Formulário de Busca

Em nome do Pai

Sáb, 29/11/08
por milton neto |
categoria Crônica

file0602.jpgSe eu sou apaixonado pelo futebol e pelo Náutico, eu devo isto a alguém: meu pai.  Foi ele quem me ensinou o que é ser alvirrubro. Foi com ele que fui para todos os jogos do Náutico, na minha infância.

 

Com uma indefectível almofada fina, branca, com a bandeira do Náutico, ele carregava para o Eládio de Barros Carvalho, para enfrentar o duro cimento das arquibancadas. Rádio de pilha no ouvido direito. Camisa quadriculada e bermuda de jeans.É assim que me lembro do “meu velho” no nosso aconchegante estádio dos Aflitos.

 

Sentávamos sempre, atrás do gol que o timbu atacava. A visão era da “arquibancada superior”, quase que no último degrau – bem longe da grade onde as pessoas costumavam sentar, apoiadas e com as pernas dependuradas.

 

Com meu pai, vi o Náutico ser campeão, bicampeão, tricampeão, tetracampeão, pentacampeão e hexacampeão – sempre no seu braço. Nado, Bita, Lala, Salomão. A turma do hexa. Meu pai era muito feliz ao ver seu Náutico tantas vezes campeão. E como foi fácil para ele me passar essa alegria em torcer pelo vermelho e branco.

 

Depois, vi  com ele Jorge Mendonça, Dedeu, Vasconcelos e Beliato levantarem mais um troféu, em 74. Um timaço!

 

Os títulos de 84, 85 e 89 não foram ao seu lado, pois já estava indo aos jogos do timbu, com amigos. Mas, evidentemente, vibramos juntos.

 

 Os de 2001 e 2002 ele viu sozinho, pois eu estava em Curitiba. E o de 2004, eu que vi só – pois ele já não estava entre nós.

 

Paradoxalmente, o destino quis que o último jogo da vida de meu pai, que vimos lado a lado, nas arquibancadas fosse bem longe da Av. Rosa e Silva. Longe de Recife. No Paraná. No estádio Joaquim Américo, em Curitiba. Na Arena da Baixada. Atlético-PR x Fluminense, num já distante 09/09/01. Um domingo.

 

Morando na Rua Lamenha Lins, em um prédio que lembrava o empire states, pois os prédios paralelos pareciam duas torres, que eram vistas de longe, no bairro da Água Verde, fomos de taxi para o estádio. Lá, o gaucho Carlos Eugênio Simon apitou a vitória do Fluminense sobre o Furacão, por 2 x 1, gols de Roni, Rodrigo (para o Atlético) e Sidney.

 

O Atlético, que seria campeão brasileiro, alguns meses depois, eliminando o mesmo Fluminense, nas semifinais, entrou em campo com Flávio, Alessandro, Altair, Daniel, Fabiano, Cocito, Kleberson, Adriano, Souza, Kleber e Alex Mineiro.  O Flu, com Murilo, Flávio, André Luiz, Regis, Paulo César, Sidney, Marcão, Jorginho, Roger, Roni e Agnaldo.

O técnico do Atlético era Mário Sérgio e o do tricolor carioca, Osvaldo Oliveira.

 

Em 2004, ele morreu. Antes do título estadual. Não tivemos tempo de ir a um único jogo do Náutico, juntos, quando voltei do Paraná. Comemorei sozinho a conquista daquele ano.

 

Ele não viu o time fantástico com Gil Baiano, Marco Antônio, Jorge Henrique.  Não viu este time fazer a melhor campanha da primeira fase da segundona e ser eliminado no quadrangular semifinal, de forma inexplicável.

 

Não viu o time de Roberto Cavalo, no ano seguinte, perder a chance do retorno para a primeira divisão, ao perder 2 penaltis contra o Grêmio, após recuperar a chance que tinha ido para o brejo, com duas derrotas seguidas para o Santa Cruz, quando venceu a Portuguesa, no Canidé.

 

E não viu a fantástica recuperação do Náutico, um ano após a frustrante derrota para o Grêmio, no Aflitos lotado, contra o Ituano, num 2 x 0 que carimbou o retorno a elite do futebol nacional, com uma rodada de antecedência.

 

Não viu o time de Roberto Fernandes reagir, de forma fantástica, saindo da zona de rebaixamento e despontando um uruguaio como vice-artilheiro da competição, em 2007.

 

Uma vitória sobre o Atlético-PR nos Aflitos, poderá selar a manutenção na primeira divisão, em 2009. Um resultado possível e até provável, diante do retrospecto entre ambas equipes, em suas histórias.

 

O Atlético-PR. Último time que vi jogar, ao lado do meu pai. E Náutico. O nosso time. Que vi centenas de vezes, ao seu lado. Uma vitória alvirrubra significará muito mais que 3 pontos para mim. Será como se meu pai, ao meu lado estivesse, no estádio que tanto freqüentamos.

 VAMOS NÁUTICO!!!

Roberto e seus números

Sáb, 29/11/08
por milton neto |
categoria Crônica

robertof.jpgRoberto Fernandes, estranhamente, tem sido injustamemente alçado por alguns torcedores do Atlético-PR a condição de responsável pela campanha do time curitibano na situação em que ele se encontra (brigando para não ser rebaixado).

 

Os números, entretanto, provam que isto não é verdadeiro e é injusto.

 

Tudo bem que, com Roberto,  o time curitibano não venceu uma única vez fora de casa. Mas não é um privilégio seu. O Atlético só venceu em 2 oportunidades, ao longo de todo o campeonato, fora de casa.  Mário Sérgio, por sua vez, perdeu todos os jogos que fez, longe de Curitiba. E até Geninho só venceu 1 única vez (um Figueirense em crise, no último jogo daquele mesmo Mário Sérgio pelo time catarinense). A outra vitória foi conquistada sobre o Ipatinga, por Ney Franco, na estreia do campeonato.

 

Roberto Fernandes esteve à frente do Atlético-PR em 15 partidas. Foram 3 vitórias, 4 empates e 8 derrotas (7 delas, fora de casa e 1 na Área, para o Botafogo). Seu time marcou 13 vezes e sofreu 19 gols, num aproveitamento de 28,88%. No Joaquim Américo, o desempenho melhora, para 54,16%.

