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Ainda, a Maculada.

sex, 12/03/10
por minwer.daqawiya |

LetraBonatto

Ainda sobre o assunto MANTO, até porque essa nunca vai ser uma pauta vencida. A camisa dividiu a torcida, uma pena que o assunto, debatido ferrenhamente em listas de discussão, sites de relacionamento, mesasde jantar e bares tenha entrado mais no mérito do feio ou bonito do que da identidade, quanto ao primeiro, ainda vale o argumento superficial de que “gosto é gosto” mas nunca para o mérito da identidade. Quem tem crise com isso é clube sem tradição, que troca o símbolo toda hora e admite usar a cor do rival, mesmo que em outra tonalidade e arrumando desculpas cromáticas.

Preocupa isso se tornar uma tendência em nome das vontades do fornecedor, e assim como o comportamento do time em campo, com o tempo acabar com mais uma característica histórica do Grêmio, sua camisa própriamente dita. Essa camisa que até pouco tempo podíamos nos orgulhar de ser única, como a de poucos clubes conseguem ser. Retire os emblemas das camisas de Grêmio, Boca, River Plate, Flamengo, Peñarol, Barcelona e mesmo assim até um esquimó amish identificará cada um deles. Agora, faça a mesma coisa com uma camiseta vermelha. Detrás de cada moita de cada país sai meia dúzia, só entre os conhecidos.

É essa originalidade do nosso Manto que está se esvaindo sem que muita gente perceba, incluíndo-se aí aqueles que tem a obrigação colocar o patrimônio histórico do Grêmio na balança quanto sentam-se a mesa com fornecedores, patrocinadores, investidores, etc. SE valorizar também ajuda as finanças, mas não é o que pensa por exemplo, nosso diretor de marketing, quando menospreza o assunto: “Ah… As camisas do Grêmio são todas bonitas, nunca vou reclamar delas. Mas não tendo nada vermelho, já me faz muito feliz”. Ou seja, apresente uma camisa de bolinhas azuis e pretas, não tendo vermelho, tá aprovada. Mais seriedade e respeito por favor, fornecedores de material esportivo existem vários. O Grêmio é só um.

A camisa até pode ter sido um sucesso de vendas na primeira semana. É lançamento, o pessoal se atira mesmo, principalmente quem coleciona. Mas eu teria curiosidade de ver um comparativo ali adiante com a média de vendas da camisa da Libertadores. E poderiam até fazer o levantamento a partir das vendas pós-eliminação.

Nada vai mudar o modelo de camiseta que aí está. Mas essa reflexão é necessária e urgente para o futuro.


Cristian Bonatto, Gremista de Sapucaia escreve às sextas.

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Elas mereciam algo melhor

seg, 08/03/10
por minwer.daqawiya |

LetraBonatto

Março chega trazendo o dia MUNDIAL da mulher. Elas que protagonizaram mais uma vez o bom público para a noite de sábado no Olímpico, desta vez com ajuda da grande iniciativa da entrada mediante à materiais escolares. Pelo menos alguma coisa de bonito havia pelas bandas do Monumental durante o jogo do Grêmio contra outro dos clubes menores de Porto Alegre. Nas vésperas do dia delas, contra um time ruim que dói, na apresentação da nova camisa, indo para o terceiro mês de trabalho, Silas tinha a obrigação de retribuí-las com uma apresentação muito melhor do que foi visto.

A utilização dos reservas, mesmo se fosse convencidamenrte justificada, não pode ser a desculpa para uma atuação dessas. A disputa em campo era entre as individualidades do Grêmio contra as do Porto Alegre, já que padrão de jogo nenhuma das equipes tinha, com a ressalva do time do Lami trocar de técnico a cada semana. O pior é constatar que, principalmente no meio, se tivessemos mais titulares em campo o desentrosamento seria o mesmo, tamanho o rodízio de jogadores no setor que Silas promove. No meio campo gremista, o único diálogo possível entre os jogadores durante a partida, sempre começa por “Olha quem está aqui! Quanto tempo velho!”

