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Patrocínios aqui e além-mar – III – Comparando Brasil e Europa

sáb, 13/02/10
por Emerson Gonçalves |

Nos últimos dias os torcedores do Corinthians e Flamengo vêm comemorando os novos patrocínios de seus clubes ainda mais que antes. Motivo: atingiram valores europeus, ainda mais depois do novo acordo Emirates/Milan. O patrocínio Hypermarcas ao Corinthians é apontado como o sexto maior do mundo.

Real ou falso?

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Há diferenças entre as práticas europeias e brasileiras. Na Europa, o patrocínio máster compreende somente a posição mais nobre do uniforme, o peito. No Brasil, o patrocinador tem as costas como brinde, uma dupla exposição, portanto.

No caso específico do Corinthians e Hypermarcas, assim como no caso do Flamengo, é preciso pôr alguns pontos em destaque na hora de comparar com os patrocínios europeus.

a) multipatrocínios – a Hypermarcas é como se fosse uma holding, uma empresa dona de outras empresas; cada uma de suas marcas ou divisões, corresponde, na prática, a uma empresa; a camisa corintiana ostenta Neoquímica, Bozzano, Avanço e Assim, respectivamente, um laboratório farmacêutico produtor de genéricos, uma marca presente em artigos cosméticos masculinos, um desodorante e um saponáceo; a empresa não divulgou e não esclareceu esse ponto quando levantei-o, mas com certeza cada uma dessas marcas/empresas responde por uma fatia do patrocínio corintiano; é como se tivéssemos 4 patrocinadores associados num pacote;

b) divisão do bolo: por contrato, cerca de 13 milhões pertencem a Ronaldo e outros 25 milhões ao clube; mesmo sendo Ronaldo jogador do clube, do qual recebe salário, não dá para desconsiderar esse fato, que de resto não ocorre com os patrocínios europeus; o mais correto, portanto, seria considerar os 25 milhões de reais, ou 9,8 milhões de euros,  que é o valor efetivamente pago ao clube pelos quatro patrocinadores em um, como o real valor do patrocínio para efeitos comparativos;

c) Flamengo/Batavo: o contrato de patrocínio do clube de futebol propriamente dito, é de 22 milhões de reais anuais, ou 8,7 milhões de euros; outros 3 milhões de reais referem-se a ações de marketing que serão definidas; ou seja, se não houver ações de marketing acertadas com o patrocinador, o clube não receberá; logo, para efeitos comparativos, o correto é trabalhar com o dinheiro que é do clube, chova ou faça sol, com ou sem ações de marketing: 22 milhões de reais anuais;

d) mangas, axilas, calções, barras das camisas: esses patrocínios secundários são interessantes para os clubes brasileiros e devem mesmo ser feitos (eu, pessoalmente, tenho restrições fortes às axilas, calções e barras das camisas), mas descaracterizam os uniformes (um pouco menos o patrocínio nas mangas); também não vejo sentido em somá-los ao patrocínio máster na hora de fazer comparações, em especial com clubes europeus.

Agora, com licença, pois acabou de nascer Pierrô, o mais novo habitante do Sítio das Macaúbas, filho da Luna com o Minuto. E tal como previu o Zé Divino, meu retireiro, a Luna esperou a mudança de lua para parir. Se bem que eu acho que ela esperou mesmo foi o Carnaval.

Bom Carnaval para todos.

E, senhores, por favor, não peguem pesado nos comentários, são apenas opiniões e elas nada têm a ver com preferências clubísticas, simpatias e antipatias. Divirtam-se, mas com moderação.

Futebol profissional, direções amadoras

sáb, 30/01/10
por Emerson Gonçalves |

Corinthians x Palmeiras, o Derby, um dos mais tradicionais clássicos do futebol paulista e brasileiro será disputado domingo, no Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, com previsão de lotação quase total. Da carga total de 35.000 ingressos, mais de 23.000 já tinham sido vendidos até a noite de quinta-feira.  A lotação quase completa fica por conta dos preços cobrados pelos lugares “Vips”: 100 reais nos descobertos e 180 nos cobertos. Considerando a presença da “meia entrada” (curiosamente, o pessoal que paga metade assiste ao jogo inteiro…), pode-se chegar a uma renda de um milhão e trezentos, um milhão e quatrocentos mil reais, brutos. Descontos efetuados, como os dois clubes concordaram em repartir a renda igualmente, cada qual levará quinhentos mil reais ou pouco  menos que isso para casa.

Do lado palmeirense, um bom dinheiro, mas insuficiente para fazer cócegas na situação financeira do clube, que fechou 2009 com razoável déficit (a ser confirmado pelo balanço, cuja aprovação transformou-se em verdadeira batalha).

Do lado corintiano, um bom dinheiro, mas insuficiente para pagar um mês de salário de Ronaldo ou mesmo de Roberto Carlos, sem fazer cócegas, igualmente, na dívida do clube que, se não cresceu em 2009, tampouco diminuiu, permanecendo, na melhor das hipóteses, na faixa dos cem milhões de reais.

Por sinal, esse quesito “dívidas” anda incomodando os grandes clubes paulistas. O novo presidente santista assustou-se com o volume de dívidas vencendo a curto prazo e ainda está levantando o montante. No Morumbi, onde tudo parecia sob controle, não há, aparentemente, grandes motivos para tranqüilidade. Pelo menos a dar-se crédito a levantamento da Casual Auditores, que apontava para o clube uma dívida na faixa de 140 milhões de reais. Em conversa a respeito com o diretor-financeiro do clube, o Dr. Osvaldo Vieira de Abreu, ele disse-me que o pessoal misturou números do passivo e que a situação segue sob controle, inclusive com o balanço 2009 fechando novamente no azul. Independentemente disso, o clube precisou correr atrás de dinheiro durante o ano que passou.

