Olhar Crônico Esportivo http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo Olhar Crônico Esportivo Fri, 19 Mar 2010 15:37:34 +0000 http://wordpress.org/?v=2.8.5.2 en hourly 1 A vida é uma gozadora… Ou serão os deuses dos estádios? http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/19/a-vida-e-uma-gozadora-ou-serao-os-deuses-dos-estadios/ http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/19/a-vida-e-uma-gozadora-ou-serao-os-deuses-dos-estadios/#comments Fri, 19 Mar 2010 15:37:34 +0000 Emerson Gonçalves http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/?p=844

A final da UEFA Champions League edição 2009/2010 será em Madrid, na casa do Real Madrid, o estádio Santiago Bernabéu. Há muito se sabia disso. Para o Madrid e seus torcedores, nada seria mais fantástico que voltar a conquistar a Champions em sua própria casa. Florentino Pérez acreditava e queria muito isso. Investiu 219 milhões de euros em jogadores, a maior parte em Cristiano Ronaldo e Kaká. Entretanto, pela sétima vez consecutiva foi eliminado logo no início das fases eliminatórias. A linda Madrid não verá seu maior ícone esportivo disputando o torneio de clubes mais importante do mundo em casa. Uma triste realidade.

Que pode ficar muito mais triste, que pode ficar muito pior do que já está.

Sim, muito pior, e isso não é nada difícil de acontecer, já que a vida costuma ser irônica e os deuses dos estádios, vamos falar a verdade, são uns pândegos.

E se já estão rindo a bandeiras despregadas com a tristeza florentina de hoje, imaginem o que não farão se em 22 de maio próximo o gramado for ocupado pelos blaugranos catalães contra os vermelhos da pérfida Albion, como a ela se referia Napoleão e muitos continentais, notadamente franceses.

Sim, poderemos ter Barcelona e seu jogo bonito de um lado e Manchester United e seu jogo eficiente, às vezes até bonito (estou bem humorado), do outro lado.

O sagrado gramado merengue ocupado pelos dois maiores rivais do Madrid, sobretudo o Barça, mas também o Manchester, com quem disputou durante anos a supremacia econômica do futebol mundial.

Se alguém ganhar na loteria, não perca tempo: compre ao preço que for preciso o ingresso para essa partida. Porque algo me diz que ela terá esses dois times, mesmo.

Mais: se a festa ficar a cargo desses deuses gozadores, Guardiola será jogado aos ceus uma vez mais. No gramado do Bernabéu, para desespero merengue. Nas muitas tumbas da década de trinta do século passado, sorrisos abrir-se-ão e, quem sabe, um sentimento de paz baixe sobre elas. Porque há muito mais que futebol entre Barcelona e Madrid, há muito mais que história, há mais que tudo.

Mais que nunca, lamento a morte prematura do catalão Manuel Vázquez Montalbán, escritor de mão cheia, criador do detetive Pepe Carvalho, que poderia escrever muito sobre essa final, meramente possível ou hipotética, mas que na minha cabeça já é certa. Em seu último e premonitório livro – “Milênio” – escreveu sobre alguns estrangeiros numa terra estranha, mas, todos eles, torcedores do Barça:

“Ser do Barcelona Futebol Clube contra o Real Madrid lhes havia evitado, não a lucidez suprema, mas sua consequência: a solidão mais lúcida e, portanto, mais absoluta.”

Se alguém achar que torço pelo Barça, bom, só posso dizer que acertou.

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Frases um bocado infelizes http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/18/frases-um-bocado-infelizes/ http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/18/frases-um-bocado-infelizes/#comments Thu, 18 Mar 2010 10:57:03 +0000 Emerson Gonçalves http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/?p=842

É definitivo: sou um cara fora de moda ou fora de tempo.

Quando participei de manifestações, não havia ponto facultativo, muito menos shows ao final. Íamos a uma manifestação para expressar nossa opinião, enfrentando a polícia e vencendo os medos: o medo de apanhar, o medo de ser preso, o medo até, durante algum tempo, de ser “sumido” pelas forças do regime. Lutar contra o que chamávamos de “sistema”, entre outras designações como ditadura e regime militar, era um imperativo de nossa consciência. Nunca pensei que isso, muito tempo depois, fosse contar pontos para aposentadorias nababescas. Mas essa é outra história.

Vivemos dias de frases infelizes ou tolas ou calhordas. A lista de adjetivos para elas é enorme, inclusive os adjetivos publicáveis.

De todas, a mais tenebrosa foi a do facultativo da seleção, o Dr. Runco, liberando e incentivando, na prática e no entendimento fácil do dia-a-dia, o consumo de álcool por atletas. Jogando por terra o trabalho de pais, avós, irmãos, amigos, professores, enfim, de todos quanto sabem o quanto o álcool é destrutivo e que sempre tiveram na prática do esporte um contraponto ao consumo do álcool. Tudo bobagem, como agora atesta, do alto de seu cargo e competência, o responsável pela saúde dos atletas da Seleção Brasileira de Futebol, quando diz que o álcool “…não interfere em nada).

Com certeza o Dr. Runco tem a felicidade de nunca ter convivido com alcoólatras. É um homem de sorte e um homem raro, pois grande parte das famílias brasileiras convive com um ou mais de seus membros que são dependentes dessa droga. Uma pena que sua visão da realidade não seja completa o bastante para enxergar o mal que suas palavras podem e com certeza irão provocar.

O governador do estado do Rio de Janeiro é um político, com tudo que implica essa qualificação. Decretou ponto facultativo nos órgãos estaduais para que os servidores pagos pelos impostos pagos por toda a população e empresas, pudessem se ausentar de suas tarefas para comparecerem a uma manifestação. Seu exemplo foi seguido por um bando de prefeitos. Mais funcionários, igualmente pagos pelos impostos pagos pela população, deixaram seus postos de trabalho e foram, supõe-se, à manifestação. Seguida, como é de praxe, por show musical. Só faltaram as coxinhas, empadinhas, enroladinhos e outros acepipes distribuídos aos que comparecem às manifestações presidenciais.

O governador do estado do Rio de Janeiro é figura importante no meio esportivo mundial, pois é o responsável local (não deveria ser o prefeito?) pela realização dos Jogos Olímpicos de 2016. E, nessa condição, teve suas palavras reproduzidas mundo afora. Como, por exemplo, na Sport Business:

“Rio de Janeiro will be unable to build the infrastructure required to host the 2016 Olympics…”

Isso porque o governador quer os royalties do “pré-sal”, esquecido que está que a candidatura do Rio de Janeiro antecede ao “pré-sal”, é uma decisão pré-pré-sal.

Mas o COI, que de bobo nada tem, não se abalou: seus contratos com o Brasil incluem o governo federal.

Aliás, o que é o pré-sal?

O que representa?

Quanto gerará?

O que é sabemos razoavelmente bem. O resto é uma incógnita, sujeita aos humores e caprichos da economia e da política. Num cenário de paz, o preço do petróleo cai e os custos do pré-sal explodem. Pelas condições de exploração será o óleo mais caro do planeta, mas quem pensa nisso? Não o presidente, não o governador, não os políticos que já deliram com a mega-sena do pré-sal.

