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O dinheiro não é tudo… E o peso de uma derrota

sex, 12/03/10
por Emerson Gonçalves |

Pode até parecer que o dinheiro é tudo, mas não é.

Às vezes até chega a ser, mas não se sustenta.

Um bom exemplo para essas duas afirmações já foi dado e continua sendo pelo Real Madrid, agora novamente sob a direção do mago Florentino Pérez.

Mago pelo que conseguiu fazer no início desse século. Vendeu a velha sede merengue em local supervalorizado – até hoje dizem que a prefeitura madrilenha deu uma forcinha – e pegou meio bilhão de euros, gastos na montagem de um time soberbo, que durante algum tempo ganhou tudo e convenceu. Na verdade, até hoje sua estratégia funciona, pois o Madrid é, consistentemente, o clube de maior receita no mundo. Mas, quem sabe, pode perder esse lugar para o rival histórico, o Barcelona. Nem tudo corre às mil maravilhas no reino encantado de Florentino, agora com Cristiano e Kaká.

Kaká? Pois é, com e sem Kaká, pois o jogador sonhado e festejado ainda não deu o ar de sua graça no Bernabeu e outros estádios por onde vem jogando seu novo clube. Pode ser a pubalgia, pode ser a não adaptação ao clube, à cidade, ao elenco, ao treinador, ao time. Essas coisas acontecem, inclusive nas melhores famílias. Enquanto isso, Cristiano encaixou-se, vem dando conta do recado, num contraponto que mais aumenta as pressões sobre Kaká, embora também reclame, agora publicamente, de alguns problemas no elenco.

Esse, entretanto, não é o ponto que pretendo abordar, não é o foco, como se diz no moderno português brasileiro. Mas creio que ele passa por Kaká, pelo time, pelo Pellegrini, pelo Raul, pelo Cristiano & Cia. bela e pelos impensáveis 219 milhões de euros gastos em contratações.

Apesar de manter-se tranquilo na liderança do ranking dos clubes mais ricos do mundo (de maior receita, mas é quase a mesma coisa; vejam post a respeito em 02 e 05 do corrente mês), essa temporada mostra uma queda de 7,8% nas receitas dentro do Santiago Bernabeu e uma redução na venda de camisas, por exemplo. Atualmente, o clube vende menos camisas que os ingleses Chelsea e Liverpool, clubes com torcidas muito menores que a do Madrid. Para a Adidas, isso é explicado pelo hábito do torcedor inglês de comprar a camisa de seu clube com mais frequência, o que na Espanha ocorre mais espaçadamente – embora boa parte dos royalties venham de fora.

Com certeza isso colabora, também, mas há outro dado interessante e preocupante: a Espanha atravessa, nesse momento, sua pior crise econômica em 60 anos, com a economia em recessão e o desemprego oficial atingindo o índice assustador de 19,5%. Essa situação ajuda a entender a queda nas receitas no Santiago Bernabeu e também a redução da média de 73.157 torcedores por jogo para somente 67.461 na atual temporada.

Complicando ainda mais todo esse quadro, o Real Madrid foi eliminado da UEFA Champions League pelo Lyon. O mesmo Lyon de Jean Michel Aulas, recente personagem de um post deste Olhar Crônico Esportivo (em 16 de fevereiro, dia do primeiro jogo entre os dois clubes), em entrevista na qual ele disse que, se passasse pelo Madrid, o Lyon seria candidato ao título da Champions.

Bom, o Lyon passou, agora é esperar e ver no que vai dar o sorteio para definir os jogos das quartas-de-final. E a final será em Madrid, onde, para profunda frustração de Florentino e seus torcedores, o Real Madrid não estará presente.

De volta ao Madrid: segundo o Professor Simon Chadwick, já citado muitas vezes neste OCE, essa eliminação custará ao time de Don Pérez nada menos que a impossibilidade de abiscoitar 82 milhões de dólares, equivalentes a 60 milhões de euros, em prêmios, patrocínios e outras receitas ligadas à conquista da Champions League. Inclusive, o professor da Coventry University Business School acredita que essa nova derrota numa já longa sequência poderá minar o modelo de gestão de Florentino. Uma derrota muito pesada.

Que, segundo comentários, está interessado em novos galáticos para o elenco, não mais para o campo, mas para o banco. O nome de Mourinho vem sendo citado e surgiu nas especulações o de Scolari. Tanto pode ser que sim, tanto pode ser que não e Pellegrini siga no comando técnico. Pessoalmente, pelo histórico do clube, acho provável uma troca de comando. Pode ser que resolva, pode ser que alguém de fora com muita força, nome e mão-de-ferro, consiga montar um grande time com os nomes disponíveis no elenco. Nesse caso, uma vez mais o dinheiro terá falado mais alto, mesmo depois de ter sido vencido. Essa, porém, é uma característica do dinheiro, a capacidade de dar a volta e reciclar-se.

Enquanto isso, o Barcelona de Joan Laporta e Pepe Guardiola remontou o time, gastando uma parcela dos 219 milhões de euros gastos pelo Madrid de Perez e vem de uma temporada brilhante, conquistando La Liga, UEFA Champions League e Mundial de Clubes. Caso conquiste essa edição da CL, ou mesmo chegando à semifinal, é muito provável que desbanque o rival do posto de clube com maior receita do mundo.

Um bom time e uma boa gestão trazem mais e melhores resultados que simplesmente gastar rios de dinheiro.