Voltando ao Derby de amanhã: esse jogo clássico volta ao Pacaembu depois de uma década de ausência. Nesse ano de 2010, considerando somente o Campeonato Brasileiro, teremos mais duas partidas entre essas equipes. Dependendo dos resultados no Paulista, poderemos ter outras duas. Todas elas, por acordo entre as duas diretorias, serão jogadas no velho, bonito (apesar do grotesco “Tobogã”) e aconchegante Paulo Machado de Carvalho. Até o final do ano, 175.000 torcedores poderão ver Corinthians x Palmeiras e Palmeiras x Corinthians.

Isso daria uma renda acumulada para as cinco partidas de sete milhões de reais, considerando a venda total de 35.000 ingressos por jogo, e um ticket médio de 40 reais, um número bastante generoso, diga-se, justamente pela existência das meias-entradas.

A esses sete milhões brutos, corresponde uma receita líquida, também projetada para o alto, pouco superior a cinco milhões de reais, considerando que as despesas totais fiquem num patamar próximo de 25%, resultando, portanto, em 500.000 reais para cada clube, por partida. Dois e meio milhões de reais para cada um no total dos cinco possíveis jogos.

Considerando o mesmo ticket médio de 40 reais por partida e uma lotação incompleta de 60.000 pessoas para o Estádio do Morumbi (com capacidade para pouco mais de 70.000 pessoas e 68.000 para clássicos, de acordo com a Polícia Militar), teríamos uma arrecadação de doze milhões de reais nas cinco partidas. Considerando uma despesa superior à do Pacaembu, algo como 30%, restaria um líquido de oito e meio milhões de reais, rendendo, portanto, mais de quatro milhões de reais para cada clube. Uma receita pelo menos 40% maior do que jogando no Pacaembu.

Se o futebol é profissional, e ele é, fica difícil entender, no domínio da razão, o porquê dessa picuinha do presidente corintiano não querer jogar no Morumbi, mantendo todos os seus jogos no Pacaembu e deixando de arrecadar um bom dinheiro. Picuinha que, segundo se comenta há um bom tempo, encontra oposição dentro do Parque São Jorge, justamente por parte de quem tem a incumbência de gerar recursos para pagar as contas do centenário. Contas estouradas, como admitiu ontem Andrés Sanches.

A mesma colocação é válida para a Sociedade Esportiva Palmeiras. Nessa semana, depois da já comentada guerra interna, as contas de 2009 foram aprovadas. Segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, dos 138 votos favoráveis à aprovação, 107 foram de conselheiros que são, também, diretores do clube. Fica claro que todo reforço de caixa é necessário nesse momento.

Voltando ao Corinthians: o grande objetivo do ano é a conquista da Copa Libertadores. Os jogos da primeira fase já estão marcados para o Pacaembu e boa parte dos ingressos já foi comercializada. A questão que se discute intramuros é onde mandar os jogos das fases eliminatórias da Copa. Também no Pacaembu? Nesse caso, a renúncia financeira será de porte ainda maior que essa exposta mais acima. Apenas para lembrar, na decisão de 2006, há três anos, portanto, o São Paulo teve uma renda de três milhões de reais. Não é irreal pensar que, chegando à final, o Sport Club Corinthians Paulista poderia faturar de doze a quinze milhões de reais nos 4 jogos eliminatórios. Mesmo que não negocie nada e pague um aluguel alto, ainda assim ficariam no caixa de nove a onze milhões de reais, contra a metade ou menos para os mesmos jogos no Pacaembu.

Naturalmente, ambas as direções darão inúmeros motivos para jogar no Pacaembu e não no Morumbi. Desculpem, mas não perderei tempo falando disso.

Fica difícil imaginar administradores profissionais no futebol brasileiro, como está propondo o Internacional. Eu, aqui do meu cantinho, duvido muito que esse tipo de gestão venha a ser implantado a curto prazo. Continuaremos com torcedores investidos nos cargos de presidente, vice, diretores diversos.

Perdendo dinheiro do clube ou deixando de ganhar dinheiro para o clube, em suma, o amadorismo na direção do profissional.


Depois da bola, o campeonato dos patrocínios e o G4 Paulista

qua, 09/12/09
por Emerson Gonçalves |


O futebol acabou, por enquanto, pelo menos aqui em Pindorama, com os boleiros em férias. Nos bastidores, entretanto, um novo campeonato começa a chegar na sua reta final: o dos patrocínios. E isso é absolutamente verdadeiro para os clubes com as três maiores torcidas: Flamengo, Corinthians e São Paulo. Todos eles têm seus atuais contratos terminando dia 31 de dezembro próximo. Vamos a um rápido apanhado do que está rolando por eles. Antes, porém, o G4.

Foi assinado o acordo com a FEMSA (Coca-Cola), depois de disputa com a AMBEV, que saiu na frente. Porém, como a FEMSA já tinha contratos com Corinthians e São Paulo, entrou no circuito e acabou levando. Estará presente nos quatro estádios – Morumbi, Pacaembu, Palestra e Vila Belmiro – com placas e publicidade. E, mais importante, lançará bebidas com as marcas dos clubes, que receberão royalties de acordo com as vendas.

Sacramentando o acordo, dez milhões de reais que serão fraternalmente divididos entre os co-irmãos.

