Desde que foi criado, em 1971, o campeonato brasileiro propriamente dito, o Náutico participou de 23 edições, das 38 que já foram disputadas. Quem foi o treinador que mais esteve à frente da equipe timbu? Quem foi o mais vitorioso?
Em 1971, o timbu não participou da primeira divisão. A primeira vez, foi no ano seguinte. A estréia contra o Santa Cruz, no dia 10/09, no Arruda. Empate sem gols. O técnico da época era Gradim. Foram 25 jogos. Todos na primeira fase (o Náutico não se classificou para a fase seguinte). E um detalhe curioso: Não jogamos nos Aflitos. O maior público foi um jogo contra o Flamengo (derrota por 1 x 0), no Arruda: 29.526 pagantes. 7 vitórias, 8 empates e 10 derrotas. Aproveitamento de 44,61%.
Em 1973, tivemos 2 técnicos na competição. Nas 10 primeiras rodadas, esteve no comando o treinador Marão. Com apenas 3 vitórias, 1 empate e 6 derrotas (aproveitamento de 33,33%), cedeu o lugar para Shiller Diniz. Este em 19 jogos, venceu 5, empatou 6 e perdeu 8 vezes (aproveitamento de 28,7%). O maior público foi de 38.255, na derrota para o Santos (0 x 3).
Foi quando 1974 trouxe o “Titio” Fantoni. O time que seria campeão estadual, com um timaço, que tinha Neneca, Beliato, Sidclay, Juca Show, Jorge Mendonça, Dedeu, Vasconcelos, Paraguaio e Lima, o timbu fez uma boa campanha no brasileirão (que foi disputado no primeiro semestre). Em 24 jogos, o timbu venceu 9 partidas, empatou 8 e perdeu 7. Aproveitamento de 48,61%. O maior público, contra o Santa Cruz: 25.414.
Fantoni seguiu em 75, e disputou mais 23 partidas. Mais 9 vitórias, 5 empates e 9 derrotas. 46,37% de aproveitamento. O “Titio” tinha, nos dois certames que disputou 18 vitórias, 13 empates e 16 derrotas. 47,57% de aproveitamento. O maior público, desta vez, foi fora de casa. No Maracanã, contra o Flamengo (0 x 3): 32.123. No Recife, o maior foi contra o Sport, no Arruda: 24.595.
1976 trouxe Valdemar Carabina ao comando. 20 jogos. 6 vitórias e 6 empates. 8 derrotas. 30% de aproveitamento. Foi o ano de estréia dos Aflitos. No dia 10/10/76, vencemos o ABC, por 2 x 1, no Eládio de Barros Carvalho. O maior público foi na Fonte Nova, contra o Bahia: 24.734. E no Recife, no Arruda, contra o Vasco: 16.185.
Duque, técnico do Hexa, retornava a função, em 77. Em 13 jogos, venceu apenas 4 vezes, empatou 2 e perdeu 7, com aproveitamento de apenas 35,89%. O maior público foi em Maceió, contra o CSA (19.284) e em Recife, contra o Santa (12.167).
Mesmo assim, Duque permaneceu à frente para o brasileiro de 78. Foram 20 jogos. 11 vitórias. 3 empates e apenas 6 derrotas. Num ótimo aproveitamento, de 60%! O melhor público foi contra o Santa Cruz, na estréia: 19.732. Duque melhorou sua marca, com 33 jogos, 15 vitórias, 5 empates e 13 derrotas, passou a ter aproveitamento de 50,50%.
Pinheiro foi o técnico de 79, em 16 partidas. 5 vitórias, 3 empates e 8 derrotas, teve aproveitamento de 37,50%. O maior público foi no Maracanã, contra o Flamengo (23.121). Em Recife, contra o Bahia (14.679).
Cidinho assumiu o time, em 1980. Em 15 jogos, venceu apenas 3 partidas. Empatou 4 e perdeu 8, num aproveitamento sofrível, de 28,88%. O maior público (32.751), no Arruda, contra o Corinthians(1 x 2).
Brida teve o bastão em 1981. 19 partidas. 9 vitórias, 7 empates e apenas 3 derrotas. 60,34% de aproveitamento. O problema é que 2 das 3 derrotas foram na fase decisiva e o timbu ficou pelo caminho. O maior público (19.764) foi no empate sem gols, no Arruda, contra a Ponte Preta.