Também concordo com a resposta padrão do Silas depois da oitava vitória consecutiva sem convencer ninguém: “O que importa é a vitória”. Mas não em Gauchão! Principalmente numa das edições com o nível técnico mais fraco da história (Tem bastante gol? Tem, justamente por isso), onde nem o futebol mostrado na Padre Cacique serve de parâmetro. O Grêmio já tinha que estar patrolando em campo no Gauchão, pelo menos para que nós pudéssemos estar nos advertindo quanto ao deslumbre de não ter enfrentado um adversário mais forte. Mas nem isso podemos.

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Para que a nova camisa do Grêmio fosse melhor do que a do ano passado, não precisava muito esforço. Digo até que ficou bonita como peça, mas não como CAMISA DO GRÊMIO. A frustração ficou maior ainda depois de ter sido anunciada previamente como um modelo mais tradicional e parecida com a de 1995. Reforço minha opinião desde que a Puma começou a brincar com o que é sagrado. A proporção (ou até mesmo o tamanho) das listras, bem como a tonalidade do azul deveria seguir um manual de identidade que constasse no Estatuto do Clube e repassado para qualquer fornecedor. Sugiram modificações que quiserem, proponham suas tendências e linhas, mas sigam essas diretrizes. Pronto.

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Desta vez vou simbolizar minha homenagem às mulheres na figura da Tia Eloiza, parada obrigatória quando vou nas Sociais, pelo menos para deixar um beijo. Uma mãe que meu amigo Adriano empresta à uma gurizada que ela viu crescer desde os tempos de Super Raça Gremista. Uma enciclopédia gremista, sempre presente no Olímpico e que já esteve nos melhores e piores momentos e lugares onde o Grêmio estivesse.

Cristian Bonatto, Gremista de Sapucaia escreve semanalmente.

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Sequestradores do futebol e suas exigências

sex, 26/02/10
por minwer.daqawiya |

LetraBonatto

refem02

Como qualquer iniciativa que leve em consideração os interesses do torcedor que vai ao estádio automaticamente vai contra os interesses da televisão, já começou a chiadeira de intere$$es. E quando qualquer ameaça à TV é detectada, já sabemos quem é o primeiro bom aluno da turma a levantar o braço para se manifestar em favor da casa. Ontem no seu blog, este mesmo, deste mesmo jornal que tu já imagina, faz mais uma vez o papel de advogado do diabo contra o projeto de 23h15min como limite para término das partidas, que foi aprovado em SP e RJ e apresentado anteontem na Câmara de Porto Alegre.

Sobram motivos para ser simpático a idéia, muito além das razões apresentadas no projeto que também beneficiaria em muito, os torcedores de fora da Capital e que são a maioria nos jogos em POA. Dou meu exemplo de morador de Sapucaia: Numa partida que termina quase meia-noite é impossível pegar o último trem. Tenho que ir de carro (mais um na BR em horário de pico), gastar com gasolina, ficar na mão de flanelinha e preso em engarrafamento na volta se, o carro estiver lá. Quem não tem carro tem que descer na Borges atravessar o centro correndo para pegar o corujão da Real Rodovias, à 01:35, embaixo do viaduto da Conceição, um lugar “super tranquilo”. Parou pra comer um entrevero ou o carris ficou engarrafado? Só o das 02:35. Isso sem falar das situações de quem vem do interior ou de bairros menos seguros da capital.

Os argumentos contrários ao projeto apresentados pelo comentarista, beiram o deboche e mostram todo o desconhecimento e descaso com o principal motivo do futebol existir: o torcedor no estádio. Começa com “Quem quiser, vai ao estádio. Quem não puder, não vai.” Depois, em outra pérola, ignora que o problema da violência vai além dos arredores do estádio e eventuais brigas de torcida: “A maioria dos atentados se dá em jogos diurnos. Aqui em Porto Alegre já deram tiro na cabeça de torcedor após jogo, soltaram bombas após jogos dominicais, realizados sob o sol“. Falou quem vai pra casa com motorista em bairro nobre.