Mais importante que isso, todavia, é o espírito por trás desse acordo e desse grupo, e a vontade de levar tranquilidade e paz aos estádios. Futebol é uma coisa maravilhosa, mas é um lazer, somente isso. Tem que ser diversão e não motivo de guerras e sofrimentos por perdas ou ferimentos. O futebol só pode admitir o sofrimento pela derrota, curto e passageiro, que ensina para a vida. Em linha com essas intenções, o Padre Marcelo Rossi participou do evento. Que corintianos, palmeirenses, santistas e são-paulinos comprem essa ideia e assumam esse espírito de mais cordialidade.

Flamengo

Em situação tranqüila para 2010, graças ao título e, sobretudo, pela participação na Copa Libertadores. Mesmo sem os dois já era uma camisa extremamente atraente, afinal, é a que mais torcedores tem no Brasil, também conhecido por Pindorama, a Terra das Palmeiras. Do Palmeiras, porém, não há o que falar, pois o casamento com a Samsung está firme e forte e não há novidades para 2010.

Na Gávea, porém, volta-se a falar em Petrobras e BR. Isso porque medida judicial derrubou a obrigatoriedade das CNDs – Certidões Negativas de Débito – para o clube receber dinheiro de patrocínio. Os comentários apontam para o valor de 24 milhões de reais por ano e mais 6 milhões pelas mangas, num total de apreciáveis 30 milhões de reais por ano.

Os números são bonitos, mas não acredito que o mercado pague tais montantes. Um número bastante razoável para o patrocínio máster, pelo que ouvi e também pelo que avalio, é de 20 milhões pelo patrocínio máster e mais 4 milhões pela presença nas mangas, fazendo um respeitável pacote de dois milhões de reais por mês, vinte e quatro por ano.

BR, novamente?

Petrobras novamente?

(Mesmo com medida judicial não gosto muito de estatais patrocinando equipes profissionais, é sempre um risco, pois ao fim e ao cabo quem garante que a obrigatoriedade não volta?)

Renovação pura e simples com a Ale?

Ou, quem sabe, um novo personagem?

Mais a respeito no próximo bloco.

Corinthians

A direção corintiana está encontrando dificuldades para o patrocínio do time no ano do centenário. A pedida pelo patrocínio máster é alta: 27 milhões de reais. Interessados existem, mas o valor assusta.

Creio, também, que os profissionais da área não estão muito satisfeitos com a proliferação de marcas na camisa corintiana.

Talvez por tudo isso, a Batavo está reticente com a renovação e, segundo ouvi, lançou mais que simples olhares para a Gávea, território, como todos sabem, do Campeão Brasileiro de 2009.

É bom que se diga que essa é uma época de muitos flertes, como sempre, para poucos casamentos.

São Paulo

No Morumbi é muito provável a renovação com a LG, que já patrocina o clube desde 2001. O atual contrato, no valor de 15 milhões de reais, termina nesse mês e a empresa coreana tem prazo até 15 de janeiro para exercer a preferência. A esse valor somam-se pouco mais de três milhões, referentes à participação de uma subsidiária da LG nas mangas do uniforme. A expectativa no Morumbi é por uma renovação por valores bem maiores. Entretanto, acredito que um bom contrato deverá levar para o Morumbi algo como 21 a 22 milhões anuais.

As próximas semanas serão como no futebol com relação às contratações: cheias de informações e “informações”.

Nem tanto ao ceu… nem tanto à terra.

qui, 26/11/09
por Emerson Gonçalves |

Não queria tocar nesse assunto, mas creio que tenho a obrigação moral de fazê-lo, especialmente depois de ter feito as críticas que fiz ao Prof. Luiz Gonzaga Belluzzo.


O presidente do Palmeiras foi a uma festa de uma torcida organizada.

Clima de festa, ainda mais com o time na liderança, descontração total.

Convidado a falar, pegou o microfone e, no meio do discurso, no entusiasmo do momento, soltou a frase “Vamos matar os bambi”.


Uau!

O mundo vai acabar?

Nem tanto, nem tanto.


Confesso que minha primeira reação foi de desagrado, mas depois de ver o vídeo que circula na internet, cheguei à conclusão óbvia: bobagem.

Nada diferente de um dirigente são-paulino falando “Vamos ter porco no espeto” ou um corintiano dizendo “Vamos fritar os peixes”.

Não ouvi e não sei de nenhum dirigente desses clubes falando essas frases, mas não é impossível que tenham dito.

Porque há lugares e lugares, momentos e momentos e não dá para ficar patrulhando tudo, todos, o tempo todo, mesmo que seja o presidente de um clube de futebol.

Haja… paciência!

Vou mais longe: mesmo que seja o presidente da República, que, sabidamente, fala com muita, digamos, desenvoltura, em situações privadas e fora do exercício formal de sua função.

Critiquei o Professor Belluzzo no episódio Simon. Não mudo uma vírgula e sua suspensão pelo tribunal foi correta, justa e necessária. Nesse caso, entretanto, não há o que ficar criticando, na minha opinião. Porque, como disse, há momentos e momentos, situações e situações, e temos que ter um pouco de equilíbrio e tolerância, não cairmos em extremos. Nem tanto ao mar ou ao ceu, nem tanto à terra.

O Professor Belluzzo falou, entusiasmado, numa festa. Espero que isso não lhe cause mais constrangimentos do que já está causando e espero que o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, tenha essa mesma compreensão. Ponto.


Só tem uma coisa nessa história toda: não gostei de ver o presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras numa festa de uma organizada que é, como as suas rivais dos outros clubes, notória por causar problemas. Assim como seus dirigentes.

Isso não ocorre só no Palmeiras.

