Uma pesquisa é um estudo feito a partir de trabalhos científicos baseados num ramo da matemática, a estatística. Não existe pesquisa feita aleatoriamente ou de acordo com a vontade ou paixão de fulano ou beltrano.
Uma pesquisa, principalmente de algum porte, não é decidida da noite para o dia. Ela é planejada minuciosamente, com boa antecedência. Ou seja, o fato da pesquisa Datafolha coincidir com o título do Flamengo não foi planejado, mesmo porque o título rubronegro só ficou claro de fato a partir do final da 37ª rodada. Simplesmente aconteceu, mas, assim mesmo, repito: a coincidência de datas com certeza provocou algum impacto no resultado que mostrou dois pontos percentuais a mais para o Flamengo em relação à pesquisa anterior. Portanto, senhores críticos, que na totalidade não leram com a devida atenção o que foi escrito no post, o impacto, cuja ordem de grandeza desconheço, mas que pela minha experiência sei que existiu, foi sobre os dois pontos percentuais de crescimento. Talvez tenha sido um impacto grande o bastante para justificar os dois pontos, talvez tenha sido pequeno demais, insuficiente para afetar o que seria um crescimento detectável, independentemente de título. Ou, quem sabe, tenha sido responsável por um desses dois pontos. Espero ter deixado claro. Essa é a minha análise, fruto de um processo de raciocínio embasado por vivência na área. Quem não quiser ler opinião, seja minha, seja de quem for, por favor, limite-se a ler os números da pesquisa reproduzidos por toda parte. E bom proveito.
A composição da amostra é a parte mais importante do trabalho prévio, pois ela precisa reproduzir, na medida do possível, a realidade do universo que se pretende conhecer. Essa amostragem é feita a partir dos dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Leva em consideração a população de cada estado e, dentro de cada estado, de cada região. Leva em consideração a estratificação social. Leva em consideração a estratificação etária. Uma amostra de um trabalho sério pode ser tudo, menos chutada, menos aleatória. Acreditar nisso é acreditar que dezenas de milhares de profissionais de marketing e propaganda não passam de um rematado bando de imbecis absolutos. Ou, outra hipótese igualmente muito legal e querida de muitos, é acreditar que há uma grande conspiração por trás de tudo para engrandecer o Flamengo. Para engrandecer o Corinthians. Para diminuir esse ou aquele. Para destruir o futebol de uma região ou de um estado.
Menos, por favor.
Os institutos de pesquisa sobrevivem da venda de seu trabalho. Se fizerem um trabalho errado, tudo bem, o prejuízo não será grande. Se fizerem dois, começa a complicar. Com três a situação já entra em alerta vermelho e o ganha-pão dos envolvidos passa a correr sérios riscos. Portanto, ninguém faz pesquisa para errar. Essa é uma coisa óbvia. Empresas compram pesquisas, desenvolvem produtos, lançam produtos, vendem produtos e sobrevivem dessas vendas baseadas em pesquisas de mercado. Se depender do que muitos pensam e escreveram, o fato de milhares de empresas sobreviverem, crescerem, gerarem e manterem empregos, inclusive dos próprios descrentes das pesquisas, é um milagre gigantesco. Talvez o maior da história da humanidade, tirando meia dúzia dos grandes milagres bíblicos.
Novamente, então: menos, por favor.
A pesquisa é a Verdade? O exemplo do PPV
Não. Nenhuma pesquisa é a tal da Verdade. Ou, considerando que falamos de entretenimento, a tal da verdade. Deixemos a maiúscula inicial para verdades mais importantes.
E a tal da confiabilidade? A tal da confiabilidade aplica-se a pesquisas efetuadas da mesma maneira, com a mesma metodologia, e, preferencialmente, claro, nas mesmas situações. Uma pesquisa de outro instituto, com outra metodologia, ou pequenas diferenças, vai conduzir a resultados próximos, mas não totalmente iguais.
Temos um exemplo perfeito disso no estudo do Clube dos 13 para dividir a arrecadação do PPV. A participação de cada torcida nas compras foi aferida por meio de duas pesquisas simultâneas, conduzidas por dois diferentes institutos, o Datafolha e o IBOPE. (Há vários posts a respeito neste OCE; o último pode ser acessado aqui; os demais podem ser pesquisados na categoria Pesquisa.)