 

Enquanto isto, Mário Sérgio teve, em 5 jogos, 1 vitória e 4 derrotas. Perdeu em casa, para o Palmeiras e fora para o São Paulo, Atlético-MG e Goiás. Sua equipe fez 7 gols e sofreu 13 gols. Aproveitamento de 20%, sendo 50% em casa. Desempenho pior que Roberto Fernandes.  Se tivesse vencido o Palmeiras, em casa, já teria livrado o Atlético do rebaixamento, por exemplo.

 

Já Geninho tem 12 partidas sob o comando do Atlético-PR  Venceu 5 jogos (4 em casa e 1 fora – contra o Figueirense). Empatou 4 (1 em casa e 3 fora – no clássico local, e contra os cariocas Vasco e Botafogo) e perdeu 3 (Santos e Inter fora e Fluminense, na Arena). Aproveitamento de 52,77%. Na Arena, 72,22%.

 

Qual o segredo de Geninho? É inegável a competência do treinador. Mas, há um diferencial entre o time que era utilizado por Roberto (e até Mário Sérgio) e que não depende da vontade desses dois últimos: Netinho. O meia esteve contundido durante 10 das 15 partidas que Roberto Fernandes participou. Assim, com Netinho e Roberto foram 5 jogos, com 1 vitória (contra o Goiás, na Arena), 2 empates (no clássico contra o Coxa e contra o Inter, em casa) e 3 derrotas (todas fora de casa, para Palmeiras, Portuguesa e Grêmio). 

 

As vitórias de Geninho na Arena foram contra a Portuguesa (2 x 0), Cruzeiro (1 x 0), Sport (1 x 0, aos 45 do segundo tempo) e Vitória (2 x 1, contra um time com 8 titulares e um jogador a menos). E, fora de casa, contra um Figueirense em crise, ainda sob o comando de Mário Sérgio (bem diferente do time aguerrido que jogou contra o Náutico, após a demissão de Mário Sérgio).

 

Os empates, fora de casa foram contra um Vasco da Gama sem força (do qual o Náutico bateu em São Januário, por 3 x 1) e um Botafogo desmotivado, em final de temporada e desmontando o time. Além de outro, que foi em Curitiba, contra o Coxa, no clássico local.

 

Por outro lado, Roberto Fernandes, no Náutico fez, até o momento, 20 partidas. 7 vitórias (5 em casa e 2 fora), 7 empates (3 em casa e 4 fora) e 6 derrotas (apenas 4 fora e 2 nos Aflitos). Aproveitamento de 46,66%, no total (60% nos Aflitos). O time marcou 27 gols e sofreu 25, nos 20 jogos. Das 7 vitórias que obteve, uma foi contra o Cruzeiro (5 x 2), outra sobre o Vitória (1 x 0), Ipatinga (2 x 0), Santos (1 x 0) e Goiás (2 x 1) nos Aflitos e duas no Rio, contra o Vasco (3 x 1)  e Fluminense (2 x 0 contra os reservas tricolores, logo no início da competição).  Empatou fora de casa com o Botafogo (1 x 1, quando este ainda brigava pela Libertadores), Sport (2 x 2), Internacional (1 x 1 – num jogo fantástico, que foi decidido nos últimos 5 minutos) e Coritiba (0 x 0).

 

Também não é responsável pela campanha irregular do Náutico, pois Pintado, nos 6 jogos que fez, empatou 1 (contra o Inter, nos Aflitos) e perdeu 5 (Vitória, Cruzeiro e Atlético-PR fora e Coritiba e Figueirense, em casa), num aproveitamento de 5,55%! Em casa foi de 11,11%. Certamente, se tivesse ganho pelo menos 1 partida, o timbu estaria fora desse sufoco!

 

É a prova cabal que Roberto Fernandes não é o responsável nem pelo fato do Náutico e nem pelo Atlético-PR estarem disputando para não serem rebaixados. Se o Náutico tivesse o desempenho que Roberto teve – enquanto seu treinador, teria, algo em torno de 50 pontos e estaria disputando a 9ª colocação com o Botafogo.

 

Mas o que a torcida quer é que ele mantenha seu fantástico desempenho contra o Atlético-PR: 2 jogos. 1 empate (em Curitiba, por 1 x 1) e 1 vitória (nos Aflitos – por 5 x 0), num aproveitamento de 66,66% (100% em casa). 

  

Um Netinho de outra época

Sáb, 29/11/08
por milton neto |
categoria Crônica

milton-neto-e-netinho.JPGArtur Pereira Neto. Ou simplesmente, Netinho. Faz pouco tempo, o garoto era o xodó dos Aflitos. Ídolo? Não chegou a ser. Mas, seguramente, era ponto de referência daquela equipe que conquistou o direito de disputar a primeira divisão, em 2006. Tinha fãs cativos (especialmente entre as alvirrubras e as crianças).

 

Netinho não é nenhum craque (embora pudesse chegar a uma seleção brasileira – jogasse num time como São Paulo, Corinthians, Flamengo ou Palmeiras). Entretanto, no Náutico, fez a diferença. Em campo, jogando de meia, atacante ou ala esquerda, participou, de forma decisiva dos jogos do Náutico, na segunda divisão.

 

Logo no primeiro jogo, cobrou, com a segurança de um veterano (apesar de sua pouca idade) um pênalti marcado no final do jogo, contra o Brasiliense (que vencia por 2 x 0 e que, em sendo convertido o penal, perderia por 3 x 2). O Náutico vinha de uma catástrofe, nos Aflitos. Quando dois pênaltis foram perdidos em momentos cruciais. No entanto, Netinho (que não estava naquele jogo de 2005) bateu com precisão e foi comemorar num Arruda vazio (o Náutico estava sendo punido por causa dos objetos jogados em campo, no último jogo de 2005).

 

Depois, foram 15 vitórias, no caldeirão dos Aflitos, 2 empates e apenas 1 derrota, num aproveitamento fantástico de  87,03% nos Aflitos e 87,71% no Recife.