Ainda agora, o presidente do Sport Club Corinthians Paulista liberou verba do clube para algumas torcidas organizadas. O motivo, oficial, é colaborar com as despesas para os desfiles do Carnaval.

Ok, me engana que eu gosto, sabendo o peso que essas organizadas têm no clube, ainda mais em ano pré-eleitoral. E, sei lá, como o presidente corintiano filiou-se recentemente a um partido político…

Dirigentes de clubes, direta ou indiretamente, incentivam as organizadas e depois reclamam dos surtos de violência. E, sim, eu sei que tem muita gente boa nas organizadas, há anos digo que elas representam um movimento social legítimo, autêntico, mas nem por isso deixam de ter membros que não passam de marginais e membros que adoram, doentiamente, a violência, e estimulam-na. Curiosamente, mas não por coincidência, justamente pessoas desse tipo costumam liderar e dirigir.

A meu ver, a única crítica cabível ao presidente Belluzzo nesse episódio é a sua presença, a presença do presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras numa festa de “organizados”.

De resto, patrulhamento excessivo e crise aguda de “politicismo correto”.

Haja paciência, e muita.

Nem tanto ao ceu…

… nem tanto à  terra.

Quando a impunidade reina

ter, 29/09/09
por Emerson Gonçalves |

Fiquei surpreso, pois realmente esperava um São Paulo x Corinthians tranquilo nesse domingo e jamais passou por minha cabeça que pedras fossem atiradas por torcedores são-paulinos no ônibus com a delegação corintiana.

Na mesma semana em que uma bala de borracha disparada por um policial tirou a vista de um garoto de 13 anos.

Uma pedra pode ter o mesmo resultado que uma bala de borracha.

Fica claro que ninguém pensa em consequências.

Parece que o estádio e um jogo de futebol são salvo-condutos para que os instintos mais primários e selvagens venham à tona. Instintos que não devem ser chamados de selvagens, pensando bem, pois os animais ditos selvagens não se comportam irracionalmente como o fazem muitos humanos.


A única coisa a dizer é repetir o que vem sendo dito há muito por quem pensa a respeito: é preciso punir os marginais. É preciso acabar com o salvo-conduto que permite a marginais atirarem pedras, provocarem brigas, jogarem bombas, atacarem pessoas vestindo a camisa de um time que não seja o mesmo do gosto dos marginais.

Esqueçam, por favor, os discursos bonitos e bem-intencionados sobre as causas da violência estarem na vida sofrida, no capitalismo explorador, na injustiça da distribuição da renda brasileira, etc, etc.

Há limites.

Que só serão respeitados com punição efetiva, real, dura.


Quando a direção é irresponsável

Como está dito em meu perfil, sou produtor de vídeo. Já fiz inúmeros vídeos comemorativos e institucionais e sei por experiência muitas vezes repetida que nenhuma instituição contrata e paga por um vídeo para ser usado num grande evento sem que sua direção saiba detalhadamente o que está sendo feito e como está sendo feito.

Por isso mesmo, foi muito grave a ofensa cometida pela direção do Sport Club Corinthians Paulista ao São Paulo FC no jantar de comemoração de seu centenário, ao representar o clube com a figura de um “bambi”.

A declaração do presidente Andrés Sanches ao subir ao palco para pedir desculpas e dizer que não conhecia o teor do vídeo é mentirosa ou prova de irresponsabilidade administrativa. Pela descrição dos presentes ao jantar, entretanto, foi grande a diversão e foi grande a ovação quando o presidente terminou seu pedido de desculpas dizendo que até o fim de seu mandato seu time não voltará a jogar no estádio do adversário.


O que mais me impressionou nesse caso não foi o comportamento do presidente corintiano, nem um pouco surpreendente, e sim a omissão de seu vice-presidente de marketing.

Esse clima não é salutar para ninguém, principalmente para o futebol.

Não por coincidência, a boa convivência entre as direções de Palmeiras e São Paulo refletiu-se na tranqüilidade que cercou o último jogo entre os dois times.


(Sim, eu sei, esse foi mais um post paulista. Basta, entretanto, mudar os nomes dos protagonistas e ele aplica-se a todo o país.

Gostaria, sinceramente, de não tê-lo escrito, prefiro falar sobre coisas mais agradáveis, como criticar a CBF por tirar os astros de campo, além dos garotos sub 20, titulares em suas equipes.)

Ficar custa caro

sex, 04/09/09
por Emerson Gonçalves |


Os comentários no Morumbi indicam que o “fico” não sairá barato para o São Paulo. Eu, particularmente, tenho certeza disso, inda mais depois das declarações do jogador, já integrado à Sel…, ops, ao time da CBF. Miranda é inteligente e preparado, fala pouco, quando o faz não diz bobagem, muito pelo contrário. Sua declaração dizendo que perdeu muito com a não transferência tem endereço certo e significado mais certo ainda.


Se não há dúvidas quanto ao destinatário da mensagem, pode haver uma dúvida sobre seu conteúdo prático: ele quer aumento de salário.

Não acredito, nisso, porém. Justamente por ser inteligente e ter visão presente e futura, Miranda deverá pressionar o presidente do São Paulo por um “agrado” mais ao seu gosto, um aumento na participação sobre seus direitos econômicos. Hoje, ele é dono de 20% desses direitos, cabendo outros 20% ao seu ex-time, o francês Sochaux, e os outros 60% são do São Paulo. Fatiar os direitos econômicos foi a saída mais em conta e viável para manter o jogador no clube. Os franceses ficaram satisfeitos, pois, afinal, se o Wolfsburg está muito longe de ser um timinho, como disse um diretor são-paulino, o Sochaux é mesmo um clube muito pequeno e pouco importante na ordem das coisas futebolísticas. Jogando no São Paulo e ainda mais sendo convocado pela CBF, sua valorização foi muito maior do que se ficasse na França.