|
Ranking
|
Clube
|
Média
|
IBOPE
|
Datafolha
|
Datafolha Dezembro
|
|
09
|
08
|
|
09
|
08
|
08
|
09
|
08
|
09
|
2009
|
|
1º
|
1º
|
Flamengo
|
12,61
|
13,84
|
14,53
|
12,41
|
13,14
|
12,81
|
19
|
|
2º
|
2º
|
Corinthians
|
11,89
|
9,77
|
9,29
|
13,11
|
10,25
|
10,66
|
13
|
|
3º
|
4º
|
Palmeiras
|
8,96
|
8,23
|
8,21
|
8,79
|
8,24
|
9,13
|
7
|
|
4º
|
3º
|
São Paulo
|
8,03
|
9,21
|
9,98
|
7,28
|
8,44
|
8,78
|
8
|
|
5º
|
6º
|
Inter
|
8,00
|
6,87
|
6,74
|
7,59
|
7,00
|
8,41
|
3
|
|
6º
|
5º
|
Grêmio
|
7,76
|
8,17
|
8,58
|
8,32
|
7,75
|
7,20
|
3
|
|
7º
|
9º
|
Atlético MG
|
7,05
|
5,94
|
5,40
|
7,54
|
6,48
|
6,56
|
2
|
|
8º
|
10
|
Fluminense
|
5,82
|
5,55
|
5,65
|
5,74
|
5,45
|
5,89
|
1
|
|
9º
|
7º
|
Cruzeiro
|
5,78
|
6,56
|
6,25
|
5,61
|
6,87
|
5,94
|
4
|
|
10º
|
11
|
Botafogo
|
4,94
|
4,67
|
3,84
|
4,62
|
5,50
|
5,25
|
2
|
|
11º
|
8º
|
Vasco
|
4,47
|
6,46
|
6,47
|
4,37
|
6,45
|
4,56
|
5
|
|
12º
|
12
|
Santos
|
1,95
|
2,42
|
2,57
|
1,85
|
2,25
|
2,05
|
2
|
|
13º
|
13
|
Atlético PR
|
1,88
|
1,59
|
1,58
|
1,91
|
1,29
|
1,84
|
0
|
|
14º
|
16
|
Sport
|
1,29
|
1,21
|
1,27
|
1,27
|
1,14
|
1,30
|
-
|
|
15º
|
17
|
Vitoria
|
1,17
|
1,05
|
1,06
|
1,27
|
1,03
|
1,06
|
1
|
|
16º
|
15
|
Coritiba
|
1,16
|
1,41
|
1,17
|
1,38
|
1,65
|
0,93
|
0
|
|
20º
|
18
|
Bahia
|
0,89
|
0,93
|
0,77
|
0,97
|
1,09
|
0,81
|
1
|
|
21º
|
20
|
Goiás
|
0,71
|
0,68
|
0,58
|
0,64
|
0,78
|
0,77
|
-
|
|
24º
|
28
|
Portuguesa
|
0,33
|
0,17
|
0,30
|
0,34
|
0,03
|
0,32
|
0
|
|
33º
|
-
|
Guarani
|
0,03
|
-
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Os números finais, naturalmente, são diferentes, mas reparem que são muito próximos, sem alterar – de forma significativa – os resultados. Há um certo rebuliço no miolo, muito mais em função do Vasco ter caído para a Série B. Em 2009, há também uma inversão entre São Paulo e Palmeiras. Os dois institutos, com percentuais diferentes, acusaram o mesmo movimento de inversão. Para efetuar a partilha, o Clube dos 13 utilizou como parâmetro a média de participação de cada time pelas duas pesquisas.
A última coluna, à direita, traz os números Datafolha de dezembro de 2009. Para efeito comparativo, foi mantida nessa coluna a ordem de classificação nas pesquisas do PPV. Temos, novamente, uma classificação bastante parelha com a das compras do PPV, com a ressalva do Vasco, disputando a Série B, e do Cruzeiro, suplantado por Internacional, Grêmio, Atlético Mineiro e Fluminense na compra de PPV.
Nesse caso, comparar as pesquisas sobre quem comprou o PPV com a pesquisa que mostra o perfil da torcida brasileira, é comparar alhos com bugalhos. Não cabe, não funciona, são coisas muito distintas. Assim mesmo, vale a pena bater os olhos para perceber que há uma lógica nas colocações das equipes. Repito: não é uma comparação válida, é tão somente para mostrar que mesmo coisas muito diferentes apresentam resultados relativamente semelhantes. Ou seja, há consistência neles, qualquer que seja a pesquisa.
Paraná e Pernambuco: pesquisa geral x pesquisa local
Pernambuco
Ao contrário da chiadeira de muitos leitores pernambucanos, a pesquisa também foi feita na terra natal de Gilberto Freyre. Não conheço os critérios do Datafolha nesse caso, mas parece-me que o mais lógico teria sido listar, separadamente, as preferências pelo Sport, Náutico e Santa Cruz, tal como foi feito no Paraná. Não para corrigir, pois não tenho esse poder e nem é o caso, mas para mostrar uma outra representação do torcedor pernambucano, vamos ver uma outra pesquisa. Na pesquisa Datafolha encontramos 39% na categoria Outros e 26% na categoria Nenhum. O Corinthians tem 12%, Flamengo 8%, Palmeiras 7%, São Paulo 5%, Vasco e Santos 1% cada. Com toda certeza, quase toda a composição desses 39% de Outros são torcedores do Sport, Santa Cruz e Náutico. Vamos ver.
Para efeito comparativo (ainda que sem validade científica por serem pesquisas muito distintas), segue uma tabela com a preferência do torcedor pernambucano numa coluna, seguida pela preferência detectada pelo Datafolha na outra coluna. Quem se interessar, o post “O perfil do torcedor pernambucano” publicado neste OCE, pode ser acessado aqui.
|
Time para o qual torce
|
Índice de preferência
|
Datafolha Dez/2009
|
|
Sport
|
26,4%
|
|
|
Santa Cruz
|
15,7%
|
|
|
Náutico
|
8,0%
|
|
|
Flamengo
|
6,8%
|
8%
|
|
Corinthians
|
4,8%
|
12%
|
|
Palmeiras
|
3,8%
|
7%
|
|
São Paulo
|
3,7%
|
5%
|
|
Vasco da Gama
|
1,6%
|
1%
|
|
Bode do Araripe
|
0,6%
|
|
|
Central
|
0,6%
|
|
|
Santos
|
0,5%
|
1%
|
|
Botafogo
|
0,4%
|
|
|
Fluminense
|
0,3%
|
|
|
Grêmio
|
0,3%
|
|
|
Outros
|
3,5%
|
39%
|
|
Nenhum
|
18,9%
|
26%
|
|
Não soube/Não respondeu
|
3,9%
|
0
|
A pesquisa sobre o perfil do torcedor pernambucano foi feita pelo Instituto Mauricio de Nassau, de Recife, e ouviu 3.363 pessoas em todo o estado.
Há uma fortíssima concentração de torcedores dos times do estado em Recife e Grande Recife, enquanto no interior, especialmente nas regiões São Francisco e Sertão, os times de fora do estado tem 75% e 61% da preferência, respectivamente. No geral, a pesquisa encontrou 50,1% de preferência no estado pelos times pernambucanos, como pode ser visto na tabela.
Há discrepâncias entre uma e outra? Certamente. Estou mais inclinado a considerar a pesquisa do Mauricio de Nassau mais fidedigna. Entretanto, se fosse o caso de usar uma ou outra ou ambas para uma tomada de decisão, esta dar-se-ia a partir de uma análise da pesquisa completa e não somente por meio das informações parciais que os institutos liberam. Que são ótimas para termos uma visão geral, mas não são suficientes para embasar uma tomada de decisão empresarial. Logicamente, para nosso caso e propósitos o que é liberado já é o suficiente.