 

Netinho participou de 17 destes jogos, em casa. Só ficou de fora da partida contra o Marília e da decisão, contra o Ituano. Vetado, pelo departamento médico, nos vestiários, minutos antes do jogo, o garoto começou a chorar. Sua emoção era sentida pelos companheiros, que procuravam acalmá-lo. Justo no jogo decisivo, ele estaria de fora! Era injusto.

 

Mas, assim que acabou o jogo, lá estava Netinho. Feito menino. Correndo pelo gramado dos Aflitos. Comemorando, como se tivesse conquistado um título. Em cima dos ombros do goleiro Eduardo (o mesmo que se encontra no Náutico, atualmente), deu volta olímpica e esqueceu a tristeza de não poder participar do jogo, pouco tempo atrás.

 

Ao gravar uma entrevista, para o DVD “Batalha dos Aflitos 2”, Netinho se emocionou ao lembrar o episódio e revelar – aos que não tinham presenciado a cena, o choro no vestiário. Mais tarde, na sede, se misturou com a torcida (e alguns jogadores) numa festa sem fim.

 

Encontrei com Netinho, poucos dias depois, num festa, do Náutico,  e já me preocupava com sua saída. Afinal, tinha se destacado no timbu. Fez 14 gols e só ficou a 1 gol de Felipe (artilheiro do Náutico na competição) e 3 gols a mais que o ídolo Kuki.  Não deu outra. Netinho voltou para o Atlético-PR (que o havia emprestado para o Náutico). Menos mal que não foi para o Sport.

 

Em 2008, voltou a se destacar. Desta feita, na equipe curitibana. Enquanto esteve em campo, os resultados do Atlético foram muito bons. Bastou sair (por contusão) que o time afundou. Não por acaso, melhorou com a sua volta.

 

Netinho não faz os gols que fazia pelo Náutico. Não dá a famosa cambalhota que dava com freqüência, por aqui. Mas é um perigo constante, nas cobranças de falta. Especialmente no lado direito do ataque. As bolas são colocadas como se fossem com a mão, na cabeça do companheiro de time. Assim como nas cobranças de escanteios.

 

No ano de 2006, participou de 34 partidas, do total de 38, na segunda divisão. 17 em casa (1 no Arruda e 16 nos Aflitos – com 14 vitórias, 2 empates e 1 derrota) mais 17 jogos, fora do Recife (ficou de fora dos dois empates contra o São Raimundo, em Manaus e Santo André, no ABC), sendo 2 vitórias,  6 empates e  9 derrotas.

 

Ao todo, o Náutico, de Netinho, teve 16 vitórias, 8 empates e 10 derrotas. Um aproveitamento de 54,90%.

 

Já no Atlético, pelo brasileiro de 2008, Netinho jogou (até o momento) 18 vezes. Foram 7 vitórias (5 na Arena e 2 fora), 7 empates (4 em casa e 3 fora) e apenas 4 derrotas (1 em casa para o Fluminense e 3 fora de casa, para Palmeiras, Portuguesa e Internacional). Aproveitamento do time, de 51,85%. Curiosamente, ao contrário de sua época de Náutico, não marcou um único gol, na primeira divisão.

 

Sem Netinho, o furacão virou brisa (como se costuma dizer em Curitiba). Foram 18 jogos e apenas 4 vitórias e 2 empates e 12 derrotas! Aproveitamento de ínfimos 25,92%!

 

Tai a grande importância que este jogador tem para o time. Como o torcedor do Náutico já sabia em 2006 e o torcedor do Atlético-PR sabe, em 2008.

 

Entretanto, a torcida alvirrubra espera que Netinho não jogue o que sabe, neste domingo, na primeira vez que enfrentará seu ex-time (ele não jogou, por contusão na goleada que o Atlético sofreu, nos Aflitos, em 2007 e na vitória do Atlético, este ano, em Curitiba e esteve no banco, no empate, na Arena, ano passado, na estréia de Roberto Fernandes no Náutico).

 

A torcida do Náutico espera que seu ex-xodó lembre-se do carinho que recebeu. E também  não jogue tão bem como conhecemos. E que o Náutico possa diminuir o índice de aproveitamento do seu ex-atleta.

 

Saudações alvirrubras, Netinho! E vitória do Náutico, é claro!

  

Marcos históricos nos Aflitos - Vitórias inesquecíveis

Qui, 27/11/08
por milton neto |
categoria Crônica

caldeirao1.JPGO Náutico tem, na história recente, em seu caldeirão, alguns jogos que não saem da cabeça do torcedor, nos Aflitos.  O mais importante, sem dúvida alguma, foi o disputado em um sábado, dia 18 de novembro de 2006, nos Aflitos, contra o Ituano. Vitória, por 2 x 0, com gols de Capixaba e Felipe - ambos no segundo tempo e festa, pela volta do timbu à primeira divisão. Os heróis daquele jogo foram Eduardo, Sidny, Breno, Leandro, Jaime (depois Sérgio Manoel), Totó, Vagner Rosa, Capixaba, Nildo (depois Marcelo Ramos), Felipe e Kuki. E um Aflitos cheio. Transbordando de gente. 20.669 pessoas. Um caldeirão que empurrou o time para a vitória, garantindo o lugar na elite. O técnico: Hélio dos Anjos. Um clima de decisão. Uma movimentação sem tamanho. Simplesmente fantástico. Inesquecível.  

Depois, em 2007, outros jogos foram disputados, nos Aflitos, como uma decisão. E, Náutico x Corinthians, sem dúvida alguma, foi um deles. O estádio Eládio de Barros Carvalho lotado. E vitória, no finalzinho, com um gol de penalti, de Geraldo. Os herois foram Fabiano, Sidny (depois Marcelo Silva), Vagner, Everaldo, Julio César, Daniel Paulista, Elicarlos, Geraldo, Felipe (Serginho), Ferreira (Radamés) e Marcelinho. O técnico era Roberto Fernandes. 19.890 torcedores empurraram o time para esta decisiva vitória. Um marco para a permanência do Náutico na primeira divisão. 

Em 2007, algumas partidas foram memoráveis, como as goleadas sobre o Figueirense (4 x 2), Botafogo (4 x 1), Juventude (4 x 1) , América-RN (4 x 0) e Atlético-PR (5 x 0), ou mesmo as vitórias sobre o São Paulo (penta-campeão naquele ano), Sport e Flamengo. Todas nos Aflitos.