Um “agrado” de 5% não me surpreenderá. Mas tampouco ficarei surpreso se a direção engrossar e mantiver* tudo como está (texto corrigido). Excelente profissional, o atleta cumprirá seu contrato como manda o figurino, até porque 2010 e África do Sul estão aí, mas o clube terá um atleta importante insatisfeito e que forçará sua saída na próxima janela. Custe o que custar.


Como disse outras vezes, inclusive no post anterior, o balanço 2009 do São Paulo será interessante, não só pelos aumentos de custos, mas também e principalmente, pela não negociação de jogadores, exceção feita a Eduardo Costa (esse sim, que grande achado!). Em 2008, na undécima hora do ano, a entrada de recursos via Lei de Incentivo ao Esporte permitiu ao clube um balanço azul, embora vermelhão no operacional (isso, claro, na minha visão do que seja receita operacional, que difere um pouco de outras).



Enquanto isso, do outro lado do muro…



Para quem não é de São Paulo: os CTs do Palmeiras e São Paulo são vizinhos, separados tão somente por um muro. Se um treinador falar muito alto no campo mais próximo ao muro, o outro lado ouvirá tudo. Por isso mesmo, atividades próximas ao Muro só mesmo recreativas.


Bem, como dizia, do outro lado do muro os diversos “ficos” tiveram seus custos, como este Olhar Crônico Esportivo alertou desde o início. Segundo nota da coluna Painel (muito criticada por torcedores de Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo – o que é prova de sua qualidade), da Folha, oito jogadores tiveram seus salários aumentados nesse período, e não somente quatro como alguns diretores do clube falaram. Essa informação tem origem na reunião do Conselho de Orientação Fiscal.

O déficit do mês de julho foi de 2,6 milhões de reais, e o acumulado no ano já chega a 15 milhões de reais. Para manter tudo rolando em ordem, a direção, repetindo 2008, 2007, 2006… pegou empréstimos. Um deles, junto ao BIC Banco, no total de 7 milhões de reais. A conta dos juros bateu em 1,3 milhão de reais e a dívida acumulada, fora os valores da Timemania, chega aos 45 milhões de reais. Tudo isso antes de Vagner Love.



Trio de Ferro endividado



Embora as informações sejam poucas, informações que sejam plenamente dignas de crédito, estou certo que 2008 terminará com o Trio de Ferro altamente endividado, como em nenhum momento antes, creio eu, considerando, é claro, o conjunto dos 3 grandes clubes paulistanos.


A situação por trás dos muros do Parque São Jorge embora mais animadora e otimista, já que 2010 é o ano do Centenário e de inúmeras promoções que rechearão os cofres alvinegros, também demanda cuidados, muitos cuidados. Apesar do otimismo e dos excelentes resultados em campo, os números da dívida cresceram. Há que se considerar, também, que adiantamentos diversos foram realizados em 2009, inclusive de patrocinadores, conforme comentários de dentro da Fazendinha. Isso, naturalmente, irá impactar negativamente receitas futuras, talvez já em 2010.


Em 31 de julho último, as dívidas do clube, fora os débitos negociados via Timemania, eram de 46,7 milhões de reais. Nessa data, as receitas com as transferências de André Santos, Douglas e Cristian já haviam sido contabilizadas.

Graças às artes e manhas de seus gestores, os torcedores dos grandes clubes paulistanos terão um 2010 emocionante. Talvez até dentro das quatro linhas, também. Estou curioso e ansioso desde já.

A bola pune… E premia

sáb, 29/08/09
por Emerson Gonçalves |


Pune mesmo, assim como premia.

Clube

Valor

Variação %

Flamengo

15,6 Milhões

-9

Corinthians

14,7 Milhões

+22

Palmeiras

11,1 Milhões

+9

São Paulo

9,9 Milhões

-13

Corinthians e Palmeiras foram premiados, enquanto Flamengo e São Paulo foram punidos por seus próprios torcedores, que debandaram do PPV, enquanto corintianos, principalmente, e palmeirenses afluíram em grande volume.


Esses números mostram a participação dos quatro clubes na distribuição do dinheiro das vendas dos pacotes PPV do Campeonato Brasileiro nesse primeiro semestre, e foram divulgados ontem, em reunião do Clube dos 13.


(Informações divulgadas pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, somente com esses clubes e valores.)


A retração rubronegra e, principalmente, a retração são-paulina, são explicadas pelas campanhas dos times. Apesar disso, confesso-me surpreso pela perda de nove pontos percentuais na participação do Flamengo, afinal, o começo de ano da equipe não foi ruim, tendo a coisa degringolado para valer depois da saída de Ibson.


Já a retração da torcida tricolor é óbvia e era de se esperar. Aqui mesmo falei da falta de empolgação do time do São Paulo, coisa muito pior que jogar mal. Enquanto os rivais mais diretos se fortalecem, montam bons times e estes conseguem empolgar as torcidas, a direção do São Paulo, comodamente, aposta na manutenção de seu elenco (que é bom, mas é desequilibrado) e na recuperação do time, que num instantâneo feito hoje do Brasileiro tem boas condições de lutar pelo título mais uma vez. Isso, porém, é muito pouco. Apesar de algumas boas partidas e de uma excelente série de vitórias, o time continua sem empolgar, sem passar ao torcedor uma forte vontade de vê-lo jogar. Os números não mentem, esses números, pelo menos. Já o comparecimento de torcedores ao Morumbi aumentou bem, mas é aquela velha história: um grande aumento percentual sobre uma base absoluta pequena serve apenas para iludir.