O ex-santista Pepe treinou o Náutico, no brasileiro de 1982. 15 jogos. Apenas 3 vitórias, 7 empates e 5 derrotas. Uma das derrotas, por sinal, fantástica. Contra o Flamengo, de Zico, Junior, Raul, Leandro, Andrade. No Arruda. 3 x 4. Aproveitamento de 35,55%. O maior público, logicamente, foi no Arruda, naquela derrota para o Flamengo: 31.661.
Luciano Veloso foi o sucessor de Pepe, no brasileirão de 1983. Em 20 jogos, venceu 9, empatou 5 e perdeu 6 vezes. Aproveitamento de 53,33%. O maior público foi registrado no empate contra o Vasco: 40.426 pagantes.
Mas foi com Enio Andrade que o timbu fez a sua melhor campanha no brasileiro da primeira divisão. 6º lugar, com 10 vitórias, 4 empates e 6 derrotas, em 20 partidas. 56,66% de aproveitamento. Inesquecível a goleada por 5 x 1, no Arruda lotado diante do Corinthians de Sócrates, Casagrande e Zenon. Mas foi no jogo contra o Grêmio, no Arruda que o Náutico de Mazaroppi, Vilson Cavalo, Newmar, Edson Gaúcho, Alberis, Lourival, Baiano, Gerson, Heider, Mirandinha e Ademir Lobo (que seriam campeões estaduais no mesmo ano) teve o seu maior público: 40.615.
Givanildo Oliveira esteve à frente do Náutico, em 1985. Em 20 jogos, 8 vitórias, 4 empates e 8 derrotas. 46,66% de aproveitamento. O time que seria bicampeão com Mario Juliato teve seu maior público no arruda, no jogo contra o Corinthians: 37.444.
O capitão do tri, Carlos Alberto Torres esteve à frente do timbu, na campanha de 1986. Mas, apenas em 10 partidas. Com 4 vitórias e 6 derrotas, teve um aproveitamento de apenas 40% e cedeu o lugar para Borba Filho. Este seguiu em frente com 6 vitórias, 2 empates e 6 derrotas, em 14 partidas. 47,61% de aproveitamento. Um público espetacular na Fonte Nova, contra o Bahia (67.281) e no Arruda, contra o mesmo adversário (39.798).
Edson Nogueira (atualmente presidente do Santa Cruz) foi o técnico do time em 1987, no Módulo Amarelo – que equivalia a segunda divisão. 14 jogos, sendo 5 vitórias, 2 empates e 7 derrotas. 40,47% de aproveitamento de Edinho, com públicos ridículos. O maior foi o de 9.405, no Arruda, contra o Sport. Em 1988, continuou na segunda divisão, com Luciano Sabino Pinho (intercalado por Borba Filho).
De volta à primeira divisão em 1989, começou com Charles Muniz no comando (7 jogos, com 2 vitórias, 2 empates e 3 derrotas – 38,09%). Sucedido, no mesmo ano, por Paulo César Carpeggiani, que, em 11 partidas teve 3 vitórias, 3 empates e 7 derrotas, ou 36,36% (média inferior a seu antecessor). O maior público foi registrado no jogo contra o Cruzeiro, no Mineirão (15.028) e no Recife, nos Aflitos, contra o Fluminense: 11.618.
Começavam os mal fadados anos 90. E logo no primeiro ano, Otacílio Gonçalves disputou 19 partidas, com 4 vitórias, 10 empates e 5 derrotas. 38,59% de aproveitamento. O maior público no Mineirão, contra o Atlético-MG: 25.783. No Recife, nos Aflitos, contra o Inter: 9.146.
Charles Muniz voltou ao comando técnico do timbu, em 1991. Em 19 jogos, foram 7 vitórias, 3 empates e 9 derrotas, com aproveitamento de 42,10%. O maior público (31.884) contra o Corinthians, no Pacaembu e nos Aflitos, na vitória por 2 x 0, contra o Sport (12.978).
