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Vaias injustas ou mal direcionadas?

dom, 31/01/10
por Emerson Gonçalves |

Nos fantásticos e valorosos estaduais, vaias para o Corinthians, Palmeiras, São Paulo e para o recém-desembarcado Cruzeiro…

Caramba, até para o Cruzeiro que veio do ceu boliviano para as Alterosas.

As mais injustas vaias, sem dúvida, cujo jogo contra o Ipatinga não assisti, mas nem preciso fazê-lo para dizer que elas foram injustas (só vi os melhores momentos… do Ipatinga).

Há alguns anos venho escrevendo uma obviedade: times que retornam de viagens complicadas para jogos da Libertadores, perdem ao chegar em casa. Perdem para o Ipatinga (que, mesmo trocando treinador, tem um bom time, novamente), como foi o caso do Cruzeiro, e perdem para o Sorocaba, entre outros adversários de menor expressão, como foi o caso do São Paulo em 2005, 2006, 2007… Nesses últimos anos, não recordo do time tricolor ter vencido um jogo de estadual logo depois de retornar de uma viagem pela Libertadores. É o preço da Copa.

Depois de disputar uma partida a 4.000 metros acima do nível do mar, um jogo que exige muito do preparo físico, do corpo e do espírito de cada atleta, culminando com uma demorada e cansativa viagem de volta, em plena véspera da partida pelo Campeonato Mineiro, era mais que natural, era mais que óbvio que o Cruzeiro não entraria em campo, figurativamente falando. Tão ruim quanto jogadores cansados, Adilson escalou oito reservas, alguns dos quais vivenciaram a mesma maratona dos titulares.

O torcedor, entretanto, não se conforma com o que vê e vaia. Esquece, como sempre e como todo torcedor, o objetivo maior e se concentra no que vê em campo naquele momento. Nada de novo sob o sol. Ou sob a lua. Ou sob a chuva, para ser mais preciso e realista.

Essas vaias, acredito, seriam mais justas ou menos injustas, se dirigidas ao presidente do Cruzeiro. Darei um desconto prévio: não sei até que ponto o clube precisa dos milhões do Porto para se manter, assim como não sei até que ponto Kleber foi sincero ao dizer que queria ficar em Belo Horizonte e disputar a Llibertadores. Como também não sei se ele está “de bem” com o restante do elenco. Qualquer um desses três fatores seria uma boa desculpa, uma desculpa válida, para efetuar a venda dos direitos federativos do atleta. Mas…

O clube acaba de fechar um excelente pacote de patrocínio com dois anunciantes, que garantirão que todo mês começará com o caixa em condições mais que razoáveis. O atual elenco não é tão caro como era o do ano passado, com as saídas, por exemplo, de Wagner e Ramires. Atletas que, por sinal, trouxeram significativos aportes de euros, dólares ou simplesmente reais para os cofres cruzeirenses.

Aparentemente, Kleber e colegas estavam “de bem”, “na boa”, jogando juntos. Se não estão, enganaram bem a quem os viu em campo. Eventuais rusgas desse tipo sempre podem ser mais ou menos bem consertadas. Tem muito time campeão no qual os jogadores sequer se davam bom-dia fora de campo. É grave, mas não chega a ser mortal, digamos.

Quanto à cabeça e às reais intenções de Kleber é difícil saber. Diziam que ele queria voltar para São Paulo e jogar no Palmeiras. Houve muito falatório, a ponto dele mesmo vir a público e dizer que já estava com o “saco cheio” disso. Depois disso, veio a declaração de querer ficar, que bem pode ser autêntica, dada a sua hesitação em assinar com o clube português.

Enfim, qualquer um desses fatores poderia influir fortemente no sentido da transferência de Kleber e, em qualquer desses casos, seria difícil, até mesmo injusto criticar a direção.

O problema, porém, a grande questão, é que o clube está em plena disputa da Copa Libertadores, precisando, ainda, confirmar sua presença no restante da mesma. Depois do vice-campeonato de 2009, a conquista do título é um sonho, um desejo forte demais da torcida. Sem Kleber, esse sonho fica mais difícil. Justamente por isso, a maioria dos cruzeirenses, alguns, inclusive, como o Cristiano Cruz, falando comigo por e-mails, fazem uma só e a mesma pergunta:

Precisava mesmo vender o Kleber?

Precisava mesmo?

Ainda mais por um valor bem inferior ao que foi dito que seria o mínimo para justificar sua saída?

E justamente nesse momento, no início de mais uma Copa Libertadores?

Só o presidente do clube ou o atleta poderão responder a essa pergunta.

Uma coisa, entretanto, é certa: sem Kleber fica tudo mais difícil, até porque, como disse o Cristiano em seu e-mail, ele é o único jogador do Cruzeiro capaz de fazer a diferença num confronto contra outros brasileiros, nesse momento, sem dúvida, os mais cotados à conquista do título desse ano.

(Ser o mais cotado significa apenas isso: ser o mais cotado. É garantia de nada.)

Bom, ao fim e ao cabo, só sei de uma coisa: o time que entrou em campo ontem não deveria ter sido vaiado.

No fundo de tudo, os estaduais

sex, 29/01/10
por Emerson Gonçalves |

Este post é mais para fomentar um debate solicitado e suscitado por alguns internautas, entre eles o Lucas Camargo. Ideias, a priori, não são boas ou más, são simplesmente ideias jogadas para serem debatidas. Se forem tolas ou malignas, rapidamente os rumos do debate mostrarão, como também mostrarão, se for o caso, o contrário. O mais comum e saudável, entretanto, e prática comum nos regimes democráticos, é que algumas sejam aproveitadas, no todo ou em parte, juntamente com outras que vão surgindo. Como se diz popularmente, “a verdade está no meio” ou, também podemos dizer que esse é um processo dialético (não chega a ser, mas tem a mesma estrutura), em que teses e antíteses são apresentadas, discute-se e chega-se a uma síntese ao gosto da maioria.

