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Má educação e indiferença

dom, 28/02/10
por Emerson Gonçalves |

Nos últimos dias os dois grandes jornais de São Paulo, o Estado e a Folha, publicaram excelentes matérias sobre o Campeonato Paulista, sobre a polêmica do horário das 21:50, sobre os patrocínios brasileiros e hoje Paulo Vinicius Coelho arremata com uma coluna excelente, comentando, ora vejam, a falta de educação – título de sua coluna – da confederação, entres outra coisas. PVC, como todos o conhecem, que é um dos mais brilhantes analistas de nosso futebol, ou melhor, de futebol, pois não se limita ao Brasil, botou o dedo numa ferida purulenta e que também sangra sem parar, sangra os nossos clubes.

Há alguns dias eu, como a direção santista, sua torcida e todos que acompanham o futebol brasileiro, vinha aguardando que a CBF atendesse aos pedidos do Santos e liberasse Robinho.

Nada.

Como relata PVC, o presidente Luis Álvaro começou a tentar uma resposta da confederação quando ainda estava internado, recuperando-se de um problema médico. Isso foi antes do dia 10 de fevereiro, quando deixou o hospital. A confederação, que em tese deve ser organizadora do futebol a serviço de e para os clubes, simplesmente não se dignou a responder ao pedido insistente, lógico e extremamente razoável de um de seus filiados. Ignorou-o. Má educação, como disse o colunista da Folha, mas também arrogância, prepotência, absoluta indiferença com os clubes brasileiros.

O Santos investiu pesado para repatriar Robinho. Pela ótica do treinador da confederação, o clube fez um grande favor a ele e a ela, pois Robinho é nome mais do que certo na lista dos que vão para a África do Sul tentar mais um título mundial. Na Inglaterra, o jogador definhava atlética e futebolisticamente, sequer entrando em campo para jogar e, quando o fazia, melhor teria sido ter ficado em sua casa. Seria uma cortesia e, mais que isso, o reconhecimento que o clube prestou um favor ao futebol brasileiro, e sobretudo à confederação e ao seu treinador, liberar o atleta para defender seu clube num jogo fundamental a equipe, numa competição que o clube quer e precisa vencer, como parte de seu esforço de recuperação.

Mas, nada veio. Nem a cortesia, nem o reconhecimento, nada, sequer uma resposta. Apenas a indiferença.

Cruzeiro e Flamengo também têm jogadores convocados, que também poderiam entrar em campo para defesa dos clubes que pagam seus salários. Como as tabelas marcavam jogos considerados fáceis para ambos, ninguém ficou muito preocupado com a ausência dos atletas convocados.

Os próximos anos não serão piores, serão apenas tão ruins quanto esses últimos. Ano a ano nossos clubes são desrespeitados em seus direitos mais elementares, pois a confederação, ao contrário das outras todas, não respeita as datas FIFA. Ou melhor, só as respeita em relação aos clubes estrangeiros. Aqui, na falsa terra de ninguém, posto que ela tem dono, os campeonatos prosseguem regularmente nas datas FIFA. Com ou sem jogadores convocados pela confederação para um de seus muitos times, tanto o principal como os sub alguma coisa. Há quem diga que a confederação faz um favor aos clubes quando convoca seus atletas, pois assim valoriza-os e favorece melhores transferências. Pois é, há quem diga e defenda essa posição. Pobre confederação, além de boazinha, incompreendida.

Pobre Santos, isso sim, que investiu pesado para ficar sem seu astro num jogo importante pelos pontos e pela receita. Pobres clubes…

E assim segue ela, a confederação, impávido colosso, hoje como sempre, ignorando a tudo e a todos, hoje mais ainda do que nunca, afinal, a tão desejada Copa do Mundo em terras de Pindorama está logo adiante.

O Brasil tem hoje um presidente eleito pelo povo e dois imperadores (vá lá, três, com o Adriano) absolutistas, como soi acontecer com os imperadores (Adriano, inclusive, nesse caso).

Os clubes… Bem, aos clubes resta obedecer, afinal, como também soi acontecer nos impérios, manda quem pode, obedece quem tem juízio. Principalmente quando os súditos desconhecem a força da união e colocam suas questiúnculas e rivalidades acima do bem comum.


As boas companhias

sáb, 17/10/09
por Emerson Gonçalves |

“Dize-me com quem andas e te direi quem és” – essa é clássica, é um dos ditados mais empregados… Correção: era um dos ditados mais ditos antigamente por mães, pais, avós, tios e pessoas de bom senso e experiência de vida. Hoje… Ok, deixem para lá. Mas, muito ou pouco empregado, é uma frase absolutamente verdadeira e Ricardo Teixeira, presidente da CBF, é prova disso. Se de um lado ele tem as péssimas companhias dos cartolas federativos tupiniquins, por outro ele vive ao lado de Blatter, Platini, Beckenbauer e outros menos votados, mas não menos capazes. Daqui desse Sítio das Macaúbas (e sítio para mim é uma pequena propriedade rural, enquanto um endereço de internet é site – “çaiti” -, tal como deve ser), ouvindo a galinhada, os bezerros brincando, fazendo folia, e as vacas reclamando para que o novo piquete cheio de capim novo e apetitoso seja aberto, tenho comigo que essas boas companhias inspiram Teixeira a conduzir a CBF de uma maneira bastante razoável em alguns pontos. Em outros, não, como bem sabem os leitores deste Olhar Crônico Esportivo.


E onde é razoável a CBF? Antes de entrar no assunto, é bom definir que esse adjetivo razoável está aqui empregado no sentido de aceitável pela razão, que age de forma racional, que tem bom senso, e não no sentido mais comum em que é empregado no dia-a-dia, que é o de moderado, não excessivo, aceitável, suficiente, algo que é bom, mas não excelente.


A CBF é razoável na defesa feita ontem por seu presidente do campeonato brasileiro por pontos corridos e na adequação de nosso calendário ao europeu. São duas questões em que o uso da razão indica claramente que o melhor para nosso futebol é a manutenção do formato atual de disputa e a mudança de nosso calendário. Tudo isso seria ainda melhor se acompanhado pelo fim ou por significativa redução das datas disponíveis para os campeonatos estaduais, além, é claro (e nisso a “dona” CBF não é nem um pouco razoável), da suspensão do Brasileiro nas datas FIFA.