A divisão e a importância do equilíbrio das receitas – uma visão sobre os Top 10

sex, 05/03/10
por Emerson Gonçalves |

Um amigo veio até o sítio e comentou das pastagens.

- Ah, estão bonitas, né? É a chuva, né? Com toda essa chuva o capim cresce que é uma beleza – disse ele empolgado e satisfeito com o que via, até que comecei a falar:

- É, tá bonito, mas poderia estar muito melhor. Estamos com calor de menos, com sol de menos e com chuva demais. Como a fertilidade do solo está boa, o equilíbrio está rompido em dois dos quatro fatores essenciais para os vegetais tropicais: umidade, temperatura, luminosidade e fertilidade.

Entusiasmado, fui além:

- É como no futebol, é como dizem os “professores”, aqueles caras que ficam na beirada do campo gritando ou fazendo cara feia ou as duas coisas ao mesmo tempo, que é o mais comum: um time precisa ter equilíbrio entre suas linhas. Boa zaga, bom meio, bom ataque, sem esquecer um bom goleiro. De nada adianta uma ótima zaga com um ataque inexistente. Ou um meio-campo excelente com uma defesa frágil. E um bom ataque combinado a uma boa zaga até dá certo parte do tempo, mas não todo o tempo, pois um bom meio-campo é essencial.

Introdução feita, vamos à razão de ser desse post: o equilíbrio, ou não, entre as receitas de televisão, bilheteria e marketing dos dez maiores clubes europeus, o que vale dizer, os dez maiores do mundo. Aliás, esse equilíbrio é também muito bem explicado pelo dito popular de não colocar todos os ovos numa só cesta.

Os clubes em melhor posição no ranking apresentam, como disse no post anterior, um bom equilíbrio entre as três fontes de receita, como mostra a tabela a seguir, com os valores expressos em milhões de euros:

Clube

TV

Matchday

Marketing

Total

Real Madrid

160,8

40%

101,4

25%

139,2

35%

401,4

Barcelona

158,4

43%

95,5

26%

112,0

31%

365,9

Manchester United

117,1

36%

127,7

39%

82,2

25%

327,0

Bayern Munich

69,6

24%

60,6

21%

159,3

55%

289,5

Arsenal

89,0

34%

117,5

45%

56,5

21%

263,0

Chelsea

92,9

38%

87,4

36%

62,0

26%

242,3

Liverpool

87,6

40%

49,9

23%

79,5

37%

217,0

Juventus

132,2

65%

16,7

8%

54,3

27%

203,2

Internazionale

115,7

59%

28,2

14%

52,6

27%

196,5

Milan

99,0

50%

33,4

17%

64,1

33%

196,5

O ideal seria uma composição em que nenhuma das fontes atingisse 40%, embora, como em toda regra, haja exceções. É o caso do Barça, por exemplo, que não viu seu público diminuir, pelo contrário, cresceu 4%, mas viu a receita de TV crescer acima do normal. Efeito “jogo bonito”, efeito Messi, efeito títulos La Liga e Copa del Rey e no próximo ano veremos ainda os efeitos, muitos, da Champions League, além do Mundial de Clubes. A menos que a temporada do Madrid seja excepcional, não será de estranhar ver o Barça ocupar, pela primeira vez, a liderança em receitas.

A participação média do matchday é de 30,3% nas últimas 6 temporadas. Apesar da queda percentual para 26% nessa temporada, essa receita cresceu 4% sobre a temporada anterior e atingiu 95,5 milhões de euros, deixando o Barcelona próximo de conseguir o feito de ser o segundo clube europeu a faturar mais de cem milhões de euros em cada uma das três áreas de receitas. As receitas comerciais, que englobamos como marketing, também cresceram bastante, atingindo 112 milhões de euros, o terceiro maior faturamento nesse item em toda a história do FML e assim mesmo essa participação ficou na média dos 6 anos: 31%.  Enfim, o que desequilibrou mesmo a balança foi o crescimento da participação da TV, que pulou de uma média de 37,6% para nada menos que 43%, chegando ao valor de 158,4 milhões de euros (428 milhões de reais, ou, simplesmente, o valor total anual dos direitos de TV do Campeonato Brasileiro).

Se o desequilíbrio blaugrano foi positivo ao extremo, o mesmo não se pode falar dos desequilíbrios dos clubes italianos. Neles, o que mais pesa, sem dúvida, é a baixa presença do torcedor nos estádios e a forte dependência da TV, que no caso da Vecchia Signora é assustadora: 65% da receita do clube veio da venda dos direitos de transmissão e somente 8% do matchday. Há motivos para isto. A economia italiana vai mal das pernas há algum tempo. Tivemos o escândalo das arbitragens e o rebaixamento da Juve e a punição do Milan, que levou-o a ficar fora da CL e perder dinheiro e posições no ranking. Além disso, há anos observa-se uma queda no número de torcedores nos estádios italianos, em sua maioria ultrapassados e mal cuidados, muito longe de oferecer o mesmo conforto dos estádios ingleses e dos grandes de Espanha. Isso, é claro, para não falar dos franceses – menos – e dos alemães, com seus estádios turbinados pelas Copas de 1998 e 2006, sobretudo. Internazionale e Milan não tem um perfil econômico muito diferente, com a TV representando a metade ou quase 60%, e as receitas com matchday bem abaixo de 20%.

