Molecada de fé

“Sou da casa, amo esse clube. Sou igual a todos os outros jogadores e não vou desistir. Vou dar alegrias a esta torcida.”
Bernardo, após o jogo contra o América.
Nação de Guerreiros, essa frase acima resume muita coisa, deixa explicito algo fundamental e que a torcida, ou parte dela, deixa em segundo plano.
Todos sabemos que vivemos numa época estritamente capitalista no futebol. Com a evolução da mídia e também do poderia econômico do futebol, o já manjado e surrado termo “Amor à camisa” vem se tornando obsoleto, fenecido. Encontrar um jogador que enverga a camisa de um clube porque, dentre outras coisas, ama o clube é uma raridade óbvia nestes tempos modernos.
Bernardo, sim, é um destes espécimes raros, em rota de extinção. Ele está no Cruzeiro desde moleque, passou por todas as categorias de base e em 2009 ascendeu ao profissional. Imagino que alguns de vocês não tenham noção do que é essa fase de transição do junior para o time de cima. Subitamente, tudo toma proporções gigantescas, a mídia vem toda de uma vez com a voracidade de uma caninana, a torcida – sobretudo a do Cruzeiro – exige daquele garoto a atuação e a atitude de um craque experiente e promissor.
E assim foi com Bernardo. Ele que arrebentou na Copa São Paulo de 2009, logo ganhou uma oportunidade entre os profissionais com o técnico Adilson Batista. Mas, nitidamente, sentiu o peso e a responsabilidade do que é jogar no Cruzeiro, um dos maiores clubes do mundo. Bernardo foi tímido no início, marcou poucos gols e mostrava alguma morosidade quando entrava em campo. Tudo natural para um garoto de 18 anos que acabara de ser jogado aos leões famintos das arquibancadas e da mídia.
Então, ele teve uma proposta de ir jogar na Holanda. Negou. No início de 2010, nova proposta, desta feita do mundo árabe. Bernardo conversou com o técnico Adilson Batista e, segundo fontes, ele teria pedido pra ficar, pois queria jogar no Cruzeiro, queria mostrar o seu valor no Clube que lhe deu tudo o que ele possui na vida até hoje, e ficou. Dando, assim, uma demonstração rara de amor ao Cruzeiro. Mas Adilson teria dito: Então, fique, mas mude a sua atitude.
E Bernardo mudou. Está muito mais ativo, não se esconde do jogo, quer bater todas as faltas e escanteios, ajuda na criação com qualidade e ainda auxilia a marcação. Hoje vemos um Bernardo lapidado pelo tempo e que tem tudo para ser titular do Cruzeiro e marcar o seu nome na história gloriosa do Arromabador Maior Universal.
Mas a torcida, ah a torcida! Impaciente como só ela, já ensaia o seu rosário de críticas infundadas, de pragas sobre o jogador. Alguns torcedores do Cruzeiro vão ao estádio extravasar no time toda a sua frustração pessoal, sua agonia interior. Alguns não admitem uma vitória sem espetáculo, como se o Cruzeiro fosse o Hallen Globetrotters e não um time de futebol competitivo que é cobrado pelos resultados e títulos.
O torcedor tem todo o direito de se manifestar. Mas acredito que falta a alguns um pouco de paciência, de compreensão e até de respeito para com o jogador. Contra o América, Bernardo desferiu ótimos chutes a gol, cavou o pênalti não convertido, deu o passe para o segundo gol, enfim, fez tudo o que lhe é cobrado. Se ele extravasou em algum momento, foi por adrenalina, pela explosão de um garoto que estava ali, lutando, se entregando àquela batalha como se fosse a última de sua vida. Isso demanda o nosso reconhecimento.
Observo que há certa má vontade de parte da China Azul por conta dos jogadores da base. Foi assim com o Jonathan, que apesar do grande Brasileirão do ano passado, quando foi eleito o melhor de sua posição, ainda recebe o muxoxo de alguns torcedores. E assim está sendo com Diego Renan e Bernardo. No caso do nosso lateral, acredito que ele esteja sendo bode expiatório do esquema de marcação que não cobre as suas descidas ao ataque.
Precisamos apoiar estes garotos. Pois, por mais amor que há, uma hora o cara cansa desta parcela da torcida que vai ao estádio com o único intuito de criticar e depois reclamam – pra variar – que o cara quis embora pela primeira proposta que aparece.
Vamos apoiar antes de criticar, China Azul. É disso que os nossos Guerreiros precisam e é esse o nosso papel fundamental.
A molecada do Cruzeiro é de fé. Eles merecem!!!
Subtópico: O Jogo das Nações.
Como todos já sabem, nesta quarta o Cruzeiro enfrenta a seleção da África do Sul num amistoso no Mineirão.
Confira as atrações que o Marketing do Cruzeiro está organizando para o evento:
Sócio do Futebol
1 – O Sócio do Futebol, em dia com a sua mensalidade, além de ter a entrada garantida, poderá levar um convidado para assistir o jogo em seu respectivo setor. Aqueles que não comparecerem ao Mineirão poderão emprestar o cartão a outra pessoa garantindo também o acesso do convidado.
2 – O Sócio que comparecer ao estádio também concorrerá a bola do jogo autografada por todos os jogadores do Cruzeiro.
3 – 22 Sócios mirins foram selecionados para entrar em campo ao lado do time que enfrentará a Africa do Sul
Nas arquibancadas
1 – Balões
2 – Fogos de artifício
No intervalo
Torcedores baterão penaltis. Todos que trocaram seus pontos do antigo cartão 5 estrelas.
Vamos lá participar dessa linda festa.
Subtópico 2: Na Lata
Amigos, estamos de volta com a parceria com o site Guerreiros dos Gramados e hoje apresentamos o programa Na Lata.
Sempre irreverente. Vale a pena assistir:
Parte 1
***
Parte 2
***
Saudações Celestes!!
Para outras informações e opiniões, siga o blogueiro no Twitter