Falando ontem à Folha, no Rio de Janeiro, Teixeira disse ter “80.000 argumentos” para defender os pontos corridos. Como, por exemplo, o fato de na última rodada do campeonato de 2008 apenas um dos dez jogos não valer mais nada em termos de conquista ou classificação para os dois times. Além disso, estamos com uma média de público de 17.000 torcedores por partida, que já é semelhante à do Campeonato Francês – está certo que não é a mais empolgante das ligas europeias, mas já é um bom referencial, mesmo porque essa média tem crescido consistentemente desde a implantação dos pontos corridos em 2003.

Há outros pontos, alguns citados por Ricardo Teixeira, como o fato do oitavo colocado ter sido o campeão de 2002, e outros não citados, mas que são fundamentais, como, por exemplo, o fato desse formato ter forçado os clubes a pensarem de fato e a implementarem um planejamento de suas atividades. Esse, por sinal, é um processo lento e complicado, não nasce pronto, tem que ser aprendido na teoria e, sobretudo, na prática, disputa após disputa, e é visível que houve avanço nessa área entre os clubes brasileiros. Como é natural, uns avançaram mais, outros menos, mas o movimento existe e seu sentido é positivo.


É aqui, na minha opinião, que pesam as boas companhias europeias. Tampouco morro de amores por esses cartolas europeus, todos eles grandes burocratas e defensores de poderes enormes para suas federações, em detrimento dos clubes, mas há que se ressaltar, elogiar e procurar aproveitar o que eles têm de bom, e o respeito às regras, a simplicidade complexa dos pontos corridos como base dos campeonatos nacionais, sem dúvida são das coisas mais importantes que podemos e devemos aprender e apreender com os europeus.


Ainda na conversa com a Folha, Teixeira reclamou dos horários dos jogos. Elogiou o horário das 19:00 e, por simples dedução, execrou o horário das 21:50. Aqui, entretanto, o bicho pega. Eu, particularmente, gosto muito do horário das 21:30, principalmente se ainda morasse em São Paulo. Ir a um estádio em São Paulo em plena hora do rush é tarefa ingrata. E já adianto: ir a qualquer um dos estádios. Pegar o trânsito paulistano entre cinco da tarde e oito da noite é um castigo e um tormento permanente. Para mim, o horário mais civilizado para se trafegar pela cidade nas noites de dias úteis é a partir de oito e meia ou nove horas. Não tenho dados estatísticos, mas um simples olhar pelas vias de acesso mostra que a maior parte dos torcedores vão aos jogos em seus carros, o que aumenta a justificativa para um horário mais adequado ao trânsito, pelo menos nos jogos na cidade de São Paulo. Mas, repito, essa é a minha opinião de paulistano e frequentador de estádios.

Para muitos, a leitura desse súbito gosto pelo horário das sete da noite e a nova defesa dos pontos corridos, é tão somente uma retaliação ao desejo manifestado pelo diretor da área de esportes da Globo de mudar o formato do Brasileiro, retornando à fórmula dos mata-mata.

Muita água ainda vai rolar sob essa ponte. Se tudo correr como deve ser, o torcedor será ouvido e tudo será discutido e negociado, entre as partes interessadas: os clubes e as emissoras. Sim, as federações também, mas quem disse que elas são partes legítimas nisso tudo?

Eu não.

De minha parte, faço votos para que Teixeira ouça mais e mais e tente seguir mais e mais seus colegas d’além-mar, ao invés de sua “tchurma” das cartolagens estaduais. Afinal, como dizia minha avó, cuidado com as companhias. Ou, dize-me com quem andas e te direi quem és.

Dunga e a definição (ainda) do BR – Parte III

ter, 13/10/09
por Emerson Gonçalves |

Na próxima rodada os astros estarão de volta às suas equipes, inclusive, ao que tudo indica, o machucado Adriano, e o Campeonato voltará, espera-se, à normalidade. A mesma que foi quebrada pelas convocações, como vocês acompanharam.

O “fator Dunga” não foi aproveitado por ninguém, e todos, exceto o Flamengo, sucumbiram a ele, uns mais, como o Palmeiras, outros menos, como o Internacional. A classificação dos seis primeiros colocados não sofreu alteração nessas duas rodadas, o que chega a ser um pouco impressionante. Por um lado, significa um campeonato duro, difícil, equilibrado. Mas, por outro, demonstra claramente a fragilidade e pouca qualidade (não gosto dessa palavra no futebol, mas, vá lá) de nossas grandes equipes.


Na rodada anterior, o Palmeiras tomou 2×0 do Avaí, em casa, mas conseguiu reagir e chegou ao empate. Ontem, no Aflitos, não teve jeito e perdeu por 3×0 para o Náutico. Tinha desfalques diversos no time, mas quem pode negar que o maior e mais importante não foi justamente Diego Souza?

O Galo perdeu para o Cruzeiro por 1×0. Se, a palavra mágica do futebol, Diego Tardelli estivesse em campo, talvez o resultado fosse diferente. Talvez, não necessariamente, mas, como no caso palmeirense, é mais que óbvio que esse outro Diego também faz uma falta enorme ao time.

No Maracanã o Flamengo engoliu o São Paulo, que pouco viu a bola durante o jogo e perdeu de virada. Petkovic compensou a ausência do Imperador e conduziu o rubronegro a uma grande vitória. Pode-se dizer que o São Paulo sentiu a falta de Miranda, mas isso foi somente um detalhe. Faltou, mesmo, foi futebol e (outra palavrinha chata e muito usada) atitude.

(Não confundir com altitude, palavrinha que é a vilã-mor do futebol tupiniquim, muito pior do que é pelo medo e pelas histórias muitas de que é cercada. Altitude é uma excelente desculpa para derrotas na Bolívia.)

Quem mais aproveitou – e não melhor – essas duas rodadas foi o Internacional, que melhorou sua colocação mas deixou escapar a vice-liderança.


