O ano de 2009 teve momentos esportivos marcantes. Escolhemos dez imagens/fatos que vão ficar na memória de quem gosta de esporte. Belos momentos, como golaços, títulos e feitos. E outros tristes (briga, escândalo). Confira a nossa lista e dê a sua opinião no espaço de comentários: quais acontecimentos você acrescentaria na lista? O mais citado pelos amigos do blog foi incluído na relação: os ouros e recordes de César Cielo no ano.
Volta de Ronaldo
Poder ver de perto em campo o maior artilheiro da história das Copas é um privilégio para poucos. E a torcida do Corinthians teve uma honra ainda mais intensa: ver esse jogador com a camisa do seu clube. Depois de 15 anos atuando no exterior, Ronaldo voltou ao Brasil para defender o Timão. Teve um primeiro semestre de grandes momentos, como o golaço por cobertura no primeiro jogo da final do Paulista, contra o Santos, e as boas atuações na Copa do Brasil.
A obra-prima de Nilmar
Nilmar deixou o Internacional no meio do ano, indo atuar no Villareal (Espanha). Mas antes de se despedir da torcida colorada, o atacante deixou uma lembrança, para que sua passagem pelo clube não fosse esquecida: um golaço, em que enfileirou, em uma arrancada desde o meio-campo, todos os jogadores do Corinthians que se colocaram em seu caminho. Uma obra-prima que merecia uma placa no Pacaembu.
O golaço de Diego Souza
Se o Palmeiras teve um ano decepcionante, não conquistando o Paulista, a Libertadores e um Campeonato Brasileiro que chegou liderar com folga, 2009 deixou uma lembrança positiva para a torcida alviverde: o golaço de Diego Souza no jogo contra o Atlético-MG, em 29 de novembro, no Palestra Itália. Um gol do meio-campo que será sempre incluído na galeria dos mais belos da história do futebol brasileiro.
Reação do Flu
O Fluminense não foi campeão em 2009. Mas a torcida tricolor teve motivo para festejar. A equipe empreendeu a mais incrível reação do Brasileirão de pontos corridos, conseguindo evitar um rebaixamento dado como certo por praticamente todos comentaristas e matemáticos. Sem uma única derrota nas 11 últimas rodadas do Nacional (sete vitórias e quatro empates), o Tricolor se manteve na Série A. Um feito digno de ser comemorado por seus torcedores.
Briga no Couto Pereira
O ano do centenário foi terrível para a Coritiba. A equipe não conquistou um título sequer e ainda teve que amargar o rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro. Mas o pior ocorreu após o apito final do jogo contra o Fluminense, que sacramentou a queda da equipe para a Segunda Divisão. Algumas dezenas de torcedores invadiram o gramado do Couto Pereira, provocando um dos piores conflitos já registrados no futebol brasileiro, com mais de 20 feridos.
Fla campeão
No mais disputado Campeonato Brasileiro de pontos corridos, quatro equipes chegaram à última rodada com chances de título (Flamengo, Inter, São Paulo e Palmeiras). E a taça acabou indo parar na Gávea, com o Flamengo voltando a ser campeão nacional depois de 17 anos. E na hora decisiva, a honra de marcar o gol do título não foi destinada a Petkovic ou Adriano, destaques do Fla na competição. O feito coube ao zagueiro Ronaldo Angelim, relembrando, 31 anos depois, o gol histórico de Rondinelli na final do Carioca de 78.
A mão de Henry
Erros de arbitragem no futebol foram frequentes em 2009. No Brasil e no mundo. Mas a falha mais grosseira ocorreu em 18 de novembro, no Stade de France. O árbitro sueco Martin Hansson disse não ter visto o atacante Henry ter ajeitado a bola – duas vezes – com a mão esquerda antes de cruzar para Gallas empatar o jogo contra o Eire em 1 a 1. O gol garantiu a classificação francesa para a Copa de 2010 e recolocou em discussão a necessidade de auxílio tecnológico para evitar erros tão flagrantes.
Acidente de Massa
Em 25 de agosto, os amantes da F-1 no Brasil e no mundo ficaram chocados com o acidente sofrido por Felipe Massa eu um treino classificatório para o GP da Hungria. Não um acidente normal das pistas, mas uma incrível fatalidade: uma mola se soltou do carro de Rubens Barrichello e atingiu em cheio o capacete de Massa. O brasileiro ficou dias em coma induzido, causando preocupação em todos. Mas se recuperou bem e está pronto para retornar ao automobilismo em 2010.
O escândalo Renault/Nelsinho Piquet
A imagem ocorreu em 2008, mas o seu verdadeiro significado só foi conhecido em 2009. O acidente proposital de Nelsinho Piquet no GP de Cingapura foi um dos maiores escâdalos da história do esporte, causando o banimento da F-1 de Flávio Briatore, todo-poderoso da escuderia Renault. Nelsinho não foi punido, mas o episódio deixou sua carreira seriamente ameaçada.
O fenômeno Bolt
Campeão olímpico em Pequim-2008, o jamaicano Usain Bolt provou em 2009 que é um fenômeno do atletismo. Com seu jeito descontraído, o corredor conquistou fãs ao redor do mundo ao bater os recordes mundiais dos 100m e 200m rasos no Mundial de Berlim, confirmando ser o homem mais rápido do planeta. Há limites para o “Raio”?
Ouros e recordes de Cielo
Em 2008, César Cielo surpreendeu a muitos ao ganhar um ouro e um bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim. Em 2009, o nadador brasileiro provou que veio para ficar, sendo campeão mundial nos 50m e 100m livre em Roma e estabelecendo novos recordes para as duas provas. Merecidamente, foi escolhido o melhor atleta brasileiro em eleição promovida pelo Comitê Olímpico Brasileiro.
Em 2009, o futebol do Palmeiras não conseguiu acrescentar uma taça à rica sala de troféus do clube. Mas o local ganhou este ano uma peça importante na história alviverde: a bola do jogo que deu ao clube a sua conquista mais significativa, na opinião de grande parte dos palmeirenses: a Copa de 1951, ganha após o empate por 2 a 2 com o Juventus (Itália), em 22 de julho, no Maracanã. Título reivindicado pelo clube como de campeão mundial.