Claro, não poderia terminar sem a tática preferida e tratada como verdade absoluta: Colocar os clubes como reféns de qualquer exigência que os sequestradores do futebol achem cabíveis para estar acima dos interesses da maioria. Claro que o futebol depende da televisão, mas a recíproca também é verdadeira. A TV que arrume sua grade e sua vida de acordo com seus direitos e deveres como qualquer pessoa física ou jurídica, definidos pelo poder público eleitos democraticamente. Para cada emissora que não gostar, tem outras interessadas nos direitos de transmissão. Votamos em legisladores para isso. Mas alguns jornalistas brincam de quarto poder para legislar em causa própria. Quem vota neles?

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A decisão do primeiro turno do Gauchão, ganhou um elemento que promete deixar a peleia mais emocionante do que já se mostrava contra o bom time do Novo Hamburgo: toda aquela “emoção” extra de ter Carlos Eugênio Simon no apito de um jogo do Grêmio. Não que consideraremos “título” um primeiro turno de Gauchão com uma taça com o nome que leva, caso passarmos pelas dificuldades impostas, mas nesse caso fica a curiosidade de saber se será demonstrada a mesma grandeza de Fábio Koff na hora da entrega do troféu.

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Estou torcendo com todas as forças para que de imediato alguém da direção venha desmentir a informação da imprensa de que Mário Fernandes será vendido para a Inter de Milão na janela de agosto e de que o Grêmio já teria inclusive aumentado a multa em favor disto. Torço para que se esclareça e farei o máximo para acreditar. Clubes campeões se fazem segurando o máximo possível seus melhores jogadores, mais do que contratando. Já saiu gente o suficiente para este ano. Além disto seria a anti-propaganda do produto a ser lançado em conjunto com o Banrisul, que viria para ser o fim das dívidas.

Cristian Bonatto, gremista de Sapucaia, escreve às sextas e seu lugar sempre será no estádio.
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Uma coisa é uma coisa

sex, 19/02/10
por minwer.daqawiya |

LetraBonatto

Existe alguma simbiose estranha entre técnicos e alguns jogadores fora do padrão. Técnicos que chegam de equipes médias sempre acabam trazendo junto algum jogador que julgaram ter desempenhado papel importante na equipe que treinara anteriormente. Um apego material parecido com aquele que temos com utensílios que, numa mudança, sabemos que não terão serventia na nova morada, mas encaixotamos junto pois “me ajudou tanto, vai que eu precise”. Ferdinando não é para o Grêmio, Silas o trouxe, e pela lei de Murphy, acabou precisando. Tentou dar uma sequencia ao rapaz quando da punição do Adilson e não adiantou. Mesmo não sendo culpado direto por todo um meio-campo que não marca, não se vê, com o maior otimismo possível, Ferdinando como uma peça que possa evoluir junto com o setor.

Outra coisa é outra coisa

Parece unânime, mas se estivermos errados nessa avaliação, se de fato exista alguma qualidade que o Silas enxerga nele, nunca saberemos. Pois esse será apenas mais um que poderia ou não, render mais com a camisa do Grêmio. Primeiro porque a torcida não quer que ele jogue. A maior parte de quem esteve presente na quarta-feira, parece ter estado lá com essa missão, de fazer o jogador errar, como se ele precisasse. Secavam cada bola que chegava aos pés do Ferdinando, e se ele não estivesse em campo, seria qualquer outro. Imagina fazer a mesma marcação também nos jogadores adversários? Tá bom, foi só uma idéia. Segundo porque Willian Magrão está vindo aí e esse lugar é dele. Que ele jogue o que vinha jogando no momento de cada uma das lesões. Que mesmo assim, venha mais um volante com característica de desarme. Qualquer Grêmio vitorioso, passa por aí.