A maioria dos clubes de futebol profissional no Brasil existem por 4, 5, no máximo 6 meses por ano. Fora isso, fecham as portas, pura e simplesmente. Esses clubes precisam operar o ano inteiro e isso só será possível com campeonatos brasileiros de divisões menores, bem estruturados, disputados regionalmente no decorrer do ano, com fases finais nacionais. Isso devido aos brutais custos de logística num país como o Brasil.

Os campeonatos estaduais não dão sustentação para os clubes pequenos e matam as datas que os grandes poderiam usar para torneios e excursões, sem falar numa pré-temporada de fato e não de mentirinha.

Os estaduais existem por três razões básicas:

1 – Sustentação do poder dos dirigentes de federações

2 – Sustentação da vida de clubes pequenos (que deveriam ser sustentados por suas comunidades)

3 – Maratona de clássicos estaduais num momento do ano em que o torcedor já tem saudades do futebol – válido mais para São Paulo e Rio de Janeiro

Na maioria dos estados já se sabe hoje o campeão de 2010, 2011, 2012, 13, 14, 15, 16… Será um ou outro: Atlético ou Cruzeiro, Grêmio ou Internacional e por aí vai. Se o Santa Cruz endireitar, Pernambuco poderá ser uma exceção, também: o campeão será um de três.

Depois de jogar contra os dois grandes ou três grandes ou quatro grandes, o pequeno do interior apaga a luz, fecha a porta e recolhe-se ao vazio. Sua torcida não se incomoda, pois além de não comparecer ao campo para ver o time jogar, cada um de seus torcedores é torcedor de um dos grandes e tradicionais times de expressão nacional e vai sentar-se no sofazão para acompanhar os jogos e depois discuti-los apaixonadamente com os amigos.

Tão grande é o amor e o carinho dos torcedores locais por suas equipes, que vários clubes já estão mandando seus jogos em locais mais convidativos. Em São Paulo, por exemplo, já tivemos jogo de campeonato oficial entre dois clubes do estado disputado em Londrina e vemos times de cidades distantes centenas de quilômetros da capital, mandarem seus jogos em pleno Pacaembu.

A federação do Rio de Janeiro foi mais objetiva: chegou ao ponto de determinar em regulamento que os times grandes enfrentariam os pequenos somente no Maracanã nos jogos decisivos. Não seria mais prático e justo fazer um torneio entre os quatro grandes? E reservar 5% ou 10% da renda para os pequenos dividirem? Eles não teriam nenhuma despesa e embolsariam um dinheirinho legal (sim, é até ofensivo escrever isso e eu não gostei de ter escrito, mas, há algum exagero ou erro ou preconceito nisso que escrevi?).

Se as próprias comunidades não se interessam, não se importam com a sobrevivência de suas equipes, por que cargas-d’água deveria esse encargo ser passado para os grandes clubes? Que na verdade são grandes apenas aqui, nessa Terra de Vera Cruz, pois fora daqui são tão desconhecidos quanto pequenos. Em parte por culpa dos próprios estaduais, mantidos por causa, etc, etc… Fecha-se o círculo.

Não há como mexer no calendário e na estrutura do futebol brasileiro sem mexer, a fundo, nos estaduais. Sem mexer, portanto, na estrutura de poder atualmente existente, onde os clubes são meros fornecedores de recursos para as federações e para a confederação. Que, magnanimamente, abre mão de algumas migalhas por já não precisar delas, mas nem por sonho pretende perder o poder que possui. E as federações nem por sonho abrirão mão do poder que possuem. Aliás, a história nos mostra que o poder não é cedido jamais, é sempre conquistado. Transferências de poder são frutos de relações de forças entre campos opostos.

Os dirigentes de clubes têm visão (muitos deles) e, mais que visão, eles têm a vivência dos problemas, sentem-nos na pele. Fazem loucuras e gastam rios de dinheiro justamente para resolver esses problemas, fazendo dinheiro, e tudo que conseguem é aumentar o buraco em que vive cada clube. Essa visão e esse conhecimento amargo e sofrido dos problemas, entretanto, não são o bastante para conseguir uni-los em torno de uma agenda única. Na hora H as rivalidades entram em cena e ofuscam a razão. A paixão vence, mesmo porque é sempre mais fácil e cômodo ceder à paixão que lutar pela manutenção da razão.

Se não prezo os estaduais, não sinto o mesmo em relação a uma Copa do Brasil modificada.

Com todos os clubes grandes, ainda mais aberta e mais ampla do que já é. Passaria de 64 para 128 clubes ou até mesmo 256, naturalmente pré-selecionando a turma até chegar aos atuais 64, dando aos clubes da Série A do Brasileiro, por exemplo, o direito de entrarem em fases mais adiantadas.

A Copa do Brasil é o espaço do sonho, é o torneio de todas as possibilidades, é a competição em que um pequeno aparece para o Brasil inteiro eliminando um gigante. Há que ter o sonho. Se o colorado, corintiano, cruzeirense, flamenguista ou são-paulino sonha hoje com a conquista das Américas e do Mundo em seguida, o ASA tem todo o direito de sonhar com a conquista do Brasil. O mesmo direito que tem o Vilhena, da agradável cidade do mesmo nome, em Rondônia, onde a soja é uma beleza e o clima é uma delícia, por causa da altitude. O mesmo direito que cabe ao ASSUM, ao Souza, ao Naviraiense e tantas outras equipes pouco conhecidas desse país.

Subjetivo, como disse o Lucas Camargo em um comentário?

Sim, totalmente subjetivo. Nem só de razão e objetividade vive o ser humano.