Hoje, a bola repousa ao lado da Copa Rio no salão de troféus da sede do clube, no Palestra Itália. Mas ela esteve durante muito tempo esquecida em um depósito no local. E foi encontrada por acaso.
Quem a descobriu, meio sem querer, foi o zelador da sala, junto de outras três antigas (uma de vôlei, outra de futebol de salão e uma terceira de futebol).
- Tem umas bolas aqui no depósito embaixo do (troféu Ramon de) Carranza. Que fim dou nelas? – indagou.
Ainda bem que ele perguntou antes de tomar uma atitude.
A marrom, de capotão, com alguns carimbos, chamou a atenção de alguns sócios do clube, interessados pela história da agremiação.
A marca (Superball), o carimbo da CBD, o nome do presidente palmeirense na época (Mario Frugiuele) e uma dedicatória parcialmente ilegível da Rádio Mauá, uma emissora do Rio, despertaram a possibilidade: será que foi a ‘redonda’ da final da Copa Rio?
A desconfiança virou praticamente uma certeza com uma perícia. Os especilistas verificaram que a inscrição da rádio era uma saudação ao Palmeiras “pela conquista do Campeonato Mundial de 51″.
Após a investigação, o pesquisador José Ezequiel, um dos responsáveis pela descoberta, encontrou uma foto que mostrava o juiz da partida contra o Juventus, Gabriel Tordjan, entregando a bola do apito final ao presidente palmeirense.
A bola ficou durante anos ficou na casa de Mario Frugiuele, até ser entregue ao clube por familiares do dirigente.
Não se sabe como ela foi parar em um depósito. Mas hoje, tem o local de destaque merecido.
A conquista do título brasileiro de 2009 quebrou um jejum de 17 anos do Flamengo, que havia vencido a competição pela última vez em 1992. E outro fato que não ocorria há 17 anos no Campeonato Nacional também foi verificado na edição encerrada no último dia 6. Pela primeira vez desde 1992, o futebol paulista ficou fora do ‘G-2′ do torneio.
Pesquisa feita pelo jornalista Bernardo Pombo, do excelente blog “Bola de Meia“, mostra que nos 16 Campeonatos Brasileiros disputados entre 1993 e 2008, o estado de São Paulo esteve representado na primeira ou na segunda colocação. Ou até nas duas posições.
Em 1992, a final foi carioca, com o Flamengo superando o Botafogo. A partir de então, clubes paulistas conquistaram dez títulos e nove vice-campeonatos.
No Brasileirão de 2009, o São Paulo foi o melhor colocado entre os paulistas, em terceiro lugar.
Veja a lista de campeões e vice brasileiros no período:
O domingo não terminou bem para a torcida do Botafogo, com a derrota para o Vitória. Mas a tarde no Estádio Olímpico João Havelange começou com festa, com a inauguração de uma estátua de Nilton Santos na entrada Oeste do Engenhão. Maior ídolo vivo da história do Alvinegro carioca, o bicampeão mundial em 58 e 62 entra no seleto rol de ex-jogadores eternizados em estádios brasileiros.
A mais famosa estátua de jogador, originalmente, não foi criada para celebrar um atleta especificamente. Mas ficou associado a um nome para sempre. O monumento localizado em frente à entrada principal do Maracanã foi inaugurada em 13 de novembro de 1960, como uma homenagem à conquista do título mundial na Suécia, dois anos antes.
A imagem é de um jogador com a taça Jules Rimet na mão direita e uma bola na esquerda. Apesar de não ter sido a ideia original, a obra foi apelidada de “Estátua do Bellini” pelos torcedores e assim ficou para sempre. Apesar do rosto não lembrar em nada as feições do capitão do selecionado de 58.
Um bicampeão mundial homenageado diretamente com um busto é Garrincha. Ou melhor, dois. A imagem de um dos melhores atacantes da história, com a camisa da seleção brasileira, ficou durante anos e anos em uma das rampas de acesso às arquibancadas do Maracanã. No mesmo caminho da ‘estátua do Bellini’. Mas devido à atitude de torcedores mal educados, que davam tapas na imagem de Mané, foi transferida para o hall dos elevadores do estádio.
Um outro busto do eterno camisa 7, mas com a camisa do Botafogo, foi transferido no ano passado da sala de troféus da sede do Alvinegro para o Engenhão.
No Rio, outro estádio a contar com uma estátua é São Januário. Com uma particularidade: a homenagem a Romário foi colocada à beira do gramado. Inaugurada na reta final da gestão Eurico Miranda, em 2007, para marcar os mil gols do atacante, a imagem gerou muita polêmica: era justo tal reconhecimento para o jogador que também atuou nos rivais Flamengo e Fluminense? Após a chegada de Roberto Dinamite à presidência do clube, chegou a haver o forte comentário que a estátua seria retirada, mas lá permanece até hoje.
O outro grande clube do Rio também lembra um grande ídolo. No estádio das Laranjeiras, está um busto de Castilho, goleiro que defendeu o clube durante 18 anos e que foi convocado para quatro Copas do Mundo (de 50 a 62).
Contemporâneo de Castilho e artilheiro da Copa do Mundo de 50, Ademir Menezes tem uma estátua na Ilha do Retiro desde 1999. Um reconhecimento da diretoria do Sport a um dos principais jogadores revelados pelo clube pernambucano.
Em São Paulo, o Palmeiras tem a tradição de homenagear jogadores que marcaram época no clube. Mas com um requisito, não escrito, mas seguido à risca: eles não podem ter enfrentado o clube. Três bustos estão em uma das alamedas da sede do clube, perto do Palestra Itália: Junqueira, Waldemar Fiúme e Ademir da Guia (foto). Um quarto nome é considerada certo: Marcos. Basta o goleiro deixar os gramados.
Um outro ídolo também tem grandes chances de ‘virar’ estátua. Torcedores do Flamengo criaram um movimento para pedir a inauguração de um monumento em homenagem a Zico no Maracanã. O jogador que mais fez gols no estádio. Autoridades do Rio já aprovaram a homenagem, mas ainda não há previsão para a inauguração.
