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Orlando Peçanha: categoria, títulos e uma única derrota pela seleção

qua, 10/02/10
por gm marcelo |

orlandopecanhaA seleção brasileira de 58 ficou marcada pela presença de alguns dos melhores jogadores de todos os tempos. Além de reunir Pelé e Garrincha, a equipe contava com os talentos de Didi, Nilton Santos e Djalma Santos, que figuram frequentemente na lista dos maiores da história do futebol.

Mas o time que deu ao Brasil o seu primeiro título contava também com um zagueiro, que se não possuía a fama de outros companheiros de equipe, era respeitado por sua categoria e eficiência.

Orlando Peçanha teve uma trajetória particular na seleção brasileira. Disputou sua primeira partida pelo selecionado em 18 de maio de 58, apenas 20 dias antes da estreia do país na Copa disputada na Suécia. O escasso tempo foi suficiente para convencer o treinador Vicente Feola a escalá-lo como titular no Mundial.

Nos seis jogos da campanha vitoriosa, que foi marcada por muitas mudanças no time titular, Orlando atuou em todos os seis jogos. Ao lado do amigo Bellini, seu parceiro de zaga também no Vasco. Formavam uma dupla considerada ideal por muitos treinadores. Bellini era mais conhecido pelo vigor físico, que parava os atacantes quando necessário. O chamado ‘limpador de área’. Orlando era seu contraponto. Um beque clássico, com categoria suficiente para desarmar os atacantes adversários sem apelar para faltas. Mas que sempre mostrava garra.

Orlando seguiu absoluto na seleção até 1960, quando foi negociado com o Boca Juniors. Na Argentina, virou ídolo do clube de maior torcida do país. Mas ao se transferir para o exterior, acabou perdendo a chance de ser bicampeão mundial em 62. Na época, quem atuava fora do Brasil sabia que estaria fora da lista de convocados. No Chile, Zózimo, seu reserva em 58, ocupou a vaga em aberto e foi campeão.

Em 65, voltou ao Brasil, para defender o esquadrão do Santos. Na Vila Belmiro, reencontrou companheiros do Mundial da Suécia: Gilmar, Zito, Pepe…e Pelé. Foi campeão paulista duas vezes (65 e 67) e Taça Brasil de 65. E aos 31 anos, foi convocado para a Copa de 66. Chegou à Inglaterra como reserva, mas foi capitão na última partida do Brasil no Mundial. A derrota por 3 a 1 para Portugal foi sua única nas 34 vezes em que atuou com o camisa do Brasil.

Um tropeço que não abalou uma trajetória extremamente vitoriosa tanto na seleção quanto nos clubes em que defendeu (Vasco, Santos e Boca). Em todos, foi campeão. Uma carreira que ganhou a justa homenagem com a inclusão do nome de Orlando Peçanha na calçada da fama do Maracanã.

E convidamos você a deixar a sua mensagem sobre o Orlando Peçanha no espaço destinado aos comentários.

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Volta de Robinho ao Santos lembra exemplos de craques do passado

seg, 01/02/10
por gm marcelo |
categoria Romário, Santos, Zico

O retorno de Robinho confirma o ‘movimento migratório’ de craques nacionais da Europa para o Brasil. Ronaldo, Fred, Adriano, Vagner Love e Roberto Carlos estão neste grupo. Mas a volta do ‘Rei das Pedaladas’ ao Santos guarda muitas semelhanças com casos de jogadores do passado. Ou por representar uma tentativa de recuperação após uma passagem de pouco sucesso no Velho Continente. Ou por ser o reencontro de um ídolo com o clube que o revelou.

Um dos primeiros exemplos de ‘retorno’ do futebol brasileiro foi o de Didi. Eleito pela imprensa internacional o craque da Copa de 58, o camisa 8 da seleção brasileira foi negociado no ano seguinte pelo Botafogo para o Real Madrid. Mas a permanência do ‘Princípe Etíope’ no clube espanhol durou apenas 19 jogos. Após sofrer um suposto boicote liderado por Di Stefano, principal nome do Real, Didi fez o caminho de volta, retornando ao Botafogo em 1960.

Vinte anos depois, outro brasileiro teve uma passagem fugaz pela Espanha. Em 20 de janeiro de 1980, Roberto Dinamite estreou pelo Barcelona cercado de grande expectativa. A primeira impressão foi excelente: na estreia, dois gols no Almeria. Mas foi falsa. Depois, o atacante não conseguiu mais ter boas atuações. E três meses depois estava novamente no Vasco. Que conseguiu ‘repatriar’ o artilheiro que o então presidente do Flamengo, Márcio Braga, chegou a praticamente anunciar como jogador rubro-negro. Em 23 de abril, reestreou pelo Vasco, diante do Náutico, em Recife. E marcou sua volta ao Maracanã de forma triunfal, marcando os cinco gols da vitória cruzmaltina por 5 a 2 sobre o Corinthians, em 4 de maio.

Outro craque brasileiro que voltou ao clube pelo qual se destacou, como ocorre agora com Robinho, foi Zico. Em 1983, após liderar o Flamengo à conquista do terceiro título brasileiro em quatro anos, o principal jogador brasileiro da época foi negociado para o futebol italiano. No Udinese, um time de menor porte, o Galinho de Quitino teve uma excelente temporada inicial, sendo o vice-artilheiro do Campeonato Italiano, com 19 gols. Apenas um a menos que o francês Platini, craque do campeão Juventus.