Há que se levar em conta que temos muitas peças boas trabalhando sozinhas neste time do Grêmio, faltando uma definição de esquema tão somente e um tempo para engrenar. Leandro e Douglas se complementam tendo Hugo como alternativa dor de cabeça para Silas. Rochemback e Fábio Santos deram valor a uma das últimas chances. Mário Fernandes chegou ao final da partida, como de costume esbaforido da entrega. Já quase sem nenhum ar nos pulmões, tocó y se fue pra cima da zaga pentacolor. Primeiro gol. Gana de guri pela primeira vez, a próxima é consequencia.

Volante, zagueiro e lateral, continuam sendo as peças faltantes desta engrenagem. Se a direção continua atenta ao mercado, se estas já estão no grupo, se Rodrigo e Edílson se confirmarem além de promessas e se parte da torcida do Grêmio vai deixar de ser torcida adversária, são respostas que só virão pelas águas de março.

Cristian Bonatto, gremista de Sapucaia, escreve às sextas e tu nunca o verá vaiando qualquer jogador do Grêmio na cancha durante os 90 minutos

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Rimos do Batista, mas os bobos somos nós

sex, 05/02/10
por minwer.daqawiya |

LetraBonatto

Todo mundo já riu bastante do Batista no 3º vídeo mais visto no mundo esta semana no ranking do Youtube . Só que a cena do comentarista revirando os zóinhos abafou a parte mais irônica do vídeo: Quando corta para o estúdio, flagramos um comentarista soltando um arroto de pavor enquanto o outro, mais conhecido e malandro de guerra explica a situação como se o ocorrido fosse um problema tão técnico quanto um cabo rompido, sem deixar de finalizar com uma descontração amarela: “Vamo abanar o Batista legal. Aguinha e ele vem de novo na boa. Tudo certinho”.

Rimos, mas rimos de bobos. Tudo deixa de ser engraçado quando paramos para pensar no porquê o Batista foi descendo até o chão. Desmaiou pelo mesmo motivo que privou quase a totalidade da torcida de assistir a partida (até mesmo os assinantes PFC), também pelo mesmo motivo que não houve futebol em campo e pelo mesmo motivo que levou quem tentou jogar a sair desmaiado direto para a ambulância: o dia e hora determinado para a partida pelo próprio PFC, em uma sensação térmica de 40 e poucos graus. Tudo isso para encaixar a partida na grade do PFC internacional.

O Sindicato dos Atletas Profissionais encaminhou então, uma súplica para a FGF, pedindo que não sejam mais disputados jogos antes das 18h nos meses de janeiro e fevereiro e em nenhuma estação do ano às 11 horas, como manda a grade da TV. A FGF, como consta em seu site, encaminhou o problema das suas ovelhas para os cuidados dos lobos: “A FEDERAÇÃO, por sua vez, sensível a reivindicação, direcionou a solicitação às empresas detentoras dos direitos de TV pedindo a elas que avaliassem a reivindicação dos atletas que estão sofrendo com as altas temperaturas, porqanto todos os jogos agendados às 11hs constam da grade de televisionamento.”

Os preços dos ingressos e mensalidades, a arcaica FIFA, o despreparo das arbitragens, o fair-play banalizado, a fórmula de pontos corridos, as janelas de transferência, a falta de proteção aos clubes com suas revelações da base, as restrições à festa das arquibancadas estão acabando com o futebol. Mas nenhum desses se compara à fome e a ganância da televisão e do marketing soccer bussines. O ponto de imaginar emissoras determinando a escalação nas equipes a curto prazo não é nenhuma histeria.
As federações parecem não saber, ou não querer, valorizar o produto que tem em mãos durante suas “negociações”. Porquê não licitar publicamente os direitos de transmissão com transparência e critérios que respeitem clubes, jogadores e torcidas? Porque não incluir nas exigências sua autonomia sobre horários e fórmulas? Alguém dúvida que mesmo com esses critérios não faltariam emissoras interessadas na transmissão dos jogos? Mas a quem mais interessa o monopólio?