rss do blog
Não é de hoje que o lado fundo, seco, paraguaio e flanelinha da estimada Lagoa da Pampulha tenta derrubar o Cruzeirão Arrombador Universal, o Degas de Minas, através de meios nada convencionais, já que no campo, na bola, não conseguem há muitos anos.


O volante era contestadíssimo quando por aqui chegou, nos idos de 2008, a pedido do Adilson Batista, na mesma barca em que vieram Paraná e Fabrício. No início, Henrique era reserva do Ramires e só entrava em campo nos jogos fora de casa, tendo em vista a enorme implicância da torcida sobre o seu futebol. Não tiro a razão da torcida. Realmente, no seu período de adaptação ao Cruzeiro, Henrique fez partidas muito ruins. Mas não se abateu. Trabalhou sério, soube esperar, cavou aos poucos o seu espaço no time e, principalmente após a saída de Ramires, Henrique tornou-se peça fundamental no esquema do Adilson, sendo útil na marcação, saindo para o jogo e ainda arrematando de fora da área. Marcou gols importantes, como contra o São Paulo e quase entrou pra história marcando o gol do título da LA’09.
O outro exemplo é o de Thiago Ribeiro. Realmente ele demorou a engrenar, todos hão de convir. Mas no ano passado, no momento mais difícil do time em 2009, Thiago se mostrou um cara batalhador, honesto e decisivo. Como não se lembrar de gols importantes como contra o Inter em Porto Alegre e contra o Botafogo no Mineirão. Além da linda jogada do gol do W.Paulista no gol contra o CAM. Thiago foi fundamental na arrancada do time no Brasileirão do ano passado, só não enxerga isso quem se deixa levar pelo preconceito, e marca como estigma cada jogador.
Agora, depois destes dias de folia e descanso, estamos de volta para iniciarmos efetivamente o ano, já que no Brasil tudo funciona à partir da quarta-feira de cinzas.


O jogo de estreia deveria ser nada mais que isso: uma simples estreia. Mas, não sei vocês, eu estou particularmente tenso por causa desta partida de amanhã. Teremos pela frente um importante desafio que poderá definir a nossa vida neste primeiro semestre do ano. Será um jogo por um semestre inteiro e, talvez por isso, essa estreia ganhou contornos de final de campeonato.



Como já dito e repisado aqui no Bloguerreiro, vivemos uma época de intensas especulações. E o que seria uma especulação? Trata-se da projeção de um fato que poderá vir a acontecer. Algumas são notícias sérias, baseadas em fontes profundamente confiáveis. Outras são invencionices e ainda com um toque de veneno, com o intuito de causar alguma situação.
Nesse ano, quando da reapresentação, pude sentir através das entrevistas e conversando com amigos que são setoristas da Toca, que Kleber esta muito mais motivado. Parece que aquele gol contra o Santos reacendeu em Kleber o desejo e a motivação de jogar no Cruzeiro. Além disso, ele recebeu nesse início de ano uma notícia animadora para qualquer um: sua esposa, belorizontina e cruzeirense fanática, esta grávida. Vai nascer mais um cruzeirense para este mundo.
Alguém sabe, alguém viu??
Mas o nosso marketing, enquanto isso, fecha com o mesmo patrocinador do nosso rival minúsculo e com valores próximos aos deles. E ainda estampa uma logomarca laranja na camisa e outra amarela na manga. Como querem que compremos uma camisa assim? Para ajudar ao clube? Motivo nobre sim, mas alguém teria coragem de gastar 160,00 e nem usar a camisa por causa do mau gosto das cores?

