
O Náutico vai jogar contra o Sport, na última partida deste campeonato que não deixa saudades. Um jogo para cumprir tabela. Que não vale nada. Não vale nem 03 pontos. Será? Na minha opinião não é bem assim. Náutico x Sport sempre vale alguma coisa.
O Sport surgiu de uma dissidência de alguns alvirrubros que não concordavam com atitudes do aristocrático clube pernambucano. E para antagonizar com os antigos companheiros, o novo clube buscou o preto em contrapartida ao branco e as listras horizontais, se contrapondo as verticais do Náutico.
Já clássico dos clássicos é um jogo disputado desde 25 de julho de 1909 num domingo, à tarde. Um amistoso realizado no campo do Britsh Club. Vitória alvirrubra, por 3 x 1. Nascia a maior rivalidade do futebol pernambucano. Coincidentemente era a primeira vez que o Náutico disputava uma partida oficial de futebol, pois o clube dedicava-se exclusivamente ao remo. Representaram o Náutico jogadores como Cooks, Grant, King, Maunsell, Thomas todos funcionários de companhias inglesas, em Recife.
E a primeira vez que Náutico e Sport se enfrentaram, pelo campeonato estadual, foi num dia 21 de maio de 1916. Mais uma vitória alvirrubra: 4 x 1. Apesar do Sport ter surgido depois, o futebol é praticado pelos rubros negros há bem mais tempo que os alvirrubros.
Por outro lado, o Náutico teve o maior prazer num dia 31 de março de 1935. Goleou sem piedade o rival, por 8 x 1, pelo estadual daquele ano (que foi conquistado pelo Santa Cruz).
Dizer que o Náutico dificilmente vence na ilha do retiro é uma asneira. Uma sandice de quem não conhece a história desse confronto. O Náutico conquistou os campeonatos de 53, 55, 61, 64, 65 e 81, dando a volta olímpica na praça da bandeira, em 6 oportunidades uma espécie de hexa na ilha.
Eu mesmo vi o timbu bater o rival, na ilha em diversas ocasiões. A última delas, de forma espetacular. Vitória por 3 x 1, com gols de Gil Baiano, Kuki e Batata. Era o dia 28/03/04. A torcida leonina teve que sair de sua casa bem mais cedo para não ver os alvirrubros comemorarem mais uma vitória do título estadual daquele ano.
Isto sem falar no gol de Adilson. Aquele do meio da rua, que levou para dentro do gol todo o orgulho rubro negro. Evidentemente, os alvirrubros festejaram muito e ainda saúdam o meio campista timbu, mesmo ele tendo deixado os Aflitos, há muito tempo.
Me lembro de uma vitória, nos Aflitos, onde o clube vermelho e branco poderia aplicar uma goleada histórica, pelo estadual, de 2005. Maisena, desesperado, já não agüentava mais ver o clube alvirrubro em sua área. Para piorar as coisas, seus companheiros perdiam a cabeça e iam sendo expulsos de campo. Sandro, o zagueiro, foi o último e quase pedia clemência a Kuki e companheiros. Foi atendido. O placar já apontava 4 x 2 para o Náutico e o freio de mão foi puxado pelos alvirrubros, que se contentaram com a goleada já construída.
Em 2006, também nos Aflitos, Adriano Magrão abriu o placar. O Sport tinha um time apontado como bem superior ao Náutico e cantavam aos quatro ventos que viriam ao Eládio de Barros Carvalho golear os donos da casa. Pois o timbu mostrou brios e empatou com o talismã Danilo Lins e virou logo em seguida, com um gol contra de Kleber, espelhando o assustado Sport, que não esperava a reação timbu. Paulo Campos vibrava e agradecia ao Papai do Céu, a vitória espetacular de um desacreditado Náutico.
Ano passado, os alvirrubros estavam numa ascendente, no brasileirão. Já com Roberto Fernandes. O time todo de vermelho, com Eduardo, Sidny (depois Vagner), Toninho, Everaldo, Julio César, Daniel, Elicarlos, Geraldo, Felipe (depois Radamés), Acosta (depois Deleu) e Marcelinho jogou contra um Sport todo de preto e alinhado com Magrão, Durval, Gustavo (depois Adriano), César, Diogo, Everton, Ticão, Romerito, Dutra, Carlinho Bala e Da Silva (depois Fabinho). O técnico era Geninho. Vitória alvirrubra por 2 x 0, com dois gols do imperador Julio César. O primeiro gol, Durval se atrapalhou e permitiu que o ala alvirrubro pegasse a sobra e chutasse da entrada da área. E no segundo, o imperador foi lançado em profundidade e ganhou a corrida com Durval (que pedia para Magrão não sair da área). Na indecisão entre Durval e Magrão, Julio tocou para os fundos das redes. Um belo jogo, onde até Carlinhos Bala foi expulso, por fazer o Carlinhos Bala costuma fazer. Delírio da torcida alvirrubra.
Aquele jogo, contra o Sport, pelo brasileiro de 2007 deu o impulso necessário ao timbu, para permanecer na primeira divisão em 2008. Na seqüência, o Náutico venceu o Atlético-PR (5 x 0), fez um jogo duro contra o Palmeiras de Valdívia, em São Paulo (1 x 2), venceu o Juventude (4 x 1), empatou com o Cruzeiro em BH (2 x 2), venceu o Corinthians (1 x 0), o América-RN (4 x 0) e o Flamengo (1 x 0), carimbando o passaporte para mais um ano de serie A.
Por isto, Náutico x Sport nunca será um mero amistoso. Um jogo sem valer nada. Sempre significará algo. Sempre terá um sabor diferente. Se eu fosse atleta e tivesse inscrito no estadual mesmo que não pudesse mais conquistar o título eu gostaria de jogar contra o Sport.
E assim acredito que será com os atletas que estão à disposição do treinador. Mesmo com um jogo importantíssimo contra o Atlético-MG, na quarta-feira, nos Aflitos, pela Copa do Brasil, penso que os atletas, como Kuki (que pediu força máxima), querem entrar em campo, para vencer. Eu entraria com André Sangalli (apenas para vê-lo em ação pois Eduardo já mostrou que é titular, pela sua vontade e qualidade), Serginho, Vagner, Marcio Santos, Everaldo, Ticão, Paulo Almeida, Laborde, Geraldo, Wellington e Kuki. E vamos para cima. A faixa é deles, mas o carimbo é nosso!