Em 1985, na primeira grande operação comercial de um clube nacional para repatriar um jogador, semelhante a que o Santos montou agora para ter Robinho, o Flamengo conseguiu viabilizar o “Projeto Zico”, trazendo o maior ídolo da história do clube de volta à Gávea em 24 de maio. Para marcar o retorno, um jogo entre o Flamengo e um time de craques foi disputado no Maracanã em 12 de julho.

Uma década depois, o Rubro-Negro carioca montou nova estratégia e trouxe Romário do Barcelona no início de 1995. Na época, o melhor jogador do mundo, eleito pela Fifa graças às atuações decisivas na Copa de 94. Romário chegou a desfilar de carro aberto pelas ruas do Rio. Em uma festa semelhante que ocorreu em Santos nesta segunda-feira, com a apresentação de Robinho no clube que o projetou para o futebol.

E qual a sua opinião? Robinho vai ter sucesso no Santos? Deixe o seu recado no espaço destinado aos comentários

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Decisão paulista inédita na 40ª edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior

sáb, 23/01/10
por gm marcelo |
categoria Santos, são paulo

São Paulo e Santos disputaram nesta segunda-feira (25) uma final inédita em 40 edições da Copa São Paulo de Futebol Júnior.

O Tricolor Paulista chegou pela nona vez a uma decisão. E conquistou o terceiro título. A garotada do Morumbi também ficou com o caneco em 1993 e 2000. E deixou escapar a taça em seis finais: 1981 (derrota para a Ponte Preta), 92 (Vasco), 94 (Guarani), 2001 (Roma), 2004 (Corinthians) e 2007 (Cruzeiro).

Em 1993, o São Paulo garantiu a taça pela primeira vez também em um clássico paulista. O rival no Pacaembu foi o Corinthians. Com o futuro ídolo Rogério Ceni no gol e a dupla Jamelli e Catê no ataque, o Tricolor venceu por 4 a 3. Com três gols de Jamelli, atual gerente de futebol do Santos. A equipe contava também com o atacante Caio, hoje comentarista da TV Globo, e os laterais André Luís e Pavão. Este foi um dos destaques da equipe, mas não vingou entre os profissionais. No Corinthians, o principal nome era o atacante Marques, atualmente no Atlético-MG.

Sete anos depois, a garotada tricolor voltou a ficar com a troféu graças à vitória sobre o Juventus-SP na final. Destaque daquele time, Júlio Baptista fez o primeiro gol do time no triunfo por 2 a 1. Dos titulares, apenas mais um jogador se destacou como profissional: o meia Fábio Simplício.

O Santos chegou pela terceira vez à decisão do Copa São Paulo de Futebol Júnior. O Peixe foi vice em 1982, perdendo a taça para a Ponte Preta, e campeão em 84. Um ano de dupla alegria para a torcida do Peixe, com dois títulos conquistados em cima do maior rival, o Corinthians. Além da Copinha, o Peixe bateu o adversário na decisão do Paulista.

Se na final do Estadual, Serginho Chulapa foi o grande nome, no jogo decisivo do torneio de juniores o camisa 9 do Alvinegro Praiano também foi o destaque: o atacante Gérson, que marcou o primeiro gol da vitória por 2 a 1. Mas o destino foi ingrato com o jogador, que morreu em 1994, com apenas 28 anos. A causa oficial da morte foi toxoplasmose. Na época, foi comentado que o jogador teria contraído o vírus HIV. O atacante se destacou no Atlético-MG e Internacional, e disputou cinco jogos pela seleção brasileira.

O Peixe conquistou o seu único título da Copinha em 25 de janeiro de 1984. No mesmo dia em que nascia um grande ídolo da torcida santista: um menino batizado apenas como Robson de Souza. Que em 2002 e 2004, já conhecido como Robinho, seria bicampeão brasileiro com a camisa 7 do clube.

*Colaborou André Amaral

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Futebol paulista deixa o G-2 do Campeonato Brasileiro após 17 anos

qui, 10/12/09
por gm marcelo |

A conquista do título brasileiro de 2009 quebrou um jejum de 17 anos do Flamengo, que havia vencido a competição pela última vez em 1992. E outro fato que não ocorria há 17 anos no Campeonato Nacional também foi verificado na edição encerrada no último dia 6. Pela primeira vez desde 1992, o futebol paulista ficou fora do ‘G-2′ do torneio.

Pesquisa feita pelo jornalista Bernardo Pombo, do excelente blog “Bola de Meia“, mostra que nos 16 Campeonatos Brasileiros disputados entre 1993 e 2008, o estado de São Paulo esteve representado na primeira ou na segunda colocação. Ou até nas duas posições.

Em 1992, a final foi carioca, com o Flamengo superando o Botafogo. A partir de então, clubes paulistas conquistaram dez títulos e nove vice-campeonatos.

No Brasileirão de 2009, o São Paulo foi o melhor colocado entre os paulistas, em terceiro lugar.