O tempo dessa Copa, entretanto, tem que ser outro, pois ela não deve encavalar com a Libertadores e com a Copa Sul Americana.

Ah, sim, e acabar com essa história de garantia de vaga na Libertadores. A quinta vaga da Copa deve ser do quinto colocado no Brasileiro, a competição-base de nosso futebol. Difícil, longo, cansativo, duríssimo, por isso mesmo é injusto que seu quinto colocado não conquiste a vaga a que tem direito na copa continental.

Então, vamos agora à desprezada Copa Sul Americana…

Pouco importante, sim, por artes e manhas da CONMEBOL, cujos dirigentes curvam-se à vontade argentina e tentam dar a essa Copa uma importância e um valor que ela nunca terá. Tal como na Europa, ela deve ser simultânea à copa principal do continente, no nosso caso a Libertadores. Quem está em uma não está na outra. Quem está na Libertadores e não se classifica para as fases eliminatórias, poderia passar, automaticamente, para uma fase da Sul Americana. Por exemplo, os melhores terceiros colocados. Mas não o inverso, com times da Sul Americana subindo para a Libertadores ou conquistando vaga na do ano seguinte pela conquista do título.

Conquista esportiva dá-se por mérito ou não se dá, não tem valor.

A Sul Americana paga pouco. Durante sua disputa, o Brasileiro vai se afunilando e as atenções voltam-se para ele. As disputas nas duas pontas da tabela ocupam toda atenção e todos os espaços. Se disputada ao mesmo tempo que a Copa Libertadores, ela teria de imediato uma valorização. Que, eu acredito, seria crescente com o passar dos anos.

Isso tudo é muito básico, tudo isso já foi proposto, discutido, nada de novo há nessas ideias aqui alinhavadas sumariamente. Mas vale, naturalmente, o debate. E se tudo isso já foi discutido, um dos pontos aqui levantados foge a essa regra: o poder das federações. Esse assunto parece ser tabu. O próprio pessoal do G4, por exemplo, toca nesse assunto com extremo cuidado, enfatizando sempre que os objetivos do grupo são somente mercadológicos. No Brasil, mexer com as federações não é muito saudável. O mesmo se dá na Europa, como pudemos ver pela extinção do G14, comandada por Michel Platini pessoalmente. Em lugar do combativo e chato G14, nasceu a ECA, com cerca de cem clubes. Dividiu para conquistar.


Flamengo com a corda toda

ter, 22/12/09
por Emerson Gonçalves |

O acordo com a Hypermarcas, dona da marca Bozzano e outras, está apalavrado, só falta assinar.

Por ele, o Clube de Regatas do Flamengo receberá 28 milhões de reais em 2010, para estampar suas marcas na camisa – peito, costas e mangas – e também no calção.

Um acordo excelente e maior patrocínio único do Brasil, sem dúvida. Mesmo com a inclusão do calção no pacote, o valor supera um pouco o que este Olhar Crônico Esportivo previu no post “O marketing do Flamengo em 2009” (para quem leu atentamente, considerava que o clube poderia conseguir 24 ou 25 milhões de reais entre peito/costas e mangas; o valor de 28, incluindo o calção, é excelente sob qualquer aspecto).

Essa é mais uma resposta do mercado ao clube de maior torcida no Brasil, que durante anos permaneceu amarrado ao patrocínio da Petrobras, vivendo conflitos em toda renovação anual, tanto por valores como pela necessidade de obter as CNDs para poder receber os pagamentos.

O clube terminou 2008 brigando, quase literalmente, com a Petrobras, por um patrocínio que de previstos 16 milhões de reais, cairia para 14 milhões, por conta da crise financeira, que hoje já virou passado e, se bobear, dará lugar a uma outra (já tem gente boa acreditando que poderemos ter “a mãe de todas as bolhas”).

A Hypermarcas é uma empresa que controla outras companhias. Seus negócios cobrem produtos os mais diversos, como a linha Bozzano, masculina, e os cosméticos Monange, produtos de limpeza e medicamentos – há poucos dias a empresa adquiriu o laboratório Neo Química, patrocinador da equipe do Goiás – e consolidou-se como terceiro maior grupo do setor farmacêutico no Brasil. Não foi divulgado, pelo menos até esse momento, mas o mais provável é que a empresa use mais de uma marca no uniforme rubronegro. Caberá ao clube, a partir de janeiro, negociar cuidadosamente com o patrocinador para não permitir uma profusão de marcas da mesma forma que o Corinthians permitiu em seu uniforme durante 2009.

Por sinal, a Batavo estava na disputa pelo patrocínio (como este blog antecipou), mas a opção da nova direção ficou pela Hypermarcas. Se optasse pela empresa de laticínios, seria possível, teoricamente, o clube até conseguir um valor um pouco maior, envolvendo outros patrocinadores. Sem o Flamengo, a Batavo poderá repensar o patrocínio do Corinthians em 2010, apesar do valor pedido pelo clube.

Esse acordo Hypermarcas/Flamengo consolida a sinalização do mercado para os valores que vêm sendo discutidos e este Olhar Crônico Esportivo comentou recentemente, e vai repercutir não só no patrocínio do Corinthians, como também do São Paulo, em fase de negociação.

E Patrícia Amorim começará sua gestão com uma notícia de alto impacto e alto valor. Com a corda toda.

Atirando no próprio pé

ter, 08/12/09
por Emerson Gonçalves |

O ex-presidente rubronegro Marcio Braga, já foi elogiado e já foi criticado aqui neste Olhar Crônico Esportivo. Mais criticado que elogiado, verdade seja dita. Seria agora o momento de um elogio com ressalvas, várias ressalvas, por conta da conquista do BR, mas, e não por mim, mas unicamente por ele, vai mesmo é uma crítica.