 Este ano, também já fazem parte de nosso rol de grandes partidas, as vitórias sobre o São Paulo (provável tri-campeão consecutivo e hexa brasileiro), Santos, e , principalmente a inesquecível e fantástica vitória do Cruzeiro, por 5 x 2! E outras, contra o Goiás, Botafogo, Vitória e Ipatinga. Contra o Atlético-MG, foi no Arruda.  E essas vitórias inesquecíveis não irão parar por ai. 

 O jogo de domingo, contra o Atlético-PR tem todos os ingredientes de um grande jogo. De uma decisão. De um grande feito para este time. Com personagens que se repetem de outros grandes jogos: Vagner, Everaldo, Geraldo e Felipe (além de Roberto Fernandes) estavam no jogo contra  o Corinthians,  Eduardo, Felipe e Kuki, no jogo contra o Ituano. Bom sinal. Pois eles já mostraram que são vencedores.   Ah, tem um personagem que também estava por lá, nessas horas decisivas: a torcida alvirrubra. E é ela que fará a diferença domingo. Lotando o caldeirão. Cantando e empurrando o time para a vitória! Com paciência. Com energia positiva. E entoando o hino e o grito de guerra: N-A-U-T-I-C-O! N-A-U-T-I-C-O!N-A-U-T-I-C-O!NAUTICO!NAUTICO!NAUTICO!     

Saiu a escalação do Náutico!!!

Qui, 27/11/08
por milton neto |

torcida.JPGSão 20.011 alvirrubros em campo. E você é titular! Vista sua camisa vermelha e branca e vá aos Aflitos, no domingo. Você é o décimo segundo jogador!!!! ENNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNE - A-U-T-I-C-O!!!

O pé frio de Ping Uim

Sáb, 22/11/08
por milton neto |
categoria Crônica

ping-ium.JPGTem um amigo meu que se chama Ping Uim. Brasileiríssimo. Mas, descendente de chinês. Ping é conhecido pelo seu pé frio. Em tudo. Nada dá certo para ele (e para quem está por perto). O verdadeiro “pé frio”.  E, infelizmente, é torcedor do Náutico. Ping já chegou a ser proibido de entrar nos Aflitos. Não estava no Eládio de Barros Carvalho, num novembro de 2006. Mas, nem preciso dizer que ele estava em 2005. E, naquela ocasião, fez o seu ritual de ver o jogo atrás do gol para onde o Náutico estava atacando. No primeiro tempo para a ”barra do Country” e no segundo, para a rua da Angustura.  Nem adiantou ele “dar uma dica” para Ademar chutar no meio do gol de Gallato e ficar no alambrado, exatamente na direção que a bola deveria ter ido.  Bem, Ping foi escrachado pela torcida, como se tivesse arremessado algum objeto no campo - tipo, torcedor que é preso pela própria torcida para o clube não sofrer punição. Ping foi expulso dos Aflitos. E passou todo o ano de 2006 longe da Rosa e Silva.  Escondido, voltou no brasilierão de 2007. Mas foi descoberto, após algumas rodadas e, mais uma vez, expulso. Ping ainda cruzou, no portão, com o jovem Roberto Fernandes - que vinha chegando para assumir o lugar de PC Gusmão. O exílio de Ping foi longo.  Deportado, foi parar na China (só por causa da sua cara de chinês), exatamente no período das Olimpíadas.  Lá conheceu um atleta chinês da corrida com obstáculo e desejou boa sorte….foi o suficiente para que o mundo presenciasse uma cena triste do atleta acometido por uma lesão no joelho, que lhe tirou qualquer chance de medalha. Ping, então, foi morar com um parente nos EUA. Um banqueiro influente que tinha várias ações na bolsa. Dizem até que ele chegou a ir com o tio, fazer uma visita na Casa Branca. No dia seguinte, a bolsa americana entrou em crise e esta se espalhou pelo mundo. Voltou ao Brasil. Mais precisamente, para Balneário de Camboriu. Afinal, lá não tinha time para torcer na cidade. Achava que estava livre de qualquer maldição. Foi de lá que soube da vitória fenomenal do Náutico sobre o Cruzeiro, no último sábado. E se entusiasmou! O brilho nos olhos era contagiante. Chegou a pensar em voltar para Recife, para ver o timbu jogar. Mas temeu pela sorte do time. Então resolveu ficar em Santa Catarina. Mas....o Náutico iria jogar ali pertinho. Em Floripa. Lá, ninguém o conhecia. Ele podia arriscar uma olhadinha. Chegaria em cima da hora e poderia ver o jogo. Era irresistível. E, assim o fez. Chegou com o jogo rolando. Já estava 1 x 0 para o Náutico. “Já? Esse time é bom demais! Ah, meu timba!!!”. Foi ele se entusiasmando que o Figueira empatou e virou o jogo.  Um torcedor próximo do deputado federal, Maurício Rands, o reconheceu. “É o Ping Uim!!! É o Ping Uim!!”gritou para os outros torcedores alvirrubros, presentes.  De imediato, Ping correu para fora do estádio. Escondeu-se atrás de uma pilastra, até os ânimos se acalmarem. E, de fato eles se acalmaram, com o gol de empate, pouco depois. No entanto, Ping só se arriscou em colocar a cabeça para dentro do estádio, bem depois. E, assim que pisou no concreto das arquibancadas do Orlando Scarpelli, Titi fez uma falta em Rafael Coelho, na lateral esquerda, próximo da entrada da área. Enquanto Ping gritava para Gilmar se posicionar melhor, para pegar o rebote e puxar o contra ataque, o Figueira chegou ao terceiro gol. No intervalo, o garoto começou a pensar. Analisar e filosofar sobre sua condição de vida. De como podia influenciar no resultado da partida, como um verdadeiro pé frio.  E, se conscientizando disto, foi embora. Devagar. Cabeça baixa. Andando pelo bairro do estreito, chegou na ponte em direção à ilha de Florianópolis.  Viu que esquecera a carteira no estádio. E teve que voltar, para prestar queixa. A esta altura, o Náutico já tinha empatado e Rodrigo Fabri sido expulso. “Tlês a tlês??? Tlês a tlês??? Non acledito!” se espantava Ping, enquanto o Náutico cedia um escanteio ao Figueira. “Não acredito! Não acredito!” gritava um torcedor alvirrubro, ao seu lado, inconformado com o 4o gol do Figueirense, logo depois do escanteio. Ping sentou. Botou a cabeça entre os joelhos e chorou. Que sina era aquela? Por que Ping estava fadado a uma maré de total ausência de sorte? Por quê? Por quê? Desta vez, o garoto esperou até o final e viu a festa dos torcedores catarinenses. Num sufoco que lembrou os jogos nos Aflitos. Ganhos de forma apertada e com o coração na mão. Ping fez uma promessa, em forma de oração: “Pai nosso que está no céu….prometo que não vou mais para jogos do Náutico, mas livrai-nos da segunda divisão…amém” 