Veja a lista de campeões e vice brasileiros no período:

2009) 1 – Flamengo / 2 – Internacional
2008) 1 – São Paulo / 2 – Grêmio
2007) 1 – São Paulo / 2 – Santos
2006) 1 – São Paulo / 2 – Internacional
2005) 1 – Corinthians / 2 – Internacional
2004) 1 – Santos / 2 – Atlético-PR
2003) 1 – Cruzeiro / 2 – Santos
2002) 1 – Santos / 2 – Corinthians
2001) 1 – Atlético-PR / 2 – São Caetano
2000) 1 – Vasco / 2 – São Caetano
1999) 1 – Corinthians / 2 – Atlético-MG
1998) 1 – Corinthians / 2 – Cruzeiro
1997) 1 – Vasco / 2 – Palmeiras
1996) 1 – Grêmio / 2 – Portuguesa
1995) 1 – Botafogo / 2 – Santos
1994) 1 – Palmeiras / 2 – Corinthians
1993) 1 – Palmeiras / 2 – Vitória
1992) 1 – Flamengo / 2 – Botafogo

Um pênalti histórico faz 40 anos

qui, 19/11/09
por gm marcelo |

Pelé teve muitos momentos marcantes em sua carreira. Três títulos de Copas do Mundo (único jogador a conseguir tal feito), gols de placa, lances inesquecíveis. E um desses lances completa 40 anos nesta quinta-feira.  Em 19 de novembro de 1969, o Brasil se voltou para o Maracanã para acompanhar a cobrança de um pênalti. Não uma penalidade máxima qualquer. Mas a que acabou se transformando no milésimo gol do melhor jogador de futebol de todos os tempos (assista ao lance no vídeo abaixo).

Os deuses do futebol reservaram o lance histórico para o Maracanã, principal estádio brasileiro, e para um jogo contra o Vasco, o time de coração do Rei. E para um pênalti. Permitindo que todas as atenções ficassem concentradas para um jogador, para um goleiro, para a trajetória de uma bola.

Em novembro de 1969, a expectativa pelo milésimo gol do Rei do Futebol tomou conta do país. Todos queriam ter a honra de ver de perto um fato tão marcante. Com 998 tentos no currículo, Pelé e o esquadrão do Santos (Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Edu, Lima e cia) foram a João Pessoa para enfrentar o Botafogo-PB em um amistoso, no dia 14 de novembro. O desejo geral dos paraibanos era que o Rei marcasse dois gols e registrasse assim a capital do estado  na história do futebol brasileiro (relembre a história no vídeo abaixo).

Havia até um temor entre santistas que havia algo planejado para o que o gol acontecesse no Estádio Olímpico da capital paraibana. E o Alvinegro Praiano se ‘preveniu’. Após marcar o 999, em cobrança de pênalti (o terceiro do time paulista naquela partida), Pelé trocou a camisa 10 pela número 1 após uma misteriosa contusão do goleiro Jair Estevão, o Jairzão. Como o Santos já tinha feito as substituições regulamentares, coube ao Rei a missão de defender o gol do Peixe. E o gol mil ficava adiado pela primeira vez.

Nova oportunidade ocorreria dois dias depois, em Salvador. O adversário do Santos era o Bahia, na Fonte Nova, em jogo válido pela Taça de Prata. Dessa vez, não faltou vontade para que o milésimo ocorresse em uma capital nordestina. Mas faltou combinar com o adversário. O Tricolor complicou o jogo para o Santos, e o personagem principal da partida foi o zagueiro Nildo, que salvou, em cima da linha, uma conclusão de Pelé, que já havia driblado até o goleiro.

 Em vez de ser aplaudido por ter cumprido fielmente seu papel de defender o seu clube, Nildo acabou vaiado por torcedores que foram ao estádio para poder dizer que assistiram ‘in loco’ o milésimo. Mas este, mais uma vez, foi postergado.

pelegolmilPara o Maracanã, palco de Vasco x Santos, na noite de 19 de novembro de 1969. E a espera dos 65 mil torcedores que foram ao ‘maior estádio do mundo’ foi grande. Sem um time com grandes nomes, o time da Cruz de Malta fez frente ao poderoso Santos. O placar ficou empatado (1 a 1) até aos 32 minutos do segundo tempo. Quando Pelé recebeu um lançamento, disputou a bola com o zagueiro Fernando e caiu dentro da área. O árbitro pernambucano Manoel Amaro de Lima não titubeou e apontou a marca da cal. O goleiro argentino Andrada se irritou com a marcação, atirando a bola com raiva no gramado. Fernando reclamou e até hoje jura que não cometeu a falta. Todos os jogadores vascaínos cercaram o juiz. Fidélis chutou a marca do pênalti, tentando fazer um buraco que atrapalhasse o Rei. Mas não havia volta. Nem para os jogadores do Vasco nem para Pelé.

Aos 29 anos,  já com três Copas e dois títulos mundiais no currículo, o Rei tremeu diante da responsabilidade, como ele admitiu em entrevistas posteriores. Ao ouvir o apito, Pelé correu e ensaiou a tradicional paradinha. E colocou a bola para o seu lado direito. Em uma eternidade de segundos, Andrada voou para o lado certo e chegou a raspar na pelota. Mas ela morreu no canto esquerdo da meta. Enquanto o argentino socava a grama por não ter conseguido adiar mais uma vez a História, torcedores explodiram em alegria – mesmo muitos vascaínos -, e Pelé correu para dentro do gol, agarrou a bola e a beijou, como se agradecesse a ela por não ter se deixado ser defendida.