Dada a combinação de resultados o “fator Dunga” pouco influiu, mas ainda poderá influir. Diego Souza queria fazer em La Paz o seu “jogo da vida”. Passou muito longe disso. Em condições normais isso poderá afetar seu rendimento na volta ao clube. Nesse caso, o “fator Dunga” agirá com efeito retardado. Todavia, caso jogue contra a Venezuela e faça uma boa partida, inteira ou em parte, poderá superar com mais facilidade a frustração do jogo de La Paz.


Independentemente dos números e da classificação, creio que tudo que ocorreu foi suficiente para mostrar que não podemos ter rodadas do BR em datas FIFA.

Não falei da contusão de Adriano por um simples motivo: ele estava defendendo a seleção num jogo oficial de Copa do Mundo (hoje, as eliminatórias são consideradas já como Copa; não concordo, mas para esse post essa ideia cai muito bem).

Estava, portanto, sujeito aos riscos do jogo. Além disso, jogar na seleção é sonho de todo jogador e foi uma das grandes razões para Adriano voltar ao futebol brasileiro. O problema não está, nunca esteve, nas convocações, e sim na manutenção dos jogos do campeonato como se tudo estivesse normal.


Enfim, vida e campeonato que seguem, mas não será nada difícil uma parte IV desse post.

E, por enquanto, rubronegros e cruzeirenses sorrindo à toa, pois já que os ponteiros deixaram, eles estão chegando. Ao título não, mas ao G4. Como já diz o nome, se dois chegam, dois saem, pois só cabem quatro. Emoções à vista, não em alto mar, mas nos gramados.


Dunga e a definição do BR – Parte II

sex, 09/10/09
por Emerson Gonçalves |


Em Teresópolis, na Granja Comary, Diego Souza, Adriano e Miranda treinam no time principal. Diego Tardelli e Sandro no time reserva. Ao lado dos dois, Kaká e Luiz Fabiano.


Kaká, Luiz Fabiano e Gilberto Silva, provavelmente sequer seguirão para La Paz, indo diretamente para Campo Grande. Motivo: poupá-los do jogo na altitude de La Paz, coisa que nossos times enfrentam corriqueiramente, sem maiores dramas, apesar de algumas ocasionais pantomimas.

Na Granja Comary, descontração

Na Granja Comary, descontração

Enquanto tudo isso acontece no róseo mundo do futebol da CBF, por aqui rolaram os jogos previstos do Campeonato Brasileiro.


No jogo do Morumbi o São Paulo empatou a duras penas com o Coritiba. Detalhe: sofreu dois gols em falhas não muito comuns da defesa.

Detalhe: o titularíssimo Miranda, como vimos, treinava em Teresópolis.


No jogo do Engenhão, o Galo, que apesar do que pensa parte de sua torcida não tem um elenco com boas alternativas, foi derrotado sem choro nem vela pelo Botafogo. Não que com Diego Tardelli em campo o resultado viesse a ser diferentes, nunca saberemos, mas sabemos que ele fez muita falta ao time que lhe paga o salário e que perdeu a chance de alcançar a vice-liderança.


Em Salvador, num daqueles jogos tão épicos quanto malucos, o Flamengo, sonhando em chegar ao G4, empatou com o Vitória em 3×3. Pode-se dizer exatamente o mesmo que foi dito para o jogo do Galo e a ausência de Tardelli.


Em Porto Alegre, o Internacional sem Sandro venceu o Náutico, na estreia de Mario Sergio, o técnico que veio para ficar 60 dias. Os colorados reclamam, ainda, a ausência de Giuliano, jogando pela sub 20.


Finalmente, no jogo do líder do campeonato, a situação ficou feia, e a vantagem ampla correu risco. O Avaí fez 2×0 e a duríssimas penas o Palmeiras empatou, já no final da partida. Enquanto isso, em Teresópolis, Diego Souza sonha, com todo o direito e justiça, em fazer o jogo da sua vida em La Paz. Com ele em campo, muito provavelmente o resultado poderia ser outro.


Não custa repetir que enquanto tudo isso acontece por aqui, em além-mar nada acontece, exceto os jogos das seleções nacionais.

Garoa, frio e mais descontração em Teresópolis

Garoa, frio e mais descontração em Teresópolis

Como o treinador brasileiro é bonzinho e os dois jogos já não têm importância, ele deixará dois jogadores-chave descansando, para sorte dos times europeus que pagam seus régios salários. Justíssimos, diga-se de passagem.


Nessa história toda, os bobos de sempre são os mesmos bobos de sempre: os clubes brasileiros.

E, por último, mas não menos importantes, muito pelo contrário, os torcedores brasileiros.

Aguardemos, agora, pela parte III dessa mini-série.


Dunga pode definir o campeão brasileiro de 2009

ter, 06/10/09
por Emerson Gonçalves |


Vou fugir um pouco ao batidão deste Olhar Crônico Esportivo, se bem que, pensando bem, será uma fuga apenas parcial.


Selecionei 6 jogos dessas duas próximas rodadas:

São Paulo x Coritiba

Botafogo x Atlético Mineiro

Palmeiras x Avaí

Flamengo x São Paulo

Botafogo x Atlético Mineiro

Náutico x Palmeiras

Como vocês puderam ver, eles reúnem os três maiores candidatos ao título desse ano: Palmeiras, São Paulo e Atlético Mineiro. Segundo os matemáticos e segundo os cronistas esportivos, são os três candidatos ao título com chances reais.

