Curtas & Grossas
16 Páginas de Muricy e nenhuma de mau humor
Este é o incrível resultado de 90 minutos de conversa da equipe da revista Brasileiros com o “mal humorado” Muricy Ramalho.
Olhem a capa da revista…
Não é preciso dizer mais nada.
Muricy falou de tudo um pouco, desde os tempos de infância até sua carreira de treinador na China – e isto, adianto aqui do meu cantinho, quando o Império do Centro não era nem por sonho essa China de hoje, cheia de glamour, modernosa e, quem diria, esteio do capitalismo mundial – e contando, também, trechos de sua vivência como jogador no México.
Muricy já era globalizado quando essa palavra não existia.
Os entrevistadores formam um trio de respeito: Fernando Figueiredo Mello, Hélio Campos Mello e Ricardo Kotscho, todos são-paulinos, segundo adiantou-me uma língua ferina, nem de longe torcedor do Tricolor.
Imperdível. Nas bancas e aqui mesmo, ao alcance de um clique.
Mas no site a entrevista só será mostrada na íntegra um mês depois que a revista for para as bancas. Enquanto isso, pequenas porções em vídeo e texto para atiçar a curiosidade. O site já traz um minuto e meio de amostra do que foi o bate-papo. Podem conferir, é o bastante para boas risadas.
Dois tristes “senhores da guerra”
Preferiria falar mais de Muricy e seu bom humor, mas sou obrigado, a contragosto, a gastar algumas linhas para criticar Juvenal e Andrés.
A guerrinha que ambos protagonizam lembra-me as velhas disputas no Sacomã e no Moinho Velho, bairros do Ipiranga onde passei parte da infância. Ali, eram comuns os embates entre nós, da “Rua de Cima”, contra os caras da “Rua de Baixo”.
Lá, nos tempos de infância, nunca chegamos às vias de fato entre nós, porque antes disso quem chegava às vias de fato contra todos nós eram nossas mães, tanto as da “Rua de Cima” como as da “Rua de Baixo”. Palmadas, cascudos e puxões de orelhas não eram sinônimos de maus tratos e formação de mentes doentias.
Pelo contrário.
Está faltando nos dois clubes uma velha instância do Império, o Poder Moderador.
(Este blogueiro tomou algumas liberdades criativas para essa sugestão, não de todo condizentes com a função histórica desse poder imperial.)
Não renego meu post de 24 de dezembro, justamente intitulado “Dois Senhores da Guerra em ação”, mas hoje não escreveria nada parecido com aquilo.
Os homens mudam depressa.
Fez história e não vai ver o Sport ao vivo
O Senador (com s maiúsculo) Jarbas Vasconcellos fez história nesse final de semana, com sua inesquecível entrevista para a revista Veja.
Segundo o colunista Lauro Jardim, da Veja, se por um lado o Senador está muito satisfeito com a repercussão de suas palavras, reveladoras e pesadamente acusatórias, por outro, todavia, está triste.
Torcedor de carteirinha do Sport Club do Recife e já com passagem comprada para acompanhar o time no jogo de estréia na Libertadores 2009, em Santiago, o Senador optou por ficar em Brasília.
Não quer passar a ninguém a impressão de ter fugido da raia.
Por falar em Sport…
Muita animação e organização na viagem para Santiago.
O clube preparou, entre outras providências, uma lista com telefones úteis em Santiago, inclusive do Consulado Geral do Brasil.
Além desse, também os telefones dos Carabineros, emergências médicas e informações sobre atividades culturais e recreativas. Não poderia faltar, é claro, o telefone e o nome da responsável por venda de ingressos no próprio estádio.
Básico, afinal, como em todo jogo mesmo no exterior, tem sempre meia dúzia de vinte ou trinta que aparecem sem o ingresso. O clube também combinou com as autoridades locais um ponto de encontro e via de deslocamento até o estádio David Arellano, onde será realizado o jogo contra o Colo Colo.
Pequenos detalhes e cuidados que são, também, marketing em sua mais pura forma: atendimento ao cliente.
Depois de 21 anos o Sport retorna à Copa Libertadores.
Boa sorte ao Leão.
Chelsea anuncia prejuízo de R$ 214 milhões
Esse é o valor equivalente aos 65,7 milhões de libras em perdas acumuladas no exercício financeiro que terminou em 30 de junho de 2008.
Segundo a BBC, esse valor inclui as indenizações pagas a Jose Mourinho e Avram Grant, os dois treinadores demitidos antes da chegada de Scolari, num total de 23 milhões de libras, ou R$ 75 milhões. A indenização paga a Scolari, no valor de quase 8 milhões de libras – R$ 25 milhões – não está incluída nesse prejuízo, naturalmente.
O Chelsea agora não pretende gastar um único centavo em compras de novos jogadores, pelo contrário, a intenção é só contratar se antes vender, pagando os custos de alguma aquisição. Tudo isso para começar a temporada 2009/2010 sem contar com fundos de Roman Abramovich. Essa disposição é mais um indício claro a confirmar que a situação ficou feia depois das perdas monstruosas que, comentam os operadores de mercado, teve o bilionário russo.
Apesar de tudo, esse prejuízo representa uma evolução positiva para Abramovich. Melhor seria dizer, nesse caso, uma involução nos valores perdidos, pelo terceiro ano consecutivo:
| Temporada | Perda (milhões de Libras) | Perda (milhões de Euros) | Perda (milhões de Reais) |
| 2003/2004 | £ 87.8 | € 98 | R$ 286 |
| 2004/2005 | £ 140 | € 156 | R$ 456 |
| 2005/2006 | £ 80.2 | € 89.6 | R$ 261 |
| 2006/2007 | £ 74.8 | € 83.5 | R$ 244 |
| 2007/2008 | £ 65.7 | € 73.4 | R$ 214 |
O total acumulado chega agora a £ 448.5 milhões, equivalentes a € 501 milhões ou ainda R$ 1,5 bilhão.
Haja fôlego.
Ou, por que não perguntar, até quando e quanto durará o fôlego de Abramovich?
Aparentemente, o fôlego de clubes médios da Europa Ocidental já começa a ratear. Também.
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