Enquanto isso, o Corinthians de Ronaldo (e por enquanto de Mano) empolga, inclusive quem não é torcedor do time, mas gosta de bom futebol. Não que a equipe jogue o fino da bola, longe disso, inda mais nos tempos em que vivemos, mas como não parar para ver Ronaldo em ação? Auxiliado por uma equipe que estava bem montada e azeitada em todo o primeiro semestre, é claro, pois sozinho ninguém consegue coisa alguma.


Do outro lado do muro do CT da Barra Funda do São Paulo, o Palmeiras, agora com Muricy no comando, tinha Diego Souza crescendo jogo a jogo, ao lado de Cleiton Xavier (e ainda tem gente que só consegue enxergar bons jogadores na Europa…) e de um ressuscitado Obina, um jogador que, folclore à parte, empolga e cativa o torcedor. O Palestra de Luxemburgo e Jorginho andou jogando muito bem, jogos bonitos e gostosos de assistir. A prova está na liderança do BR. E agora terá Vagner Love, o que é promessa, quase garantia, de estádio cheio em todo jogo e maior presença ainda na compra dos pacotes PPV do BR. Essa, sim, é a melhor ferramenta para aferir o quanto o torcedor está ou não satisfeito, confiante, empolgado com seu time do coração.


(Não há contradição entre minha posição crítica ao “custo Vagner” e essa perspectiva que acabo de descrever. Aqui, trata-se de uma aposta e se ela der certo todas as críticas serão jogadas no lixo, as minhas inclusive. O que não quer dizer que estejam erradas.)


É isso aí.

Uns, a bola premia.

Outros, a bola pune.


Vender é preciso, eis a questão

qua, 12/08/09
por Emerson Gonçalves |


Em algum lugar da Europa*, Andrés Sanchez foi questionado pelo repórter a respeito da venda dos direitos federativos de Douglas, Cristian e André Santos. Sua resposta, autêntica e verdadeira, é exemplar:


“Não havia como segurá-los. Eles foram para ganhar muito mais, e vendi dois jogadores que não eram jovens e um [Douglas] que era vaiado pela torcida todo jogo.”


Primeiro fator pró-venda: os jogadores foram ganhar muito mais do que lhes pagava o Corinthians e do que poderia pagar qualquer outro clube brasileiro.

Segundo fator pró-venda: dois deles já não eram jovens. Ou seja, os próprios jogadores e, principalmente, suas famílias, pressionam por uma lucrativa transferência para o exterior, pois, afinal, o tempo é implacável e absolutamente inelástico.

Terceiro fator pró-venda: um dos jogadores, como soi acontecer com torcidas brasileiras, jamais caiu nas boas graças dos torcedores. O caso de Douglas não é único, assim como tampouco são únicos os torcedores corintianos, Leo Moura que o diga.

Esses três são os fatores aparentes e listados pelo presidente corintiano. Há outros. O mais forte deles, sem dúvida, o acerto feito com o São Caetano e seu presidente. Douglas foi para o Parque São Jorge por um valor baixo, mas com o compromisso tácito e contratual, de liberação para o exterior tão logo surgisse boa proposta. Pelo que sei de Nairo Ferreira, presidente do São Caetano, não duvido nem um pouco que o contrato contenha uma cláusula que forçaria o Corinthians a comprar os direitos em poder do Azulão num prazo determinado.

Sobre os outros dois falam em pressão de empresários e coisa e tal. Pode ser, pode não ser, a crença no sim ou não fica ao gosto do freguês.

Quarto e poderosíssimo fator pró-venda, também exposto por Sanchez, explícita e implicitamente: o clube tem necessidade urgente e grande de fazer caixa. Precisa de dinheiro, não só para os compromissos correntes como para os encargos da dívida que ultrapassa o valor de 100 milhões de reais. Uma dívida administrável e, aparentemente, dentro dos eixos e das possibilidades do clube, mas que, assim mesmo, existe e exige mês a mês desembolsos variados e pesados para o orçamento.


Por que Zezé Perrella negocia seus jogadores?

Porque precisa.

Assim como precisou Sanchez e como precisou o Internacional e como precisa o São Paulo e precisam todos os demais. Esse é o fato. O que deu origem a ele, se é do passado ou se é do presente, se a direção tem culpa por isso ou não, é uma outra história, uma outra discussão.

É claro que o caos administrativo de muitos clubes contribui e força a necessidade de vender, entretanto, mesmo os não muito caóticos têm também suas necessidades. Em muitos casos, diria que na maioria, não adianta culpar o dirigente, pois ele, ou melhor, o clube, não teria como segurar o jogador.  A menos, é claro, que pela força de contrato vigente. Nesse caso, o jogador fica sem tugir nem mugir. Mas… (e esse é um “mas” poderoso), renderá o que um jogador insatisfeito? Que viu nas mãos maços e maços de verdes células esvaírem-se em fumaça e nela seu próprio futuro e o de sua família? Renderá nada ou perto disso e, provavelmente, será um foco de insatisfação dentro do elenco. Há exceções, claro, cujo maior valor é justamente confirmarem a regra.

Em função de nossa estrutura social e nossa distribuição de renda e benesses associadas (educação, saúde, alimentação, conforto e outras coisinhas), a maior parte de nossos jogadores sustenta uma pequena multidão, pessoas que dependem do “craque” da família para sobreviver com um mínimo de dignidade. Dado que a carreira é curta demais e mais curto ainda o tempo que permite ganhar bons salários, não vá uma contusão grave acabar com tudo, jogadores e seus familiares sabem muito bem o quão importante é ganhar hoje o dinheiro possível hoje.