O exemplo argentino é interessante. O monopólio de lá já prejudicava clubes e suas torcidas a ponto destes discutirem com o governo a proposta de rompimento de contrato com o monopólio. O governo levou adiante e depois de muita chiadeira política, hoje quem transmite os jogos é a TV pública aberta com os recursos revertidos aos clubes.

Alguma chance de uma idéia dessas emplacar por aqui? Nenhuma. Com qualquer iniciativa de regular os monopólios da comunicação sendo convenientemente deturpada em “ataque á liberdade de expressão” e o conhecido “poder de mobilização” do brasileiro, continuaremos assistindo o futebol agonizar, via pay-per-view ou radinho. Enquanto isso vamos rindo do desmaio do Batista e fazendo piada de argentino.

Cristian Bonatto, gremista de Sapucaia, escreve às sextas por aqui (ainda).
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Não foi de ontem

seg, 01/02/10
por minwer.daqawiya |
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LetraBonatto

A primeira derrota do Grêmio de Silas começou a acontecer logo em sua estréia em Pelotas. De lá, até Erechim o Grêmio foi levando sufoco de times menores e com mais tempo de treinamento e conjunto, passando por eles na base da vontade de ficar em pé, como alguém que tropeça e vai cair vinte metros depois. Tombo adiável, mas inevitável. Pelotas, Caxias, Veranópolis, Santa Cruz foram dando empurrões até o Grêmio cair sozinho, na frente do quinto time da sequência. Justo onde não podia.

Ao final do ano passado um zagueiro já era uma necessidade diagnosticada, mas nunca priorizada. Pelo contrário, enquanto empilhou-se meias e atacantes, saíram Léo e Réver. Ficamos com Rafa Marques e Maurício.  Nenhum com característica para a titularidade no Grêmio ao lado de Mário Fernandes. Isso se não estragarem o nosso melhor zagueiro provocando uma crise de identidade técnica nele. Faltou o Xerifão ontem, para dar um bico na bola ou em alguém naquele lance igualmente bisonho, mas definitivo do adversário. Mas quem tanto fala em “cara do Grêmio” parece desconhecer essa característica de zagueiro. Isto sem falar do lateral-direito, porque já cansou.

No jogo dos erros do GRE-nal 379, essa foi a parcela da direção. Silas tem a dele, e apesar de ter o apoio da torcida intacto não se pode dizer o mesmo da confiança. Silas não falhou por incompetência e sim, por inexperiência em clássicos desta importância aliada a um cacoete de técnico do Avaí que perece ressurgir de seu inconsciente de vez em quando. Silas armou bem o Grêmio, para quem tem que improvisar uma defesa a cada jogo, mas falhou decisivamente ao abdicar daquilo que vinha compensando essa dificuldade e levando o time nas costas: o ataque. Além disso, deixar o time com um a menos, de graça, por cinco minutos, resultou no primeiro gol contra com a mão do técnico que se tem notícia.

Se duas vitórias consecutivas em GRE-nal se configura numa rotina, é algo discutível. Mas o adversário não poderia deixar passar essa chance, fica meio vazio dizer isso, mas sabem que o momento dessa corneta é agora, já que o próximo clássico pode ser no Olímpico,  que sempre os espera com aquele sorrisão na cara.

Cristian Bonatto, gremista de Sapucaia, escreve extraordinariamente nesta segunda e volta a sua coluna semanal na sexta-feira.

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Nothing Else Matters

sáb, 30/01/10
por minwer.daqawiya |

LetraBonatto

metallica

Como já é tradição, lá no meio alguém puxa um solitário Grêeeeemiooooo que vai encontrando adeptos e toma conta do local. Desta vez nem teve tentativa de resposta. Mas alguém tem que comentar “Bah, nada a ver!”. Até pode ser, mas é só para demarcar território e lembrar quem manda por aqui.