Deus te ouça Ping. Que ouça as tuas súplicas e tenha piedade de você e te livre dessa maldição.

Mas, por cautela,  fique bem longe dos Aflitos, na próxima rodada….    

Motivos para brigarmos pela Sul-americana

Qui, 13/11/08
por milton neto |

atgaaacb6wa2_-lfew-cuqfiaxrtacwdwsynbpcuo420otjhdqgm3wxtscbsylgv2ky1hsyj2fcsx1u6xvgyurwlleavajtu9vc25boqmlcv3e56gouajuy8om4h7a.jpgMuito se fala de fuga do rebaixamento. Mas, olhando a tabela, estamos distantes 3 pontos de uma sul-americana. E é possível sim. Basta vencer pelo menos 2 jogos e empatar os outros 2 (ou vencer 3), dos 4 que ainda restam. E motivos para otimismo não faltam.  1)     Porque, acertamos com a manutenção de jogadores de qualidade, da equipe de 2007, como Eduardo, Vagner, Geraldo (apesar da contusão) e Felipe e do treinador Roberto Fernandes. 2)       Porque acertamos nas contratações de Ruy, Willian, Adriano, Ticão, Gilmar, Derley, Titi, André Sangalli e até o retorno de Kuki – que além de ídolo, tem sido fundamental para o grupo. 3)       Porque tivemos vitórias importantes como as contra o São Paulo e Santos (nos Aflitos) e Fluminense e Vasco (no Rio - ambas com Roberto Fernandes) – além das vitórias contra o Goiás, Botafogo, Atlético-MG, Ipatinga e Vitória, no Recife. 4)       Porque empates fora de casa, contra o Internacional (o melhor empate até aqui), Sport e Botafogo podem ser comemorados.  Assim como contra o Coritiba. 5)       Porque também se pode comemorar o empate contra o Palmeiras, nos Aflitos. E até contra o Grêmio – que só ficou com um gosto amargo, porque os gaúchos empataram nos acréscimos. 6)       Porque vimos o gol de bicicleta de Wellington, contra o Vasco, numa chuva torrencial, no Arruda. 7)       Porque vimos o golaço de Felipe, contra a Portuguesa.  8)        Porque presenciamos as boas exibições de Felipe, na reta final do campeonato.  9)       Por causa das excelentes intervenções de Eduardo – especialmente contra o Internacional, em Porto Alegre. Inclusive com uma ida providencial, para o ataque, no último lance da partida. 10)   Por causa da boas atuações de Ruy – que o colocam na liderança de uma disputa como melhor da posição, num prêmio que Acosta conquistou em 2007. 11)   Porque tivemos a boa surpresa do zagueiro Adriano. Dispensado por Pintado, voltou com Roberto Fernandes e ganhou a confiança da torcida. 12)   Porque tivemos mais boas surpresas, também vindo do sul. Além de Wellington (que já foi para Rússia), Derley e Titi (todos do Internacional) são boas aquisições. 13)   Porque pudemos ver, ao vivo, a torcedora de Viviane Araújo, que embelezou os Aflitos, prestigiando o seu amado Radamés e se apaixonando pelo Náutico. 14)   Porque tivemos uma boa presença da torcida alvirrubra – que sempre lota o caldeirão, com 80 a 90% da capacidade dos Aflitos. 15)   Porque tivemos Vitórias jurídicas dos advogados Berillo Albuquerque (nos casos de Acosta e Elicarlos) e Ivan Rocha (com a absolvição do próprio Aflitos, no caso do Botafogo e de jogadores importantes em casos de expulsões). 16)   Por causa da Inauguração da loja “Timbushop”, na sede alvirrubra, trazendo produtos de qualidade, oficiais e com royattles para o Náutico. 17)   Porque os Salários e prêmios  estão em dia (dentro de uma normalidade que se tem na realidade do futebol nacional) – que em momento algum foram problemas para desempenho do timbu, na competição. 18)   Por causa da conquista de uma cota maior (mesmo que ainda pequena), na divisão do Clube dos 13, pelo direito de imagens, na TV. 19)   Porque estamos há cinco jogos seguidos sem perder. E destes, 3 foram longe dos Aflitos (Sport, Internacional e Coritiba) e há 180 minutos que Eduardo não sofre gol. 20)   Porque teremos confrontos diretos, contra o Figueirense e Atlético-PR (este último, nos Aflitos).  21)   Porque a torcida alvirrubra poderá empurrar o time para duas vitórias fantásticas, contra o Cruzeiro (o melhor time do campeonato) e Atlético-PR. Podemos e vamos ganhar!! 22)   Porque o Figueirense (que tem a pior campanha do returno) não é imbatível no Orlando Scapelli (perdeu para o Atlético-PR, Fluminense, Grêmio, por 7 x 1, entre outros, para citar alguns). E se perder para o São Paulo (no Morumbi), praticamente joga sem chance alguma, contra o Náutico.  23)   Porque a partida contra o Santos, na Vila, pode ser uma decisão de uma vaga para a Sul-americana. E ano passado, vencemos o Santos (de Luxemburgo) na mesma Vila Belmiro. 24)   Porque temos uma grande torcida. 25)   Porque temos um diretoria atuante. 26)   Porque temos um grande técnico, com uma competente comissão técnica. 27)   Porque temos um time de guerreiros, que irão dar sangue nos jogos que nos restam, neste final de campeonato.  28)   Simplesmente, porque somos uma famíliae não meros torcedores. Família Alvirrubra, sim senhor. Vermelho e branco. Vermelho de luta. Muita luta. E branco de paz. Com orgulho!  Que nos respeitem, pois podem ser surpreendidos. ENNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNE! A! U! T! I! C! O! NÁUTICO! NAUTICO! NAUTICO! 