Zé Mário assumiu em 1992. Ficou 12 jogos à frente da equipe e obteve apenas 2 vitórias, com 4 empates e 6 derrotas. Conseguiu ficar 4 jogos seguidos sem marcar gol e foi substituído por Charles Muniz, que terminou a participação com 1 vitória, 1 empate e 2 derrotas, nos 4 jogos restantes. Zé Mário teve uma aproveitamento de 27,77% e Charles, de 33,33%. O Mineirão com 12.888, contra o Cruzeiro teve o maior público, enquanto no Recife, contra o Flamengo, 10.934 viram o jogo.
Helio dos Anjos foi um dos últimos técnico a dirigir o Náutico na primeira divisão. Em 1993, o técnico que subiu com o timbu, em 2006, fez 13 jogos, com 4 vitórias, 4 empates e 5 derrotas. 41,02% de aproveitamento, com o maior público na Fonte Nova, contra o Bahia (15.042), enquanto, no Recife, o maior público foi de 6.405, no Arruda, contra o Santa Cruz.
Osires Paiva iniciou a campanha do rebaixamento de 1994. Fez apenas 3 jogos. 3 derrotas, no pior aproveitamento que um técnico já teve à frente da equipe alvirrubra, no campeonato brasileiro. 0%. Seu sucessor, Mário Juliato, foi com o time para a segunda divisão, com 5 vitórias, 5 empates e 11 derrotas, em 21 jogos, num aproveitamento de 31,74%.
Vieram as segunda (de 95 a 98, com Ribeiro Neto, Givanildo Oliveira, Hugo Benjamim, Orlando Bianchinni e Artur Neto) e terceira divisões (em 1999, com Artur Neto). Uma longa caminhada pela segunda divisão, em 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, quando, com Paulo Campos e Helio dos Anjos, voltamos para a primeirona.
Em 2007, foram 38 partidas, sendo com Paulo César Gusmão e com Roberto Fernandes. PC até que começou muito bem, ao vencer o campeão São Paulo, no primeiro jogo, no caldeirão dos Aflitos, após uma estréia com uma injusta derrota, no Mineirão, para o Atlético-MG. Mas ficou nisso. Empatou com Vasco, nos Aflitos, perdeu para o Inter, em Porto Alegre, empatou com o Paraná (4 x 4) em casa e perdeu, 03 vezes seguidas, sacramentando sua saída. Para o Goiás (primeira derrota nos Aflitos) e duas fora de casa, para o Botafogo e para o Sport, na ilha, terminando sua campanha na frente do comando técnico alvirrubro, com 1 vitória, 2 empates e 5 derrotas, em 8 jogos. 20,83% de aproveitamento.
Roberto Fernandes, então, assumiu o timbu, no jogo de Curitiba, contra o Atlético-PR. E trouxe o primeiro ponto de fora, para o time alvirrubro. Depois, 30 jogos, pela primeira divisão, em 2007. 13 vitórias (2 vezes contra o Corinthians e América-RN, 1 contra o Goiás, Paraná e Santos, fora de casa, 1 contra o Sport, Atlético-PR, Juventude, Botafogo, Figueirense e Fla, em casa), 5 empates (Atlético-PR, Cruzeiro e Juventude fora e Internacional e Fluminense, nos Aflitos) e 12 derrotas. 48,88% de aproveitamento. Considerando os 30 jogos de 2007 e os 3 de 2008, passou a ter um aproveitamento de 52,08%!
Leandro Machado teve um ótimo início de trabalho, vencendo o Botafogo, nos Aflitos, por 3 x 0. Os empates seguidos, contra o Ipatinga e o Vasco, deixaram a impressão que a postura do time em campo poderia ter sido outra e que se perdeu 4 pontos e não que ganhou 2. Mas a vitória contra o Atlético-MG deu novo ânimo. Ai veio a pior partida do Náutico em toda história do campeonato brasileiro. Um time medroso contra o Palmeiras, em São Paulo. Sem esboçar qualquer reação. Sem passar do meio de campo. E a derrota por 2 x 0 foi pouco. Contra o Flamengo, nova derrota. E depois, seu melhor resultado. A vitória sobre o São Paulo. Mas foi a derrota em casa, no clássico que não sustentou a permanência de Leandro Machado, que saiu com um bom aproveitamento – apesar de o time jogar feio e demasiadamente cauteloso fora de casa.