Se o governador fluminense imagina que fará as obras de 2016 com os royalties do pré-sal, ele está no mesmo caso do sujeito que reúne todos os caraminguás possíveis, inclusive no limite do cheque e no cartão de crédito, pega todo o dindin, vai à lotérica, faz um mega-jogo e com ele em mãos e na esperança, entra uma concessionária e compra uma BMW, que vai pagar com os juros do prêmio que vai ganhar.

Esse é o Brasil de 2010.

De 2009, 8, 7, 6, 00, 1990, 1950, 1900…

De 1800, 1700, 1600…

De 2014, 2016…

Quem não está acostumado estranha.


Em tempo: a emenda Ibsen é uma aberração. Como disse o governador de São Paulo, José Serra, “o projeto, do jeito que está, arruina o Rio de Janeiro, arruina o Espírito Santo, e por isso é inaceitável”. Então, uma coisa é defender os direitos dos dois estados. Mas botar no  mesmo balaio os royalties do pré-sal, que têm sido motivos de disputas patéticas, uma vez que, como disse, sequer sabemos como, quando e a quanto teremos petróleo do pré-sal, associado às ameaças envolvendo os dois eventos, é de uma profunda infelicidade e oportunismo. Ainda mais com ponto facultativo para protesto.

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Isso é futebol! http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/15/isso-e-futebol/ http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/15/isso-e-futebol/#comments Mon, 15 Mar 2010 10:54:53 +0000 Emerson Gonçalves http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/?p=840

Esse, para mim, é o melhor título para definir o clássico de ontem na Vila Belmiro. Um jogo atípico para os dias de hoje, mas que no passado já encheu os olhos de quem gosta de futebol muitas e muitas vezes. Na véspera, algumas matérias recordaram grandes partidas entre essas duas equipes, jogos de um tempo em que Santos e Palmeiras tinham verdadeiros esquadrões, sempre recheados de craques jogando muito futebol.

Foi o que tivemos ontem na Vila: futebol.

Vou além, futebol em seu estado mais puro e bonito, mostrando que a garra é parceira da técnica e que a arte não prescinde da combatividade e determinação. Podemos dizer que dentro desse último item está incluído o respeito ao adversário.

Ah, calma lá, não me refiro às comemorações, ou melhor, também refiro-me a elas. A garotada do Santos comemorou os dois gols iniciais de uma maneira que foi vista como provocativa pelos seus adversários. E que, certamente, encontraram nelas o combustível extra para encarar os Meninos da Vila e, de repente não mais que de repente, empatar uma partida que parecia caminhar para uma tranqüila goleada do Peixe sobre o Periquito. Opa, isso é dos tempos de outrora, atualizando, do Peixe sobre o Porco.

Vencer a adversidade fortalece. E num jogo de futebol a adversidade pode ser um placar negativo de um, dois ou até mesmo um três gols a zero. O simples empate quando a diferença é mínima, e que deixa de ser simples quando é maior, como era ontem, dá uma turbinada naqueles que o conquistam, age como um poderoso doping, não só legal como bonito e memorável.

Isso é esporte em seu estado puro, levando o ser humano a buscar energias insuspeitas dentro de si próprio e superar-se, assim como ao adversário.

Quem sofre o empate, fraqueja.

Quem, além do empate, sofre a virada, fraqueja ainda mais.

Não só pelo peso dos golpes, mas também porque, inconscientemente, sente uma força muito maior no adversário. Por isso é mais difícil a revirada, o vira-revira. Mas ontem, mesmo com a virada alviverde, o Santos não se abateu e continuou jogando bola, não tão bem, claro, mas ainda em bom nível. E graças a isso chegou ao empate. Num clássico, 3×3 é um placar raro e leva a um certo acomodamento, muitas vezes. Novamente, o jogo de ontem fugiu ao padrão (se é que ele existe) e entre um ataque aqui e outro ali, Robert achou o quarto gol, num chute muito bonito e inteligente. Dizem que Felipe falhou. Não me parece, mais que uma possível falha o que eu vi foi o faro, a técnica e a habilidade do artilheiro numa tarde/noite particularmente feliz.

Um grande jogo, em resumo e repetidamente. Para o Santos uma derrota dolorosa pelas circunstâncias e pelos pontos perdidos depois de estarem no papo, aparentemente. Seu jovem time deve ter aprendido que, se as comemorações efusivas e provocativas, tendo ou não essa intenção, são legais, são divertidas, a torcida gosta e a imprensa explora, por outro lado elas podem provocar e despertar uma vontade maior de lutar. Diz o povo que não se deve chutar cachorro dormindo e o povo, geralmente, sabe o que fala, pois por trás desses ditos e ditados costuma haver séculos de observações sobre a vida e como ela é. Quem provoca precisa manter-se concentrado e estar pronto para suportar e rebater um novo ímpeto adversário, criado, justamente, pela provocação, tanto faz que ela tenha existido como intenção ou somente como percepção da outra parte.

Para o Palmeiras uma vitória que é um sopro de vida e esperança e redenção para alguns jogadores, principalmente o colombiano Armero. Resultado, acima de tudo pela forma emocionante como foi conquistado, que devolve a paz ao Palestra Itália e a tranqüilidade para Antonio Carlos trabalhar e encaixar os novos contratados, que atuaram bem, por sinal. É possível ainda ao Palmeiras conseguir a classificação para a fase final do campeonato. Restam 15 pontos em jogo e o time está a 4 e a 5 pontos dos terceiro e quarto colocados – São Paulo e Corinthians. Mas o foco, na minha opinião, deve estar voltado para a Copa do Brasil. O Campeonato Paulista deve servir para ajustar e aperfeiçoar a equipe, sem pressões desnecessárias. Algo fácil para o analista falar e difícil para os envolvidos conseguirem, mas esta seria, não tenho dúvida, a melhor estratégia de curto prazo nesse momento.

Por último, mas não menos importante: Diego e Robinho, Ganso e Neymar e Dorival Junior.

O Santos parece reviver 2002, mostrando ao mundo do futebol um meio-campista inteligente, hábil e técnico, ao mesmo tempo que um atacante insinuante, extremamente habilidoso, ganhando técnica dia a dia. Como no caso dos dois primeiros, torço e gostaria muito que ficassem uns bons “par” de anos no Brasil, enchendo os olhos de quem os vê jogar e desenvolvendo com calma seu futebol. Como no caso dos dois primeiros, não é muito provável que isso ocorra, o que será uma pena, mas compreensível.

Neymar conheceu ontem o desprazer de ter que tomar banho mais cedo. Uma expulsão correta. Ah, mas o Pierre bateu, fulano só bateu, cicrano isso, beltrano aquilo e o juiz nada fez. Bobagem. Mesmo que o juiz tenha deixado passar alguns lances mais duros, não justifica e nem atenua a falta de Neymar. Se ao invés de esbravejar como ontem ele parar e pensar sobre o que fez, sua expulsão terá sido uma lição de futebol para toda a vida. principalmente se ninguém correr a passar a mão em sua cabeça. Erros devem ser assumidos, apontados e discutidos, pois é assim que se cresce, se amadurece.