E Pelé? O Rei do Futebol tem uma estátua em Três Corações, cidade mineira onde nasceu em 1940. E contava com outra (foto ao lado), instalada perto da Fonte Nova, em Salvador. Inaugurado em 1971, o monumento foi seriamente danificado em 2007, quando dois moradores de rua arrancaram os braços da estátua de bronze. Em um deles, estava a Taça Jules Rimet, que o Rei conquistou três vezes.
A seção Jogos na Memória desta semana é com o Palmeiras, que na quarta-feira completou 95 anos. Confira abaixo dez momentos marcantes do clube e os depoimentos de jogadores e técnicos que estiveram nas partidas.
E deixe o seu recado nos comentários: quais são os jogos de orgulho e de vergonha do Palmeiras?
“Tivemos uma semana muito boa antes desse jogo contra o Flamengo. Passamos quase um mês concentrados, porque disputávamos Libertadores, Copa do Brasil e Paulistão, e isso criou um círculo de amizade e um pensamento positivo. E foi uma semana também de expectativa, porque ninguém sabia quem ia jogar. A prioridade era a Libertadores, mas o Felipão deixou claro que iria usar alguns titulares contra o Flamengo. Como tínhamos jogo atrás de jogo, só ficávamos sabendo o time titular praticamente na preleção. Como quase sempre, o Felipão fez uma preleção motivacional para o jogo. Levamos um gol logo no início, o que foi uma pancada para o Palmeiras. Mas não desanimamos. No intervalo, o Felipão mudou o esquema tático, o planejamento inicial, as características de jogo do Palmeiras e a história da partida. Na ida para o intervalo, comentei com o Sérgio que eu decidiria a partida, tanto é que fui ao vestiário e peguei uma a camisa a mais, para jogá-la para a torcida na hora da comemoração. Quando substituí o Arce, o Felipão me disse: ‘Entra e faz o gol’. Fazer gol de cabeça não era a minha especialidade, e nesse jogo fiz dois, mesmo com 22 jogadores na área. No Palmeiras eu sempre colava no goleiro na hora do escanteio e dava um passo para trás, para atrapalhá-lo. Nos acréscimos, o Pimentel ainda acertou a trave. Era eu que estava na marcação, e joguei o corpo em cima dele, senão faria o gol. Esse resultado nos deu muita confiança para o jogo contra o River Plate (pela Libertadores). Foi uma arrancada”
2º lugar: Palmeiras 4 x 0 Corinthians, em 1993
Depoimento de Zinho (atualmente técnico do Miami FC):
“Quando perdemos o primeiro jogo por 1 a 0, veio aquela gozação toda, depois que o Viola imitou um porco. Havia uma semana inteira até a segunda partida. Ficamos fora de São Paulo, mas vimos entrevistas e comentários de torcedores na televisão. Diziam que o Palmeiras iria morrer na praia, que havia sentido o peso da decisão e que ficaria mais um ano na fila. A própria comissão técnica do Corinthians disse que o Palmeiras era superior tecnicamente, mas que havia prevalecido a garra na final. O Vanderlei (Luxemburgo) foi inteligente e usou tudo isso para nos motivar. Ele nem falou muito na preleção. Mostrou um vídeo com tudo o que não deveríamos fazer, como erros de passe, e depoimentos favoráveis ao Corinthians. Depois mostrou um vídeo com coisas positivas, com a nossa grande campanha, como um jogo contra o Rio Branco (6 a 1). Isso mexeu muito com o nosso emocional. Fomos melhores técnica, tática e emocionalmente. Começamos o jogo num ritmo muito forte, pois precisávamos vencer para levar para a prorrogação. O primeiro gol, que marquei de pé direito, começou numa jogada de velocidade do Roberto Carlos. Deu alívio e tranquilidade ao nosso time e obrigou o Corinthians a sair para o ataque. Foi um gol que marcou a conquista e a minha identificação com o Palmeiras. O título de 1993 marcou por ter sido o meu primeiro no clube, por ter acabado com um jejum, por ter dado a alegria de que o torcedor precisava e por ter sido contra o Corinthians. A conquista foi importante porque deu segurança ao patrocinador para continuar investindo e acreditando. Deu mais segurança também para nós, jogadores, pois passamos a jogar sem a cobrança exagerada por não ganhar um título há tanto tempo. O torcedor também passou a confiar no projeto. Foi a partir dali que ganhamos dois Brasileiros, um Rio-São Paulo e outro Paulista.”