Aproveito para falar do trabalho desenvolvido por meu amigo Ricardo, flamenguista roxo (pode ser roxo?), que já definiu que a pequena Catarina, que chegará em breve, será uma rubronegra ferrenha. Quem sabe no futuro ela se encontra no Maracanã com o Lucas, o neto do Xaruto, outro rubronegro roxo? (Desculpem pela digressão e as menções a dois amigos.) O Ricardo é fera em matemática, trabalha com isso e vem desenvolvendo um sistema bastante interessante para previsões de jogos e títulos. Sujeitas, felizmente, a todas as chuvas e trovoadas possíveis, afinal, isso é futebol. De acordo com seus cálculos, essas são as chances de título, nesse momento:

Clube

Chance

Palmeiras

65%

São Paulo

13%

Atlético Mineiro

12%

Goiás

5%

Internacional

2%

Flamengo

2%

Grêmio

1%

Corinthians

1%

Outros

0

Esses três clubes, portanto, reúnem 90% das chances de título. Vamos, agora, a uma curtíssima análise de cada um dos jogos. Peço a atenção e a indulgênca de vocês para a essa análise, que levará em consideração, basicamente, somente o “fator Dunga”. Os jogos estão na ordem de data e na mesma ordem da tabela publicada por esse portal.

São Paulo x Coritiba: o tricolor paulista joga no Morumbi contra o Coritiba, sem o zagueiro Miranda. Em condições normais de pressão e temperatura, é o favorito nesse confronto, embora Marcelinho Paraíba esteja jogando muita bola e surpreenda com certa frequência.

Botafogo x Atlético Mineiro: o Galo vai ao Engenhão enfrentar um Botafogo que começa a mostrar o bom trabalho de Estevam. E vai sem Diego Tardelli, sua estrela maior. Vai, também, sem Eder Luiz e Renteria, mas aí já são outros quinhentos e essas ausências fogem ao tema desse post. Apesar das reclamações que vou ler dos atleticanos, Tardelli fará muita falta, sim. O elenco é bom, mas não o suficiente para suprir essa ausência. Palavra de Celso Roth. É um jogo com perspectiva de empate ou vitória do Botafogo.

Palmeiras x Avaí: jogo perigoso, entre o líder e a grande surpresa desse campeonato. O Avaí joga bem fora de casa, é perigoso e vem fazendo campanha excepcional. O Palmeiras é o líder e é treinado por Muricy, mas… Opa, uma pedra no sapato: jogará sem Diego Souza. E as únicas derrotas de Muricy foram justamente quando não pôde contar com seu meia, que é, para ele, e para muitos, o melhor jogador do campeonato. Até concordo com isso, nesse momento. Dizer o que desse confronto? Que o Palmeiras é o favorito? Seria, com Diego. Sem ele, não sei se é tão favorito, considerando o adversário que terá pela frente. Não ficarei surpreso, portanto, se o Palestra Itália assistir a um empate.

Já nessa 28ª rodada podemos ver que o “fator Dunga” poderá influir na contagem de pontos dos três favoritos. Vejamos, agora, os jogos da 29ª rodada:

Flamengo x São Paulo: Adriano não estará em campo pelo Flamengo, enquanto pelo São Paulo a ausência será de Miranda. A defesa tricolor, mesmo sem Miranda, tem se portado muito bem, e é, ao lado da palmeirense, a melhor do campeonato. O Flamengo, apesar de Pet e do excepcional momento de sua defesa, depende um bocado do Imperador. Teoricamente, o São Paulo estará em melhor situação que o Flamengo, em termos de desfalques. Um jogo de resultado imprevisível, mas com alguma cara de empate.

Atlético x Cruzeiro, o grande clássico das Alterosas. E o Galo sem Tardelli, que até aqui participou de 51% dos gols atleticanos nesse campeonato, contra um Cruzeiro mordido e reagindo jogo a jogo. Outra partida de resultado muito difícil de prever (todo resultado é difícil ou é mero chute, já que falamos de futebol, mas usando um pouco de lógica é isso).

Náutico x Palmeiras: aqui o bicho pega. O alvirrubro estará muito mais que simplesmente mordido e jogará em casa. O alviverde terá que fazer das tripas coração para conseguir um bom resultado no Aflitos, onde a ausência de Diego Souza poderá pesar mais que o normal.

Então é isso, pessoal. Uma combinação de resultados nada difícil de acontecer, como vimos nas análises de cada jogo, poderá provocar uma mudança de colocação que, nessa altura do campeonato talvez não seja mais revertida. Ou mesmo que venha a ser, jogará uma pressão e um fator completamente estranho à competição propriamente dita. E disso tudo poderá resultar o campeão brasileiro dessa temporada.

Sim, sim, sim, muitos dirão que escrevi isso porque sou são-paulino. Ok, sem problemas, mas, por favor, esqueçam esse detalhe e atentem para essas partidas e suas características. Aparentemente, dos três times na ponta o menos prejudicado e possivelmente até beneficiado pelas convocações será justamente o São Paulo (e agora os são-paulinos apressadinhos irão me criticar…).

Mas não importa, o que eu quis com esse post foi demonstrar cabalmente o absurdo que é os times brasileiros jogarem seu mais importante campeonato tendo jogadores convocados para a seleção.

As “datas FIFA” existem e são conhecidas com muita antecedência. Nessas datas, os clubes param, não disputam jogos oficiais, exceto no Brasil.

Mas o Campeonato Brasileiro não pode ter jogos nessas datas.

Esqueçam, por favor, as preferências clubísticas, e vejam que o “fator Dunga” poderá definir o campeão brasileiro de 2009.

É justo?

Deixo a resposta com vocês.

Em tempo: o “fator Dunga” será mais forte que o “fator Muricy”?

Calendário 2010: o que era ruim ficou pior

sex, 02/10/09
por Emerson Gonçalves |
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Navegava despreocupadamente pelo site da CBF, buscando os números de público e renda de alguns clubes para um novo post, quando deparei com essa pérola ainda quentinha, ou fresquinha, recém-saída do forno, ou melhor, da concha, já que é uma pérola: o Calendário da CBF para 2010.

Vejam que beleza…

Reparem na segunda mancha, uma manchinha pequena… Ok, vai lá e pega a lupa do trabalho escolar do filho, eu espero.

Pegou? Olhou?

Não achou?

Como não? Olha bem… Isso aí, essa pequena mancha num tom de azul-claro, é a segunda de cima para baixo, da esquerda para a direita.

Pronto! Essa mesma!

Agora dê uma olhada no que ela significa… Tá logo ali do lado, na extrema esquerda da linha da mancha minúscula, quase microscópica. Isso, garoto, bom trabalho. E o que está escrito aí?