E Dorival… Ah, Dorival, mas que conversinha mais nhenhenhém sobre “campanha orquestrada” contra sua equipe, hein? A única campanha naturalmente orquestrada, à qual juntei-me com grande prazer, foi a de enaltecer o futebol jogado por sua equipe, por seus meninos, futebol que é nesse momento o mais bonito, o mais agradável, o mais divertido, o mais gostoso de ver que existe no Brasil. Essa é a única campanha orquestrada, Dorival. E tudo que queremos é continuar falando e escrevendo as mesmas coisas, pois é muito mais gostoso do que falar de reclamações, faltas, expulsões, essas coisas chatas e pobres tão comuns aos outros times, todos eles comuns diante do que o seu time tem jogado.

Só não esqueça um detalhe: hoje ainda é 15 de março e a temporada tem apenas 60 dias dos trezentos previstos. Tem muito trabalho pela frente e você sabe disso melhor que todos nós.

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O dinheiro não é tudo… E o peso de uma derrota http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/12/o-dinheiro-nao-e-tudo-e-o-peso-de-uma-derrota/ http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/12/o-dinheiro-nao-e-tudo-e-o-peso-de-uma-derrota/#comments Fri, 12 Mar 2010 23:57:03 +0000 Emerson Gonçalves http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/?p=838

Pode até parecer que o dinheiro é tudo, mas não é.

Às vezes até chega a ser, mas não se sustenta.

Um bom exemplo para essas duas afirmações já foi dado e continua sendo pelo Real Madrid, agora novamente sob a direção do mago Florentino Pérez.

Mago pelo que conseguiu fazer no início desse século. Vendeu a velha sede merengue em local supervalorizado – até hoje dizem que a prefeitura madrilenha deu uma forcinha – e pegou meio bilhão de euros, gastos na montagem de um time soberbo, que durante algum tempo ganhou tudo e convenceu. Na verdade, até hoje sua estratégia funciona, pois o Madrid é, consistentemente, o clube de maior receita no mundo. Mas, quem sabe, pode perder esse lugar para o rival histórico, o Barcelona. Nem tudo corre às mil maravilhas no reino encantado de Florentino, agora com Cristiano e Kaká.

Kaká? Pois é, com e sem Kaká, pois o jogador sonhado e festejado ainda não deu o ar de sua graça no Bernabeu e outros estádios por onde vem jogando seu novo clube. Pode ser a pubalgia, pode ser a não adaptação ao clube, à cidade, ao elenco, ao treinador, ao time. Essas coisas acontecem, inclusive nas melhores famílias. Enquanto isso, Cristiano encaixou-se, vem dando conta do recado, num contraponto que mais aumenta as pressões sobre Kaká, embora também reclame, agora publicamente, de alguns problemas no elenco.

Esse, entretanto, não é o ponto que pretendo abordar, não é o foco, como se diz no moderno português brasileiro. Mas creio que ele passa por Kaká, pelo time, pelo Pellegrini, pelo Raul, pelo Cristiano & Cia. bela e pelos impensáveis 219 milhões de euros gastos em contratações.

Apesar de manter-se tranquilo na liderança do ranking dos clubes mais ricos do mundo (de maior receita, mas é quase a mesma coisa; vejam post a respeito em 02 e 05 do corrente mês), essa temporada mostra uma queda de 7,8% nas receitas dentro do Santiago Bernabeu e uma redução na venda de camisas, por exemplo. Atualmente, o clube vende menos camisas que os ingleses Chelsea e Liverpool, clubes com torcidas muito menores que a do Madrid. Para a Adidas, isso é explicado pelo hábito do torcedor inglês de comprar a camisa de seu clube com mais frequência, o que na Espanha ocorre mais espaçadamente – embora boa parte dos royalties venham de fora.

Com certeza isso colabora, também, mas há outro dado interessante e preocupante: a Espanha atravessa, nesse momento, sua pior crise econômica em 60 anos, com a economia em recessão e o desemprego oficial atingindo o índice assustador de 19,5%. Essa situação ajuda a entender a queda nas receitas no Santiago Bernabeu e também a redução da média de 73.157 torcedores por jogo para somente 67.461 na atual temporada.

Complicando ainda mais todo esse quadro, o Real Madrid foi eliminado da UEFA Champions League pelo Lyon. O mesmo Lyon de Jean Michel Aulas, recente personagem de um post deste Olhar Crônico Esportivo (em 16 de fevereiro, dia do primeiro jogo entre os dois clubes), em entrevista na qual ele disse que, se passasse pelo Madrid, o Lyon seria candidato ao título da Champions.

Bom, o Lyon passou, agora é esperar e ver no que vai dar o sorteio para definir os jogos das quartas-de-final. E a final será em Madrid, onde, para profunda frustração de Florentino e seus torcedores, o Real Madrid não estará presente.

De volta ao Madrid: segundo o Professor Simon Chadwick, já citado muitas vezes neste OCE, essa eliminação custará ao time de Don Pérez nada menos que a impossibilidade de abiscoitar 82 milhões de dólares, equivalentes a 60 milhões de euros, em prêmios, patrocínios e outras receitas ligadas à conquista da Champions League. Inclusive, o professor da Coventry University Business School acredita que essa nova derrota numa já longa sequência poderá minar o modelo de gestão de Florentino. Uma derrota muito pesada.

Que, segundo comentários, está interessado em novos galáticos para o elenco, não mais para o campo, mas para o banco. O nome de Mourinho vem sendo citado e surgiu nas especulações o de Scolari. Tanto pode ser que sim, tanto pode ser que não e Pellegrini siga no comando técnico. Pessoalmente, pelo histórico do clube, acho provável uma troca de comando. Pode ser que resolva, pode ser que alguém de fora com muita força, nome e mão-de-ferro, consiga montar um grande time com os nomes disponíveis no elenco. Nesse caso, uma vez mais o dinheiro terá falado mais alto, mesmo depois de ter sido vencido. Essa, porém, é uma característica do dinheiro, a capacidade de dar a volta e reciclar-se.

Enquanto isso, o Barcelona de Joan Laporta e Pepe Guardiola remontou o time, gastando uma parcela dos 219 milhões de euros gastos pelo Madrid de Perez e vem de uma temporada brilhante, conquistando La Liga, UEFA Champions League e Mundial de Clubes. Caso conquiste essa edição da CL, ou mesmo chegando à semifinal, é muito provável que desbanque o rival do posto de clube com maior receita do mundo.

Um bom time e uma boa gestão trazem mais e melhores resultados que simplesmente gastar rios de dinheiro.

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O tamanho do “abacaxi” http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/12/o-tamanho-do-abacaxi/ http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/12/o-tamanho-do-abacaxi/#comments Fri, 12 Mar 2010 15:02:23 +0000 Emerson Gonçalves http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/?p=836

Já que o horário das 21:50 é considerado por muitos como um “abacaxi”, vejamos o seu peso e tamanho.

A principal competição de nosso futebol é o Campeonato Brasileiro. É, também, a maior, com 38 rodadas de maio a dezembro. Cada um dos vinte participantes joga 9 vezes em casa e 19 vezes fora. Por enquanto, a CBF ainda não divulgou os horários dos jogos do returno, que começará em setembro, mas já temos os horários de todos os jogos do primeiro turno. É referente a esse turno que apresentarei alguns dados.