Essas diferenças não implicam em erro de uma e acerto de outra e podem ser explicadas pela amostragem de municípios, por exemplo. Especialmente num estado como Pernambuco onde, como mostrou a pesquisa local, os times da capital tem baixíssima penetração em algumas regiões. E quem conhece o estado sabe muito bem o quanto a região do São Francisco representa para a economia pernambucana.
Paraná
Entre fevereiro e novembro de 2008, o Instituto Paraná Pesquisas, de Curitiba, ouviu um total de 101.791 pessoas , na capital e em mais 67 municípios paranaenses, 45 dos quais no interior do estado e os demais na região metropolitana de Curitiba. Para uma visão mais completa, leia o post “Perfil do torcedor paranaense”, aqui mesmo.
Segue uma tabela interessante, até mesmo didática, mostrando duas pesquisas Datafolha – novembro de 2007 e essa atual, dezembro de 2009 – e mais os resultados do estado da pesquisa do Paraná Pesquisas.
|
Clube
|
Datafolha
Novembro 07
|
Paraná Pesquisa
Fev a Nov 08
|
Datafolha
Dezembro 09
|
|
Corinthians
|
15
|
12
|
20
|
|
Atlético Paranaense
|
7
|
10
|
8
|
|
Palmeiras
|
10
|
8
|
8
|
|
Coritiba
|
6
|
7
|
5
|
|
São Paulo
|
7
|
7
|
6
|
|
Flamengo
|
6
|
6
|
7
|
|
Santos
|
6
|
4
|
6
|
|
Paraná
|
3
|
3
|
2
|
|
Grêmio
|
3
|
3
|
3
|
|
Internacional
|
1
|
1
|
2
|
|
Vasco
|
1
|
1
|
2
|
|
Outros times
|
-
|
2
|
1
|
|
Nenhum
|
34
|
35
|
30
|
|
Não sabe
|
1
|
1
|
0
|
O ponto que mais chama a atenção, sem dúvida, é o número espantosamente alto de “Nenhum time”. Apesar de menor nessa última pesquisa, reparem que há consistência nele. Esse índice tem a ver com a cultura paranaense, pois o estado vizinho, Santa Catarina, apresenta índice muito próximo: 29%, segundo a pesquisa Datafolha de dezembro último.
Pelo tamanho da amostra, acredito que essa pesquisa do Paraná Pesquisas é mais fidedigna e retrata melhor a realidade paranaense. Apesar disso, o único número que destoa dos demais é o índice de preferência pelo Corinthians na atual pesquisa Datafolha.
Essa grande diferença e o fato dela ser observada nesse texto, significa somente isso: uma grande diferença. Pode ser erro? Sim. Pode ser um desvio provocado por uma amostragem muito específica? Sim. Pode ser a representação plena da realidade? Sim. Portanto, senhores críticos de plantão, guardem as pedras e descansem os dedos no teclado. Com mais três ou quatro pesquisas, de preferência de diferentes institutos e mais o próprio Datafolha, nos próximos três a quatro anos, saberemos, com certeza, o significado desse número de 20%.
Não existe a pesquisa perfeita, assim como não existe o zagueiro absoluto, personagem de uma crônica do colorado Luiz Fernando Veríssimo. Aliás, quem disse que a realidade é perfeita?
Pesquisas são ferramentas à disposição de profissionais para ajudá-los em tomadas de decisões. Há casos, e eu participei de pelo menos uns dois, em que resolve-se ignorar as pesquisas e apostar no feeling mercadológico. É raro, mas acontece.
Dirigentes de futebol que atuam com alguma capacidade de raciocínio e não somente paixão, estão começando a fazer bom uso das pesquisas. Vejo muita reclamação de dirigentes e torcedores de times de capitais contra torcedores do interior, que optam por times de fora ao invés de torcerem pelos conterrâneos. Creditam isso à malvada “mídia”. Simples e fácil. Não vejo, entretanto, nenhum deles procurando conhecer o real porquê dessas preferências. Pior ainda: não vejo nenhuma medida no sentido de conquistar esses torcedores. Isso é típico no Paraná e em Pernambuco, os dois estados que acabamos de ver. Largas porções de suas populações simplesmente ignoram os times de Curitiba e Recife. Culpa da “mídia”, da parabólica, do papa, de qualquer um, menos dos próprios clubes encastelados nas sedes dos poderes político e econômico de cada estado, achando que, pelo simples fato de existirem, todos os nativos deveriam prestar-lhes vassalagem.
Não é assim.
Corações e mentes têm que ser atraídos e conquistados.
Pesquisas fornecem informações. Se boas ou más não vem ao caso, o que importa é que, quaisquer que sejam, elas precisam ser pensadas, precisam ser analisadas, precisam servir como combustível ou bussola ou ambos para o planejamento de ações de correção ou de manutenção.
Enquanto a “mídia” e as pesquisas continuarem sendo eleitas como as vilãs, heroínas negativas de mirabolantes conspirações, tudo que acontecerá será um reforço nas torcidas dos clubes com projeção nacional.
Post scriptum
Vários comentários no post anterior, todos ou quase de todos de torcedores do Vasco, fizeram referência a uma pesquisa CNT/Sensus que apontava o Vasco em 3º lugar no ranking de torcidas.
Tal pesquisa teria sido divulgada em dezembro e foi citado como fonte o Último Segundo IG.
Achei muito estranho isso, pois uma pesquisa CNT/Sensus não passa despercebida pelo mercado, muito pelo contrário. Hoje cedo conversei com a assessoria de imprensa da CNT, em Brasília, e simplesmente não existe tal pesquisa.
A última vez que o futebol e o tema torcida foram abordados, foi em setembro de 2007, com resultados próximos aos do Datafolha, com o Flamengo em primeiro lugar, seguido por Corinthians, São Paulo e Palmeiras, nessa ordem, vindo, então, o Vasco.