3º lugar: Palmeiras 5 x 1 Grêmio, em 1995
Depoimento de Amaral (atualmente no Perth Glory-AUS):
“Já tínhamos sido humilhados pelo Grêmio no Olímpico. Sinceramente, depois que o Grêmio marcou o gol (no Palestra), eu desisti do jogo. Pensei que era hora de condicionar para a final do Paulista. Para mim, a vaca tinha ido para o brejo. Antes do jogo no Palestra, o Cafu pediu para que ao menos buscássemos a vitória. O Mancuso dava a impressão de ser o único que acreditava. Dizia que, se o Grêmio tinha feito cinco gols, nós também poderíamos fazer. Quando marquei o gol, até passei a acreditar na classificação. Os palmeirenses pensaram: ‘Se o Amaral fez um gol depois de quatro anos, dá para acreditar’. Nos primeiros três gols, nem comemorávamos direito. O meu, por exemplo, foi rápido. Quando fizemos o quarto, o jogo pegou fogo, deu injeção de ânimo. O quinto gol foi o mais comemorado e deixou o Grêmio com medo. Nem eles tinham acreditado naqueles 5 a 0 no Olímpico, por isso achavam que já estavam classificados. Nós olhávamos um para o outro e gritávamos: ‘Vamos, que vai dar’. Os torcedores gaúchos já estavam roendo unha e bebendo chimarrão sem ferver. Foi um jogo histórico, saímos de campo aplaudidos. Nunca tinha visto uma torcida comemorando depois da eliminação do time. Se conseguíssemos a classificação, ia dar enfarte em muita gente. Foi uma demonstração de força, que fez os jogadores do Grêmio saírem de cabeça baixa. Aquele jogo serviu muito de exemplo para equipes que precisavam inverter uma vantagem grande”
4º lugar: Palmeiras 3 x 2 Corinthians, em 2000
Depoimento de Marcelo Ramos (atualmente no Ipatinga):
“Eram dois grandes times, num nível bem parecido. Os dois jogos, espetaculares, mostraram isso. O Corinthians tinha cada jogador… Mas o Palmeiras também tinha jogadores diferenciados. Nosso time era de mais pegada, com Sampaio e Galeano no meio. O Corinthians era mais técnico, tinha apenas o Rincón de mais pegada. Não imaginava que a segunda partida seria cheia de gols, como a primeira. Acho que o gol que levamos no finzinho do primeiro jogo (4 a 3 para o Corinthians) fez com que o Felipão mudasse um pouco o time, me escalando como um meia-atacante e deixando Pena e Euller na frente. Eu já tinha característica de voltar e ajudar na marcação. Aliás, todos no Palmeiras ajudavam, mesmo atuando com três atacantes. No vestiário, depois que o Corinthians fez 1 a 1 no fim do primeiro tempo, o Felipão estava bem tranquilo. Não gritou, apenas mostrou que tínhamos condição de ganhar. Tivemos sorte de empatar logo em seguida da virada do Corinthians, com o Alex, e depois viramos numa bola parada, com o Galeano. Na decisão por pênaltis, fui o primeiro a bater. Já havíamos passado pelo Peñarol assim, e havia os jogadores em quem o Felipão confiava. E fui o escolhido para ser o primeiro. Depois do jogo, indo para o CT no ônibus, ele veio até mim e disse: ‘Coloquei você para bater o primeiro pênalti, mas você jogou por dez anos com o Dida no Cruzeiro’. Respondi que não tinha problema. Mas, se eu perco aquele pênalti, mexeria com o aspecto psicológico de todos que bateriam depois. E eram dois grandes goleiros na disputa, tinham fama de pegadores de pênalti”
5º lugar: Palmeiras 6 x 1 Boca Juniors, em 1994
Depoimento de Antônio Carlos (atualmente técnico do São Caetano):
“Era um grupo muito forte. O Boca tinha a sua tradição, o Vélez estava naqueles anos em que surgiu no futebol argentino e o Cruzeiro tinha uma grande equipe. Mas isso não nos assustou muito, não. Encaramos com naturalidade. Tínhamos um timaço, com alguns jogadores que iriam à Copa, além de Edílson, Edmundo… Vários jogadores disputavam sua primeira Libertadores, como Cléber, César Sampaio e Roberto Carlos. Eram jogadores buscando seu espaço no futebol, mas já com um certo nome. Com aquele time, era normal entrarmos em campo confiantes. Sabíamos da dificuldade de enfrentar o Boca, com Mancuso, que depois iria para o Palmeiras. Demos espetáculo e deixamos uma ótima impressão no início da Libertadores. Merecíamos ganhar até por mais. Fizemos 1 a 0 no primeiro tempo. No segundo, com o Boca na ânsia de tentar virar, deu espaço e permitiu a nossa goleada. Na partida na Argentina (pelo returno), perdemos por 2 a 1, mas sem clima de guerra, pancadaria ou discussões, como era praxe. Infelizmente aquele time não conseguiu ganhar uma Libertadores. Fizemos uma viagem ao Japão no meio do torneio e isso nos atrapalhou. Havíamos empatado antes por 0 a 0 com o São Paulo no Pacaembu, numa noite em que poderíamos ter vencido por três ou quatro, se o Zetti não tivesse brilhado. Depois da viagem, perdemos por 2 a 1 no Morumbi.”
AS VERGONHAS:
1º lugar: Palmeiras 3 x 4 Vasco, em 2000
Depoimento de Galeano (atualmente na Traffic):
“Pelos gols no primeiro tempo, muitos jogadores acharam que o Palmeiras já era campeão. Ficaram empolgados com a comemoração da torcida e criaram clima de oba-oba no vestiário. Não vou citar nomes, mas muitos nem estavam em campo. O clube passava por mudanças, com a Parmalat saindo, e por isso tínhamos vários jogadores jovens. Eu e o Arce éramos os mais experientes do elenco e já tínhamos disputado várias finais. Ficamos revoltados e batemos na tecla de que o jogo não estava ganho, pois o Vasco tinha um timaço e era mais experiente do que o Palmeiras. Fazer 3 a 0 numa final é importantíssimo, mas tem que estar atento até o fim. E o Vasco teve uma reação positiva, foi guerreiro. No segundo tempo, eu e o Arce continuamos cobrando em campo, pois não estávamos focados na marcação. O Juninho Paulista pegava a bola com o zagueiro e vinha até o nosso gol. Foi o jogador mais importante daquela final. Eu atuei como zagueiro nesse jogo e pedia para pararem as jogadas, sem violência. Mas tínhamos que administrar a partida e deixar o adversário nervoso. Passamos 45 minutos só nos defendendo, com o Vasco massacrando. Tínhamos o jogo na mão, mas o Vasco soube reagir. Acho que 60% do resultado foram por mérito do Vasco, e 40% por erros nossos.”
