Sport – Uma queda de fora para dentro do gramado
O portal GloboEsporte publicou uma boa matéria sobre a queda do Sport para a Série B, cuja leitura vale a pena – clique aqui.
São citados dez motivos para esse triste desenlace, confirmado na noite de ontem, todos eles relevantes e verdadeiros. Para variar, entretanto, enxergo uma causa maior, que se sobrepõe às demais, e foi, para mim, determinante: a atual gestão do Sport.
Ressaca pós-Libertadores: toda direção precisa estar preparada para esse evento. O Sport tinha o exemplo recente do Fluminense, em 2008. Competia à direção entrar em cena e levantar o ânimo dos jogadores depois da eliminação. Assim como deveria ter entrado em cena antes, reduzindo um pouco o clima de euforia em torno do time. Que torcedores e jornalistas fiquem eufóricos é normal e justo, mas esse sentimento deve ser evitado pelos profissionais do futebol, exceto por uma noite e um final de semana depois de uma grande conquista. Mais que isso é perder o famoso foco, o vocábulo da moda. Lembrando que a campanha da equipe foi brilhante e emocionante, e a eliminação deu-se diante de um adversário acostumado à Copa Libertadores – Palmeiras e São Paulo são os clubes brasileiros que mais vezes disputaram a competição – e, ainda por cima, numa disputa por pênaltis. Ora, não há demérito algum nisso, muito pelo contrário. Bem fez o Cruzeiro que, mesmo perdendo o título em casa, não deu margem para a tal ressaca e acabou fazendo uma campanha excelente no BR, estando, novamente, com boas possibilidades de novamente disputar a competição continental em 2010.
Trocas de comissões técnicas: mais que trocar Nelsinho por Leão e este por Chamusca, o Sport cometeu o erro, tão comum aos clubes brasileiros, de trocar também os preparadores físicos. Um clube não pode ficar à mercê das idas e vindas do pessoal técnico. Se já é muito ruim trocar o treinador, que dizer, então, de trocar parte dos demais profissionais? A troca de preparadores e, consequentemente, a mudança de linha de trabalho de um para outro, em nada contribuiu para o êxito do time na temporada, agravando ainda mais os problemas físicos gerados pelas viagens durante a Copa Libertadores. Se a saída de Nelsinho foi mesmo inevitável, seu sucessor deveria ter sido escolhido com mais critério. Leão é excelente, mas ao que parece não teve condições para desenvolver seu trabalho. Logo, não foi uma escolha tão criteriosa. Chamusca é bom treinador e tem futuro, mas não creio que fosse o nome certo para o momento ruim que já vivia a equipe. Um treinador, mesmo renomado, precisa sempre do suporte da direção.
Brigas internas: falou-se muito nisso e o falatório começou cedo. Se o treinador não consegue controlar, a direção precisa entrar em cena. Aqui, nesse caso, reconheço que há situações em que nem mesmo uma direção forte e segura consegue dar jeito.
Quedas de rendimento, saídas e ausências de jogadores: o primeiro ponto afetou, notadamente, Ciro, alçado à condição de estrela prematuramente. Segundo a matéria do portal, o próprio atleta chegou a pedir à presidência para dar menos entrevistas e sair um pouco dos holofotes. No futebol brasileiro é mera utopia pretender segurar jogador com boa proposta do exterior, mas está longe de ser utopia antecipar-se e procurar solução para a vaga criada. Assim como atletas em final de contrato precisam de atenção e cuidados, seja para não desanimarem, seja para não assinarem com outros clubes.
Brigas políticas: aqui o bicho pega. Ainda recentemente, no final de setembro, como fruto dessas disputas, a gerente de marketing do clube foi demitida. Em conseqüência, o vice-presidente responsável pela área também saiu. Eu, particularmente, fiquei bastante surpreso com isso, pois acompanhava o trabalho feito na área e julgava-o muito bom, criando uma base de novas receitas para o clube que viria, ou virá, a ser lucrativa e importante para o clube. Não a curto prazo, mas a médio e longo prazo, como, aliás, é o correto. Resultados muito rápidos, imediatos, nem sempre são duradouros. Na matéria do portal, o comentarista da Globo em Recife, Tiago Medeiros, revela que o presidente Silvio Guimarães é considerado centralizador por seus diretores, vários dos quais deixaram o clube.
Ontem cedo, bem antes do jogo contra o Palmeiras, por intermédio do ex-vice-presidente de marketing do clube, Carlos Frederico de Melo, recebi uma carta do ex-presidente Milton Bivar, encaminhada igualmente a torcedores, jornalistas e blogueiros de todo o país. Nela, o ex-presidente responsável pelo reerguimento do Sport, traça um quadro pouco animador do clube hoje e critica o atual presidente por quebrar acordos de campanha, demitindo pessoas e não seguindo o planejamento para 4 anos feito no decorrer de 2007 e 2008, tudo isso gerando um clima interno que refletiu no time.
Independentemente do ex-presidente estar ou não correto em suas críticas, para mim fica claro que os motivos reais e mais significativos da queda do Sport Clube do Recife têm que ser procurados fora das quatro linhas do gramado. Como disse no título, a queda começou fora, mas acabou dentro do campo.
Só para variar.
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