O turno começará em 8 de maio e terminará em 5 de setembro, ficando paralisado entre 6 de junho e 14 de julho, em função da Copa do Mundo.

Nesse período, teremos, como já disse, 190 jogos, dos quais 18 serão realizados às 21:50. Dezoito partidas em 190, equivalentes a 9,5% do total. Essas partidas serão disputadas em 10 diferentes cidades: Barueri (ou Presidente Prudente), Belo Horizonte, Campinas, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Santos e São Paulo, numa média de menos de duas partidas por cidade.

Na cidade de São Paulo em particular, serão realizadas 29 partidas nesse período, das quais somente duas no horário de 21:50. Duas partidas em 90 dias de futebol, descontando a parada para a Copa do Mundo.  Menos de 7% dos jogos do primeiro turno. Certamente esses números serão maiores no segundo turno, mas ainda dentro de uma ordem de grandeza absoluta próxima dessa, talvez com quatro ou cinco jogos no período.

O time do Corinthians não jogará nenhuma partida em casa às 21:50 nessa fase, mas ocupará esse horário cinco vezes, todas fora da cidade de São Paulo, sendo o time que mais vezes jogará nesse horário.

O São Paulo jogará uma em casa e uma fora e o Palmeiras terá apenas uma partida no Palestra.

O Flamengo jogará duas vezes fora de casa e o Botafogo uma vez, também fora. O Vasco jogará uma vez em casa e três vezes fora de casa.

O Grêmio jogará duas vezes em casa e o Internacional uma vez fora.

O time que mais jogará em sua casa no horário é o Cruzeiro, com quatro partidas. Portanto, o torcedor cruzeirense precisará ir quatro vezes em três meses ao Mineirão, caso queira ver todos os jogos de seu time nesse horário.

Sim, há também os jogos pela Copa Libertadores e Copa do Brasil, mas não são muitos, a menos que um dos clubes de uma das cidades chegue à final. No caso da cidade de São Paulo, a experiência dos últimos anos tem mostrado que jogos decisivos dessa competição provocam congestionamentos mais gigantescos que a média, mesmo com as partidas começando às 21:50. Imaginem, então, se forem marcadas para começar mais cedo, mesmo que meia hora.

Finalmente, temos os jogos dos campeonatos estaduais. No caso de São Paulo, a Federação marcou 6 jogos na cidade de São Paulo às 21:50, sendo 3 do Corinthians, 2 do Palmeiras e 1 do São Paulo. Corinthians e São Paulo também jogaram uma vez cada um, nesse horário, na Arena Barueri.

No total, a FPF marcou 27 jogos para as 21:50, dos quais 10 serão simultâneos, na última rodada da fase de classificação do campeonato.

Portanto, das 198 partidas do campeonato, 13,6% serão disputadas às 21:50.

Esses são os números, não incluindo, como já disse, Libertadores e Copa do Brasil.

Que cada um tire suas próprias conclusões a respeito e calcule, ou não, o custo/benefício em relação ao clube para o qual torce.

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Câmara paulistana aprova lei que limita horário de jogos http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/11/camara-paulistana-aprova-lei-que-limita-horario-de-jogos/ http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/11/camara-paulistana-aprova-lei-que-limita-horario-de-jogos/#comments Thu, 11 Mar 2010 12:41:42 +0000 Emerson Gonçalves http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/?p=834

21:50… A polêmica continua e, ao que tudo indica, não terminará por aqui.

Ontem, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou o projeto de lei que limita os horários de jogos na capital paulista, que terão que terminar até 23:15, sob pena de multa de R$ 100.000,00. Em caso de prorrogação ou disputa de pênaltis, com o término depois desse horário, não haverá cobrança de multas. O projeto nada diz sobre interrupções provocadas por queda no fornecimento de energia elétrica ou, mais sério, atrasos na partida provocados por incidentes de jogo.

O prefeito Gilberto Kassab terá 15 dias, a partir de hoje, para vetar ou aprovar o projeto de lei. Em 2007 ele vetou projeto semelhante, baseado em legislação federal sobre espetáculos esportivos. Dessa vez, os ânimos no parlamento municipal estão mais exaltados e o presidente da casa já disse que, caso o veto aconteça, o plenário irá derrubá-lo e a lei será implantada.

Emenda do vereador Aurélio Miguel, estipulando a entrada em vigor da lei em 2011, não foi aprovada por seus pares.

Ricardo Pisani, conselheiro do Palmeiras (cujo presidente apoia a lei) ouvido pela Folha de S.Paulo, colocou com simplicidade uma questão fundamental:

“Os vereadores que agem precipitadamente para acabar com os jogos às 22h deveriam sugerir receitas alternativas às da TV.”

Pelo que vimos, nenhum vereador pensou nisso.

Estranhamente, o vereador Aurélio Miguel, candidato derrotado à presidência do São Paulo na última disputa, e mais estranhamente ainda o também vereador Marco Aurélio Cunha, votaram a favor da lei. Estranho tal fato pelo simples motivo do Estádio do Morumbi ser o mais afetado com a marcação de jogos mais cedo. Enfrentar o trânsito paulistano entre 17:00 e 20:30, pelo menos, é tarefa que demanda infinita paciência e ausência de pressa. Mas isso, é claro, é irrelevante, tanto que os vereadores paulistanos sequer ouviram as autoridades de trânsito da cidade.

Que o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo tenha se declarado a favor da lei, um equívoco para quem supostamente entende de economia, é mais ou menos compreensível, numa visão limitada, uma vez que o Parque Antártica tem capacidade de público limitada a 26.000 torcedores ou ainda menos, dependendo dos riscos do jogo e tem uma posição central. Melhor ainda: é bem localizado em relação ao grosso da torcida palmeirense na cidade. Também seria compreensível do ponto de vista político as posições dos dois vereadores são-paulinos, afinal, uma vez na política um valor mais alto se alevanta: permanecer na política. Não é compreensível, porém, a posição manifestada pelo diretor João Paulo de Jesus Lopes, que muitos acreditam venha a suceder Juvenal Juvêncio ou, pelo menos, disputar sua sucessão. A alegação de que a torcida comparecerá em horários mais adequados é divorciada da realidade. Não irá. Nem a de outros clubes e muito menos a do São Paulo, que só comparece de fato nas retas finais de competições ou em jogos decisivos. Fora esses momentos, ela também comparece em número razoável quando o time está jogando bem, bonito, dando espetáculo. Como isso tem sido uma raridade…

Andrés Sanches e Luis Álvaro, presidentes do Corinthians e do Santos, manifestaram-se contrários à lei, ainda que torcendo o nariz e ressalvando isso e aquilo e cheios de etc. Ambos têm clara noção do que pode significar essa aprovação sobre suas receitas.