2º lugar: Vitória 4 x 3 Palmeiras, em 2002
Depoimento de César (atualmente no Mirassol-SP):
“A última rodada foi só o carimbo. Foi um mal que veio para o bem do Palmeiras, que não tinha a estrutura que se pensava, de clube grande. Tinha muitas deficiências. O departamento médico não tinha aparelhagem suficiente para recuperar vários jogadores ao mesmo tempo, por exemplo. Eu e o Arce tivemos que comprar, por conta própria, um aparelho de choques para nos recuperarmos logo. A academia também era ruim. O Leão reclamou de muitas coisas quando esteve aqui, e algumas mudaram. Essa situação toda estorou naquele time de 2002. Havia um projeto bom, de mudança, nos mesmos moldes do da Parmalat, com o Vanderlei Luxemburgo. Mas ele saiu, e o clube não conseguiu tirar o projeto do papel. Os jogadores tinham muita confiança no Vanderlei e perderam o suporte quando ele saiu. Ficamos sem rumo e pagamos caro. Alguns jogadores estavam subindo das divisões de base, e esse processo foi apressado. Falávamos que o time era bom e nos apegávamos à matemática. Pensávamos: ‘Ainda faltam 19 partidas’. Depois: ‘Ainda faltam 18…’. Não encaramos a situação como deveríamos. No jogo contra o Vitória, muitos disseram que eles iam entregar a partida, e isso mexeu com eles. Foi uma injeção de ânimo. Usaram aquele jogo para mostrar que não tinha nada daquilo. Na preleção, o Levir Culpi falou no grupo, no torcedor, na instituição, nas nossas famílias. Disse que, se ganhássemos aquele jogo, terminaríamos o campeonato como heróis, já que teríamos saído do buraco. Infelizmente, não foi suficiente. Quando levamos o primeiro gol, deu uma baqueada no time, como quem pensa: ‘De novo essa história…’. Em seguida empatamos, mas depois eles ficaram na frente de novo. O Vitória tinha quase zero de chance de se classificar, e o placar anunciava os outros resultados. Pedíamos em campo aos jogadores do Vitória para deixarem o Palmeiras ganhar. Eu fui um deles. Falei com o Jean e com o Emerson, com quem tinha atuado na Portuguesa. Quando não tem mais o que fazer, você apela para qualquer coisa. Mas eles são profissionais e lutaram pelo que era deles.”
3º lugar: Palmeiras 1 x 2 Inter de Limeira, em 1986
Depoimento de Edmar (atualmente presidente do Campinas):
“Aquela equipe era muito boa, além de muito técnica do meio para frente. Encontrou na final um adversário que tinha bons jogadores, mas que se destacava pelo coletivo. A Inter fez 1 a 0 num chute despretensioso, de longe, e depois aumentou num recuo de bola, numa infelicidade do Denis. Eles eram aplicados, mas individualmente o Palmeiras era superior. Sem tirar os méritos da Inter, foi uma zebra. Com os dois jogos no Morumbi, ninguém pensava em outro resultado que não o título do Palmeiras. Era uma vantagem grande não ter que ir para o interior. O Morumbi tinha 115 mil palmeirenses e cinco mil torcedores da Inter. Mas isso não influencia o jogo, até porque eles tinham jogadores experientes, como Bolivar, Gilberto Costa e Kita. Não eram meninos. E já tinham mostrado força e maturidade ao eliminar o Santos na semifinal. Se o Palmeiras tivesse sido campeão, hoje falariam que o fator campo foi decisivo. Não é que eu preferisse enfrentar o Santos. Mas, quando é um dérbi, o jogo é diferente. Se você enfrenta um time pequeno, tem a obrigação de partir para o ataque o tempo todo. Ninguém admitiria o Palmeiras atrás, marcando na defesa. Se enfrentássemos o Santos, teríamos mais opções de estratégia. E tivemos tudo para vencer a primeira partida e matar a Inter. Aí eles teriam de se expor no segundo jogo. Fomos para a partida decisiva com a mesma responsabilidade do confronto anterior. Eles tiraram proveito da velocidade do Tato e do oportunismo do Kita. O Palmeiras sentiu os dois gols sofridos em um curto espaço de tempo. Aquela discussão de patrocínio não teve influência na final. Só quem vive do futebol é que sabe que, quando pisa no gramado, não tem como pensar nisso. Mas havia alguns problemas no elenco, sim. Quando entrei no time titular, o Mirandinha não admitiu ficar na reserva. Ele tinha o respeito de todos quando jogava, inclusive o meu. Mas, quando saiu do time, falou muito e gerou instabilidade. O Jorginho e o Éder até intervieram para apaziguar o clima”.
4º lugar: Palmeiras 2 x 7 Vitória, em 2003
Depoimento de Jair Picerni (atualmente técnico do Red Bull Brasil):
“Essa goleada foi sofrida, foi terrível, mas ao mesmo tempo foi uma referência para se mudar quase tudo. JQuando assumi o cargo, após o rebaixamento, apresentei meu projeto, pois já conhecia bem o clube. E isso previa a saída de alguns ídolos. O presidente na época tinha algumas dúvidas, mas no fim concordou que alguns já não tinham mais espaço. A reformulação fez bem ao Palmeiras. O início do ano foi mais ou menos como esperávamos – claro que não com a goleada. Mas se teve falha até do Marcos, um dos melhores goleiros do mundo, dá para ver como estava o emocional do time. Sair do gol e furar a bola foi um dos maiores frangos da carreira. Na hora, ele falou: ‘Agora é que o pessoal vem em cima de mim’. E o Adãozinho comentou: ‘Misericórdia, hein, Marcão?’. A goleada foi um mal, mas também um aprendizado. Vimos que havia uma necessidade rápida de mudar o grupo. Em nenhum momento pensei em demissão, pois estava iniciando um trabalho e sabia que havia sido contratado por ser qualificado.”
5º lugar: Palmeiras 2 x 1 ASA, em 2002
Depoimento de Fernando (atualmente no Santo André):
“Quando cheguei ao Palmeiras, em 2000, a Parmalat ainda estava lá. Tínhamos 11 titulates e 11 reservas à altura. Até 2002, houve muitas mudanças no elenco. Naquele dia, deu tudo errado. Jogamos muito mal, mesmo fazendo 1 a 0. Não houve nervosismo, ansiedade, nem algo que atrapalhasse. Às vezes um ou outro jogador tem atuação abaixo da média. Mas naquela noite todos foram mal. Quando sofremos o gol de empate, fomos para o vestiário preocupados por causa da questão de gols, já que teríamos que fazer mais dois. Sabíamos que eles se fechariam na defesa e que não estávamos num bom dia. Precisávamos atacar, colocar o time para frente, por isso o Vanderlei mexeu. Mas quem entrou também não foi bem. Sofremos com a ansiedade no segundo tempo, pressionados pelo resultado e pela cobrança da torcida. Aí eu já estava assistindo à partida do banco, o que é muito ruim. Você fica nervoso e não pode ajudar. E você se sente um torcedor, pois acompanha apenas a bola e esquece a parte tática. Dentro de campo, você visualiza o jogo melhor. O resultado foi muito frustrante. Era uma competição tida pelo Vanderlei como prioridade, porque poderia nos dar uma vaga na Libertadores. Durante os dias seguintes, o clima ficou ruim. O torcedor pegou no pé do Vanderlei depois do jogo, e ele repassou tudo pra gente depois (risos). Essa é uma das piores lembranças que eu tenho, junto com a final da Mercosul em 2000.”