Outro desequilíbrio forte e interessante é visto no Bayern e também nos outros dois clubes alemães no Top 20, o Hamburger e o Schalke. As receitas comerciais são muito maiores que as demais, respondendo, no caso do Bayern, por 55% do total. Em euros, esse valor de 159 milhões tomado isoladamente, já seria o bastante para ocupar a 11ª colocação no ranking, ocupado pelo Hamburger com um faturamento de 146,7 milhões de euros. Entretanto, a essa forte participação do marketing corresponde uma fraquíssima participação dos direitos de TV – que respondem por somente 24% das receitas do clube nessa temporada. A principal razão é o baixo valor negociado pela Bundesliga na venda dos direitos de transmissão, associado, no Bayern, à eliminação nas quartas-de-final tanto na Champions League como na German Cup. Essas eliminações também impactaram a receita de matchday, pois o time acabou disputando somente 23 partidas no Allianz-Arena, enquanto na temporada anterior disputou 27.

Ainda sobre o marketing: os analistas estimam que o patrocínio da Deutsche Telekom paga entre 22 e 24 milhões de euros anuais e que, dependendo dos resultados do clube podem atingir a marca de 30 milhões de euros. Nessa composição, além de vários outros patrocínios menores, houve o novo acordo com a Audi, que além de investir 90 milhões de euros na compra de 9% das ações do clube, investe 10 milhões de euros anuais desde essa temporada até 2019, num total de 110 milhões de euros.

A erosão cambial da libra continua prejudicando os clubes ingleses, depois da moeda valorizada ajudar a mantê-los no alto por muito tempo. O Arsenal realmente aproveita muito bem o Emirates Stadium e sua receita de matchday só perde para a do Manchester United em toda a Europa, sendo a de maior participação percentual no grupo dos dez clubes. O fraco desempenho na área comercial, principalmente se comparado com os números de Manchester e Liverpool, já levou o clube a fazer uma reformulação nessa área. O desempenho dessa temporada permitiu a ultrapassagem do Chelsea e o retorno ao grupo do Top 5 europeus. Outro ponto fraco do clube, também comparado ao MU e ao Liverpool, é a baixa presença no exterior, o que, inclusive, provoca impacto negativo no valor do patrocínio de camisa e levou a direção a adotar medidas de correção, visando crescer no Oriente Médio, leste asiático e nos Estados Unidos.

Como disse no início, de maneira geral é bom procurar um equilíbrio entre as fontes de receita. A melhor combinação nessa temporada foi a do Manchester United. Apesar de um excelente desempenho esportivo e comercial, o clube foi ultrapassado pelo Barcelona e viu o Madrid aumentar a diferença de receita entre ambos. Novamente, o peso da desvalorização da libra diante do euro. Nessa temporada o clube disputou 30 jogos em sua casa, o que dá a média espantosa de 4,3 milhões de euros por jogo – algo próximo de doze milhões de reais a cada vez que o time entra em campo em sua casa.

Doze milhões de reais…

Nesse valor estão incluídos o ingresso e a participação do clube, direta ou indireta, nas despesas feitas pelos consumidores/torcedores no estádio.

Termino com esses doze milhões de reais martelando o ouvido.

É para pensar…

Os 20 clubes de maior receita do mundo

ter, 02/03/10
por Emerson Gonçalves |

Real Madrid rompe a barreira dos 400 milhões

Sem surpresas, assim podemos definir essa lista dos 20 clubes mais ricos, como se diz usualmente, mas que, na verdade, corresponde aos clubes que mais faturaram na temporada de 2008/2009.

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A surpresa, ou melhor, a novidade maior ficou por conta do Real Madrid de Florentino Peres, que atingiu 401,4 milhões de euros e tornou-se o primeiro clube a ultrapassar essa marca. Segundo a Deloitte, é também o primeiro clube do mundo a atingir essa receita em qualquer esporte. O que impressiona, por um lado, é o fato da receita do clube continuar crescendo ano a ano, apesar dos seguidos fracassos na UEFA Champions League, que não somente é a competição mais importante no aspecto esportivo, como também a que dá mais retorno financeiro, essencial para os quatro grandes clubes ingleses, principalmente. E também para o “pequeno” e intruso Fenerbahce, que em 2007/2008 foi o vigésimo colocado e nessa temporada sob análise foi somente o trigésimo.

Claro está que o sucesso do Madrid se dá a partir de seu elenco e das fortes receitas com televisão e marketing.  A TV também é o maior financiador do segundo colocado, o Barcelona, respondendo por impressionantes 43% das entradas totais, percentual que foi de 40% no Madrid, 36% no Manchester United, apenas 24% no Bayern Munich e 34% no Arsenal, para ficar entre os 5 primeiros, apenas.

No caso do Real Madrid, é a constatação prática da filosofia “grandes nomes, grandes receitas”, alavancada ainda mais pelas contratações de Kaká e Cristiano Ronaldo. No número dois, é a prova do acerto da política do “jogo bonito”, além, é claro, da presença de grandes estrelas, Messi à frente. A grande diferença percentual para o Bayern, por exemplo, pode ser explicada pela forte presença dos dois clubes espanhois em mercados fora da Europa.

A Deloitte considera apenas as receitas realmente operacionais – direitos de TV (Broadcasting), rendas de jogos e estádios (Matchday) e marketing, inclusive licenciamento (Commercial) para a confecção desse ranking, prática, de resto, comumente adotada na Europa. Receitas extraordinárias, como vendas de ativos, e as receitas com transferências de jogadores, não são consideradas (essa mesma prática é adotada por este Olhar Crônico Esportivo ao analisar as receitas dos clubes brasileiros).

