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Análise.

Dom, 04/05/08
por milton neto |

Eduardo, Ruy, Vagner, Everaldo, Berg, Ticão, Radamés, Paulo Almeida, Geraldo, Wellington e Felipe. Esta é a base atual do nosso time para o brasileirão 2008. Se é boa? Posso dizer que sim, mas, realmente, precisa ser melhorada. Se vamos fazer um bom papel, na serie A? É pagar para ver.

GOLEIROS. Eduardo é um excelente goleiro. Teve atuações muitos boas e tem a confiança da torcida. Seu melhor momento no ano, foi no jogo contra o Sport, na ilha, quando fez grandes defesas e pegou até pênalti (cobrado por Luisinho Neto). Seu pior momento no ano, foram as reposições de bola, no clássico dos Aflitos, quando entregou a pelota para o inimigo. Mas recuperou-se em seguida. É, indiscutivelmente, o dono da camisa 1.André Sangalli parecer ter potencial para eventuais substituições. David é o terceiro goleiro (e um dos destaques da equipe de juniores em 2007).

LATERAIS. Um dos setores mais carentes do time. Ruy é titular absoluto. Polivalente, atua na ala direita e no meio de campo. Só atuou nos jogos da Copa do Brasil. E, se foi discreto na estréia, contra o Juventus, arrebentou nos jogos contra o Atlético-MG. Especialmente, no Mineirão. Jogando em sua terra natal, esteve em todas as partes do campo. Dono de uma cobrança de lateral diferenciado e muita raça (teve até seu calção rasgado). Ainda meteu uma bola no travessão, num rebote da pequena área. Ótimo nome para o brasileiro. Nino só atuou contra o Ypiranga. Muito pouco para avaliar seu potencial. Há necessidade de contratação para o setor.

Berg foi trazido do América-RN como sendo uma exceção ao rebaixado time potiguar de 2007. No entanto, não decolou e perdeu a posição para o dispensado Alessandro e, até para o improvisado (e também dispensado) Serginho. Fez sua melhor atuação, diante do Atlético-MG, nos Aflitos, quando até gol marcou. Mas, no jogo do Mineirão, sumiu de novo. Sem reserva para a posição e com um titular ainda devendo, resta evidenciado que há necessidade de contratação para o setor.

ZAGUEIROS. Vagner seria seleção brasileira se fosse mais alto, forte e jogasse num time do eixo Rio-São Paulo. Clássico, bem posicionado e ótimo no cabeceio. Sem dúvida, o melhor zagueiro do estadual. E ainda faz gol. Seu companheiro Everaldo é forte e faz uma boa dupla. Sabe sair jogando. Mas vez por outra se empolga e perde a bola. É um bom nome para a zaga. Luizão foi recém contratado e ainda será visto. O jovem Onildo chegou a ser cogitado para defender o Santos, após grandes atuações no ano passado. Com as dispensas de Márcio Santos e Fábio Silva, há necessidade de repor, pelo menos mais um zagueiro. De preferência, um que meta medo nos adversários, apenas com o olhar.

VOLANTES. Ticão é bom. Combate de perto e não dá espaço aos atacantes adversários. Joga na bola e seu “bote” geralmente rouba a pelota dos pés inimigos. Os cartões são decorrência do jogo. Algumas jogadas são interpretadas como violentas, outras não. Ticão chegou a ser expulso sem ter cometido falta, como no jogo contra o Centro, em sua estréia. Mas foi perfeito na marcação de Danilinho na partida dos Afllitos – pois o adversário só marcou, quando ele saiu de campo. Radamés é um ótimo segundo volante. Sabe sair jogando e arma as jogadas. Além disto, combate, como volante, os atacantes adversários. O jovem carioca fez grandes partidas (como contra o Atlético-MG, nos Aflitos), embora tenho ido muito mal, contra o Salgueiro. Entretanto, estamos bem servidos na posição.