Muitos filhos de jogadores de futebol costumam lamentar a ausência dos pais durante grande parte da infância. A rotina de viagens e períodos de concentração reduz sensivelmente o período de convivência entre pais-atletas e a família. Mas no futebol, existem vários casos de “peixinhos” que decidiram seguir a carreira de seus ídolos paternos.
E na história do futebol, há exemplos de filhos que conseguiram repetir o sucesso de seus antepassados em campo. E até superar. Ou nem chegar perto.
O maior nome do futebol mundial deixou um seguidor nos gramados. Mas se Edson Arantes do Nascimento marcou 1.284 gols, Edson Cholbi do Nascimento, o Edinho, decidiu tentar impedir que a bola balançasse a rede. Com passagens pelo Santos (1990/91 e 94/98), Portuguesa Santista (92), São Caetano (93) e Ponte Preta (98), o goleiro sempre foi considerado um arqueiro mediano. Foi titular do Santos durante o Campeonato Brasileiro de 95, quando o time paulista foi vice-campeão nacional.
Assim como Edinho, Ademir da Guia e Djalminha decidiram ser jogadores de futebol em posições diferentes de seus pais. Mas foram reconhecidos como atletas de sucesso. Filho de Domingos da Guia, considerado um dos melhores zagueiros da história do futebol nacional, Ademir da Guia brilhou com a camisa 10 do Palmeiras durante 16 anos e é considerado por muitos palmeirenses com o melhor jogador da história do clube. É um dos três atletas homenageados com um busto na sede social do Alviverde (ao lado de Junqueira e Waldemar Fiúme).
Mas na seleção não obteve o mesmo sucesso do pai. Enquanto Domingos foi titular do Brasil na Copa de 38 e defendeu o país em 25 partidas, Ademir teve poucas chances com a camisa amarela. Atuou em apenas nove jogos pelo selecionado. Somente um de Copa – a disputa do terceiro lugar do Mundial de 74, contra a Polônia. Apesar do bom futebol, não foi relacionado para a Copa de 70.
Djalma Dias e Djalminha (ao lado) tiveram uma trajetória parecida na seleção. Zagueiro de estilo clássico, o pai defendeu o Brasil em 21 partidas, mas não foi convocado para as Copas de 66 e 70, apesar de ser um dos principais beques do país no período (foi campeão paulista pelo Palmeiras em 66 e 69). Foi titular com João Saldanha nas Eliminatórias, mas não foi lembrado por Zagallo. Já o filho perdeu a chance de disputar o Mundial de 2002 – e ser campeão mundial – por ter aplicado uma cabeçada em seu técnico no La Coruña, Javier Irureta, durante um treinamento. No dia da divulgação da lista de convocados para o Mundial, Luiz Felipe Scolari reconheceu que o caso tinha influenciado sua decisão de não chamar o meia. Em 98, também foi ficou fora da relação elaborada de Zagallo (como o pai 28 anos antes), apesar de ter integrado o time campeão da Copa América no ano anterior.
Há casos também de filhos que não apenas seguiram a carreira dos pais. Também atuaram na mesma posição. Caso do lateral Gabriel (ex-Fluminense e São Paulo), filho de Wladimir, ídolo do Corinthians nos anos 70 e 80. A diferença é que o primeiro atua pela direita.
E Alecsandro, hoje no Internacional, atacante com o pai, Lela, destaque do time do Coritiba que conquistou o Campeonato Brasileiro de 1985. E a família tem outro jogador: o meia Richarlyson (São Paulo).
Muitos herdeiros de jogadores bem-sucedidos reclamam que sofrem com as comparações feitas com os pais. Filho mais novo de Zico, maior ídolo da história do Flamengo, Thiago Coimbra teve passagem rápida pelo clube e também não conseguiu se firmar em outras equipes, como Coritiba e Madureira.
Comparações não foram um problema para Paolo Maldini. Um exemplo de filho que conseguiu suplantar o pai. O meio-campista Cesare Maldini defendeu a Itália em duas Copas do Mundo (62 e 66) e foi capitão do Milan em 63, quando o clube italiano foi campeão europeu. Mas hoje é mais conhecido como “o pai de (Paolo) Maldini”, titular da seleção italiana em quatro Mundiais (90, 94, 98 e 2002), cinco vezes campeão da Liga dos Campeões da Europa (89, 90, 94, 2003 e 2007) e um dos maiores ídolos da história do Milan. E a família segue no futebol. Filho de Paolo, Christian, 13 anos, atua nas categorias de base do Rubro-Negro de Milão. Será que veremos a terceira geração de Maldinis no futebol?
Na Argentina, há o exemplo do clã Verón. Juan Ramón Verón, “La Bruja”, foi tricampeão da Libertadores (1968, 69 e 70) pelo Estudiantes de La Plata. Título que seu filho, Juan Sebastián Verón, “La Brujita”, conseguiu incluir em seu vitorioso currículo em julho, ao comandar o mesmo Estudiantes, com a mesma camisa vermelha e branca, ao título continental na decisão contra o Cruzeiro.
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As alamedas da sede social do Palmeiras, no bairro de Perdizes (SP), contam com três estátuas em homenagens a atletas que defenderam as cores do clube: Ademir da Guia, Junqueira, Waldemar Fiúme (em sequência na foto, a partir da esquerda). Mas, em um futuro próximo, o número de homenageados deverá crescer. O presidente do clube, Luiz Gonzaga Belluzzo, pretende incluir mais dois nomes na seleta lista de atletas eternizados. Dois goleiros. Um do passado e um do presente: Oberdan Cattani e Marcos.