Os clubes italianos continuam perdendo posições entre os Top 10. O clube melhor ranqueado, o Juventus, de Turim, tem 65% de suas receitas na TV e somente 8% no matchday, situação próxima à de seus rivais Internazionale e Milan. Essa disparidade, mostrando a fraqueza do atual momento italiano com poucos torcedores em estádios velhos e cheios de problemas, ajuda a entender esse declínio.

Os clubes da Premier League já tiveram posições muito mais altas no ranking. Isso, porém, ocorreu principalmente em função do câmbio da época. Para os resultados da temporada 2006/2007, por exemplo, foi usada a cotação de 1 libra para 1,4856 euro, na data-base de 30 de junho de 2007. Em 2009, também em 30 de junho, a cotação foi de 1 libra para 1,1741 euro. Pela cotação de 2007, por exemplo, o Manchester United teria alcançado uma receita de 413,7 milhões de euros, maior, portanto, que a do Real Madrid.

Antes de terminar, vejam novamente a lista dos 20 e suas receitas. Reparem no buraco, verdadeira montanha de euros, entre o 10º colocado e o 11º: nada menos que 50 milhões de euros. Dá para pensar…

Por enquanto é isto. Mais à frente será interessante vermos outros pontos, como a divisão das receitas em todos os dez primeiros, os clubes de 21º a 30º e a importância da Champions League.

E também os efeitos da crise econômica, do Crash de 2008, que já se fizeram sentir nessa temporada analisada, com efeitos crescentes na atual temporada.

Em tempo: esses são os vinte clubes de maior receita da Europa e não do mundo, como diz o título. Mas o título está certo, também, pois na prática é isso mesmo. Por enquanto.

Clubes ingleses respondem por mais da metade das dívidas europeias

qui, 25/02/10
por Emerson Gonçalves |

O assunto anda na moda, definitivamente, o que é péssimo sinal.

Ontem, a UEFA apresentou seu European Club Footballing Landscape, com levantamento das finanças referentes ao ano de 2008. Um calhamaço de mais de 80 páginas e 12 MB.

A quantidade de informações é enorme, muitas delas pouco relevantes, muitas extrememante interessantes e algumas extremamente preocupantes, além de interessantes, também. Como essa, por exemplo: 18 clubes da Premier League respondem por 56% do total devido pelos 732 clubes licenciados pela UEFA em 53 diferentes federações nacionais. Significativamente, o Portsmouth e o West Ham não figuram na lista, justamente por não terem conseguido a licença UEFA para as competições continentais. Além desses dois clubes, outros 19, em todas as ligas, não conseguiram a licença para a disputa da Champions League e a Copa da UEFA, depois Liga Europa.

A soma devida pelos 18 clubes atinge 4 bilhões de euros e é quatro vezes maior que o total devido pelos clubes da liga espanhola – La Liga – a segunda liga com maior valor em dívidas.

Por outro lado, cada um desses clubes da Premier League teve uma receita comercial média da ordem de 122 milhões de euros, contra a média de 79 milhões de receitas comerciais obtidas pelos times da Bundesliga, a segunda colocada nesse quesito.

Na apresentação do trabalho, Michel Platini disse que o mesmo apresenta “aumento nos claros sinais de alerta” sobre a saúde financeira dos clubes, reforçando a necessidade e oportunidade do Financial Fair Play, a partir de primeiro de julho de 2012.

Um ponto importante que todos já conhecem, mas o estudo reforça, é a concentração de poder nos Top Ten. A distância entre esses clubes e os demais tende a aumentar cada vez mais, uma tendência que não é somente europeia, mas mundial.


La Liga ultrapassa a Premier League

qui, 18/02/10
por Emerson Gonçalves |

Não chega a ser propriamente uma surpresa: segundo o estudo “Football Transfer Review”, realizado pela Prime Time Sport, empresa sediada em Barcelona cujo proprietário é o agente FIFA Esteve Calzada, o Manchester United caiu para a quarta posição entre os clubes com maiores receitas na Europa. Os quatro primeiros, de acordo com esse trabalho, são:

1º – Real Madrid – 407 milhões de euros

2º – Barcelona – 385 milhões de euros

3º – Arsenal – 357 milhões de euros

4º – Manchester United – 317 milhões de euros

Segundo o jornal Marca, de Madrid, os investimentos dos clubes espanhois na última janela de verão trouxeram bons resultados futebolísticos e financeiros e permitiram que um clube de La Liga, pela primeira vez, ocupasse o posto de melhor da Europa, desbancando dessa posição a Premier League.

Esta mudança de posições é devida, principalmente, aos reflexos da crise econômica, que levaram a uma forte queda nas receitas da maioria dos clubes europeus. Os dois maiores clubes da Espanha foram as exceções nesse cenário. Graças aos investimentos de Florentino Peres no último verão, o Madrid não só aumentou sua receita, que pulou de 366 para 407 milhões de euros, como manteve com facilidade o posto de clube com maior receita no continente. A manutenção do excelente trabalho de Laporta à frente do Barça e mais a conquista da Champions League, levaram o clube a uma inédita segunda colocação entre os de maiores receitas.

A surpreendente presença do Arsenal na terceira posição, à frente do Manchester, não tem sua explicação no futebol propriamente dito e sim numa operação imobiliária: a venda do velho estádio Highbury por 88 milhões de libras, equivalentes a 101 milhões de euros. Ou seja, é uma presença meramente episódica, de oportunidade, pois sem essa venda o Arsenal teria uma receita total de 256 milhões de euros.