A coluna volta extraorinariamente na segunda-feira, quando este colunista estiver em melhores condições.

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Torcedor em casa, um esforço conjunto

sex, 22/01/10
por minwer.daqawiya |

LetraBonatto

sofa

Me desculpo com o leitor que esperava nesta coluna, uma análise detalhada da vitória do Grêmio sobre o Caxias da tarde/noite de ontem. terei que falar da via crúcis que está se tornando corriqueira a cada dia para se chegar às arquibancadas. Já não precisa ser numa Boca do Lobo, com a Brigada chegando quase na hora do jogo e querendo fazer uma revista semelhante a de quem quer entrar nos states, a frente de DUAS catracas para 3000 gremistas. Não, num jogo tranquilo de Gauchão no meio da semana em Porto Alegre, a vida já começa a ser difícil. Digna de uma comédia, engraçada apenas para os donos das canetas.

Este cara vai passar por apuros numa jornada cheia de confusões para chegar até uma partida de futebol, nesta comédia pra lá de divertida“, anunciou o locutor da sessão da tarde. O deboche começa quando marcam o jogo para as 19h30 de um dia útil. Divulguem então que se trata de um “Evento válido apenas para moradores das cercanias do Monumental, aposentados, estudantes da manhã e desempregados. Os outros, que comprem o pay-per-view“. Mas sou teimoso e iria à estréia do Grêmio no Olímpico de qualquer forma, afinal sou sócio em dia com o dízimo no débito em conta.

A provação apenas começava. Iria de trem (também não faria diferença o carro na BR, pois eles pensam até nisso quando escolhem este horário). Depois da primeira avalanche escada rolante abaixo, chega-se ao Mercado Público para pegar a tradicional linha “Futebol” da Carris. Mas quem disse que o ônibus estava lá? [sonoplastia de risadas de auditório] Não tinha, não teve, não tem mais. Não sei. Bora pegar o velho Cruzeirão que nunca deixa trabalhadores e gremistas na mão. E o Grêmio entrando em campo, via o radinho de alguém [sonoplastia de risadas de auditório]. Trânsito parado na Azenha, me irrito, desço, compro um latão e vou a pé. Sim, cantando o hino inspirado numa greve de bondes da Carris [sonoplastia...].

O primeiro portão a mão era o 16, termino o segundo latão no guti, sou revistado e quando me preparo para finalmente ler o “Olá Cristian” da sempre educada catraca, quem disse que ela leu o cartão, depois de uns três meses na carteira amassada? [sonoplastia] Sem pânico, temos funcionários orientados a ajudar o sócio, sempre com sensibilidade e boa vontade. O coordenador do portão vai passar um rádio para o Atendimento ao Sócio, verificar que estou em dia e liberar a entrada. [Sonoplastia EFUSIVA de risada de auditório]. “Não posso fazer nada, é a orientação. Blá Blá Blá dê a volta no bairro e tenta no Portão 2.

E não querem que chegamos ao estádio bêbados! Mais uma lata rumo ao portão 2. Segunda revista enquanto o Jonas empata lá dentro e nada da catraca me cumprimentar [Sonoplastia] Pelo menos o Atendimento ao Sócio é do lado, verificam que não sou um inadimplente tentando dar um godô e a atendente pede para segui-la perguntando em qual portão quero entrar “Quem sabe o 13 agora, que eu não visitei hoje?“. Vou pro 2 mesmo, pra não fazer a moça caminhar tanto, coitada. Passo pela terceira revista pelo mesmo PM da anterior [sonoplastia] , e a funcionária pede para liberarem a entrada, não sem antes largar um “Ó, mais um sócio perdido“. PERDIDO?