“Pré-Temporada (06/1 a 15/1)”

Pois é… Agora vem a pergunta que não quer calar:

Falar o que dum calendário futebolístico, que em pleno século XXI, na falsamente dita “terra do futebol”, reserva 10 dias corridos – dez fantásticos dias corridos – para a pré-temporada? Nesse período, nem o dedinho do pé direito entra em forma e se entrosa com seus companheiros de pé.

Campeonatos estaduais: essas competições fantásticas, em pleno ano de Copa do Mundo, conservaram todas as absurdas 23 datas. Preciosas datas, que serão gastas para levar os clubes do nada a lugar nenhum. Alguns clubes – 8, talvez 12 – receberão boas cotas pelos direitos de transmissão de seus jogos. Os demais, bom, deixa pra lá. Se alguém quer saber o porquê dessas competições serem imexíveis, basta conhecer o regulamento eleitoral da CBF. Está tudo ali. As 23 sagradas datas estão intimamente relacionadas à estrutura de poder do futebol brasileiro. A manutenção delas garante os cartolas federativos nos estados e estes, por sua vez, garantem as reeleições infinitas do presidente da CBF.

No mais, será um ano atípico.

A Copa do Mundo interromperá os campeonatos no Brasil e na América do Sul entre 6 de junho e 7 de julho, o Brasileiro da Série A, e entre 19 de maio e 28 de julho a Copa Libertadores de America. Isso significa que os clubes que tiverem jogadores convocados para suas seleções nacionais não serão prejudicados na Libertadores. Exatamente o oposto, entretanto, ocorrerá com os times brasileiros que tiverem jogadores trabalhando fora, a serviço do selecionado nacional.

A normalidade, entretanto, voltará uma vez finda a Copa do Mundo. Como o tempo é inelástico, os jogos do BR serão concentrados. Teremos 31 rodadas entre 14 de julho e 5 de dezembro. Deixará de ser um campeonato de futebol para ser uma competição de resistência. De permeio, 4 datas FIFA, 4 jogos do time da CBF – sim, time da CBF, uma vez que a Copa será passado, assim como a eliminatória; ah, é, o Brasil não disputará eliminatória, pois a Copa próxima será aqui – e tudo como dantes no quartel de Abrantes. Os clubes cederão jogadores, os times serão prejudicados, um ou outro treinador vai reclamar, nenhum dirigente vai se meter a besta de reclamar, é claro, e vamos que vamos. Ou melhor, vamuquivamu, porque nem gastar português com isso vale a pena.

Em tempo: repararam que somente a “pré-temporada” e os estaduais não foram mexidos? Uma boa prova da importância que ambos possuem.


Farra convocatória

qua, 30/09/09
por Emerson Gonçalves |

O autor deste blog e o “ministério da saúde” advertem: a leitura deste post poderá provocar azia, má digestão e mau humor. Especialmente a torcedores de times com jogadores convocados.


Mundial Sub17: graças a essa magnífica competição, o Santos ficará desfalcado de Neymar por um mês inteiro, exatamente na reta final do Campeonato Brasileiro da Série A. O mesmo ocorrerá com o Vasco, que sofrerá o desfalque de Philippe Coutinho, na reta final da Série B.


O Santos, cujo elenco atual está muito longe de poder ser considerado bom, em primeiro lugar, e suficiente, em segundo lugar, já perdeu o Paulo Henrique “Ganso”, disputando alguma coisa Sub20 não sei aonde.


Gosto desses dois jogadores e sempre que possível vejo jogos do Santos, principalmente para ver Neymar – com isso aprendi a ver Ganso (além deles, gosto de ver Madson jogar). Sem Ganso, é perceptível uma queda no jogo santista. O garoto, como era óbvio, faz muita falta.

Agora, vejam essa lista já bem conhecida:

Diego Tardelli

Adriano

Diego Souza

Sandro

Miranda

Vitor

São os jogadores convocados para a disputa de dois jogos pelas Eliminatórias para a Copa 2010. Essa ordem de nomes não é aleatória, é a ordem, na minha opinião (e ninguém precisa concordar com ela) da importância dos jogadores para seus times nesse momento.

Os dois jogos ocorrerão em “datas FIFA”, o que significa que na Europa, provavelmente o único lugar do mundo em que os clubes são mais ou menos respeitados (e eles que se cuidem com Michel Platini), não serão disputados os campeonatos das ligas nacionais, bem como, é claro, as copas continentais. Por lá, nas “datas FIFA” o futebol para.


Mas não aqui. No “impávido colosso” segue a vida, segue o futebol. Para não colidir com os jogos do selecionado, melhor chamado comumente de time da CBF, as tabelas são alteradas e as rotinas são quebradas.

Muito pior: os times vão a campo desfalcados de seus mais importantes jogadores ou, se não, peças fundamentais para os esquemas dos treinadores. Em convocação recente, o Atlético Mineiro, que também não tem um elenco grande e com bons nomes alternativos, viu-se prejudicado sem a presença de seu melhor jogador e artilheiro, Diego Tardelli. Agora, novamente.

O bom momento do Flamengo poderá ser comprometido pela ausência de Adriano.

A arrancada final, ou a manutenção da liderança com folga do Palmeiras de Muricy, poderá sofrer reveses com a ausência de Diego Souza.

Embora importantes, Sandro, Miranda e Vitor farão menos falta ao Internacional, São Paulo e Grêmio, mas ainda assim farão falta.

A confederação nada paga pela utilização dos jogadores. Compete aos clubes tudo pagar, principalmente o salário. Quando machucados, tudo fica na mesma e o prejuízo é multiplicado, que o diga o Flamengo de Kleberson, que só volta a jogar bola em 2010.

Tudo isso afeta as finanças dos clubes, compromete esforços de marketing, prejudica o planejamento da temporada. Mesmo assim, curiosamente, não se ouve um protesto firme, uma reclamação mais que justa. Parece-me que só o “ranzinza” Muricy reclamou. Fico com a impressão que os desfalques não importam, pois os jogadores estarão na vitrine proporcionada pelo time da confederação.