O jogo, para todos, acabou ali. Jornalistas invadiram o campo, Pelé foi erguido nos ombros, deu volta olímpica – uma das raras sem que houvesse um título – e defendeu atenção para as crianças.

Se 40 anos depois, o discurso de Pelé não surtiu o efeito que ele desejava, a sua cobrança de pênalti naquela noite no Maracanã se tornou um momento eterno da história brasileiro e mundial. Eterno como o Rei do futebol.

Um novo 2 de outubro emocionante para Pelé. Trinta e cinco anos depois

seg, 05/10/09
por gm marcelo |
categoria Pelé, Santos

Na última sexta-feira, Pelé viveu mais uma grande emoção com a escolha do Rio de Janeiro com a sede dos Jogos Olímpicos de 2016. E não foi a primeira vez em que o Rei do Futebol se emocionou em um 2 de outubro. Na mesma data, há 35 anos, o Rei do Futebol vestiu pela última vez a camisa do Santos em um jogo oficial.

A despedida de Edson Arantes do Nascimento do Alvinegro Praiano ocorreu em 2 de novembro de 1974, em um jogo contra a Ponte Preta, pelo Campeonato Paulista.

Prestes a completar 34 anos, o Rei decidiu que é hora de deixar o clube que defendeu por 18 anos. Três anos antes, em 18 de julho de 71, havia feito o último jogo pela seleção brasileira (empate de 2 a 2 com a Iugoslávia, no Maracanã).

Mais de 20 mil torcedores lotaram a Vila Belmiro para dar o adeus ao Rei. Ainda sem estar totalmente recuperado de uma contusão, Pelé ficou 22 minutos em campo. Não conseguiu balançar a rede, mas também nem era necessário. Já havia feito 1.091 gols pelo Santos.  Os dois últimos ocorreram em 22 de setembro de 74, contra o Guarani (veja no vídeo abaixo).

Aos 22 minutos do primeiro tempo, a bola sobrou para o Rei no círculo central. Em vez de dominá-la com o pé, o craque segurou a bola com as mãos, se ajoelhou no centro do gramado, com a redonda a seu lado, e agradeceu a todos os presentes com os braços abertos. O jogo foi interrompido. Pelé deu uma volta olímpica, aplaudido até pelos jogadores adversários, e desceu as escadas rumo ao vestiário da Vila Belmiro pela última vez, com a camisa listrada número 10 no ombro. Uma imagem que ficou para sempre registrada na história do futebol.

O Santos derrotou a Ponte por 2 a 0, gols de Cláudio Adão e Geraldo (contra). Mas o resultado era o menos importante. Para muitos, o jogo havia acabado na metade do primeiro tempo.

Jogos na Memória: os orgulhos e as vergonhas dos santistas

sex, 18/09/09
por bernardo ferreira |

Texto: Bernardo Ferreira

A seção desta semana traz dez partidas marcantes do Santos na história. Para falar de orgulhos e vergonhas, ouvimos Renato, Emerson Leão, Gallo, Jamelli, Vagner Mancini… Confira a seguir os Jogos na Memória dos santistas e os depoimentos de quem esteve lá.

Aproveite e deixe o seu recado nos comentários: sentiu falta de algum jogo? Quais partidas são motivo de orgulho ou vergonha?

OS ORGULHOS:

1º lugar: Benfica 2 x 5 Santos, em 1962

Depoimento de Pepe:

“O Santos jogava partidas nacionais e internacionais, misturando tudo. Jogávamos na Argentina, depois no Pacaembu, no Rio… Mas dessa vez, como se tratava de um Mundial, nos preparamos bem. E ganhamos com facilidade. O Benfica era nosso freguês de caderneta. Estive no Boavista há alguns anos e me encontrei com o Torres, centroavante alto do Benfica daquela época. Ele me confidenciou que o Benfica tinha muito medo do Santos e principalmente do Pelé. Essa partida foi um marco na história do Santos. Tiveram que mudar a Hora do Brasil de horário, para que as pessoas escutassem a partida pelo rádio. Os portugueses já pensavam no terceiro confronto, em Paris. Mas, quando começou o jogo, viram que a história seria outra. No Maracanã a partida foi mais dura porque o Benfica atuou mais recuado, marcando mais. Em Portugal, saíram para o jogo, sem preocupações defensivas e sem escalar alguém para marcar o Pelé. O meu gol nesse jogo foi o mais feio da minha carreira. Tabelei com o Coutinho, e a bola ficou mais para o Costa Pereira, goleiro deles. Só que o campo estava molhado, e ele foi escorregando, até quase sair da área, soltando a bola nos meus pés. Foi a maior partida que vi o Pelé fazer com a camisa do Santos. E foi a maior partida da história do Santos, junto com os 4 a 2 no Milan em 1963″

2º lugar: Santos 5 x 2 Fluminense, em 1995

Depoimento de Narciso (atualmente técnico dos juniores do Santos):

“Vi o primeiro jogo (vídeo acima) pela televisão. Fomos derrotados por 4 a 1 com três gols nos últimos 20 minutos e criamos muitas chances. Seria difícil reverter a vantagem, mas vi que os jogadores estavam confiantes pelo menos na vitória. Se a classificação viesse também, seria outra história. Para o jogo em São Paulo, perdemos dois jogadores por suspensão, o que acabou sendo positivo para o nosso propósito. O Robert e o Jamelli armavam jogadas e fechavam o meio-campo, enquanto o Macedo e o Camanducaia eram mais homens de frente e tinham mais velocidade. Treinamos muito nossas jogadas em velocidade, com a chegada de trás do Giovanni e do Marcelo Passos, e as finalizações. Sabíamos que teríamos muitas chances durante o jogo, por isso precisávamos ter frieza. As declarações no Fluminense aumentaram nossa motivação e fizeram com que crescêssemos. O Renato Gaúcho disse que sairia pelado do Pacaembu se o Fluminense não se classificasse. O Gaúcho falou que sairia de cueca. Disseram que a final seria carioca.

