Má educação e indiferença
Nos últimos dias os dois grandes jornais de São Paulo, o Estado e a Folha, publicaram excelentes matérias sobre o Campeonato Paulista, sobre a polêmica do horário das 21:50, sobre os patrocínios brasileiros e hoje Paulo Vinicius Coelho arremata com uma coluna excelente, comentando, ora vejam, a falta de educação – título de sua coluna – da confederação, entres outra coisas. PVC, como todos o conhecem, que é um dos mais brilhantes analistas de nosso futebol, ou melhor, de futebol, pois não se limita ao Brasil, botou o dedo numa ferida purulenta e que também sangra sem parar, sangra os nossos clubes.
Há alguns dias eu, como a direção santista, sua torcida e todos que acompanham o futebol brasileiro, vinha aguardando que a CBF atendesse aos pedidos do Santos e liberasse Robinho.
Nada.
Como relata PVC, o presidente Luis Álvaro começou a tentar uma resposta da confederação quando ainda estava internado, recuperando-se de um problema médico. Isso foi antes do dia 10 de fevereiro, quando deixou o hospital. A confederação, que em tese deve ser organizadora do futebol a serviço de e para os clubes, simplesmente não se dignou a responder ao pedido insistente, lógico e extremamente razoável de um de seus filiados. Ignorou-o. Má educação, como disse o colunista da Folha, mas também arrogância, prepotência, absoluta indiferença com os clubes brasileiros.
O Santos investiu pesado para repatriar Robinho. Pela ótica do treinador da confederação, o clube fez um grande favor a ele e a ela, pois Robinho é nome mais do que certo na lista dos que vão para a África do Sul tentar mais um título mundial. Na Inglaterra, o jogador definhava atlética e futebolisticamente, sequer entrando em campo para jogar e, quando o fazia, melhor teria sido ter ficado em sua casa. Seria uma cortesia e, mais que isso, o reconhecimento que o clube prestou um favor ao futebol brasileiro, e sobretudo à confederação e ao seu treinador, liberar o atleta para defender seu clube num jogo fundamental a equipe, numa competição que o clube quer e precisa vencer, como parte de seu esforço de recuperação.
Mas, nada veio. Nem a cortesia, nem o reconhecimento, nada, sequer uma resposta. Apenas a indiferença.
Cruzeiro e Flamengo também têm jogadores convocados, que também poderiam entrar em campo para defesa dos clubes que pagam seus salários. Como as tabelas marcavam jogos considerados fáceis para ambos, ninguém ficou muito preocupado com a ausência dos atletas convocados.
Os próximos anos não serão piores, serão apenas tão ruins quanto esses últimos. Ano a ano nossos clubes são desrespeitados em seus direitos mais elementares, pois a confederação, ao contrário das outras todas, não respeita as datas FIFA. Ou melhor, só as respeita em relação aos clubes estrangeiros. Aqui, na falsa terra de ninguém, posto que ela tem dono, os campeonatos prosseguem regularmente nas datas FIFA. Com ou sem jogadores convocados pela confederação para um de seus muitos times, tanto o principal como os sub alguma coisa. Há quem diga que a confederação faz um favor aos clubes quando convoca seus atletas, pois assim valoriza-os e favorece melhores transferências. Pois é, há quem diga e defenda essa posição. Pobre confederação, além de boazinha, incompreendida.
Pobre Santos, isso sim, que investiu pesado para ficar sem seu astro num jogo importante pelos pontos e pela receita. Pobres clubes…
E assim segue ela, a confederação, impávido colosso, hoje como sempre, ignorando a tudo e a todos, hoje mais ainda do que nunca, afinal, a tão desejada Copa do Mundo em terras de Pindorama está logo adiante.
O Brasil tem hoje um presidente eleito pelo povo e dois imperadores (vá lá, três, com o Adriano) absolutistas, como soi acontecer com os imperadores (Adriano, inclusive, nesse caso).
Os clubes… Bem, aos clubes resta obedecer, afinal, como também soi acontecer nos impérios, manda quem pode, obedece quem tem juízio. Principalmente quando os súditos desconhecem a força da união e colocam suas questiúnculas e rivalidades acima do bem comum.
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