Ou seja, trata-se de uma pesquisa tão real quanto uma nota de sete reais.
Provavelmente, o mesmo ocorre com uma pesquisa que teria sido feita pela USP. Nesse caso, porém, nem perdi meu tempo tentando confirmar.
Quaisquer dúvidas a respeito, segue o link das pesquisas CNT/Sensus, as autênticas, não as, digamos, imaginárias:
http://www.cnt.org.br/portal/webCNT/page.aspx?p=3f0f966a-00bb-4398-8e6b-1d1c18dd0c41
Boa leitura.
|
Ranking
|
Clube
|
Média
|
IBOPE
|
Datafolha
|
Datafolha Dezembro
|
|
09
|
08
|
|
09
|
08
|
08
|
09
|
08
|
09
|
2009
|
|
|
1º
|
1º
|
Flamengo
|
12,61
|
13,84
|
14,53
|
12,41
|
13,14
|
12,81
|
19
|
|
|
2º
|
2º
|
Corinthians
|
11,89
|
9,77
|
9,29
|
13,11
|
10,25
|
10,66
|
13
|
|
|
3º
|
4º
|
Palmeiras
|
8,96
|
8,23
|
8,21
|
8,79
|
8,24
|
9,13
|
7
|
|
|
4º
|
3º
|
São Paulo
|
8,03
|
9,21
|
9,98
|
7,28
|
8,44
|
8,78
|
8
|
|
|
5º
|
6º
|
Inter
|
8,00
|
6,87
|
6,74
|
7,59
|
7,00
|
8,41
|
3
|
|
|
6º
|
5º
|
Grêmio
|
7,76
|
8,17
|
8,58
|
8,32
|
7,75
|
7,20
|
3
|
|
|
7º
|
9º
|
Atlético MG
|
7,05
|
5,94
|
5,40
|
7,54
|
6,48
|
6,56
|
2
|
|
|
8º
|
10
|
Fluminense
|
5,82
|
5,55
|
5,65
|
5,74
|
5,45
|
5,89
|
1
|
|
|
9º
|
7º
|
Cruzeiro
|
5,78
|
6,56
|
6,25
|
5,61
|
6,87
|
5,94
|
4
|
|
|
10º
|
11
|
Botafogo
|
4,94
|
4,67
|
3,84
|
4,62
|
5,50
|
5,25
|
2
|
|
|
11º
|
8º
|
Vasco
|
4,47
|
6,46
|
6,47
|
4,37
|
6,45
|
4,56
|
5
|
|
|
12º
|
12
|
Santos
|
1,95
|
2,42
|
2,57
|
1,85
|
2,25
|
2,05
|
2
|
|
|
13º
|
13
|
Atlético PR
|
1,88
|
1,59
|
1,58
|
1,91
|
1,29
|
1,84
|
0
|
|
|
14º
|
16
|
Sport
|
1,29
|
1,21
|
1,27
|
1,27
|
1,14
|
1,30
|
-
|
|
|
15º
|
17
|
Vitoria
|
1,17
|
1,05
|
1,06
|
1,27
|
1,03
|
1,06
|
1
|
|
|
16º
|
15
|
Coritiba
|
1,16
|
1,41
|
1,17
|
1,38
|
1,65
|
0,93
|
0
|
|
|
20º
|
18
|
Bahia
|
0,89
|
0,93
|
0,77
|
0,97
|
1,09
|
0,81
|
1
|
|
|
21º
|
20
|
Goiás
|
0,71
|
0,68
|
0,58
|
0,64
|
0,78
|
0,77
|
-
|
|
|
24º
|
28
|
Portuguesa
|
0,33
|
0,17
|
0,30
|
0,34
|
0,03
|
0,32
|
59 comentários »
ter, 05/01/10
por Emerson Gonçalves |
Realizada no período de 14 a 18 de dezembro de 2009, essa pesquisa foi influenciada em alguma escala pela conquista do Brasileiro pela equipe do Flamengo na semana anterior e a conseqüente cobertura de mídia, já normalmente ampla, dessa vez ampliada em função da equipe.
Essa frase de abertura pode gerar reclamações e polêmicas, mas não há como fugir à constatação do fato. Que não alteraria as posições dos clubes, sem a menor dúvida, mas pode ter influenciado no aumento percentual do clube com maior torcida, o Flamengo.
Esclarecido esse ponto, vamos aos números, inicialmente os gerais, que a essa altura já são bem conhecidos:

Para essa pesquisa o Datafolha ouviu 11.258 pessoas, em 375 municípios, por todo o Brasil. Os entrevistados são eleitores e têm 16 anos ou mais de idade. Sua margem de erro máxima é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo e sua margem de confiança é de 95%. Isso, trocado em miúdos, significa que se fossem realizados 100 estudos semelhantes, com a mesma metodologia, em 95 deles os resultados estariam dentro da margem de erro assinalada.
A partir de agora é interessante acompanhar esse post tendo, também, a matéria do portal Globo Esporte com a evolução das torcidas desde 1993, mas com maior frequência a partir de 2000. Clique aqui e vá direto ao gráfico, clicando no escudo do time que quiser acompanhar.
Repare que há uma linha mais ou menos coerente e estável no tamanho das maiores torcidas brasileiras. Algumas alterações bruscas coincidiram com momentos de baixa ou alta do time, logo voltando à linha média. Em função desse comportamento fiz o alerta na introdução desse post.
(Um texto, seja meu, seja do Papa, não significa a Verdade, seja lá o que quer que isso seja. É a representação de uma visão do mundo, da compreensão que tem o autor sobre determinado tema. Naturalmente, outras pessoas podem pensar diferente e não concordar.)
É, portanto, um pouco prematuro afirmar que uma torcida cresceu e outra diminuiu. Podemos até dizer que aparenta haver um processo de crescimento ou queda, mas não afirmar categoricamente, o que só é possível com um panorama um pouco mais amplo. Nesse sentido, em 2013 ou 2014 poderemos dizer com mais embasamento se a torcida rubronegra cresceu.