No começo do jogo, estávamos ansiosos. Depois que o Giovanni fez o primeiro gol, o time se tranquilizou. Nosso objetivo inicial era fazer 1 a 0 ou 2 a 0 no primeiro tempo e arriscar mais depois do intervalo. Mandamos duas bolas na trave depois que fizemos 2 a 0, e isso nos animou. Após o primeiro tempo, eu estava descendo para o vestiário e me chamaram de volta para o meio-campo. Acho que a ideia de permanecer em campo foi do Gallo ou do Giovanni. Foi legal, diferente. A torcida foi maravilhosa. O segundo tempo foi mais aberto para os dois times, e conseguimos os gols de que precisávamos. O Fluminense não esperava que jogássemos daquela maneira. No fim do jogo, quando fizemos 4 a 1, bateu um pouco de desespero no Fluminense, que começou a mandar bolas para a área. O Santos havia sido formado naquele ano. Eram jogadores jovens, pouco conhecidos, buscando seu espaço. O time jogava com alegria, era essa nossa maior virtude. Os treinamentos eram divertidos, e havia amizade entre os jogadores, até por serem quase todos da mesma faixa etária. O Giovanni vivia grande fase e era muito importante. Era o nosso desafogo. Passávamos a bola para ele e podíamos descansar um pouco, pois ele cadenciava o jogo e tinha bom controle de bola.”

3º lugar: Santos 3 x 1 São Paulo, em 2002

Depoimento de Emerson Leão:

“O maior desafio era provar que era um time adulto no mata-mata. Conseguiu o inverso do que acontece com muitos times e amadureceu na hora necessária. O campeonato com mata-mata pode ser maravilhoso, mas o mais correto é premiar o time que apresenta regularidade. E aquele Santos poderia ter conseguido sucesso se a disputa fosse por pontos corridos, já que ainda haveria todo um turno pela frente. Todos diziam que jovens ganhavam partidas, mas não um campeonato. Meu desafio foi tirar deles o excesso de responsabilidade, deixá-los à vontade para continuar jogando. Tínhamos muita confiança nos moleques, e o clima era muito bom. Jogar mal é que era novidade, por isso era perdoado quando acontecia. O Santos era um time com sucesso futuro, enquanto o São Paulo era um time com sucesso presente. Era agradável ver o Santos jogar”

4º lugar: América de Cáli 1 x 5 Santos, em 2003

Depoimento de Renato (atualmente no Sevilla):

“Seria a primeira vez que todos iriam jogar a Libertadores, um sonho para qualquer jogador. Perguntamos ao Rubens Cardoso (lateral reserva) como eram os jogos, e ele dizia que eram mais disputados, mais truncados, diferentes do Brasileirão. Mas não houve qualquer tumulto. Lembro que depois, num jogo no Paraguai (contra o 12 de Octubre), tivemos que tomar banho no hotel, porque o vestiário era pequeno demais. Na Colômbia, estávamos mais ansiosos do que o normal, por se tratar de uma competição nova. O Robinho estava bastante confiante, até pela trajetória dele em 2002. Procurou fazer o mesmo que no ano anterior, e as jogadas saíram com facilidade. Deu chapéu, elástico, pedalada… Fiquei surpreso quando a torcida aplaudiu a substituição do Robinho e, ao final do jogo, o time do Santos. Na Europa você até vê isso, mas na América do Sul não é normal. Foi inusitado. Comentamos entre nós mesmos que os colombianos haviam gostado do jogo, pelo futebol bonito, pelo prazer de ter visto uma partida muito boa. Essa goleada foi fundamental para o restante da Libertadores, pois nos deu muita confiança. Poderíamos ter sido campeões naquele ano, mas infelizmente não deu.”

5º lugar: Santos 4 x 2 Corinthians, em 2005

Depoimento de Gallo:

“Após a era Pelé, Giovanni e Robinho foram os dois grandes ídolos do Santos. E eles queriam muito jogar um com o outro. O Robinho sempre chamava o Giovanni de craque nos treinamentos. Disse que havia visto aquele time de 1995 e vibrado muito. E o Giovanni dava conselhos aos mais jovens e conversava bastante com o Robinho, inclusive sobre a Espanha, pois havia atuado cinco anos no Barcelona. O Giovanni é um cara muito simples, um gentleman, agradável de se trabalhar. Às vezes passa uma imagem de calado, por ser tímido, mas é um líder e tem uma influência positiva sobre os outros. Tentei dar o máximo de liberdade possível em campo ao Giovanni, até pela idade dele, para que ele pudesse servir Robinho e Deivid. Às vezes eu até recuava o Deivid para atuar como ponta-de-lança, para deixar o Giovanni livre. Eu sabia que, com Giovanni e Robinho juntos, sairia alguma coisa boa. Foi muito frustrante depois saber da anulação dessa partida, já que era a volta do Robinho ao time (após negociações com o Real Madrid). Esse era um time que poderia disputar o título. Depois perdemos Robinho e Deivid, que foram substituídos por Basílio e Geílson. A qualidade na frente caiu, mas nos mantivemos entre os primeiros. Até hoje, quando vou a Santos, falam desse time. E não entendem por que fui demitido. Na época alegaram que o time oscilava muito e temiam ficar fora da Libertadores. Mas estávamos sempre entre os primeiros, atrás de Corinthians e junto com Inter e Fluminense.”