(Aos críticos de plantão: as ressalvas a que me refiro são à gestão Braga e Braga/Leite, e não ao título conquistado.)

Recentemente, o clube fez uma demonstração de suas contas no período 2003 a 2008, que, basicamente, coincide com a gestão Braga. Houve, inegavelmente, uma evolução significativa nesse período, em que o ponto alto foi o pagamente de 75 milhões de reais em dívidas. O que não impediu que o valor consolidado nesse final de 2009 tenha atingido o total de 333 milhões de reais. Dívidas que, como diz o ex-presidente, foram contraídas em outras gestões.

Ao lado desse valor, temos alguns outros bastante interessantes, como, por exemplo, o crescimento das receitas de 53 milhões em 2003 e em 2004 para 118 milhões em 2008. O valor recebido pelos direitos de TV passou de 15,9 milhões nos anos de 2003 e 2004, para 43,6 milhões de reais em 2009. A receita de bilheteria, em sua maior parte do Campeonato Brasileiro, foi de 20,9 milhões em 2007 e de 21,1 em 2008. Em 2003 foi de 6,3 milhões e a soma de 2000, 2001 e 2002 atingiu 9,4 milhões de reais. Nesse Brasileiro recém-terminado, o Flamengo teve uma receita bruta de bilheteria no valor de 14,6 milhões de reais. Entre 2004 e 2008 o clube pagou 63 milhões de débitos cíveis e trabalhistas – estes, a maior parte do valor.

Dados esses números, reparem que eles coincidem, como já falei, com a gestão Braga e essa coincide, ora vejam, com a introdução dos pontos corridos no campeonato.

Mera coincidência ou haverá alguma ligação entre esses números, esse desempenho de uma gestão, e as necessidades que o novo sistema de disputa passou a exigir dos clubes? Eis uma questão interessante.

Ontem, no calor da comemoração, Marcio Braga manifestou-se contra a fórmula dos pontos corridos e pregou a conveniência financeira de playoffs entre os ponteiros da competição.

Playoff é uma beleza, playoff é bárbaro, playoff é tudo de bom.

Quando o time da gente está dentro.

E quando o time da gente está fora?

Nesse momento de festa e comemoração de título é fácil para um dirigente falar contra os pontos corridos. Os cofres vão bem, obrigado. Mas de 20 clubes, 16 ficariam à margem da festa financeira. Ou 12, com outros 4 só sentindo o gostinho e já caindo fora.

Como fechar um patrocínio de doze meses com a perspectiva de ficar um mês ou pouco mais às moscas?

O dirigente que defende a volta ao mata-mata está atirando no próprio pé.

Essas e outras perguntas são chatas de serem respondidas no meio da festa.

Então, volto a perguntar:

E quando o time da gente está fora?

Mata-mata ou a volta de quem nunca foi embora

seg, 26/10/09
por Emerson Gonçalves |


Antes de mais nada, acho tanto enfadonha quanto inútil a discussão pontos corridos x mata-mata. Há torneios para os dois, há momentos para os dois, há necessidade de ambos. Tudo isto já é mais que sabido e debatido.

O que é pouco debatido, entretanto, é o caráter mata-mata do campeonato por pontos corridos. Com uma vantagem: no mata-mata convencional um dos times “morre” e vai embora. No mata-mata inteligente dos pontos corridos, nem sempre o perdedor está alijado, morto na competição. Porque o campeonato por pontos corridos muitas vezes permite voltas, viravoltas e reviravoltas.

Peguemos, por exemplo, essa recém-terminada 31ª rodada. Uma análise isenta mostra que quase todos os seus jogos foram decisivos, com um caráter dramático, um jeito de ser definitivo, coisa de matar ou morrer, figurativamente.



Alguém pode dizer que Santo André x Palmeiras não foi um mata-mata legítimo?

E anteontem, Atlético Mineiro x Vitória e Náutico x Barueri em Recife, no Estádio dos Aflitos?

Todos eles jogos decisivos, alguns muito mais que isso, verdadeiros jogos de vida ou morte, como para o Santo André e como tinha sido para o Náutico alguns dias antes, voltou a ser nesse jogo e continuará sendo até o final.

Emoção pura do começo ao fim, até com exageros condenáveis, nervos à flor da pele no gramado e na arquibancada; típico mata-mata.


No domingo continuou a sessão mata-mata nos pontos corridos.


Em Porto Alegre, com o GreNal no Beira-Rio.

Com o SanSão na Vila Belmiro.

No Engenhão, onde pela primeira vez, finalmente, tivemos um Botafogo x Flamengo, como foi desejo do mandante. Desejo justo e legítimo, mas deu Flamengo que encostou de vez no G4 e já sonha com o título.

Em Curitiba, um AtleTiba emocionante. Se as primeiras posições não estavam em jogo, a vitória era fundamental para o Coritiba respirar um pouco mais distante da zona do rebaixamento.

Goiás e Avaí enfrentaram os dois ponteiros da parte baixa, Fluminense e Sport. Não por acaso tivemos dois empates com resultados iguais.

Finalmente, no Pacaembu, um jogo que poderia ter sido pouco interessante em termos de colocação na tabela, já que o Corinthians está jogando somente para cumpri-la, mostrou porque o Cruzeiro é a melhor equipe do segundo turno, agora encostado no G4, surpreendendo muita gente que já o considerava sem possibilidades de brigar por uma das vagas da Copa Libertadores. Diga-se, a bem da verdade, que eu mesmo fazia parte desse grupo.

Uma rodada inteira de mata-matas e não que as anteriores não tenham sido parecidas. Alguém acha que as próximas serão mornas? De jeito nenhum, podem ir preparando os corações e conseguindo mais alvarás domésticos, pois a emoção será a tônica dessas rodadas finais.