Olho para a câmera, a imagem congela, sonoplastia de risadas com aplausos e sobem os créditos. Neles, agradecimentos à Carris, à Brigada Militar, a Francisco Noveletto (O nome certo para presidir a FGF vender cordinha de violão) Ao nosso moderno e bem equipado Quadro Social, rumo à certificação ISO 9001 no atendimento ao Sócio e às diretorias, seja qual a gestão, por negociarem com a televisão de forma imponente como é jus ao Grêmio, atenta aos horários das partidas pesando bem o valor do seu torcedor que vai ao estádio em detrimento da miséria paga pela TV, para que uma meia dúzia que assina estaduais seja contemplada.

Dentro de campo, o sofrimento continuou. É uma das facetas da Cara do Grêmio que o Silas anunciou que estaria de volta. Não mentiu. Segunda virada, segundo 3×2. Compensando o desentrosamento com pegada e capacidade de reação. Apesar da zaga, que tem ser reforçada por um estilo Rivarola (a direção anunciou estar atrás) e protegida por um volante de ofício, gostei do que vi e do que dá para esperar com mais treino e entrosamento. Valeu Jonas, sem ironia, por fazer minha jornada valer a pena.

Cristian Bonatto, gremista de Sapucaia, escreve às sextas e sempre será Sócio Gremista com orgulho de estar fazendo sua parte, apesar de tudo.

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Esforços em campo e fora dele

sex, 15/01/10
por minwer.daqawiya |

LetraBonatto

Treino é jogo, jogo é guerra. Pode ser, mas jogo-treino não é nenhum dos dois. A não ser para quem se empolgou com os 8×0 sobre o São Paulo de Bento, o magro 2×0 sobre o Flamenguinho não é nenhuma desilusão. No máximo uma pequena frustração ao divertimento dos 3000 presentes ao Caldeirão Rubro-negro. Normal que a saída de bola tenha sido lenta, quase ensaiada, é teste de posicionamento. Normal que o pessoal parecesse estar se arrastando, de fato estavam, final de pré-temporada com Paulo Paixão é algo a se contar para os netos no futuro. Normal que ninguém quisesse entrar em divididas, imagina uma lesão boba às vésperas do primeiro jogo oficial.

Silas usou o jogo-treino para testar dois esquemas de três zagueiros que não serão os principais. O esquema é o 4-4-2 que será empregado na estréia do Gauchão na Boca do Lobo, com os dois triângulos entre meio-de-campo e ataque. Interessante essa solução do técnico para equilibrar tantos jogadores com tendência ao ataque no mesmo time. Por mais estranho que possa soar, com os jogadores que temos, o 5-5-2 é que seria o esquema faceiro.

As negociações foram o ímpeto mais incomum do início dessa semana pelos gabinetes. Quatro perspectivas de contratação entusiasmaram a torcida a medida que os interesses eram confirmados pela direção: Douglas, Vitor, Angeleri e Marcelo Moreno. Essa franqueza toda tem dois gumes, a direção consegue externar o empenho, mas pode ficar refém da desilusão da torcida no caso de fracasso das negociações. O quatro nomes foram se dificultando pelos valores. Entre Vitor e Angeleri a prioridade a ser dada, um dos dois tem que vir. Douglas também vale um certo desatino financeiro, mas nada a moda Guerreiro. Marcelo Moreno me faria adiantar seis meses de mensalidade.

Jonas continua sendo meu preferido para o ataque. Uma pena que as declarações tanto da direção como do jogador estejam cada vez mais com cara de fim de relacionamento, quando ambas as partes estão mais interessadas em jogar a culpa da iniciativa para o outro do que tentarem uma reconciliação. Jonas não gostou de ser colocado publicamente como negociável (todos são, mas não para os microfones). Mas não tem santo, o jogador já negociava sua saída para a Europa em meio ao Brasilerão passado, só não saiu pela lesão. Tem o passe na mão no meio do ano e não vai pedir baixo na negociação dos próximos dias. Tudo, uma pena. Nos resta torcer por abdicações, esforço e vontade de ambas as partes.