Um estádio, uma torcida, um clube

Ter, 04/11/08
por milton neto |
categoria Crônica

Permitam esclarecer aos que não conhecem o estádio Eládio de Barros Carvalho e nem mesmo o Náutico, alguns aspectos sobre eles e o jogo de sábado (1/11/08) contra a tradicional equipe baiana, do Vitória.Quem foi ao estádio viu a torcida alvirrubra (a maior em termos de proporcionalidade ao tamanho do estádio e a sua capacidade de lotação, dentre os 20 clubes que disputam a primeira divisão – isto sem falar nos acomodados que assistem pela TV por assinatura o jogo em Recife) vibrar e jogar com o time. Apoiando-o durante 90 minutos. Pondo pressão sobre os visitantes. Em campeonatos brasileiros, da primeira divisão, foram 15 encontros entre Náutico e Vitória. Com 5 vitórias pernambucanas. 3 empates e 7 jogos ganhos pelos baianos. Lembrando, entretanto que mais da metade (08) destes jogos foram em Salvador.  Nas 7 partidas realizadas em Recife, o Náutico venceu 4 vezes, empatou 2 e perdeu apenas 1 vez. A alegria que tomou conta do torcedor do Náutico é pelo fato do reencontro com a vitória – independente do adversário que tinha pela frente. Estávamos há 7 jogos sem vencer. Mas foi bom que fosse o Vitória. Um time que estamos acostumados a encarar de igual para igual (embora assim tenhamos feito na vitória sobre o São Paulo e empates com Grêmio e Palmeiras – que brigam por mais um título nacional), num verdadeiro clássico regional e nunca em posição de inferior ou superior. Quando nos encontramos na segunda divisão, na passagem dos rubros negros, pela segunda divisão,  em 2005, empatamos em 2 gols, no Barradão.Estivemos sim na terceira divisão, em 1999. Assim como o Vitória lá esteve, em tempos até mais recentes (em 2006). “Subsolo” este visitado por equipes como Fluminense, Náutico, Bahia e o próprio Vitória, além de Payssandu e Remo – que, no entanto, em nada diminuem a história e tradição destas equipes no futebol brasileiro.O Náutico que foi vice-campeão da Taça Brasil e disputou a Taça Libertadores da América – assim como o Vitória, vice-campeão brasileiro e representante nacional, na taça continental. E o Náutico passou 14 anos sem disputar a primeira divisão. 1971, 1988, 1995 a 2006. Apenas 6 vezes a mais que o Vitória, que não disputou a serie A, em 1971, 1983, 1984,1985, 1992, 2005, 2006 e 2007.Quem não esteve nos Aflitos neste sábado, não sabe o que aconteceu por lá. Entretanto, mesmo os que lá estiveram, não exergaram certas coisas que só foram vistas pelos mesmos personagens. Nem mesmo o árbitro, o delegado da partida ou os donos da casa viram nada.Ninguém viu, por exemplo, a polícia dar voz de prisão em Viafara. Tal fato não existiu, pois, como disse o comandante da PM, se isto tivesse ocorrido,  ele estaria preso e não teria voltado para etapa complementar. Por outro lado, ninguém viu (nem mesmo as imagens de TV revelaram – e estas estiveram nos vestiários após o jogo) gás de pimenta nos vestiários visitante. O que se viu foram cenas onde os personagens eram apenas de um mesmo lado. Os mesmos que reclamavam do pênalti (claro) e da repetição (corretíssima) da cobrança do pênalti defendido por Viafara, por ter se adiantado (e muito). O estádio que querem chamar de acanhado, para nós é conhecido como Caldeirão. Pela proximidade da torcida alvirrubra dos jogadores. Pela pressão que ela exerce. Quem não tem auto-controle ou experiência pode sim se desesperar. Atletas desacostumados com uma La Bombonera, por exemplo, se assustam com a “Timbunera”. E aqui é difícil vencer o Náutico e, talvez por isto, se fale tão mal do nosso gramado (que é um dos melhores da região). Talvez por isto que queiram tanto nos tirar daqui. Pois sabem que, no caldeirão alvirrubro, o Náutico tem um retrospecto muito bom. Esta é a verdadeira versão dos fatos. Nada mais que isto. O Vitória faz uma ótima campanha. Digna de suas tradições. O jogo contra o Flamengo no Barradão, às vésperas da partida deste último sábado, foi algo digno de registro, pela festa da torcida baiana e pelo grande jogo que fez. Está praticamente garantido na sulamericana, por méritos.Equipes centenárias e tradicionais, como Náutico e Vitória, bem representam o futebol nordestino. Cada um a seu estilo. Cada um com sua história e cores. Cada um com seu valor. Mas, ambos com brio. E com muita paixão de suas respectivas torcidas. A torcida do Náutico é uma das mais pacíficas do Brasil. Não temos histórico de brigas nos Aflitos. Raramente vemos uma ou outra confusão envolvendo nossa torcida – que é normal nos tempos de hoje. As torcidas adversárias são sempre bem recebidas. Também não temos notícias de dirigentes alvirrubros invadindo o gramado dos Aflitos. Já os atletas visitantes sofrem com os gritos e apitos. Mas nada de violência. Nada de subterfúgio. Até porque não é essa nossa índole. Somos apenas uma equipe do nordeste que briga para permanecer na elite do futebol nacional, por termos tradição nesta competição.   Respeitamos os adversários e exigimos o respeito que merecemos. Só isto.

Afinal é assim que, no nosso modo de ver deve ser o futebol. Disputado no campo. E com respeito entre as torcidas.

Foi massa, Felipe!