Diante dos espanhóis, o Manchester, sem dúvida, sentiu o baque da crise e da venda de Cristiano Ronaldo.

O estudo aponta, ainda, e tal como este OCE já havia apontado, que a recente janela de inverno foi muito fraca, com um movimento total de 112 milhões de euros em transferências, representando uma significativa quede de 66% em relação ao movimento total da temporada anterior. Curiosamente, nessa última janela os clubes espanhois investiram muito pouco.

Aumenta o aproveitamento das bases

A crise, apesar de tudo, tem se revelado benéfica para as divisões de base dos clubes europeus. Com pouco caixa, diminuíram as transferências de jogadores de fora do continente, enquanto, ao mesmo tempo, nada menos que 51 jovens jogadores vindos das bases estrearam na atual temporada espanhola.

O Málaga foi o clube que mais promoveu jogadores: nada menos que nove jovens jogadores passaram a integrar seu elenco principal.

O que não faz a falta de dinheiro…

No início de março, durante a Soccerex, a Deloitte vai lançar seu Football Money League, que vocês já conhecem dos anos anteriores. Com ele, teremos uma visão completa e aprofundada do futebol europeu na temporada encerrada em junho de 2009.

Bolha prestes a estourar

ter, 16/02/10
por Emerson Gonçalves |

“El fútbol vive en una burbuja especulativa que está por estallar”…

Acredito que não há necessidade de traduzir, mas vamos lá, só para não deixar dúvida:

O futebol vive em uma bolha especulativas que está por estourar”; o mais correto, em português, é acrescentar um “prestes” ou um coloquial “já, já”, dando à frase de Jean Michel Aulas, presidente, e também dono, do Olympique de Lyon, o tom de urgência que ela tem e que foi destaque do espanhol El País, ontem.

Na entrevista, Aulas criticou a atual estrutura dos grandes clubes europeus, os gastos exagerados, o papel dos empresários e questiona, ainda, o modelo “Florentino” no Real Madrid. Não por coincidência, Lyon e Madrid se enfrentam hoje, pela Champions League.  Agora, se minhas vaquinhas e o tempo permitirem (sofremos um verdadeiro vendaval por volta de meia-noite; árvores quebradas, telhas jogadas longe, goteiras inesperadas, objetos arremessados como se a natureza estivesse numa disputa olímpica – será que os donos dos esportes olímpicos vão me processar por esse uso da palavra “olímpica”?), já não sei se verei o Milan contra o Manchester – caso em que serei torcedor, é óbvio – ou se verei Lyon x Madrid, caso em que serei mero observador curioso, apesar de Kaká..

Vamos aos pontos principais da entrevista:

EP: Quando assumiu a presidência do Lyon em 1987, você profetizou que o futebol se encaminhava para um novo modelo de gestão, inspirado nos princípios do mundo empresarial. Como vê a situação agora?

JMA: Estamos à beira de uma grande transformação. Nosso setor está em uma bolha especulativa que ainda não estourou. Já estourou a bolha da internet, a bolha financeira, a bolha imobiliária… É preciso desenhar um sistema de regras para evitar o crack. Como sempre que falamos de bolhas, só há uma coisa para amortizar seu estouro: um aporte maciço de capital. É preciso que os dirigentes do futebol, sobretudo da UEFA, participem da solução. Do contrário, o remédio será mais destrutivo que a doença.

EP: Qual solução você propõe?

JMA: No futebol temos um fluxo de dinheiro importante, que ao invés de investirmos no próprio futebol, em estádios e centros de formação de novos jogadores e também em mais recursos que alimentem o negócio, vai parar nas mãos dos intermediários. Isto tem desencadeado um processo inflacionário nos salários dos jogadores e nas transferências. Tem que haver um teto para as comissões e na quantidade de transferências de que participam os agentes. Não é saudável que haja agente       vendendo o mesmo jogador todos e cobrando sem limites. A segunda regra é pôr um limite ao número de jogadores profissionais que tem cada clube. Há que dar liberdade total às contratações de jogadores com menos de 22 anos de idade, para impulsionar as bases, limitando a 22 ou 23 jogadores o plantel de jogadores acima de 23 anos. Outra medida que deve tomar a UEFA: definir as regras de equilíbrio dos clubes com relação aos recursos próprios dos clubes. Hoje temos Moratti, Berlusconi, Abramovich e outros, injetando dinheiro em clubes que são filiais de uma casa matriz. Se um dia a injeção de dinheiro acaba, esses clubes quebram e arrastarão à falência todo o sistema. O modelo deve ser elitista, mas também deve permitir que todos tenham acesso à elite. O Lyon chegou à elite europeia partindo do nada. No futebol, o fair play financeiro deve comportar um limite. Não é possível que a conta corrente do Abramovich seja comparável ao capital do Chelsea.

Jean-Michel_Aulas_presidente_Lyon

EP: Você foi para Paris participar da revolta de Maio de 68. O que aprendeu e vale hoje como empresário?

JMA: O primeiro é a máxima de Cohn Bendit: “É proibido proibir.” A empresa, como o futebol, como a política, como Maio de 68, é atitude. Tem que ter carisma, gana e paixão.

EP: Quando chegou ao Lyon você nada sabia de gestão esportiva. Foi um handicap?