Outro ponto importante que precisa ser considerado é como cada clube tem sua torcida dividida por idade. Clubes com grande participação de estratos mais idosos tendem a estacionar ou mesmo refluir, enquanto que outros, com grande participação de estratos mais jovens, tendem a aumentar sua participação percentual. A esse respeito, há uma pesquisa Datafolha com crianças e jovens, abordada no “velho” OCE em 23 de junho de 2008 – clique aqui.
Outro ponto interessante que essa primeira tabela mostra (outras três tabelas virão em posts seguintes) é a distribuição das torcidas pelo país. Como dizem os dirigentes rubronegros, 80% da torcida do clube está fora do Rio de Janeiro (esse número de 80% é mais uma ordem de grandeza, não chega a ser exato). É a maior torcida nas regiões Norte e Nordeste, mas na região Sudeste perde para o Corinthians, corroborando o que foi dito no estudo da CHRCS sobre valor de marca.
Esses dois clubes têm boa presença nacional, acompanhados por São Paulo, Palmeiras e Vasco, nessa ordem. Esse é o tipo de informação que faz diferença na hora de assinar contratos de marketing e discutir direitos de transmissão de televisão. Três clubes que em campo rivalizam e em vários torneios superam esses cinco clubes citados, que são Grêmio, Internacional e Cruzeiro, têm suas torcidas bastante localizadas. Embora dominem a região Sul, com 21% e 16% respectivamente, Grêmio e Inter só aparecem na pesquisa com 1% cada na região Norte/Centro-Oeste, justamente nas áreas das novas fronteiras agrícolas, como este blog vem falando há anos. O mesmo ocorre com o Cruzeiro, que tem a quinta maior torcida da região Sudeste, mas fora dela aparece apenas na região Norte/Centro-Oeste, igualmente com 1% de participação, a exemplo dos dois clubes gaúchos.
O peso do Sudeste
A região Sudeste tem hoje pouco mais de 81 milhões de habitantes, equivalentes a 43% da população do país (abril/2009, estimativa IBGE) e representa cerca de 60% do PIB nacional. Apenas para dar uma ideia de dimensões, a segunda maior economia sul-americana é a da Argentina, país com 41 milhões de habitantes. O estado de São Paulo sozinho tem um PIB bastante superior ao argentino, hoje, com população praticamente idêntica (ligeiramente maior).
São esses números que determinam os valores de patrocínios. O Cruzeiro, praticamente restrito a Minas Gerais, é penalizado por não ter dimensão nacional. Embora tenha maior torcida que o Vasco no Sudeste, o clube da Cruz Pátea (esse é o verdadeiro nome da cruz usada no uniforme tradicional vascaíno) leva vantagem por sua presença nas regiões Sul, Nordeste e Norte/Centro-Oeste. E no caso do Flamengo, explica porque, embora tenha uma torcida muito maior que os demais, vê os valores de contratos de marketing ficarem mais ou menos parelhos com o Corinthians e, em alguns casos, com o São Paulo.
Santos, Botafogo e Fluminense são os outros clubes com presença destacada fora de seus estados de origem, com mais destaque para o Santos, graças à sua presença na região Sul – especificamente, no Paraná. Os números, porém, ficam muito abaixo do quinteto formado por Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Vasco.
Hoje em dia não é muito comum ouvir dirigentes dos grandes paulistanos fazendo discurso em prol do futebol paulista. O mais comum é o oposto, é o discurso em prol do próprio clube, numa nítida intenção de dissociar “futebol paulista” de cada clube isoladamente. O que, naturalmente, entra em choque com os desejos e a prática – geralmente canhestra – da federação estadual, dissociada dos grandes clubes, exceto em casos pontuais. O desejo desses clubes – Corinthians, São Paulo e Palmeiras – é ser cada vez mais nacionais e menos estaduais. O Flamengo adota a mesma postura, embora seus dirigentes ainda falem muito em “futebol carioca”. O crescimento, porém, tanto em termos de torcidas como de faturamento, está fora dos estados tomados isoladamente. Vai crescer mais quem for nacional.
Aqui surgem os conflitos entre os times locais e os times ditos nacionais. Os próximos anos verão essas disputas aumentarem de intensidade.
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ter, 15/12/09
por Emerson Gonçalves |
Ufa! Finalmente uma pesquisa mostra com números o que todos já sabíamos há muito: as torcidas organizadas afastam o torcedor comum dos estádios. Nada menos que 61% dos torcedores voltariam ou iriam aos estádios se as organizadas fossem banidas do futebol. Esse é o resultado de pesquisa feita pela TNS Brasil, no final de novembro, em 27 estados e mais o Distrito Federal. A pergunta “Se as torcidas organizadas fossem banidas, o senhor iria assistir aos jogos no estádio?” foi feita aos entrevistados que disseram não ir aos estádios. Impressionantes 61,07% responderam afirmativamente a essa colocação.

Não dá para não escrever: Professor Belluzzo, que foi a uma festa da maior organizada palmeirense, Sr. Andrés Sanches, que deu dinheiro do clube para as organizadas em nome do Carnaval, Sr. Juvenal Juvêncio, que nesse ano viu um de seus diretores permitir o acesso de “organizados” ao CT da Barra Funda para “conversar” com alguns atletas e outros ilustríssimos senhores presidentes de clubes e que mantêm relações as mais diversas com suas organizadas, atentem, para favor de seus próprios clubes, para esse número: 61,07%. E pensem no que ele representa.
Vejam, na sequência, a quem o torcedor de futebol atribui a razão da violência nos estádios. Os dados dessa tabela foram colhidos nas dez cidades com clubes na Série A do Campeonato Brasileiro:

Esse número impressiona tanto quanto o anterior, embora sem o mesmo impacto. Ele mostra que o sentimento do torcedor é quase um só em relação à causa. Curiosamente, ou melhor, curioso seria se aqui não fosse o Brasil, terra da impunidade, especialmente para os criminosos endinheirados ou entrincheirados em poderosas organizações, o conhecimento e visão do torcedor comum não encontram resposta no comportamento das autoridades que deveriam zelar pela segurança, tanto as policiais como as judiciárias e políticas, principalmente.