AS VERGONHAS:

1º lugar: Corinthians 7 x 1 Santos, em 2005

Depoimento de Basílio (atualmente no Barueri):

“Foi o pior jogo da minha vida, a pior derrota. Perder de sete num clássico marca negativamente. Já tínhamos vencido o Corinthians por 4 a 2, mas o jogo foi remarcado e depois perdemos (3 a 2), o que revoltou os jogadores. O Santos começou bem o campeonato, com o Gallo no comando. Ele conhecia o elenco e nos apoiava. Depois chegou o Nelsinho Batista, que não fez um bom trabalho. Os jogadores que estavam no Santos desde 2004 não tinham a confiança no treinador, pois foram muitas mudanças no elenco, com algumas dispensas. Perdemos estabilidade. O Santos já estava longe da Libertadores. Por mais que você busque forças, acaba perdendo o foco. E o Corinthians brigava pelo título, tinha um time bem armado, com grandes jogadores. Aproveitou bem as oportunidades na partida. Eu entrei no segundo tempo, no lugar do Luizão, quando já estava 3 a 0 para o Corinthians. Não deu para fazer muita coisa, até porque logo depois tivemos um jogador expulso.”

2º lugar: Santos 0 x 5 Flamengo, em 1984:

Depoimento de Pita (atualmente trabalhando na Traffic):

“Montaram um time para conseguir títulos. Conseguimos chegar à final do Brasileiro de 1983 e tínhamos time para conquistar a Libertadores. Mas fizemos duas partidas ruins e atípicas contra o Flamengo.  Santos x Flamengo era um confronto equilibrado, com ataques lá e cá, em que não se podia vacilar. O Flamengo tinha um timaço e era quase imbatível no Maracanã, embora tenha havido um pênalti claro em mim que não foi marcado na final do Brasileiro de 1983. Eu me machuquei num jogo contra o América de Cáli na Colômbia e voltei meia-boca para essa partida contra o Flamengo. Tivemos dois jogadores expulsos, mas é porque não é fácil perder de cinco. Nessa hora, o melhor a fazer é tocar a bola. O Santos tinha jogadores experientes e malandros, com um meio-campo forte, em que jogávamos eu, Paulo isidoro e Dema. Esse foi um dos melhores times em que atuei. Naquela época, a Libertadores não tinha essa importância toda, não era televisionada e tinha casos de doping. Era uma guerra. Não era fácil ganhar times estrangeiros lá fora.”

3º lugar: São Paulo 6 x 1 Santos, em 1993

Depoimento de Evaristo de Macedo:

“O Santos tinha feito um campeonato muito bom. Era um time competitivo. Se não era tecnicamente muito bom, tinha muita força física e era bem preparado. E compensava as deficiências com muita luta. Dependíamos de outro resultado (Novorizontino x Corinthians), mas, na hora em que começa um jogo, você se esquece do resto. No máximo, pergunta no intervalo como estão os jogos, mas isso nem interfere na sua atuação. Você sabe que de nada vai adiantar se não fizer a sua parte. O resultado contra o São Paulo foi ruim, mas lutamos até o fim. Acho que o árbitro se precipitou ao expulsar o Gallo. Não sei se ele expulsaria, no Morumbi, se o jogador fosse do São Paulo. Isso nos prejudicou. Mas eles tinham um grande time. Santos e São Paulo faziam jogos duros naquela época, sem favoritismo”

4º lugar: Santos 0 x 6 Palmeiras, em 1996

Depoimento de Jamelli:

“Lembro desse jogo, porque eu e Narciso estávamos voltando ao Santos depois de dois meses fora, jogando pelo Pré-Olímpico com a seleção brasileira. O time estava cheio de desfalques. Muitos não jogariam por lesão, e outros por suspensão. Não havia ninguém no time, apenas eu, Gallo e Giovanni. E o Palmeiras tinha um timaço. Não tinha o que fazer, eles atropelaram. Foi um dos jogos em que eu mais me senti impotente, porque o time estava com muitos desfalques, com mudança de treinador e enfrentando uma máquina. Naquela época, de cada dez jogos na Vila, o Santos ganhava sete, empatava dois e perdia um. Era o nosso alçapão. Mas levamos três gols cedo, num deles de bola parada, o que desestruturou o nosso time. Essa pode ter sido a maior goleada sofrida na minha carreira. O ambiente naquele Santos era excelente, éramos como uma família.”