Paulo Almeida não é mais o mesmo jogador do Santos, campeão brasileiro de 2002. Mas sua experiência conta para o setor. E seu futebol de pegada é útil. Há o reforço de volante que veio do Palmeiras. Ainda temos Tales (cuja maior virtude é a cobrança de faltas e o fato de unir o grupo) e o garoto Eduardo Erê (que jogou uma grande partida contra o Flamengo, no torneio de Juniores). É um setor que estamos bem.

MEIAS. Geraldo é o homem referência. Por ele passa a criação das jogadas do Náutico. Talvez seja este o nosso grande problema. Quando Geraldo não está bem ou muito marcado, o time não cria o suficiente, para o ataque funcionar. Artilheiro do estadual, quase se tornou o craque da competição. Mas faltou alguém ao seu lado para tabelar e ajudar na criação. Marcelinho ainda chegou perto, mas não foi o ideal. É craque, sem dúvidas. E será importantíssimo neste meio campo timbu.

Quem é o companheiro de Geraldo? E os reservas? O nome imediato é o jovem Helton. Futebol ele tem. Mas sua inexperiência conta. O nosso “Alexandre Pato” ainda tem muito a mostrar. Mas, por enquanto precisamos de um jogador mais experiente no setor, para jogar ao lado de Geraldo. E não é Rafael. Com as dispensas de Alex Sandro e Otacílio, há necessidade de termos um ou dois bons nomes para o setor mais frágil do time.

ATACANTES. Wellington além de revelação mostrou seu faro de gol. Em poucos jogos, pelo estadual, ficou a um gol da artilharia. É o Tanque alvirrubro e fez falta em Minas. Mesmo tão jovem, é o titular da camisa 9 timbu. Já Felipe é o nome ao lado do Tanque. Fez uma grande jornada contra o Galo, nos Aflitos e tem muita qualidade. Precisa, entretanto, ser mais regular. Teve fracas atuações, em outras jornadas, quando pouco chutou e perdeu gols incríveis. Mas todos conhecem seu potencial e é um grande atacante.

O setor de ataque é o que apresenta um grande número de jogadores. O ídolo Kuki não tem mais o gás e o faro de gol que tinha. Mas é um dos maiores artilheiros da história do clube. E é um privilégio vê-lo jogar. Quando entra em campo, no segundo tempo, tem feito boas atuações e o jogo pega fogo. Assim como Ricardo Laborde. O colombiano chegou a ser o xodó da torcida. Ganhou espaço. Seus dribles e velocidade eram sinônimos de reação alvirrubra. Mas o garoto peca na finalização. Já Warley chegou para ser titular. Mas não decolou. Contra o Galo, no Mineirão ainda meteu uma bola no travessão, numa cobrança de falta na risca da área. Se ela entra, estaria redimido perante a torcida. Ainda temos Danilo Lins (o talismã contra o Sport) e o jovem goleador (que é artilheiro dos juniores) Anderson Lessa. Sem duvida o setor tem qualidade.

Com algumas contratações, mesmo sem o mesmo recurso financeiro de um Flamengo, São Paulo ou até o Corinthians (na serie B), o Náutico pode brigar pela Sulamericana e surpreender quem aposta na sua briga para não cair.

Ah, é Eduardo!

Seg, 21/04/08
por milton neto |

Que Magrão que nada! O melhor goleiro do campeonato é Eduardo! A “prova dos nove” foi o clássico deste domingo. Os dois em campo. De um lado o rubro negro. Do outro o alvirrubro.

Se o camisa 1 do Sport foi o grande destaque no clássico dos Aflitos, o nosso arqueiro foi o “dono do jogo”, na ilha. E, camisa por camisa, a azul do goleiro timbu é muito mais bonita que aquela vermelha e amarela do adversário.

Eduardo já tinha sido destaque na partida contra o Salgueiro, no meio de semana. Não pelas defesas (pois não houve um chute em direção ao seu gol, naquela ocasião). Mas pela sua voluntariedade. Por ter ido a área adversária, por 03 vezes, para tentar fazer o gol, que terminou não acontecendo.