Cristian Bonatto, Gremista de Sapucaia, escreve às sextas.
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Mais vale dinheiro na mão do que uma eterna promessa voando

sex, 08/01/10
por minwer.daqawiya |

LetraBonatto

Não lamento nem me surpreendo com a venda de Douglas Costa e ainda acho que o momento não poderia ser mais oportuno e que as cifras foram as melhores possíveis, mesmo reconhecendo a qualidade do guri. “Ta mas como assim? Quanta incoerência!“. Nada disso. Douglas Costa tem todas as condições de sair da casca em definitivo em 2010, mas tenho minhas dúvidas se isso aconteceria se permanecesse no Grêmio.

douglas-costa

Douglas sempre jogou mais para os olheiros e pouco para o Grêmio, talvez por má orientação ou por passar os últimos anos exposto à especulações. A verdade é que o guri parecia jogar dentro de uma vitrine. O importante era a jogada ficar bonita no DVD, um drible a mais ou um chute prematuro valiam mais do que uma tabela ou lançamento. “What you need, my son… is a holiday in Camboja“. No frio do leste europeu, sem tanta indefinição, olheiros e a mamãe, veremos um jogador que não veríamos por aqui. Daí a importância desses 15% dos direitos que o Grêmio manteve. O bom motivo que temos para torcer para que o Douglinhas se transforme finalmente em Douglas Costa.

Asmeiras – Ok que o Meira está ali porque ninguém mais quer abraçar essa bronca, mas que se nomeie então um porta-voz pro nosso Nunes das palavras. Nem falo do “Incidente com torcida é normal“, fico ainda no assunto Douglas Costa. A frase “A qualidade do Douglas é insubstituível, não há no mercado jogador que possa se igualar” era boa para ser dita na mesa de negociações com o Shakhtar e não para a torcida depois da venda. Há maneiras melhores de dizer que Douglas foi embora e não virá ninguém para o lugar. Aliás já veio alguém para a posição.

Chama o Hugo que agora a vaga é dele em definitivo. Mas eu conteria a alegria se fosse ele. Nem sempre o monopólio da posição é um bom negócio. Hugo se dará conta, na sua primeira má atuação, que preferiria disputar a vaga nos treinos com alguém que está ali e não com o fantasma de Douglas Costa, na inevitável comparação que virá pelas viúvas.

Maxi López virá a Porto Alegre explicar seus motivos para romper o contrato e voltar para a Europa. Grandioso de sua parte, pena que já sabemos o que será dito. Não deverá ser muito diferente do tradicional “Agradeço ao Grêmio pela oportunidade, à essa torcida maravilhosa pelo carinho e à Porto Alegre pelo acolhimento, mas tenho que pensar na família e garantir segurança financeira. Espero voltar a vestir a camisa do Grêmio“. Nos sentiríamos mais respeitados se fosse mais autêntico e direto, dizendo: “Sabem como é mulher, né pessoal? Quando encasqueta de alguma coisa é brabo. Além do mais eu precisava de um bom aumento. Nem tanto pelo Valentino, esse aí nem incomoda, mas sustentar uma perua à base de Louis Vuitton é que dói no bolso. Pior que eu gosto.

Fechou a porta de saída, não é direção? Duda já declarou que a venda do Douglas garante as finanças até o final de sua gestão. Esperamos que neste cálculo esteja incluído um bom lateral-direito, pelo menos.

Excelente o trabalho do Minwer com as “Respostas sobre a Arena“. O mais rico e explicativo material sobre o assunto que eu já vi publicado. Não é a toa que esteja sendo usado como fonte de colunistas muito mais experientes (mesmo que citando fontes erradas de maneira bem estranha). Parabéns também ao Adalberto Preis pela transparência e detalhamento das respostas. Não lembro, nem do poder público, de ter percebido tanta clareza em torno de uma obra desta magnitude. Não seria de forma diferente que o processo poderia evitar fantasmas e a insegurança normal da torcida sobre o tema.

Cristian Bonatto, Gremista de Sapucaia, escreve às sextas.

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