Quando sai do estádio, após o segundo gol anulado do Náutico, devo confessar que estava fulo com a arbitragem. Como podiamos vencer se todos os gols que fazíamos eram anulados?
Depois de ver os lances, porém, infelizmente, tenho que reconhecer que ele acertou na interpretação (embora tenha sido esquisito ter ido consultar o bandeirinha do outro lado, para chegar a conclusão – perdendo precioso tempo para o Náutico).
Dito isto, vamos analisar o que aconteceu nos Aflitos, neste domingo.
Antes de mais nada, quero registrar que não concordei com a liberação de mais ingresso para a torcida adversária. A legislação fala em 10% da capacidade do estádio deve ser reservado aos torcedores do time visitante. Sempre foi assim, com todos que vieram aos Aflitos. E sempre foi tranquilo (inclusive com o próprio Flamengo, nas vezes anteriores, que veio aos Aflitos).
Ceder 4.700 ingressos descaracterizou uma de nossas “armas”: o nosso “caldeirão”. Se estavam pensando em ganhar dinheiro, que colocassem, então, o jogo no Arruda, uma vez que, cedendo 1/4 do estádio (em vez de 1/10), realmente estávamos contribuindo para “reforçar” o já perigoso adversário. E se era para fazer isto, melhor que tivesse levado o jogo para o José do Rego Maciel, onde poderíamos colocar 10% da lei para o Flamengo (cerca de 7 mil pessoas) e bem mais alvirrubros – que certamente iriam em maior número – embora não tivessemos o mesmo efeito do caldeirão dos Aflitos (que terminou não acontecendo, de fato). Não entendi a atitude.
A mudança no horário do jogo, solicitada pelo “Sindicato dos profissionais do futebol” (tão tardiamente, todavia) foi benéfica, de fato, ao Flamengo, que até quando se aqueceu em campo, procurou o único espaço com sombra para não sofrer com o calor – antes do início do jogo.
O Náutico, de Geninho, tinha os reforços de Cláudio Luiz, Asprilla e Vagner. E contava com Gledson, Patrick, Michel, Ailton, Irênio, Bala e Bruno Mineiro, que são titulares absolutos há vários jogos. Só Nilson é que fazia o papel de Derley (ainda contundido) ou Johny (suspenso).
Ou seja, o Náutico tinha tudo para fazer uma boa partida.
Mas, estranhamente, se perdia na marcação. E deixava o time do Flamengo (desfalcado de Maldonado e Juan) tocar a bola e ganhar o meio de campo.

Numa jogada que sobrou para Adriano, este tocou para trás, para a chegada de Leo Moura (na esquerda) que chutou para Gledson fazer a defesa parcial. O problema é que o goleiro largou a bola nos pés de Petkovic, que, sem marcação, empurrou para o gol, abrindo o placar. 1 x 0 Flamengo, na primeira vez que o time de Andrade chegava na área pernambucana.
Um castigo para o Náutico, que fazia o seu papel, pressionando o visitante – embora sem muita objetividade.
Mas, não demorou para que o Náutico chegasse ao empate. Ou pelo menos, chegasse ao gol de Bruno. Um chute de Michel, de fora da área desviou em um jogador do Flamengo (e ai tem a tese que tiraria o impedimento de quem quer que seja) e fez com que Bruno fizesse uma defesa incrível. No rebote, o zagueiro Claudio Luiz chutou por baixo de Bruno e empatou a partida.
A torcida do Náutico ainda comemorava, quando se pode ver os jogadores alvirrubros cercando o bandeirinha do retão. Depois, os jogadores do Flamengo. E uma demora interminável para se confirmar o gol. E lá vem o árbitro para “consultar” o bandeirinha das sociais. Pra que? O cara não viu nada. Era impossível. Assim como eu não vi! Mas, depois, soube pelas rádios, que o bandeirinha do lado de lá (o tal que levantou a bandeira) não tinha certeza, por causa do sol nos olhos. E o árbitro deu a voz ao bandeirinha do outro lado que, teria “decidido” a parada. Impedimento (que de fato estava). Mas como se poderia saber, ora pois? Só se ele consultou a TV ou perguntou a algum jornalista. E ai, bem. Ai não pode….
O fato é que o gol (ilegal) foi anulado. Mas se perdeu tempo demais e, pior, a anulação daquele gol, fez o Náutico se perder em campo. E não mais se achar….
E foi o Flamengo que chegou ao segundo gol e não o Náutico, ao empate. Já nos acréscimos (de 5 minutos) o lançamento feito para Zé Roberto, na direita, encontrou o atacante sem marcação. Este chutou cruzado, na medida para que ninguém da defesa alvirrubra cortasse e encontrasse Adriano sozinho para só ter o trabalho de empurrar para o gol vazio. Era o 19º gol do “Imperador” e o 63º sofrido pela defesa do Náutico, na competição.
Aqui, quero fazer uma pequena reflexão.