Eduardo Allax Scherpel tem sobrenome de gringo, mas é carioca. Tem 1,93m, 87 kg e 30 anos. Começou sua carreira em 1998, na Portuguesa do Rio. Jogou no Anápolis-GO, Bangu, Atlético-MG, Portuguesa, Grêmio, Brasiliense e América.

Quando chegou ao timbu para disputar a serie B, em 2006, para a vaga deixada pelo ídolo Nilson, a desconfiança era grande. Pairava sobre o goleiro um episódio ocorrido num clássico entre o Galo e a Raposa. Uma briga com o zagueiro Cris e uma suspensão por um longo tempo.

Mas bastou atuar com a camisa alvirrubra que Eduardo ganhou a confiança da torcida. Com defesas importantes ajudou o Náutico a voltar para a primeira divisão e se tornou um dos heróis da campanha da serie B.

Alguns problemas na renovação e exageros nas declarações do goleiro, fizeram que o mesmo não permanecesse no timbu, no começo do ano seguinte. Foi jogar no América, pelo estadual carioca. Mas retornou para o clube dos Aflitos, durante a disputa da primeira divisão em 2007. E reestreou longe de casa. Contra o Corinthians, numa vitória inesquecível, por 3 x 0.

Não é do tipo que faz milagres, salvando bolas indefensáveis. Mas dificilmente é culpado pelos gols que sofre. Tem bons reflexos e uma liderança sobre o grupo. O gigante Eduardo sempre se manifesta nos vestiários, com palavras de apoio aos companheiros.

No domingo, o goleiro defendeu um pênalti cobrado por Luizinho Neto. Uma cabeçada a queima roupa de Carlinhos Bala. Um chute de Daniel Paulista. Teve o reflexo de pegar uma bola que bateu na trave, na linha de dentro do gol e voltou para suas mãos, cabeceada por Roger (que estava impedido no momento do passe – e ninguém percebeu). Enfim. Nota 9,9 para este goleiro fantástico. Só não foi 10 porque pecou em algumas reposições de bola - o que já tinha ocorrido no clássico dos Aflitos.

Mas o clássico não foi só Eduardo. Radamés, Ticão, Paulo Almeida, Vagner e Everaldo se não foram um primor de qualidade (e até de posicionamento em alguns momentos) mostraram muita vontade e determinação. E jogaram na disputa da bola.

Por sinal, não discuto a expulsão de Ticão (que foi justa), mas lamento que Sandro Goiano e Carlinhos Bala não tenham tido o mesmo destino, após desferir uma cotovelada em Wellington (o primeiro) e dar uma tesoura voadora, por trás, que poderia ter quebrado a pena de Ticão (o segundo).

Chega de falar deste campeonato. Uma competição que todos reclamaram. Até que a venceu. Se eu pudesse dar minha opinião, sugeriria que em 2009 houvessem 2 turnos. Com 2 grupos de 6 (jogos de ida e volta). O 1º de cada grupo, ao final, enfrentaria o 2º do grupo contrário. E os vencedores fariam a final do turno, em 2 jogos. Certamente seria muito mais emocionante e menos confuso.

Agora é esquecer o estadual e dar tudo na Copa do Brasil contra o Atlético-MG, em 2 jogos dificílimos. O Galo, por sinal, terá dois jogos contra o Cruzeiro, nas finais do campeonato mineiro.

Nesta competição poderemos contar com o que há de melhor. Ruy estará de volta ao time e Serginho deve continuar na lateral esquerda. Vagner e Everaldo terão Luizão como sombra. Ticão, Radamés e Paulo Almeida já demonstraram que têm muita garra para jogos decisivos (ou mesmo os que não valem pontos) e Alceu deve disputar uma vaga neste setor bem servido. Geraldo confirmou a artilharia. E o ataque timbu (que foi o segundo mais positivo do torneio), com a revelação do estadual, o tanque Wellington tem o reforço de Tiago.

Se o estadual não foi agradável, pelo menos serviu para que o time comece com uma base o brasileirão e se mantenha vivo na Copa do Brasil. E se um grande time começa com um grande goleiro, já podemos ter grandes esperanças nas competições


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