5º lugar: Santos 0 x 1 CSA, em 2009

Depoimento de Vágner Mancini (atualmente no Vitória):

“Tivemos jogo no sábado pelo Paulistão, nos reapresentamos na segunda-feira e voltaríamos a jogar na quarta. Eu tinha que treinar primeiro para o jogo contra o CSA, mesmo porque até a bola era diferente. Apenas na quinta-feira é que treinaríamos em função do Corinthians (para a final do Paulistão). Montei o time das divisões de base como o CSA, para funcionar como um sparring. No jogo, os atletas não conseguiram tirar o foco da final. Não é a primeira vez que isso acontece no futebol, nem será a última. Você só pode ter alto rendimento se está totalmente concentrado. Se acontecesse uma próxima vez, eu tiraria o time que vai jogar na partida seguinte. Os reservas do Santos não teriam condição de ganhar do CSA na Vila? O que é melhor: um time B focado ou um time A sem foco? Nem levei em conta a eliminação do Botafogo (que estava no mesmo lado da chave) na hora de escalar, porque a vitória sobre o CSA era algo que deveria acontecer. O resultado não veio por fatalidade, pois perdemos uns dez gols inacreditáveis. Por mais importante que seja a Copa do Brasil, estávamos no meio de uma decisão do Paulista, contra o nosso maior rival. Não acho que a derrota para o CSA tenha interferido na final, porque o que decidiu foi a genialidade de um atleta. Ronaldo fez a diferença”

Colecionador mostra sua paixão pelo Santos Futebol Clube

ter, 15/09/09
por gm marcelo |

O Santos é um dos clubes brasileiros com a camisa mais conhecida no exterior. A equipe se tornou mundialmente famosa graças aos feitos de Pelé e companhia nos anos 50 e 60. E um torcedor do clube ajuda a preservar a história do clube bicampeão mundial em 1962 e 63. Denis de Almeida Silva, 30 anos, mantém uma coleção de 170 camisas do time paulista, com várias peças raras e interessantes.

Como um uniforme de 1969 usado pelo zagueiro argentino Ramos Delgado e autografado por craques como Pelé, Pepe, Mengálvio, Dorval, Zito, Lima Pepe, Edu e Clodoaldo. O item preferido do acervo.

Denis revela que a coleção começou a ser formada há cinco anos.

- Quando era criança, tive poucas camisas. Depois que comecei a trabalhar, passei a comprar duas por ano. Quando vi, já tinha umas 50. Então conheci um colecionador, que me inspirou a ampliar a coleção.

No acervo, há espaço para peças usadas por Clodoaldo, Juari, Pita, Serginho Chulapa, Paulo Isidoro, Mendonça, Fábio Costa e Léo. Como objeto de desejo para acrescentar ao seu acervo, Denis cita um uniforme do clube usado pelo Rei Pelé.

Além dos uniformes, o torcedor santista guarda revistas com reportagens especiais sobre o clube e fotos de jogadores que passaram pela Vila Belmiro.

Clique e confira a galeria com fotos de algumas peças da coleção

E conheça o acervo de outros colecionadores

Agosto: um mês especial para o Rei

seg, 17/08/09
por gm marcelo |

O mês de agosto é especial para o Rei do Futebol. Uma das obras-primas de Pelé no futebol completa 50 anos neste mês. Em 2 de agosto de 1959, o adolescente de 18 anos, campeão do mundo no ano anterior, marcou o gol que considera o mais bonito dos 1.283 que fez em sua longa carreira nos gramados.

O adversário era o Juventus, no estádio Conde Rodolfo Crespi, na Rua Javari, em jogo do Campeonato Paulista de 1959. Aos 40 minutos da etapa final, o Santos derrotava o Moloque Travesso por 3 a 0, com dois gols de Pelé e um de Dorval. Mas a vantagem no marcador não deixou o Rei tranquilo. Irritados com uma dividida entre Pelé e o juventino Pando, que levou a pior e fraturou a perna, torcedores do time da casa xingavam o camisa 10 do Peixe sempre que ele pegava na bola.

- Já havia feito dois gols no jogo, mas os caras não paravam de pegar no meu pé. Olhei para a arquibancada e fiz um gesto de “espera um pouquinho” – disse Pelé, em declaração reproduzida pelo site oficial do Santos.

E o Rei reservava para os presentes ao estádio no bairro paulistano da Mooca um momento de rara beleza. A cinco minutos do apito final, Pelé recebeu um cruzamento da direita de Dorval. Com um belo toque, se livrou de Julinho e iniciou uma sequência de chapéus. O primeiro a ser ‘chapelado’ foi Homero. O zagueiro Clóvis veio em socorro ao companheiro e também viu a bola passar por cima da sua cabeça. O último obstáculo a frente de Pelé era o goleiro Mão de Onça. E na sua corrida sem deixar a bola cair, o Rei do futebol também superou o arqueiro com um balãozinho. O toque final foi uma cabeçada, mandando a bola para a rede.

Irritado com as vaias e xingamentos, Pelé desabafou na comemoração, dando socos no ar. Estava inventado um gesto que seria marca registrada do craque. E os que criticavam Pelé se renderam ao talento do gênio do futebol. As vaias viraram aplausos.

Infelizmente, não há registro em vídeo do lance genial. Apenas fotografias e a lembrança na memória dos privilegiados que estavam na Rua Javari naquele dia. Para não deixar o lance passar em branco na cinebiografia oficial do Rei (”Pelé Eterno”), o diretor Aníbal Massaini Neto reproduziu o gol digitalmente. Veja a animação no vídeo acima.