Nos textos anteriores sobre esse tema, a maioria esmagadora e massacrante dos leitores manifestou-se favorável à aprovação dessa lei, não só em São Paulo como em todo o Brasil. Perfeito, nada mais justo e correto que a livre manifestação de opinião. Chato, porém, é ter que aguentar comentários, não criticando minha posição, mas creditando-a ao fato deste Olhar Crônico Esportivo estar no portal GloboEsporte, que, como diz o nome, é parte do grupo Globo. Talvez seja estranho para muitos, mas uma pessoa pode ter opinião própria sem que ela seja fruto de relação de servilismo seja com quem quer que seja. A quem assim pensa, um pedido: não perca tempo lendo o que eu escrevo, pois não há sentido algum ler algo ou alguém que não merece credibilidade. Não escrevo para ganhar o concurso de Mister Simpatia, minha proposta, bem ou mal, é escrever, analisar e opinar, às vezes informar, sobre coisas e fatos do mundo da bola, na maior parte das vezes ligados ao marketing, à gestão, aos negócios. Se a minha opinião é contrária à da maioria, paciência, azar  meu, mas, uma coisa posso assegurar: será sempre a minha opinião.

Muitos elevam o futebol a patrimônio da cultura nacional e que, como tal, deve ser tratado com prioridade e ter os melhores horários da televisão. Ora, assistir às novelas da televisão também é um hábito cultural fortemente entranhado em nossa população, provavelmente com mais adeptos que o próprio futebol. Curiosamente, caso uma outra rede de TV compre os direitos de transmissão dos jogos a partir de 2012, veremos uma situação que será surpreendente para muitos torcedores: o pessoal da programação e o pessoal do comercial, os que têm a função de gerar audiência e os que têm a função de trazer dinheiro para casa, posicionar-se-ão a favor da não concorrência dos jogos com as novelas.

Sim, senhores leitores, porque uma coisa é transmitir jogos isolados, campeonatos limitados a um estado com menor peso econômico, e outra muito diferente é fechar contratos no valor, hoje, de mais de 600 milhões de reais, gastando a metade somente em direitos de transmissão para o sinal aberto – valor do qual os jogos de quarta às 21:50 representam a metade ou um pouquinho menos –, arcando com todos os custos de produção, transmissão e cobertura do dia-a-dia do esporte, e ainda por cima precisando garantir aos anunciantes que terão um percentual mínimo de audiência que justifique os valores envolvidos.

Garantia de audiência…

Aqui o bicho pega e pegará sempre em qualquer lugar.

Para garantir bons números a seus anunciantes, uma outra rede não poderá ter competição com a força das novelas no mesmo horário. Uma vez ou outra, num jogo mais importante, isso pode acontecer sem grandes dramas. De forma regular, porém, toda semana, todo mês, todo ano, significa comprar uma luta inglória e com grandes chances de insucesso. Logo, a alternativa mais simples e viável economicamente para garantir audiência e receber um bom valor dos anunciantes é fugir da concorrência da novela. O que levaria qualquer outra rede a programar os jogos… Para depois da novela.

Ou não.

Nesse caso, porém, não haverá como garantir audiência.

Nesse caso, porém, não haverá como pagar aos clubes o que é pago hoje.

O modelo de TV implantado no Brasil permite ao torcedor acompanhar os principais clubes de cada estado sem desembolsar muitos reais, aliás, sem desembolsar real algum. Basta ligar o televisor.  Quem paga para o torcedor assistir ao seu time do coração sem custo algum, são os anunciantes, por meio do mercado publicitário. Nesse momento, os contratos de TV com os clubes para o BR e para campeonatos como o Paulista e o Carioca, não são generosos, mas são simplesmente excelentes, considerando o tamanho da economia brasileira e nosso ainda criminoso perfil de renda. Comparados aos contratos de Inglaterra e França, por exemplo, pagamos proporcionalmente mais do que é pago à Premier League e à Liga Francesa, considerando renda per capita da população.

Isso tem um preço e ele é, como já disse, pago com índices de audiência.

Sim, jogos que terminam tarde significam uma dose a mais de sacrifício para ir, para voltar, para dormir… Lamentável, claro, mas é difícil atender a todos ao mesmo tempo. O torcedor que não pode de forma alguma ir a um jogo das 21:50, tem as opções dos jogos às quintas, sábados e domingos, em horários mais compatíveis com suas possibilidades. Muitos torcedores, notadamente nas grandes cidades, têm problemas maiores para horários ao redor de 20:00, por exemplo, em função do trabalho, do trânsito e também do singelo fato de passar em casa e pegar os filhos para ir ao estádio. Essa é, sim, uma das razões para que os jogos das 21:50 tenham média de público superior a outros horários, principalmente noturnos. E claro, por favor, considerando jogos semelhantes, somente de grandes contra pequenos e nunca entre esses e tampouco clássicos. Alguma razão há de haver para essas médias maiores.

Vivemos num mundo em que grandes populações são a tônica, em que o grosso das pessoas mora em cidades, grande parte delas em grandes cidades. Grandes clubes têm grandes torcidas, impossíveis de serem colocadas num estádio. Esse tempo ficou num passado remoto. Bilheteria é importante e deve ser tratada com o máximo carinho por todos os clubes, mas é preciso levar em conta que a receita maior e mais importante de todo clube hoje, vem da TV, quer direta, quer indiretamente.

Não é somente a receita direta dos direitos de transmissão que conta, é preciso levar em consideração que as receitas de marketing, sobretudo patrocínios, são fortemente influenciadas pela exposição dos clubes, seus uniformes e, por extensão, as marcas de seus patrocinadores, na televisão.

Sim, pode-se mexer no horário dos jogos. A vontade do povo é e deve sempre ser soberana, manifestada por meio de seus representantes. Mas essa não é uma mexida simples, ela envolve muito mais que o horário e o conforto de dez, vinte, quarenta,sessenta mil torcedores.

Há outros interesses também legítimos em jogo. Sem falar que a intervenção do Estado em coisas que dizem respeito aos hábitos de entretenimento das pessoas, mesmo que legal, deve ser cuidadosamente pesada. Existem opções de horário e de dias para quem quer ver futebol, o horário das quartas às 21:50 não é o único que existe.

O consumidor não está condicionado a uma única possibilidade. Ninguém é obrigado a ver jogo nesse horário, o que, se verdadeiro fosse, aí sim justificaria a intervenção do Estado. E vejam, senhores, por favor, que a frase anterior não tem sentido irônico ou de menosprezo: ela simplesmente significa que não existe a obrigação, que o cidadão é livre para ver ou não, para ir ou não, e não podendo ou não querendo, terá alternativas para fazê-lo. Sim, um trecho chato e repetitivo, talvez agressivo para alguns, mas necessário, lamento.

É a televisão que leva o clube para o seu torcedor nos tempos em que vivemos. Em breve, será o celular turbinado. Não tão em breve no Brasil, mas também não muito distante, por meio desse celular o torcedor poderá ver o jogo do seu time em qualquer estádio, enquanto seu ônibus ou metrô leva-o de um bairro para outro, sem perda de qualidade. Futebol via mídia, qualquer que venha a ser, é uma realidade irreversível.

Cada vez mais os clubes precisarão de receita para manter-se competitivos. Reparem no post sobre a divisão das receitas dos Top 10 europeus, e vejam como o peso é dividido. Alguns clubes têm no matchday uma participação importante, mas seus preços de ingressos e as receitas obtidas dentro do estádio são, para nós, ainda e por muito tempo, inimagináveis.


