele, de imediato: “Não mãe. Eu quero que seja Sport e Palmeiras”.

É, pelo visto, esta rivalidade ainda está começando…

——

PS: O Sport não contrata ninguém que preste, mas aqui no blog, as contratações são do melhor nível. Provavelmente, Abdul Jabah, famoso milionário e dono do Chesterfield Ham United, já deve estar de olho. Pedro Lazera para Diretor de Futebol já!

Reaprendendo a ser zebra… (texto de Gilvan Calou)

qua, 17/06/09
por pedro lazera |
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Acho que a pergunta a que todos os rubro-negros tentam responder nesse momento é: “O que aconteceu com o time que fez com que o grupo mais difícil da Libertadores parecesse fácil?”

A partir dessa intrigante pergunta, podemos pensar em várias hipóteses:

a) O time foi desmanchado pelo grande assédio de clubes europeus
b) A diretoria deixou de pagar os salários dos jogadores
c) Luís Carlos Ferreira (o treinador mais sem noção que vi na minha, ainda breve, vida) foi recontratado e definiu o esquema da equipe como 2 – 3 – 5, sendo que Durval é o goleiro, Ciro, o zagueiro e Magrão, o volante.
d) O Campeonato Brasileiro tem um nível muito mais elevado que o do grupo do Sport na Libertadores
e) Depois de sucessos recentes e de ter ganho, merecidamente, o reconhecimento e respeito dos profissionais de futebol no Brasil, os jogadores do Sport esqueceram qual o principal ingrediente da receita pra conquistarem tudo isso: “correr e brigar mais que o adversário, pois este era, invariavelmente, o favorito”

Bom, acho que, devido às alternativas propostas, até o mais desligado dos rubro-negros acertaria a resposta… O fato é que o Sport desaprendeu a ser Zebra. Ou esses jogadores não lembram como foi a conquista da Copa do Brasil?

O Sport não ganhou jogando igual a Espanha, com toques rápidos, refinados e precisos. Não digo, com isso, que o nosso time não tinha técnica. Claro que tem, mas esse nunca foi o nosso ponto forte. O que tínhamos de melhor era o atacante voltando para marcar a subida do lateral adversário (Bala tinha todo o crédito nisso), os meias diminuindo o espaço dos volantes… Durval e Igor sem nunca deixarem a bola e o atacante passarem simultaneamente.

Bom, amigos… (por um momento pensei em escrever “Bem, amigos”, mas isso lembra um certo narrador não muito popular e isso não seria legal na minha estreia no blog :D) para resumir, o Sport chegou aonde chegou porque sempre se dedicou a estudar bem o seu próximo adversário e marcar todas as suas virtudes incansavelmente… e fazia isso muito bem! Pois é… fazia! Porque hoje, no Brasileirão, o time não vê seus adversários como superiores e, com isso, não se dedica a eles com o mesmo empenho do passado recente. Dessa forma, tanto podemos ganhar ou perder, as chances de uma coisa ou outra acontecer são iguais, perdemos o nosso diferencial e viramos mais um time japonês (igual aos outros). E, nessa historinha de time japonês, quatro deles irão cair. É disso que tenho medo.

Portanto, faço um apelo urgente a Leão: “caro treinador do glorioso Leão da Praça da Bandeira: entre em contato urgente com Nelsinho para que ele o ajude a fazer com que nossos jogadores busquem na memória como o Sport se concentrava em cada jogo como se fosse o último, como se o adversário a ser batido fosse o Barcelona, como se cada torcedor na arquibancada fosse morrer caso perdêssemos o jogo!”.

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Gilvan Calou é um Rubro-negro chato pa kct! (segundo o proprietário deste blog, embora ele saiba que isso é um pleonasmo). Também é Analista de Sistemas. Necessariamente nessa ordem… que adora escrever com reticências… e cujo mantra em cada jogo do Leão é “Sai, sai, sai, saaaaaaaai”!! Até hoje espera receber R$50 de George (grande amigo alvi-rubro) por ter ganho uma aposta na qual disse que o Sport venceria o Náutico com 4 gols, nem mais, nem menos.