Afinal, tudo está por definir, ainda e temos muitos mata-mata pela frente. Sem que ninguém morra e caia fora da competição. Porque a grande verdade é que o mata-mata nunca foi embora do Campeonato Brasileiro.

As boas companhias

sáb, 17/10/09
por Emerson Gonçalves |

“Dize-me com quem andas e te direi quem és” – essa é clássica, é um dos ditados mais empregados… Correção: era um dos ditados mais ditos antigamente por mães, pais, avós, tios e pessoas de bom senso e experiência de vida. Hoje… Ok, deixem para lá. Mas, muito ou pouco empregado, é uma frase absolutamente verdadeira e Ricardo Teixeira, presidente da CBF, é prova disso. Se de um lado ele tem as péssimas companhias dos cartolas federativos tupiniquins, por outro ele vive ao lado de Blatter, Platini, Beckenbauer e outros menos votados, mas não menos capazes. Daqui desse Sítio das Macaúbas (e sítio para mim é uma pequena propriedade rural, enquanto um endereço de internet é site – “çaiti” -, tal como deve ser), ouvindo a galinhada, os bezerros brincando, fazendo folia, e as vacas reclamando para que o novo piquete cheio de capim novo e apetitoso seja aberto, tenho comigo que essas boas companhias inspiram Teixeira a conduzir a CBF de uma maneira bastante razoável em alguns pontos. Em outros, não, como bem sabem os leitores deste Olhar Crônico Esportivo.


E onde é razoável a CBF? Antes de entrar no assunto, é bom definir que esse adjetivo razoável está aqui empregado no sentido de aceitável pela razão, que age de forma racional, que tem bom senso, e não no sentido mais comum em que é empregado no dia-a-dia, que é o de moderado, não excessivo, aceitável, suficiente, algo que é bom, mas não excelente.


A CBF é razoável na defesa feita ontem por seu presidente do campeonato brasileiro por pontos corridos e na adequação de nosso calendário ao europeu. São duas questões em que o uso da razão indica claramente que o melhor para nosso futebol é a manutenção do formato atual de disputa e a mudança de nosso calendário. Tudo isso seria ainda melhor se acompanhado pelo fim ou por significativa redução das datas disponíveis para os campeonatos estaduais, além, é claro (e nisso a “dona” CBF não é nem um pouco razoável), da suspensão do Brasileiro nas datas FIFA.

Falando ontem à Folha, no Rio de Janeiro, Teixeira disse ter “80.000 argumentos” para defender os pontos corridos. Como, por exemplo, o fato de na última rodada do campeonato de 2008 apenas um dos dez jogos não valer mais nada em termos de conquista ou classificação para os dois times. Além disso, estamos com uma média de público de 17.000 torcedores por partida, que já é semelhante à do Campeonato Francês – está certo que não é a mais empolgante das ligas europeias, mas já é um bom referencial, mesmo porque essa média tem crescido consistentemente desde a implantação dos pontos corridos em 2003.

Há outros pontos, alguns citados por Ricardo Teixeira, como o fato do oitavo colocado ter sido o campeão de 2002, e outros não citados, mas que são fundamentais, como, por exemplo, o fato desse formato ter forçado os clubes a pensarem de fato e a implementarem um planejamento de suas atividades. Esse, por sinal, é um processo lento e complicado, não nasce pronto, tem que ser aprendido na teoria e, sobretudo, na prática, disputa após disputa, e é visível que houve avanço nessa área entre os clubes brasileiros. Como é natural, uns avançaram mais, outros menos, mas o movimento existe e seu sentido é positivo.


É aqui, na minha opinião, que pesam as boas companhias europeias. Tampouco morro de amores por esses cartolas europeus, todos eles grandes burocratas e defensores de poderes enormes para suas federações, em detrimento dos clubes, mas há que se ressaltar, elogiar e procurar aproveitar o que eles têm de bom, e o respeito às regras, a simplicidade complexa dos pontos corridos como base dos campeonatos nacionais, sem dúvida são das coisas mais importantes que podemos e devemos aprender e apreender com os europeus.


Ainda na conversa com a Folha, Teixeira reclamou dos horários dos jogos. Elogiou o horário das 19:00 e, por simples dedução, execrou o horário das 21:50. Aqui, entretanto, o bicho pega. Eu, particularmente, gosto muito do horário das 21:30, principalmente se ainda morasse em São Paulo. Ir a um estádio em São Paulo em plena hora do rush é tarefa ingrata. E já adianto: ir a qualquer um dos estádios. Pegar o trânsito paulistano entre cinco da tarde e oito da noite é um castigo e um tormento permanente. Para mim, o horário mais civilizado para se trafegar pela cidade nas noites de dias úteis é a partir de oito e meia ou nove horas. Não tenho dados estatísticos, mas um simples olhar pelas vias de acesso mostra que a maior parte dos torcedores vão aos jogos em seus carros, o que aumenta a justificativa para um horário mais adequado ao trânsito, pelo menos nos jogos na cidade de São Paulo. Mas, repito, essa é a minha opinião de paulistano e frequentador de estádios.

Para muitos, a leitura desse súbito gosto pelo horário das sete da noite e a nova defesa dos pontos corridos, é tão somente uma retaliação ao desejo manifestado pelo diretor da área de esportes da Globo de mudar o formato do Brasileiro, retornando à fórmula dos mata-mata.

Muita água ainda vai rolar sob essa ponte. Se tudo correr como deve ser, o torcedor será ouvido e tudo será discutido e negociado, entre as partes interessadas: os clubes e as emissoras. Sim, as federações também, mas quem disse que elas são partes legítimas nisso tudo?

Eu não.