Por aqui, “data FIFA” e nada são sinônimos, para uns. Para outros, significa a chance de ver os cofres abastecidos.

Há, também, a costumeira e indigna subserviência à federação, algumas vezes recompensada com empréstimos a juros altos, mas salvadores do mês.

Enfim, falar o quê dessas convocações? Os jogadores gostam, os dirigentes adoram, os torcedores não têm influência, então, para que perder tempo escrevendo a respeito? E, por extensão, para que perder tempo lendo a respeito? Vou tomar um antiácido para combater a azia que ganhei com esse post mal humorado.

O Loch Ness tupiniquim

qui, 10/09/09
por Emerson Gonçalves |


Loch Ness é um grande lago escocês, famoso por, supostamente, abrigar em suas profundezas um monstro pré-histórico. Muito já se pesquisou e nada se encontrou, de concreto, a respeito de tal monstro. Até fotografias desfocadas andaram circulando, mostrando o que seria o tal monstro. Curioso, certa feita encontrei um livro a respeito, relatando toda a história em torno desse mito e também as pesquisas feitas até a publicação do mesmo.


O Loch Ness tupiniquim existe, tal como existe o escocês, e fica em São Paulo.


Lembrei-me de tudo isso ao ler as últimas e bombásticas declarações do secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, a respeito da virtual impossibilidade do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, sediar não somente a abertura da Copa do Mundo, mas qualquer jogo desse torneio de 2014.

Apenas a título de lembrança, e nada mais, Valcke foi o responsável pelo affaire FIFA/Mastercard, ao mudar para a Visa, ignorando os direitos e contratos da primeira. Segundo um juiz federal de Nova York, Valcke mentiu às duas companhias na condução das negociações para o patrocínio das Copas 2010 e 2014. De acordo com o magistrado, a conduta da FIFA, encarnada em seu então executivo de marketing e hoje secretário-geral, foi qualquer coisa, exceto regida pelo fair play que a entidade tanto cobra dos clubes. A brincadeira custou 90 milhões de dólares aos cofres da Federação, ele foi afastado por algum tempo, mas parece ter voltado com mais poder que antes. Coisa típica de federação estadual tupiniquim, ocorrida, entretanto, entre as frias e austeras montanhas suíças na federação maior do futebol.


O governo do Estado de São Paulo e a prefeitura da cidade de São Paulo decidiram, conjuntamente, que o estádio da cidade para abrigar os jogos da Copa, inclusive a abertura, pleiteada por esses dirigentes, será o Morumbi. Com essa decisão, Serra e Kassab poupam aos cofres públicos, vale dizer, ao bolso do contribuinte, uma soma gigantesca de recursos que seria usada para fazer mais um estádio numa cidade que já possui quatro. Aqui é o momento em que a cidade vira o Loch Paulicéia e passa a contar com seu próprio Nessie, apelido carinhoso dos escoceses ao seu bichinho de estimação. O tupiniquim, entretanto, ainda não tem nome e também não tem paternidade (ao menos conhecida), parece ter caído do céu, de paraquedas, surgido do nada, nesse caso das profundas profundezas (desculpem pela redundância) de bolsos ávidos por dinheiro abundante, fácil e público ou público, abundante e fácil. Aqui, a ordem dos fatores em nada altera o produto.



O Projeto Morumbi 2014


O clube já apresentou um projeto novo, dia 4 de setembro, no qual, segundo dirigentes e arquitetos, inclusive da GMP (empresa alemã que cuidou do estádio de Berlim usado na Copa 2006), as exigências da federação foram atendidas, tanto no que diz respeito às áreas internas como ao entorno do Estádio do Morumbi.

Os dirigentes do clube e os encarregados da candidatura paulista acreditam que nem a FIFA e nem o presidente da federação tupiniquim leram esse documento, ainda.

Nem lerão da maneira devida, a menos que haja um firme posicionamento de quem de direito a respeito.



O troco de Ricardo Teixeira


Há anos o São Paulo faz oposição à forma como a CBF conduz e trata o futebol brasileiro. Foi o único clube a não votar pela reeleição de Teixeira na sua penúltima de sei lá quantas reeleições. Durante alguns anos cobrou da federação nacional o valor devido pela mesma referente aos salários pagos a jogadores do clube enquanto prestavam serviços (muito bem remunerados, diga-se) à entidade. Essas coisas pesam.

Com a candidatura da cidade e do estádio para sediar não somente jogos, mas a própria abertura do Mundial, o presidente tricolor Juvenal Juvêncio engavetou as críticas, suspendeu a cobrança da dívida e até mesmo votou em Teixeira em sua última (de não sei quantas, novamente) reeleição.

Em vão.

Em entrevista ao Sportv o dirigente maior do futebol tupiniquim lavou suas mãos nessa questão, tal e qual o mais famoso lavador de mãos da história, Poncius Pilatus. Segundo pessoas que conhecem o Pilatus brasileiro, essa postura é um troco à postura do clube paulista em relação à sua gestão, que ao término do atual mandato, caso não haja mais uma reeleição, ultrapassará um quarto de século. Uma presidência vitalícia, pode-se dizer.



A alternativa e o custo


Com ela sonham muitos: a construção de arena “moderna e à altura da cidade de São Paulo, capacitada a receber jogos da Copa do Mundo”.

Ora, tomando como exemplo o último grande estádio público construído em Pindorama, o Engenhão, aliás, Estádio Olímpico João Havelange (que vem a ser ex-presidente da federação de futebol e sogro, bem como introdutor de Teixeira no mundo do futebol), teremos na Paulicéia um espetáculo digno da pena de Ionesco. Se o Engenhão foi orçado em 40 milhões, revisado para 80 e terminou custando – oficialmente – 400 milhões de reais, quanto custará a portentosa arena paulistana, cujo orçamento inicial já é apontado como sendo de 400 milhões de reais por alguns ingênuos e otimistas? Outros especialistas, menos ingênuos, mas também otimistas, apontam seu custo entre 600 e 700 milhões de reais. Nessa altura do campeonato, qualquer um com um mínimo de conhecimento sobre Pindorama e seus subterrâneos, sabe que esse custo ficará na casa do bilhão, mas não no singular e sim no plural: bilhões.