Seg, 03/11/08
por milton neto |
categoria Crônica

Desde a época de Senna, nunca tinha me divertido vendo uma corrida de Fórmula 1. A decisão do mundial de pilotos, em Interlagos, neste domingo, trouxe, enfim, a mesma emoção da época do maior piloto de todos os tempos, a correr no carro de F1. 

Felipe Massa devolveu ao torcedor brasileiro – um apaixonado por esportes de todos os tipos (desde o futebol às corridas de fórmula 1, passando pelo vôlei, tênis e natação – basta termos uma equipe vencedora) – o orgulho que Senna tinha levado para seu túmulo.

 

Órfãos de Senna, restou aos brasileiros, a frustração de ver Rubinho decepcionar no bólido vermelho, sem conseguir bons resultados e assistindo ao passeio do alemão Schumi.

 

Passada esta época vermelha, quando o paulista Felipe foi contratado como segundo piloto do mesmo alemão, parecia que estávamos diante de outro engodo. Com a aposentadoria de Shumacker, poderíamos, enfim, torcer por Felipe? Sim e não.

 

Kimi foi campeão mundial, com 7pontos atrás do inglês Hamilton, em Interlagos. Parecia que Felipe não iria decolar. Ledo engano.

 

Como fez o Náutico, quando subiu em 2006, após perder uma chance de ouro, em 2005, Massa deu a volta por cima e fez uma temporada fantástica em 2008. Com mais vitórias que Hamilton, merecia o título.

 

Chegou a saboreá-lo, na última volta, quando Vetel ultrapassou Hamilton, a duas voltas do fim. Massa venceu a corrida e aguardou a confirmação da sexta colocação do rival. O Box da Ferrari chegou a comemorar o título.

 

Mas faltando duas voltas, Glock não agüentou a pressão de Vetel e Hamilton e foi duplamente ultrapassado, cedendo a quinta posição (e o título) para o inglês. O Box vermelho se calou. A torcida brasileira ficou em silêncio – como se não acreditasse na perda do título que ficou no colo de Felipe por apenas 2 voltas ao longo de toda corrida.

 

Foi doloroso ver a vibração de Massa, ao cruzar em primeiro, a bandeira quadriculada e, depois, ver seu choro, quando parou o carro, ao lado do pódio.

 Tem nada não Felipe. Ano que vem tem mais. E você é Massa!

Uma festa, uma angústia e duas comemorações

Sex, 31/10/08
por milton neto |
categoria Crônica

“Pai, minha colação de grau será na quarta-feira, a noite”, anunciava meu filho.

Confesso que passei uns 5 minutos para entender que não poderia ver o jogo do Náutico, contra o Inter - no mesmo horário da solenidade educacional. 

Mas, como um bom pai que tento ser, nem cogitei em mandar um representante no meu lugar, para presenciar evento escolar.

 “Tá certo, estaremos lá”.  

Só que, o subconsciente ficou em conflito. Como deixar de ver o jogo do timbu? Que sacrilégio! Que sacrifício!!! Quem marcou colação de grau, neste dia deve ser rubro negro. Quanta falta da sensibilidade…. 

O dia foi chegando. E a noite do evento, também. Como um viciado privado de suas necessidades fisiológicas, não parava quieto. Os joelhos batiam. O queixo tremia.  Angustia apertava o coração. 

Do trabalho, pelo MSN me comuniquei com meu filho. “Leve o MP4″. Afinal, se não posso ver o jogo, pelo menos, tenho como ouví-lo, pelo rádio. 

Mais tranqüilo, porém, ainda lamentando a coincidência de horário dos dois eventos, me dirigi ao local designado para a festividade escolar. Lá chegando, via os garotos e garotas tirando fotos e mais fotos. No meio do corredor que dividia as cadeiras. Na entrada da casa de festas. Até no banheiro.  Em ponto, as 19h30 (horário local), cumpri o ritual de ligar o rádio e acompanhar o jogo, na imaginação - levado pela narrativa do radialista.  

No entanto, sentados muito próximo do palco, tinham interferências intermináveis na transmissão e não conseguia ouvir direito o que era dito. Nem pelos oradores, nem pelo pequeno fone de ouvido. 

Aproveitando um descuido na marcação cerrada da família, fui para as últimas fileiras - onde pude ter um resultado melhor no entendimento do que era narrado. C

onfesso que mal podia ouvir nada do que era dito. E só escutava o radialista dizer (gritando): “EDUAAAAAAAAARRRDO!”. Pensei até que fosse defeito do rádio, de tanto se repetir tal palavra. Mas, depois de 45 minutos de “EDUAAAAAAAAAARRRDO!”, pude constatar que o rádio não estava quebrado, pois nos 15 minutos dedicados ao intervalo de jogo, as propagandas foram expostas normalmente pelos patrocinadores daquela estação radiofônica. Desliguei o aparelho e fui ver um pouco da cerimônia educacional.

Docentes se destacavam em meio ao ambiente das respectivas famílias. Garotos e garotas felizes e entusiasmados com seus professores, procuravam deixar claro, através de gritos dignos das melhores torcidas organizadas, a sua preferência pelos educadores. Os mestres eram ovacionados tal e qual os jogadores, em um estádio, quando anunciam a escalação do time. “Ah, Rogério é paredão” ou “Uh, Nestor é matador”. Coisas deste tipo. 

Após acompanhar algumas falas, voltei a atenção para a partida do timbu. Não antes de receber a ameaça da esposa: ”Não grite gol, se o Náutico fizer”.  Ah, pedido difícil…..que coisa agoniante. Não gritar num gol do Timba? Fala sério! Tão difícil, quanto deixar de ver o jogo do alvirrubro…. Mas prometi…mesmo sem ter certeza se cumpriria tamanho desafio… O jogo seguia. E, só ouvia o tal narrador gritar “EDUAAAAAAAAAAAAAARRRDO!”. Não havia toque de bola, só defesa de Eduardo. Que sufoco, amigo.  5, 10, 15, 20, 25, 30, 35 minutos do segundo tempo. Muito próximo dos minutos que o time é tão fragilizado (entre os 38 e 45 do segundo tempo - quando sofremos gols de quase todos os times na competição - inclusive do Inter, no primeiro turno). Sempre imaginei um jogo ideal para o Náutico, com apenas 40 minutos. Ah, como seria bom…. O nervosismo bate mais forte. 0 x 0 é um bom placar - apesar da vitória da Portuguesa contra o Ipatinga nos empurrar para zona de rebaixamento. Mas o empate é lucro, face o bombardeio da equipe de Tite na nau alvirrubra.  Acaba logo, seu juiz! Não tem quem agüente. E tome “EDUAAAAAAAAAAARRRRDO!” no fone de ouvido. 