Carta aberta

ter, 16/06/09
por pedro lazera |
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Fala, galera.

Esse post não é repetido, mas queria mais uma vez pedir desculpas pela falta de atualização. As coisas andam meio corridas e tudo mais. Mas isso aqui não vai ficar às moscas por muito tempo. Assim como o Sport, o blog tá precisando reagir. E por isso, já tô tomando algumas providências. A primeira delas está sendo arrumar colaboradores legais pra escrever pra vocês, já que tá punk tocar o barco sozinho. Pra começar, fiquem com o texto do excelente Fellipe Figueiroa aí embaixo. Em breve, mais atualizações.

Pelo Sport tudo.

Me segura senão eu caio (texto de Fellipe Figueiroa)

ter, 16/06/09
por pedro lazera |
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Começou o Campeonato Brasileiro e a gente com aquele time sensacional. Aquele mesmo, que poderia ter ido muito mais longe na Libertadores. Mas acabamos tropeçando em casa, empatando com o recém-chegado Barueri logo na estréia

Tudo bem, foi só um mau começo. Vamos buscar os três pontos em Salvador. Afinal, se vencemos o bom Colo-Colo em Santiago e batemos a LDU em um jogo emocionante, na altitude do Equador, até que não é difícil tirar três pontos do Vitória aqui do lado, né? É. Novo tropeço: 1×0 pra eles

OK. Mais um jogo aqui na Ilha do Retiro. Contra o Atlético, pra quem a gente nunca tinha perdido um joguinho sequer em casa, em toda a história da humanidade. Somos favoritos! Perder seria um tropeço grande, a essa altura do campeonato. Eu, Eu, Eu, Caiu na Ilha… Fudeu! 3×0 pra eles ainda no primeiro tempo. Corremos atrás, fizemos dois gols, quase empatamos mas ficou nisso mesmo

Ficou nisso nada! Como diz Murphy (e a torcida do Santa Cruz bem sabe) nada é tão ruim que não possa ficar ainda pior. Nelsinho pediu pra sair. Paulo Baier também. O time viaja pro Rio em crise, mas surpreende: em 20 minutos, dois gols! Seria só administrar, certo? Seria, se não tropeçássemos em campo, deixando o Botafogo empatar

Cadê aquele super time, campeão da Copa do Brasil, tetracampeão pernambucano, líder do grupo da morte? Valeu a pena ver de novo, contra o Flamengo na Ilha. Novo técnico, novo ânimo, virada surpreendente e finalmente vencemos: 4×2. Agora vai

Foi nada. Posso copiar o segundo parágrafo e colar aqui?

“OK. Mais um jogo aqui na Ilha do Retiro. Contra o Atlético, pra quem a gente nunca tinha perdido um joguinho sequer em casa, em toda a história da humanidade. Somos favoritos! Perder seria um tropeço grande, a essa altura do campeonato. Eu, Eu, Eu, Caiu na Ilha… Fudeu!” 1×0 pra eles. E ainda eram os lanternas do campeonato. Até pro Náutico tinham perdido..

Eu não aguento mais tanto tropeço. Ainda acredito que o Sport tem um grande time. Quem já sentou na arquibancada da Ilha do Retiro sabe disso. Quem já voltou rouco pra casa, de tanto incentivar o time, jogando junto, sabe disso. Podemos virar essa situação e sair da zona de rebaixamento. Podemos chegar na Libertadores do próximo ano. Podemos ir muito mais longe! Ser campeão nessa porra! Mas, pra isso, precisamos realmente jogar como este grande time que somos. E parar de tropeçar. Até porque, quem muito tropeça, uma hora acaba caindo.

Sport Recife x Flamengo Paraíba (texto de Fellipe Figueiroa)

ter, 09/06/09
por pedro lazera |
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Mais uma vitória histórica do Sport. Vencemos o Flamengo, de virada e de goleada. Esse time que, até hoje, se julga campeão de um campeonato que sequer disputou as finais, indo contra o regulamento, a CBF e a FIFA. Assim é fácil ser campeão, né? Quero ver jogando bola no campo, na Ilha do Retiro. Todos os rubro-negros pernambucanos, a maior torcida do estado segundo pesquisas e da região Nordeste segundo ufanistas, estão em festa novamente.