Essa tabela acima mostra que não há, praticamente, diferença na percepção entre os torcedores que vão aos estádios e os que não vão. Das dez cidades, a única que apresenta um pequeno desvio em relação à média é São Paulo, mas, assim mesmo, pouco significativo, uma vez que 76,83% dos torcedores que vão aos estádios também apontam as organizadas como a raiz da violência.
Essa última tabela, finalmente, dá uma boa ideia de quanto dinheiro os clubes estão perdendo com a violência protagonizada e fomentada pelas organizadas. Muito curioso, sem dúvida, o pequeno percentual de torcedores que iriam aos estádios em caso de banimento das organizadas em Florianópolis e Porto Alegre, fugindo completamente ao padrão das demais cidades.
Esse quadro traz um recado claro e direto ao ex-presidente do Santos, o Sr. Marcelo Teixeira, que se dava tão bem com a rapaziada que, conhecida sua derrota na eleição presidencial, levou vários marmanjos “organizados” ao pranto copioso.
Será que esses virtuais 80% ajudam a explicar o porque do Santos ter uma média de público tão baixa em seus jogos como mandante?
Essa pesquisa fazia falta e chega em boa hora.
A cidade de Curitiba foi aterrorizada por bandidos “organizados”. Pessoas foram feridas e foi até um milagre os resultados não terem sido muito piores e dramáticos.
O Coritiba vai pagar um preço gigantesco por esses crimes, ninguém tem dúvida disso. O presidente do clube, que vivia de braços dados com os “organizados”, tem sido ameaçado de morte, tanto que anda com segurança policial. A amizade mais que colorida transformou-se em ódio puro e simples. Reparem que estamos falando de uma das melhores cidades do Brasil, assim considerada por todos os quesitos de qualidade de vida. Também foi fácil de ver que os bandidos estão muito longe de pertencer às camadas menos favorecidas da população, como gostam de dizer os políticos. A polícia já conseguiu prender uma dúzia, mas ainda faltam muitos, umas duas centenas, pelo menos.
Fica a dúvida sobre a impunidade. No caso de Curitiba um já está impune, o Sr. Jair Cirino, presidente do clube, que em nada se sentiu responsável e continua candidato à reeleição.
Seria interessante ver os presidentes dos clubes se pronunciando a respeito, mas isso não vai ocorrer, até por um motivo muito simples: com pesquisa ou sem pesquisa, com rejeição ou sem rejeição, com prejuízo ou sem prejuízo, muitos deles têm íntimas ligações com as organizadas. Estão na contramão dos fatos e dos desejos dos verdadeiros torcedores. Mas, pensando bem, desde quando os dirigentes brasileiros dão valor aos sentimentos e desejos dos verdadeiros torcedores de futebol?
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seg, 23/11/09
por Emerson Gonçalves |
Volto à tecla dos pontos corridos. É assunto chato? Sim, para alguns é mesmo muito chato, mas, para azar desses, eu mesmo nada vejo de chato nessa discussão, pelo contrário. Volto a esse tema em função de uma pesquisa muito interessante. Ela foi feita pela APPM, empresa tradicional no mercado, e teve como tema a posição do torcedor paulista em relação aos formatos “pontos corridos” e “mata-mata”.
Embora seu alcance seja limitado – foi feita somente no estado de São Paulo – nem por isso deixa de ser interessante.
E por que somente em São Paulo? Pesquisas são trabalhos extremamente caros. Opa, deixa reformular: pesquisas são trabalhos que têm custos elevados, principalmente na captação, no levantamento dos dados. Muitos trabalhos interessantes são feitos numa base rotineira por alguns institutos. Por motivos diversos, eles mantêm equipes permanentes levantando dados sobre os mais diferentes assuntos, seja por semana, quinzena ou mês. Com isso, não somente os institutos mantêm profissionais especializados trabalhando regularmente, como também constroem excelentes bases de dados. Algumas empresas fazem isso nas sete maiores praças consumidoras do país. Outras, em localidades específicas e outras, ainda, em estados isolados, como é o caso presente.
Foram ouvidas 1.000 pessoas em todo o estado de São Paulo, por telefone, de ambos os sexos, acima de 16 anos de idade. O número de entrevistados foi proporcional, naturalmente, à participação de cada região no total da população do estado. A margem de confiança da pesquisa é de 95,5% e sua margem de erro está entre 2% e 3%.
É comum as pessoas questionarem as pesquisas, principalmente o tamanho das amostras. “Pô, mas só mil pessoas? O estado tem quarenta milhões de habitantes, cara!”
Pois é, mas como diz o povo das pesquisas, quando você faz um exame de sangue, é recolhida somente uma amostra com dez, vinte, trinta mililitros e é o bastante para saber a quantas anda a tua saúde. Já imaginou se para fazer o exame todo o sangue do corpo tivesse que ser examinado?
É uma tendência natural desacreditarmos de tudo que não combina com nossa visão de mundo, nossas preferências. Isso num primeiro momento, que, em alguns casos, dura a vida inteira, o que já é sinônimo de cabeça dura. Uma pesquisa mostra um panorama de um dado momento. Se bem feita, e elas são cada dia mais bem feitas, ela cobre toda uma população através de uma amostra que, aparentemente, é pequena. Bom, vamos à pesquisa.
A primeira pergunta feita pelos pesquisadores foi se o entrevistado acompanha o Campeonato Brasileiro, que resultou em 55% de respostas positivas, com 43% respondendo que não costuma acompanhar e 2% não responderam. Das pessoas que responderam que acompanham, 72% são do sexo masculino, enquanto 59% dos que disseram não acompanhar são do sexo feminino. Ficando agora com a freqüência, 47% de quem acompanha o BR o faz sempre e 18% na maioria das vezes.
Observação importante: embora a pesquisa também aponte alguns resultados pelo total de entrevistados, considerei para este post somente as opiniões dos que declararam acompanhar o Campeonato Brasileiro.