E raramente uma direção pode resistir e segurar o atleta


A “Decisão Belluzzo”

Quando escrevi sobre a decisão de Belluzzo de segurar o elenco até o fim do ano, fui criticado por muitos palmeirenses, alguns de uma forma tão grosseira e ofensiva que não restou outra alternativa a não ser deletar os comentários. Queriam, querem ainda, que eu elogie o presidente palmeirense.

Ora, eu não escrevo para elogiar ou criticar, embora faça uma coisa e outra com freqüência. Escrevo, ainda mais num caso como esse, para tentar entender e explanar sobre o que há por trás e o que pode ocorrer a partir daí. Sua chegada à presidência do Palmeiras foi saudada como um sopro de renovação e a entrada em cena de alguém que, mais que civilizado, é um intelectual de respeito. Isso não se discute, é verdadeiro, mas há que ter em mente que as crenças, práticas, opiniões e visão de mundo do Prof. Belluzzo não são a verdade absoluta e delas discordar é direito pleno.


Sua decisão cai em cheio no gosto e atende aos sonhos de todo torcedor.

Qual corintiano não gostaria que Sanchez tivesse dito o mesmo? Ou Piffero, Dumbrosck, Juvêncio, Perrella, Kalil…

Se tudo correr bem, o Palmeiras terminará o ano com seu atual elenco, com grandes chances de conquistar o título brasileiro, ao qual é hoje o maior favorito, não só na minha opinião, mas de uma forma geral. Campeão ou não, entretanto, o clube terá que arcar com o custo dessa decisão, que não será baixo – e a renovação de Pierre é o peso menor nessa conta.

Além disso, escrevi sobre a oportunidade que o Prof. Belluzzo viu e aproveitou, ágil e espertamente (e isso é um elogio, aviso aos xiitas de plantão). O cenário, por alguns dias, estava propício a isso. Tal como aquelas bolas que passam em frente ao gol e parecem pedir “me chuta, me chuta, me chuta”. Às vezes aparece um atacante com faro de gol, chuta e marca. Foi o que fez Belluzzo.


O caso Emerson

Falo do atacante do Flamengo, claro. Não estou com essa bola toda para merecer um “caso”.

Bom atacante, encaixou no Flamengo instituição e encaixou no Flamengo time. Em tese, o melhor dos mundos. E era, até que surgiu a proposta árabe. Para sorte desse Emerson de que falamos, ele já ganhou um bom dinheiro, parece estar meio resolvido sob esse aspecto. Flamenguista, seu sonho era jogar no clube do coração, tal como Adriano, esse sim, muito bem resolvido financeiramente.

Mas surgiu a proposta das arábias. E o Flamengo, apesar da situação financeira que conhecemos, disse não.

Esse não foi positivo, uma vez que o dinheiro oferecido era pouco e, certamente, seria melhor apostar na manutenção do atleta e nos ganhos possíveis que o time poderá trazer, time no qual ele é peça fundamental.

Mas os árabes melhoraram a proposta.

Ainda assim a resposta foi não, afinal, o dinheiro já começa a ficar interessante, mas…

Pombas, o que dirão torcedores e oposição ainda com a “decisão Belluzzo” na cabeça? E olha o Prof. Belluzzo novamente no texto.

Um outro porém pode surgir no horizonte: o próprio atleta disse acreditar que os árabes melhorarão a proposta. E então, que fazer?

Se a proposta for melhorada e bater ou ultrapassar 5 milhões de reais limpos para o Flamengo, a decisão, na minha opinião, deve ser uma só: vender.

Porque nesse caso teremos dinheiro de verdade na parada, suficiente para uma certa tranqüilidade no clube. E se o jogador é importante para o bom desempenho da equipe em campo, salários em dia e cabeças tranquilas são mais importantes ainda.


Finalizando, volto ao título, mas pela metade: Vender é preciso.

Triste? Claro que sim, mas verdadeiro.

* Tallinn, capital da Estônia, pequena república do norte da Europa, que fazia parte do colar báltico da URSS ao lado de suas parceiras Letônia e Lituânia. Por razões que ignoro, o time da CBF, também conhecido por seleção brasileira, vai jogar lá.

Uma leitura educativa

qua, 29/07/09
por Emerson Gonçalves |



Recomendo a torcedores de todos os clubes a leitura da matéria do portal GloboEsporte sobre a venda de Cristian e a quantia que o Flamengo deixou de ganhar: “Corinthians usa ‘malandragem’, e Fla perde R$ 3 mi na venda de Cristian”. Para ler, clique aqui. Vai lá, leia e depois volte aqui.

O objetivo aqui não é fornecer material para criticar um clube ou outro. O que pretendo com isto é mostrar a posição de fragilidade em que fica um clube com dívidas acumuladas, batendo na porta, literalmente. Em situação normal, o correto seria o Flamengo simplesmente colocar esse crédito no balanço e aguardar por seu pagamento integral. Não há aplicação honesta que renda um terço dessa diferença nesse período. Aliás, se houver uma aplicação honesta e segura, plenamente legal e legítima, por favor, avisem-me. Vendo uma vaquinha por dois “contos” e aplico no ato.

A situação do Clube de Regatas do Flamengo, entretanto, está longe de ser normal. Logo, como diz a matéria, a cúpula diretiva do clube aprovou o negócio e a perda de 3 milhões de reais.

E digo eu cá do meu cantinho: no que fez muito bem. Um velho amigo e companheiro de militância, advogado trabalhista e defensor exclusivamente de trabalhadores, disse-me certa feita:

“Companheiro, mais vale um péssimo acordo que uma ótima demanda.”