O time sofreu nas 35 partidas que disputou 63 gols. Todos os times que nos enfrentaram (exceto o Corinthians – que vencemos por 1 x 0 no Recife e ainda iremos jogar, na próxima rodada) na competição, balançaram as redes de Eduardo ou Gledson. O São Paulo (líder atual do brasileirão) para que se tenha uma idéia, sofreu 35 gols (quase a metade). Dos 35 jogos, só não sofremos gol em 6 (17%). Nestes seis jogos, vencemos 5 (Cruzeiro, Corinthians, Goiás, Atlético-PR e Palmeiras) e empatamos 1 (Atlético-MG). Todos em Recife.
Seguramente, a defesa, que atualmente tem Claudio Luiz, Vagner e Asprilla como seus “pilares” tem sido o nosso “calcanhar de Aquiles” na competição. Não se pode confiar que iremos sair sem sofrer gol. Dela já participaram Gladstone, Galiardo, Negretti (todos já dispensados), além de Márcio Paulista, Fernando, Luiz Bispo, Onildo e um outro garoto da base (que não me recordo o nome). A proteção de Derley, Nilson, Johnny ou Rudney também não surtiu tanto efeito ao longo de todos esses jogos.
E, por isto, o retrato dos gols do Flamengo (apesar da qualidade de Petkovic e Adriano – indiscutíveis) mostra a fragilidade e até certa ingenuidade de nossos defensores, que deixaram livres os goleadores rubros negros, em ambos os gols.
O primeiro tempo terminava com uma vantagem monstruosa para o time do Rio. Era praticamente impossível virar o placar. Ou mesmo, como se veria na etapa complementar, chegar ao empate.
Andrade foi inteligente. Administrando a vantagem e desgastado com o calor da hora anterior (que já havia ido embora para a etapa complementar), armou o time para não dar espaços para o Náutico. E partia com muito perigo, nos contra ataques (até mais que o Náutico).
Teve a chance de “matar o jogo” em dois lances. No primeiro, Adriano correu pela direita e tocou para trás, mas Zé Roberto (salvo engano) chutou inexplicavelmente por cima do travessão.
Na segunda, o próprio Adriano driblou Cláudio Luiz (que voltava de uma inatividade de 15 dias) e Gledson evitou o golaço do atacante, chegando antes na bola.
Já Geninho fazia o que pudia. Na volta para o segundo tempo, tirou Asprilla (que saiu sentindo) para colocar Juliano, adiantando a marcação e ganhando mais um homem no meio.
Juliano, por sinal obrigou Bruno a fazer uma grande defesa, chutando forte, de fora da área. Seria um golaço.
Com o passar do tempo, Geninho tirou os meias Irênio e Ailton, para colocar mais atacantes: Anderson Lessa (há meses sem entrar em campo) e Tuta (ha pouco meses de se aposentar). Recuou Bala e procurou dar mais ofensividade – que poderia ter vindo com Mariano Torres (em vez de ficar com 4 atacantes).
Não deu certo, embora Lessa ainda colocasse a bola para dentro do gol de Bruno (bem anulado) e sofresse um penalti, no final do jogo (que não foi marcado – e talvez o maior erro do árbitro – embora não modificasse em nada o jogo, que já estava ganho pelo Flamengo)
O apito final poderia ter rebaixado definitivamente o Náutico, não fosse o resultado na Arena Barueri. A derrota do Botafogo, por 3 x 0, deu sobrevida ao timbu.
Todavia, faltando 3 rodadas, o Náutico ve cada vez mais complicada a sua tarefa:
1) Tem que vencer os 3 jogos (Corinthians e Santo André fora e Avaí em casa) e torcer para o Botafogo perder 2 ou empatar 3 vezes (Palmeiras e São Paulo em casa e Atlético-PR fora), Fluminense não vencer 2 jogos (Sport e Coritba fora e Vitória em casa), Santo André não vencer os 3 jogos (Avai e Náutico em casa e Inter fora) ou mesmo que o Atlético-PR perca todos os jogos (Cruzeiro e Botafogo em casa e Barueri fora) ou Coritiba ou Vitória percam de goleadas suas 3 partidas (Santos e Cruzeiro fora e Fluminense em casa, no caso do Coxa e Barueri e Goiás em casa e Fluminense fora, no caso dos baiano);
2) Vencer 2 jogos e empatar 1, desde que o Botafogo, pelo menos perca 2 jogos e empate 1, o Fluminense só possa vencer 1 jogo e perca os outros 2 e o Santo André não vença 3 jogos.
3) Vencer 2 jogos, desde que o Botafogo e Fluminense percam 3 jogos e o Santo André não vença 2 e empate o terceiro.
Não há possibilidade matemática para 1 única vitória, apenas, nos próximos 3 jogos que possam salvar o Náutico, que só se salva se conseguir um mínimo de 41 p0ntos (desde que Bota e Flu estacionem).
Agora, é torcer pelas vitórias fora de casa (que até agora só foi uma isolada, contra o Atlético-PR, de Geninho) e pelas derrotas dos outros (Botafogo, Fluminense, Santo André e até Atlético-PR, Coritiba e até o Vitória (que campanha ruim dos clubes do Nordeste!).
É, apesar de toda dificuldade, eu ainda acredito.