JMA: A longo prazo não. Cada vez que vou a Madrid fico impressionado com a história e os títulos conquistados pelo Real Madrid. É isso que dá valor a um clube. Porém, creio que é mais gratificante construir essa história de conquistas do que simplesmenta valorizá-la. No futebol há duas opções: ou dá valor às conquistas, à história ou você as cria. O Madrid dá valor às conquistas. Eu construí uma história de conquistas do nada.

EP: Em vinte anos você despediu um só técnico. Por que tanta lealdade?

JMA: Porque eu os escolhi! A escolha de um treinador é uma prova de perspicácia. Se o despeço, é porque quem se equivocou fui eu, não o treinador.

EP: Dizem que você sempre delegou as decisões esportivas aos técnicos. Nunca se permitiu um capricho?

JMA: Às vezes gosto de um jogador, mas sempre consulto o Bernard Lacombe (diretor de futebol) e o treinador. Eles é que decidem.

EP: Pellegrini trabalha com o que lhe dão…

JMA: Florentino Pérez parte de um modelo de negócio fundado no marketing, nos patrocínios, nos direitos de TV. Com a história e estrutura do Real Madrid você pode se permitir a isto. Porém este modelo gera muitas dificuldades para o treinador. Fazer jogar juntos, e bem, a estes jogadores é complicado. O assombroso do Barça é que tem conseguido que a instituição, o sistema de jogo, seja mais forte que os indivíduos. Nunca acreditei que Ibrahimovic se integraria e vejo-o entrosado com o sistema.

EP: Nos últimos cinco anos o Lyon tem sido o clube que mais rendimento obteve com suas transferências: Kanouté, Diarra, Essien, Malouda, Benzema… Você não teme ter vendido muitos jogadores demasiadamente importantes e ter ficado sem condições de conquistar a Champions League?

JMA: Claro que sim. Porém quando criei a CEGID (empresa de informático de Aulas), que se converteu numa empresa líder de informática na Europa, se não houvesse cedido nunca, nunca poderia ter crescido. Não haveria obtido crédito. A única maneira de chegar longe é cedendo alguma coisa. E para ganhar a Champions a receita é durar. Há vinte anos tínhamos zero por cento de chances de ganhá-la. Há dez anos, uns dois porcento. E hoje temos 50%. Porque se eliminamos ao Madrid, seremos favoritos.


Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui.

Dívidas, a preocupação do momento

qua, 27/01/10
por Emerson Gonçalves |

Calma, torcedores de norte a sul, calma, isso não é no Brasil, país onde as dívidas são conduzidas via empurrômetro, modalidade esportiva não olímpica em que o principal órgão, ou melhor, a principal parte do corpo humano envolvida não é o bolso, como deveria ser, e sim a barriga.

Essa é a preocupação da Europa, em especial da Europa Ocidental, uma vez que na Oriental há uma certa tendência a disfarces e correlatos.

Preocupação em 10, Downing Street

Como sabem os leitores dos livros de espionagem, principalmente, esse é o endereço oficial do primeiro-ministro de Sua Majestade, em Londres. Seu atual ocupante é o escocês James Gordon Brown (o Reino Unido da Grã Bretanha e Irlanda do Norte compreende quatro nações: Inglaterra, Escócia, País de Gales e o canto nordeste da ilha da Irlanda, a Irlanda do Norte), que sucedeu Tony Blair em 2007 e gosta um bocado de futebol, a ponto de ser acionista do time escocês Raith Roovers.

Anteontem, falando a respeito das enormes dívidas dos clubes da Premier League, Brown disse que os clubes “precisam olhar muito seriamente suas responsabilidades”, descartando a possibilidade de uma intervenção governamental, em resposta à pergunta de um jornalista em coletiva de imprensa em Londres. O primeiro-ministro falou que há uma grande preocupação com o elevado volume de dívidas dos clubes, dos quais o Manchester United é um bom exemplo – buscou no mercado 500 milhões de libras por meio da venda de ações de seus controladores para fazer caixa e enfrentar um débito que já ultrapassa os 700 milhões de libras. Praticamente todos os clubes da League enfrentam problemas sérios ou mesmo muito graves de dívidas.

“Claro, em muitos casos há meios bem simples de lidar com esses, mas em outros casos os clubes de futebol não têm receitas para poder lidar com o montante que atingiram suas dívidas” – disse ainda Gordon Brown. Trocando em miúdos, se um Manchester, Liverpool, Arsenal têm condições de negociar e resolver, outros, como o Portsmouth, não tem a mínima capacidade de gerar receitas que lhes permitam manter-se na League e, ao mesmo tempo, reduzir o estoque de suas dívidas.

Primeiros-ministros de Sua Majestade não costumam falar abobrinhas em público, ao contrário do que soi acontecer ao sul do Equador. São pesadamente cobrados por qualquer declaração e mais ainda por qualquer promessa. Para Brown falar o que falou é porque a situação é considerada realmente muito grave.

Preocupação na Route de Genève, 46

Na aprazível Nyon (nunca estive lá, mas pelas imagens é mais do que aprazível, pelo menos com tempo bom), na Suíça, onde a UEFA tem sua sede, a preocupação é a mesma do primeiro-ministro britânico, mas em escala bem maior.

Ontem, o secretário-geral da UEFA, Gianni Infantino, disse que metade dos clubes europeus está perdendo dinheiro e que 20% deles têm déficits anuais de grande porte – a UEFA assim classifica os deficits que ultrapassam 20% das receitas anuais do clube.

Infantino disse isto em conferência de imprensa, quando comunicou que em fevereiro a UEFA divulgará uma ampla pesquisa feita junto a 650 clubes europeus, levantando suas condições econômico-financeiras.