Dinheiro que sairá das burras do Tesouro e para elas nunca retornará.

Dinheiro que Serra e Kassab não querem comprometer, afinal, a cidade conta com gigantesca lista de carências fundamentais, e uma “arena etc e tal” não está incluída entre elas.

Os dois executivos já se comprometeram com uma série de obras, viárias, inclusive, na região do estádio, o que é correto, pois a cidade cresceu tremendamente naquele sentido, o que não foi acompanhado por obras viárias. A mais importante será a Avenida Perimetral, que criará um novo acesso, e rápido, ao Morumbi e região. O metrô, necessidade básica, terá sua estação inaugurada em 2011, distando mil metros da praça esportiva.

O dinheiro comprometido nessas obras atenderá a toda a população, independentemente de gostar ou não de futebol, torcer ou não por um clube. Mais que isso começa a complicar.

Como dizia Juca Chaves, ligeiramente modificado: água de morro abaixo, fogo de morro acima e custo de obra pública, ninguém segura (no Brasil).



A temida farra dos elefantes brancos


Quem acompanhou a Mini-Copa criada pela ditadura para festejar o Sesquicentenário da Independência (cruzes), sabe muito bem o que foi a farra da época, com a construção de estádios enormes em cidades muito pelo contrário. Estádios que viraram grandes e caros elefantes brancos. Se bem que, na verdade, a melhor cor para designá-los é cinza-ruína.

Dinheiro público foi usado a rodo nas construções e os controles foram, digamos, ausentes ou frágeis. Terminada a tal competição, o abandono e a degradação encarregaram-se das praças esportivas.

Para 2014, há cidades planejando estádios “FIFA” cuja capacidade “FIFA”será suficiente para abrigar o público de todos os jogos de seu campeonato estadual de um ano. Todos os jogos, de todos os clubes, durante um campeonato inteiro. Essa é uma boa tradução para elefante cinza-ruína. Ou branco, se assim preferirem.



A cor do Nessie paulistano


Como não sabemos a cor do Nessie escocês, também não sabemos qual será a cor do Nessie paulistano.

Todavia, eu tenho cá a forte impressão, diria mais, a firme certeza, que a cor do nosso monstro será verde. Não o verde esmeraldino ou o verde da bandeira, símbolo de matas há muito perdidas, mas o verde-dólar, o verde das cédulas da moeda americana, ainda valioso entre nós, enquanto a China não cria uma moeda alternativa, já que o euro, europeisticamente, não se firma.

Verde-dólar, por sinal, segundo pesquisa secreta nunca revelada, é a cor favorita de larga parcela de importantes personagens tupiniquins.

Esses personagens torcem por times e suas cores, as mais diversas. Há entre eles torcedores até das três cores do Morumbi, com certeza, assim como torcedores das duas cores do Parque São Jorge, da Vila Mais Famosa, das cores da Gávea e até torcedores dos verdes de São Paulo e Goiânia. Cores de norte a sul, de leste a oeste. Mas esses personagens todos têm algo em comum: o amor maior ao verde-dólar. (Texto modificado para evitar interpretações maliciosas ou simplesmente mal feitas.)



Então, ficamos assim, com gente dizendo que Nessie existe e até fotografado foi, enquanto gentes outras dizem que é tudo lenda, não passa de ficção, e que tudo que está em jogo são apenas os interesses maiores da cidade e da nação e… Chega.

No que me diz respeito, já acredito firmemente que Nessie será o mais novo paulistano, forte, robusto e saudável, como convém a um bilionário em dólar. Não demora muito ele sairá das profundezas em que se esconde hoje e mostrará ao público uma simpática cara.

Será essa a melhor solução para o paulistano? Recebê-lo e dar-lhe o título de cidadão paulistano?

Quanto a isso, tenho outra certeza:

Não.

Essa eu quero ver!

ter, 25/08/09
por Emerson Gonçalves |


Enquanto escrevia o post anterior – o “Pot-pourri agostinho” – na noite de ontem, mal sabia que a Sonia Racy escrevia uma bomba para publicar em sua coluna, hoje:


Sem déficit esportivo

por diretodafonte

Vai dar confusão. Ricardo Teixeira, da CBF, enviou para análise de Lula projeto para tentar colocar ordem nas finanças dos clubes de futebol. Basicamente, ele torna obrigatório que cada um apresente plano orçamentário viável atrelado à sua arrecadação. “Só pude avançar nisso porque meu mandato vai até 2015″, explica. Punição aos clubes que apresentarem déficit? Perderão pontos… no Brasileirão.

Argumento do presidente da CBF à coluna: “A única coisa que dirigente de clube respeita, mesmo, é ponto no campeonato.” “

Não fiquei surpreso, sinceramente. O presidente da CBF parece estar com os ímpetos mudancistas em alta. Ora é calendário, ora é exigir seriedade na concentração da seleção, agora é seguir a moda FIFA/UEFA/AFA e punir times devedores. Se bem que, e esse detalhe pode ser crucial, a nota da Sonia fala em déficit e orçamento adequado à arrecadação. Dívidas antigas não são mencionadas.

Com tudo isso, o presidente da confederação pode reunir-se com seus pares em Zurique, Londres, Paris, Basileia, Buenos Aires e outros lugares igualmente chiques e agradáveis, e em volta de uma taça de um tinto de respeito dizer alto e bom som que está modernizando o futebol brasileiro, colocando-nos no século XXI. São, também, os bafos do primeiro mundo chegando até nós. São positivos, disso não tenho dúvidas, mas junto com esses bafos, ou melhor, até mesmo antes deles, preferencialmente, deveriam chegar outros bafos, outros ares primeiro-mundistas.

Por exemplo: autonomia para os clubes. Calendário mais racional e privilegiando, ou melhor, permitindo aos grandes clubes competirem no mercado mundial.

Fim do jugo das federações estaduais – e voltamos à questão de autonomia para os clubes.