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O peso do fator Adriano http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/09/o-peso-do-fator-adriano/ http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/09/o-peso-do-fator-adriano/#comments Tue, 09 Mar 2010 19:22:44 +0000 Emerson Gonçalves http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/?p=832

Dizem que não há tarefa mais ingrata, mais difícil e ao mesmo tempo, quando bem sucedida, mais prazerosa que dirigir pessoas. Dizem que há regras para isso, dizem que há cursos, até MBA, dedicados à arte de dirigir pessoas. Sim, há, mas não sei até que ponto funcionam, pois essa me parece ser uma habilidade inata, que alguns têm, outros não. Na prática, sei que a habilidade em relacionar e dirigir, liderar pessoas, é uma das mais importantes nas avaliações de seus empregados feitas pelas grandes corporações. Esse skill é, na maioria dos casos, o que realmente faz a diferença na vida profissional dos executivos, mais nas promoções do que nas contratações.

A condução de uma equipe esportiva, de um time de futebol, pode, de certa forma, ser reduzida à capacidade e sucesso na direção das pessoas que entram em campo com a missão de vencer jogos e conquistar títulos. Há, inclusive, treinadores de muito sucesso justamente por essa habilidade.

Isto posto, entra em cena a razão de ser desse post: Adriano.

Seu histórico todos conhecem, tanto o positivo como o negativo, assim como já conhecem a sequência mais recente de problemas: ausência nos treinos, confusões na madrugada, outros atletas envolvidos, briga com a noiva… Coisas das quais não dá para fugir e não há como não comentar, dada a condição de ídolo e personalidade pública que tem Adriano, ainda mais quando seus atos na vida privada interferem e até mesmo inviabilizam sua atividade profissional, a que fez dele um ídolo e um jovem já milionário.

De repente, embora sem surpresa, a presidente Patrícia Amorim já está diante de um desafio enorme: administrar um evento com potencial gigantesco para gerar uma crise de igual proporção.

Seria fácil dizer que ela deve aplicar a fórmula x ou y. Puna o atleta, enquadre-o, preserve o grupo, dê força ao seu vice-presidente. Ou o contrário: preserve o atleta, dê-lhe carinho e afago, passe a mão em sua cabeça e finja que nada de grave aconteceu.

Seria fácil, mas a verdade é que a questão toda é de uma complexidade enorme. A direção precisa pensar e avaliar a qualidade indiscutível do atleta, sua importância para o time, para o grupo e também para os ganhos comerciais que o clube aufere com sua presença. E o Flamengo sabia de tudo isso, o negativo e o positivo, quando assinou com ele. Como disse o Marcelo Barreto em seu blog “É muito pênalti”, citando dirigente do Flamengo a respeito desse imbróglio mais recente do jogador:

“Quando você contrata o Imperador, compra o pacote completo.”

A questão a ser cuidada, entretanto, não se resume a Adriano, ela vai muito além.

Em meados do ano passado, quando ficou claro que o Palmeiras traria Vagner Love, este Olhar Crônico Esportivo advertiu sobre os riscos potenciais de tal contratação. Mais que um jogador supostamente diferenciado (não é, na minha opinião), o clube traria um salário diferenciado. Se Vagner entrasse e resolvesse tudo, ótimo, tudo estaria bem, o grupo consolar-se-ia com a situação. Afinal, quem resolve, resolve e o faz para o bem de todos e felicidade geral da nação, que foi a alviverde e agora é a rubronegra. No Palmeiras, entretanto, Vagner nada resolveu e foi pivô, talvez o mais forte, da crise que levou o time a ficar até fora da Libertadores.

Adriano no Flamengo tem algumas diferenças em relação a seu atual parceiro de ataque: é muito mais jogador, incontestavelmente, e, principalmente, desde que estreou tem resolvido. Até quando, porém?

Eventuais tropeços nesse começo de temporada poderão quebrar o clima reinante de paz e amor, já ameaçado pela insatisfação pública de Petkovic. Que foi tratado corretamente, sem dengos e afagos.

Com Adriano, porém, tudo é diferente. Seu histórico de ausências no clube já é bem respeitável. Seu salário continua sendo assombroso, mas se ficar muito tempo fora do time sua importância passará a ser questionada internamente. Nada mais humano, nada mais normal. Uma vez instalado esse processo – que aparentemente não foi deflagrado – fica difícil parar e reverter. O melhor, sempre, é evitar que ele comece.

Apesar do que disse a presidente Patrícia Amorim, estou certo que essa já é sua maior preocupação nesse fim de primeiro trimestre de gestão. Pois ela sabe muito bem qual é a importância de Adriano para o time e para o clube, tanto no sentido positivo como no negativo. E sabe, também, que é um momento-chave para defini-la como presidente. Mesmo porque precisa garantir que a declaração irritada de Andrade siga sendo verdadeira:

“Querem empurrar para o Flamengo uma crise que não existe.”


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International Board decide: o fator humano continua http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/07/international-board-decide-o-fator-humano-continua/ http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/07/international-board-decide-o-fator-humano-continua/#comments Sun, 07 Mar 2010 13:08:56 +0000 Emerson Gonçalves http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/?p=830

Normalmente, nesses tempos high tech, vemos o contrário: a tecnologia sobrepujando e até aposentando o ser humano nas mais variadas situações e funções. Mas em algumas coisas o humano prevalece, como no futebol.

Aleluia!

A reunião do International Board, os “velhinhos da FIFA”, decidiu pela não utilização de tecnologias no esporte mais popular do planeta, inclusive o uso dos famosos chips nas bolas para aferir se realmente entraram no gol ou não. O IFAB – International Football Association Board – foi mais longe: encerrou com todas as experiências com o uso de tecnologia no esporte bretão que consagrou Ronaldinho Gaúcho, o jogador que hoje melhor personifica o jogo-fantasia ao invés do jogo-robotizado e previsível. Uma das inovações em estudo era o uso de uma câmera colocada nas traves para, a exemplo do que acontece no tênis, mostrar se uma bola de fato entrou ou não. Foi descartada.

O aspecto humano é essencial para o futebol. Os grandes momentos desse esporte, quaisquer que sejam, mexem com as emoções dos torcedores e fazem parte da história. São eles que dão vida ao futebol” disse Jonathan Ford, representante da federação galesa no Board.

Todos concordamos que a tecnologia não deve entrar no futebol, pois desejamos que ele continue sendo humano, é aí que está a sua beleza, os torcedores voltam a falar dessas partidas, as recriam“, disse outro membro do Board, Patrick Nelson, representante da federação da Irlanda do Norte.

A FIFA sabe que essa decisão provocará reações, principalmente pela posição de encerrar qualquer outra pesquisa ou estudo que implique o uso de tecnologia. “Temos consciência de qual poderia ser a reação do público. Vimos apresentações que tinham bons argumentos, o que foi muito positivo, mas a pergunta que nos fizemos consistia em saber se o futuro do futebol passa pela tecnologia, e a resposta foi não” disse o representante da federação inglesa, Ian Watmore.