Levi Gomes, interinamente, contra a Portuguesa e Sangalleti e Caé contra o Grêmio não conseguiram pontos, fora de casa. Levi chegou mais próximo, ao estar vencendo a Lusa por 2 x 0. Mas…
Já Pintado teve um péssimo desempenho. Conseguiu um único ponto, em 6 jogos. 3 deles nos Aflitos. Começou empatando com o Inter (num resultado que foi considerado uma derrota, pois o gol sofrido foi nos minutos finais e o jogo foi em casa). Depois, só pancada. Contra Vitória, Coritiba, Cruzeiro, Figueirense e Atlético-PR.
Eis um quadro comparativo entre todos os técnicos que treinaram o alvirrubro na primeira divisão:
|
Técnico
|
Jogos
|
Vitórias
|
Empates
|
Derrotas
|
Aproveitamento
|
|
Gradim
|
25
|
7
|
8
|
10
|
44,61%
|
|
Marão
|
10
|
3
|
1
|
6
|
33,33%
|
|
Shiller Diniz
|
19
|
5
|
6
|
8
|
28,7%
|
|
Fantoni
|
47
|
18
|
13
|
16
|
47,57%
|
|
Carabina
|
20
|
6
|
6
|
8
|
30%
|
|
Duque
|
33
|
15
|
5
|
13
|
50,5%
|
|
Pinheiro
|
16
|
5
|
3
|
8
|
37,5%
|
|
Cidinho
|
15
|
3
|
4
|
6
|
28,88%
|
|
Brida
|
19
|
9
|
7
|
3
|
60,34%
|
|
Pepe
|
15
|
3
|
7
|
5
|
35,55%
|
|
Luciano
|
20
|
9
|
5
|
6
|
53,33%
|
|
Ê. Andrade
|
20
|
10
|
4
|
6
|
56,66%
|
|
Givanildo
|
20
|
8
|
4
|
8
|
48,66%
|
|
C. Torres
|
10
|
4
|
0
|
6
|
40%
|
|
C. Muniz
|
30
|
10
|
6
|
14
|
40%
|
|
Carpegianni
|
11
|
3
|
3
|
7
|
36,36%
|
|
Otacílio
|
19
|
4
|
10
|
5
|
38,59%
|
|
Zé Mário
|
12
|
2
|
4
|
6
|
27,77%
|
|
H. dos Anjos
|
13
|
4
|
4
|
5
|
41,02%
|
|
Osires
|
3
|
0
|
0
|
3
|
0%
|
|
M. Juliato
|
21
|
5
|
5
|
11
|
31,74%
|
|
PC Gusmão
|
8
|
1
|
2
|
5
|
20,83%
|
|
Roberto
|
33
|
15
|
5
|
13
|
50,50%
|
|
Leandro
|
8
|
3
|
2
|
3
|
45,83%
|
|
Levi
|
1
|
0
|
0
|
1
|
0%
|
|
Pintado
|
6
|
0
|
1
|
5
|
5,5%
|
Quem mais treinou?
1) Orlando Fantoni – 47 jogos
2) Duque – 33 jogos
3) Roberto Fernandes – 33 jogos
Quem mais venceu?
1) Orlando Fantoni - 18 jogos
2) Roberto Fernandes e Duque – 15 jogos
3) Enio Andrade e Charles Muniz – 10 jogos
Quem mais empatou?
1) Orlando Fantoni – 13 jogos
2) Otacílio – 10 jogos
3) Gradim – 8 jogos
Quem menos perdeu?
1) Levi (só fez 1 jogo) - 1 jogo
2) Brida – 3 jogos
3) Osires – 3 jogos (só fez 3 jogos)
4) Pepe, Otacílio e Helio dos Anjos – 5 jogos
Melhor aproveitamento?
1) Brida – 60,34%
2) Enio Andrade – 56,66%
3) Luciano Veloso - 53,33%
4) Roberto Fernandes e Duque – 50,5%
Maiores públicos (de cada ano):
1) 84 – Arruda – Náutico x Grêmio: 40.615.
2) 83 – Arruda – Náutico x Vasco: 40.426.
3) 86 – Arruda – Náutico x Bahia: 39.798.
4) 73 – Arruda – Náutico x Santos: 38.255.
5) 85 – Arruda – Náutico x Corinthians: 37.444.
- Fonte de consulta: Náutico retrospecto de todos os jogos parte 2 e 3, de Carlos Celso Cordeiro e Luciano Guedes Cordeiro.