O estudo mostrou que mais da metade desses clubes perde dinheiro ano após ano, não conseguindo sustentar-se sem fazer dívidas. Nada menos que 20% deles tem perdas consideradas pesadas, a ponto de Infantino ter dito que as pessoas podem não se preocupar com o destino de um clube, mas a UEFA preocupa-se com cada um e com todos, temendo um efeito em cadeia caso um clube quebre.

Outro dado extremamente preocupante é que um terço desses clubes pesquisados gastam mais de 70% de suas receitas operacionais com salários. Lembrando que o extinto G14 (por obra, graça, manhas & artimanhas de Platini) preconizava que os salários deveriam ficar entre 55% e 70%, mas sempre mais próximos da parte baixa desse limite, para que o clube tivesse o melhor equilíbrio entre manter uma equipe competitiva e ao mesmo ser saudável financeiramente.

Em 2008, no espoucar da crise financeira, este Olhar Crônico Esportivo previu que os clubes europeus – à época já endividados – seriam muito atingidos e isso acabaria repercutindo por aqui, com o retorno de muitos de nossos boleiros. Esse movimento a princípio foi meio tímido e marcado por retornos atípicos, como os de Ronaldo, Fred e Adriano. Mas tivemos o retorno de Maxi Lopes, comemorado por este blog como um sinal do que estava por vir, e mais alguns, até que houve um aparente refluxo, um novo momento de loucura a la Florentino Peres, executada uma vez mais pelo próprio. Durante algum tempo pareceu que o futebol vivia numa bolha, à margem da sociedade. A AIG quebrou nos Estados Unidos, mas manteve seu último ano de contrato com o Manchester United. Que saiu ensandecido à caça de patrocínios, batendo em portas árabes, hindus e até brasileiras – as portas da Petrobras – para, no fim, fechar um novo patrocínio gigante e retumbante com outro grupo financeiro ianque, a AON. Parecia, então, que a bolha era mais que uma bolha. O final de 2009, entretanto, começou a mostrar realidades pouco agradáveis, marcadas por faturamentos em queda e dívidas em alta. Sempre com as exceções de praxe, claro. Mas a vida não é feita pelas exceções e sim pela maioria.

E a maioira, diz a UEFA, está perdendo dinheiro e está mais e mais endividada.

Sem dúvida, há motivos para preocupações e não só em Downing Street e na Route de Genève.

Os 20 patrocinadores mais conhecidos do futebol europeu

sex, 22/01/10
por Emerson Gonçalves |

A SPORT+MARKT, uma das maiores empresas de marketing do mundo, divulgou ontem os resultados de uma pesquisa sobre lembrança de marcas no futebol, especificamente nos cinco maiores mercados europeus: Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália.

A pesquisa foi realizada nesses cinco países, com um total de 3.013 cidadãos europeus que se interessam por futebol, com idade entre 16 e 69 anos.

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V = Reconhecimento espontâneo ou imediato

X = Reconhecimento estimulado ou não-imediato

Só foram consideradas marcas citadas em dois países ou mais

Emirates: soma de Emirates e Fly Emirates

Para Hartmut Zastrow, diretor-executivo da SPORT+MARKT, os patrocinadores de camisa e os fornecedores de materiais dominam a comunicação de mercado no futebol europeu. A Adidas é, para ele, a maior marca do futebol na Europa (lembrando que a empresa é fornecedora, entre outros, do Liverpool, Chelsea e Milan e é, também, a fornecedora das bolas da Champions League e Copa do Mundo) mantendo novamente a primeira posição na lista.

Se ele viu com naturalidade as primeiras colocações, manifestou-se surpreso com a presença da Audi em oitavo lugar entre as marcas mais conhecidas, o que ele credita à diversificação da presença da empresa em vários times e, também, à compra de ações do Bayern Munich, fato que recebeu amplo destaque no noticiário esportivo. E embora não patrocine nenhuma camisa europeia, a Coca-Cola é marca onipresente nos esportes.

A quinta colocação da Emirates também não surpreende, pois ela tem o patrocínio de importantes clubes europeus e nomeia o estádio do Arsenal, além de ser parceira FIFA para a Copa do Mundo.

Na sequência, os patrocinadores de outros dois times ingleses: AIG, ainda patrocinadora do Manchester United e Carlsberg, patrocinadora do Liverpool desde 1992, e também patrocinadora e parceira da UEFA. Sua concorrente, Heineken, é a 20ª marca nesse ranking, no que pode ser considerado um resultado muito bom, pois ela tem uma única ação de comunicação nesse mercado: é uma das patrocinadoras da Champions League (aliás, alguns dos melhores momentos em alguns jogos da CL são justamente os comerciais da Heineken). Essas posições destacam, uma vez mais, a força da Premier League.

Complementação: a tabela 2004/2005

Vale a pena observar e comparar os nomes e posições na tabela abaixo. O mercado é dinâmico, marcas sobem, outras descem, algumas saem do ranking para a chegada de outras.

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Alguns números para discutir e contestar (?)

Toda vez que este Olhar Crônico Esportivo publica alguma coisa sobre pesquisas no Brasil, a reação mais imediata e comum a toda e qualquer pesquisa é que a mesma não tem credibilidade, porque o tamanho da amostra é ridículo, porque o tamanho da amostra não pode jamais mostrar o que é o Brasil, porque o tamanho da amostra isso, o tamanho da amostra aquilo.