Mas aqui do lado, há alguns meses atrás, aconteceu algo parecido. Eram os paraibanos que estavam comemorando. O time de maior torcida no estado deles tinha acabado de ganhar mais um título. Só que a maioria dos paraibanos não pôde ir até o estádio ver o time do coração levantando a taça e tiveram que se contentar em assistir a tudo pela TV, como sempre fizeram. Isso, pra eles, não chega a ser um problema, já que as emissoras transmitem quase todos os jogos do Flamengo, seja pelo Campeonato Brasileiro, Carioca ou qualquer outro.

Já tive a oportunidade de estar na Paraíba quando o Flamengo foi campeão no Rio. A quantidade de camisas rubro-negras que se via nas ruas era inacreditável. Os principais jornais paraibanos presentearam os leitores com um pôster do campeão carioca. Em todos os locais, não se falava em outro assunto.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Revista Placar, o time de maior torcida, não só na Paraíba, mas no Nordeste, é o Flamengo. Pernambuco (com Sport, Santa e Náutico), Bahia (com Vitória e Bahia) e Ceará (com Ceará e Fortaleza) são os únicos estados do Nordeste que, dentro de casa, têm torcidas maiores que os clubes do Sul/Sudeste.

Os paraibanos torcem para os times de fora. Inclusive quando os times de fora jogam contra os times da casa. O Flamengo é o principal, mas tanto faz se for Corinthians, Vasco, São Paulo, Santos… Já conversei com alguns paraibanos sobre isso, tentando encontrar algum sentido. Qual é a graça torcer contra você mesmo? Pergunte a um paraibano porque ele não torce por um time da terra dele. Ele vai responder que na Paraíba não tem time. Mas tem. Eles só não têm apoio. Mesmo em tempos de Campeonato Paraibano é raro ver uma camisa do Botafogo da Paraíba, do Nacional, Treze, Campinense ou do Souza. Discussão de futebol lá é com os times dos outros estados. Hoje estão comentando que o Palmeiras venceu o Vitória, que o Cruzeiro empatou com o Inter, que o Flamengo perdeu para o Sport…

Ah, o Flamengo perdeu de goleada para o Sport! Aqui, a conversa é outra. Pra gente, jogando em casa, o Sport tinha obrigação de vencer o Flamengo. E ganhamos bonito, com sobras! Viram aquele lance de Sandro Goiano, o passe de Ciro, a cobrança de falta de Fumagalli e os gols de Durval e Weldon? É de encher o peito de orgulho! Num só jogo, vencemos cariocas e paraibanos (e também alagoanos, potiguares, e os fregueses que estão sempre torcendo contra: Náutico e Santa, claro). E como foi bonito ver a torcida deles saindo da Ilha do Retiro antes mesmo do jogo terminar. Voltando pra casa, pela BR 101… Quem sabe, um dia eles aprendem a torcer pro time certo.

Alô, torcida do Flamengo, aquele abraço!

seg, 08/06/09
por pedro lazera |
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Como diria o poeta, o Rio de Janeiro continua lindo. Quem não gosta de ver o Pão-de-Açúcar, o Cristo, o Maracanã? Eu queria estar no Rio de Janeiro agora. E estarei lá daqui a duas semanas. Mas como diria Raul Seixas, nada disso me interessa nesse instante. Minha vontade mesmo era ver a cara dos torcedores do urubu amarelão depois de tomarem uma sacola de gols em 15 minutos. Sério. Como diria a massa rubro-negra campeã de 1987, eu eu eu caiu na Ilha, vocês sabem o resto da rima.

O jogo teve um enredo tão emocionante que poderia muito bem ser um filme. E sendo assim, os jogadores encarnaram muito bem os personagens. O Oscar vai para Adriano que interpretou o Rei-Momo. Mas também seria bom destacar outras grandes atuações. Sandro Goiano estava querendo uma pontinha em Pelé Eterno, com aquele chutaço do meio-de-campo. Weldon, com seus três gols assustou a defesa adversária mais do que o assassino do Pânico. E a torcida da Paraíba, bem presente no estádio, foi a grande protagonista. Mas neste caso, da maior vergonha do Nordeste.