Esse era o conselho que ele dava aos seus clientes nas disputas trabalhistas que chegavam à justiça. Por que? Simples: de maneira geral, uma empresa tem melhores condições de resistir à longa duração de um processo com demandas daqui e dali, e isso e aquilo e tal e coisa. Já o trabalhador, em especial o de baixa renda, depende do salário de hoje para a comida de amanhã. Na prática, depende do salário de hoje para a comida de anteontem. Portanto, ao trabalhador é, de maneira geral, mais interessante aceitar um acordo, ainda que ruim, do que ficar brigando por anos e anos numa demanda, ainda que líquida e certa.

Ao Flamengo, assim como à quase totalidade dos clubes brasileiros, interessa muito mais um acordo ruim hoje do que ficar esperando pelo dinheiro dois anos. Mesmo porque, se bobear, com esse dinheiro o clube pode chamar um credor e fazer com ele o mesmo que sofreu do “co-irmão”.

Esta é a realidade, sem charme, sem lantejoulas, nua e crua, simplesmente.

Isto posto, imaginem agora esse clube e todos os outros, negociando cada um por si a venda de seus direitos de transmissão pela TV. Será simplesmente massacrado, um de cada vez, pois atrás da porta da sala de reuniões há sempre uma fila de credores botando pressão, sem falar nos compromissos correntes.

Ou imaginem qualquer outro clube diante do empresário e do agente FIFA negociando os direitos de um jogador. Não há como resistir de fato. Por isto mesmo o São Paulo venderá Hernanes por quaisquer dez milhões de euros ou até um pouco menos, e ainda agradecerá aos céus. Por isto o presidente do Internacional disse, a respeito da venda de Nilmar, que o valor conseguido não foi o que era desejado. Também por isto Andrés Sanchez desmanchou o time montado por Mano Menezes, inapelavelmente.

A realidade é nua, crua, chata, desagradável e forte, muito forte.

Diante dela não há bravata que resista. Nem ilusão.

Essa excelente matéria retrata com fidelidade o futebol brasileiro fora das quatro linhas.

Falando em patrocínios…

ter, 02/06/09
por Emerson Gonçalves |



Expectativa no Olímpico


Atual vice-campeão brasileiro e dono da melhor campanha na fase de grupos da Copa Santander Libertadores, o Grêmio está envolvido em outra disputa nesse momento, só que nos bastidores: a renovação do contrato de patrocínio do Banrisul ou a assinatura de acordo com um novo patrocinador.

Termina hoje o atual contrato com o banco do governo do Rio Grande do Sul, que também patrocina o rival Internacional.

Segundo o vice-presidente de marketing do Grêmio, Cesar Pacheco, o banco tem um período de preferência de 30 dias, até 2 de julho, portanto, para renovar ou para exercer seu direito de preferência no caso de outra proposta. Nesse período, caso haja uma proposta oficial de patrocínio, o clube tem a obrigação de informá-la ao atual patrocinador, que poderá então cobri-la, exercendo seu direito, ou não, abrindo mão do mesmo.

A expectativa no clube nesse momento, disse Cesar Pacheco, é pela proposta que o Banrisul prometeu apresentar para revalidar o compromisso, sem sequer exercer direito de preferência. Não foram citados valores, mesmo porque a proposta ainda não foi apresentada, mas Cesar tem certeza que o valor será bem superior ao que o banco paga até esse mês, já completamente defasado e fora da realidade de mercado para o que representa o Grêmio em termos mercadológicos. No mercado brasileiro hoje, a camisa do tricolor gaúcho é uma das mais valorizadas.


Visual confuso, bastidores também


Segundo matéria da Folha de S.Paulo, a Batavo está insatisfeira com a multiplicidade de marcas no uniforme corintiano. Embora contratualmente não tenham do que reclamar, não há como negar uma certa dose de razão à empresa que, afinal, paga 18 milhões por ano para patrocinar o clube.

Há poucos dias este Olhar Crônico Esportivo dizia, em tom de alerta, não de crítica, que os clubes precisavam tomar mais cuidados com o visual de seus uniformes. De certa forma, somos ainda muito calouros e inexperientes com essa coisa de patrocínios, visual, layout adequado à TV (praticamente ninguém se preocupa com esse “pequeno detalhe”), visualização dos números e nomes, entre outras questões ligadas, direta ou indiretamente, à sua própria imagem.

Aliás, seria interessante que a própria Batavo repensasse sua programação visual, pois a logomarca atual é antiquada e de visualização difícil nessa era de comunicação instantânea e de visualização contada em microssegundos, exagerando um pouco.  Para o meu gosto pessoal e para a minha visão como profissional dessa área, a imagem da simpática holandesinha que vem caracterizando a empresa não fica bem no uniforme de um time de futebol. Nada a ver com interpretações bobas, por favor. Simplesmente, é uma imagem que toma muito tempo para ser apreendida, pois não basta enxergar uma imagem, ela precisa ser de fato capturada e em seguida interpretada. Isso é facilitado com símbolos graficamente mais simples, com menos elementos e elementos melhor dispostos. Em minha opinião ficaria melhor pura e simplesmente o nome Batavo, nada mais.

O Corinthians ganha 2 milhões por ano com os patrocínios menores, pois o restante do valor é de Ronaldo. A Batavo paga ao clube 18 milhões, embora seu contrato esteja vinculado à presença de Ronaldo, também. Essa é a boa parte da motivação da empresa para reclamar,  inclusive com consultas a advogados a respeito do assunto.



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