E em 2006, a diretoria do Juventus inaugurou um busto de Pelé na Rua Javari, em homenagem ao lance e seu criador. Pelé retornou ao local em que criou uma de suas obras de arte para inaugurar a estátua (foto acima).

Pais e filhos no futebol

dom, 09/08/09
por gm marcelo |

Muitos filhos de jogadores de futebol costumam lamentar a ausência dos pais durante grande parte da infância. A rotina de viagens e períodos de concentração reduz sensivelmente o período de convivência entre pais-atletas e a família. Mas no futebol, existem vários casos de “peixinhos” que decidiram seguir a carreira de seus ídolos paternos.

E na história do futebol, há exemplos de filhos que conseguiram repetir o sucesso de seus antepassados em campo. E até superar. Ou nem chegar perto.

O maior nome do futebol mundial deixou um seguidor nos gramados. Mas se Edson Arantes do Nascimento marcou 1.284 gols, Edson Cholbi do Nascimento, o Edinho, decidiu tentar impedir que a bola balançasse a rede. Com passagens pelo Santos (1990/91 e 94/98), Portuguesa Santista (92), São Caetano (93) e Ponte Preta (98), o goleiro sempre foi considerado um arqueiro mediano. Foi titular do Santos durante o Campeonato Brasileiro de 95, quando o time paulista foi vice-campeão nacional.

Assim como Edinho, Ademir da Guia e Djalminha decidiram ser jogadores de futebol em posições diferentes de seus pais. Mas foram reconhecidos como atletas de sucesso. Filho de Domingos da Guia, considerado um dos melhores zagueiros da história do futebol nacional, Ademir da Guia brilhou com a camisa 10 do Palmeiras durante 16 anos e é considerado por muitos palmeirenses com o melhor jogador da história do clube. É um dos três atletas homenageados com um busto na sede social do Alviverde (ao lado de Junqueira e Waldemar Fiúme).

Mas na seleção não obteve o mesmo sucesso do pai. Enquanto Domingos foi titular do Brasil na Copa de 38 e defendeu o país em 25 partidas, Ademir teve poucas chances com a camisa amarela. Atuou em apenas nove jogos pelo selecionado. Somente um de Copa – a disputa do terceiro lugar do Mundial de 74, contra a Polônia. Apesar do bom futebol, não foi relacionado para a Copa de 70.

Djalma Dias e Djalminha (ao lado) tiveram uma trajetória parecida na seleção. Zagueiro de estilo clássico, o pai defendeu o Brasil em 21 partidas, mas não foi convocado para as Copas de 66 e 70, apesar de ser um dos principais beques do país no período (foi campeão paulista pelo Palmeiras em 66 e 69). Foi titular com João Saldanha nas Eliminatórias, mas não foi lembrado por Zagallo. Já o filho perdeu a chance de disputar o Mundial de 2002 – e ser campeão mundial – por ter aplicado uma cabeçada em seu técnico no La Coruña, Javier Irureta, durante um treinamento. No dia da divulgação da lista de convocados para o Mundial, Luiz Felipe Scolari reconheceu que o caso tinha influenciado sua decisão de não chamar o meia. Em 98, também foi ficou fora da relação elaborada de Zagallo (como o pai 28 anos antes), apesar de ter integrado o time campeão da Copa América no ano anterior.

Há casos também de filhos que não apenas seguiram a carreira dos pais. Também atuaram na mesma posição. Caso do lateral Gabriel (ex-Fluminense e São Paulo), filho de Wladimir, ídolo do Corinthians nos anos 70 e 80. A diferença é que o primeiro atua pela direita.

E Alecsandro, hoje no Internacional, atacante com o pai, Lela, destaque do time do Coritiba que conquistou o Campeonato Brasileiro de 1985. E a família tem outro jogador: o meia Richarlyson (São Paulo).

Muitos herdeiros de jogadores bem-sucedidos reclamam que sofrem com as comparações feitas com os pais. Filho mais novo de Zico, maior ídolo da história do Flamengo, Thiago Coimbra teve passagem rápida pelo clube e também não conseguiu se firmar em outras equipes, como Coritiba e Madureira.

Comparações não foram um problema para Paolo Maldini. Um exemplo de filho que conseguiu suplantar o pai. O meio-campista Cesare Maldini defendeu a Itália em duas Copas do Mundo (62 e 66) e foi capitão do Milan em 63, quando o clube italiano foi campeão europeu. Mas hoje é mais conhecido como “o pai de (Paolo) Maldini”, titular da seleção italiana em quatro Mundiais (90, 94, 98 e 2002), cinco vezes campeão da Liga dos Campeões da Europa (89, 90, 94, 2003 e 2007) e um dos maiores ídolos da história do Milan. E a família segue no futebol. Filho de Paolo, Christian, 13 anos, atua nas categorias de base do Rubro-Negro de Milão. Será que veremos a terceira geração de Maldinis no futebol?

Na Argentina, há o exemplo do clã Verón. Juan Ramón Verón, “La Bruja”, foi tricampeão da Libertadores (1968, 69 e 70) pelo Estudiantes de La Plata. Título que seu filho, Juan Sebastián Verón, “La Brujita”, conseguiu incluir em seu vitorioso currículo em julho, ao comandar o mesmo Estudiantes, com a mesma camisa vermelha e branca, ao título continental na decisão contra o Cruzeiro.

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