Será que a nossa campanha é tão ruim assim? Acho que não.
Afinal, das 8 partidas que disputamos, 5 foram fora de casa. E contra equipes fortíssimas, como o atual campeão (São Paulo), o atual líder (Atlético-MG) e um dos semifinalistas da Libertadores (o Grêmio). Também enfrentamos, fora, o Goiás (que só perdeu uma partida das 8 que jogou) e o Atlético-PR - que nos vencia por 2 x 0 e buscamos o resultado. Conseguimos, então 4 pontos fora de casa, dentro de uma lógica previsivel e possível, diante de adversários gabaritados. Pontuamos contra quem provavelmente poderíamos pontuar. Tirar pontos de São Paulo, Grêmio ou Atlético-MG, em suas casas (quando historicamente nunca vencemos) era improvável.
Nos 3 jogos nos Aflitos, vencemos o Cruzeiro (equipe fortíssima, que está nas semifinais da Libertadores, com o Grêmio). Empatamos com o Fluminense, de Parreira. O Fluminense que tem em seu elenco, jogadores de muita qualidade como Thiago Neves, Fred, Conca, etc.
Só a partida contra o Coritiba é que deve ser lamentada, afinal. E apenas por ter sido em casa é que devemos, a meu ver, dizer que o resultado foi o pior possível. Mesmo que o Coxa tenha um meio de campo com jogadores habilidosos como Marcelinho Paraíba, Carlinhos Paraíba e Marcos Aurélio. Mas, sem dúvida, foi um péssimo resultado, pela perda dos 3 pontos em casa.
Todavia, é o único resultado que pode, de fato, ser verdadeiramente lamentado, entre todos os 8 confrontos.
O que deixa preocupada a torcida, no entanto, não são os resultados em si, mas a qualidade da equipe. Não temos alas que apoiam o ataque. Não temos meia de qualidade. Nossos volantes são, na essencia, segundos volantes. Falta o “primeiro volante”. Alguns jogadores desapontaram, como Márcio Barros e Adriano Magrão. Outros desapontam por não serem escalados pelos próprio técnicos (quer por estarem no DM, quer por causa de coisas que fogem a nossa compreensão) como Acosta, Chucky e Edson Miolo. A defesa, que parecia arrumada, volta a “bater cabeça”.
Voltamos a não ter jogadas no meio de campo, pois passamos a jogar com um meia isolado (mas lembrem-se que Bala estava suspenso na partida contra o São Paulo). Entretanto, temos Acosta para jogar nesta posição. Tem o Dinda (que está machucado - e por isto não está nem no banco). Tem o Ailton (que vem jogando bem, mas que precisa de alguém ao seu lado). E o próprio Bala - que pode jogar na função - embora prefira que ele esteja no ataque.
Nosso ataque não marca há 4 partidas. De fato. Gilmar caiu de rendimento. Mas colocou 2 bolas na trave, contra o São Paulo. E, lembro que jogamos contra o São Paulo, Atlético-MG e Grêmio, nos últimos 4 jogos. Mesmo o Fluminense (nossa quinta partida sem vitória), tem uma das melhores defesas (8 gols), ao lado do São Paulo e Corinthians (7 gols) e do Inter (6 gols).
Assim, não podemos, de tudo ser tão críticos. As dificuldades para o Náutico foram, até o momento, muito maiores que para equipes que jogaram 5 vezes em casa e apenas 3 fora. Ou àquelas que, quando enfrentaram equipes mais fortes, como Grêmio, estes jogaram com equipes reservas.
Também não enfrentamos os chamados “adversários diretos” (como Barueri, Santo André, Botafogo ou Avaí, por exemplo), quer em casa, quer na casa deles.
Por sinal, o Barueri é citado como exemplo de que o pouco dinheiro que recebemos não é desculpa. Mas, vejam que o Barueri jogou contra o Fluminense em casa e empatou (nós também). Jogou contra o Goiás fora e empatou (nós também). Venceu o Cruzeiro (nós também). A diferença é que eles venceram o Atlético-MG e nos perdemos. Mas o jogo deles foi em casa e o nosso foi fora. Nos outros resultados, o Barueri venceu o Avaí (”adversário direto”) em casa, empatou com o Palmeiras em casa (depois de estar perdendo por 2 x 0), com o Sport fora e perdeu para o Corinthians fora.
Então, a situação não é tão feia assim.
Evidentemente, também não é nenhuma maravilha. Temos um time em formação. Estamos nos reorganizando, depois que já tínhamos alguma coisa, com o Waldemar Lemos. Isto é ruim, pois a competição está em pleno andamento.
Também causa certa angústia ver Márcio Bittencourt insistir em Márcio Barros, deixando nossa jovem revelação, Anderson Lessa, no banco e só utilizá-lo quando não dá mais tempo para nada (a não ser um milagre). Lessa que sempre entrou bem como nos jogos contra Cruzeiro e Atlético-PR, onde foi nossa “arma secreta” e Márcio Barros que não atuou bem (nem perto disto) nos dois jogos que fez.
Também causa preocupação ver o técnico tirar nosso único meia no jogo (Ailton - que estava bem) para improvisar com Edson Miolo (que não é meia de origem e estava há 3 meses sem jogar). E pior ainda, sequer relacionar um meia com a qualidade do chileno Chucky.
Causa preocupação ver o time sem alas que apoiem ou primeiro volante, que dê mais tranquilidade à zaga. Defesa que, por sinal, tem falhas de marcação e posicionamento - que precisam de correção e mais tranquilidade. Sofremos gols infantis como o terceiro, contra o Galo. Ou o primeiro do São Paulo - quando todos sairam e Asprilla ficou (dando condições de jogo aos jogadores adversários).
É preciso tudo isto. Sim. Sabemos. E é óbvio que a comissão técnica atual sabe. Precisa, entretanto, ganhar a confiança que Waldemar Lemos tinha no grupo. Será que vai dar? Será que consegue, mesmo já tendo feito 4 partidas sem ter alcançado tal êxito?
Essas são nossas maiores preocupações.
Mas, olhando com calma observo sim soluções. A diretoria acena com contratações especificamente para os locais onde estamos verdadeiramente carentes (alas e volante - até mesmo no meio de campo). Teremos Acosta, em breve (espero que não tão distante). Temos um elenco com peças de reposição.
Assim, peço a todos que, neste momento, unam suas energias, em pensamento positivo. Para que possamos encontrar as soluções e reencontrar a vitória. Para tanto, vamos apoiar o time. Nada de provocar este ou aquele jogador. “Porque este não faz gol”. “Porque este não joga nada”. Temos que nos unir. Em prol de uma única coisa: o bem do Náutico.
E, assim, unidos, poderemos sim, alcançar nossos objetivos. Não vamos pensar pequeno. Vamos pensar grande. Buscar a Libertadores, para, no mínimo, chegarmos na sulamericana. Este é sim, nosso principal objetivo este ano.
Eu acredito sim, que unidos (torcedores, comissão, jogadores, alvirrubros ilustres e diretoria) possamos dar passos gigantescos para frente. Só assim, podemos ser, de verdade, gigantes e vencermos nossos adversários.
N-A-U-T-I-C-O!
N-A-U-T-I-C-O!
N-A-U-T-I-C-O!
NÁUTICO!
NÁUTICO!
NÁUTICO!