Se um elefante incomoda muita gente, eu não sei. Pergunte ao Adriano e ao Ronaldo. Mas eu sei que dois leões incomodam incomodam incomodam muito mais. Com Emerson Leão, o Sport voltou a mostrar sua força. Ciro voltou a correr e jogar bem. Weldon acabou com o jogo. Sandro Goiano comprovou seu bom futebol. Fumagalli lembrou como se bate uma falta. E Durval voltou a fazer gol e comemorar o mesmo balançando a cabeça de um jeito esquisito.

E isso é só o começo. Na próxima partida, vamos reencontrar Paulo Baier. Para a alegria de muitos, não no nosso time. E se a gente continuar com essa vontade e com essa raça, vamos vencer o Atlético. Até porque o apelido de Furacão nunca foi tão adequado. As coisas por lá tão em estado de calamidade.

Pois é. Quando o Flamengo fez o primeiro gol, muita gente achou que seria mais uma derrota do Sport em casa. Quando fez o segundo gol, mais gente ainda teve a certeza de que ia ser uma goleada. E esse é o problema das pessoas. Ter certeza.

Foi assim que todo mundo se deu mal quando elegeu Collor. Foi assim que um cara cortou o fio vermelho e foi pelos ares. Ronaldo teve certeza que os travecos eram mulheres. E em 1987, foi a vez do Flamengo de Zico, Júnior e outros fanfarrões terem a certeza que iam vencer o Sport na decisão do campeonato. E certeza quando se mistura com covardia é pior do que Fanta Uva com Vodka Natasha. Que é pior ainda do que tomar uma virada em 15 minutos. Né, maluco?

Torcendo na casa do inimigo. Ou o Sport arrea. (Texto de Natasha Granja)

seg, 08/06/09
por pedro lazera |
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Eu sempre acho covardia jogar contra o Flamengo. Porque mesmo que ele esteja jogando fora do Rio, está jogando em casa: Flamengo é unanimidade nacional e só em dois estados ele não é o time com mais torcedores. Mas achei que a situação não fosse tão crítica até abrir o Globo ponto com e descobrir que na madrugada de ontem vários pernambucanos foram receber Adriano no aeroporto. Vejam vocês, temos o Rei da Pérsia jogando no nosso estado e tem gente que dá trela pra Imperador. Mas não é isso que importa: o que importa é que eu moro no Rio e vou pra o boteco de sempre (na realidade um restaurante boêmio que deve ter servido leitinho quente pra Dom Pedro menino) ver meu jogo. O lugar é dominado por senhores civilizados que vão lanchar com suas senhoras e a grande animação fica por conta dos funcionários – do caixa ao gerente aos garçons, TODOS são flamenguistas e ficam tentando me convencer a torcer pro rubro-negro local. Como sempre vejo jogos lá, nos tratamos com aqueles insultos cordiais de conhecidos de bom tempo. Chego com a escalação na tela.

- Fala menina.
- Saudações Seu Tadeu, Zé, Joca, todo mundo, é hoje que o Flamengo de vocês apanha.
- Com o Imperador jogando os dois tempos? Duvido.
- Mas a gente joga em casa e em casa a gente não perde.
- Só pro Atlético.
- Me traz um chopp, Zé.

Cinco minutos. A bola entra e a casa vem abaixo.
- Gngngngngngngng….
- Quer mais um chopp?
- Não, quero que o Emerson morra.

Cinco minutos. A bola entra de novo e a casa vem abaixo. Zé coloca a bandeja na cabeça, seu Tadeu joga dinheiro do caixa pra cima e Joca improvisa um passo de break, rodando alucinadamente pelo chão. Os garçons da outra área que não conheço dão-se os braços e começam a cantar que Pelo Flamengo Nada? Ok, essa última inventei. Eles deram os braços e dançaram can-can, foi o que se passou.