É interessante notar que o presidente da confederação fala em tudo isto e ao mesmo tempo vê o seu time, o time da confederação (que um dia já foi Seleção Brasileira), tirar jogadores dos clubes brasileiros, sem nada pagar pela cessão e, muito pior, sem sequer suspender o campeonato principal do país, forçando os times a jogarem desfalcados de seus teoricamente melhores jogadores.

Como, então, exigir que esses clubes cumpram com obrigações financeiras tirando-lhes justamente o que lhes permite ganhar dinheiro?

É claro que estou exagerando um bocadinho, mas é assim que é. Quem achar que não, que pare um momento e pense a respeito.

Então, francamente, se for para existir um projeto como esse – uma pergunta: o que é que o presidente de Pindorama tem a ver com isso? – reformule-se completamente o futebol brasileiro, de cabo a rabo.

Se não for assim, francamente, não vejo nada disso como algo minimamente sério.

E que ninguém, por favor, tome isto como uma defesa de devedores e maus pagadores.

Tem nada a ver.


A CBF e os clubes – uma pequena crônica

qui, 13/08/09
por Emerson Gonçalves |



Estava aqui pensando com meus botões, olhando alguns números (alegrem-se críticos, ando olhando números para escrever a respeito), ouvindo a passarinhada, essas coisas singelas, quando li o seguinte comentário, assinado por “Limiar” (o autor está identificado devidamente, mas optou por não usar seu nome):

Boa tarde Emerson.

O Kleberson sofreu um acidente de trabalho quando estava a serviço da CBF.

E o prejuízo do Flamengo? Eu gostaria de saber como é que fica isso:
O previsto é que o Kleberson fique quatro meses de molho mais, digamos, de um a dois meses para ficar “tinindo”, como agora.

Quer dizer que o Fla:
1- vai arcar com os cinco a seis meses de salários sem cobertura da CBF?
2- vai contratar outro atleta e pagar salário duplo sem cobertura da CBF?
3- vai substituir seu jogador de seleção por um outro qualquer e pronto?
4- vai jogar só com 10, os que não foram selecionados?

E se o time cair de produção por faltar o Kleberson?
E se for rebaixado pra segundona?
Será que a CBF vai verter lágrimas e pedir desculpas por email?

Falando sério, O Flamengo vai arcar com o prejuízo? Gostaria de saber. Gostaria de quantificar.”

Infelizmente, não tenho como responder a todas essas questões, exceto a última, mas vou contar umas historinhas a respeito da relação entre a confederação e um clube que conheço bem.


Não lembro se em 2003 ou 2004, teve eleição, ou melhor, teve referendo na CBF do nome do presidente mais uma vez.

Nessa oportunidade, São Paulo e Flamengo combinaram comparecer e votar em branco, já que os dois clubes não estavam dispostos a referendar, uma vez mais, o nome hereditário de Ricardo Teixeira. Na noite da eleição, o então presidente tricolor, Marcelo Portugal Gouvêa, estava lá e votou em branco.

Foi o único.

O presidente do Flamengo não foi e seu representante chegou um ou dois minutos depois de encerrada a votação. Uma pena.

Os demais clubes, como de hábito, referendaram Teixeira.


Já por essa altura, o São Paulo cobrava da CBF o pagamento de salários dos jogadores do clube convocados para prestar serviços à seleção. Lembro-me que o valor, depois da Copa 2006, aproximava-se de cinco milhões de reais. Na época, o clube cobrava e fazia pressão sobre a confederação que, inclusive, auditara os valores, considerando-os corretos.

O tempo passou e essa dívida continua inscrita no “Contas a Receber” do clube, balanço após balanço. Se bobear, já está, também, no item “Provisão para devedores duvidosos”. Mas creio que não, porque esse valor é muito baixo no último balanço do clube. Pelo andar da carruagem, esse valor continuará embutido nesse “a receber” até sabe-se lá quando. Talvez 2015…


Então, assim age a confederação com os clubes brasileiros.

Usa seu pé-de-obra caro e nada paga por ele, ao contrário das federações filiadas à UEFA, que não pagam nenhuma maravilha, mas pagam alguma coisa razoável pela cessão de jogadores em torneios oficiais (UEFA ou FIFA).


Que fique claro que a confederação não paga por falta de dinheiro, pois o último balanço da entidade dá a ela o segundo maior faturamento do futebol brasileiro, com 104 milhões somente em patrocínios e um lucro líquido de 32 milhões no exercício.


Voltando ao Kleberson, é bom que fique claro, não custa relembrar, que ele machucou-se com gravidade numa das inúmeras partidas caça-níqueis ou caça-votos (que vem a dar na mesma) do time da CBF. Mas não haveria diferença se isso tivesse ocorrido num jogo de copa, seja ela qual for.

A confederação ganha e ganha muito bem para expor seu time por ceca e meca e faz isso, em parte, com jogadores tirados dos times brasileiros em plena disputa de seu mais importante campeonato.


Será que Diego Tardelli teria perdido o pênalti cobrado ontem por Renan Oliveira contra o Palmeiras? Tardelli estava na Estônia. Esses dois pontos de uma eventual vitória atleticana, farão falta na reta final, na definição do título ou de uma vaga para a Copa Libertadores?


Os clubes europeus não jogam nas datas FIFA, exceto algum amistoso. Já os times brasileiros…


Espero que o Flamengo não se ressinta da ausência de Kleberson. E espero que ganhe muito em bilheteria para poder pagar os salários do rapaz, que ficará no estaleiro pelos próximos meses. Bom, de repente, Teixeira e Dumbrosck acertam uma nova temporada na granja nevoenta e fica tudo por isso mesmo, que sei eu dessas altas conversas entre os grandes senhores do futebol?


Na última eleição (vá lá, estou bem humorado), os grandes senhores referendaram, todos eles, o nome de Teixeira. Agora, até 2014, numa virtual presidência vitalícia, à qual prefiro chamar monarquia ou capitania hereditária. Coisa minha, não liguem.


Ah, sim, desde 2007 não ouço ou vejo o São Paulo cobrar a dívida da CBF.

E respondendo à última questão do comentário citado, sim, o Flamengo vai arcar com o prejuízo.Mas isso já tinha ficado claro no correr do texto, não?



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