Reparem, então, no tamanho da amostra dessa pesquisa: 3.013 torcedores de futebol.

Reparem no universo da mesma: Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália.

Reparem, agora, no número total de habitantes desses países: 306 milhões de habitantes.

Temos, então, uma amostra de 3.000 pessoas num universo de 300 milhões (deixei 6 milhõezinhos para lá, só para não atrapalhar a relação): três mil para trezentos milhões, ou 3.000 para 300.000.000.

E não creio que vá aparecer uma montanha de protestos, dizendo que essa amostra é fajuta e nada representa.

Reparem, também, que lá como cá e em toda parte, as pesquisas são feitas com o pessoal que tem 16 anos de idade ou mais. O que significa pessoas com mais de 16 anos de idade.

Por aqui, temos amostras com oito, nove, dez, onze mil pessoas – 11.000 para 192 milhões –, num só país, que tem uma só língua, e o mundo desaba por conta disso, chegando ao ponto de inúmeros leitores sugerirem que preferência clubística no futebol seja questão inserida nos censos demográficos.

Definitivamente, a Europa não é aqui.


Direitos de TV na Turquia e porque nossos boleiros vão para lá

seg, 18/01/10
por Emerson Gonçalves |
categoria Futebol Europeu, TV

A Super Liga Turca fechou o novo acordo para venda dos direitos de TV do seu campeonato. O contrato foi assinado com a Digiturk (que comercializa mais de 150 canais de TV na Turquia), Turk Telekom e TRT –  Turkish Television and Rádio Corporation e cobre 4 temporadas, de 2010/2011 a 2013/2014. O valor total do pacote, segundo matéria do Futebol Finance, é de 1,04 bilhão de euros, equivalente a cerca de 1,5 bilhão de dólares (cotação de hoje).

A venda deu-se por meio de licitação de três diferentes pacotes:

Pacote A: o mais importante, adquirido pela Digiturk pelo valor de 223,1 milhões de euros anuais, num total de 892,4 milhões de euros pelos 4 anos, equivalendo a 1,28 bilhão de dólares ou, ainda, 2,26 bilhões de reais; esse pacote dá direito à Digiturk de transmitir os jogos da Super Liga ao vivo e também de negociar sua transmissão com outras emissoras;

- Pacote B: foi para a Turk Telekom por 27,9 milhões de euros anuais, ou 111,6 milhões pelos 4 anos, equivalentes a 160 milhões de dólares; esse pacote dá direito à operadora de transmitir ao vivo os jogos da Liga Turca e resumos da Super Liga;

- Pacote C: adquirido por 9,3 milhões de euros anuais, ou 37,2 milhões pelos 4 anos, o que equivale a pouco mais de 53 milhões de dólares, dá direito à transmissão de resumos dos jogos via celular.

Esse novo acordo traz um crescimento de 75% sobre o anterior, um salto de qualidade e recursos que coloca a Liga Turca entre as de maior valor do futebol europeu. Para uma melhor visualização vejam os valores anuais estimados, em milhões de dólares:

País

Milhões de dólares por ano

Proporção

Brasil

300

1

Turquia

375

1,25

França

858

2,86

Inglaterra

934

3,11

A esse respeito há outros posts neste OCE, como esse, por exemplo:

http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2009/07/01/direitos-de-tv-na-franca-inglaterra-e-brasil-%E2%80%93-uma-comparacao/

Vamos um pouco além e façamos uma comparação direta Brasil/Turquia:


Brasil

Turquia

PIB (2008)

1,6 Trilhão US$

0,8 Trilhão US$

PIB per capita (2008)

7.350 US$

9.340 US$

População (2008)

192 Milhões

74 Milhões

Direitos TV

0,9 Bilhão US$ (est) por 3 anos (2009 a 2011)

1,5 Bilhão US$ (est) por 4 anos (2010 a 2014)

Direitos TV – média ano

300 Milhões US$

375 Milhões US$

Direitos TV – custo médio por habitante/ano

US$ 1,56

US$ 5,07

(Fonte única para PIB, renda per capita e população: World Bank)

Com sua entrada em negociação na União Europeia (dada como certa; texto corrigido por alerta do Luciano Monteiro: faltou a “em negociação”) , a Turquia já recebeu grandes injeções de capital subsidiado pela UE para a standartização do país, ou seja, em termos mais práticos, provocar uma elevação no nível de vida do povo e da economia da nação, buscando diminuir as diferenças para os demais membros da União Europeia. A rigor, podemos dizer que a Turquia é um país asiático, uma vez que a quase totalidade de seu território está na Ásia. Entretanto, por ter parte de seu território na Europa e a separação entre os dois continentes dar-se por um estreito canal de alguns quilômetros de largura, ela sempre foi a ponte natural, o caminho preferencial entre os dois continentes e seus muitos povos. A tendência é a Turquia crescer muito, economicamente, não só pela integração, mas também pelo tamanho do seu respeitável mercado interno – em termos europeus, claro. Com a economia, crescerá também o futebol. Portanto, Fener e outros times da Super Liga Turca serão cada vez mais o destino de muitos de nossos boleiros. Por um bom tempo, ainda.

Em tempo: a divisão da verba dos direitos de TV na Turquia é diferente da brasileira:

- Federação Turca de Futebol – 10%

- Clubes da Liga: 35% divididos em partes iguais

- Clubes da Liga: 45% de acordo com a performance esportiva

- Custos operacionais e impostos: 10%




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