Belluzzo afirmou que pretende apresentar ao conselho do clube uma proposta para aprovar a homenagem a Oberdan. Apesar de ser sempre lembrado pelos torcedores alviverdes que puderam acompanhar suas atuações nos anos 40 e 50, o ex-goleiro até hoje não ganhou uma estátua no clube porque jogou contra o Alviverde duas vezes em 1956, quando atuava pelo Juventus.
Segundo José Ezequiel, pesquisador da história do Palmeiras, o estatuto do clube não contém uma norma específica em relação a homenagens a ex-atletas. Mas estas precisam ser aprovadas pelo Conselho de Orientação e Fiscalização. O entendimento tradicional no clube, apesar de não estar escrito, é que o jogador, para ganhar um busto, precisa ter atuado pelo Alviverde por dez anos e jamais ter enfrentado o Palmeiras.
Oberdan defendeu o Palestra Itália/Palmeiras de 1941 a 55. Conquistou quatro títulos paulistas (1942, 44, 47 e 50) e o Rio-São Paulo de 51. E estava no grupo que conquistou a Copa Rio de 51, título que o clube reivindica que a Fifa reconheça como título mundial. Defendeu a seleção brasileira em nove partidas. O ex-goleiro tem 90 anos.
A outra homenagem é considerada um ponto pacífico por Belluzzo. Basta ”São Marcos” encerrar a carreira para que o processo de inauguração de uma estátua sua na sede do clube seja iniciado. Mas se depender do campeão mundial em 2002 pelo Brasil, a homenagem ainda vai demorar. Com 17 anos de clube, Marcos, 36, não pensa em aposentadoria. O contrato assinado com o Palmeiras prevê que ele atue como atleta até 2011. E, pelos três anos seguintes, em um cargo no clube. Mas o arqueiro não descarta jogar até os 40 anos.
Os três homenageados pelo Palmeiras:
Junqueira: Com 40 jogos pela seleção brasileira, o zagueiro atuou por 16 anos no Palmeiras (1931-45), o único clube de sua carreira. Na equipe, ganhou sete paulistas, um recorde no Alviverde.
Principais títulos: Campeonatos Paulista de 1932, 1933, 1934, 1936, 1938 (extra), 1940, 1942 e 1944; Torneio Rio-São Paulo de 1933.
Waldemar Fiúme: Apelidado de “Pai da bola”, era considerado um jogador polivante: atuou como meia, volante e zagueiro. Defendeu por 17 anos (1941 a 58) o Palmeiras, seu único clube.
Principais títulos: Campeonato Paulista de 1942, 1944, 1947 e 1950, Copa Rio de 1951, Torneio Rio-São Paulo de 1951.
Ademir da Guia: Filho do lendário zagueiro Domingos da Guia, Ademir é considerado por muitos o melhor jogador que já defendeu o Palmeiras. Segundo o site oficial do clube, o mais “talentoso” da história do clube. Chegou ao Palestra em 1961 e permaneceu até 1977. Foi o líder da Academia Palmeirense, que conquistou brilhou nos anos 60 e 70.
Principais títulos: Campeonato Brasileiro (72 e 73), Torneio Roberto Gomes Pedrosa (67 e 69), Taça Brasil (67), Torneio Rio-São Paulo (65), Campeonato Paulista (63, 66, 72, 74, 76).
E para você, qual jogador deveria ser homenageado como uma estátua pela diretoria do seu clube? Dê sua opinião no espaço dos comentários
Neste sábado, o Brasil enfrenta o Uruguai, em um dos mais tradicionais clássicos do futebol mundial. Como se tornou tradição nos últimos 15 anos, poucos jogadores que atuam no futebol brasileiro entrarão em campo. Provavelmente, apenas um será titular: o lateral-esquerdo Kléber (Internacional). Mas nos anos 60, a situação era bem diferente. Quase a totalidade dos convocados para a seleção atuava no Brasil. Em 7 de setembro de 1965, como parte das festividades da inauguração do Mineirão, o Brasil enfrentou o Uruguai em um amistoso. E, como era comum naquela época, os 11 que iniciaram a partida com o escudo da CDB no peito jogavam no Brasil. Mas a particularidade é que todos atuavam em um só clube. Naquele dia, o time do Palmeiras trocou o verde pelo amarelo, representou o país e derrotou a seleção uruguaia por 3 a 0.
O convite da CBD ao Alviverde para vestir a camisa da seleção tinha razão de ser. O Palmeiras possuía um dos principais times do país na época, a chamada “verdadeira Academia”. E contava com jogadores com passagem anterior pela selecionado nacional ou que seriam convocados no futuro. No primeiro grupo, estavam o bicampeão mundial Djalma Santos, Julinho Botelho (um dos destaques da seleção na Copa de 54), Djalma Dias, Servílio, Rinaldo e Valdir de Moraes. No segundo, jovens como Ademir da Guia e Dudu.
O treinador também era o do Palmeiras: o argentino Filpo Nuñes. Até hoje o único estrangeiro a dirigir a seleção brasileira.
O entrosado time palmeirense mostrou sua força no gramado do Mineirão. Após criar várias chances de gol, o Brasil-Palmeiras abriu o placar aos 27 minutos, com um pênalti cobrado por Rinaldo. Sete minutos depois, Tupãzinho fez 2 a 0. No segundo tempo, apesar de cinco substituições, a seleção verde-amarela, literalmente, seguiu superior e ampliou aos 29, gol de Germano.
Brasil 3 x 0 Uruguai
Data: 7/9/65
Local: Mineirão
Público: 80 mil pagantes (extra-oficial)
Renda: Cr$ 49.163.125,00
Árbitro: Eunápio de Queiroz (Brasil)
Gols: Rinaldo, aos 27, Tupãzinho, aos 35 minutos do primeiro tempo, e Germano, aos 29 da etapa final.
Brasil: Valdir de Moraes (Picasso); Djalma Santos, Djalma Dias e Ferrari; Dudu (Zequinha) e Valdemar (Procópio); Julinho (Germano), Servílio, Tupãzinho (Ademar Pantera), Ademir da Guia e Rinaldo (Dario).