Jerome Valcke, secretário-geral da FIFA, disse que “Se implementarmos esses recursos para a linha de fundo, por que não estendê-los ao impedimento e a outras ações duvidosas, até acabarmos no vídeo? Não foi o que ficou decidido. Queremos manter o futebol como ele é.

E Jonathan Ford foi direto: “Não queremos que as partidas sofram interrupções constantes.

Pela preservação do humano

Eu, pessoalmente, entendo que o futebol não precisa desses aportes de tecnologia. Ele é o que é e vem crescendo continuamente, sem o uso de componentes estranhos ao jogo que começou a ser praticado nos primórdios do século XIX.

Sim, mudaram as chuteiras, as vestimentas, o preparo físico… Mudou a bola e como mudou a bola! Mas as decisões continuam sendo tomadas pelos mesmos olhares que viram-no nascer, como um esporte para ser praticado ao ar livre, em condições naturais, arbitrado e decidido pelos sentidos humanos.

Mudar isso será desvirtuar o esporte tal como ele é. Introduzir traquitanas eletrônicas diversas significará a introdução de um outro esporte, dê-se a ele o nome que se quiser dar, como, por exemplo, futebol eletrônico. Mesmo porquê, no caso do uso de vídeo, por exemplo, a realidade é completamente transformada, especialmente quando se usa o recurso do slow motion, que valoriza e dramatiza as cenas mais banais, principalmente quando associado aas poderosas lentes de hoje, com grande poder de aproximação sem perda de qualidade.

Em 18 de maio, o resto

A pauta da 124ª Reunião Anual do IFAB previa a discussão de outros assuntos, como a paradinha na cobrança de pênaltis, a função do quarto árbitro e a introdução de mais dois auxiliares de linha, posicionados atrás das linhas de meta.

Assuntos importantes com impactos diretos sobre o futebol do dia-a-dia.

O caso da paradinha será o de impacto mais imediato, inclusive sobre a Copa do Mundo. A chamada “paradona” é um desvirtuamento da finta de Pelé, que nunca parou para chutar, simplesmente reduzia brusca e elegantemente a velocidade com que chegava à bola, enganando o goleiro. Hoje, alguns jogadores praticam a cobrança em dois movimentos distintos: correm em direção à bola, param, realizando, então, outro movimento para a frente, quando chutam. É uma prática que requer habilidade e bom chute, pois não é tão fácil como parece. Entretanto, ela não é correta pelas regras atuais. Caso viesse ou venha a ser mantida, o justo e correto é permitir ao goleiro movimentar-se à vontade antes da cobrança.

A função do quarto árbitro pode e deve, na minha opinião, ser ampliada. Afinal, como já indica o nome, ele também é um árbitro e, como tal, plenamente capacitado a interpretar tudo que ocorre no gramado e em seu entorno. Com função oficial, a arbitragem ficará facilitada e algumas situações que escapam ao controle do árbitro principal poderão ser evitadas, corrigidas ou punidas.

Por fim, os novos auxiliares para as linhas de meta: a meu ver, muito melhor que a câmera “olho de águia” ou bolas com microchips com sistema Cairos. Nesse andar, precisaríamos assistir a um jogo com um manual de softwares e hardwares no bolso, ao invés das escalações e características dos principais jogadores de cada time. Não, obrigado. Que se aprove a criação dos dois novos auxiliares e, assim mesmo, teremos discussões futuras sobre bolas que entraram ou não entraram, principalmente as que ficarem parcial ou totalmente embaixo dos goleiros.

Assim é e, espero, continuará sendo o futebol.

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A divisão e a importância do equilíbrio das receitas – uma visão sobre os Top 10 http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/05/a-divisao-e-a-importancia-do-equilibrio-das-receitas-%e2%80%93-uma-visao-sobre-os-top-10/ http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/05/a-divisao-e-a-importancia-do-equilibrio-das-receitas-%e2%80%93-uma-visao-sobre-os-top-10/#comments Fri, 05 Mar 2010 13:43:57 +0000 Emerson Gonçalves http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/?p=828

Um amigo veio até o sítio e comentou das pastagens.

- Ah, estão bonitas, né? É a chuva, né? Com toda essa chuva o capim cresce que é uma beleza – disse ele empolgado e satisfeito com o que via, até que comecei a falar:

- É, tá bonito, mas poderia estar muito melhor. Estamos com calor de menos, com sol de menos e com chuva demais. Como a fertilidade do solo está boa, o equilíbrio está rompido em dois dos quatro fatores essenciais para os vegetais tropicais: umidade, temperatura, luminosidade e fertilidade.

Entusiasmado, fui além:

- É como no futebol, é como dizem os “professores”, aqueles caras que ficam na beirada do campo gritando ou fazendo cara feia ou as duas coisas ao mesmo tempo, que é o mais comum: um time precisa ter equilíbrio entre suas linhas. Boa zaga, bom meio, bom ataque, sem esquecer um bom goleiro. De nada adianta uma ótima zaga com um ataque inexistente. Ou um meio-campo excelente com uma defesa frágil. E um bom ataque combinado a uma boa zaga até dá certo parte do tempo, mas não todo o tempo, pois um bom meio-campo é essencial.

Introdução feita, vamos à razão de ser desse post: o equilíbrio, ou não, entre as receitas de televisão, bilheteria e marketing dos dez maiores clubes europeus, o que vale dizer, os dez maiores do mundo. Aliás, esse equilíbrio é também muito bem explicado pelo dito popular de não colocar todos os ovos numa só cesta.

Os clubes em melhor posição no ranking apresentam, como disse no post anterior, um bom equilíbrio entre as três fontes de receita, como mostra a tabela a seguir, com os valores expressos em milhões de euros:

Clube

TV

Matchday

Marketing

Total

Real Madrid

160,8

40%

101,4

25%

139,2

35%

401,4

Barcelona

158,4

43%

95,5

26%

112,0

31%

365,9

Manchester United

117,1

36%

127,7

39%

82,2

25%

327,0

Bayern Munich

69,6

24%

60,6

21%

159,3

55%

289,5

Arsenal

89,0

34%

117,5

45%

56,5

21%

263,0

Chelsea

92,9

38%

87,4

36%

62,0

26%

242,3

Liverpool

87,6

40%

49,9

23%

79,5

37%

217,0

Juventus

132,2

65%

16,7

8%

54,3

27%

203,2

Internazionale

115,7

59%

28,2

14%

52,6

27%

196,5

Milan

99,0

50%

33,4

17%

64,1

33%

196,5

O ideal seria uma composição em que nenhuma das fontes atingisse 40%, embora, como em toda regra, haja exceções. É o caso do Barça, por exemplo, que não viu seu público diminuir, pelo contrário, cresceu 4%, mas viu a receita de TV crescer acima do normal. Efeito “jogo bonito”, efeito Messi, efeito títulos La Liga e Copa del Rey e no próximo ano veremos ainda os efeitos, muitos, da Champions League, além do Mundial de Clubes. A menos que a temporada do Madrid seja excepcional, não será de estranhar ver o Barça ocupar, pela primeira vez, a liderança em receitas.