De minha parte, faço votos para que Teixeira ouça mais e mais e tente seguir mais e mais seus colegas d’além-mar, ao invés de sua “tchurma” das cartolagens estaduais. Afinal, como dizia minha avó, cuidado com as companhias. Ou, dize-me com quem andas e te direi quem és.

Dunga e a definição (ainda) do BR – Parte III

ter, 13/10/09
por Emerson Gonçalves |

Na próxima rodada os astros estarão de volta às suas equipes, inclusive, ao que tudo indica, o machucado Adriano, e o Campeonato voltará, espera-se, à normalidade. A mesma que foi quebrada pelas convocações, como vocês acompanharam.

O “fator Dunga” não foi aproveitado por ninguém, e todos, exceto o Flamengo, sucumbiram a ele, uns mais, como o Palmeiras, outros menos, como o Internacional. A classificação dos seis primeiros colocados não sofreu alteração nessas duas rodadas, o que chega a ser um pouco impressionante. Por um lado, significa um campeonato duro, difícil, equilibrado. Mas, por outro, demonstra claramente a fragilidade e pouca qualidade (não gosto dessa palavra no futebol, mas, vá lá) de nossas grandes equipes.


Na rodada anterior, o Palmeiras tomou 2×0 do Avaí, em casa, mas conseguiu reagir e chegou ao empate. Ontem, no Aflitos, não teve jeito e perdeu por 3×0 para o Náutico. Tinha desfalques diversos no time, mas quem pode negar que o maior e mais importante não foi justamente Diego Souza?

O Galo perdeu para o Cruzeiro por 1×0. Se, a palavra mágica do futebol, Diego Tardelli estivesse em campo, talvez o resultado fosse diferente. Talvez, não necessariamente, mas, como no caso palmeirense, é mais que óbvio que esse outro Diego também faz uma falta enorme ao time.

No Maracanã o Flamengo engoliu o São Paulo, que pouco viu a bola durante o jogo e perdeu de virada. Petkovic compensou a ausência do Imperador e conduziu o rubronegro a uma grande vitória. Pode-se dizer que o São Paulo sentiu a falta de Miranda, mas isso foi somente um detalhe. Faltou, mesmo, foi futebol e (outra palavrinha chata e muito usada) atitude.

(Não confundir com altitude, palavrinha que é a vilã-mor do futebol tupiniquim, muito pior do que é pelo medo e pelas histórias muitas de que é cercada. Altitude é uma excelente desculpa para derrotas na Bolívia.)

Quem mais aproveitou – e não melhor – essas duas rodadas foi o Internacional, que melhorou sua colocação mas deixou escapar a vice-liderança.


Dada a combinação de resultados o “fator Dunga” pouco influiu, mas ainda poderá influir. Diego Souza queria fazer em La Paz o seu “jogo da vida”. Passou muito longe disso. Em condições normais isso poderá afetar seu rendimento na volta ao clube. Nesse caso, o “fator Dunga” agirá com efeito retardado. Todavia, caso jogue contra a Venezuela e faça uma boa partida, inteira ou em parte, poderá superar com mais facilidade a frustração do jogo de La Paz.


Independentemente dos números e da classificação, creio que tudo que ocorreu foi suficiente para mostrar que não podemos ter rodadas do BR em datas FIFA.

Não falei da contusão de Adriano por um simples motivo: ele estava defendendo a seleção num jogo oficial de Copa do Mundo (hoje, as eliminatórias são consideradas já como Copa; não concordo, mas para esse post essa ideia cai muito bem).

Estava, portanto, sujeito aos riscos do jogo. Além disso, jogar na seleção é sonho de todo jogador e foi uma das grandes razões para Adriano voltar ao futebol brasileiro. O problema não está, nunca esteve, nas convocações, e sim na manutenção dos jogos do campeonato como se tudo estivesse normal.


Enfim, vida e campeonato que seguem, mas não será nada difícil uma parte IV desse post.

E, por enquanto, rubronegros e cruzeirenses sorrindo à toa, pois já que os ponteiros deixaram, eles estão chegando. Ao título não, mas ao G4. Como já diz o nome, se dois chegam, dois saem, pois só cabem quatro. Emoções à vista, não em alto mar, mas nos gramados.


Dunga e a definição do BR – Parte II

sex, 09/10/09
por Emerson Gonçalves |


Em Teresópolis, na Granja Comary, Diego Souza, Adriano e Miranda treinam no time principal. Diego Tardelli e Sandro no time reserva. Ao lado dos dois, Kaká e Luiz Fabiano.


Kaká, Luiz Fabiano e Gilberto Silva, provavelmente sequer seguirão para La Paz, indo diretamente para Campo Grande. Motivo: poupá-los do jogo na altitude de La Paz, coisa que nossos times enfrentam corriqueiramente, sem maiores dramas, apesar de algumas ocasionais pantomimas.

Na Granja Comary, descontração

Na Granja Comary, descontração

Enquanto tudo isso acontece no róseo mundo do futebol da CBF, por aqui rolaram os jogos previstos do Campeonato Brasileiro.


No jogo do Morumbi o São Paulo empatou a duras penas com o Coritiba. Detalhe: sofreu dois gols em falhas não muito comuns da defesa.

Detalhe: o titularíssimo Miranda, como vimos, treinava em Teresópolis.


No jogo do Engenhão, o Galo, que apesar do que pensa parte de sua torcida não tem um elenco com boas alternativas, foi derrotado sem choro nem vela pelo Botafogo. Não que com Diego Tardelli em campo o resultado viesse a ser diferentes, nunca saberemos, mas sabemos que ele fez muita falta ao time que lhe paga o salário e que perdeu a chance de alcançar a vice-liderança.


Em Salvador, num daqueles jogos tão épicos quanto malucos, o Flamengo, sonhando em chegar ao G4, empatou com o Vitória em 3×3. Pode-se dizer exatamente o mesmo que foi dito para o jogo do Galo e a ausência de Tardelli.