- Mais um chopp pra você.
- Brigada, Zé.
- Esse teu time…
- A gente vai virar, viu Zé?
Zé tem um ataque de riso e parte, me deixando com meu chopp. Quente. Filho da mãe.

- Mais um?
- Sai daqui, Zé. Quero conversa com você não. E PARA com esse riso contido que eu to lôca!

- Zé, me traz um misto quente?
- Misto quente aqui mudou de nome, agora é o Sanduiche do Imperador.
- Zé, você não vai me atender mais não! Agora quero ser atendida pelo garçom novo. Como é o nome dele?
- Bruno.
- É um complô.
- Quer o misto quente?
- Traz…
- Mas vai demorar porque a chapa ta esquentando….
- Gngngngnngngng….

- Ai meu Deus, ai meu DEUS eu vou morrer!
- Duvido essa bola nunca vai entr….
- GOL!!!

Depois de pedir muitas desculpas e do Joca trazer um paninho quente pra limpar todo o chopp que caiu na roupa da velhinha da mesa do lado, consegui me controlar. Mas acho que ela nem reparou, deve estar em choque com o susto que eu dei nela, derrubando três cadeiras ao meu redor.

- Zé, me traz mais um antes que o Sport faça outro.
- Quer um chopp só pro final do segundo tempo?
- Demorou, Zé. Olha o GOL!!
- Gngnngngngng….

- Seu Tadeu, vai jogar dinheiro pra cima agora não?
- Isso é que é sorte.
- Isso se chama Técnica, viu seu Tadeu?
- Olhai, você disse que iam virar e ja conseguiram empa….

Nunca soube o que o Zé ia dizer. A casa foi tomada por um silêncio sepulcral, quebrado por um insano grito de GOLseguido de um Cazá Cazá puxado para o nada que eu comecei.

- Zé, se meu time fizer outro gol em dois minutos tu me dá um chopp de cortesia?
- Te dou até o misto quente de cortesia.
- Não era Sanduiche do Imperador?
- Gngngngngngngng….
- Zé, prepara o bolso que é gol!!!!

Foi emocionante subir em uma das mesas onde provavelmente Dom Pedrinho tomou seu leite quente pra cantar que o Sport Arrea, arrea, arrea arrea arrea. O garçom novo não entendeu nada – depois descobri que foi porque ele é Botafogo. Zé se mandou pra cozinha, Joca foi atender o pessoal junto com os garçons que não conheço e tenho a ligeira impressão que vi seu Tadeu rasgando dinheiro.

Intervalo.
- Sport arrea, arrea, arrea, arrea, arrea, arrea.
- Mais um chopp?
- Pra vir com o DNA de todo mundo? Me traz uma Coca. Fechada.

Segundo tempo.
- Sport arrea, arrea, arrea, arrea, arrea.
- Você quer a conta, não quer?
- Sport arrea, arrea, arrea, arrea, arrea.

Fim de jogo.
- Você vai pagar com crédito ou débito?
- Sport arrea, arrea, arrea, arrea, arrea.
- Sorte, muita sorte. Só digo isso.
- Sport arrea, arrea, arrea, arrea, arrea.

- Bom, obrigada pela companhia, meninos, proximo jogo tou por aqui.
- Tá, vamo ver se essa sorte te acompanha no próximo.
- Eita, ja ia esquecendo.
- O que?
- Sport arrea, arrea, arrea, arrea, arrea.

Arrea ou não arrea?

Mais tarde é minha vez de escrever. Pera só um pouquinho que eu não sou rápido pra escrever feito o Sport é rápido pra fazer gol.

Ô ô ô, queremos um técnico e não uma rima

seg, 01/06/09
por pedro lazera |
categoria Sem Categoria

A história é a seguinte. O Sport tá jogando fora de casa como se fosse jogo de Copa do Mundo. Mas não no bom sentido. Longe disso. Parece que, se o time tomar um gol, o mundo vai se autodestruir em 5, 4, 3, 2. Cacete. Com 2 x 0 no placar era pra gente continuar atacando mais. E não ficar todo encolhido como cabelo de tetéia na chuva.