A participação média do matchday é de 30,3% nas últimas 6 temporadas. Apesar da queda percentual para 26% nessa temporada, essa receita cresceu 4% sobre a temporada anterior e atingiu 95,5 milhões de euros, deixando o Barcelona próximo de conseguir o feito de ser o segundo clube europeu a faturar mais de cem milhões de euros em cada uma das três áreas de receitas. As receitas comerciais, que englobamos como marketing, também cresceram bastante, atingindo 112 milhões de euros, o terceiro maior faturamento nesse item em toda a história do FML e assim mesmo essa participação ficou na média dos 6 anos: 31%.  Enfim, o que desequilibrou mesmo a balança foi o crescimento da participação da TV, que pulou de uma média de 37,6% para nada menos que 43%, chegando ao valor de 158,4 milhões de euros (428 milhões de reais, ou, simplesmente, o valor total anual dos direitos de TV do Campeonato Brasileiro).

Se o desequilíbrio blaugrano foi positivo ao extremo, o mesmo não se pode falar dos desequilíbrios dos clubes italianos. Neles, o que mais pesa, sem dúvida, é a baixa presença do torcedor nos estádios e a forte dependência da TV, que no caso da Vecchia Signora é assustadora: 65% da receita do clube veio da venda dos direitos de transmissão e somente 8% do matchday. Há motivos para isto. A economia italiana vai mal das pernas há algum tempo. Tivemos o escândalo das arbitragens e o rebaixamento da Juve e a punição do Milan, que levou-o a ficar fora da CL e perder dinheiro e posições no ranking. Além disso, há anos observa-se uma queda no número de torcedores nos estádios italianos, em sua maioria ultrapassados e mal cuidados, muito longe de oferecer o mesmo conforto dos estádios ingleses e dos grandes de Espanha. Isso, é claro, para não falar dos franceses – menos – e dos alemães, com seus estádios turbinados pelas Copas de 1998 e 2006, sobretudo. Internazionale e Milan não tem um perfil econômico muito diferente, com a TV representando a metade ou quase 60%, e as receitas com matchday bem abaixo de 20%.

Outro desequilíbrio forte e interessante é visto no Bayern e também nos outros dois clubes alemães no Top 20, o Hamburger e o Schalke. As receitas comerciais são muito maiores que as demais, respondendo, no caso do Bayern, por 55% do total. Em euros, esse valor de 159 milhões tomado isoladamente, já seria o bastante para ocupar a 11ª colocação no ranking, ocupado pelo Hamburger com um faturamento de 146,7 milhões de euros. Entretanto, a essa forte participação do marketing corresponde uma fraquíssima participação dos direitos de TV – que respondem por somente 24% das receitas do clube nessa temporada. A principal razão é o baixo valor negociado pela Bundesliga na venda dos direitos de transmissão, associado, no Bayern, à eliminação nas quartas-de-final tanto na Champions League como na German Cup. Essas eliminações também impactaram a receita de matchday, pois o time acabou disputando somente 23 partidas no Allianz-Arena, enquanto na temporada anterior disputou 27.

Ainda sobre o marketing: os analistas estimam que o patrocínio da Deutsche Telekom paga entre 22 e 24 milhões de euros anuais e que, dependendo dos resultados do clube podem atingir a marca de 30 milhões de euros. Nessa composição, além de vários outros patrocínios menores, houve o novo acordo com a Audi, que além de investir 90 milhões de euros na compra de 9% das ações do clube, investe 10 milhões de euros anuais desde essa temporada até 2019, num total de 110 milhões de euros.

A erosão cambial da libra continua prejudicando os clubes ingleses, depois da moeda valorizada ajudar a mantê-los no alto por muito tempo. O Arsenal realmente aproveita muito bem o Emirates Stadium e sua receita de matchday só perde para a do Manchester United em toda a Europa, sendo a de maior participação percentual no grupo dos dez clubes. O fraco desempenho na área comercial, principalmente se comparado com os números de Manchester e Liverpool, já levou o clube a fazer uma reformulação nessa área. O desempenho dessa temporada permitiu a ultrapassagem do Chelsea e o retorno ao grupo do Top 5 europeus. Outro ponto fraco do clube, também comparado ao MU e ao Liverpool, é a baixa presença no exterior, o que, inclusive, provoca impacto negativo no valor do patrocínio de camisa e levou a direção a adotar medidas de correção, visando crescer no Oriente Médio, leste asiático e nos Estados Unidos.

Como disse no início, de maneira geral é bom procurar um equilíbrio entre as fontes de receita. A melhor combinação nessa temporada foi a do Manchester United. Apesar de um excelente desempenho esportivo e comercial, o clube foi ultrapassado pelo Barcelona e viu o Madrid aumentar a diferença de receita entre ambos. Novamente, o peso da desvalorização da libra diante do euro. Nessa temporada o clube disputou 30 jogos em sua casa, o que dá a média espantosa de 4,3 milhões de euros por jogo – algo próximo de doze milhões de reais a cada vez que o time entra em campo em sua casa.

Doze milhões de reais…

Nesse valor estão incluídos o ingresso e a participação do clube, direta ou indireta, nas despesas feitas pelos consumidores/torcedores no estádio.

Termino com esses doze milhões de reais martelando o ouvido.

É para pensar…

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E o tal do fair play? http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/03/e-o-tal-do-fair-play/ http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/03/e-o-tal-do-fair-play/#comments Wed, 03 Mar 2010 20:23:17 +0000 Emerson Gonçalves http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/?p=827 Estou em dívida com os leitores deste Olhar Crônico Esportivo, pois tenho que postar sobre os números dos clubes europeus, mas não podia deixar passar esse episódio. Para quem não leu, recomendo a leitura:

Marquinhos revela que ficou ‘no vácuo’ ao tentar cumprimentar Mano Menezes

O esporte serve, ou deveria servir, para passar a todos lições de vida e de convivência pacífica e harmoniosa. Esse é o espírito da civilidade: adversários durante o tempo regulamentar de um jogo, e amigos ou simplesmente pessoas que se cumprimentam e se respeitam amistosamente depois. Independentemente do que tenha ocorrido durante o jogo, com suas regras próprias e, na prática, seu mundo à parte.

Também durante o jogo, qualquer que seja, o fair play entre os atletas é fundamental. Se as faltas são, muitas vezes, inevitáveis, não há porque torná-las mais duras, desleais, perigosas. Uma postura educada em campo reflete sobre os torcedores fora de campo, assim como uma postura má educada e agressiva fora de campo, principalmente de quem tem ascendência sobre os atletas, vai refletir sobre eles.

Ao recusar o cumprimento do atleta Marquinhos, do Santos FC, o treinador Mano Menezes, comandante, como se diz no futebol, do time do Corinthians, deu um péssimo exemplo de falta de civilidade e de educação. Agora é torcer para que seus atletas não se mirem em seu exemplo.

Além disso agravado, é bom que se diga, por sua idade e experiência, o que nos faz esperar, sempre, comportamentos mais ponderados, mais racionais. Ao contrário de garotos com a adrenalina no alto durante um jogo.

Nem vou entrar no mérito da justificativa dada ao atleta: “Roubado eu não cumpimento” – até porque não existe esporte sem respeito à arbitragem.

Que não faça escola o exemplo do Sr. Mano Menezes, para o bem do futebol.

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