Até que, quase como se esperado fosse, ouvi o desgraçado do narrador mudar a frase tão repetida ao longo dos 85 minutos, para GOOOOOL, do Inter.  Ah, que frasezinha safada! Preferia continuar ouvindo o danado do ”EDUAAAAAAAAAARRRRDO!”. 1 x 0 para o Internacional, aos 40 do segundo tempo. Quase joguei o MP4 num professor que parecia um urso panda vestido de paletó e gravata. Mas, me contive e não desisti de ouvir os minutos finais. O juizão deu apenas 3 minutos de acréscimos. E na última  volta do ponteiro, conseguimos um escanteio.  Ouço a voz do repórter de campo avisando: “Eduardo vai para área”. Sabe aquele estalo que dá, nas premonições? Sem querer, as esperanças se renovam. O coração bate mais forte. O pulso ainda pulsa.  Imagino a cena. Eduardo pulando, no meio de Guinazu, Índio e Marcão. Vagner, Everaldo e Adriano se empurrando na área colorada. Que tensão! Para piorar, uma luzinha se acende no MP4, com uns dizeres: “BAT” “BAT”. Piscando. Como que tirando onda com minha cara.  O córner é batido.

A bola sobe. Eduardo sobe e, de cabeça, trisca a pelota para trás. A bola sobra para Vagner. Tonto, chuta sem direção.  Neste momento, um pai de um amigo de meu filho se aproxima. Vem com a mão estendida, no intuito de parabenizar e ser reciprocamente parabenizado, pela colação de grau dos respectivos rebentos.  Confesso que titubeei em retribuir o cumprimento. Até porque não conseguia enxergar mais nada. Apenas imaginar a cena, que continuava a ser narrada, nas palavras do radialista.  Vagner chuta de 2 dedos. A bola, sem direção, bate na barriga de um defensor colorado e……….entra no gol de Lauro. GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!Do Náutico! Do Náutico! DO NÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁUTICOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! Ainda me lembrei da promessa de não gritar. Mas não prometi pular. E sai pulando feito maluco. Sozinho, no meio de diversos pais sentados e compenetrados nos intermináveis discursos. Só então percebi que outro pai pulava comigo. Era aquele que tinha vindo me cumprimentar. Mão apertada na hora do gol, foi como se estendesse a emoção pelo condutor de energia.  Quase sai correndo, para poder gritar gol, lá fora. Entretanto, pude ver minha alma sair do corpo e dar cambalhotas, na minha frente. GOLLLLLLLLLLLL, P*!! Que sufoco! Que gol! Na raça! Na vontade! Que determinação!  

Passada a euforia, comecei a pensar. Zona de rebaixamento? E dai? Faltam 6 rodadas! Vamos sair dela. Ou alguém duvida? Mesmo que faltasse uma rodada, ainda assim, eu teria fé que este time não seria rebaixado. Não pelo que fez nesta quarta, em Porto Alegre. Do que fez no Morumbi, contra o São Paulo ou do Sport, na ilha. Esse time não perdeu para o Inter, no campeonato (dois empates). O Botafogo não conseguiu nos vencer (perdeu uma e empatou outra). Uma das poucas derrotas do São Paulo (apenas 5), na competição foi para o Náutico.  Grêmio e Palmeiras tiveram que suar para conseguir empatar conosco, nos Aflitos.  E um empate como este, em Porto Alegre, sempre é um marco. Como foi, contra o Coritiba, no Couto Pereira, em 2006 - quando arrancamos para a primeira divisão e tivemos uma serie de bons resultados, logo depois. Ou como no ano passado, contra este mesmo Internacional, quando Cristian perdeu um pênalti e empatamos o jogo perdido, com Sidny fazendo um belo gol, de fora da área. Se o Náutico vencer 3 partidas (Vitória, Atlético-PR e Cruzeiro, nos Aflitos ou Figueirense, em Floripa) chegaremos a 42 pontos. Se o Sport, com os atuais 42 não é apontado como possível rebaixado, pode-se dizer que, com o mesmo número, o timbu não tem como ir parar na segunda divisão.  E, olhando os jogos dos adversários diretos, também podemos nos animar.   Dá até para torcer por Santos e Fluminense. Desde que estes vençam a Portuguesa, Ipatinga e Figueirense (apenas o Flu) e o Vasco (ambos). Ver confrontos diretos entre Figueirense x Atlético-PR  - além de Náutico x Atlético-PR (note-se que o furacão só tem confrontos diretos fora de casa) e Figueirense x Náutico. E torcer para que dê a lógica e as equipes em perigo, percam nos embates do Ipatinga contra o Inter (em Porto Alegre), Palmeiras (em São Paulo) e Grêmio (no Ipatingão); da Portuguesa contra o Flamengo (no Maracanã), contra o São Paulo (no Canidé) e Cruzeiro (no Mineirão); do Atlético-PR contra o Botafogo (no Engenhão); do Vasco contra o Santos (em São Januário), contra o Galo (no Mineirão), contra o São Paulo (mesmo em São Januário) e Coritiba (no Couto Pereira); E do Figueirense contra o Grêmio (no Olímpico), São Paulo (no Morumbi) e Botafogo (no engenhão). 

Fácil? De jeito nenhum.  Mas vai me dizer que foi fácil empatar com o Internacional em Porto Alegre? Sem Felipe, Hamilton, Derley (todos titulares) ou Tite?  Foi fácil resistir a pressão do Colorado, durante 85 minutos? De jeito algum. Fácil mesmo foi torcer pelo timbu, mesmo em silêncio, com um fone de ouvido na orelha e um monte de concluintes celebrando o fim de uma etapa nas suas vidas, como se comemorassem um gol do Náutico….            


Formulário de Busca


2000-2008 globo.com Todos os direitos reservados. Política de privacidade