O que custa se arriscar um pouquinho mais? Um ponto é quase nenhum. Três pontos seriam a glória. São mais pontos do que a gente conseguiu em quatro jogos. É melhor sair derrotado tentando ganhar do que ficar esperando o pior. Não sei o que vocês acham, mas pra mim isso é um problema de orientação.

E não tô falando de orientação vocacional. Mesmo sabendo que alguns jogadores dali poderiam se dar melhor em outros esportes. O problema é de orientação tática mesmo. Ou seja, a gente precisa de um treinador. O que leva a seguinte pergunta? Qual seria o melhor treinador para o Sport?

#1 Renato Gaúcho
Tem todos os atributos de um bom treinador. Bonezinho? Ok. Uniforme da comissão técnica? Ok. Barriga de chope? Confere. E essa aí ainda foi responsável pelo gol do título do Fluminense. Óculos escuros durante entrevistas coletivas? Opa. Tem coisa aí. O que a gente menos precisa neste momento é de marra. E isso é o que mais sobra em Renato Gaúcho. Se fosse há uns 10 anos, seria um excelente reforço para o ataque. Para o banco de reservas, a gente precisa de alguém mais sério.

#2 Chuck Norris
Sério como Chuck Norris. Aí sim queria ver alguém bater na gente. Nosso time seria invencível com as caneladas de Andrade, os chega pra lá do Hamílton e os roundhouse kicks do mestre Texas Ranger. E o único homem do mundo capaz de vencê-lo, Sandro Goiano, está do nosso lado. Seria perfeito, se não fosse por um pequeno detalhe. Assim que o time errasse uma triangulação que fosse, o que não é muito raro, convenhamos, Chuck Norris invadiria o gramado e ia partir metade do nosso time ao meio. E a gente acabaria perdendo por W.O. Próximo!

#3 Ney Franco
Conhece o futebol como ninguém. Sabe fazer variações táticas, montar um time competitivo, conhece bons jogadores e faz cara de bunda o tempo inteiro. O cara é mais homem que o Heriberto da Cunha, o Ney Matogrosso e o Clodovil juntos. O que não é lá muita coisa. Ninguém ia respeitar o sujeito por essas bandas. Era mais fácil Dona Iracema, a cozinheira do clube, tomar as rédeas do time. Quem não jogar bem ia ter que comer ensopado de fígado.

#4 Juninho Pernambucano
Taí uma proposta que nenhum time do futebol brasileiro fez para ele ainda. Já pensou? O primeiro jogador-treinador que o Sport já teve. O cara é inteligente pacas, é torcedor do time e ainda teria um novo desafio na carreira. Quer motivação maior? Acho que o único problema é que ele estaria jogando o tempo todo. Aí ia acabar cansando. E cansado, a gente acaba fazendo as coisas sem pensar. Vai que ele coloca o Jonas em campo? Vixe.

#5 Angelina Jolie

Não ia ser massa? A gente ia perder pra caramba. Mas quem se importa com futebol, não é mesmo? E contando com a sorte, uns dos trinta e cinco filhos adotados que ela tem pode ser um baita craque. Um deles é tibetano. E todo mundo sabe que todo tibetano tem futebol correndo nas veias. É só lembrar dos grandes jogadores do passado, My Hwan Tai e Soon Jung Lang.

#6 Émerson Leão
Pois é. A gente enrola, enrola e o homi continua sendo a melhor opção. Tem história no clube, ganhou títulos importantes, conhece futebol e ainda sabe revelar bons jogadores. Além disso, tem pulso firme pra controlar o time e botar todo mundo pra jogar. Com Leão, até Marquinhos (hoje no Íbis) jogava bola. Tudo que a gente precisa fazer é vender o Ciro, o Moacir, a Ilha do Retiro e a Ferrari do Bivar pra conseguir pagar toda a grana que a gente deve pra ele.

Mas a vaga tá em aberto. Inclusive, se você quiser, pode dar uma sugestão aí embaixo. Ou então mandar seu currículo para contato@sportrecife.com.br. Eu mesmo já mandei o meu: campeão da Copa do Brasil, do Brasileirão e da Libertadores com o Porto de Caruaru no Championship Manager.



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