Uruguai: Taibo (Fogni); Cincunegui (Brito), Manciera e Caetano; Nuñes (Lorda) e Varela; Franco, Silva (Vingile), Salva, Dorksas e Espárrago (Morales).
De xodó a jogador descartável. Obina deixou o Flamengo na última segunda-feira, para ‘alívio’ de muitos torcedores rubro-negros. Depois do atacante não marcar um gol sequer em 17 jogos pelo clube em 2009, a diretoria do Fla aceitou ceder o jogador de graça para o Palmeiras até o fim do ano. Após a péssima fase na Gávea, Obina tem um exempelo no passado para se espelhar na luta pela recuperação. Há 50 anos, um outro jogador deixou o Flamengo pela porta dos fundos e brilhou intensamente no Palestra Itália: Jair Rosa Pinto.
Craque da seleção brasileira, mil vezes melhor que Obina, Jair era um ídolo nacional quando o Flamengo o contratou em 1947 junto ao Vasco, no qual era engranagem importante do Expresso da Vitória. Em dois anos na Gávea, o meia teve até bons momentos (marcou 62 gols em 87 jogos), mas acabou deixando o clube de forma negativa.
Em 21 de agosto de 49, o Flamengo enfrentaria o Vasco, em um jogo fundamental para os dois times no Campeonato Carioca daquele ano. A expectativa na Gávea era que a dupla Zizinho (à esquerda na foto) e Jair (com a camisa do Fla), parceria titular do meio-campo da seleção, conseguisse parar o forte time do Vasco, base do time que disputaria a Copa do Mundo no ano seguinte.
A confiança dos torcedores rubro-negros em um bom resultado era grande. Na véspera da partida, na concentração do Flamengo, o locutor de rádio e compositor Ary Barroso, fanático rubro-negro, perguntou a Jair se poderia apostar sem medo na vitória do time. Insatisfeito com o esquema armado pelo treinador Kanela, o jogador não demonstrou otimismo em um bom resultado.
A resposta surpreendeu Ary, que narraria o clássico no dia seguinte. E na partida, Jair teve uma atuação muito abaixo do normal, com a direito a um ‘gol feito’ perdido diante do goleiro vascaíno Barbosa. A má apresentação gerou desconfiança em Ary Barroso, que insinuou na transmissão que o camisa 10 estaria vendido ao Vasco. Algo jamais comprovado.
As declarações do mais famoso – e mais ouvido – narrador esportivo do Rio de Janeiro naquele época inflamaram torcedores do Flamengo, que teriam queimado uma camisa rubro-negra após o jogo, em um ataque direto a Jair.
O clima pesado e as acusações sem provas foram demais para o craque, que uma semana depois transferiu-se para o Palmeiras. E em São Paulo, o jogador que havia virado vilão para torcedores do Fla passou a ser herói da torcida palmeirense. Na decisão do Campeonato Paulista de 50, o empate era suficiente para o Alviverde ganhar o título, mas a equipe foi para o intervalo perdendo por 1 a 0 para o São Paulo. No vestiário, Jair deu uma tremenda bronca nos companheiros, exigindo raça. E na volta a campo, mostrou garra, superando o campo enlameado pela forte chuva e deu o passe para Aquiles marcou o gol do empate que assegurou o troféu.
No ano seguinte, foi peça-chave para o Palmeiras ganhar a Copa Rio, superando o Vasco na semifinal e o Juventus-ITA na decisão. O que o colocou definitivamente na galeria dos grandes jogadores da história do clube.
Claro que a categoria de Jair não se compara à (pouca) técnica de Obina. Mas o exemplo de meio século atrás pode servir de incentivo para o ex-xodó da Gávea voltar a ser exaltado por uma grande torcida.
Até o dia 31, os fãs do bom futebol têm a oportunidade de conferir, em São Paulo, uma belíssima exposição sobre a carreira de Julinho Botelho. Um dos muitos craques brasileiros que não tiveram a felicidade de conquistar um título mundial. Com peças cedidas pela família do ex-jogador, falecido em 11 de janeiro de 2003, a exposição instalada na sede do Palmeiras traça um panorama completo da carreira do craque. Um mérito da diretoria do Alviverde, que não restringiu o evento à passagem do jogador pela equipe. Quem for ao espaço anexo à sala de troféus do clube no Palestra Itália, poderá ver, por exemplo, camisas usadas pelo ponta-direita na Portuguesa e no Juventus-SP.
As camisas são um dos destaques da exposição. Como a amarela, número 7, usada por Julinho em 13 de maio de 1959 no amistoso entre Brasil e Inglaterra. Escalado por Vicente Feola como titular no lugar de Garrincha, Julinho recebeu há 50 anos, ao entrar em campo, a maior vaia da história do Maracanã. Que conseguiu transformar em aplausos com apenas dois minutos e meio de jogo, ao marcar o primeiro gol da vitória brasileira por 2 a 0. Uma camisa da seleção inglesa da mesma partida também está exposta.
Imagens raras desta partida histórica podem ser assistidas pelos visitantes. Assim como cenas da final do Paulista do mesmo ano, em que Julinho comandou o Palmeiras na vitória sobre o Santos de Pelé e cia.
Fotos, troféus, medalhas, faixas de campeão e reproduções de jornais e revistas também estão na mostra, que pode ser vista de terça a sexta-feira das 14h30 às 20h. Aos sábados e domingos, o horário de visitação é de 10h30 às 18h. A sede do Palmeiras fica na Rua Turiassu, 1840. Quem não for sócio do clube, deve pedir convite pelo e-mail historia.palmeiras@gmail.com. Vale a pena.
Nascido e criado na Tijuca (RJ), Marcelo Monteiro é jornalista há 14 anos. Trabalhou na sucursal do Rio do jornal "Folha de S. Paulo" e atua em sites desde 1998. Na retaguarda, participou da cobertura das Copas de 1998, 2002 e 2006.
Atualmente é responsável pelas áreas de memória e estatísticas do GLOBOESPORTE.COM.
Tem como hobby uma modesta coleção de itens antigos relacionados a futebol.