A pergunta seguinte já entrou no gosto do torcedor pelo sistema empregado: Qual sistema de disputas prefere? Pontos corridos ou mata-mata?
Entre os que acompanham o campeonato, 64% declararam-se a favor dos pontos corridos, enquanto 26% optaram pelo sistema mata-mata, 3% declararam-se indiferentes e 7% não responderam.

Na divisão por sexo, 70% dos homens optaram pelos pontos corridos, contra 55% das mulheres.
Por faixa etária, 69% da rapaziada dos 16 aos 24 optou por esse formato, contra 61% do pessoal dos 25 aos 44 e 66% de quem tem acima de 45 anos de idade.
Considerando escolaridade, pontos corridos foi a escolha de 52% de quem cursou até a 4ª série, 62% de quem ficou entre a 5ª e 8ª séries do ensino básico, 69% de quem tem o ensino médio e 64% de quem tem curso superior.
Por faixas de renda os resultados foram também favoráveis a esse formato: 58% entre os que ganham até 2 salários-mínimos por mês, 61% entre os que ganham de 2 a 5 SM, 68% entre o pessoal de 5 a 10 SM e nada menos que 87% de preferência entre a turma de 10 ou mais salários-mínimos mensais.
Nessa altura da entrevista, o pesquisador colocou as seguintes frases:
- O campeonato de pontos corridos é melhor pois premia os times mais regulares e que investem melhor e também mantém a emoção até o final da disputa.
- O mata-mata é melhor pois permite que um time se destaque no final do campeonato e seja campeão, mesmo que não tenha tido uma campanha melhor que os outros.
Entre os que acompanham o Campeonato Brasileiro, 69% concordaram com a primeira frase e 26% com a segunda.
As últimas questões envolveram a preferência clubística dos entrevistados, conforme a tabela abaixo:
|
|
Corinthians
|
São Paulo
|
Palmeiras
|
Santos
|
Outros
|
Nenhum
|
Não resp.
|
|
Total
|
33%
|
20%
|
13%
|
7%
|
3%
|
21%
|
3%
|
|
BR *
|
39%
|
27%
|
16%
|
10%
|
3%
|
4%
|
1%
|
* Resultados entre os que acompanham o Campeonato Brasileiro)
Na verdade não há grande novidade nessa pesquisa. Uma boa amostra da preferência do torcedor, não só de São Paulo como do Brasil, é demonstrada pelo crescimento das vendas do PPV. Ao mesmo tempo, apesar dos inúmeros problemas que afligem quem quer ver um jogo ao vivo, a freqüência nos estádios tem aumentado consistentemente. Palmeiras e Corinthians, além disso, cobraram preços mais altos durante a competição e mesmo com PPV e transmissões diretas por sinal aberto, os dois clubes tiveram um faturamento excepcional com bilheteria.
Pode-se dizer sem medo de errar que o campeonato atrai o torcedor e não somente nesse ano, em que, muito provavelmente só conheceremos o campeão na última rodada.
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sex, 13/11/09
por Emerson Gonçalves |
… do meu bolso cuido eu.
Não demora muito já estaremos em 2014. E antes que acordemos, estaremos em 2016. Festa em cima de festa, festas das boas, daquelas que são feitas, todo mundo festeja e ninguém gasta. Ou melhor, gasta o governo. Aliás, o governo nada, gastamos nós, nós todos, contribuintes. É bom lembrar que todos pagam impostos, não apenas os assalariados que ganham o bastante para atrair as garras do leão (onde escrevi bastante, por favor, leia-se “bastante”; as aspas são fundamentais), como também, é lógico, as empresas e até mesmo quem sequer renda tem, mas compra 1 kg de feijão e 1 kg de farinha. Do fisco ninguém escapa, se bobear nem a morte, mudando ligeiramente a máxima americana que do fisco e da morte ninguém escapa.
Voltando às festas, vai mesmo ser uma beleza! Haja pré-sal para pagar tanta conta.
Em meio a essa doce alegria e apesar da pausa dos últimos dias, segue ativa a campanha em prol de uma nova e espetacular “arena” em São Paulo para abrigar os jogos da Copa 2014. Arena que é, ainda, o sonho dourado de muita gente dona de altos cadastros. Como todos sabem, a posição do governador do estado e do prefeito da cidade é uma só: o estádio para a Copa será o Morumbi.

Independentemente, porém, dos desejos dos dois governantes, o que pensará o cidadão paulista? Foi isso que a TNS Sport do Brasil foi a campo descobrir no final do mês de outubro, em todo o estado de São Paulo, ouvindo 1.705 pessoas, uma amostra extremamente razoável para esse tipo de trabalho.
A pergunta para os entrevistados foi: “O Morumbi deve ser o estádio de São Paulo para a Copa do Mundo de 2014?” E as respostas ficaram assim:
| Sim |
77,01% |
| Não |
17,54% |
| Não souberam responder |
5,45% |
Não bastava, entretanto, ouvir apenas o entrevistado como cidadão, era importante, também, descobrir como pensavam os torcedores dos outros grandes clubes de São Paulo. E as respostas, para surpresa de muitos, foram extremamente positivas a favor do Morumbi:
| Santistas |
82,90% |
| Palmeirenses |
75,33% |
| Corintianos |
66,77% |
Vale destacar que dois terços dos torcedores corintianos são a favor do Estádio do Morumbi, apesar de, em tese, o Corinthians poder se beneficiar da construção de um novo estádio na cidade de São Paulo.
“Esse levantamento é absolutamente conclusivo sobre o apoio dos paulistas ao Morumbi, especialmente quando detectamos que a rivalidade fica de lado neste assunto”, disse César Gualdani, diretor da TNS Sport ao comentar a pesquisa.
Apesar do falatório de alguns dirigentes e de facções de torcidas, é muito maior o apoio que a rejeição à indicação do Morumbi como o estádio da cidade de São Paulo para a Copa do Mundo. Um bom indicativo da maturidade da sociedade.
O bom senso do torcedor paulista ou…
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dom, 13/09/09
por Emerson Gonçalves |
O poder burro usa a força e não dura muito, felizmente.