Em Porto Alegre, o Internacional sem Sandro venceu o Náutico, na estreia de Mario Sergio, o técnico que veio para ficar 60 dias. Os colorados reclamam, ainda, a ausência de Giuliano, jogando pela sub 20.


Finalmente, no jogo do líder do campeonato, a situação ficou feia, e a vantagem ampla correu risco. O Avaí fez 2×0 e a duríssimas penas o Palmeiras empatou, já no final da partida. Enquanto isso, em Teresópolis, Diego Souza sonha, com todo o direito e justiça, em fazer o jogo da sua vida em La Paz. Com ele em campo, muito provavelmente o resultado poderia ser outro.


Não custa repetir que enquanto tudo isso acontece por aqui, em além-mar nada acontece, exceto os jogos das seleções nacionais.

Garoa, frio e mais descontração em Teresópolis

Garoa, frio e mais descontração em Teresópolis

Como o treinador brasileiro é bonzinho e os dois jogos já não têm importância, ele deixará dois jogadores-chave descansando, para sorte dos times europeus que pagam seus régios salários. Justíssimos, diga-se de passagem.


Nessa história toda, os bobos de sempre são os mesmos bobos de sempre: os clubes brasileiros.

E, por último, mas não menos importantes, muito pelo contrário, os torcedores brasileiros.

Aguardemos, agora, pela parte III dessa mini-série.


Dunga pode definir o campeão brasileiro de 2009

ter, 06/10/09
por Emerson Gonçalves |


Vou fugir um pouco ao batidão deste Olhar Crônico Esportivo, se bem que, pensando bem, será uma fuga apenas parcial.


Selecionei 6 jogos dessas duas próximas rodadas:

São Paulo x Coritiba

Botafogo x Atlético Mineiro

Palmeiras x Avaí

Flamengo x São Paulo

Botafogo x Atlético Mineiro

Náutico x Palmeiras

Como vocês puderam ver, eles reúnem os três maiores candidatos ao título desse ano: Palmeiras, São Paulo e Atlético Mineiro. Segundo os matemáticos e segundo os cronistas esportivos, são os três candidatos ao título com chances reais.

Aproveito para falar do trabalho desenvolvido por meu amigo Ricardo, flamenguista roxo (pode ser roxo?), que já definiu que a pequena Catarina, que chegará em breve, será uma rubronegra ferrenha. Quem sabe no futuro ela se encontra no Maracanã com o Lucas, o neto do Xaruto, outro rubronegro roxo? (Desculpem pela digressão e as menções a dois amigos.) O Ricardo é fera em matemática, trabalha com isso e vem desenvolvendo um sistema bastante interessante para previsões de jogos e títulos. Sujeitas, felizmente, a todas as chuvas e trovoadas possíveis, afinal, isso é futebol. De acordo com seus cálculos, essas são as chances de título, nesse momento:

Clube

Chance

Palmeiras

65%

São Paulo

13%

Atlético Mineiro

12%

Goiás

5%

Internacional

2%

Flamengo

2%

Grêmio

1%

Corinthians

1%

Outros

0

Esses três clubes, portanto, reúnem 90% das chances de título. Vamos, agora, a uma curtíssima análise de cada um dos jogos. Peço a atenção e a indulgênca de vocês para a essa análise, que levará em consideração, basicamente, somente o “fator Dunga”. Os jogos estão na ordem de data e na mesma ordem da tabela publicada por esse portal.

São Paulo x Coritiba: o tricolor paulista joga no Morumbi contra o Coritiba, sem o zagueiro Miranda. Em condições normais de pressão e temperatura, é o favorito nesse confronto, embora Marcelinho Paraíba esteja jogando muita bola e surpreenda com certa frequência.

Botafogo x Atlético Mineiro: o Galo vai ao Engenhão enfrentar um Botafogo que começa a mostrar o bom trabalho de Estevam. E vai sem Diego Tardelli, sua estrela maior. Vai, também, sem Eder Luiz e Renteria, mas aí já são outros quinhentos e essas ausências fogem ao tema desse post. Apesar das reclamações que vou ler dos atleticanos, Tardelli fará muita falta, sim. O elenco é bom, mas não o suficiente para suprir essa ausência. Palavra de Celso Roth. É um jogo com perspectiva de empate ou vitória do Botafogo.

Palmeiras x Avaí: jogo perigoso, entre o líder e a grande surpresa desse campeonato. O Avaí joga bem fora de casa, é perigoso e vem fazendo campanha excepcional. O Palmeiras é o líder e é treinado por Muricy, mas… Opa, uma pedra no sapato: jogará sem Diego Souza. E as únicas derrotas de Muricy foram justamente quando não pôde contar com seu meia, que é, para ele, e para muitos, o melhor jogador do campeonato. Até concordo com isso, nesse momento. Dizer o que desse confronto? Que o Palmeiras é o favorito? Seria, com Diego. Sem ele, não sei se é tão favorito, considerando o adversário que terá pela frente. Não ficarei surpreso, portanto, se o Palestra Itália assistir a um empate.

Já nessa 28ª rodada podemos ver que o “fator Dunga” poderá influir na contagem de pontos dos três favoritos. Vejamos, agora, os jogos da 29ª rodada:

Flamengo x São Paulo: Adriano não estará em campo pelo Flamengo, enquanto pelo São Paulo a ausência será de Miranda. A defesa tricolor, mesmo sem Miranda, tem se portado muito bem, e é, ao lado da palmeirense, a melhor do campeonato. O Flamengo, apesar de Pet e do excepcional momento de sua defesa, depende um bocado do Imperador. Teoricamente, o São Paulo estará em melhor situação que o Flamengo, em termos de desfalques. Um jogo de resultado imprevisível, mas com alguma cara de empate.

Atlético x Cruzeiro, o grande clássico das Alterosas. E o Galo sem Tardelli, que até aqui participou de 51% dos gols atleticanos nesse campeonato, contra um Cruzeiro mordido e reagindo jogo a jogo. Outra partida de resultado muito difícil de prever (todo resultado é difícil ou é mero chute, já que falamos de futebol, mas usando um pouco de lógica é isso).

Náutico x Palmeiras: aqui o bicho pega. O alvirrubro estará muito mais que simplesmente mordido e jogará em casa. O alviverde terá que fazer das tripas coração para conseguir um bom resultado no Aflitos, onde a ausência de Diego Souza poderá pesar mais que o normal.

Então é isso, pessoal. Uma combinação de resultados nada difícil de acontecer, como vimos nas análises de cada jogo, poderá provocar uma mudança de colocação que, nessa altura do campeonato talvez não seja mais revertida. Ou mesmo que venha a ser, jogará uma pressão e um fator completamente estranho à competição propriamente dita. E disso tudo poderá resultar o campeão brasileiro dessa temporada.

Sim, sim, sim, muitos dirão que escrevi isso porque sou são-paulino. Ok, sem problemas, mas, por favor, esqueçam esse detalhe e atentem para essas partidas e suas características. Aparentemente, dos três times na ponta o menos prejudicado e possivelmente até beneficiado pelas convocações será justamente o São Paulo (e agora os são-paulinos apressadinhos irão me criticar…).

Mas não importa, o que eu quis com esse post foi demonstrar cabalmente o absurdo que é os times brasileiros jogarem seu mais importante campeonato tendo jogadores convocados para a seleção.

As “datas FIFA” existem e são conhecidas com muita antecedência. Nessas datas, os clubes param, não disputam jogos oficiais, exceto no Brasil.

Mas o Campeonato Brasileiro não pode ter jogos nessas datas.

Esqueçam, por favor, as preferências clubísticas, e vejam que o “fator Dunga” poderá definir o campeão brasileiro de 2009.

É justo?

Deixo a resposta com vocês.

Em tempo: o “fator Dunga” será mais forte que o “fator Muricy”?

Calendário 2010: o que era ruim ficou pior

sex, 02/10/09
por Emerson Gonçalves |
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Navegava despreocupadamente pelo site da CBF, buscando os números de público e renda de alguns clubes para um novo post, quando deparei com essa pérola ainda quentinha, ou fresquinha, recém-saída do forno, ou melhor, da concha, já que é uma pérola: o Calendário da CBF para 2010.

Vejam que beleza…

Reparem na segunda mancha, uma manchinha pequena… Ok, vai lá e pega a lupa do trabalho escolar do filho, eu espero.

Pegou? Olhou?

Não achou?

Como não? Olha bem… Isso aí, essa pequena mancha num tom de azul-claro, é a segunda de cima para baixo, da esquerda para a direita.

Pronto! Essa mesma!

Agora dê uma olhada no que ela significa… Tá logo ali do lado, na extrema esquerda da linha da mancha minúscula, quase microscópica. Isso, garoto, bom trabalho. E o que está escrito aí?

“Pré-Temporada (06/1 a 15/1)”

Pois é… Agora vem a pergunta que não quer calar:

Falar o que dum calendário futebolístico, que em pleno século XXI, na falsamente dita “terra do futebol”, reserva 10 dias corridos – dez fantásticos dias corridos – para a pré-temporada? Nesse período, nem o dedinho do pé direito entra em forma e se entrosa com seus companheiros de pé.

Campeonatos estaduais: essas competições fantásticas, em pleno ano de Copa do Mundo, conservaram todas as absurdas 23 datas. Preciosas datas, que serão gastas para levar os clubes do nada a lugar nenhum. Alguns clubes – 8, talvez 12 – receberão boas cotas pelos direitos de transmissão de seus jogos. Os demais, bom, deixa pra lá. Se alguém quer saber o porquê dessas competições serem imexíveis, basta conhecer o regulamento eleitoral da CBF. Está tudo ali. As 23 sagradas datas estão intimamente relacionadas à estrutura de poder do futebol brasileiro. A manutenção delas garante os cartolas federativos nos estados e estes, por sua vez, garantem as reeleições infinitas do presidente da CBF.

No mais, será um ano atípico.

A Copa do Mundo interromperá os campeonatos no Brasil e na América do Sul entre 6 de junho e 7 de julho, o Brasileiro da Série A, e entre 19 de maio e 28 de julho a Copa Libertadores de America. Isso significa que os clubes que tiverem jogadores convocados para suas seleções nacionais não serão prejudicados na Libertadores. Exatamente o oposto, entretanto, ocorrerá com os times brasileiros que tiverem jogadores trabalhando fora, a serviço do selecionado nacional.

A normalidade, entretanto, voltará uma vez finda a Copa do Mundo. Como o tempo é inelástico, os jogos do BR serão concentrados. Teremos 31 rodadas entre 14 de julho e 5 de dezembro. Deixará de ser um campeonato de futebol para ser uma competição de resistência. De permeio, 4 datas FIFA, 4 jogos do time da CBF – sim, time da CBF, uma vez que a Copa será passado, assim como a eliminatória; ah, é, o Brasil não disputará eliminatória, pois a Copa próxima será aqui – e tudo como dantes no quartel de Abrantes. Os clubes cederão jogadores, os times serão prejudicados, um ou outro treinador vai reclamar, nenhum dirigente vai se meter a besta de reclamar, é claro, e vamos que vamos. Ou melhor, vamuquivamu, porque nem gastar português com isso vale a pena.

Em tempo: repararam que somente a “pré-temporada” e os estaduais não foram mexidos? Uma boa prova da importância que ambos possuem.




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