O poder inteligente usa o conhecimento. É sempre mais duradouro que o outro. Bem sabem os generais e mais ainda os grandes estadistas, que conhecimento é poder. Apenas para fechar, democracia é conhecimento. Na verdade, é a expressão máxima do conhecimento político.
No mundo dos negócios não é diferente e uma das mais importantes ferramentas para se ter conhecimento é a pesquisa. Ora, se conhecimento é poder e pesquisa é parte disso, nada mais lógico que quem faz ou compra uma pesquisa não a espalhe aos quatro ventos. O que é uma pena.
Em 1º de outubro de 2008, no “velho” Olhar Crônico Esportivo, comentei uma pesquisa sobre rejeição de marcas. O título do post era “O mito da rejeição e a lembrança de marcas”. Na pesquisa citada, realizada em 14 estados com 7001 pessoas, apenas 1 em cada 22 torcedores declarou que não compraria um produto ligado a um time adversário, ou seja, 4,47% contra 95,53% que declararam que comprariam produtos ou usariam serviços ligados a times adversários.
Saudei esse resultado efusivamente, pois sempre acreditei que o fato de uma empresa patrocinar um time de futebol não tiraria ou diminuiria seu mercado. Todavia, talvez seja o caso de repensar essa posição. Não para o mercado brasileiro, mas para uma parte dele: o Rio Grande do Sul.
Depois de longa espera, aconteceu o que já se dava como favas contadas há muito tempo: o Banrisul renovou seus contratos de patrocínio com o Grêmio e com o Internacional. Melhor seria usar o singular na frase anterior: renovou seu contrato de patrocínio. Porque, na prática, é disso que falamos e foi isso que fez o banco estatal gaúcho uma vez mais. Para a empresa uma excelente solução, disso não tenho a menor dúvida, mas não dá para dizer o mesmo com relação aos clubes.
O valor acertado foi de 7 milhões de reais por ano para cada um dos clubes, algo que também já circulava em Porto Alegre há algum tempo, sem novidade, consequentemente.
Portanto, por apenas 14 milhões de reais o Banrisul consegue uma exposição de mídia que, somada, supera ou empata facilmente com outros patrocínios de maior valor hoje existentes no mercado. Caso o Internacional conquiste o BR, hipótese nada impossível pois dificilmente o campeão desse ano será alguém fora do trio Palmeiras, Inter e São Paulo, essa exposição e esse patrocínio terão um retorno muito maior.
Isso, entretanto, pouco valerá ao banco gaúcho, justamente por ser… gaúcho – no sentido de operar, basicamente, apenas dentro do estado do Rio Grande do Sul. Sob esse prisma, pode-se até dizer que é um patrocínio muito caro, pois o alcance prático, o aproveitamento da imagem, ficará restrito a um só estado da federação, enquanto as demais empresas patrocinadoras têm sempre em vista mercados bem mais amplos.
O que cabe perguntar é o porquê desse fato repetir-se.
Inter e Grêmio têm, cada um, um valor de mercado que, seguramente hoje, gira ao redor de 10 milhões de reais/ano para patrocínio. Um valor superior ao que tem o Cruzeiro, na minha opinião, em função de terem bolsões de torcida consideráveis nos estados de Santa Catarina e Paraná, bem como nas novas fronteiras: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, sul do Maranhão e oeste da Bahia, principalmente. Todos em áreas com populações com bom poder de consumo.
A renovação demorou um bocado para ser assinada. Durante pouco mais de três meses, um quarto do ano, os dois clubes continuaram estampando a marca Banrisul nos uniformes sem retorno financeiro, numa atitude louvável em termos de relações pessoais, mas descabida quando se pensa em relações empresariais. Sabe-se que muitas conversas aconteceram entre os clubes e empresas as mais diversas, sem que nada tenha vingado.
É aqui que fecho o círculo desse texto, voltando ao início: conhecimento. Fica a forte impressão que o fator rejeição à marca pesou na balança e nenhuma empresa quis bancar um só patrocínio. Chegou-se a comentar que havia uma empresa disposta a bancar os dois clubes, inclusive (nomes não foram citados e quando isso aconteceu foram tantos que nem vale a pena mencionar um ou outro).
E se as empresas chegaram a esse ponto, fizeram-no com base em dados mensuráveis que não conhecemos.
Olhando pelo lado das empresas, é muito possível, ou muito provável, na verdade, que uma ou mais pesquisas, tanto quantitativas como qualitativas (em que opiniões são discutidas e aprofundadas em pequenos grupos de discussão), tenham conduzido ao pior resultado para todos: a rejeição da marca pela torcida adversária.
Nenhuma decisão mercadológica de peso é tomada sem um bom embasamento de pesquisas, ou seja, sem o conhecimento.
Esse post é apenas opinativo e, como puderam ver, especulativo. Não sei se tudo isso aconteceu, mas há indícios que sim.
Como resultado, temos duas marcas ganhando menos do que valem graças à paixão extremada de seus torcedores. Que não se satisfazem em simplesmente gostar de um clube, mas se completam com o ódio, rejeição, aversão (escolham qualquer um ou uma combinação) profunda ao outro clube e à outra torcida. E, por extensão, a tudo que está ligado a uma e outra.
Outros fatores, inclusive, podem ter pesado na balança negativamente, como o regionalismo, que é positivo quando valoriza o que é próprio, mas que é negativo ao desprezar ou diminuir produtos, ideias, instituições e até pessoas pelo simples fato de serem de outras regiões. Lamentavelmente, isso existe e não somente no Rio Grande, que fique claro.
No embate entre a paixão e a razão, venceu a paixão. Por goleada.
Uma goleada bem diferente da que foi revelada pela pesquisa citada no início, em que 21 torcedores contra apenas 1 não se incomodam ao ponto da rejeição por consumir uma marca que patrocina o adversário.
Nessa pesquisa, a razão venceu.
Na renovação do patrocínio de Grêmio e Internacional a paixão venceu, mas os times perderam por goleada.
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